Se na zona rural as pessoas sofrem no transporte, precisando ser transportadas como gado em carrocerias de caminhões, na zona urbana a coisa também não é nada boa. O sufoco nos ônibus, nos vagões de trens e metrô cheios
poderia ser encarado como um perverso instrumento de opressão. Foucault analisou a opressão e repressão dos corpos desde que a criança nasce, passando pela disciplina absurda nas escolas e em várias outras fases pela vida. Tudo começa nos corpos, a repressão sexual, a falta de liberdade das crianças nas escolas (veja o vídeo abaixo de Pink Floyd) podem ser vistas como opressão, controle e desumanização.
FOUCAULT E A OPRESSÃO DOS CORPOS
As análises genealógicas
de Foucault descrevem o funcionamento de uma série de mecanismos
disciplinares nas sociedades modernas. Esses mecanismos se caracterizam
por tornar os gestos dos indivíduos cada vez mais eficientes através de
um controle permanente e calculado. A Disciplina “adestra” os corpos no
intuito de tanto multiplicar suas forças, para que possam produzir
riquezas, quanto diminuir sua capacidade de resistência política. É
nesse sentido que a função da disciplina não pode ser confundida com a
da opressão. Enquanto esta pode mesmo chegar a destruir o corpo; a
disciplina, por sua vez, pretende aproveitá-lo ao máximo, como se ele
fosse uma máquina. Este trabalho pretende abordar os procedimentos que
caracterizam aquilo que Foucault denominou de Poder Disciplinar.(...)
http://www.efdeportes.com/efd139/a-nocao-de-disciplina-de-michel-foucault.htm
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quinta-feira, 8 de maio de 2014
Urbanização - Opressão e repressão
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sábado, 6 de março de 2010
IDEALISTAS ISOLADOS - LIVRO LANÇADDO EM 1999 - NJR-ECA/USP
Idealistas Isolados é lançado na Estação Ciência
O Núcleo José Reis de Divulgação Científica promove, dia 18 de agosto(1999), a partir das 14h30, na Estação Ciência, em São Paulo, o lançamento do livro Idealistas Isolados. Ensaios sobre Divulgação Científica: Linguagem e Posturas. Estarão presentes ao evento, entre outras personalidades do meio científico e acadêmico, o Reitor da USP, Jacques Marcovitch, e o diretor da Estação Ciência, Ernst Hamburguer.A obra, segundo volume da Coleção Divulgação Científica, é organizada por Glória Kreinz e Crodowaldo Pavan, respectivamente coordenadores de pesquisa e de divulgação do NJR. O livro conta com ensaios dos organizadores e de personalidades que conviveram de perto com José Reis, como Nair Lemos Gonçalves e Maria Julieta Ormastroni.
Momentos relevantes da carreira do mestre da divulgação científica no Brasil são mostrados no livro, em textos que abordam desde trechos de artigos de José Reis nos anos 30 e 40 até as reuniões de que participou no Instituto Biológico de São Paulo.
Idealistas Isolados ainda traz textos de análise da divulgação de Ciência & Tecnologia nos quatro mais importantes jornais brasileiros (Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Jornal do Brasil).
No mesmo dia e local, será aberta a 4a Mostra de Material de Divulgação e Ensino das Ciências, cujo tema é "O Desafio de Ensinar Ciências no Século XXI", com encerramento no dia 22.
O endereço da Estação Ciência é Rua Guaicurus, 1274, no bairro da Lapa.
Momentos relevantes da carreira do mestre da divulgação científica no Brasil são mostrados no livro, em textos que abordam desde trechos de artigos de José Reis nos anos 30 e 40 até as reuniões de que participou no Instituto Biológico de São Paulo.
Idealistas Isolados ainda traz textos de análise da divulgação de Ciência & Tecnologia nos quatro mais importantes jornais brasileiros (Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo e Jornal do Brasil).
No mesmo dia e local, será aberta a 4a Mostra de Material de Divulgação e Ensino das Ciências, cujo tema é "O Desafio de Ensinar Ciências no Século XXI", com encerramento no dia 22.
O endereço da Estação Ciência é Rua Guaicurus, 1274, no bairro da Lapa.
http://www.eca.usp.br/nucleos/njr/inf20.htm
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Um idealista isoladoEdição Impressa 47 - Outubro 1999
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Um idealista isoladoEdição Impressa 47 - Outubro 1999
Aos 92 anos, José Reis é um símbolo vivo do trabalho de divulgação científica no Brasil. O médico carioca, formado pela Faculdade Nacional de Medicina, especializado em microbiologia e patologia pelo Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, contratado pelo Instituto Biológico de São Paulo em 1929, experimentou suas primeiras possibilidades de explicar problemas científicos para um público não especializado escrevendo folhetos e artigos para seções agrícolas de jornais e, principalmente, colaborações sistemáticas para a revista Chácaras e Quintais, a partir de 1932.
Ele falava então, para granjeiros, das doenças, das pragas, dos muitos problemas e dos cuidados que deviam ser tomados na criação de galinhas. Mas sua atividade regular no jornalismo científico começa, de fato, em abril de 1947, quando ele passa a colaborar com as Folhas (da Manhã, da Tarde e da Noite), e desde então não mais interrompe esse trabalho. As Folhas tornaram-se o poderoso jornal Folha de S. Paulo e lá está, no caderno Mais, a cada domingo, a coluna Periscópio, do doutor José Reis - um profissional tão respeitado no jornal que se tornou seu diretor de redação de 1962 a 1967.
Em seu já longuíssimo tempo de trabalho, José Reis teve garra para batalhar, na primeira metade da década de 40, pela criação da FAPESP e, na segunda metade, pela criação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC, da qual foi o primeiro secretário-geral, em 1948. Fundou e tornou-se o primeiro editor da revista Ciência e Cultura da SBPC, em 1949 (até 1954 e, depois, de 1972 a 1985). Em 1958, aposentando-se do Instituto Biológico, fundou com outros dois sócios a editora Ibrasa-Instituição Brasileira de Difusão Cultural S/A, para lançar livros-fermentos que trouxessem idéias novas e provocassem debate.
Sua atuação na editora estende-se até 1978. Conquistou prêmios (Prêmio Governador do Estado de Jornalismo Científico, em 1962, Prêmio John R. Reitemeyer de Jornalismo Científico, da Sociedade Pan-Americana de Imprensa e União Pan-Americana de Imprensa, em 1964, Prêmio Kalinga, da Unesco, em 1975) e tornou-se nome do primeiro prêmio nacional de jornalismo científico, instituído pelo CNPq, em 1979. Tornou-se alvo e nome de um núcleo de estudos sobre divulgação científica na Escola de Comunicação e Artes da USP, em 1992.
Essa trajetória impressionante tem sido cumprida por um homem definido por aqueles que o conhecem mais de perto como extremamente discreto e suave. E que sem nenhuma dúvida mereceria o epíteto que ele, em agosto de 1988, num de seus artigos no Mais, atribuiu a cientistas e jornalistas que, há muitos anos, vêm fazendo a divulgação da ciência e da tecnologia e de sua importância para o desenvolvimento econômico, social e político do país: idealistas isolados.
FONTE : http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=803&bd=1&pg=1&lg=
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
A mulher do campo
Por Cylene Dantas da Gama
A Mulher do Campo - figura negligenciada na cultura ocidental, cidadã de segunda classe na Terra Brasilis. Dados da FAO estimam que as mulheres são responsáveis por mais de 50% da produção mundial de alimentos, sendo 80% na África, 60% na Ásia e 30 a 40% na América do Sul. As mulheres vêm cada vez mais assumindo posição de chefia na atividade rural, e raramente são reembolsadas pelo quantum de seu trabalho, e quase nunca são reconhecidas legal ou socialmente pela função. Com freqüência, são relegadas no momento da partilha legal, e muito raramente têm acesso aos créditos de financiamento inerentes à produção agrícola. A elas também é negado o acesso à educação e aos programas de extensão rural.
Ao permitir que tal situação persista, estamos contribuindo para uma sub-utilização de valiosa mão-de-obra e capital humano na agricultura. Rebaixando seu potencial e restringindo seu conhecimento, estamos inibindo sua contribuição para o combate da pobreza. Está na hora de dar a esta mulher marginalizada o lugar de honra que ela merece, colocando-a no centro do palco da comunidade rural, inspirando também aqueles que vão industrializar a sua produção.
O grande desafio não é aumentar seu potencial laboral, já definido. Temos sim que valorar e enriquecer suas possibilidades pois, certamente, junto a isto veremos a redução dos níveis de pobreza, e isto não é possível sem estendermos a ela as facilidades de acesso à educação.
O combate à pobreza é obrigação de todo brasileiro e de toda brasileira. Por pequeno que a gente se sinta ou seja. Quem de nós não conhece, ou conhece alguém que conhece, uma dessas mulheres que precisa de tal ajuda? Temos é que avaliar onde há o perspectiva de investimento e dedicarmos algumas horas do mês para tal voluntariado. As reuniões de Pais e Mestres nas escolas é um bom terreno para semear a idéia e as ações pertinentes. A pastoral da igreja, ou o culto de sua religião, seriam caminhos viáveis.
- À mulher do campo não basta saber escrever, ela tem que desenvolver a compreensão básica da aritmética e do meio ambiente que a circunda, assimilando os conceitos sazonais e aprendendo a coletar dados.
- Ela tem que ser trazida aos centros locais comunitários e tem que começar a fazer parte de instituições e projetos de ordem estadual e nacional.
- Ela tem que ser convidada para conhecer novas práticas agrícolas, buscando o conhecimento da sustentabilidade e do gerenciamento. As sociedades rurais municipais têm aqui um papel relevante.
- Ela tem que ser instruída quanto a valores nutritivos, segurança alimentar, planejamento familiar e tomar conhecimento das doenças transmissíveis, e como evitá-las.
Desnecessário acrescentar que o processo educativo da mulher do campo fortalece a comunidade como um todo, abre os canais do conhecimento e da comunicação para a sua prole e agregados. A mulher melhor orientada e ciente toma decisões lastreadas quanto aos procedimentos e tecnologias mais eficientes para selecionar o que plantar, como ensilar, como processar o alimento, automaticamente reduzindo as perdas. Fará melhor aplicação de suas economias e envidará maiores esforços na educação dos seus.
Dia 15 de outubro comemora-se mundialmente o Dia da Mulher do Campo. O Instituto Serrano Neves (www.serrano.neves.nom.br) planeja parcerias para festejar este dia como se deve. Se você pode, deve ou está interessado, comunique-se com a gente.
Cylene Dantas da Gama é Gestora Operacional do Instituto Serrano Neves. Historiadora, ela cursou pós-graduação em História e Política da América Latina, em Massachussetts nos Estados Unidos. Foi oficialmente distinguida como Cidadã Honorária do Estado da Florida (Estados Unidos) por serviços voluntariados prestados. É membro da International Society for Ecological Economics, entidade destinada a promover a integração de modelos eco-econômicos para gerenciar biodiversidade. É co-fundadora da ONG Mantiqueiraviva envolvida com a preservação do Maciço da Mantiqueira , no Brasil. É também filiada ao movimento internacional Mulheres Diversas pela Diversidade, liderado pela mundialmente conhecida eco-cientista Dra. Vandana Shiva. Cylene vem ativamente patrocinando a luta para incluir Mulheres Brasileiras num contexto maior de ação e cidadania, liderando grupos afins e proferindo palestras em programas de conscientização feminina.
Email: isnoperacional@serrano.neves.nom.br
http://ecoviagem.uol.com.br/fique-por-dentro/artigos/meio-ambiente/a-mulher-do-campo-666.asp
A Mulher do Campo - figura negligenciada na cultura ocidental, cidadã de segunda classe na Terra Brasilis. Dados da FAO estimam que as mulheres são responsáveis por mais de 50% da produção mundial de alimentos, sendo 80% na África, 60% na Ásia e 30 a 40% na América do Sul. As mulheres vêm cada vez mais assumindo posição de chefia na atividade rural, e raramente são reembolsadas pelo quantum de seu trabalho, e quase nunca são reconhecidas legal ou socialmente pela função. Com freqüência, são relegadas no momento da partilha legal, e muito raramente têm acesso aos créditos de financiamento inerentes à produção agrícola. A elas também é negado o acesso à educação e aos programas de extensão rural.
Ao permitir que tal situação persista, estamos contribuindo para uma sub-utilização de valiosa mão-de-obra e capital humano na agricultura. Rebaixando seu potencial e restringindo seu conhecimento, estamos inibindo sua contribuição para o combate da pobreza. Está na hora de dar a esta mulher marginalizada o lugar de honra que ela merece, colocando-a no centro do palco da comunidade rural, inspirando também aqueles que vão industrializar a sua produção.
O grande desafio não é aumentar seu potencial laboral, já definido. Temos sim que valorar e enriquecer suas possibilidades pois, certamente, junto a isto veremos a redução dos níveis de pobreza, e isto não é possível sem estendermos a ela as facilidades de acesso à educação.
O combate à pobreza é obrigação de todo brasileiro e de toda brasileira. Por pequeno que a gente se sinta ou seja. Quem de nós não conhece, ou conhece alguém que conhece, uma dessas mulheres que precisa de tal ajuda? Temos é que avaliar onde há o perspectiva de investimento e dedicarmos algumas horas do mês para tal voluntariado. As reuniões de Pais e Mestres nas escolas é um bom terreno para semear a idéia e as ações pertinentes. A pastoral da igreja, ou o culto de sua religião, seriam caminhos viáveis.
- À mulher do campo não basta saber escrever, ela tem que desenvolver a compreensão básica da aritmética e do meio ambiente que a circunda, assimilando os conceitos sazonais e aprendendo a coletar dados.
- Ela tem que ser trazida aos centros locais comunitários e tem que começar a fazer parte de instituições e projetos de ordem estadual e nacional.
- Ela tem que ser convidada para conhecer novas práticas agrícolas, buscando o conhecimento da sustentabilidade e do gerenciamento. As sociedades rurais municipais têm aqui um papel relevante.
- Ela tem que ser instruída quanto a valores nutritivos, segurança alimentar, planejamento familiar e tomar conhecimento das doenças transmissíveis, e como evitá-las.
Desnecessário acrescentar que o processo educativo da mulher do campo fortalece a comunidade como um todo, abre os canais do conhecimento e da comunicação para a sua prole e agregados. A mulher melhor orientada e ciente toma decisões lastreadas quanto aos procedimentos e tecnologias mais eficientes para selecionar o que plantar, como ensilar, como processar o alimento, automaticamente reduzindo as perdas. Fará melhor aplicação de suas economias e envidará maiores esforços na educação dos seus.
Dia 15 de outubro comemora-se mundialmente o Dia da Mulher do Campo. O Instituto Serrano Neves (www.serrano.neves.nom.br) planeja parcerias para festejar este dia como se deve. Se você pode, deve ou está interessado, comunique-se com a gente.
Cylene Dantas da Gama é Gestora Operacional do Instituto Serrano Neves. Historiadora, ela cursou pós-graduação em História e Política da América Latina, em Massachussetts nos Estados Unidos. Foi oficialmente distinguida como Cidadã Honorária do Estado da Florida (Estados Unidos) por serviços voluntariados prestados. É membro da International Society for Ecological Economics, entidade destinada a promover a integração de modelos eco-econômicos para gerenciar biodiversidade. É co-fundadora da ONG Mantiqueiraviva envolvida com a preservação do Maciço da Mantiqueira , no Brasil. É também filiada ao movimento internacional Mulheres Diversas pela Diversidade, liderado pela mundialmente conhecida eco-cientista Dra. Vandana Shiva. Cylene vem ativamente patrocinando a luta para incluir Mulheres Brasileiras num contexto maior de ação e cidadania, liderando grupos afins e proferindo palestras em programas de conscientização feminina.
Email: isnoperacional@serrano.neves.nom.br
http://ecoviagem.uol.com.br/fique-por-dentro/artigos/meio-ambiente/a-mulher-do-campo-666.asp
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
O ESPETÁCULO DA VIDA - URANIANO MOTA
02/10/2008

Escrito por urariano às 19h29
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FONTE : http://urarianoms.blog.uol.com.br/arch2008-09-28_2008-10-04.html
O espetáculo da vida
Urariano Mota
Nem todo o mundo sabe. Guará pode ser nome de um pássaro, de plumagem bela e vermelha, ou o nome de um lobo, que vive até na zona da mata, onde adora devorar cana-de-açúcar. Mas o Guará a que vou me referir é um cortador de cana, que conheci em terras da Usina Catende, aonde fui em trabalho jornalístico. A reportagem está inédita até agora. Acredito que uma forte razão, para a reportagem não ver a luz, é o depoimento desse Guará trabalhador.
Vocês vão ver. Esse depoimento mostra uma relação nova entre capital e trabalho. Em curtas e eloqüentes palavras, Guará traça o destino que ganhou sua vida, desde o dia em que a Usina Catende passou a ser governada por cortadores de cana. Reunidos em cooperativa, com mais de 4.000 famílias, fizeram da Usina Catende a maior experiência de autogestão da América Latina.
Copio o que ele disse, adaptando a grafia das palavras à forma com que ele as falou.
“– Sou conhecido como Guará, desde menino. Tenho 42 anos. E tenho 3 hectares de terra. Trabaiamo eu e minha famía. Na época da safra, eu trabai na produção da moagem, aí eu tiro na faixa de uns 600 a 700 por mês. Isso como cooperado. Como fornecedor, dependendo da moagem, dá pra fazer 2.500, até 3.000 eu faço. Isso na safra. Fora da safra, eu tou no FAT, tiro 415 reais por mês.
- Como era sua vida antes?
- Rapaz, minha vida era aquela, difícil, né?, porque eu num tinha acesso a nada pra trabaiá. Quiria trabaiá, mas os home num deixava, porque quando nóis prantava, eles arrancava. Aí teve o quê? Uma demissão em 1993, que eles butarum pra fora 2.340 trabaiadô, e num pagou. Aí nós se ajuntou com os sindicato, butamo pra fora o usineiro, e tomamo as posse das terra. Aí tome a assentar, todo o mundo, a maioria do povo aqui, todos eles tem as casa, pra trabaiá, dele, casa do moradô que foi feita...
- A casa em que você mora é própria?
- É minha. Antes eu num tinha nada, nada, nada. E agora eu tenho casa, até uma mansão de casa eu tenho. A minha casa é grande, é. Minha casa tem, só de comprimento, minha casa tá com 14 metro quase. Com 6 metro de largura. Tem 3 quarto minha casa, três sala, e uma cozinha e um banheiro com 2 e 60, com 1 e 80 de largura.
- E o terreno todo?
- O terreno todo é o que eu pudé pegá. O que eu pudé pegá, é meu.
- O que você tem na sua casa de eletrodoméstico?
- Rapaz, eu tenho uma televisão boa, tenho antena paraboto, tenho ventiladô, liquidificadô, tenho som, tenho uma geladeira boa, tenho um armaro, ferro elétrico, tudo. O que um pobre pode ter, eu tenho. Um fogão a gás bom. Tenho comida de primeira. Eu digo de primeira porque... nós só comia o quê, quando era antigamente? Sardinha, bofe, tripa. Agora, não. Agora, se eu quisé galinha, é galinha. Se eu dissé quero cumê carne de gado, é carne de gado. Se eu quisé cumê carne de poico, é carne de poico. Um peixe eu como. O que eu quisé cumê, tá nas minhas mão”.
Ao ouvir no gravador em casa as palavras de redenção desse homem, tive uma iluminação. Aquilo que João Cabral escreveu com ironia e revolta, em Morte e Vida Severina, ao comparar a riqueza do açúcar com a morte do trabalhador na fome, quando escreveu
“Viverás, e para sempre
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator”....
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator”....
Aquela morte na terra onde o homem estaria mais ancho que estava no mundo, Guará mudou em nova poesia: “antes eu num tinha nada, nada, nada. E agora eu tenho casa, até uma mansão de casa eu tenho... O que eu quisé cumê, tá nas minhas mão”. De fato, não há melhor resposta que o espetáculo da vida. Mesmo quando é a explosão de uma vida Guará.
(Também no Direto da Redação, http://www.diretodaredacao.com/)
Escrito por urariano às 19h29
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FONTE : http://urarianoms.blog.uol.com.br/arch2008-09-28_2008-10-04.html
terça-feira, 25 de agosto de 2009
À procura de uma besta - ANÚNCIO DE JOÃO ALVES -
Carlos Drummond de Andrade
ANÚNCIO DE JOÃO ALVES
À procura de uma besta
Figura o anúncio no jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:
À procura de uma besta
A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em conseqüência de um golpe, cuja
extensão pode alcançar 4 a 6 centímetros, produzido por jumento. Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.
Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado.
Itambé de Mato Dentro, 19 de novembro de 1899.
(a) João Alves Júnior
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
55 anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura,
mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado,
repousas suavemente no pequeno cemitério do Itambé. Mas teu anúncio continua
modelo no gênero, senão para ser imitado, ao menos como objeto de admiração
literária.
Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste
apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não
a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro
recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam.
Formulaste depois o raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste
um belo e nítido retrato da besta.
Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo
“de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto
na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e
histórico atribuiu com segurança a um jumento.
Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do
povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi
roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse
cálculo”. Revelas a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo
que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e
desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.
Finalmente, deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a
declaração positiva: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”,
será “razoavelmente remunerado”. Não prometeste recompensa tentadora: não
fazes praça da generosidade ou largueza: acenas com o razoável, com a justa
medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e
entregues.
Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves
do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la
com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a
descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de
objetos e animais perdidos na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa
precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude
crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar
até num anúncio de besta perdida.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
(Seleta em prosa e verso. José Olympio Editora, 1973, p.23 apud Faraco e Teza.
Oficina de Texto. Curitiba: Livraria do Eleoterio, 1999. p.31-2)
FONTE: http://coralx.ufsm.br/depeco/doc_docentes/doc_Jose_Lannes_de_Melo/Anuncio_Joao_Alves_Drummond_Micro_II.pdf
ANÚNCIO DE JOÃO ALVES
À procura de uma besta
Figura o anúncio no jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:
À procura de uma besta
A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em conseqüência de um golpe, cuja
extensão pode alcançar 4 a 6 centímetros, produzido por jumento. Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.
Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado.
Itambé de Mato Dentro, 19 de novembro de 1899.
(a) João Alves Júnior
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
55 anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura,
mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado,
repousas suavemente no pequeno cemitério do Itambé. Mas teu anúncio continua
modelo no gênero, senão para ser imitado, ao menos como objeto de admiração
literária.
Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste
apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não
a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro
recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam.
Formulaste depois o raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste
um belo e nítido retrato da besta.
Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo
“de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto
na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e
histórico atribuiu com segurança a um jumento.
Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do
povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi
roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse
cálculo”. Revelas a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo
que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e
desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.
Finalmente, deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a
declaração positiva: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”,
será “razoavelmente remunerado”. Não prometeste recompensa tentadora: não
fazes praça da generosidade ou largueza: acenas com o razoável, com a justa
medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e
entregues.
Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves
do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la
com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a
descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de
objetos e animais perdidos na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa
precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude
crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar
até num anúncio de besta perdida.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
(Seleta em prosa e verso. José Olympio Editora, 1973, p.23 apud Faraco e Teza.
Oficina de Texto. Curitiba: Livraria do Eleoterio, 1999. p.31-2)
FONTE: http://coralx.ufsm.br/depeco/doc_docentes/doc_Jose_Lannes_de_Melo/Anuncio_Joao_Alves_Drummond_Micro_II.pdf
sexta-feira, 10 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Sina Do Caboclo - João do Vale /J.B.de Aquino/Zélia Barbosa
Mas plantar prá dividir
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo,
Ganho a vida na enxada.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada.
Se assim continuar
vou deixar o meu sertão,
mesmos os olhos cheios d'água
e com dor no coração.
Vou pró Rio carregar massas
prós pedreiros em construção.
Deus até está ajudando :
está chovendo no sertão !
Mas plantar ...
Quer ver eu bater enxada no chão,
com força, coragem , com satisfação ?
e só me dar terra prá ver como é :
eu planto feijão, arroz e café ;
vai ser bom prá mim e bom pró doutor.
eu mando feijão, ele manda tractor .
vocês vai ver o que é produção !
modéstia á parte, eu bato no peito :
eu sou bom lavrador !
Mas plantar ...
Trechos extraídos do documentário João do Vale - Muita Gente Desconhece, resultado de mais de 10 anos de pesquisa feita pelo diretor Werinton Kermes.
Este trecho tem o depoimento de Rita Ribeiro (cantora) e participações de Miúcha (cantora) e Chico Anysio (humorista, ator, escritor e pintor).
Lançamento - 2005
Produção - MWM
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo,
Ganho a vida na enxada.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada.
Se assim continuar
vou deixar o meu sertão,
mesmos os olhos cheios d'água
e com dor no coração.
Vou pró Rio carregar massas
prós pedreiros em construção.
Deus até está ajudando :
está chovendo no sertão !
Mas plantar ...
Quer ver eu bater enxada no chão,
com força, coragem , com satisfação ?
e só me dar terra prá ver como é :
eu planto feijão, arroz e café ;
vai ser bom prá mim e bom pró doutor.
eu mando feijão, ele manda tractor .
vocês vai ver o que é produção !
modéstia á parte, eu bato no peito :
eu sou bom lavrador !
Mas plantar ...
Trechos extraídos do documentário João do Vale - Muita Gente Desconhece, resultado de mais de 10 anos de pesquisa feita pelo diretor Werinton Kermes.
Este trecho tem o depoimento de Rita Ribeiro (cantora) e participações de Miúcha (cantora) e Chico Anysio (humorista, ator, escritor e pintor).
Lançamento - 2005
Produção - MWM
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terça-feira, 23 de junho de 2009
SOL - OZÔNIO
Todos nós amamos o sol, porem o aquecimento global aliado à baixa de ozônio fez com que o câncer de pele se tornasse epidêmico, estamos como a Austrália ( no mapa mundi quem quiser verá que a linha que passa pelo Brasil é a mesma que vai até a Austrália) porem o governo esconde o fato e prefere receber a alta renda dos impostos da venda de protetores à preços exorbitantes.
Os tecidos nanotecnológicos com filtro solar são impossíveis de serem encontrados à preços acessíveis.
Imaginem o que sofrem os camponeses e os pescadores, que se expõem ao sol não para se divertir e embelezar e sim para sobreviver! É uma tristeza ver que até os animais estão com grande incidência de câncer de pele, isso é fato e qualquer veterinário te confirmará.
Todo tipo de pele está sujeito à esta doença, negros e indígenas não são imunes.
Atualmente a incidência desta doença devastadora no Brasil é maior que a de câncer de mama e de próstata.
Os tecidos nanotecnológicos com filtro solar são impossíveis de serem encontrados à preços acessíveis.
Imaginem o que sofrem os camponeses e os pescadores, que se expõem ao sol não para se divertir e embelezar e sim para sobreviver! É uma tristeza ver que até os animais estão com grande incidência de câncer de pele, isso é fato e qualquer veterinário te confirmará.
Todo tipo de pele está sujeito à esta doença, negros e indígenas não são imunes.
Atualmente a incidência desta doença devastadora no Brasil é maior que a de câncer de mama e de próstata.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
CENTENÁRIO DE PATATIVA DO ASSARÉ
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sábado, 6 de junho de 2009
Poesia – João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina – Parte VIIÌ
ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO
Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
é de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.
Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
é uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
é uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.
é uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.
Viverás, e para sempre
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.
Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.
Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.
Será de terra
tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.
Será de terra
e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.
Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.
Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.
Tua roupa melhor
será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.
Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.
Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).
Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo)
Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).
Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).
Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos)
Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).
Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.
Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.
Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.
Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.
Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.
Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.
Dentro da rede não vinha nada,
só tua espiga debulhada.
Dentro da rede vinha tudo,
só tua espiga no sabugo.
Dentro da rede coisa vasqueira,
só a maçaroca banguela.
Dentro da rede coisa pouca,
tua vida que deu sem soca.
Na mão direita um rosário,
milho negro e ressecado.
Na mão direita somente
o rosário, seca semente.
Na mão direita, de cinza,
o rosário, semente maninha,
Na mão direita o rosário,
semente inerte e sem salto.
Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.
De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito à viração.
Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
Se abre o chão e te envolve,
como mulher com que se dorme.
Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
é de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.
Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
é uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
é uma cova grande
para teu defunto parco,
porém mais que no mundo
te sentirás largo.
é uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca.
Viverás, e para sempre
na terra que aqui aforas:
e terás enfim tua roça.
Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas.
Agora trabalharás
só para ti, não a meias,
como antes em terra alheia.
Trabalharás uma terra
da qual, além de senhor,
serás homem de eito e trator.
Trabalhando nessa terra,
tu sozinho tudo empreitas:
serás semente, adubo, colheita.
Trabalharás numa terra
que também te abriga e te veste:
embora com o brim do Nordeste.
Será de terra
tua derradeira camisa:
te veste, como nunca em vida.
Será de terra
e tua melhor camisa:
te veste e ninguém cobiça.
Terás de terra
completo agora o teu fato:
e pela primeira vez, sapato.
Como és homem,
a terra te dará chapéu:
fosses mulher, xale ou véu.
Tua roupa melhor
será de terra e não de fazenda:
não se rasga nem se remenda.
Tua roupa melhor
e te ficará bem cingida:
como roupa feita à medida.
Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido).
Esse chão te é bem conhecido
(bebeu o moço antigo)
Esse chão te é bem conhecido
(bebeu tua força de marido).
Desse chão és bem conhecido
(através de parentes e amigos).
Desse chão és bem conhecido
(vive com tua mulher, teus filhos)
Desse chão és bem conhecido
(te espera de recém-nascido).
Não tens mais força contigo:
deixa-te semear ao comprido.
Já não levas semente viva:
teu corpo é a própria maniva.
Não levas rebolo de cana:
és o rebolo, e não de caiana.
Não levas semente na mão:
és agora o próprio grão.
Já não tens força na perna:
deixa-te semear na coveta.
Já não tens força na mão:
deixa-te semear no leirão.
Dentro da rede não vinha nada,
só tua espiga debulhada.
Dentro da rede vinha tudo,
só tua espiga no sabugo.
Dentro da rede coisa vasqueira,
só a maçaroca banguela.
Dentro da rede coisa pouca,
tua vida que deu sem soca.
Na mão direita um rosário,
milho negro e ressecado.
Na mão direita somente
o rosário, seca semente.
Na mão direita, de cinza,
o rosário, semente maninha,
Na mão direita o rosário,
semente inerte e sem salto.
Despido vieste no caixão,
despido também se enterra o grão.
De tanto te despiu a privação
que escapou de teu peito à viração.
Tanta coisa despiste em vida
que fugiu de teu peito a brisa.
E agora, se abre o chão e te abriga,
lençol que não tiveste em vida.
Se abre o chão e te fecha,
dando-te agora cama e coberta.
Se abre o chão e te envolve,
como mulher com que se dorme.
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ILHA DAS FLORES (1989)- JORGE FURTADO (LOCUÇÃO DE PAULO JOSÉ)
Esse curta metragem dirigido por Jorge Furtado é de extrema relevância. Costumo descrever seu impacto como o de um soco. Divertido feito um tapa, e ao mesmo tempo ácido e corrosivo como a própria vergonha humana diante da façanha nossa.
Os simples dez minutos de filme contêm informações até demais, e os minutos gastos para a compreensão do vídeo, com certeza ultrapassam seu tempo de exibição.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
VALÉRIA FAGUNDES CONTANDO SUA HISTÓRIA NO MUSEU DA PESSOA
Depoimento de Valéria Fagundes para o Museu da Pessoa.
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quinta-feira, 7 de maio de 2009
LUTA NA TERRA DE MAKUNAIMA 1
Primeira parte do documentário da TV Cultura sobre a Raposa/Serra do Sol
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sábado, 2 de maio de 2009
TRABALHO ESCRAVO - EDILSON SANTANA
02 Mai 2009 - 01h12min
O trabalho tem acompanhado o ser humano desde as suas origens. Sempre esteve presente na existência humana. O que tem mudado é a maneira de concebê-lo e a relação que se mantém com ele ao longo da história. Tradicionalmente, a avaliação positiva da atividade humana caía sobre o ócio. O trabalho era tido como algo penoso.
A palavra “trabalho” provém do vocábulo latino “tripalium”, que se referia ao instrumento constituído de três paus, utilizado para imobilizar animais de carga na hora de lhes colocar ferraduras.
Embora abolida a escravidão, ainda existe o trabalho escravo. A chamada Lei Áurea não foi capaz de erradicar o estado de pobreza, dependência econômica e atraso, no tocante ao escravismo de trabalhadores em determinadas regiões. Por mais absurdo que possa parecer, a utilização de mão-de-obra em regime escravocrata atinge milhares de analfabetos e famintos, reduzidos à “máquina de gerar trabalho”, no dizer de Paul Lafargue.
No Brasil, em pleno século XXI, o escravismo do trabalhador ainda é realidade, embora seja previsto como crime, nos termos do art. 149, caput, do Código Penal, com a seguinte dicção: “reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: pena – reclusão de dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência”.
Com efeito, é flagrante o descumprimento da lei em algumas localidades do país. Os protagonistas dessa ação degradante são, em regra, grandes latifundiários, madeireiros, proprietários de olarias e carvoarias, que, usando de falsas promessas, aproveitam-se do estado de miséria de determinados seguimentos de desempregados.
Por conseguinte, é deplorável a situação a que são submetidos os trabalhadores em ambientes insalubres, sem condições de higiene e limpeza e, na maioria dos casos, sem instalações sanitárias, sujeitando-se a uma série de doenças em meio a insetos e animais. Acrescenta-se a isso as jornadas de trabalho de até 16 horas diárias, sem descanso em finais de semana, incluindo aí, também, o trabalho infantil.
Há casos em que os trabalhadores sequer conhecem, com antecedência, os locais onde irão prestar serviços e, muitas vezes, são enganados, pois são informados de que irão para um Estado e são encaminhados a outro, perdendo, assim, o contato com a família, já que são vigiados diuturnamente por agentes de segurança armados.
À evidência, o trabalho, em tais condições, afronta a Constituição e as Leis, ferindo de frente a dignidade da pessoa humana, o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e o direito à própria vida.
Por tudo isso, espera-se que o Estado, diante desse contexto delituoso, adote posição enérgica e puna, exemplarmente, os culpados. A condenação a meras indenizações para infratores ricos e poderosos não basta para combater essa triste e dolorosa situação, absolutamente comprometedora dos direitos humanos.
FONTE : http://www.opovo.com.br/opovo/jornaldoleitor/873952.html
O trabalho tem acompanhado o ser humano desde as suas origens. Sempre esteve presente na existência humana. O que tem mudado é a maneira de concebê-lo e a relação que se mantém com ele ao longo da história. Tradicionalmente, a avaliação positiva da atividade humana caía sobre o ócio. O trabalho era tido como algo penoso.
A palavra “trabalho” provém do vocábulo latino “tripalium”, que se referia ao instrumento constituído de três paus, utilizado para imobilizar animais de carga na hora de lhes colocar ferraduras.
Embora abolida a escravidão, ainda existe o trabalho escravo. A chamada Lei Áurea não foi capaz de erradicar o estado de pobreza, dependência econômica e atraso, no tocante ao escravismo de trabalhadores em determinadas regiões. Por mais absurdo que possa parecer, a utilização de mão-de-obra em regime escravocrata atinge milhares de analfabetos e famintos, reduzidos à “máquina de gerar trabalho”, no dizer de Paul Lafargue.
No Brasil, em pleno século XXI, o escravismo do trabalhador ainda é realidade, embora seja previsto como crime, nos termos do art. 149, caput, do Código Penal, com a seguinte dicção: “reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: pena – reclusão de dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência”.
Com efeito, é flagrante o descumprimento da lei em algumas localidades do país. Os protagonistas dessa ação degradante são, em regra, grandes latifundiários, madeireiros, proprietários de olarias e carvoarias, que, usando de falsas promessas, aproveitam-se do estado de miséria de determinados seguimentos de desempregados.
Por conseguinte, é deplorável a situação a que são submetidos os trabalhadores em ambientes insalubres, sem condições de higiene e limpeza e, na maioria dos casos, sem instalações sanitárias, sujeitando-se a uma série de doenças em meio a insetos e animais. Acrescenta-se a isso as jornadas de trabalho de até 16 horas diárias, sem descanso em finais de semana, incluindo aí, também, o trabalho infantil.
Há casos em que os trabalhadores sequer conhecem, com antecedência, os locais onde irão prestar serviços e, muitas vezes, são enganados, pois são informados de que irão para um Estado e são encaminhados a outro, perdendo, assim, o contato com a família, já que são vigiados diuturnamente por agentes de segurança armados.
À evidência, o trabalho, em tais condições, afronta a Constituição e as Leis, ferindo de frente a dignidade da pessoa humana, o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e o direito à própria vida.
Por tudo isso, espera-se que o Estado, diante desse contexto delituoso, adote posição enérgica e puna, exemplarmente, os culpados. A condenação a meras indenizações para infratores ricos e poderosos não basta para combater essa triste e dolorosa situação, absolutamente comprometedora dos direitos humanos.
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TRAILER DO FILME "FUMANDO ESPERO" DE ADRIANA L.DUTRA (ADRIANA DIZ QUE OS FUMICULTORES SÃO ESCRAVOS E ...)
Em entrevista a Tv Brasil,Adriana L. Dutra, diretora deste documentário,disse que os fumicultores no Brasil são escravos e praticam suicídio! O maior índice de suicidas está entre os fumicultores! A razão disto origina-se na política de trabalho escravo proposta pela indústria do cigarro,os trabalhadores já entram devendo no negócio e se praticam suicídio a família é liberada das dívidas!Absurdo total!
Os cidadãos deste país não podem virar a cara para estes fatos absurdos!
O situação do trabalhador rural ou urbano no Brasil tem muito o que evoluir!
Nadia Stabile - 02/05/09
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A poesia de João Cabral de Melo Neto
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 30 de dezembro de 1984
Poeta maior - entre os cinco grandes da literatura brasileira - João Cabral de Melo Neto lançou um novo livro ,"Auto do Frade" - (Livraria José Olimpio Editora, 90 páginas), enquanto "Morte e Vida Severina", em 19 anos, chega agora em sua 20a edição - também lançada pela José Olympio. Como diz a própria editora, à primeira vista (mas só a primeira vista), a poesia de João Cabral de Melo Neto é "espantosamente simples".
Em frases curtas de termos coloquiais, o poeta nos induz a uma primeira conclusão, para ali, com cuidado, levar-nos a outro novo conceito, a sucessivos novos raciocínios, de onde também por sua vez, e de novo, cautelosamente, somos conduzidos a novas idéias, para acabar descobrindo que, idéias e raciocínios, junto com sentimentos e sensações, todos, estiveram sempre latentes em nossa emoção desde a primeira frase do poema.
Esse partir junto com o poeta para novas idéias e sensações é, em João Cabral, repetido de modo assombroso, conduzindo-nos sempre ao deslumbramento da reinvenção do dia a dia. Reinvenção que nos leva a compreender que nunca percebemos até que ponto a realidade do dia a dia (a vida e a morte dentro da vida), são a essência do lirismo.
Mas João Cabral não é apenas o poeta da luz nossa de cada dia. Usando essa luminosidade "intestina", o poeta denuncia injustiças sociais e começo importante para diminuir desigualdades humanas - revela a grandeza insuspeitada dos humildes e esquecido.
"Morte e Vida Severina", que leva o subtítulo de "E Outros Poemas em Voz Alta", divide-se em quatro partes: "Bailes", poemas para serem lidos a mais de uma voz; os poemas "Dois Parlamentos", "Morte e Vida Severina" um auto de Natal pernambucano e "O Rio", um monólogo.Chico Buarque de Holanda e transformou-se num especial de televisão de grande sensibilidade e beleza. O tema aos poemas deste livro de João Cabral de Melo Neto (145 páginas, capa de Carybe, Cr$ 5.700,00) é o Nordeste Brasileiro, sua gente, sua paisagem geográfica e humana. O livro insere-se na fase em que os poemas de JCML são considerados como dos escritos de conteúdo social mais importantes da literatura brasileira.
xxx
Ao mesmo tempo que reedita "Morte e Vida Severina" - e mantém em catálogo seus outros livros ("Poesias Completas", "Antologia Poética", "Museu de Tudo", a antologia "Poesia Crítica"), a José Olympio lançou uma nova obra do autor pernambucano: "Auto do Frade". Sobre esta nova obra, ninguém melhor do que o crítico e escritor Edilberto Coutinho (que passou parte de sua adolescência em Curitiba) para acentuar o significado do tema.
"Há não poucos anos, Cabral descobriu Frei Caneca. E o drama de Joaquim do Amor Divino germinou na sua reflexão. Agora recria - (no esplêndido texto em 87 páginas) a figura modelar do líder da denominada Confederação do Equador e autor intelectual da revolução republicana (Morto em 1825, no Recife, por ordem da Corte, por ele "ofendida"). Este Auto do Frade (atenção, cineastas a procura de grandes temas brasileiros) e entre outras coisas, um perfeito cinema de palavras. Roteiro rezando para ser filmado. Tal o poder visual, plástico e empático das imagens agudamente perdurantes criadas por João Cabral.
A gente não somente lê, mas verdadeiramente vê o suplício de Frei Caneca e, por extensão, do povo nordestino (tema de sempre do autor) mais renegado.
Cabral nos conduz a intimidade do último dia de vida de Joaquim do Amor Divino, quando o frade rebelde acorda numa cela toda pintada de preto (prenúncio da morte). Depois, o Caneca caminha com uma corda (nela deverá ser enforcado) pelas ruas de Recife. Pois era o enforcamento a "a pena habitual para assassinos e bandidos", enquanto o fuzilamento constituía execução "digna do militar, mesmo insubmisso". "O Imperador dos brasileiros que "os escritores admiravam" (sic) - tardou, mas o indulto veio: "Não puderam não conceder-lhe/Essa honra de ser fuzilado". E assim, o incômodo do Amor Divino acaba sendo "promovido" na hora final.
Joaquim do Amor Divino não era padre só de rezar missa. Queria dar norte (nortear) ao seu povo do Norte. Dar comida, fé e esperança.
E o Pão da liberdade. Seu crime. Sob a luz cegante e sobre as pedras sepulcrais do Recife, o Caneca caminha. Vai morrer? Mas não está morto.
Calmo, sereno, vai adiante: "lavado e leve", como convém. Crê no mundo, apesar de tudo. "Sabe que não o consertará" (os escritores também não?) mas outros, depois dele poderão ter as consciências despertadas.
E acredita que um mundo melhor advirá. Seu sonho. Também o poeta João Cabral de Melo acredita. Apesar de tudo".
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veiculo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento: Nenhum
Coluna ou Seção: Tablóide
Página: 26
Data: 30/12/1984
FONTE: http://www.millarch.org/artigo/poesia-de-joao-cabral
Poeta maior - entre os cinco grandes da literatura brasileira - João Cabral de Melo Neto lançou um novo livro ,"Auto do Frade" - (Livraria José Olimpio Editora, 90 páginas), enquanto "Morte e Vida Severina", em 19 anos, chega agora em sua 20a edição - também lançada pela José Olympio. Como diz a própria editora, à primeira vista (mas só a primeira vista), a poesia de João Cabral de Melo Neto é "espantosamente simples".
Em frases curtas de termos coloquiais, o poeta nos induz a uma primeira conclusão, para ali, com cuidado, levar-nos a outro novo conceito, a sucessivos novos raciocínios, de onde também por sua vez, e de novo, cautelosamente, somos conduzidos a novas idéias, para acabar descobrindo que, idéias e raciocínios, junto com sentimentos e sensações, todos, estiveram sempre latentes em nossa emoção desde a primeira frase do poema.
Esse partir junto com o poeta para novas idéias e sensações é, em João Cabral, repetido de modo assombroso, conduzindo-nos sempre ao deslumbramento da reinvenção do dia a dia. Reinvenção que nos leva a compreender que nunca percebemos até que ponto a realidade do dia a dia (a vida e a morte dentro da vida), são a essência do lirismo.
Mas João Cabral não é apenas o poeta da luz nossa de cada dia. Usando essa luminosidade "intestina", o poeta denuncia injustiças sociais e começo importante para diminuir desigualdades humanas - revela a grandeza insuspeitada dos humildes e esquecido.
"Morte e Vida Severina", que leva o subtítulo de "E Outros Poemas em Voz Alta", divide-se em quatro partes: "Bailes", poemas para serem lidos a mais de uma voz; os poemas "Dois Parlamentos", "Morte e Vida Severina" um auto de Natal pernambucano e "O Rio", um monólogo.Chico Buarque de Holanda e transformou-se num especial de televisão de grande sensibilidade e beleza. O tema aos poemas deste livro de João Cabral de Melo Neto (145 páginas, capa de Carybe, Cr$ 5.700,00) é o Nordeste Brasileiro, sua gente, sua paisagem geográfica e humana. O livro insere-se na fase em que os poemas de JCML são considerados como dos escritos de conteúdo social mais importantes da literatura brasileira.
xxx
Ao mesmo tempo que reedita "Morte e Vida Severina" - e mantém em catálogo seus outros livros ("Poesias Completas", "Antologia Poética", "Museu de Tudo", a antologia "Poesia Crítica"), a José Olympio lançou uma nova obra do autor pernambucano: "Auto do Frade". Sobre esta nova obra, ninguém melhor do que o crítico e escritor Edilberto Coutinho (que passou parte de sua adolescência em Curitiba) para acentuar o significado do tema.
"Há não poucos anos, Cabral descobriu Frei Caneca. E o drama de Joaquim do Amor Divino germinou na sua reflexão. Agora recria - (no esplêndido texto em 87 páginas) a figura modelar do líder da denominada Confederação do Equador e autor intelectual da revolução republicana (Morto em 1825, no Recife, por ordem da Corte, por ele "ofendida"). Este Auto do Frade (atenção, cineastas a procura de grandes temas brasileiros) e entre outras coisas, um perfeito cinema de palavras. Roteiro rezando para ser filmado. Tal o poder visual, plástico e empático das imagens agudamente perdurantes criadas por João Cabral.
A gente não somente lê, mas verdadeiramente vê o suplício de Frei Caneca e, por extensão, do povo nordestino (tema de sempre do autor) mais renegado.
Cabral nos conduz a intimidade do último dia de vida de Joaquim do Amor Divino, quando o frade rebelde acorda numa cela toda pintada de preto (prenúncio da morte). Depois, o Caneca caminha com uma corda (nela deverá ser enforcado) pelas ruas de Recife. Pois era o enforcamento a "a pena habitual para assassinos e bandidos", enquanto o fuzilamento constituía execução "digna do militar, mesmo insubmisso". "O Imperador dos brasileiros que "os escritores admiravam" (sic) - tardou, mas o indulto veio: "Não puderam não conceder-lhe/Essa honra de ser fuzilado". E assim, o incômodo do Amor Divino acaba sendo "promovido" na hora final.
Joaquim do Amor Divino não era padre só de rezar missa. Queria dar norte (nortear) ao seu povo do Norte. Dar comida, fé e esperança.
E o Pão da liberdade. Seu crime. Sob a luz cegante e sobre as pedras sepulcrais do Recife, o Caneca caminha. Vai morrer? Mas não está morto.
Calmo, sereno, vai adiante: "lavado e leve", como convém. Crê no mundo, apesar de tudo. "Sabe que não o consertará" (os escritores também não?) mas outros, depois dele poderão ter as consciências despertadas.
E acredita que um mundo melhor advirá. Seu sonho. Também o poeta João Cabral de Melo acredita. Apesar de tudo".
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veiculo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento: Nenhum
Coluna ou Seção: Tablóide
Página: 26
Data: 30/12/1984
FONTE: http://www.millarch.org/artigo/poesia-de-joao-cabral
Marcadores:
ALIMENTAÇÃO,
ARTE,
BRASIL,
CINEMA,
DIREITOS HUMANOS,
HISTÓRIA,
HOMEM,
LIBERDADE,
LITERATURA,
LIVRO,
OPRESSÃO,
POBRES,
PODER,
POESIA,
POETAS,
RAIZES CULTURAIS,
ZONA RURAL
segunda-feira, 27 de abril de 2009
(POESIA MATUTA E ERUDITA )- CENTENÁRIO DE PATATIVA DO ASSARÉ - FILME DOCUMENTÁRIO DE Rosemberg Cariry
CENTENÁRIO DE PATATIVA DO ASSARÉ
22/02/09 do site Ser-Tão-Paulistano
O centenário de Patativa do Assaré está próximo. Dia 05 de março de 1909 nasceu no sertão das cotias (ops, é melhor que se corrija o texto, afinal já não estamos mais em São Luis do Paraitinga, de cartola na mão, ao som das marchinhas do Juca Teles). Serra de Santana! Município de Assaré, sul do Ceará. Isso, lá nasceu Antonio Gonçalves da Silva, o filho de dona Maria e de seu Pedro, agricultor.
Consolidou seu nome na história como poeta popular, cantor, compositor e improvisador, sendo uma das figuras mais importantes da música nordestina do século XX. Recebeu diversos prêmios e títulos como o de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Regional de Cariri (1989), da Universidade Estadual do Ceará (1999), da Universidade Federal do Ceára (1999) e da Universidade Tiradentes, em Sergipe (2000). Está sendo estudado na Sorbonne (França), na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.(...)
(...)
“Patativa descontente,
nesta gaiola cativa
muito embora diferente,
eu também sou Patativa
Linda avezinha pequena,
temos o mesmo desgosto
sofremos a mesma pena,
embora em sentido oposto,
Teu sofrer e meu penar
clamam a divina lei
tu presas pra cantar
e eu preso porque cantei!”
Patativa do Assaré foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais; mas de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. Além de poeta popular, foi cantador, violeiro, improvisador, poeta de bancada e também escreveu cordéis (apesar de não se considerar um "cordelista"). [Mais em Wikipedia, verbete Patativa do Assaré](...)
DOCUMENTÁRIO
Patativa do Assaré – Ave Poesia
Documentário, Brasil. 2007.
Direção: Rosemberg Cariry
Sinopse: O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré,destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaré consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo. Aço e rosa.
LEIA MAIS EM :
FONTE: http://sertaopaulistano.blogspot.com/2009/02/centenario-de-patativa-do-assare.html.
22/02/09 do site Ser-Tão-Paulistano
O centenário de Patativa do Assaré está próximo. Dia 05 de março de 1909 nasceu no sertão das cotias (ops, é melhor que se corrija o texto, afinal já não estamos mais em São Luis do Paraitinga, de cartola na mão, ao som das marchinhas do Juca Teles). Serra de Santana! Município de Assaré, sul do Ceará. Isso, lá nasceu Antonio Gonçalves da Silva, o filho de dona Maria e de seu Pedro, agricultor.
Consolidou seu nome na história como poeta popular, cantor, compositor e improvisador, sendo uma das figuras mais importantes da música nordestina do século XX. Recebeu diversos prêmios e títulos como o de Professor Doutor Honoris Causa da Universidade Regional de Cariri (1989), da Universidade Estadual do Ceará (1999), da Universidade Federal do Ceára (1999) e da Universidade Tiradentes, em Sergipe (2000). Está sendo estudado na Sorbonne (França), na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel.(...)
(...)
“Patativa descontente,
nesta gaiola cativa
muito embora diferente,
eu também sou Patativa
Linda avezinha pequena,
temos o mesmo desgosto
sofremos a mesma pena,
embora em sentido oposto,
Teu sofrer e meu penar
clamam a divina lei
tu presas pra cantar
e eu preso porque cantei!”
Patativa do Assaré foi a voz não só do sertanejo nordestino e dos trabalhadores rurais; mas de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. Além de poeta popular, foi cantador, violeiro, improvisador, poeta de bancada e também escreveu cordéis (apesar de não se considerar um "cordelista"). [Mais em Wikipedia, verbete Patativa do Assaré](...)
DOCUMENTÁRIO
Patativa do Assaré – Ave Poesia
Documentário, Brasil. 2007.
Direção: Rosemberg Cariry
Sinopse: O filme aborda a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré,destacando a relevância dos seus poemas, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira. Dono de um ritmo poético de musicalidade única, mestre maior da arte da versificação e com um vocabulário que vai do dialeto da língua nordestina aos clássicos da língua portuguesa, Patativa do Assaré é a síntese do saber popular versus saber erudito. Patativa do Assaré consegue, com arte e beleza, unir a denúncia social com o lirismo. Aço e rosa.
LEIA MAIS EM :
FONTE: http://sertaopaulistano.blogspot.com/2009/02/centenario-de-patativa-do-assare.html.
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ARTE,
BIOGRAFIA,
BRASIL,
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ZONA RURAL
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