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segunda-feira, 27 de julho de 2009

FESTIVAL INTERNACIONAL DE LINGUAGEM ELETRÔNICA - FILE 2009 OPENING - ABERTURA FILE 10 NURBS PROTO 4K

FILE 10 NURBS PROTO 4KT é o título da exposição do FILE 09 - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica - que acontece, este ano no Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso, de 28 de julho à 30 de agosto, segunda-feira das 11h às 20h, terça à sábado das 10h à 20h e domingo das 10h à 19h.

A programação ocupa as Galerias de Arte de cima e de baixo, sendo que a programação da galeria de baixo acontece entre os dias 28 e 31 de julho, o Teatro e o Mezanino do Centro Cultural, na Av. Paulista, que recebem a exposição, performances, palestras e workshops. A entrada é gratuita.

Este ano temos a honra de apresentar: FILE 10, dez anos de FILE, dez anos de eventos realizados na cidade de São Paulo, dez anos de discussão sobre arte e tecnologia no Brasil.

NURBS (Non Uniform Rational Basis Spline) é uma técnica da computação gráfica desenvolvida no século XX para representar superfícies lisas, que, de acordo com Lev Manovich, autor do texto de abertura do Catálogo do FILE 09, pode tornar-se juntamente com outros recursos da computação gráfica uma nova ferramenta para a teoria cultural do século XXI. Lev Manovich participará do FILE Symposium e do FILE LABO Workshop.

PROTO de "Protomembrana", título da performance do artista catalão Marcel.lí Antúnez Roca, que acontece na abertura e na primeira semana do evento como parte da programação do Hipersônica Performance, no Teatro Popular do SESI.

4KT, a primeira transmissão transcontinental em alta definição de um longa-metragem: "Enquanto a Noite Não Chega", do cineasta brasileiro Beto Souza, entre as cidades de São Paulo (Brasil), San Diego (Estados Unidos) e Yokohama (Japão).

A 10ª edição do FILE, o maior festival de arte e tecnologia do Brasil e da América Latina e um dos maiores acontecimentos nesta área, mostra uma grande diversidade de pesquisas e de produções nacionais e internaci onais. Participam desta 10ª edição cerca de 300 artistas - entre grupos, coletivos e trabalhos individuais - de mais de 30 nacionalidades, com produções em várias áreas da cultura digital.

SERVIÇO:
http://www.file.org.br

FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (exposição)
ABERTURA PARA CONVIDADOS: 27 de julho, às 19h30
Local: Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso - Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp
Datas e horários: de 28 de julho a 30 de agosto de 2009 - de terça-feira a sábado, das 10h às 20h, às segundas-feiras, das 11h às 20h, e aos domingos, das 10h às 19h.
Informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406
Agendamento de grupos: de segunda-feira a sexta-feira, das 10 às 13h, e das 14 às 17h, pelo telefone 3146-7396 / falar com Leni
Recomendaç ão etária: livre
Entrada franca

FILE – HIPERSÔNICA
Local: Teatro do SESI – São Paulo
Endereço: Av. Paulista, 1313
Datas e horários: de 28 a 31 de julho, às 19h
Recomendação etária: não recomendado para menores de 16 anos
Retirar convite no dia a partir das 12h na bilheteria do teatro

FILE – SYMPOSIUM
Local: Mezanino do Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso - Av. Paulista, 1313
Datas e horários: de 28 a 31 de julho, das 14h às 18h30.
Recomendação etária: livre
Inscrições online no site:
http://www.file.org.br/file2009_inscsymposium/cadastro_port.php
<>FILE – WORKSHOP
Local: Mezanino do Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso - Av. Paulista, 1313
Datas e horários: de 28 a 30 de julho, das 9h às 13h.
Recomendação etária: livre
Inscrições online no site:
http://www.file.org.br/file2009_incsworkshops/cadastro_port.php

FILE – CINEMA DIGITAL
Local: Teatro do SESI – São Paulo
Endereço: Av. Paulista, 1313
Datas e horários: dias 30 de julho, às 19h no teatro (projeção do filme), e 31/07 (debate com Tóquio), às 10h no teatro.
Recomendação etária: livre
Retirar convite no dia a partir das 12h na bilheteria do teatro

FILE - DOCUMENTA
Local: Mezanino do Cent ro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso - Av. Paulista, 1313
Datas e horários: de 28 a 31 de julho, das 18h40 às 21h30.
Recomendação etária: não recomendadopara menores de 16 anos

FONTE : http://www.file.org.br/file2009/press_sp/

sábado, 30 de maio de 2009

"Índios" mostra cotidiano de uma das últimas tribos nômades do Brasil


29/05/2009 - 07h38

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações
da Folha Online

Egberto Nogueire/Divulgação

Exposição de fotografias do Sesi retrata cotidiano de tribo nômade

Até 15 de junho, o Sesi A.E. Carvalho (região leste de São Paulo) promove a exposição "Índios", com retratos da tribo guajá feitos por Egberto Nogueira, fotojornalista que trabalhou em grandes publicações nacionais e clicou momentos históricos importantes --desde o embate entre Collor e Lula, em 1995, aos picos de caos do transporte coletivo da capital paulista.

Nesta mostra de temática social, encontram-se imagens do cotidiano de um dos últimos grupos nômades do Brasil, que, por questões de segurança, tem se fixado em alguns territórios. As fotografias foram tiradas no ano 2000, durante uma viagem de Nogueira à região denominada pré-Amazônia, localizada no Maranhão.

Na década de 1970, foram contabilizados cerca de 600 índios dessa tribo. Atualmente, esse número foi reduzido para 250.

Informações sobre eventos gratuitos e populares podem ser consultadas no site Catraca Livre.

Sesi A.E. Carvalho - r. Deodato Saraiva da Silva, 110, A. E. Carvalho, região leste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/2280-2366. 2 a 15/6. Seg. a sex.: 10h às 17h. Grátis. Classificação etária: livre.

domingo, 24 de maio de 2009

Francês invade Museu da Língua Portuguesa















Instalação na entrada reúne 5 mil palavras do nosso vocabulário com origem francesa

Publicado em 11/05/2009

A onda de bistrôs na cidade ou nomes como Campo de Marte (de Champ de Mars) e Campos Elíseos (de Champs-Élysées) são apenas dois dos exemplos da vasta e antiga influência da língua e da cultura francesas sobre a nossa.

É desse trânsito livre que se trata a exposição O Francês no Brasil em Todos os Sentidos, que abre hoje para convidados no Museu da Língua Portuguesa e a partir de amanhã para o público.

Uma das principais atrações do Ano da França no Brasil, a mostra é a primeira binacional do museu, inaugurado em 2006. Diferentemente de outras exposições, é a única que não se dedica a uma obra literária ou a um autor.

Com curadoria assinada por dois franceses e um brasileiro, a mostra foi pensada como "um mosaico da presença francesa no Brasil por meio da palavra", como define o curador Álvaro Faleiros, poeta e professor de literatura francesa da USP.

A ideia fica clara logo na instalação da entrada. Formado por viadutos metálicos com vias iluminadas, o painel exibe palavras franceses incorporadas ao nosso vocabulário e a frase "Em nosso idioma mais de 5.000 palavras têm origem francesa".

Outro ponto entre os 14 espaços da exposição é o dos Falsos Cognatos, palavras semelhantes com significados diferentes, com cenário inspirado no Centro George Pompidou, em Paris.

FONTE: http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=17,38179

segunda-feira, 23 de março de 2009

GALERIA DO POSTE - RIO DE JANEIRO (AMIGA ROSANE CHONCHOL ENVIA)

GALERIA DO POSTE - A GALERIA QUE NUNCA FECHA

PROJETO POSTE TOTAL
Com o objetivo de ampliar nossas ações propusemos aos artistas realizarem intervenções nos postes de suas cidades no mês de janeiro de 2003, e apesar das dificuldades o sucesso foi grande, como comprovam as mais de 30 instalações feitas ao redor do mundo.


Projeto
DIA MUNDIAL DO POSTE
O sucesso alcançado pelo "Poste Total" nos levou a relançar a idéia em 2004, com uma pequena diferença, todos os trabalhos deverão ser inaugurados no dia 31 de janeiro (dia do aniversário da Galeria do Poste Arte Contemporânea) para que se forme nesse dia uma grande corrente "de pensamentos" em volta do mundo.


SITE : http://www.galeriadoposte.hpg.ig.com.br/index.html
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O poste e a ponte

Luiz Sérgio de Oliveira *

[...] no Brasil, o que é meu é meu e o que é público, também é meu. neste país, a construção de cada um por si mesmo só parece ser possível mediante a apropriação e subseqüente incorporação do que pertenceria à comunidade e que a define.
Teixeira Coelho
Apesar do que há de verdadeiro nessa constatação, podemos aperfeiçoá-la afirmando que, no Brasil, o público parece ser terra-de-ninguém, parece ser território-sem-dono. Por isso, é tão freqüente a apropriação dos bens públicos pelos nicolaus de plantão, que nem mesmo a contínua sucessão de denúncias, transformadas em campeãs de audiência pela mídia, parece conter. Tudo diante de uma sociedade ao mesmo tempo incrédula e apática, que assiste a essas sucessivas subtrações dos bens coletivos como se natural fosse, e não como uma dolorosa distorção de nossas tradições. Não é por outro motivo que continuamos a eleger políticos sabidamente corruptos, para os quais inclusive somos capazes de hipotecar nossas melhores convicções. Ou será que simplesmente vivemos a expectativa de sermos agraciados com migalhas de um poder corrupto? Enfim, o Brasil não é isso, certamente não é.

Mas o que essas questões têm a ver com a arte? Ou com o poste? Será ele o espaço singular para exorcizarmos nossos fantasmas públicos, nossos judas coletivos, como nos jogos infantis?

Desde que as premissas elitizantes do modernismo foram desacreditadas, cada vez mais e mais artistas vêm se recusando a sustentar a pureza modernista, que acabou por isolar a arte em redomas de cristal, protegidas do pó social. Esses artistas vêm recorrendo aos espaços públicos para ampliar sua audiência, para contaminar sua arte, não satisfeitos em continuar produzindo para um círculo fechado e viciado, formado por artistas e simpatizantes. Como já foi dito, "todo artista tem que ir aonde o povo está".

E é nesse contexto que a Galeria do Poste Arte Contemporânea precisa ser entendida: como uma contribuição para repensarmos o espaço da arte, para desatá-la das amarras imputadas pelo modernismo, para liberá-la, enfim, do confinamento do cubo branco dentro do qual permaneceu enclausurada durante grande parte do século passado. Aqui a arte quer mais que ser exposta, mais que estar exposta. Ela quer estar nas ruas, quer ser parte das ruas, sem grades, sem rampas, sem tapetes vermelhos, sem silêncios quase-religiosos, sem pompa nem circunstância. Aqui busca-se um diálogo que foi desprezado, o diálogo da arte com seu público. Para onde ele foi? Depois de desprezado pela arte, passou o público a desprezar a arte? É preciso reverter esse processo. Hoje o artista - e aqueles que atuam no sistema de arte - precisa(m) construir pontes que dêem densidade ao trinômio artista - produção de arte - público. É necessário trazer de volta esse público que foi ostensivamente rejeitado. Precisamos de trilhas, caminhos e pontes. O poste é uma ponte.

Nesses quatro anos, a Galeria do Poste Arte Contemporânea, dentro dos limites de atuação a que se propõe, firmou-se como um espaço privilegiado para a exibição de obras produzidas especialmente para uma situação em que é, simultaneamente, suporte, meio, arte in situ. Mais de quarenta artistas já deixaram sua contribuição para a desejada reaproximação entre arte e público. O famoso poste do Gragoatá já foi pintado de todas as cores, coberto com folhas d'ouro e de pentelhos enferrujados, já foi porto seguro para barcos à deriva, para os burros dos artistas, para cobras macias e suas jovens estonteantes, muro para amassos românticos, páginas da literatura brasileira perdidas no caminho do bordel, ou do paraíso azul zen. O poste já foi tudo, ou quase, e quer ser muito mais, nesse esforço do artista em recuperar seu espaço cidadão. Tudo isso vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, sob sol ou sob chuva. Afinal, a Galeria do Poste Arte Contemporânea é a galeria que nunca fecha !!!

FONTE: http://www.geocities.com/galeriadoposte/registro.htm.

Pela primeira vez, a dupla paulistana OSGEMEOS,no RIO DE JANEIRO(AMIGA ROSANE CHONCHOL ENVIA)

OSGEMEOS | "VERTIGEM"
Instalação: pintura, escultura, objetos sonoros

Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro [CCBB Rio]

Em cartaz: 24 de março a 17 maio 2009
Terça a domingo, 10 às 21h
Grátis

Pela primeira vez, a dupla paulistana OSGEMEOS, Gustavo e Otávio Pandolfo, faz uma exposição individual no Rio de Janeiro.

De 24 de março a 17 de maio de 2009, o Banco do Brasil patrocina e apresenta, no CCBB, "Vertigem", uma instalação que ocupa três salas, com pinturas, esculturas e objetos sonoros da dupla.

Exposição
As pinturas sobre madeira têm as características que consagraram os irmãos: figuras humanas de pele amarela, olhos separados e roupas super coloridas. Os cenários em que as pessoas estão podem ser urbanos ou oníricos.
Seus personagens têm influência do folclore ou do cotidiano urbano brasileiro, que refletem contradições do mundo contemporâneo. As imagens podem ser líricas - de familiares, amigos, ou de excluídos, deficientes físicos e esquecidos.

Uma das esculturas de "Vertigem" é um cubo-cabeça, suspenso do teto, em que o visitante encaixa sua cabeça e tem uma visão infinita de si próprio. O interior do cubo é revestido de espelhos e luzes. Cabeça é uma instalação móvel, constituída de um grande tronco e cabeça humanos com os braços abertos, sobre um carro que se desloca.
A instalação Os músicos reúne objetos sonoros - instrumentos musicais em forma de caixas, agrupados em uma parede, remetendo a um coro rebelde, que podem ser acionados pelo espectador.
"Vertigem" segue do Rio para São Paulo e, em dezembro, chega ao CCBB Brasília.

Do Cambuci à Tate Modern
Nascidos em 1974, os gêmeos idênticos Gustavo e Otávio Pandolfo começaram desenhando nas paredes de casa, partiram para os muros de São Paulo, até participarem da primeira coletiva no MIS, em 1993. Continuaram ocupando o espaço urbano com suas figuras em cores vibrantes, fizeram mais uma coletiva em 1998, na Funarte SP e, no ano seguinte, saíram para o mundo.

Os personagens da dupla chegaram, em 2008, à fachada da Tate Modern de Londres, templo-mor da arte contemporânea. Fazendo um caminho incomum, os irmãos Pandolfo ganharam representação internacional antes de ter um representante comercial na terra natal.(...) leia mais no site da UNIVERSIDARTE

Centro Cultural Banco do Brasil RJ
Rua Primeiro de Março 66
Centro - RJ
21 3808 2020
terça a domingo, 10 - 21h
grátis

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Brasil: Arte contemporânea africana terá centro de referência em São Paulo

São Paulo, Brasil, 03 Fev (Lusa) -- A arte contemporânea africana passará a ter um centro de referência no Brasil, com a abertura de uma galeria em São Paulo, informou hoje um responsável pelo projecto.


Alexandre Silva, coordenador do centro, disse à agência Lusa que a Soso Arte Contemporânea Africana, cuja abertura está marcada para quinta-feira, foi inspirada numa galeria de mesmo nome de Luanda.

"Vamos trabalhar de forma independente com a galeria Soso de Angola, mas mantendo uma estreita relação, com o objectivo de ser um ponto de referência da arte contemporânea africana no Brasil", disse.

"Queremos apresentar - explicou - os trabalhos de artistas africanos e contribuir para a inserção no mercado de arte do Brasil".

Segundo o coordenador, a galeria Soso de Luanda, com apoio da Fundação Sindika Dokolo, foi inspirada no pavilhão africano da Bienal de Veneza, em 2007.

"A ideia de abrir uma galeria surgiu da constatação de que existem muitos artistas contemporâneos africanos espalhados pelo mundo, mas sem um centro de referência em África", assinalou.

A Soso de São Paulo será aberta com a apresentação de fotografias, vídeos e instalações dos artistas angolanos Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine, entre os dias 06 de Fevereiro e 21 de Março.

Nascida em Luanda em 1978, a fotógrafa Cláudia Veiga formou-se em Portugal em Arquitectura e em Fotojornalismo, sendo actualmente coordenadora da Fundação Sindika Dokolo.

Filho de pais cubanos, Ihosvanny já participou de várias colectivas, com destaque para a Trienal de Luanda em 2007 e Bienal de Veneza no mesmo ano.

Nascido em Luanda em 1979, Kiluanji dedica-se ao teatro, música e fotografia, com destaque para cenas urbanas de Luanda.

Yonamine, nascido em Luanda em 1975, com passagens pela República Democrática do Congo, Brasil e Reino Unido, diversifica a sua actividade pela pintura, desenho, gravura, fotografia, vídeo e instalação.

MAN.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2009-02-03 13:50:04

FONTE : http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=385870&visual=26&tema=5

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

PATROCINADORES E VOLUNTÁRIOS,PARTICIPEM!! CIDADE DA MUSICA NO RIO DE JANEIRO!!!


Patrocinadores e voluntários participem, por favor!
Se não temos Guggenhein, que tenhamos arte dentro de nossa realidade. Arte na pobreza crescente, chega a ser assustador ver o numero de favelas e de construções precárias que surgem a cada instante no Brasil.
A Cidade da Musica que inaugurou na Barra da Tijuca é monumental, nela caberiam Museus, Bibliotecas e Videotecas Públicas, apresentações culturais de toda espécie.
Caberia até uma Bienal de Arte. Porque não a Primeira Bienal do Rio de Janeiro, já que a de São Paulo faliu?!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A prisão da pichadora x a mentalidade tupiniquim (OUTRA OPINIÃO SOBRE O TEMA DA PICHADORA PRESA NA BIENAL VAZIA DE SÃO PAULO)

Dezembro 13, 2008

Por Patu Antunes


Tenho seguido, estupefata, o caso da menina que acabou presa (e está há 49 dias) por pichar o andar vazio da Bienal de São Paulo, que era, agora vemos teoricamente, para a intervenção do público. A gaúcha Caroline Pivetta da Mota foi à Bienal com um grupo de pichadores (que se identificam assim e não com os “street art” do calibre de osgemeos, por exemplo). Levaram a proposta da curadoria a sério e foram além: devolveram à arte aquilo que é próprio dela - romper paradigmas, preconceitos, arriscar, ir além, protestar, gritar, provocar. E acabou presa. Que raio de Bienal é essa????? Para os críticos, um grande fracasso, com algumas exceções. Para mim, um descalabro e uma indecência que só uma mentalidade muito atrasada pode permitir. Apóio minha afirmação em outra, da chefona da Bienal, Ana Paula Cohen.

Em uma coletiva de imprensa, uma semana antes da abertura da mostra, ela afirmou, respondendo sobre a possibilidade do tal andar vazio acabar em pichação: “Estão convocando gente da periferia da cidade para fazer isso, e essas pessoas não sabem no que estão se metendo.” É, realmente não sabiam onde estavam se metendo: no raio de ação de uma senhora que deveria fazer qualquer coisa na vida. MENOS ser CURADORA de uma BIENAL DE ARTE.

Come on, em que planeta-da-arte vivem esses “curadores”????? É óbvio que os pichadores, grafiteiros e toda a fauna da street art VAO fazer uma intervenção em um espaço assim. Esses curadores de escritório vivem ali, num espaço de design, com objetos de “arte”, com ar-condicionado, longe da plebe e não sabem de porra nenhuma que acontece nas ruas, nas casas e no interior das pessoas, esses sim a verdadeira origem da Arte, com “A” e não “arte” de concurso público.

E para quem vem com esse discurso retrógrado de “Ah, mas aquilo não é arte, é vandalismo”… É, olhando um monte de rabiscos, realmente é difícil comparar isso a Picasso ou a Goya, por exemplo. Mas me diz: um homem pelado dentro de uma sala (a coisa mais elogiada na Bienal deste ano) é arte?????? Sim, porque não é só um homem pelado. É um homem pelado com mil conexões, estímulos, contextos, provocações. Os pichadores não fazem só riscos na parede. Eles também estão ali, com mil conexões, estímulos, contextos, provocações. O problema é que vamos à uma sala da Bienal, vemos um homem pelado e nos dizem que isso é arte da boa, e compramos. E aí nos vendem que a pichação é um monte de rabiscos sem valor… e compramos.

Tudo é muito mais simples do que parece. É só uma questão de mentalidade.

FONTE :http://patuantunes.wordpress.com/2008/12/13/a-prisao-da-pichadora-x-a-mentalidade-tupiniquim/

Bienal age de modo cínico e intolerante ao lavar as mãos

São Paulo, segunda-feira, 15 de dezembro de 2008


ARTIGO


Bienal age de modo cínico e intolerante ao lavar as mãos


Acusar a grafiteira Carolina da Mota, presa há 52 dias, de "danificar patrimônio tombado" é estratégia hedionda


PAULO HERKENHOFF
ESPECIAL PARA A FOLHA


Minha opinião ou a de qualquer outra pessoa sobre o grafite não tem a menor importância no caso da Carolina Pivetta da Mota na Bienal de São Paulo. Não se trata de condenar ou aplaudir a ação de grafitagem. Eu vi, em 1972, os seguranças do MAM carioca ajudarem Antonio Manuel a fugir da polícia que o perseguia porque havia se apresentado nu no Salão Nacional de Arte Moderna. O MAM do Rio não mandou prender Raimundo Colares quando quebrou vidros do prédio em manifestação durante a ditadura militar.
A Bienal quer que o Brasil sinta saudades da ditadura? A mesma Bienal que entrega a grafiteira à polícia foi a que proscreveu Cildo Meireles em 2006 por ter protestado contra a reeleição de Edemar Cid Ferreira para seu conselho. O paradoxo é que Edemar não providenciou a prisão da garota que beijou com batom uma tela de Andy Warhol na Bienal de 1996, fato muito mais grave do que grafitar paredes nuas.
A Bienal, seu presidente, conselheiros e curadores que continuarem a se omitir precisam aprender algo com Edemar: na Bienal, a repressão não é um fim em si. Confesso que, quando soube da grafitagem, pensei que fosse um gesto autorizado numa Bienal que ia criar uma praça de convivência e estimulava a participação da cultura pop jovem. Era estratégia de marketing ou efetiva proposta de política cultural?
No entanto, tudo é obscurantista na posição da Bienal desde o dia da grafitagem. Posso até entender as reações de primeira hora mais agressivas por agentes culturais e políticos da Bienal, mas temos de admitir ser uma estratégia hedionda acusar a grafiteira de "danificar" o patrimônio tombado, já que as feiras, as festas de casamento e a própria Bienal furam e escrevem nas paredes, pintam e bordam com o prédio sem autorização do Iphan.
Se a grafiteira fosse um nome do mercado de arte não teria sido presa ou já estaria solta. O ato de Carolina Pivetta da Mota é rigorosamente igual a tudo o que ocorre no prédio da Bienal. Depois é só repintar, como aconteceu. Tudo se refaz porque o prédio da Bienal está à disposição da expressão. Sua estrutura original de feira industrial tinha que ser necessariamente versátil para atender a todo tipo de tranco físico. Por isso o acabamento sem adornos e luxo do Pavilhão do Ibirapuera. É só cimento, tijolo e cal.


Debate na pasmaceira
Carolina também não interveio na obra de ninguém. Ela não é uma Tony Shafrazi, que grafitou a "Guernica" de Picasso. Se tivesse praticado um ato anti-social realmente grave, Carolina já poderia ter sido condenada a alguma prática comunitária na própria Bienal. Neste caso, não se estaria "domesticando" uma consciência crítica, mas dando-lhe a oportunidade de entender melhor o processo de uma Bienal. O que Carolina está contribuindo socialmente agora é a introduzir um debate na pasmaceira institucional.
Se tivesse causado um dano real à superfície das paredes, teria sido ínfimo. Dirigi um museu do Iphan onde uma ex-diretora causou danos em esculturas ao instalá-las ao ar livre, onde tomavam chuva ácida. O Iphan e o Ministério Público não pediram sua prisão quando se verificaram danos irreparáveis à pátina na escultura "A Faceira de Bernardelli".
No caso do grafite na Bienal, não ficaram seqüelas. Fui curador da 24ª Bienal de São Paulo, e minha monografia final no mestrado em direito pela Universidade de Nova York foi na área de direito constitucional. Nessa dupla condição, afirmo que o que vejo aqui é uma posição odienta da Bienal transferindo a responsabilidade por essa situação kafkiana para os órgãos do Estado como responsáveis por este processo.
Carolina não danificou nenhuma obra de arte. Por acaso, Oscar Niemeyer veio a público protestar contra a grafitagem como um "ataque" danoso ao pavilhão do qual é autor, como sempre fez quando degradam um projeto de sua autoria?
A Fundação Bienal primeiro agiu de modo intolerante e agora de modo cínico ao lavar as mãos. Parece que estar em "vivo contato", proposta desta Bienal, está sendo entendido como exercício de ira ou crueldade que, afinal, estão entre as pulsões de morte da espécie humana. Ou é só vingança? Afinal, alguém tem que pagar...
Mesmo que seja uma mulher, baixinha, gordinha que não conseguiu escapar da ineficiente vigilância da instituição como os outros 30 galalaus. Sua prisão serviu para salvar a honra dos vigilantes e o contrato da empresa com a Bienal... Parabéns a Carolina por não ter pensado na delação premiada para se safar da encrenca, mesmo depois de 52 dias sem um habeas corpus. Carolina Pivetta da Mota passou o dia de comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos numa cadeia em São Paulo. Isso não denigre a Bienal, nem São Paulo, nem o Brasil. Isso denigre a humanidade.
Se o vazio fosse de fato o espaço aberto para discutir a instituição, essa extraordinária grafitagem teria sido incorporada ao projeto ético e político da 28ª Bienal. A grafitagem já é um dos fatores mais marcantes desta edição. Com mais repressão, deixará de ser um problema de excessivo rigor penitenciário para se tornar uma questão para estudos éticos curatoriais e debates estéticos. Se a Fundação Bienal de São Paulo não se cuidar, a conclusão a que se poderá chegar é a de que o principal problema da Bienal é a 28ª Bienal e a estrutura política que a sustentou.
Peço desculpas a Carolina por não ter protestado, em minha recente palestra na Bienal, em sua defesa e contra esse estado brutal de condução da vida institucional. Eu pensava que já estivesse solta. Quem salva o Brasil e a Bienal não é cadeia, é Mário Pedrosa ao dizer que a arte é o exercício experimental da liberdade. E dirigir a Fundação Bienal de São Paulo ou fazer curadoria não pode perder isto de vista.


PAULO HERKENHOFF é curador e crítico de arte. Dirigiu o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, e foi curador do MoMA em Nova York e da 24ª Bienal de São Paulo, em 1998

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"ORLANDO GUERREIRO"-MOSTRA DE ARTES PLÁSTICAS - SÃO PAULO - SP























Mostra no ateliê de Orlando Guerreiro


escultura, colagem, cerâmica, pintura, gravura...

tudo com até 50% de descontos.


Rua Cayowaá 2041/próximo ao metrô Vila Madalena

São Paulo - SP

maiores informações: (11) 81569122.

Até 20 de dezembro / 14 as 18 hs - segunda a sexta

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esta Bienal... reflete a arte contemporânea?, por Aracy Amaral

O Estado de São Paulo -o4/11/08
Esta Bienal... reflete a arte contemporânea?

Crítica de Aracy Amaral, originalmente publicada no Estado de São Paulo no dia 31 de outubro de 2008

Talvez a 28.ª edição seja espelho da debilidade da instituição e não da expressividade do circuito

A gente entra; e de imediato se indaga, constrangida: a "isto" se viu reduzida a Bienal de São Paulo? Mas é bom que se saiba: a indigência presente na Bienal de várias maneiras e que vimos na noite de abertura não reflete a arte contemporânea. Ela é antes espelho da debilidade de uma instituição. Não há necessidade de fazer simpósios ou seminários sobre o assunto. Também entendemos que a Bienal não é festival de artes em geral. Em São Paulo, a oferta de espetáculos de dança, música e teatro é imensa o ano todo e teria sido desnecessário o que se despendeu ocupando o espaço com essas atividades.

Quando se viaja ao exterior e se vêem exposições marcantes de artistas em grandes museus como a Tate Modern, em Londres, ou em Viena, no Ludwig Museum, ou em Nova York no MoMA ou Whitney, só para citar alguns, damo-nos conta do que está se passando em arte contemporânea. Como ao visitar uma Documenta de Kassel, por exemplo.

Também as grandes feiras internacionais de arte nos passam uma imagem viva da efervescência do meio artístico, seja com as obras expostas, ou com seminários que realizam.

Se entre nós o problema foi falta de verba que caberia à presidência da Bienal providenciar, essa presidência está no lugar equivocado, pois essa é a sua competência. Se a escolha do curador foi tardia, a responsabilidade é da instituição e da curadoria que aceitou, assim como a proposta e suas limitações, pela simples necessidade de vê-la aprovada por falta de tempo para executar ou conceber outro projeto.

Até detalhes paralelos à "proposta" de Ivo Mesquita podem ser criticáveis. Como a apresentação de "documentos da Bienal", pois afinal, o Arquivo Wanda Svevo sempre esteve aberto a pesquisadores e não precisava ter sido deslocado para o terceiro andar nem facilitar o manuseio de catálogos raros por parte de qualquer visitante sob risco de perda ou vandalismo.

Tentemos falar claro. Esta Bienal parece antes preconceituosa - em sua preocupação em não mostrar artistas de outras tendências, mas apenas aqueles rigorosamente conceituais . Afinal, para citar apenas um jovem artista brasileiro e um do jet set, as imagens poderosas de um Henrique Oliveira acaso foram cogitadas? Um Damien Hirst, artista há 20 anos "estrela" no meio internacional, não seria interessante ter sido apresentado? A arte chinesa de hoje (e mesmo a coreana !), espanto em grandiloqüência, mas sem dúvida um fenômeno das artes visuais de nossos dias, e atual "darling" de museus e centros culturais de todo o mundo ocidental, por que não está presente? Na linha de "happenings", por que não pensar nos 40 anos depois do Grupo "actionista" de Viena, do qual fizeram parte Schwartzkogler e Gunther Brus, performáticos e violentos em suas manifestações e expressões ao vivo e em vídeo? O Ludwig Museum de Viena comemorou com grande exposição em junho-julho último essa documentação forte, embora os jovens de hoje raramente saibam que existiu e creio que pouco se comovessem ao ver esses documentos. A arte também envelhece. Mas, enfim, há tantas vertentes das artes visuais no mundo que a pálida 28ª Bienal pode passar ao visitante incauto a falsa impressão de que nada mais ocorre na área. Ou, que não há nada de outros tempos que bem valeria um gesto generoso por parte do "Conselhão" ou Comissão (?) da Bienal em aprovar, recomendar e levantar fundos para sua apresentação. Afinal, repetimos, fortunas não nos faltam em particular neste Estado. E temos em mente que presidir uma Bienal de São Paulo, ou candidatar-se a esse cargo, pressupõe minimamente séria responsabilidade.

Mas, ou se apresenta evento digno dessa tradição - Bienal de São Paulo - ou se reformula a existência ou freqüência do evento, como sugerimos há mais de 30 anos em simpósio latino-americano ocorrido aqui na Bienal mesmo para que ela se transforme em trienal ou quadrienal. Embora nossos profissionais, enquanto curadoria, sejam dignos de respeito, nada mal se em bienais alternadas tivéssemos curadores convidados de outros países, do mais elevado nível, para formar e diversificar as equipes que se formam no Parque do Ibirapuera.

Se não se pertence ao círculo fechado do "Conselhão", ou dos que decidem o que entra e o que não entra -, pois estamos distantes da organização por parte dos países convidados para que tragam seus artistas indicados pela curadoria da Bienal - nunca será veiculado quais os que foram convidados e não compareceram, por recusa, ou porque não houve orçamento possível.

No terceiro andar, sem dúvida o que mais chama a atenção são os móveis de marcenaria de mesas, cadeiras e bancos, que seriam muito bem-vindos em centros culturais sem recursos ou mesmo em creches de nossos bairros mais carentes, segundo observou Ana Maria Belluzzo.

Como descobrir uma proposta interessante da fértil Rivane Neuenschwander em meio às mesmices expostas, como as reproduções nas paredes ou papéis em vitrines que dificilmente despertam nossa atenção? Referimo-nos à monotonia da arte conceitual, a nos recordar das maçantes exposições de galerias dos anos 70 em Nova York ("como são chatas!", nos dizia Hélio Oiticica, só para citar um nome respeitado em nosso meio). Naquele tempo, só de penetrar numa dessas galerias, dar uma olhada às pranchas penduradas com palavrórios mil e cálculos matemáticos já era suficiente para nos expelir do recinto.

Não deixamos de notar o assédio curioso de uma obra por parte do público que ocasionou a única longa fila que vimos no dia da abertura - a possibilidade de penetrar no tobogã do belga Carsten Höller - para poder usufruir da adrenalina na queda vertiginosa. Na verdade, esse trabalho, de verdadeira interação com os visitantes, talvez seja o único da Bienal a alcançar a escala de bienais passadas em termos de expectativa: "Quero ir à Bienal para ver tal trabalho."

Allan McCollum, uma raridade igualmente, parece ter trazido, com seu envio, aquilo que eu consideraria um "trabalho para um espaço de Bienal".

Por isso me pergunto, espantada diante do que está exposto, como preparar visitas guiadas de escolares? Como explicar "artes visuais contemporâneas" a um público infantil ou adolescente nesta Bienal? Ou, como justificar a existência das Bienais?

Convenhamos: como ouvir tranqüilamente que é "genial" o piso geométrico de Dora Longo Bahia, que deve ter sido de difícil implantação, por certo, para seus auxiliares, com desenhos a nos lembrar azulejos hidráulicos magnificados, ou de inspiração islâmica?

Na verdade, ao ver a diminuta peça de Iran do Espírito Santo, parece que esta Bienal, salvo exceções, pelo teor das propostas, parece feita de presenças antes para a elite freqüentadora de galerias do que baseada numa concepção considerando o grande publico. O que significa isso?

Significa que num evento "bienal", "trienal", em particular num país como o Brasil, de extrema desigualdade social e educacional, os espaços, a cidade, as obras e os visitantes devem ser pensados em termos interativos, como alvo de motivação e não apenas de exibição.

Assim foi o propósito, a meu ver, que ocasionou a vinda da Guernica (em 1953-54), da sala Mondrian, da sala Picasso, da sala Van Gogh, do pop norte-americano já em meados dos anos 60, e de tantas outras salas especiais, como a dos artistas modernos e modernistas da Bienal da Antropofagia. Ou mesmo da Bienal da Grande Tela, sob a curadoria de Sheila Leirner, em 1985, ao trazer-nos a nova pintura dos anos 80. Claro que o Brasil mudou, e nossos museus e centros culturais idem. Assim, temos tido grandes exposições nos últimos 10-12 anos. Mas quem sabe os tempos agora ficarão mais magros e teremos que batalhar por novas oportunidades?

Mas, afinal, o que eu vi na abertura da Bienal? Muita "arte de processo", tendência típica dos anos 70, ou simulacros, como uma pseudoloja de rua reproduzida no interior da Bienal (Chaveiro, de Paul Ramirez Jonas), pseudográfica com impressão de jornais (Erick Beltrán), folhetos conceituais humorosos (ou não), e por vezes criativos, como sempre são distribuídos nas Bienais ao longo do tempo; entre vídeos modestamente dispostos, ao largo do circuito "nobre" do espaço, como alternativa para eventual outra visita do apreciador.

Melhor não mencionarmos a museografia, a organização do espaço desta Bienal. Nem há etiquetas dos autores dos trabalhos em suas proximidades. Talvez entendam os curadores que os folhetos com mapas impressos sejam suficientes... Não o são. Passa uma idéia de descaso para com o visitante, de falta de tempo para os "finalmente" do evento.

O que é o "espaço vazio" da Bienal? Prédios e habitações vazias em nossos tempos são um convite certo à "invasão". Se não ocorre "ocupação", vamos ocupá-los. Assim pensaram visitantes de um museu, cujo diretor, na década de 80, deixou o espaço vago para motivar a população, numa cidade no sul da França, a ocupá-lo com objetos e obras que traziam de casa. Mas acontece que hoje vivemos em tempos bem mais agressivos.

Colocar como alvo de admiração o espaço concebido por Niemeyer, e que usufruímos há mais de 50 anos, poderia ser projeto para uma Bienal de Arquitetura de São Paulo. Mas esta é a 28ª Bienal. Assim, não tem sentido, e mesmo a definição desse espaço pela curadoria parece-nos equivocada se não for de humor (?) dúbio (*). Assinala falta de idéia, de concepção, de tempo, de orçamento. Ou tudo junto. Se o desejado é a polêmica sobre a provocação, então o objetivo foi alcançado. Mas o "void", com certeza, é uma omissão. Nada tem de rebeldia. E se o curador da Bienal, Ivo Mesquita, aceitou os termos da presidência, as regras do jogo, quando aceitou, não se pode dizer apenas que "salvou" a Bienal por ter ela sido realizada em menos de um ano. Pode-se ser mais incisivo: dizer que ele "quebrou o galho" para a atual presidência. E certamente poderá até ser elaborado um catalogo bilíngüe pleno de textos sobre a filosofia da arte de nosso tempo.

Na verdade, há algo de cinismo murmurado, reconhecido e vivenciado no meio artístico contemporâneo. O conceitual é bem imaterial, mas aqueles que sobrevivem vendem, ou viajam a convite para expor suas criações. A própria crítica, as curadorias, a mídia, o sistema de galerias e museus, todos enfim contribuímos amplamente para esse fim, apesar do que se publica em vários países sobre esse fenômeno. Isso se deve ao fato de se escrever, em geral em literatura pouco acessível ou pedante, sobre obras sem nenhum ou parco valor, para um público reduzido que acredita erroneamente que quanto mais hermético mais elevado.

Mas é certo que a criação contemporânea é um instante de trânsito, entre o passado e o futuro, pois como prever qual será exatamente o tipo de expressão visual dentro em pouco com os avanços da nanotecnologia, da internet, do papel eletrônico ou da fotografia digital, que influenciarão várias formas de manifestação?

*No folheto distribuído ao público é definido esse espaço e sua concepção: "2.º andar: Planta Livre - Ao contrário das bienais anteriores, que transformaram todo o interior do pavilhão modernista em salas de exposição, desta vez o segundo andar está completamente aberto, revelando sua estrutura e oferecendo ao visitante uma experiência física da arquitetura do edifício. O termo 'planta livre' refere-se ao conceito criado por Le Corbusier, em 1926, para definir um dos cinco princípios da nova arquitetura."

http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/001913.html
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