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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
BIBI FERREIRA - MONÓLOGO DA PEÇA GOTA D'ÁGUA E MÚSICA CANTADA POR ELA E POR CHICO BUARQUE
https://www.youtube.com/watch?v=VYLHFLxX6Ak&list=RDVYLHFLxX6Ak#t=66
https://www.youtube.com/watch?v=l-WVR3AElN8
https://www.youtube.com/watch?v=nvITMyfZ72w&index=2&list=RDVYLHFLxX6Ak
INÍCIO
Gota D'Água (1977) - Bibi Ferreira (Chico Buarque e Paulo Pontes)
https://www.youtube.com/watch?v=r1AGlxgG7Uo
Enviado em 7 de out de 2007
Baseada na clássica obra de Eurípides, 'Medéia', a peça 'Gota D'Água' foi escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes.
Um dos maiores sucessos dos palcos brasileiros, a peça contou com o talento de Bibi Ferreira, que atuava e cantava.
Nesse trecho, Bibi canta 'Basta Um Dia', de Chico Buarque, uma das músicas de maior sucesso do espetáculo.
Um dos maiores sucessos dos palcos brasileiros, a peça contou com o talento de Bibi Ferreira, que atuava e cantava.
Nesse trecho, Bibi canta 'Basta Um Dia', de Chico Buarque, uma das músicas de maior sucesso do espetáculo.
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Gota d'água é o título da peça teatral (drama), de autoria dos escritores brasileiros Chico Buarque e Paulo Pontes, escrita em 1975 e publicada em livro homônimo, em 1975, pela editora Civilização Brasileira.[1]
domingo, 2 de outubro de 2016
VIDA, MINHA VIDA, OLHA O QUE É QUE EU FIZ - CHICO BUARQUE E ETC
https://www.youtube.com/watch?v=4r_t8zkuCVs#t=38
Vida - Chico Buarque
https://www.youtube.com/watch?v=iza3sJaHc6E
Vida - Chico Buarque
https://www.youtube.com/watch?v=iza3sJaHc6E
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segunda-feira, 15 de agosto de 2016
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quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Gente Humilde (Garoto) - Baden Powell
*Otávio Martins Amaral escreve e envia o vídeo:
"Baden Powell tocando Gente Humilde, do Garoto. Depois o Chico e o Vinícius colocaram letra, bem depois, o Garoto já havia até morrido." Tem certos dias que eu penso em minha gente...", só uma palinha. O Garoto era genial, tocava violão. O Amaral, meu primo, tocou com ele lá na Rádio Nacional. Quando eles (os violonistas) tinham alguma dúvida com relação a algum acorde diziam: "Espera o Garoto chegar". Ele estudou harmonia nos EUA, jazz, sabia tudo, isso, antes da Bossa Nova. Otávio"
https://www.youtube.com/watch?v=MvbGsYzcVT8
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sábado, 31 de outubro de 2015
JOÃO DO VALE - CARCARÁ - COM TRECHO DA PEÇA "OPINIÃO" - 1982 (Com Chico Buarque de Holanda)
Enviado em 15 de mai de 2009
https://www.youtube.com/watch?v=4L0DInKUnzc
domingo, 28 de junho de 2015
DO RUGGERO, PAULISTA COM AUGUSTA, AO GLAUBER ROCHA, NA BOCA DO LIXO - OTÁVIO MARTINS
DO RUGGERO, PAULISTA COM AUGUSTA,
AO GLAUBER ROCHA, NA BOCA DO LIXO.
ALGUMAS LEMBRANÇAS
Otávio Martins
Glauber Rocha já detectava o PELEGO, no seu “TERRA EM TRANSE”. Lula surgiria, somente, pra valer, com a fundação do PT, em 1980, no meu bairro, o Bexiga, centro de São Paulo, próximo à minha casa. Eu morava no Jardim Francisco Marcos. A sede do PT ficava na Travessa Brigadeiro Luiz Antonio, parece. Eu morava no Jardim Francisco Marcos, que começava e terminava na Rua da Abolição, onde ficava o portão dos fundos do Teatro Brasileiro de Comédia, na Major Diogo (a gente dizia a Rua de cima).
Otávio Martins
Glauber Rocha já detectava o PELEGO, no seu “TERRA EM TRANSE”. Lula surgiria, somente, pra valer, com a fundação do PT, em 1980, no meu bairro, o Bexiga, centro de São Paulo, próximo à minha casa. Eu morava no Jardim Francisco Marcos. A sede do PT ficava na Travessa Brigadeiro Luiz Antonio, parece. Eu morava no Jardim Francisco Marcos, que começava e terminava na Rua da Abolição, onde ficava o portão dos fundos do Teatro Brasileiro de Comédia, na Major Diogo (a gente dizia a Rua de cima).
Center 3 –Paulista c/Augusta – Ruggero’s Bar – Na Galeria Center 3, ao lado do Restaurante do Antonio, “Queijo e vinho”, amigo do Ruggero, mais adiante, um supermercado, acho que era um Pão de Açúcar – do outro lado, quem saía para a Avenida Paulista, antes de atingir a escadaria, o restaurante do chinês. O LP do Rui Guerra e músicas do Chico Buarque de Holanda, “Calabar”. Teria a peça, também, Acho que não vingou. Não deu tempo nem de comprar o disco pra mim (tempo e dinheiro).
Ruggero Fanelli, italiano (dos bons) havia fugido do regime do Mussolini, durante a segunda guerra mundial, trauma antigo, montou o Ruggero’s Bar, onde eu trabalhava de caixa – no almoço - e de seu ajudante, pelas madrugas do bar. Preparávamos alguma comida para o dia seguinte, o pessoal da CESP, do prédio ao lado, pela Paulista, vinha tudo de uma só vez, loucos de fome. As panquecas, ótimas, são desse tempo. O nosso trauma, contemporâneo. Instalado com o regime militar, com o golpe de 1964. Desde o primeiro, Castelo Branco, até o último João Figueiredo (ditador cavalar), todos, sem exceção, uns verdadeiros gorilas. Claro, o pior, o meu conterrâneo, sou de Bagé - RS – Emílio Garrastazu Médici, El Carnicero – que mandou bala, mesmo, “mas o Chico cantou a pedra: Um dia ele vai embora, Maninha, pra nunca mais voltar...” Dito e feito, Parece, morreu lá pelo Rio de Janeiro. Um verdadeiro troglodita, qualidade rasteira de ser “humano”, melhor dizendo, da pior qualidade. Quem não concordar, levante o dedo.
Levei o meu amigo, Toninho Ramos para acompanhar a cantora Flora Vidal, minha amiga íntima, depois o Toninho Ramos foi, acompanhando, com o seu violão de sete cordas, o Martinho da Vila, lá pela Europa, chegou a Paris, ficou. Tomara que não volte mais. 1974. No seu lugar, ficou o seu irmão mais novo, o Luizinho, que, também era tecladista. O Paulinho, violão e percussão se mandou pro Canadá. Não soube mais dele.
Teatro TAIB – Velho Ateu, com o MPB4 – peça do Millôr Fernandes... Musical, parece que chamava “Bons tempos, hein?”. QUATRO PERSONAGENS, MPB-4 E UM BONECO VESTIDO DE MILICO. DAVA A IMPRESSÃO QUE ERAM CINCO, NO ELENCO. FUI COM O RIBERTI, LÁ NO BOM RETIRO. NEM SEI SE AINDA
EXISTE O
TEATRO.
1978, parece.
“GOTA
D’ÁGUA”, no Teatro Aquários, Medéia de Eurípedes,
vista pelos autores Francisco Buarque de Holanda e Paulo Pontes.
Idealizada e iniciada por Oduvaldo Viana Filho. Era mais ou menos
1975, num Teatro na Rui Barbosa, no Bexiga. Milani era o Jasão, a
Bibi, a Medeia e o Renato Consorte, o Creonte. O Martinez e o Reis
diziam, sempre, que eu tivesse cuidado na hora do clic, ainda mais
sem flash, não tremer. O problema não era a máquina, era o elenco.
Depois, firmei, mas, no começo, tremi. Graciano Dantas, namorado da
Elô, era o editor de reportagens, mandou eu fotografar a peça para
o Correio do Povo de Porto Alegre. A sucursal ficava na Praça da
República, num predinho antigo. Quem me conseguia os frilas, era a
Elô, secretária do Audálio Dantas, no Sindicato dos Jornalistas
Profissionais do Estado de São Paulo, ali na Rego Freitas, 550, logo
que descia da Igreja da Consolação. Apesar dos dois serem Dantas,
não eram parentes.
Do Correio
do Povo – ainda era aquele jornalão em preto e branco –
acabávamos os últimos dias da semana no Bar do Batista, garçom que
nos atendia, devidamente paramentado, ali na Rua Antonio Machado,
antes de chegar a Galeria Metrópole. Entre nós e a Galeria, tinha
um bom restaurante, ficávamos só com o cheiro das carnes na chapa.
Em compensação a freguesia dele não comeu e deixou de provar as delícias do Batista: bolinho de bacalhau e bolinho de batata. Tinha também a dona Odete, tia do Mário Covas, que morava no Copan; só bebia conhaque. Até eu já tinha morado no Copan, 29º andar – no meu tempo chamavam de Trepan. Fazia jus. O manda-chuva, mesmo, lá no Correio, era o Anísio Barreto (parceiro do Riberti), padrinho de casamento de um Caldas Júnior, em Porto Alegre. Viajou para o casamento e nunca mais o vi, talvez nunca mais tivesse voltado de Porto Alegre. O Graciano, ainda o encontrei lá em Vitória, capital do Espírito Santo, acho que em 2001, nos meus tempos de rábula, num escritório de advocacia, do meu primo, Zé, em Sampa.
JANAÍNA –
FILHA DE LEILA DINIZ, TRISTE – NO CORREDOR MEIO ESCURO, NO FUNDO DO
APARTAMENTO DO RUY GUERRA – EU NUNCA A TINHA VISTO, MAS, JÁ
CONHECIA AQUELE OLHAR. PERDER UMA LEILA DINIZ, TÃO JOVEM... AINDA
BEM QUE FICOU COM O PAI, O RUY GUERRA.
O RUY
GUERRA E O GUDIN, SENTADOS, MEXENDO NO GRAVADOR. UMA FITA COM A
MELODIA PARA O RUY COLOCAR A LETRA EM “OLHOS FRIOS”. NO RIO DE
JANEIRO, em 1979. DEPOIS, FOMOS PARA O HOTEL, NA MARIA QUITÉRIA,
ENCONTREI COM O BENITO DI PAULA E O LUIZ CARLOS.
OS DOIS,
RUY GUERRA (Os fuzis) E GLAUBER ROCHA (Um monte) FORAM CINEASTAS
ATIVOS e MUITO IMPORTANTES DO CINEMA NOVO, QUASE TODO PRODUZIDO ALI
PELA BOCA DO LIXO, ONDE EU JÁ HAVIA MORADO, RUA AURORA. POR
ISSO ME LEMBREI DOS DOIS, LÁ NO CENTER 3. NO EXATO MOMENTO EM QUE OS
MILICOS VIERAM, NA MÃO GRANDE, PEGAR OS DISCOS.
NO LP
“CORAÇÃO MARGINAL”, DE 1979, PELA GRAVADORA CONTINENTAL, O
MESMO QUE TINHA “MARIA FERNANDA DE SÁ”, COM O PAULO CESAR
PINHEIRO. FIZ UMA FOTO, EM BRANCO E PRETO, DO GUDIN. O PRODUTOR, OU
DIRETOR, SEI LÁ, ANTONIO CARLOS CARVALHO, PREFERIU A OUTRA, A CORES.
NEM SEI SE TEM CRÉDITO AO FOTÓGRAFO DA FOTO INTERNA. FIZ DE PRIMA,
NO APARTAMENTO DELE, EM PINHEIROS, NA CÔNEGO EUGÊNIO LEITE. UMA SÓ
CHAPA.
ESTÚDIO
DO MARTINEZ, Rua Augusta, 1118 e 1124 (uma galeria), sobreloja, onde
moravam a Irene Ravache e o Edson Paes de Mello, editor do Caderno
Divirta-se, alguns chamavam o roteiro de frescura, do
Estadão. Muitas vezes, 1979, por aí, talvez por ter-me visto por
ali, colocava, com fotos e tudo, os shows que eu produzia com o Gudin
e Riberti. Por vezes, com a Márcia, também, além do Paulinho
Nogueira. Até apresentações em Faculdades. Saudades dos dois, da
Irene e do Edson. Foi no Estúdio do Martinez e do Reis que eu
trabalhei e aprendi com esses dois ótimos fotógrafos, tudo o que
sei de fotografia. Isso foi antes de ir trabalhar no Bar do Ruggero.
Durante o curso de fotografia, eu trabalhava na Rua Gravataí, numa
sucursal de uma fábrica de enceradeiras – LUSTRENE - travessa da
Praça Roosevelt. Fazia as apostilas do curso, - lá tinha um
mimeógrafo - em troca da mensalidade. A fábrica de enceradeiras
ficava no Rio de Janeiro, o nosso manda-chuva se chamava Vinícius.
Um dia,
havia passado pela Praça Roosevelt, numa agência do Correio, num
corredor, comprido, uma exposição de fotos, branco e preto.
Perguntei pro Martinez e pro Reis se eles conheciam aquele fotógrafo:
Sebastião Salgado. Depois ele ficaria conhecido pelo mundo inteiro.
Grande Sebastião Salgado.
VELHO ATEU
http://www.kboing.com.br/beth-carvalho/1-49708/
Compositor:
Eduardo Gudin E Roberto Riberti
Um Velho
ateu
Um bêbado cantor poeta
Na madrugada
Cantava essa canção-seresta
Se eu fosse Deus
A vida bem que melhorava
Se eu fosse Deus
Daria aos que não tem nada.
E toda janela fechava
Pros versos que aquele poeta cantava
Talvez por medo das palavras
De um velho de mãos desarmadas. Se eu fosse Deus...
Um bêbado cantor poeta
Na madrugada
Cantava essa canção-seresta
Se eu fosse Deus
A vida bem que melhorava
Se eu fosse Deus
Daria aos que não tem nada.
E toda janela fechava
Pros versos que aquele poeta cantava
Talvez por medo das palavras
De um velho de mãos desarmadas. Se eu fosse Deus...
*Trecho do livro e-book "Algumas Lembranças" de Otávio Martins Amaral - Editora Novos Rumores
*Escreva para: contatonovosrumores@gmail.com e compre o e-book por R$30,00
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sábado, 23 de julho de 2011
CHAME O LADRÃO!
"Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
Minha nossa, santa criatura
Chame, chame, chame lá
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão"
Alvo preferencial das tesouras da ditadura militar, o sempre criativo Chico Buarque bolou em 1974 um estratagema para suas composições não serem obsessivamente dissecadas pelos censores, sempre à procura de pêlo em ovo: passou a enviá-las às donas solanges da vida com a assinatura inventada de Julinho da Adelaide.
A artimanha deu tão certo que até uma entrevista do tal Julinho foi publicada na Última Hora, conforme se vê aqui.
É óbvio que o segredo não duraria muito. Mas, permitiu que se tornassem bem conhecidas "Jorge Maravilha" ("E como já dizia Jorge Maravilha/ Prenhe de razão/ Mais vale uma filha na mão/ Do que dois pais voando") e "Acorda Amor".
Esta última é uma limonada feita com o limão do pesadelo que assombrava a todos nós, opositores do arbítrio: o da campainha soando no meio da noite, para anunciar que iríamos ser sequestrados, torturados, mortos.
[Dois anos depois de sair das prisões militares, fui despertado em plena madrugada por alguém que dizia estar procurando uma determinada família. Alegou saber a posição do apartamento mas não o andar, de forma que, começando pelo 21º, estaria acordando os moradores dos apês de final 3, um após outro. Nunca soube se era verdade ou, o mais provável, uma verificação policial. Mas, ao abrir a porta já me preparava para o pior. E depois não consegui pregar o olho...]
| Peruas Veraneios com chapas 'frias' eram a marca registrada dos órgãos de repressão |
Foi o que me acorreu, ao ler que as duas principais associações de juízes brasileiros saíram em defesa de José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal que ausentou-se de uma sessão de julgamento para viajar à ilha de Capri, na Itália, onde participou da nababesca festa de casamento de um grande advogado.
Ou seja: para ambas, nada existe de errado em faltar no trabalho por motivo banal e em, possivelmente, ter suas despesas de hospedagem e deslocamentos bancadas por quem atua como criminalista em dois processos dos quais Toffoli é relator (o cabulador de julgamentos garantiu ter pagado do seu bolso as passagens aéreas, negando-se, entretanto, a falar sobre os demais custos -- mesma atitude do anfitrião Roberto Podval).
"Os casos de suspeição previstos em lei são referentes apenas a relação de amizade íntima ou inimizade capital entre o magistrado e a parte e jamais em relação ao advogado", afirmou, em nota, o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Gabriel Wedy, esquecendo-se de discorrer sobre os casos de suspeição previstos na ética.
"O caso não tem essa gravidade. Juízes, promotores e advogados convivem a vida toda", disse Nelson Calandra, da Associação dos Magistrados Brasileiros, repetindo a ladainha dos políticos acusados de corrupção: "todo mundo faz igual".
"O caso não tem essa gravidade. Juízes, promotores e advogados convivem a vida toda", disse Nelson Calandra, da Associação dos Magistrados Brasileiros, repetindo a ladainha dos políticos acusados de corrupção: "todo mundo faz igual".
Trabalhando em comunicação empresarial, eu cheguei a editar o jornal que uma multinacional farmacêutica enviava aos médicos. O sucesso da linha de produtos da empresa dependia inteiramente que os doutores os indicassem a seus pacientes. Daí os frequentes convites para que os discípulos de Hipócrates (ou não passariam de hipócritas?) curtissem agradáveis fins de semana em cruzeiros marítimos, com todas as despesas pagas.
Eu era obrigado a noticiar com destaque e muitas fotos tal absurdo, para despertar nos não convidados a vontade de fazerem por merecer o convite na vez seguinte. E as associações de médicos também nada viam de errado em tal prática.
Chame, chame o ladrão, chame o ladrão!
SOBRE O MESMO ASSUNTO, LEIA TAMBÉM:
A GRANDE ESPERANÇA BRANCA
sexta-feira, 19 de março de 2010
LAMARCA É DIFAMADO NO YOUTUBE
Mitos e Lendas Sobre Carlos Lamarca é o título de uma montagem extremamente injuriosa e difamatória, que foi vista quase 22 mil vezes, desde que a postaram há dois anos no YouTube. Tem oito minutos de duração. O link é http://www.youtube.com/watch?v=ja_Q3NgnldcConscientes de que cometiam um delito, os autores não assumiram a "obra". É estarrecedor que se possa, anonimamente, assacar calúnias tão graves contra um morto. A internet continua uma terra sem lei, infestada de fichas falsas e versões falaciosas. Até quando?
Mas, quem a postou foi tolo a ponto de acrescentar, na sinopse introdutória, uma recomendação que equivale a uma assinatura: "Conheça mais sobre sua trajetória em www.ternuma.com.br".
Está repleta de sórdidas mentiras, como a de que Lamarca enviou sua família a Cuba, não para colocá-la a salvo da sanha dos militares torturadores quando se tornasse conhecida sua adesão aos movimentos de resistência, mas em razão da relação amorosa que já estaria mantendo com Iara Iavelberg.
Esta foi, na verdade, iniciada meio ano depois, quando ele já militava na clandestinidade, sendo um dos líderes revolucionários mais perseguidos pela ditadura.
A infamia dos fascistas virtuais é não só desmascarada pelos relatos dos sobreviventes, como se choca com a própria sistemática da luta armada: tal envolvimento representaria, em 1968, um altíssimo risco de segurança, sendo ele um militar na ativa e ela uma resistente cuja identidade a repressão já conhecia.
Vale acrescentar que manter vida dupla conflitava tanto com a moral revolucionária quanto com o espírito militar, que marcava muito a personalidade de Lamarca.
Ele, inclusive, hesitou durante três meses antes de ceder à atração que surgira entre ambos, o que só veio a acontecer em meados de 1969. E, no final do ano, quando participamos juntos da equipe precursora da instalação de uma escola de guerrilhas em Registro (SP), ainda sentia-se culpado e pesaroso, chegando a chorar quando recebia cartas da família.
Outra invencionice ignóbil é a de que ele teria castrado o tenente Alberto Mendes Jr. e o forçado a engolir os órgãos genitais. Esta patranha fazia parte da propaganda enganosa que os serviços de guerra psicológica das Forças Armadas disseminavam na época, sem comprovação de espécie alguma. Puro Goebbels: martelar tanto uma mentira que ela acabasse passando por verdade.
E quem conhece, por pouco que seja, a política do período, morrerá de rir com a afirmação de que Lamarca estava a soldo de Cuba e da União Soviética.
Não só seria a forma mais arriscada do mundo para alguém ganhar dinheiro, como a URSS era inimiga figadal das guerrilhas latino-americanas: os partidos comunistas sob sua orientação boicotaram a luta de Guevara na Bolívia e tudo fizeram para atrapalhar os planos de Lamarca, inclusive denunciando-o como agente da CIA em seu jornal.
Ridículo extremo é insistirem em que Lamarca teria sido morto em combate, quando já não existe dúvida nenhuma, nem de historiadores idôneos nem do Estado brasileiro, quanto ao fato de ele haver sido executado depois de rendido (a exemplo do que aconteceria com a maioria dos guerrilheiros do Araguaia).
Não só o Ministério Público Federal tem obrigação de apurar o crime que está sendo perpetrado contra a verdade histórica e a memória de um herói nacional, como Chico Buarque e Milton Nascimento não podem consentir que uma imundície dessas utilize na trilha musical suas gravações de "Apesar de Você" e "Cálice".
Raul Seixas, por sua vez, deve estar revirando na cova, face a uso tão repulsivo de sua interpretação de "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones".
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sábado, 13 de fevereiro de 2010
OUTROS CARNAVAIS
De uma não consegui saber nem nome, nem intérprete. É dos meus tempos de criança e a tenho inteira na lembrança:
"Agora chora, Pierrot,
É tua sina.
A sina de Pierrot
é chorar por Colombina
Ah, velhas frases de amor,
Ah, são retalhos de dor.
Esta saudade de Colombina,
Não é saudade, é tua sina.
Pierrot, Colombina e Arlequim,
História de um amor assim, assim"
Eis aquelas cujos links (para vocês baixarem os discos que as contêm, na versão de seu principal intérprete) conseguir localizar. Para não entediar os leitores, cito só o trecho mais significativo de cada uma delas.
"Era uma canção, um só cordão
E uma vontade
De tomar a mão
De cada irmão pela cidade
No carnaval, esperança
Que gente longe viva na lembrança
Que gente triste possa entrar na dança
Que gente grande saiba ser criança"
(Chico Buarque, "Sonho de um Carnaval")
"Não saia do meu lado
Segure o meu pierrot molhado
E vamos embolar ladeira abaixo
Acho que a chuva ajuda a gente a viver
Venha, veja, deixa, beija, seja
O que Deus quiser
A gente se embala, se embola, se embola
Só pára na porta da igreja
A gente se olha, se beija, se molha
De chuva, suor e cerveja"
(Caetano Veloso, "Chuva, Suor e Cerveja")
"O Rancho do Novo Dia
O Cordão da Liberdade
E o Bloco da Mocidade
Vão sair no carnaval
É preciso ir à rua
Esperar pela passagem
É preciso ter coragem
E aplaudir o pessoal"
(Gilberto Gil, "Ensaio Geral")
"Todo morro entendeu quando o Zelão chorou
Ninguém riu, ninguém brincou, e era Carnaval
No fogo de um barracão
Só se cozinha ilusão
Restos que a feira deixou
E ainda é pouco só
Mas assim mesmo o Zelão
Dizia sempre a sorrir
Que um pobre ajuda outro pobre até melhorar
(Sérgio Ricardo, "Zelão")
"João bebeu
Toda cachaça da cidade
Bateu com força
Em todo bumbo que ele via
Gastou seu bolso
Mas sambou desesperado
Comeu confete
Serpentina
E a fantasia...
Levou um tombo
Bem no meio da avenida
Desconfiado
Que outro gole não bebia
Dormiu no tombo
E foi pisado pela escola
Morreu de samba
De cachaça e de folia..."
(Erasmo e Roberto Carlos, "Cachaça Mecânica")
"Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval"
(Zé Ketti/Pereira mattos, "Máscara Negra")
"Somos cantores
Cantamos as flores
Cantamos amores
Trazemos também
A notícia da grande alegria que vem
Pra durar mais que um dia
E ficar como antigas cantigas
Que não morrem
Que não passam jamais
Como passam sempre os carnavais"
(Gil, Torquato e Vandré, "Rancho da Rosa Encarnada")
"Vesti minha tristeza
Com a fantasia da alegria
e com ela eu caí no carnaval
E fui com toda gente para a avenida
Cantar a vida com a doce ilusão do carnaval
Oi minha namorada, a liberdade,
Linda Colombina de quem era um pobre Pierrot"
(Sérgio Ricardo, "Fantasia da Alegria")
"Atrás do trio elétrico
Só não vai quem já morreu
Quem já botou pra rachar
Aprendeu que é do outro lado
Do lado de lá do lado
Que é lado lado, de lá"
(Caetano Veloso, "Atrás do Trio Elétrico")
"Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal, deixa a festa acabar,
deixa o barco correr, deixa o dia raiar
que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou, seja você quem for
Seja o que Deus quiser"
(Chico Buarque, "Noite dos Mascarados")
sábado, 19 de setembro de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
João do Vale e Chico Buarque - Carcará (autoria de João do Vale / José Cândido)
CARCARÁ
Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
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quinta-feira, 2 de julho de 2009
NÃO SERÁ EM BRASÍLIA QUE VAI CHEGAR NOSSO CARNAVAL
Depois que a imensa superioridade de forças do inimigo condenou ao fracasso a heróica tentativa de saírmos da ditadura pela porta da frente, só nos restou mesmo a longa espera de que ela ruísse em decorrência de suas próprias contradições.
Houve, claro, momentos fulgurantes como o do repúdio ao bárbaro assassinato de Vladimir Herzog em 1975, mas todos sabíamos que uma missa não expeliria os militares do poder que exerciam como usurpadores e déspotas.
E existia a resistência cotidiana aos abusos e atrocidades, cujo símbolo mais marcante foram D. Paulo Evaristo Arns e sua abnegada equipe, o embrião do Tortura Nunca Mais.
Mas, não estava em nossas mãos darmos um fim à ditadura. Sentíamos-nos exatamente como Chico Buarque descreveu: "Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar/ Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Lá por meados da década de 1970, quando terminou o último dos quatro julgamentos a que fui submetido em auditorias militares, eu tive de fazer minha opção: permanecer ou não no Brasil?
Ao sair das prisões militares, ainda sob o impacto de tudo que sofrera nos porões, decidi embarcar tão-logo pudesse fazê-lo legalmente, já que não tinha como montar um esquema de fuga minimamente confiável.
Mas, aos poucos, foram-me voltando os sonhos, as elocubrações sobre o que faríamos quando, findo o pesadelo, pudéssemos finalmente reconstruir este país. "Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Muito mais do que quando militava na VPR, tinha a noção exata do que precisava ser feito para o Brasil voltar a ser, pelo menos, uma nação civilizada. Nos bares, nosso refúgio, eu e os amigos discutíamos ponto por ponto as medidas a serem tomadas no glorioso day after.
Era nosso lenitivo para continuarmos engolindo os sapos de cada dia. "E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Mas, a classe política frustrou nossas esperanças e destruiu nossos sonhos. Com a ditadura já agonizante, manobrou para que fosse rejeitada a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria o poder a quem de direito, os cidadãos eleitores deste país.
E o maquiavélico Tancredo Neves pôde, triunfalmente, anunciar que chegara "a hora dos profissionais". O candidato da ditadura, Paulo Maluf, não seria detonado pelo povo nas urnas, mas sim por umas poucas centenas de parlamentares no Colégio Eleitoral que se constituía num símbolo gritante da exclusão do povo na tomada das grandes decisões nacionais.
Pior: Maluf seria derrotado graças aos votos de congressistas que, como ratos, abandonaram o navio da ditadura que já fazia água, para assegurarem a manutenção dos seus privilégios na Nova República.
A indústria cultural, com a Rede Globo à frente, conseguiu vender a ilusão de que tanto dava a diretas-já quanto a vitória no espúrio Colégio Eleitoral. A longa agonia pública de Tancredo Neves era a peça que faltava no quebra-cabeças. A pieguice obnubilou as consciências. Os maus venceram, como quase sempre.
E tocada, entre outros, pelos que haviam sido sustentáculos da ditadura, a redemocratização ficou pela metade, como convinha à burguesia, que antes exercia o poder por meio dos fardados, depois passou a exercê-lo por meio de civis safados.
Nem sequer foram punidos os assassinos seriais da ditadura. Nem sequer foram devolvidos os corpos de companheiros martirizados. "Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar". E não adiantou esperar o carnaval, pois ele não chegou.
Gato escaldado, nunca mais acreditei que a redenção dos males brasileiros pudesse provir das tempestades em copo d'água da política oficial. Sabia/sei que a chegada do carnaval não depende da desgraça momentânea do Collor, dos anões do orçamento, dos mensaleiros, do Severino, do Renan, do Daniel Dantas ou, agora, do Sarney.
Esses senhores nunca determinaram os acontecimentos, apenas cumprem/cumpriram determinadas funções dentro do sistema de exercício e sustentação do poder burguês. Então, enquanto as funções em si não forem extintas, suas agruras só servirão para jogar poeira colorida nos olhos do povo.
Trata-se apenas de um sacrifício ritual para servir como catarse aos "de fora". Cada vez que um desses espantalhos tomba, a indústria cultural cria a ilusão de que a justiça foi feita e as instituições funcionam. Mas, saem uns, entram imediatamente outros e a podridão continua a mesma.
Há quem me cobre engajamento na caça à bruxa da vez. Negativo. Prefiro gastar minhas energias preparando o carnaval, que só chegará quando os cidadãos assumirem a iniciativa de, eles próprios, colocá-lo nas ruas, sem se deixarem iludir pelo jogo-de-cena brasiliense.
CELSO LUNGARETTI
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