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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

12 DE FEVEREIRO DE 2016, 11 ANOS DO ASSASSINATO DA FREIRA DOROTHY STANG

Assassinato de freira defensora da Amazônia Dorothy Stang completa 11 anos(*2016)

http://infoamazonia.blogosfera.uol.com.br/2015/02/13/assassinato-de-freira-defensora-da-amazonia-dorothy-stang-completa-10-anos/





por Stefano Wrobleski
Dorothy-Stang1 

O assassinato de Dorothy Mae Stang completou dez anos. Irmã Dorothy, como era conhecida, morreu em 12 de fevereiro de 2005 aos 73 anos depois de ser atingida por seis tiros dentro de Esperança, uma reserva do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ativista dos direitos socioambientais, Dorothy pressionou por anos pela criação da área – um modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia. “Ela começou a irritar muita gente com isso”, lembra o Padre José Amaro Lopes de Souza, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que trabalhou com Dorothy por 15 anos.
Os 26 mil hectares que hoje perfazem o local ficam no município paraense de Anapu, a cerca de 600 quilômetros de Belém. Ali, 261 famílias extraem da floresta o que precisam e plantam em até 20% da área, mantendo um compromisso de manter os demais 80%. “A exploração é feita com a preservação da mata. O corte da madeira é feito só em um lugar e não é raso. Quando o agricultor volta para o segundo corte, a mata já está regenerada”, conta Gercino José da Silva Filho, ouvidor nacional agrário desde 1999.
O assentamento das famílias provocou um acirramento dos conflitos fundiários na região, que já eram intensos. Segundo estudo de 1999 do Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Pará é um dos estados com o maior número de terras griladas no país, com cerca de 30 milhões de hectares em situação irregular – o que equivale a cerca de um quarto de toda a área do estado, de 124 milhões de hectares.
É o caso do lote 55 do PDS Esperança, uma área de três mil hectares que fica bem no centro do assentamento. Disputada por Regivaldo Pereira Galvão, o “Taradão”, como é conhecido, que alegava ter a posse do terreno. Foi lá que Irmã Dorothy foi assassinada pelos tiros disparados por Rayfran das Neves Sales (conhecido como “Fogaió”).
Mas Fogaió não estava sozinho. As investigações policiais concluíram que ele teve companhia de Clodoaldo Batista (apelidado de “Eduardo”) no momento do crime. Na Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) defendeu que o assassinato havia sido encomendado. O pedido partira de Regivaldo e de Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, que também era fazendeiro da região. Eles usaram Amair Feijoli da Cunha, o “Tato”, para intermediar a ordem de assassinato.
“A gente já tinha sido avisado. Um homem havia nos ligado e contado que recebera a proposta de matar a Dorothy por R$ 50 mil e a mim por R$ 25 mil”, conta Padre Amaro. “Mas algo tocou o coração dele. Ele desistiu e nos contou”, emenda.
Na Justiça, todos os réus foram condenados, em um processo que ainda só não foi finalizado para Taradão, que tenta recorrer da sentença de 30 anos de reclusão decidida em 2010 por um júri popular. Ele ainda não foi preso. Ao longo de dez anos, três dos cinco acusados pelo assassinato de Irmã Dorothy passaram por dois ou mais julgamentos até as decisões finais, que condenaram todos a penas entre 17 e 30 anos de prisão.

Veja abaixo linha do tempo detalhada com as movimentações judiciais do caso


O assassinato de Dorothy é emblemático. Mesmo com a repercussão internacional que o caso teve, 167 pessoas foram assassinadas em zonas rurais no Pará, de acordo com dados da Ouvidoria Agrária Nacional. Ao menos 40 das mortes foram decorrentes de conflitos agrários. Outras 48 ainda estão sendo investigadas. Para Amaro, o governo precisa “arregaçar as mangas, fazer o assentamento, colocar a política voltada para o trabalhador”. “Aí o pessoal não fica à mercê desses grandes que ficam grilando”, conclui.
Além da grilagem de terras, outro elemento que torna o caso significativo e que também está ligado à violência no campo é a conexão entre Bida, acusado de ser um dos mandantes, e o trabalho em condições análogas às de escravos. Em 2004, oito meses antes do assassinato de Dorothy, Bida foi flagrado por equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho superexplorando 20 pessoas na Fazenda Rio Verde, de sua propriedade e também em Anapu.
Pelo caso, o fazendeiro foi incluído em 2006 na “lista suja” do trabalho escravo – um dos principais mecanismos de combate a este tipo de exploração, mantido pelo MTE e pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e usado por empresas de diversos setores preocupadas com os impactos socioambientais dos produtos que produzem. Na esfera criminal, o Ministério Público Federal entrou com uma ação em 2007 para responsabilizar Bida pelo caso. Ainda não houve qualquer decisão. Se for considerado culpado, o fazendeiro pode pegar uma pena de dois a oito anos de detenção, além de multa.
O Pará é a unidade da federação com o maior número de trabalhadores resgatados de trabalho em condições análogas às de escravos, com 12,6 mil vítimas libertadas entre 1995 – quando o governo reconheceu a existência de escravidão contemporânea no Brasil – e 2013, segundo dados organizados pela ONG Repórter Brasil.
Bida ainda acumula multas por infrações ambientais. De acordo com matéria de 2005 do jornal Folha de S. Paulo, o fazendeiro foi multado em duas ocasiões pela destruição de mata nativa do lote 55 do PDS Esperança. Além disso, 33 motosserras suas, estimadas em R$ 55,8 mil, foram apreendidas. 


Quantos foram os homícidios no campo no Pará? (*ACESSAR O LINK ACIMA) 


Passe o mouse sobre as barras para ver a quantidade de assassinatos na zona rural do estado, organizados por tipo, nos dez últimos anos
 

O assassinato de Dorothy Stang trouxe visibilidade à região. Dez anos depois, com pressão dos assentados e de missionários que atuam na região, o Incra construiu casas e estradas para os trabalhadores: “Antes nem casa pra morar o pessoal tinha. Agora tem, com energia elétrica. Aconteceu alguma coisa de lá pra cá, mas [o Incra] é muito na base da enrolação”, diz o Padre Amaro. O órgão também instalou duas guaritas nas entradas da reserva para controlar a retirada ilegal de madeira: “Houve uma inibição aos madeireiros, mas os fundos ainda estão desassistidos”. O padre conta também que, nos últimos anos, os agricultores conseguiram a formação de técnicos para auxiliar com a roça.

O desmatamento em Anapu já chegou a níveis alarmantes. Em 2012, foi incluído em uma lista do Ministério do Meio Ambiente dos campeões de desmatamento. Entre 2009 e 2011, o município acumulou 6,1 mil quilômetros quadrados desmatados – mais da metade da área total de Anapu, que tem 11,8 mil quilômetros quadrados.


Confira abaixo o desmatamento na região. Ative a camada de dados do governo para ver também informações de 1971 a 1991 (IBGE) e de 2004 a 2014 (INPE – Prodes)







INÍCIO 


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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ANALISANDO DADOS - AGRICULTURA FAMILIAR X CONCENTRAÇÃO DE TERRAS (AMIGA REGINA ENVIA)

A comparação entre estas duas noticias me parece muito esclarecedora e diretamente ligada ao:

- crescimento das favelas

- aumento da criminalidade

- destruição de florestas e rios em volta das cidades

- mortalidade infantil e alimentação deficiente entre populações carentes

A analise que faço é que, enquanto um contribui diretamente para a alimentação da população e ocupa tão pouco espaço, a outra é fator de concentração de riquezas, destruição do meio ambiente, etc. – e ocupa cada vez mais espaço tanto geograficamente quanto economicamente. Conclusão pelo menos provisória: assim não vai dar certo!...

REGINA - 02/10/09

Concentração de terras piorou nos últimos 20 anos

A agropecuária brasileira permanece marcada pela desigualdade e com um nível de concentração de terras cada vez mais grave, como mostra o Censo Agropecuário 2006, divulgado ontem pelo IBGE. O censo retrata as mudanças ocorridas no setor na última década, já que o levantamento anterior refere-se a 1996. No entanto, a concentração de terras permanece praticamente inalterada há mais de 20 anos, desde 1985. Segundo o IBGE, enquanto as propriedades de menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7% da área agrícola, a área dos estabelecimentos de mais de 1.000 hectares concentram mais de 43%. O Índice de Gini - medida internacional de desigualdade - no meio rural chegou a 0,872, superando o dos anos de 1985 (0,857) e 1995 (0,856). Pela tabela de Gini, que vai de zero a 1, quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade na renda - OESP, 1/10, Economia, p.B10; FSP, 1/10, Dinheiro, p.B6; O Globo, 1/10, Economia, p.25.

Agricultura familiar chega a 84%

A agricultura familiar tem forte peso na cesta básica dos brasileiros, segundo revela o Censo Agropecuário. Dos 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários do País, 4,4 milhões, ou 84%, eram desse tipo. O alcance da agricultura familiar na produção de algumas culturas brasileiras impressiona. Esse tipo de exploração da terra foi responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% de feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo e, na pecuária, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves e 30% dos bovinos. No entanto, a área média dos estabelecimentos familiares (18,37 hectares) é muito inferior a dos não familiares (309,18 hectares). Dos 80,25 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, 28% com matas, florestas ou sistemas agro florestais e 22% com lavouras - OESP, 1/10, Economia, p.B11; FSP, 1/10, Dinheiro, p.B6.

Fonte: Manchetes Socioambientais [manchetes@socioambiental.org]
http://www.socioambiental.org/manchetes/

IMPACTOS DO LATIFÚNDIO - (AMIGA REGINA ENVIA)



Vejam só – a zona nacional de partilha das águas (isso é português ou eu estou falando frantuguês?) também estará secando daqui a algum tempo.


Impactos do latifúndio

"A área mais afetada pela voraz expansão do latifúndio moderno é o Cerrado, que corresponde a 23% do país, do Maranhão ao Mato Grosso do Sul. Sem o charme da Amazônia, recebe pouca atenção, como se fosse um vazio. É um erro. Sempre houve ali uma agricultura camponesa. Estão ali 5% da biodiversidade do planeta. Bioma de contato entre todos os demais biomas brasileiros, por sua posição central, é a área de recarga das nossas três grandes bacias hidrográficas, a do São Francisco, a do Paraná e a do Araguaia-Tocantins. A rápida mutação, que inclui a desmedida expansão do eucalipto, devorador de água, compromete o regime hídrico dessas bacias. Nada disso é problema dos ruralistas. Para muitos deles, aliás, tudo isso é coisa de veado", artigo de Cesar Benjamin - FSP, 3/10, Dinheiro, p.B2.


Fonte: http://www.socioambiental.org/nsa

domingo, 6 de setembro de 2009

SETE DE SETEMBRO - O GRITO QUE NÃO DEMOS

Não,
aquele grito não foi meu,
ele nem mesmo cabia na minha boca,
e nem na boca de ninguém que eu conhecia
Era pomposo demais,
empostado demais,
dourado demais,
e sofrido de menos
Era mesmo um grito para ser dado
do alto de um cavalo,
bem escovado
e selado;
e não do chão,
descalço
e com a enxada entre as mãos








Deixo aqui o meu protesto, contra a falsa independência do Brasil,
tendo em vista que, ela foi elaborada pela elite dominante daquela
época, que em momento algum, defendia os interesses populares,
muito pelo contrário, dentre outras coisas, defendia a manutenção
dos latifúndios e a continuação da escravatura em nosso país
Por esta razão, o dia sete de setembro, deveria sim ser lembrado,
como o dia, em que o povo não gritou às margens do Ipiranga ...

Marcelo Roque
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