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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

George Orwell,jornalismo e liberdade de expressão

qual liberdade de imprensa temos?
que imprensa temos?
qual liberdade de expressão temos na Internet ou nas ruas?
de quem é a imprensa?
quem recebe concessões públicas de emissoras de rádio e tv, e das mídias impressas?
quantos corajosos jornalistas temos do lado do povo?
quem são estes Dom Quixotes do jornalismo? eles existem mesmo?
só na Internet é que o povo pode se expressar? e será que tem alguma liberdade mesmo por aqui?
porque será que o povo e os jornalistas se acomodam tanto, se alienam tanto em relação a verdadeira informação? somos todos uns covardes? ou todos temos rabos presos?
como e quando esta cultura da mentira irá terminar?

nadia gal stabile - 27 08 2014































quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PRAZER EM TE REENCONTRAR, COMPANHEIRA VANDA!

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Sem falsa modéstia, acertei em praticamente tudo que escrevi sobre a campanha e o resultado do 2º turno da eleição presidencial.

Leitores contrariados com a derrota demotucana, entretanto, correram a me rotular de "petista", forma bem brasileira de desqualificar argumentações irrespondíveis.

No terreno minado em que se transformou o debate político na internet, não há mais espaço para nuances e sutilezas.

Caímos no maniqueísmo total: reduz-se tudo a uma disputa entre o Bem e o Mal, só diferindo o entendimento sobre quem seja o  mocinho  e quem seja o bandido.

Para veteranos de outros carnavais, entretanto, há uma infinidade de tons entre o branco e o negro. Foi assim que aprendemos a pensar a realidade e a direcionar nossas ações.

Não mudarei para satisfazer o primarismo de ninguém. Pois, mais do que êxitos, ganhos e prestígio, o que me importa é a coerência. Sou capaz de suportar a reprovação generalizada, quando intimamente sei que estou certo.

Nem imagino o que aconteceria se me sentisse um  safado -- como muitos que abriram mão dos seus ideais devem, lá no fundo, estar cientes de que são, embora finjam acreditar que  evoluíram.

Então, não me incomodei nem um pouco quando alguns me acusaram de ajudar  a direita, ao defender a posição de que cidadãos com convicções revolucionárias deveriam, no 1º turno, votar num dos quatro candidatos assumidamente anticapitalistas, e não na candidatura reformista com chance de liquidar logo a fatura.

E, como tudo confluía para (se houvesse) um 2º turno entre Dilma Rousseff e José Serra, também antecipei que, nesta hipótese, o certo seria apoiarmos a candidatura reformista contra a que, além de ser de centro-direita, englobava suspeitíssimos bolsões neofascistas.

REFORMA OU REVOLUÇÃO

Que eu me lembre, foi no final de 1968, ao redigir meu primeiro documento político mais ou menos autoral, que respondi à celebre questão colocada por Rosa Luxemburgo (reforma ou revolução) alinhando-me com os defensores da segunda, contra os esquerdistas que se conformavam com a primeira.

Para mim, não foi só uma besteirinha alinhavada para um congresso secundarista. Foi uma diretriz para a vida inteira.

Mais tarde, vim também a perceber quão insensata era a postura dos companheiros que faziam oposição meramente destrutiva às por eles chamadas  políticas econômicas burguesas, arriscando-se a atirar o Brasil numa depressão.

Ou seja, num momento de grande fragilidade econômica, sustentavam que seria bom se o caldo entornasse de vez, para as massas aprenderem na carne quão perverso é o capitalismo.

Contra esses eu argumentava que, nas crises econômicas (que eu havia estudado em profundidade para produzir uma série jornalística), a primeira coisa que acontece é o arrefecimento da combatividade dos trabalhadores.

Temerosos de perder o emprego numa época de vacas magras, eles, em sua maioria, abdicam de reivindicações, desertam dos sindicatos e enfiam a cabeça na areia.

Então, eu concluía, seria suicídio contribuírmos para o agravamento de qualquer recessão, além de uma desumanidade em relação aos humildes, que são sempre os que mais sofrem.

Dessa polêmica me veio a certeza de que o "quanto pior, melhor" não deve ter lugar nas lutas políticas e sociais.

Lembrei-me de haver lido, em Isaac Deutscher, que a democracia alemã fora detonada pelo ataque conjunto da direita e da esquerda: os comunistas, qualificando os socialistas de "sociais-fascistas", ajudaram Hitler a varrê-los do poder.

Acreditavam que, alijados os  intermediários, no confronto aberto com o  verdadeiro inimigo  levariam a melhor.

Mas, perderam. E, com sua aposta insensata, pavimentaram o terreno para os horrores da 2ª Guerra Mundial.

Lera sem muita atenção este relato. Mas, minhas próprias opções me levaram a perceber, posteriormente, sua enorme importância. Trata-se de um erro que jamais deveremos repetir.

Assim, no 2º turno, coloquei-me vigorosamente contra o retrocesso, enfatizando os riscos que a democracia brasileira correria na eventualidade de um governo com forte presença do DEM (herdeiro dos  arenosos  apoiadores da ditadura), um vice ultradireitista como o ìndio da Costa e uma relação pouco clara com as correntes virtuais neofascistas.

Isto incomodou aquelas tendências de esquerda que colocam o lulismo praticamente no mesmo plano dos inimigos capitalistas.

Fazer o quê?! Toquei minha caravana adiante. 

CIVILIZAÇÃO x BARBÁRIE

Na antevéspera da votação, com a certeza da eleição de Dilma, antecipei a postura a ser adotada no day after:
"[Dilma} já conseguiu evitar o retrocesso, parabéns!

"Torçamos para que ela seja igualmente bem sucedida em deslanchar o avanço, com determinação e ousadia".
Tornei mais clara ainda esta idéia no domingo da vitória:

"Torço para que a Dilma saiba aproveitar seu grande momento, não sendo apenas uma estátua de Davi, mas sim a aguerrida companheira que:
  • como Chaplin, queria chutar o traseiro dos ociosos;
  • como Cristo, trouxe uma espada para combater a injustiça; e
  • como Marx, pretendia proporcionar a cada trabalhador o necessário para a realização plena como ser humano".
Trocando em miúdos, com seus oito anos de políticas cautelosas, Lula melhorou a vida dos humildes e fez jus à sua gratidão.

Agora, com nossa economia deslanchando como não se via desde os melhores anos do  milagre brasileiro, Dilma pode desarquivar algumas propostas originais do PT que ficaram para trás, à espera de melhor oportunidade.
Tal oportunidade chegou e, se ela a aproveitar, desempenhará um papel de primeira grandeza na História escrita pelos explorados e oprimidos, que é bem diferente da História oficial.

Em sua primeira coletiva à imprensa, houve um momento mágico em que Dilma recolocou os valores humanitários no centro das decisões políticas, descartando o pragmatismo amoral:
"Mesmo considerando usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro o apedrejamento da Sakineh".
Sim, chega dessa relativização obscena que o Itamaraty vinha adotando em questões, estas sim, sem meio termo possível: ou se está ao lado dos homens, ou ao lado das bestas-feras!

A esquerda tem de voltar a alinhar-se, decidida e incondicionalmente, à civilização, contra a barbárie. Só assim tocará de novo os corações e mentes, atraindo para seu campo os melhores seres humanos -- aqueles que são movidos pela esperança num mundo melhor e disposição de contribuir para seu advento.

À Dilma que proferiu tal frase eu dou um voto de confiança: fez-me lembrar a vibrante companheira que conheci nos idos outubro de 1969, durante o Congresso de Teresópolis da VAR-Palmares.

Posso ser um incorrigível sonhador, mas espero sempre o melhor das pessoas.

Então, até prova em contrário, prefiro acreditar que, lá no fundo, sem  dar bandeira  porque isso em nada facilitaria sua jornada, Dilma ainda é Vanda -- e não um ex-Gabeira qualquer.

E mais Vanda será se a ajudarmos a ser Vanda.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DISSECANDO A ALGARAVIA DO LAERTE BRAGA

Está no Houaiss:
algaravia
2 Derivação: sentido figurado.
linguagem muito confusa, incompreensível; charabiá
3 Derivação: por extensão de sentido.
coisa difícil de entender
É como se podem qualificar todos os textos de Laerte Braga.

Diz que foi jornalista. Eu jamais o acusaria disto, face à sua estarrecedora falta de rigor na informação, clareza na expressão, perspicácia na interpretação e consistência na opinião; mistura o tempo todo alhos com bugalhos, sem a mínima noção de pertinência nem o comezinho cuidado de fornecer provas do que afirma.

Nada de links, de testemunhos, de fontes comprováveis. Apenas palavras desconexas ao vento e gracejos que beiram a puerilidade.

Chega ao cúmulo de atribuir a Rosa Luxemburgo o "não passarão!" de Dolores Ibarruri, A Pasionária. Eis o parágrafo na íntegra, mescla perfeita de ignorância política com paralelismos descabidos:
"Que Rosa de Luxemburgo tenha dito 'não passarão' é uma coisa. Na afirmação de Lungaretti é uma heresia. Aquele negócio de Tarzã sair de galho em galho através de cipós e com Chita nos ombros, enquanto Jane esperava para o jantar, só em cinema" (vide aqui).
Não, Laerte. Rosa de Luxemburgo afirmou que a verdade é revolucionária. Freud provavelmente avaliaria que, ao trocar as bolas, você cometeu um ato falho: sua ojeriza à verdade é tamanha que nem consegue repetir a frase que consagra seu primado sobre as versões convenientes.

Pois, nisto também você se diferencia dos verdadeiros jornalistas: ao invés de resgatar a verdade para disponibilizá-la aos leitores, você apenas a manipula e maquila para parecer corroborar a lição que desde o início queria ministrar aos devotos.

Como no domingo seguinte ao golpe contra Manuel Zelaya, quando você trombeteou que a repressão hondurenha assasinara 50 manifestantes de uma tacada só.

Depois nem lhe passou pela cabeça pedir desculpas por esse chute mirabolante, pois o exagero é a alma da propaganda... e propaganda é o que você faz.

Se não está comprometido com a verdade como (ex) jornalista, você também não o está como revolucionário (não colocarei aqui um "ex" insultuoso porque jamais pagarei insinuações ignóbeis com a mesma moeda).

Politicamente, você é expressão fiel daquela degeneração burocrática da revolução soviética que Rosa Luxemburgo captou no nascedouro e lhe inspirou a máxima imortal. Pertence à estirpe dos homens do aparelho, daqueles que acreditam em mudar a sociedade a partir dos gabinetes do poder, em cuja órbita sempre oscilam.

Antes defendia o Governo Lula até no que ele tinha de indefensável para um homem de esquerda, com obediência canina. Depois trocou de amo e senhor, repudiando Lula e erigindo Hugo Chávez em guia genial dos povos.

Não estão excluídos novos ziguezagues, mas posso apostar que você continuará sempre caudatário de algum governo.

Sua revolução cheira a mofo palaciano, Laerte. Nela não entra o ar puro da praça, que é do povo como o céu é do condor.

De resto, por mais jogo sujo e provocações que façam você e aqueles que o escalaram para atacar-me, continuarei cumprindo a missão que assumi: contribuir para a afirmação de uma esquerda libertária no Brasil.

E só o que eu tinha a lhe dizer, Laerte. Sua algaravia não justifica mais do que isto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

REFLEXÕES SOBRE A 5ª INTERNACIONAL


Num encontro que reuniu, na semana passada em Caracas, representantes de partidos de esquerda de 40 paises da África, América Latina, Ásia, Europa e Oceania, foi aprovada a proposta do presidente venezuelano Hugo Chávez, de constituição da 5ª Internacional Socialista.

Segundo o jornalista Jacob Blinder, "Hugo Chávez sugeriu a Venezuela para ser sede dessa Internacional, que ela deveria vir acoplada com a criação de uma escola de formação de quadros, e que os participantes não deveriam apenas se ater a questões teóricas – mas sim partirem para ações práticas de construir (ou reconstruir) o socialismo no mundo e para que ele tenha vigência no Século XXI".

Para melhor situarmos a iniciativa de Chávez, vale uma recapitulação história.

A 1ª Internacional Socialista foi criada em 1864 por sindicalistas ingleses, proudhonistas franceses, republicanos italianos e marxistas alemães, tendo sido marcada por agudas divergências entre Karl Marx e o anarquista Mikhail Bakunin.

O primeiro defendia um modelo mais centralizador, com um comitê central procurando calibrar o avanço do movimento revolucionário em escala mundial, enquanto Bakunin a via como uma espécie de federação de unidades autônomas, que tomariam suas grandes decisões a partir das circunstâncias locais e não de uma coordenação da luta com a de outros países.

Em 1871, quando a heróica Comuna de Paris foi destruída pela ação conjunta dos reacionários franceses e alemães, o marxismo saiu teoricamente fortalecido no movimento proletário internacional, pois se constatou que fez muita falta um apoio mais efetivo dos revolucionários de outros países.

A burguesia internacional se apresentou unida no campo de batalha e venceu. Com seu brilhantismo habitual, Marx fez desta derrota uma arma contra o autonomismo dos anarquistas: se as nações capitalistas conjugariam suas forças para sufocar qualquer governo operário que fosse instalado, então os movimentos revolucionários precisariam também transpor fronteiras, para terem alguma chance de êxito.

Mas, ao anunciar como tarefa da 1ª Internacional estimular a eclosão de novas Comunas como a de Paris, Marx assustou os governos europeus, que passaram a perseguir a associação, forçando-a a realizar secretamente seus congressos seguintes.

Além disto, os ramos mais moderados do trabalhismo (começando pelos ingleses) dela se dissociaram, assustados. Até que, enfraquecida pelas cisões (os blanquistas franceses também debandaram), optou pela autodissolução, em 1876.

REFORMISTAS E "SOCIAISPATRIOTAS" - A semente plantada frutificou, entretanto, na poderosa 2ª Internacional, convocada por Friedrich Engeles, que aglutinou em 1889 os grandes partidos socialistas consolidados nesse ínterim.

A bonança, entretanto, não fez bem a esses partidos. Muitos dirigentes, deslumbrados com os aparelhos conquistados, passaram a querer mantê-los a qualquer preço, lutando por melhoras para a classe operária do seu próprio país, em detrimento da solidariedade internacional. E teorizaram que o socialismo poderia surgir a partir das reformas realizadas pacificamente e do crescimento numérico da classe média, sem necessidade de uma revolução.

A deflagração da 1ª Guerra Mundial cindiu definitivamente o movimento revolucionário: os reformistas acabaram alinhados com os governos de seus respectivos países no esforço guerreiro, enquanto os marxistas conclamaram os proletários a não dispararem contra seus irmãos de outras nações.

Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo encabeçaram a reação contra os (por eles designados pejorativamente como) sociaispatriotas e os trâmites para a fundação da 3ª Internacional, contraponto àquela que perdera sua razão de ser.

Em 1917, surgiu a primeira oportunidade de tomada de poder pelos revolucionários desde a Comuna de Paris. E os bolcheviques discutiram apaixonadamente se seria válida uma revolução em país tão atrasado como a Rússia – uma verdadeira heresia à luz dos ensinamentos marxistas.

Para Marx, o socialismo viria distribuir de forma equânime as riquezas geradas sob o capitalismo, de forma que beneficiassem o conjunto da população e não apenas uma minoria privilegiada. Então, ele sempre augurara que a revolução mundial começaria nos países capitalistas mais avançados, como a Inglaterra, a França e a Alemanha.

Um governo revolucionário na Rússia seria obrigado a cumprir tarefas características da fase da acumulação primitiva do capital, como a criação de infraestrutura básica e a industrialização do país. O justificado temor de alguns dirigentes bolcheviques era de que, assumindo tais encargos, a revolução acabasse se desvirtuando irremediavelmente.

Prevaleceu, entretanto, a posição de que a revolução russa seria o estopim da revolução mundial, começando pela tomada de poder na Alemanha. Então, alavancada e apoiada pelos países socialistas mais prósperos, a construção do socialismo na Rússia se tornaria viável.

SOCIALISMO NUM SÓ PAÍS - Os bolcheviques venceram, mas seus congêneres alemães foram derrotados em 1918. A maré revolucionária acabou sendo contida no mundo inteiro e, como era previsível, várias nações capitalistas se coligaram para combater pelas armas o nascente governo revolucionário. Mesmo assim, o gênio militar de Trotsky acabou garantindo, apesar da enorme disparidade de forças, a sobrevivência da URSS.

Quando ficou evidente que a revolução mundial não ocorreria tão cedo, a União Soviética tratou de sair sozinha da armadilha em que se colocara. Devastada e isolada, precisou criar uma economia moderna a partir do nada.

Nenhum ardor revolucionário seria capaz de levar as massas a empreenderem esforços titânicos e a suportarem privações dia após dia, indefinidamente. Só mesmo a força bruta garantiria essa mobilização permanente, sobrehumana, de energias para o desenvolvimento econômico. A tirania stalinista cumpriu esse papel.

A revolução saiu dos trilhos marxistas, deixando de conduzir ao "reino da liberdade, para além da necessidade". Como único país dito socialista, a URSS passou a projetar mundialmente seu modelo despótico, que encontrou viva rejeição nas nações avançadas.

Avaliando que Stalin sacrificava os movimentos revolucionários de países como a Espanha, França e Alemanha aos interesses egoístas da URSS, Trotsky convocou em 1938 a 4ª Internacional, comprometida com os ideais revolucionários puros, inclusive o de que a revolução proletária é mundial e somente assim poderá ser vitoriosa.

Nunca conseguiu ser uma força política verdadeiramente influente, por mais que tivesse razão na maioria das questões. Durante a guerra fria, os revolucionários tendiam a alinhar-se com os polos do socialismo real, mesmo discordando de suas políticas. Quantos não se horrorizavam intimamente com as repressões desencadeadas na Hungria (1956) e Checoslovaquia (1968) mas, mesmo assim, as defendiam em público?!

Então, o papel da 4ª Internacional acabou sendo apenas moral: representava a melhor tradição do pensamento revolucionário, mas pouco conseguia realizar de concreto, além de ser minada por intermináveis disputas internas.

E, com a queda do muro de Berlim, a 4ª Internacional não conseguiu oferecer alternativa ao refluxo revolucionário em escala mundial.

No entanto, continua agrupando trotskistas do mundo inteiro e deverá realizar seu 16ª congresso mundial em 2010.

Olhando as coisas de forma realista, a 4ª Internacional tem existência apenas vegetativa, não cumprindo seu papel de unir as forças revolucionárias do mundo inteiro para uma nova ofensiva global contra o capitalismo.

CRÉDITO PARA A NOVA TENTATIVA - Poderá fazê-lo a 5ª Internacional de Chávez?

Neste momento, os bolivarianos têm a proposta internacionalista mais influente e pujante, daí não ser descabida a proposta de Chávez e nem mesmo o papel que ele pessoalmente assumiu, ao lançar o movimento.

Mas, o grande desafio será fazer dessa associação uma verdadeira Internacional, reunificando o movimento revolucionário. Ou seja, com presença marcante também nos países do 1º mundo, onde a aguda contestação das décadas de 1960 e 1970 cedeu lugar à insossa hegemonia direitista, às vezes reforçada pela coopção de partidos outrora comunistas.

O que Marx dizia em 1848 continua valendo: é nas nações de economia avançada que se decide o destino do mundo.

Atacar a corrente capitalista no elo mais fraco, os países periféricos, serve para a sobrevivência e acumulação de forças dos movimentos revolucionários. Mas, não se deve perder de vista que o objetivo maior continua sendo o de colocar a imensa riqueza e potencial produtivo das nações prósperas a serviço da humanidade.

Devemos, sim, dar um crédito de confiança a esta 5ª Internacional, pois é um passo na direção certa.

Só o futuro dirá se vai ou não cumprir seu papel... mas, aos revolucionários cabe sempre arregaçarem as mangas e tentarem direcionar os acontecimentos para o futuro almejado, não ficarem apenas criticando à distância, como sábios no topo da montanha.
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