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sábado, 14 de julho de 2018
Sequelados da ditadura civil e militar - Brasil
Foi em 1968 que Paulo Freire escreveu "Pedagogia do Oprimido", seu livro mais conhecido pelo mundo!
Em 1968 eu tinha 10 anos e já sentia a encrenca que o Brasil passava com a ditadura civil e militar.
Muitas sequelas ficaram, em mim e para a maior parte das pessoas que tiveram de frequentar escolas e universidades naqueles tristes tempos! E os que nem frequentavam escolas na época... o que teria ocorrido com suas cabeças? teriam sido lobotomizados e nem perceberam?
A opressão é a coisa pior que o ser humano inventou, é ferramenta do fascismo, a pior delas!
Uma das sequelas que tenho até hoje, teve reforço na época da faculdade. Havia a matéria Organização Social e Política, similar a Educação Moral e cívica que tínhamos no ginasial, atual ensino fundamental ou básico, nível 2. O professor desta matéria adotava um único livro e propunha que fizéssemos o seguinte: recortar noticias de jornais ou revistas e colar numa pasta, isto durante o semestre todo e no final apresentássemos tal pasta. Muitos não faziam nada disto, e chegando ao final do semestre ficavam desesperados para completar tal tarefa esdrúxula... então, corriam a ficar pedindo recortes aos outros, ou buscando jornais antigos para fazer tais recortes. Se os estudantes haviam lido ou não os tais recortes, ou se só tinham lido os títulos, não importava ao professor.
Como dizia Paulo Freire, "os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem".
No entanto, o que ficou destas propostas indecentes e de tudo relativo a esta não educação dos tempos da ditadura, foi que o caráter do povo foi deformado, oprimido, as pessoas sentiram que só a alienação seria possível pra que elas pudessem sobreviver com alguma paz! Mas que paz? que preço vergonhoso teve esta paz? O povo brasileiro não conseguiu aprender nem de leve o que seria cidadania! Não aprendeu nada que fosse humanizador, não, não conseguiu nem vislumbrar o que seria união, o que seria tomar partido de até... um familiar, não, a covardia inundou a todos.
E o que estes pais, avôs, bisavôs, que eram as crianças, os jovens e os adultos da época da ditadura, poderiam transmitir de significativo a estas gerações atuais? nada ou quase nada.Da minoria que se revoltava... muitos morreram...outros sofreram muito, porque inclusive sofreram sozinhos, sem o apoio da massa alienada e oprimida.
Os colegas de faculdade que assim como eu, quase nem liam as tais matérias de jornal, (que passavam pela censura dos militares), ficaram talvez para sempre se sentindo incapazes de compreender muitos fatos que ocorriam na época e até hoje se eximem de tentar entender de verdade o que ocorreu e o que hoje ocorre! E assim a raiz da alienação inserida lá na década de 70 até hoje surte bom resultado aos propósitos indecentes e fascistas dos militares e da invasão imperialista...opa, ou seria invasão cultural militar imperialista!?
Nadia Gal Stabile - 14 07 2018
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terça-feira, 19 de setembro de 2017
19 de setembro - este blog, Paulo Freire e meu pai
A amiga Verônica Callado envia-me estes banners acima com frases de Paulo Freire via whatsapp, relembrando que hoje é o aniversário de Paulo Freire, mesmo dia de meu pai que faria 101 anos hoje.
E este blog faz 9 anos hoje também! Data muito importante pra mim e pra muitos que admiram a obra e o grande homem Paulo Freire!
Este blog sempre caminhou com a gentil e espontânea colaboração de amigos daqui da web e até alguns de fora da web. Desde seu início a proposta seria esta, de que as pessoas enviassem, poemas ou artes pra cá.
Paulo Freire está presente na minha vida desde 1977 por ai... quando na faculdade não se podia ir fundo em sua obra, pois a ditadura bloqueava tudo... era triste... tivemos de passar por estes tempos tenebrosos e atualmente outra vez parece que as podridões da ditadura andam ressuscitando com descaramento total...
Também por causa de Paulo Freire virei blogueira há 10 anos, e consegui ver melhor a minha realidade e a do mundo, ler o mundo como dizia P. Freire, ler o mundo o máximo que se puder, até o ponto de saber que nada é como o ego da gente sonhava!
Descobri graças a Paulo Freire, que se professores não enxergarem sua própria opressão, dificilmente poderão formar, educar crianças, jovens ou adultos livres!
Ahh, a liberdade!! esta que andei lutando por ela nestes 10 anos de blogs, como é difícil alcançá-la!
De repente um Tsunami de porcarias fascistas nos atacam... e ai nos sentimos mais formiguinhas do que antes, porque como lutar contra esta avalanche de coisas retrógradas e limitadoras? como?
Só absurdos...e se meu pai ainda estivesse vivo... nossaa!!
Meu pai e Paulo Freire foram e ainda são grandes pra mim, mas sei, que ninguém pode ser perfeito sendo humano! Cada um faz o que pode, alguns tentam fazer o máximo, outros fazem bem menos porque possuem muitos privilégios e assim caminha a humanidade aos trancos e barrancos!
Está muito difícil prosseguir ... está complicado... a vida chega em pontos onde tudo parece estar hiper intrincado, porque as raízes do fascismo se multiplicam por todos os lados, inclusive em nossa vizinhança! É muito triste ainda se constatar que muitos ainda só pensam em seus próprios umbigos.
Que muitos perdem todos seus direitos e outros não estão nem ai e ainda lucram com a situaçao!
Ainda sou uma mulher de meia idade ou passando dela, de classe média ou pós classe média, que não ganha um tostão pra fazer este blog e que já está em crise financeira desde o ano 1998, professora desempregada desde 2006, desenhista que não vende desenho algum, e que já tem a crise como companheira há tempos, esta sou eu, uma "fracassada" deste mundo torto. Em 2016 fiz um concurso para trabalhar no SESC, passei, mas até hoje não me chamaram, se um dia chamarem, será tarde demais.
Agradeço aos amigos que colaboram aqui com o blog, direta ou indiretamente, abraços.
Nadia Gal Stabile
SP, 19 de setembro de 2017
INÍCIO
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
num apertar de botão e o livre arbítrio
*da série:para não explodir, mas já explodindo
faça, faça tudo o que quiser nesta vida,
pinte e borde, estrague a vida dos outros,
às vezes de milhões, bilhões de pessoas
...e de pessoas que nunca lhe fizeram mal algum
como perdoar os crápulas?
como?
dizem que nem a vida perdoa
outros dizem que depois que um crápula morre
vira uma geleia amorfa e ai terá de recomeçar do zero
isso para quem sabe que reencarnação existe
ou não, nem se trata de reencarnação
trata-se de uma outra coisa muito mais profunda
e real que só alguns já entenderam
energias ficam sempre pairando no ar, no cosmos
e a totalidade destas energias são resultado
de tudo o que os seres fazem, pensam, sentem
quantos gritos de socorro estão nesta totalidade?
quantas crueldades?
quantos ais, quantos momentos de amor?
é preciso melhorar esta mistura
é preciso fazê-la ficar clara, translúcida
livre de sujidades inúteis! leve, suave, amorosa
a tal da amorosidade que Paulo Freire expressava tão bem!
fico pensando, será que a força amorosa de poucos pode,
neutralizar a força suja destes poucos
crápulas mundiais que corroem tudo?
o livre arbítrio dos machistas e fascistas
leva-os para onde?
quando agem com total covardia
massacrando, matando mulheres,
crianças e os mais fracos que eles,
praticando até genocídios de povos originários,
acabando com os ecos sistemas,
tudo pela ganância,
pela cegueira que provoca tantos sofrimentos
e males irrecuperáveis!
me parece que como sempre
o livre arbítrio é quase sempre equivocado.
se "um lider" mundial usar seu livre arbítrio para o mal
num apertar de botão,
adeus planeta!
esta é a "humanidade"
nadia gal stabile - 08 02 2017
INÍCIO
domingo, 5 de fevereiro de 2017
"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre." Paulo Freire
Filha deixa de falar com os pais porque bateram panelas contra Dilma.
A Internet destrambelhou de vez a cabeça das pessoas que só sabem ouvir besteiras e deixam de ouvir a si próprias. As pessoas fecham-se ao raciocínio, agem por impulsos, por emoções e a razão?
Deixam-se guiar pela tv, pelo jornal, pelo amigo, pela família e aí quando tudo fracassa, colocam a culpa nos outros...e nelas? foram elas que fizeram a opção de se deixarem de lado.
Excluir seja lá quem for é a maior canalhice, é desamor, é indiferença, e todos nós temos alguma utilidade, excluir é a maior deficiência e geralmente quem exclui é quase sempre quem está por cima, quem tem vida melhor, então fica fácil pisar nos que estão por baixo! O ato de excluir tem tudo a ver com conflitos de classes e ainda estes que excluem, rejeitam as ideias de Karl Marx, que falta de informação!
A maior ignorância é achar-se o tal!
Este blog é esdrúxulo porque aqui escrevo o que tenho vontade e tento ser franca, sendo subjetiva, mas também objetiva, se eu fosse só subjetiva... seria uma grande deficiência minha. Ver só o lado da gente é pobre, é medíocre, é limitado.
A maior deficiência do ser humano é fechar-se para os outros, sejam estes outros quem forem.
Excluir pessoas é grave, e excluir pessoas de sua própria família ai... é péssimo!
A maior deficiência é o desamor e a indiferença!
Conhecer as coisas é bem diferente de só ter informações! O conhecimento fica dentro da gente e nunca mais deixamos de senti-lo, de sabê-lo!
Conhecimento está muito além da informação!
Mestre somos todos nós, estamos aqui para nos relacionarmos, para descer de nossos saltos e aprendermos com todos, assim como precisamos ter a ousadia de também nos vermos como mestres dos outros e tentar sempre cooperar, mesmo que pra isto recebamos muitas viradas de cara e inimizades.
Qualquer preconceito é idiota. Antes de apontar o outro como preconceituoso, tente fazer um grande esforço e olhar pra seus próprios preconceitos que geralmente são vistos como normais e gerais nesta sociedade perversa, patriarcal, machista e cheia de preconceitos antiquíssimos!
Diálogos impossíveis porque falta entender isto:
"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."
Paulo Freire
A Importância do Ato de Ler em Três Artigos que se Completam.
https://pensador.uol.com.br/autor/paulo_freire/
https://pensador.uol.com.br/autor/paulo_freire/
De repente algo nos acontece, algo que nunca poderíamos supor, até pudera ter imaginado algo, mas não... a vida é muito mais criativa do que a gente e nos surpreende muito! Somos suscetíveis a fatalidades, e quase sempre, estas fatalidades podem nos fazer evoluir, só depende da gente.
E a velhice? sorte de quem consegue chegar a velhice, só que infelizmente o mundo ainda não sabe o que fazer com os velhos!
Nadia Gal Stabile - 05 02 2017
*faltou dizer que reconhecer as próprias limitações e saber que ir além delas é um caminho árduo, porém possível...todavia, demanda tempo considerável geralmente para se romper tais limites e necessitamos da cooperação dos outros, não indiferença... por isso custamos a evoluir... desamor e indiferença não servem para nada mesmo, e são a negação da vida e do amor!
DEFICIÊNCIAS ( Mario Quintana )
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.
"A amizade é um amor que nunca morre."
DEFICIÊNCIAS - Mario Quintana (escritor gaúcho nascido em 30/07/1906 - 05/05/1994)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
para pensar não se paga dízimos
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2017/01/lembremos-de-paulo-freirepraxis.html
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2017/01/paulo-freire-fragmentos-testimoniales.html#.WHh11lxl29M
pra pensar não se paga dízimos - pegue o lamborghini que o pastor cita e coloque no... dele - uma igreja e um boteco em cada esquina - peguei o ônibus errado de propósito, fui pra periferia fazer turismo, itaquera, guaianazes, passei no parque do carmo, ao lado, uma favela. voltando, no brás, passei no templo de salomão, aquela aberração medonha por dentro e por fora, no meio do caos da cidade desestruturada, abalada por tantos absurdos e abandonos, caos total nesta região de são paulo, desolação, tudo velho, tudo caindo aos pedaços, ida e volta numa tarde de domingo...mais de 3 horas dentro de um ônibus urbano horroroso - esta postagem deveria ser sobre como comunicar-se com os fiéis ludibriados de todas estas religiões evangélicas que roubam vergonhosamente o dinheiro suado que o povo consegue ganhar a duras penas e sem direitos - questão dificílima pra tentarmos resolver, os seres pensantes poderiam passar a matutar sobre como cooperar com esta enorme parcela de nossa sociedade que parece ainda não descobriu que pra pensar não precisam pagar dízimos e já que o movimento evangélico está no fim, esta é a hora para tentarmos resolver esta vergonha que invade canais de rádio e tv, que tira direitos das pessoas e que representa um dos maiores crimes contra o povo brasileiro.
a comunicação de massa precisa mudar rápido, canais religiosos em rádio e tv, abolidos,
todas as cidades precisam passar por reformulações grandes, para o povo ter mais condições de vida!
nadia gal stabile - 13 01 2017
http://www.ricardogondim.com.br/estudos/o-triste-fim-do-movimento-evangelico/
INÍCIO
sábado, 15 de outubro de 2016
"Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica" Paulo Freire - aos professores brasileiros - "fazer e refletir"
*Deve fazer quase 40 anos que descobri Paulo Freire, e ainda não descobri totalmente, porém, há certas coisas que marcaram demais, como os fazedores, professor é fazedor (cultural), e depois de agir, precisa refletir muito, para então retomar o caminho, e por se saber oprimido, tanto quanto seus alunos...
...achei esta tese que expressa bem o que eu gostaria de escrever aqui e também postagens abaixo:
*(continuo abaixo, no final da postagem)
A Dialética Materialista de Paulo Freire como método de pesquisa em educação // The materialist dialectics of Paulo Freire as a method of research in education Ricardo Gauterio Cruz, Rossane Vinhas Bigliardi, Luis Fernando Minasi
O objetivo do presente ensaio é analisar alguns aspectos da obra de Paulo Freire para trazer à luz a base metodológica sobre a qual Freire erguia seu pensamento, e sobre a qual nos é possível apontar para um fazer pesquisa enquanto prática libertadora e emancipatória. Buscamos expor, assim, os traços característicos do Materialismo Dialético presentes na obra do autor, para então analisar a categoria Diálogo, apresentada em Pedagogia do Oprimido, como princípio orientador de todo o pesquisador que se quer libertador, verdadeiramente emancipatório, compromissado com a mudança, com o vir-a-ser humano.
http://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conjectura/article/view/2061/0
INJUSTIÇA, VULNERABILIDADE, JOSÉ MARTÍ E LIBERDADE
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2014/12/injustica-vulnerabilidade-jose-marti-e.html#.WAKV_iR2N7F3.7 – Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica - Paulo Freire
terça-feira, 27 de outubro de 2015
o jogo do inimigo
sempre tentei sair fora de jogos porque na maioria das vezes os jogos são cruéis, injustos...porque o mais esperto sempre acaba passando por cima dos outros como rolo compressor. se sou pessoa que tenta ser coerente com o que sente e pensa, prefiro ficar à margem das sujeiras fúteis, idiotas e sem sentido!
hoje na hora do almoço na record news, uma comentarista estranhíssima falava sobre o mais novo boom da internet pelo mundo, "libertar o bacon" porque a OMS afirmou que carne processada é altamente cancerígena, e quando será que a OMS vai falar sobre os venenos dos "alimentos" transgênicos? sobre educação, deixo pra lá o feminicídio do ENEM e a charge do Amarildo sobre alimentos envenenados com agrotóxicos, e prefiro falar da surpresa que tive ontem quando vi que foto de Paulo Freire com frase dele, foi compartilhada 55.613 vezes do meu mural (postei em 2013) e sem forçação de barra! ...coisa espontânea do pessoal, nem marcar imagens por lá ando marcando, cansei de facebook e de muitas coisas chatas pela web.
hoje precisaria ter tempo para digerir, opa, digo vomitar bulimicamente o nazi fascismo do governo do estado da educação e da secretaria matadouro da educação do estado de são paulo...bulimicamente seria relacionado ao que a OMS está querendo fazer com o mundo...e o que o "governador" está querendo fazer com a educação paulista...bem...cá está a frase de Paulo Freire e tentarei entender o que o ENEM e o pré-sal são para a educação no Brasil...............
"Seria uma atitude ingênua esperar que as classes
dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às
classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica."
Paulo FreireNadia Gal Stabile - 27 10 2015
http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/09/1682376-secretario-de-educacao-de-alckmin-recebe-salario-acima-do-teto-do-estado.shtmlLeia Mais:Leia Mais:Leia Mais:
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Ensino libertário deixa legado na aprendizagem
http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2011/09/19/paulo-freire-90-anos-ensino-libertario-do-educador-continua-a-contribuir-para-aprendizagem-do-futuro/
Ensino libertário deixa legado na aprendizagem
19/09/2011
Desirèe Luíse
Na busca do ideal de educação
fundamentada na democracia e na tolerância, Paulo Freire fez história.
Em pleno século XXI, a proposta do educador brasileiro está presente
tanto no legado de suas obras como na atualidade de seu pensamento. No
dia 19 de setembro de 2011, Paulo Freire completaria 90 anos.
Comemorações do seu nascimento ocorreram ao longo do ano em todo o país.
Leia também:
- PUC disponibilizará vídeos de Paulo Freire para consulta - Devemos buscar modelo de escola para intervir no mundo, diz diretora do MEC
Internacionalmente respeitado, os livros do educador foram traduzidos em mais de 20 línguas. No Brasil, tornou-se um clássico, obrigatório para qualquer estudante de pedagogia ou pesquisador de educação. Detentor de pelo menos 40 títulos honoris causa (por universidades a pessoas consideradas notáveis), Freire recebeu prêmios como Educação para a Paz (Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (Organização dos Estados Americanos, 1992).
“Defendo a educação desocultadora de verdades. Educando e educadores
funcionando como sujeitos para desvendar o mundo”, dizia Freire. A
educação como prática da liberdade, defendida por ele, enxerga o
educando como sujeito da história, tendo o diálogo e a troca como traço
essencial no desenvolvimento da consciência crítica.
Uma pesquisa sobre o educador feita em escolas públicas de São Paulo a partir dos anos 90, pela Cátedra Paulo Freire (PUC-SP), constatou que aquelas baseadas em gestões democráticas são as que mais se aproximam do pensamento freireano. “Suas reflexões servem de base para discutir os desafios do mundo”, afirma a coordenadora da Cátedra, Ana Maria Saul, que trabalhou com o educador entre 1980 e 1997.
Freire se mantém presente também na universidade. Uma consulta na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) revela que entre 1987 e 2010, 1441 pesquisas tiveram como referencial o educador – 75% na área das ciências humanas, 19% na biológicas e 6% na exatas. “Esses números, que têm crescido a cada ano, e a diversidade de áreas mostram como é fértil a reflexão de Paulo”, aponta Ana Maria.
Atualidade do pensamento
“Ele usava o passado para interpretar melhor o presente. Tenho certeza que Paulo já estava no século XXI pelos questionamentos que colocava. Dizia: ‘se vocês concordam comigo, não me repitam, recriem’”, lembra a coordenadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Lisete Arelaro. Ela trabalhou com Freire durante os anos 90 e ministra a disciplina eletiva “Paulo Freire: Teoria e Práxis”.
A atualidade do autor é comprovada, por exemplo, em uma das questões que mais perturba a educação pública hoje: o uso de apostilas como o único material didático. “Discordo de separar pacotes para o professor dar aulas, com materiais distantes da realidade. Precisamos da curiosidade crítica”, questionou Freire certa vez.
“Paulo falava que não existe uma teoria científica dizendo que o
aprendizado pode acontecer apenas de um determinado jeito, ou parâmetros
regulando o que cada criança deve debater no Pará, Rio Grande do Sul,
São Paulo e Bahia, sem os contextos de cada uma”, diz Lisete. “Se vivo
estivesse, faria uma campanha na rua, porque isso compromete o ato de
aprender”, analisa.
Antes de conhecer, o sujeito se interessa pelo o que é curioso e esperançoso, dizia Freire. “Daí a importância de trabalhar a sedução do professor frente ao aluno, a motivação e o encantamento”, pontua o diretor do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, que conviveu 23 anos com o educador.
É preciso mostrar que “aprender é gostoso, mas exige esforço”, segundo o educador no primeiro documento que encaminhou aos professores quando assumiu a Secretaria de Educação do Município de São Paulo (1989-1991). Hoje, um dos maiores problemas do ensino médio é a evasão escolar. Cerca de 40% dos jovens abandonam a última etapa da educação básica por desinteresse, apontam pesquisas.
Em conferências para professores, Gadotti identificou que há uma ânsia por entender melhor porque está tão difícil educar, para saber o que fazer quando todas as receitas já não conseguem responder. “Professores procuram cada vez mais cursos e conferências, para buscar na formação continuada respostas que não encontram na formação inicial”, afirmou em artigo “A atualidade de Paulo Freire”.
O educador dava muita importância para o ato de ensinar e aprender de forma horizontalizada. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, reflete Freire em sua obra “Pedagogia da Autonomia”. Segundo ele, não só a participação dos alunos na sala de aula é bem-vinda, mas no conjunto de assuntos que envolvem toda a escola.
“A gestão democrática fundamenta toda a sua teoria do conhecimento. A ideia é ter diferentes grupos para opinarem e construírem. Para ele, todos os espaços de convivência educam para adquirir nossa autonomia intelectual”, ressalta Lisete. “Estamos em momentos difíceis. Cada dia mais indo contra isso. A divergência da teoria do outro não tem gerado um debate saudável.”
Com suas ideias inovadoras, Paulo Freire também incomodava muito. Mesmo atualmente, é questionado pelo incentivo a uma “pedagogia sem hierarquia”. Uma das razões é sua proposta do uso da crítica como referência principal para a escola avaliar a importância do conteúdo ensinado.
“No momento em que estamos discutindo a homogeinização de currículos pedagógicos, em função de provas nacionais, estaduais e municipais, evidentemente que Paulo representa uma contra corrente”, afirma Lisete. No Plano Nacional de Educação (PNE), em análise no Congresso, está previsto a incorporação do Programa Internacional de Avaliações de Alunos (Pisa) como referência de avaliação.
Freire questionaria, ainda, o processo de bonificação dos professores tendo em vista o rendimento dos alunos em provas nacionais e estaduais, de acordo com Lisete. “Para tudo isso ele não só sorriria, mas diria que é um grande equívoco”, acredita.
Biografia
Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife (PE), teve dois casamentos e cinco filhos. Formou-se em direito, mas começou sua vida profissional como professor de língua portuguesa.
Quando criança, depois de passar fome por causa da crise de 1929, mudou-se de Recife para o interior. Foi em Jaboatão – 18 km da capital pernambucana – que o contato com a pobreza ficou mais forte. “Lá, aprendi, em primeiro lugar, a ampliar o meu mundo. Fiz amigos filhos de camponeses ou trabalhadores urbanos”, conta Freire em depoimento para o Museu da Pessoa em 1992.
“Eu me perguntava e tentava entender porque eu não comia e os outros comiam. Quer dizer, desde tenra idade eu me preparava para me opor às injustiças sociais. Quando adulto, comecei a me lançar no esforço político-pedagógico e então tudo isso veio à tona.”
Sem oportunidades, ele entrou tarde na escola. Enquanto colegas se preparavam para a universidade, Freire, aos 16 anos, começou a estudar o primeiro ano do antigo ginásio – correspondente ao 5º ano do ensino fundamental. “Mas, não acho que perdi tempo. Eu estava educando-me no mundo.”
A partir de suas primeiras experiências como professor, em Angicos (RN), em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em dois meses, Paulo Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização. Então, um dos ministros do governo João Goulart, Paulo de Tarso, o chamou para implantar o Plano de Alfabetização Nacional, que acabou sendo abortado pelo golpe militar.
Acusado de subversão, o educador passou 72 dias na prisão e, em seguida, partiu para o exílio. No Chile, trabalhou por cinco anos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária. Nesse período, escreveu o seu principal livro: Pedagogia do Oprimido (1968). Em 1969, lecionou na Universidade de Harvard (EUA), e, na década de 1970, foi consultor do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra (Suíça).
Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, foi secretário de Educação no município de São Paulo, na prefeitura de Luíza Erundina.
Após a morte de sua primeira mulher, casou-se com uma ex-aluna, Ana Maria Araújo Freire. Com ela viveu até morrer, vítima de infarto, em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997, aos 75 anos.
O homem
“Quando Erundina o chamou para ser secretario, vi a coerência de seu pensamento e sua prática”, lembra a coordenadora da Cátedra, Ana Maria Seul. Lisete Arelaro concorda: “Ele faz muita falta, era extremamente bem humorado e tinha uma tranquilidade por sua coerência. Produziu seus conhecimentos para os condenados da terra e esfarrapados do mundo”.
“Se vivo fosse, seria um velhinho bondoso. Foi um homem que sabia escutar. A sabedoria que tinha é consequência do que construiu nele mesmo: as virtudes mais humanas”, diz a viúva do educador, Ana Maria Freire, autora do livro “Paulo Freire – Uma História de Vida”.
Ao se perguntar se Paulo nasceu com os pontos positivos ressaltados por aqueles que conviveram com ele, Ana Maria responde: “Ele dizia que nascemos com algumas tendências. O que nos faz ser isso ou aquilo são as condições sociais na família, escola e sociedade. Ele não teria sido o que foi sem Jabotão”.
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=WpRmdnttwK8[/youtube]
[stextbox id="custom" caption="Veja as sugestões de leitura freireana da professora Lisete Arelaro" float="true" align="right" width="250"]Pedagogia do Oprimido – Uma leitura para qualquer brasileiro e principalmente professores. Pedagogia da Esperança – Freire retoma conteúdos da Pedagogia do Oprimido, mas de modo atualizado. A Educação como Prática da Liberdade – O primeiro livro de Freire, no qual vai germinando as ideias centrais da teoria freireana. A Importância do Ato de Ler – O premiado livro é uma provocação para professores pensarem como estimular a autonomia intelectual dos alunos. Pedagogia da Autonomia – O livrinho de bolso é um resumo de conteúdos importantes para a prática pedagógica. Extremamente atual.[/stextbox]Paulo Freire do futuro
O educador centrou suas análises na relação entre educação e vida, reagindo às pedagogias tecnicistas de seu tempo. “Gostaria de ser lembrado como alguém que amou a vida”, disse duas semanas antes de falecer, em entrevista à emissora Globo.
“Creio que o reconhecimento da importância de sua obra no campo da educação acontecerá quando a escola deixar de ser confinada no seu espaço para reconhecer a educação ao longo da vida, o que significa reconhecer que ela é essencialmente informal. Freire não pode ser considerado uma contribuição ao passado, mas ao futuro”, conclui o diretor do Instituto Paulo Freire, Gadotti.
As lições que Paulo Freire deixou devem mesmo continuar válidas por muito tempo. “O meu sonho pela liberdade me estimula a lutar pela justiça, pelo respeito ao outro e à diferença. Quer dizer, meu sonho é que inventemos uma sociedade menos feia do que a nossa de hoje”, disse em 1992.
Atualizada em 10/4/2013, às 16h41.
Leia também:
- PUC disponibilizará vídeos de Paulo Freire para consulta - Devemos buscar modelo de escola para intervir no mundo, diz diretora do MEC
Internacionalmente respeitado, os livros do educador foram traduzidos em mais de 20 línguas. No Brasil, tornou-se um clássico, obrigatório para qualquer estudante de pedagogia ou pesquisador de educação. Detentor de pelo menos 40 títulos honoris causa (por universidades a pessoas consideradas notáveis), Freire recebeu prêmios como Educação para a Paz (Nações Unidas, 1986) e Educador dos Continentes (Organização dos Estados Americanos, 1992).
"Defendo a educação desocultadora de verdades."
Uma pesquisa sobre o educador feita em escolas públicas de São Paulo a partir dos anos 90, pela Cátedra Paulo Freire (PUC-SP), constatou que aquelas baseadas em gestões democráticas são as que mais se aproximam do pensamento freireano. “Suas reflexões servem de base para discutir os desafios do mundo”, afirma a coordenadora da Cátedra, Ana Maria Saul, que trabalhou com o educador entre 1980 e 1997.
Freire se mantém presente também na universidade. Uma consulta na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) revela que entre 1987 e 2010, 1441 pesquisas tiveram como referencial o educador – 75% na área das ciências humanas, 19% na biológicas e 6% na exatas. “Esses números, que têm crescido a cada ano, e a diversidade de áreas mostram como é fértil a reflexão de Paulo”, aponta Ana Maria.
Atualidade do pensamento
“Ele usava o passado para interpretar melhor o presente. Tenho certeza que Paulo já estava no século XXI pelos questionamentos que colocava. Dizia: ‘se vocês concordam comigo, não me repitam, recriem’”, lembra a coordenadora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Lisete Arelaro. Ela trabalhou com Freire durante os anos 90 e ministra a disciplina eletiva “Paulo Freire: Teoria e Práxis”.
A atualidade do autor é comprovada, por exemplo, em uma das questões que mais perturba a educação pública hoje: o uso de apostilas como o único material didático. “Discordo de separar pacotes para o professor dar aulas, com materiais distantes da realidade. Precisamos da curiosidade crítica”, questionou Freire certa vez.
O educador é homenageado, em 1/9, na Assembleia Legislativa de São Paulo, com presença de Lisete e sua viúva Ana Freire.
Antes de conhecer, o sujeito se interessa pelo o que é curioso e esperançoso, dizia Freire. “Daí a importância de trabalhar a sedução do professor frente ao aluno, a motivação e o encantamento”, pontua o diretor do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, que conviveu 23 anos com o educador.
É preciso mostrar que “aprender é gostoso, mas exige esforço”, segundo o educador no primeiro documento que encaminhou aos professores quando assumiu a Secretaria de Educação do Município de São Paulo (1989-1991). Hoje, um dos maiores problemas do ensino médio é a evasão escolar. Cerca de 40% dos jovens abandonam a última etapa da educação básica por desinteresse, apontam pesquisas.
Em conferências para professores, Gadotti identificou que há uma ânsia por entender melhor porque está tão difícil educar, para saber o que fazer quando todas as receitas já não conseguem responder. “Professores procuram cada vez mais cursos e conferências, para buscar na formação continuada respostas que não encontram na formação inicial”, afirmou em artigo “A atualidade de Paulo Freire”.
O educador dava muita importância para o ato de ensinar e aprender de forma horizontalizada. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, reflete Freire em sua obra “Pedagogia da Autonomia”. Segundo ele, não só a participação dos alunos na sala de aula é bem-vinda, mas no conjunto de assuntos que envolvem toda a escola.
“A gestão democrática fundamenta toda a sua teoria do conhecimento. A ideia é ter diferentes grupos para opinarem e construírem. Para ele, todos os espaços de convivência educam para adquirir nossa autonomia intelectual”, ressalta Lisete. “Estamos em momentos difíceis. Cada dia mais indo contra isso. A divergência da teoria do outro não tem gerado um debate saudável.”
Com suas ideias inovadoras, Paulo Freire também incomodava muito. Mesmo atualmente, é questionado pelo incentivo a uma “pedagogia sem hierarquia”. Uma das razões é sua proposta do uso da crítica como referência principal para a escola avaliar a importância do conteúdo ensinado.
“No momento em que estamos discutindo a homogeinização de currículos pedagógicos, em função de provas nacionais, estaduais e municipais, evidentemente que Paulo representa uma contra corrente”, afirma Lisete. No Plano Nacional de Educação (PNE), em análise no Congresso, está previsto a incorporação do Programa Internacional de Avaliações de Alunos (Pisa) como referência de avaliação.
Freire questionaria, ainda, o processo de bonificação dos professores tendo em vista o rendimento dos alunos em provas nacionais e estaduais, de acordo com Lisete. “Para tudo isso ele não só sorriria, mas diria que é um grande equívoco”, acredita.
Biografia
Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife (PE), teve dois casamentos e cinco filhos. Formou-se em direito, mas começou sua vida profissional como professor de língua portuguesa.
Quando criança, depois de passar fome por causa da crise de 1929, mudou-se de Recife para o interior. Foi em Jaboatão – 18 km da capital pernambucana – que o contato com a pobreza ficou mais forte. “Lá, aprendi, em primeiro lugar, a ampliar o meu mundo. Fiz amigos filhos de camponeses ou trabalhadores urbanos”, conta Freire em depoimento para o Museu da Pessoa em 1992.
“Eu me perguntava e tentava entender porque eu não comia e os outros comiam. Quer dizer, desde tenra idade eu me preparava para me opor às injustiças sociais. Quando adulto, comecei a me lançar no esforço político-pedagógico e então tudo isso veio à tona.”
Sem oportunidades, ele entrou tarde na escola. Enquanto colegas se preparavam para a universidade, Freire, aos 16 anos, começou a estudar o primeiro ano do antigo ginásio – correspondente ao 5º ano do ensino fundamental. “Mas, não acho que perdi tempo. Eu estava educando-me no mundo.”
A partir de suas primeiras experiências como professor, em Angicos (RN), em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em dois meses, Paulo Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização. Então, um dos ministros do governo João Goulart, Paulo de Tarso, o chamou para implantar o Plano de Alfabetização Nacional, que acabou sendo abortado pelo golpe militar.
Acusado de subversão, o educador passou 72 dias na prisão e, em seguida, partiu para o exílio. No Chile, trabalhou por cinco anos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária. Nesse período, escreveu o seu principal livro: Pedagogia do Oprimido (1968). Em 1969, lecionou na Universidade de Harvard (EUA), e, na década de 1970, foi consultor do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra (Suíça).
Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, foi secretário de Educação no município de São Paulo, na prefeitura de Luíza Erundina.
Após a morte de sua primeira mulher, casou-se com uma ex-aluna, Ana Maria Araújo Freire. Com ela viveu até morrer, vítima de infarto, em São Paulo, no dia 2 de maio de 1997, aos 75 anos.
O homem
“Quando Erundina o chamou para ser secretario, vi a coerência de seu pensamento e sua prática”, lembra a coordenadora da Cátedra, Ana Maria Seul. Lisete Arelaro concorda: “Ele faz muita falta, era extremamente bem humorado e tinha uma tranquilidade por sua coerência. Produziu seus conhecimentos para os condenados da terra e esfarrapados do mundo”.
“Se vivo fosse, seria um velhinho bondoso. Foi um homem que sabia escutar. A sabedoria que tinha é consequência do que construiu nele mesmo: as virtudes mais humanas”, diz a viúva do educador, Ana Maria Freire, autora do livro “Paulo Freire – Uma História de Vida”.
Ao se perguntar se Paulo nasceu com os pontos positivos ressaltados por aqueles que conviveram com ele, Ana Maria responde: “Ele dizia que nascemos com algumas tendências. O que nos faz ser isso ou aquilo são as condições sociais na família, escola e sociedade. Ele não teria sido o que foi sem Jabotão”.
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[stextbox id="custom" caption="Veja as sugestões de leitura freireana da professora Lisete Arelaro" float="true" align="right" width="250"]Pedagogia do Oprimido – Uma leitura para qualquer brasileiro e principalmente professores. Pedagogia da Esperança – Freire retoma conteúdos da Pedagogia do Oprimido, mas de modo atualizado. A Educação como Prática da Liberdade – O primeiro livro de Freire, no qual vai germinando as ideias centrais da teoria freireana. A Importância do Ato de Ler – O premiado livro é uma provocação para professores pensarem como estimular a autonomia intelectual dos alunos. Pedagogia da Autonomia – O livrinho de bolso é um resumo de conteúdos importantes para a prática pedagógica. Extremamente atual.[/stextbox]Paulo Freire do futuro
O educador centrou suas análises na relação entre educação e vida, reagindo às pedagogias tecnicistas de seu tempo. “Gostaria de ser lembrado como alguém que amou a vida”, disse duas semanas antes de falecer, em entrevista à emissora Globo.
“Creio que o reconhecimento da importância de sua obra no campo da educação acontecerá quando a escola deixar de ser confinada no seu espaço para reconhecer a educação ao longo da vida, o que significa reconhecer que ela é essencialmente informal. Freire não pode ser considerado uma contribuição ao passado, mas ao futuro”, conclui o diretor do Instituto Paulo Freire, Gadotti.
As lições que Paulo Freire deixou devem mesmo continuar válidas por muito tempo. “O meu sonho pela liberdade me estimula a lutar pela justiça, pelo respeito ao outro e à diferença. Quer dizer, meu sonho é que inventemos uma sociedade menos feia do que a nossa de hoje”, disse em 1992.
Atualizada em 10/4/2013, às 16h41.
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
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