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Caros assinantes seguem links de uma entrevista completa com o
seringueiro Osmarino Amâncio, feita em Brasileia, no Acre. Companheiro
de Chico Mendes, ele avalia os quase dez anos da lei de manejo das
florestas públicas aprovada pela então ministra Marina Silva, no governo
Lula.
Consideramos o material relevante para discutir um tema que tem
estado quase ausente da mídia corporativa, por motivos econômicos e
ideológicos.
A entrevista completa é exclusiva dos assinantes que ajudam a sustentar nossas viagens.
Os vídeos estão nos links abaixo:
A senha para aqueles vídeos restritos aos assinantes é seringueiro2014.
Mais uma vez, obrigado pelo apoio de todos.
Luiz Carlos Azenha, Viomundo
(...)

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014
Seringueiro denuncia Marina Silva e declara apoio a Zé Maria
Osmarino Amâncio é uma liderança histórica dos seringueiros. De sua
modesta casa na reserva extrativista Chico Mendes, em Brasileia (AC),
ele conversou com a redação do Portal do PSTU
por Jeferson Choma, sugerido pelo leitor Snowden nos comentários, do site do PSTU
Como você conheceu a Marina Silva?
Conheci a Marina nas Comunidades Eclesiásticas de Base. Ela trabalhou
como catequista, eu também comecei como catequista e nós trabalhamos
juntos. As comunidades eram ligadas à Teologia da Libertação. Depois,
ela se candidatou, foi eleita deputada eu fiquei de suplente. Mas aí, em
1993, eu saí do PT por divergir do programa do partido, porque estava
vendendo todos os seus princípios. Na época, o PT expulsou algumas
tendências como a Convergência Socialista. Eu saí do PT em solidariedade
à expulsão destes companheiros.
A Marina fez parte dos empates [mobilizações de seringueiros contra o
desmatamento da floresta]. No começo teve uma trajetória boa, mas
depois se adaptou à legalidade burguesa, indo ocupar uma cadeira de
deputada e, depois, de senadora e ministra. Então, fez a grande traição
do movimento dos seringueiros.
O que você pensa sobre a candidatura de Marina Silva à presidência da República?
Eu acho que é um retrocesso total tanto pra questão campesina como
pra questão da Amazônia. Ela nunca teve uma preocupação com a questão da
educação. Ela foi senadora e nunca teve essa preocupação de fortalecer
esse setor.
Na Amazônia, ela fez toda a logística para que o agronegócio e para
que as multinacionais pudessem dizimar com todo esse potencial aqui da
região.
Acho que estamos numa situação em que os candidatos que tão na frente
[das pesquisas] não se diferenciam muito. A Dilma não propõe a reforma
agrária, o PSDB e a Marina também não. Na questão ambiental, os três têm
a mesma agenda que é a economia verde. Como eles vão sustentar isso?
Propondo uma esmola pra classe trabalhadora. Vão propor o Bolsa Família.
Aqui na Amazônia vão propor a Bolsa Verde, o Bolsa Floresta. Então, vão
distribuir esmola e os bancos vão ser os grandes beneficiários pela
política propostas por esses candidatos.
Esse pessoal não governa o Brasil. Eles obedecem a uma política
econômica do grande empresariado deste país. A Marina sequer tem uma
ideologia. A Marina se apresenta como sendo alguém que não é nem de
esquerda, nem de direita. Ela não cumpriu com o seu compromisso quando
foi ministra. Ela privatizou a Amazônia com a Lei de Concessão de
Florestas Públicas, garantiu que o agronegócio se fortalecesse com a
liberação dos transgênicos, não teve uma política dura contra a
importação dos pneus usados da Europa e da China.
O que você acha da proposta de Marina a respeito do desenvolvimento sustentável pra Amazônia?
Isso aí é a mercantilização total dos recursos naturais que ela quer
implementar aqui. Hoje aqui tudo virou mercado. Hoje se propõe vender
toda a madeira como matéria-prima. Tem a proposta do mercado de carbono,
que garante aos empresários de Las Vegas poluir lá e “compensar” aqui
na Amazônia. Isso é a proposta da economia verde. Sustentável para as
multinacionais e para o grande capital.
Isso afeta os seringueiros e os indígenas aqui. A proposta dessa
economia verde vai querer expulsar essas populações de suas áreas. Eles
não vão poder nem colocar o seu roçado. A Lei de Florestas Públicas vai
entregar pra iniciativa privada a sua área de floresta.(...)
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