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segunda-feira, 23 de julho de 2018

O Guia Pervertido da Ideologia - Slavoj Zizek


O Guia Pervertido da Ideologia - Slavoj Zizek

3 Episódios | Duração média dos eps. 45 min.

Os realizadores de O Guia Pervertido do Cinema retornam com essa busca por significados escondidos no cinema. O filósofo Slavoj Zizek usa sua interpretação das imagens em movimento para apresentar uma jornada cinematográfica ao coração da ideologia: os sonhos que formam nossas convicções e costumes coletivos.
 
http://canalcurta.tv.br/series/serie.aspx?serieId=556

Slavoj Zizek: O Guia Pervertido da Ideologia - Resumido

https://www.youtube.com/watch?v=jEPEHAgVUdQ&app=desktop

https://jornalggn.com.br/blog/antonio-ateu/cinema-o-guia-pervertido-da-ideologia

https://cenasdecinema.com/o-guia-pervertido-da-ideologia/

INÍCIO 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O MONITOR DA REPRESSÃO - por Líbia Luiza

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=133400187353437&id=100020503691401

O MONITOR DA REPRESSÃO

por *Líbia Luiza Num esquema geral de enquadramento de ideologias e partidos surgido nas Assembleias Francesas do século XVIII, durante a Revolução Francesa, foram definidos como ''esquerda'' e ''direita'' posições políticas características e por vezes polarizadas. Para Bobbio (1909, p. 33), ''esquerda'' e ''direita'' não indicam apenas ideologias, mas também posições opostas em relação a diversos problemas cuja solução remete à ação política. Esses contrastes não são só de ideias, mas também de interesses e de valorações a respeito da direção a ser seguida pela sociedade, eles existem em toda sociedade e para o autor, não há possibilidade deles simplesmente desaparecerem. Não obstante estas definições, alguém pode eventualmente assumir uma posição mais à esquerda numa matéria e uma postura de direita noutra, ou até de extremo sentido em qualquer delas. Além do mais, ainda há outros esquemas de enquadramento que tendem a delimitar entre os conceitos de pensamento ''conservador'' e ''revolucionário''. Dada tal complexidade, como seria possível, portanto, apontar um pensamento como doutrinador?.
Primeiramente, vejamos a etimologia da palavra: ‘‘Doutrinar 1. (regência múltipla): formular, transmitir, pregar doutrina ou nela instruir alguém; ensinar. "doutrinou a criança (nos princípios da fé)". 2. (transitivo direto): incutir em (alguém) opinião, ponto de vista ou princípio sectário; inculcar em alguém uma crença ou atitude particular, com o objetivo de que não aceite qualquer outra.’’ Partindo de tais definições, é possível verificar que doutrinar está ligado ao sentido de persuadir, estabelecer um ponto de vista como o verdadeiro (sem talvez, mostrar os demais). Parece também se relacionar um pouco com o sentido de ‘‘dogma’’: algo imposto e incontestável. Isto é, verdade absoluta, que deve ser aceita através da autoridade e que não é passível de questionamentos.
Faremos então um recorte simplificado do que é o ensino público brasileiro tradicional e também do que a sociedade em geral pensa sobre ele: numa sala de aula brasileira tradicional, um professor (tradicional) assume uma posição de autoridade: teoricamente, ele é o mais preparado para transmitir informações em alguma matéria específica. Ele posiciona-se de pé, enquanto os alunos estão sentados. Ele fala, os alunos ouvem. Ele também gerencia o comportamento dos alunos, e pune quando achar conveniente. Ademais, os alunos são submissos às ordens deste professor. Podendo ser, inclusive, advertidos ou ainda, expostos à chacota perante os demais por atitudes guiadas pelo próprio professor.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

O HOMEM UNIDIMENSIONAL - H.Marcuse

Um dos livros mais relevantes do pensamento político da segunda metade do século XX que influenciou decisivamente os movimentos sociais e o pensamento das décadas de 60 e 70.

http://www.wook.pt/ficha/o-homem-unidimensional/a/id/12313886

Herbert Marcuse nasceu em Berlim, capital da Alemanha, filho de pais judeus. Estudou literatura e filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu filósofos como Martin Heidegger, um dos maiores pensadores alemães na época. Aos 24 anos, ele voltou à cidade natal, onde trabalhou na venda de livros. Retornou a Freiburg para ser orientado por Heidegger em seu doutorado sobre o filósofo Hegel. Quatro anos depois, em 1933, por causa do governo nazista, Marcuse não foi autorizado a completar seu projeto. Assim, foi trabalhar em Frankfurt, no Instituto de Pesquisa Social. Ainda no mesmo ano, ele imigrou da Alemanha para a Suíça, indo em seguida para os Estados Unidos, onde obteve a cidadania em 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Marcuse trabalhou para o governo norte-americano, analisando relatórios do serviço de espionagem sobre a Alemanha, atividade que durou até 1951. No ano seguinte, começou a carreira de professor universitário de teoria política, primeiro em Colúmbia e em Harvard, depois em Brandeis, onde ficou de 1954 até 1965. Já perto de se aposentar, foi lecionar na Universidade da Califórnia, em San Diego. Suas críticas à sociedade capitalista, em especial na obra "Eros e Civilização", de 1955, e em "O homem unidimensional", de 1964, fizeram eco aos movimentos estudantis de esquerda dos anos 1960. "O homem unidimensional" pode ser visto como uma análise das sociedades altamente industrializadas. Marcuse critica tanto os países comunistas quanto os capitalistas, por suas falhas no processo democrático: nenhum dos dois tipos de sociedade foi capaz de dar igualdade de condições para seus cidadãos. Ele argumentava que a sociedade industrial avançada criava falsas necessidades que integravam o indivíduo ao sistema de produção e de consumo. Comunicação de massas e cultura, publicidade, administração de empresas e modos de pensamento contemporâneos apenas reproduziriam o sistema existente e cuidariam para eliminar negatividade, críticas e oposição. O resultado, dizia, era um universo unidimensional de idéias e comportamento, no qual as verdadeiras aptidões para o pensamento crítico eram anuladas. Marcuse viveu para assistir e sentir os efeitos do que teorizou: tinha 70 anos quando eclodiu a Revolução Inesperada, a grande revolta estudantil de 1968 em praticamente todos os países do mundo. Por sua capacidade de se engajar seriamente e apoiar os estudantes que protestavam contra a guerra do Vietnã (1961-1974) e queriam mudar a sociedade e a política, Marcuse logo ficou conhecido como o "pai da nova esquerda", apelido que ele rejeitava. Fez vários discursos engajados nos Estados Unidos e na Europa no fim da década e durante os anos 70. Morreu de infarto durante uma visita à Alemanha, dez dias depois de completar 81

Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/herbert-marcuse.jhtm

quinta-feira, 18 de março de 2010

INDÚSTRIA CULTURAL - (ADORNO E HORKHEIMER - ESCOLA DE FRANKFURT)

Indústria cultural (em alemão: Kulturindustrie) é um termo cunhado pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), membros da Escola de Frankfurt. O termo aparece no capítulo Kulturindustrie - Aufklärung als Massenbetrug na obra Dialektik der Aufklärung (em português: Dialética do Esclarecimento), de 1947.
Neste capítulo os autores analisam a produção e a função da cultura no capitalismo. Os autores criaram o conceito de Indústria Cultural para definir a conversão da cultura em mercadoria. O conceito não se refere aos veículos (televisão, jornais, rádio...), mas ao uso dessas tecnologias por parte da classe dominante. A produção cultural e intelectual passa a ser guiada pela possibilidade de consumo mercadológico.
O termo é discutido na Teoria Crítica da Comunicação (ver também: Teoria Crítica).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria_cultural

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

(VÍDEO) QUE QUE É ISSO!? Conar - Monstro (INTERVOZES ADVERTE SOBRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CITA ESTA PEÇA PUBLICITÁRIA TELEVISIVA!!!) ( RIDÍCULA!! QUE PAÍS É ESTE?)



A SOCIEDADE PRECISA LUTAR PARA COMBATER A BAIXARIA NA TELEVISÃO!!! A TELEVISÃO É DO POVO, NÃO DOS CORONEIS!!!
ABAIXO A BAIXARIA RIDÍCULA E OPRESSORA!
(*quero dizer que este anúncio é ridículo e embora ele tenha sido feito com a finalidade de defender a liberdade de expressão,tem uma conotação totalmente oposta ao que se propôs!)
NOTA ZERO PARA O CONAR E PARA A ESPM!!

Nadia Stabile - 05/02/10

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Beto, Bia e Abelardo - Ciclo 1: O mundo visto pelo olhar de Beto

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Por Jeosafá Fernandez

Orientações iniciais: desenvolvendo habilidades de leitura e discutindo valores

O projeto Beto, Bia e Abelardo procura vincular a leitura em língua portuguesa à necessária e atual discussão sobre valores. Articula deliberadamente competências e habilidades lingüísticas e literárias à reflexão sobre conteúdos culturais, morais, éticos, científicos, artísticos entre outros. Parte da constatação de que nenhuma eduação é isenta, de que toda verdadeira ação de leitura é um mergulho em profundidade na sociedade, no íntimo do indivíduo e no coração do conhecimento, e de que todos estamos, o tempo todo, constituindo ou rejeitando, assumindo ou criticando valores, consicente ou inconscientemente.

O que é ser "bem-educado"? Aceitar passivamente os berros dos adultos ou dos mais fortes? Devolver com grito o grito e com violência a violência? O que é ler bem? Seria repetir, muitas vezes com as mesmas palavras, o que os superiores exigem, sem nada criar ou contestar? E o que seria "uma pessoa moral"? Aquela que elege valores de sua religião, de seu grupo social, ou unicamente seus, para os impor, a todo custo e meio aos demais?

Viver numa sociedade tão dinâmica, num mundo tão complexo, numa época tão cheia de guerras e violências impõe a quem deseja justiça, respeito aos direitos humanos e ao meio-ambiente atitude positiva: é preciso entender o mundo, é preciso entender o outro, é preciso que cada um entenda a si próprio e lute por mudanças solidárias, em relação ao hoje e em relação às gerações futuras, que têm direito de receber um planeta e um vida decentes. Noutras palavras: é preciso saber para mudar, mas não há saber sem boa leitura e bons leitores, de textos e de mundos.

Traduzo assim as intenções e expectativas de Beto, Bia e Abelardo: ler para gostar, ler para saber, ler para mudar solidariamente o mundo.


Linguagem oral

Explorar possibilidades de leitura oral a partir de dialetos (falares regionais: caipira, do nordeste, gaúcho, entre outros) e socioletos (falares de grupos sociais: jovem urbano, idosos, mulheres, jargões profissionais etc.). Buscar múltiplas e variadas locuções interpretadas, articulando modulação de voz, ritmos, timbres, tonalidades, volume, velocidade (não há uma certa, mas muitas possíveis, desde que atinjam o objetivo de fisgar o leitor). No caso da criança alfabetizada e letrada, dar oportunidade para que ela execute a leitura, de trechos ou de histórias completas, desde que ela assim deseje. Aproveitar interferências durante a leitura para elucidar dúvidas. Interromper a leitura somente se a criança solicitar, e explicar somente o que ela solicitou (nas atividades de pré-leitura e de pós-leitura o professor poderá destacar o que julgar necessário, seja com relação à linguagem, seja com relação a valores em questão). A leitura pode ser feita sem interrupções ou pode sofrer pausas, sempre a depender da solicitação da criança. No primeiro caso, é necessário discutir questões de linguagem e de conteúdo com as crianças ao final. Cada sessão de leitura não deve ultrapassar 50 minutos.
Tanto a pré quanto a pós leitura pode ser realizada imediatamente à leitura ou em momentos outros, mas sempre na mesma semana.


Linguagem escrita

Orientar a criança sobre a organização do livro, os significados e sentidos das imagens e das cores de capa e de início e final de episódio. Não esquecer dados técnicos: título da obra, títulos dos episódios, autor do texto e autores das imagens etc. Explorar com a criança as diferenças entre texto oral e texto escrito. Alertar a criança que o texto tem obstáculos propositais, que elas podem superar com ajuda do professor ou dos pais (questões de vocabulário, de palavras de uso regional, pontuação, acentuação, pronúncia a partir do registro escrito, de recursos poéticos tais como rimas, aliterações e cadências etc.). Há vários jogos de linguagem no livro. Numa das histórias, há a explicitação de que há no livro, além do bem-te-vi, gralhas. Aqui, gralha é o nome que se dá para anomalias do registro escrito no texto impresso. No trabalho com o texto escrito, a criança deve ser estimulada a encontrar as gralhas presentes no texto. Nisso ela pode ser ajudada pelos pais em casa (é conveniente que os pais leiam em casa a história da semana e ajudem a criança a superar as dificuldades textuais e a apontar as gralhas presentes apenas na história da semana). Esse jogo chama-se Caça às gralhas. Mais à frente esse jogo estará amarrado a duas personagens do Ciclo 2 - O mundo visto pelo olhar de Bia. As atividades de pré e de pós-leitura não devem ser amarradas à produção escrita. Algumas vezes isso é desejável, mas não deve predominar. Ciranda de roda, produção de desenhos e pinturas, jogos e brincadeiras podem muito bem ser mobilizados para sensibilizar a criança (pré-leitura) e para concluir significativamente o trabalho com cada episódio (pós-leitura). Em ambos os casos a criação e a produção imaginativa da criança devem ter lugar. Devem ser descartadas todas as práticas de reprodução, bem com aquelas que não possam ser compreendidas claramente e aceitas voluntariamente pelas crianças. Convém discutir as noções de “certo” e “errado”, comparando-se a linguagem oral e a escrita.

Valores éticos, morais, sociais, científicos, afetivos entre outros

O projeto Beto, Bia e Abelardo articula competências e habilidades de leitura com o debate sobre constituição de valores. Que valores a mídia, a família e a escola estão constituindo e transmitindo às nossas crianças? Nós concordamos com tudo que chega a nossos filhos ou não? Pais e educadores podem intervir na formação de valores de seus filhos e alunos?
Estas questões e outras da mesma natureza permeiam cada um dos 10 episódios de Beto, Bia e Abelardo. Há violência contra a mulher no seio da família? Há manifestações de machismo? Há intolerância contra as diferenças? Há respeito ao meio-ambiente? A criança é exposta a risco pelos adultos? O desemprego e as dificuldades econômicas afetam as relações do casal e deste com os filhos? O pano de fundo dessas histórias são quatro importantes documentos contemporâneos, que devem ser explorados nas atividades pré e pós leitura, bem como nos debates e explicações para as crianças: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso. Nas atividades de pré e de pós-leitura, bem como nos debates e explicações às crianças, devem ser propostos problemas éticos e morais que elas devem responder com auxílio dos colegas e dos pais: Qual o papel dos adultos em relação à proteção à criança? Que relações têm as fábulas infantis com os riscos que as crianças sofrem hoje, em meio a uma sociedade consumista, muito injusta e particularmente violenta contra os mais fracos? Como a criança pode evitar situações de risco? Quais são as situações potencialmente de risco para crianças? Devemos ou não proteger os idosos? Que idéias e valores os desenhos e programas infantis veiculam e estimulam nas crianças? O certo é ser solidário ou levar vantagem em tudo? O certo é passar a rasteira no colega ou se associar a ele para vencer dificuldades. Como posso, enquanto criança, tornar minha família, minha rua, minha escola, meu bairro, o mundo melhores? Quando é que eu, enquanto criança, passo dos limites? O que são limites? Posso ser espancado porque passei dos limites? O que são direitos, o que são deveres? O que é liberdade, o que é abuso?
Essas e outras questões devem ter destaque no trabalho desenvolvido pelo projeto. Disponibilizar para as crianças e para suas famílias os documentos citados é necessário.
As atividades de pré, pós e mesmo as de leitura podem ser realizadas com presença de familiares e membros da comunidade, desde que devidamente planejadas, de modo que o foco seja mantido sempre nas crianças participantes do projeto: pais e comunidade têm lugar importante, auxiliando e co-participando, mas não devem tomar o lugar das crianças.

Orientação geral: Realizar apontamentos durante as atividades.

DO BLOG : Amplexos do JeosaFÁ - Educação, Literatura, Leitura, Cinema, Paz
FONTE: http://amplexosdojeosafa.blogspot.com/2008/03/beto-bia-e-abelardo-ciclo-1-o-mundo.html

sábado, 8 de agosto de 2009

O que é ideologia ? Marilena Chauí

No livro “O que é ideologia”, Marilena S. Chauí recorre aos pensamentos de Hegel e Marx para criar uma contradição e explicar o tema. Seu foco é explicar o que é ideologia através da divisão social e do trabalho.
A autora começa o livro com a teoria Aristotélica das quatro causas, definindo o que ela chama de verdade imutável, o fato de não existir causas finais na natureza, e sim apenas no campo da metafísica. A história pode ser examinada sob dois aspectos: do ponto de vista do homem e da natureza. Ela descreve de forma bem detalhada a dualidade existente entre natureza e homem, necessidade racional e finalidade e liberdade.
Na concepção marxista de ideologia, a autora cita as principais determinações que constituem o fenômeno da ideologia, explicando através de exemplos como a ideologia é o resultado da divisão social do trabalho manual e do trabalho material. Segundo a autora, a dialética marxista é materialista e não espiritualista ou idealista; é algo inerte, constituído por relações mecânicas de causa e efeito.
A autonomia também é bastante discutida; a autonomia intelectual (espiritual), a autonomia dos produtores desse trabalho (pensadores) e por fim a autonomia dos produtos desse trabalho (idéias). Assim a ideologia aparece como um instrumento de dominação, uma forma de ilusão criada pela autonomia intelectual que irá dominar o resto da classe social.
Os homens de certa autonomia intelectual, que possuem a teoria, criam através da analise dos fatos sociais históricos, ideias ou representações, que vão de interesse a classe social em que se encontram. Uma vez produzidas, elas são transmitidas às outras classes sociais, de modo que pareça do interesse de todos. Ideias da minoria tornam-se da maioria, e por fim dominantes.
Essas ideias não passam de ilusões criadas pela classe social dominante. Ilusões do que é o trabalho, para o trabalhador, ilusões do que significa a família para o burguês e assim por diante. A palavra ilusão é substituída por ideologia para melhor dominar. A ideologia do trabalho é algo moral, de prestígio e dignidade, enquanto a verdadeira realidade são as horas cansativas de trabalho, o baixo salário e a mais valia. O ideal de família burguesa raramente se encontra nas famílias burguesas, mas essa é a ilusão implantada.
Para Marilena Chauí o papel da ideologia é impedir que a dominação e a exploração seja percebida em sua realidade concreta. Isso está relacionado com o principio do Kitsch, que em essência significa a tentativa de esconder, de varrer para debaixo do tapete aquilo que há de inaceitável e contraditório na existência humana, criando uma ilusão de que tudo é belo e perfeito.
O kitsch pode ser entendido como uma forma de ideologia. Na segunda guerra mundial, os meios de comunicação nos países comunistas eram controlados, de forma que o que se passava era somente o lado bom daquele regime; isso é uma forma de transmitir a ideologia. Ideias criadas por uma minoria e passadas à maioria, de forma que se pareçam ideias universais.
Outro ponto de vista interessante do livro é a forma de se enxergar as coisas; como a ideologia muda dependendo da situação do observador. Sua situação temporal, social, econômica, cultural e intelectual influencia diretamente na decodificação do signo. O símbolo é a ideologia; precisamos desmontá-la até sua situação primaria; o ícone para entende-la.
Uma forma fácil de entender a ideologia é analisando os meios de comunicação e as estratégias de marketing. Um fenômeno de estratégia de marketing muito usado hoje é atribuir em conjunto com a mídia uma ideologia a certa pessoa. Por exemplo, Marilyn Monroe virou símbolo de sensualidade, uma ideologia de toda uma geração. Um grupo seleto composto por publicitários e por pessoas influentes na mídia criam uma idéia do que é sensualidade e difundem através da mídia transformando em uma idéia universal. Isso é possível graças a teoria de opinião pública, em que a mídia decide os assuntos públicos. Mas isso é um assunto para outra discussão.

Marilena de Souza Chauí é historiadora de filosofia brasileira, professora de filosofia política e historia da filosofia moderna, da FFLCH-USP. É mestre (1967, Merleau Ponty e a Crítica do Humanismo), doutora (1971, Introdução à Leitura de Espinosa) e livre docente de filosofia (1977, A Nervura do Real; Espinosa e a Questão da Liberdade) pela USP.
Chauí é escritora de 15 livros além de “O que é ideologia”, e ganhadora de 8 premios. O livro “A Nervura do Real” ganhou três prêmios, entre eles o Prêmio Jabuti, o Prêmio Multicultural Estadão, em 2000 e o Prêmio Sérgio Buarque de Holanda, em 1999.
(Escrito por Marina Borelli Rolim de Oliveira, estudante do curso de Comunicação Social, com ênfase em Propaganda e Marketing da ESPM).

FONTE: http://marinaborelli.blogspot.com/2009/03/o-que-e-ideologia-marilena-chaui.html

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A LEI QUE NEM ERA LEI E PEGOU MAIS DO QUE TODAS AS LEIS ,E OS PRIVILÉGIOS NO BRASIL



Video que gerou polemica e consagrou a conhecida "Lei de Gerson", de se querer levar vantagem em tudo.



QUANDO SE TEM MUITOS "PRIVILÉGIOS" FICA MESMO BEM DIFÍCIL LEMBRAR-SE DE NOSSOS DIREITOS E OS DE NOSSOS CONCIDADÃOS! DIREITO NÃO TEM NADA A VER COM PRIVILÉGIO!

Nadia Stabile - 06/08/09

Ivan Illich e o Estado do "Faça-Você-Mesmo" - Por Charles Leadbeater*

Quando se trata de serviços públicos, a sociedade contemporânea nos treina para sermos trabalhadores e consumidores. O Estado moderno e profissional gasta quantias enormes para avaliar necessidades; talvez um terço do orçamento destinado à assistência social seja destinado a trabalhos de avaliação. Profissionais avaliam aquilo que necessitamos, decidem se estamos qualificados para receber apoio governamental e, a seguir, determinam como os serviços serão fornecidos. Depois disso, mais profissionais, os inspetores, surgem em cena para averiguar se tudo foi feito de forma correta.

Em vez da imposição de metas e de gerenciamento de desempenho, precisamos de um quadro diferente no que diz respeito à forma como os serviços públicos poderiam ser organizados. As instituições pós-industriais deveriam nos treinar para que fizéssemos auto-gerenciamento e auto-avaliação. E o fator fundamental para isso é enxergar os usuários dos serviços não como consumidores, mas como participantes.

Por mais estranho que seja, quando se trata de determinar como esses novos serviços públicos poderiam funcionar, o melhor guia é um ex-padre iconoclasta da Igreja Católica e visionário que escreveu a sua melhor obra 30 anos atrás: Ivan Illich. Illich foi um crítico da sociedade ocidental que, em uma série de livros polêmicos escritos na década de 1970, analisou os fracassos das instituições modernas e dos profissionais que as organizam.

Curiosamente, ele estava à frente do seu tempo pelo fato de estar voltado para um período anterior à sua era. A sua crítica à industrialização remetia a formas mais comunais de organização, nas quais a produção local e de baixo índice tecnológico atendia à maior parte da demanda. Muito antes da Internet ele também anteviu um mundo pós-industrial, que utilizaria uma linguagem de redes.

O triunfo do capitalismo moderno de bem-estar social, segundo Illich, foi a criação de instituições de serviços públicos em ampla escala, em um cenário no qual, no passado, tais instituições se limitavam a servir a apenas uns poucos indivíduos. Esses sistemas universais aspiram a proporcionar serviços justos e confiáveis, mas exigem códigos, protocolos e procedimentos que muitas vezes os tornam desumanizantes.

As instituições profissionais podem facilmente se tornar parte do problema que elas foram elaboradas para resolver. Um hospital que fornece a cura para uma enfermidade específica pode rapidamente desorientar os pacientes, à medida que esses passam de médico em médico e de departamento em departamento. De maneira similar, o sistema escolar deveria criar oportunidades e promover o avanço. Mas qualquer sistema fundamentado em notas está fadado a produzir fracassos, assim como sucessos.

Na verdade, longe de encorajar as pessoas a aprender, a escola formal treina muitas pessoas para que estas sintam asco do aprendizado. A educação não é vista como um projeto pessoal de auto-desenvolvimento, mas sim como um processo de certificação para demonstrar que o indivíduo aprendeu aquilo que o sistema espera que ele aprenda.

No seu livro "Deschooling Society" ("Sociedade sem Escolas"), que foi publicado pela primeira vez no Reino Unido em 1971, Illich demonstrou alguns princípios sobre como funcionaria um sistema educacional mais prazeroso. Uma idéia era proporcionar a todos aqueles que desejassem aprender o acesso aos recursos a qualquer momento, nas fábricas, escritórios, museus e bibliotecas, assim como nas escolas. Uma outra idéia era facilitar a conexão entre aqueles que quisessem compartilhar conhecimentos e os que desejassem aprender, por meio de intercâmbios de talentos. Em 1971 tudo isso soava meio absurdo. Mas na era da Wikipedia, da eBay e do MySpace, tais idéias soam como sabedoria convencional das redes sociais online.

Em um mundo de serviços públicos participativos, os profissionais ainda seriam os protagonistas de maior conhecimento em qualquer campo específico, mas eles se veriam atuando ao lado de outras fontes de conhecimento. Graças à Internet, as pessoas encontrarão cada vez mais o seu caminho até as fontes de notícias e as informações nas quais confiam. Os monopólios profissionais sobre o conhecimento, estabelecidos arduamente no século 20, sofrerão erosão acelerada no século 21.

Um sistema participativo de serviços públicos necessitaria especialmente de ênfase em auto-análise e auto-avaliação inteligentes.

Como exemplo, vejamos o caso do serviço de exames de sangue na zona norte de Londres. O serviço conta com 5.000 pacientes que tomam medicamentos para evitar a formação de coágulos. Os pacientes são submetidos a exames de sangue semanais, que são realizados por enfermeiras e clínicos gerais, e depois são enviados para um unidade central a fim de que sejam analisados. A unidade escreve a qualquer paciente que necessite modificar a sua dosagem; se o caso for urgente, os profissionais telefonam para o paciente. O sistema funciona de maneira eficiente: as coletas de material para exame são concluídas até às 11h, e os resultados estão prontos às 13h30. Na Alemanha, no entanto, os pacientes fazem tudo isso eles próprios, com uma pequena máquina que custa cerca de US$ 800.

Illich escreveu especialmente antes do advento do computador pessoal, da Internet e do telefone celular. Mas estes são exemplos dos instrumentos vernaculares celebrados por ele em "Tools for Conviviality" ("A Convivencialidade"), artefatos que permitem que as pessoas colaborem entre si e se comuniquem, em contraste com as ferramentas complexas que só são compreendidas pelos profissionais. E nós apenas começamos a explorar esse potencial. O condado de Kent, na Grã-Bretanha, está dando início a testes de sensores domésticos para possibilitar o monitoramento remoto dos movimentos e da saúde de pessoas idosas, o que deverá permitir que um número maior desses indivíduos permaneça em suas próprias casas. Na Coréia do Sul existe um telefone celular que permite que os diabéticos verifiquem o nível de açúcar no sangue e comuniquem os resultados a um médico.

É implausível esperar que os serviços públicos possam ser reformados, em um único lance, para adotarem tal abordagem. E essas idéias também não são apropriadas para todos os aspectos dos serviços públicos. As pessoas que necessitam de uma cirurgia urgente geralmente não desejam ser participantes no processo: o que elas querem é um bom serviço, efetuado por profissionais. Às vezes a ética da auto-ajuda pode ser mal utilizada a fim de fazer com que nós, os usuários, fiquemos encarregados de mais trabalho.

O fato é que a gama de maneiras que nos possibilitam criar bens públicos está se expandindo. Escolas e hospitais continuarão existindo, mas uma quantidade maior de aprendizado e de tratamento de saúde será criada informalmente em nossas casas. As pessoas desejarão ser algumas vezes consumidoras, e outras participantes.

Um setor público pago com dinheiro dos impostos e construído em volta de consumidores passivos não poderá atender às crescentes expectativas dos indivíduos com relação a serviços específicos. A única maneira de personalizar os serviços de acordo com as diferentes necessidades, em uma grande escala e a um preço acessível, é motivar e equipar o usuário para que este se torne um ator, e não um espectador. Imagine um sistema educacional construído em torno dos princípios participativos da Wikipedia, ou uma estrutura de assistência social na qual a participação do usuário seja tão fácil quanto a sua interação com a eBay. No futuro, necessitaremos de serviços públicos produzidos pelas massas, e não apenas para as massas.


*Charles Leadbeater é o autor do livro "We Think", que deverá ser lançado em breve nos países de língua inglesa

*(matéria escrita em 2007)
FONTE : http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/prospect/2007/01/04/ult2678u63.jhtm

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

BLOGUEIRO PRECISA "SOBREVIVER" TAMBÉM! ESTE BLOG EXISTE POR AMOR E IDEAIS DE TODOS DAQUI! MAS UMA HORA OU OUTRA A COISA APERTA!

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“…a noção de “personalização”

é mais que um argumento
publicitário: é um conceito ideológico fundamental de
uma sociedade que visa, “personalizando” os objetos
e as crenças, integrar melhor as pessoas.”
BAUDRILLARD

sábado, 1 de agosto de 2009

A ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE DA DÉCADA DE 80

Constituição de 1988



















(...)Revista: A Constituição Federal de 1988 é considerada como a Constituição Cidadã por diversos juristas autores como Caio Tácito, Hélio Bicudo, Evandro Lins e Silva e atualmente Luis Norberto Barroso, Ives Gandra Martins, José Afonso da Silva, Celso Antonio Bandeira de Melo e Michel Temer além de políticos como Flávio Bierrembach (atual ministro do STM e autor da PEC/26 emenda que culminou na atual Constituição Federal), Pedro Simon, Paulo Paim e Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Nacional Constituinte à época. Essa denominação da Constituição Cidadã é adequada? O Sr. concorda com essa denominação “clássica”? Ela se confirma na realidade social brasileira?

Deputado Aldo Rebelo: O cerne desse epíteto é o Título II, com sua generosa enumeração de direitos individuais e sociais. Era necessária uma Constituição analítica, pormenorizada, em oposição à doutrina da Constituição concisa própria das democracias anglo-saxônicas. É um truísmo, no entanto, observar que se a Constituição é cidadã, os cidadãos ainda não o são integralmente, na plenitude das condições indispensáveis a uma vida digna.


Revista: Não é de hoje que a política brasileira está claramente associada às viciosas deformações, suspeições e traições. Politicagem, nepotismo, clientelismo, paternalismo, fisiologismo, impunidade, corrupção são termos comumente utilizados para pontuar, raras exceções, as práticas do político brasileiro. Diante dos freqüentes escândalos políticos e a consagrada impunidade, a sociedade brasileira tem o que comemorar dos 20 anos da Constituição Federal no que tange ao processo político institucional? Reformas políticas são necessárias e de caráter urgente? Como podemos avançar nesse sentido?

Deputado Aldo Rebelo: A reforma política é necessária como aprofundamento da calha democrática do País. Podemos avançar instituindo o financiamento público das campanhas eleitorais, facilitando e garantindo a fundação de partidos, democratizando a propaganda hoje tão cerceada. Muitas das propostas em curso conduzem, no entanto, a retrocessos de inspiração externa, como o voto distrital e a cláusula de barreira. Seria conveniente associar a reforma política à reforma do Estado, tornando-o mais democrático, de fato isonômico e republicano.

Revista: Qual o balanço que podemos fazer dos 20 anos da Constituição Federal de 1988?

Deputado Aldo Rebelo: A Constituição tem cumprido muito bem seu papel de Carta Magna. Não é, por certo, revolucionária, antes enfeixa um arcabouço normativo de teor liberal-conservador que refletiu a correlação de forças representada no Congresso Constituinte. Cabe aperfeiçoá-la, embora com parcimônia, e deixar que se impregne no espírito dos brasileiros. No célebre discurso de sua promulgação, Ulysses Guimarães foi enfático: “Esta constituição terá cheiro de amanhã, não de mofo.”.

Revista: Dimensione a importância da intelligentzia jurídica na elaboração do texto constitucional e quais foram as principais teorias jurídicas incorporadas à constituição cidadã?

Deputado Aldo Rebelo: Por ser o mais profundo e importante dos pactos sociais, a Constituição naturalmente atrai o interesse e a intervenção de todas a forças políticas organizadas, estejam estas na forma de partidos e entidades de classe, seja na de grupos de pressão específicos que pontilham a sociedade. Cada um leva à mesa de negociações sua visão particular do País e da forma de organizar a Nação.

Revista: A Constituição Federal foi adjetivada de “Constituição Cidadã “, e completará no próximo dia 05 de outubro vinte (20) anos de vigência. Entende o senhor que o cidadão, o ‘homem comum do povo”, nesses quase vinte anos de vigência da CF de 1.988, já demonstra um sentimento de “VONTADE DE CONSTITUIÇÃO”, emprestando a expressão de Konrad Hesse?

Deputado Aldo Rebelo: Pelas peculiaridades de sua formação social complexa, o Brasil ainda viverá por muito tempo as tensões advindas do cotejamento entre a lei e a realidade concreta. Não navegamos nem tão perto da terra nem em alto mar nesse aspecto, pois aqui e em qualquer lugar as questões ditas jurídicas são permeadas de matizes políticos. Neste sentido, sem tirar a dose de razão a ser dada a Hesse em sua controvérsia com Ferdinand Lassale, creio que certos axiomas constitucionais, como o da igualdade dos cidadãos, ainda estão por ser conquistados, e, embora todos devamos respeitar a Constituição, é certo que conquistas essenciais ali elencadas formalmente se darão mais pela luta política que pelo estatuto jurídico.

Revista: A Constituição Federal no art. 6º enumera os chamados “Direitos Sociais” (a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados). Como o senhor se posiciona, no tema desses Direitos Sociais, quanto a intitulada “Politização do Poder Judiciário “, ou o “ ativismo judicial”, cujo exemplo emblemático ocorreu no STF no julgamento para a concessão de medicamentos aos aidéticos ( 2ª T., AgRE 271.286-RS, rel. Min. Celso de Mello, j. 12.09.2000, DJU 24.11.2000, v. 101) ?

Deputado Aldo Rebelo: A chamada “politização do poder Judiciário” não é nova, tampouco fruto da Constituição de 1988. A política, e com ela a administração dos conflitos da sociedade, sempre acompanhou a Justiça. Quanto mais recuamos no tempo mais verdadeira é esta constatação. No caso do Direito Constitucional, as supremas cortes encarregadas de interpretar a Carta Magna são tradicionalmente reconhecidas como tribunais políticos. Como em toda atividade política, suas decisões espelham a correlação de forças em conflito na sociedade. Convém ponderar, no entanto, a especificidade dos poderes da República: quem faz as leis é o Congresso.

LEIA O COMEÇO EM : http://189.7.65.219/juridica/entrevistas.html

hoje descubro porque nunca quis ser artista

"o belo é reacionário"

a produção artística da elite é reacionária,
mantém o status quo.
desde o início da história por poucas vezes
a arte não foi reacionária.
pura contradição,como pode acontecer isso?
justo a arte,que deveria libertar o ser humano...
hoje descubro porque nunca quis ser artista!
pra que? para alimentar egos mortos de fome?
para manter tudo como está?
para manipular cabeças?
ou para anestesiá-las?
não sou esteta da elite,
só sei que se o mundo está todo errado,
porque a arte estaria certa?

Nadia Stabile - 01/08/09

*antes tarde do que nunca!
só hoje descubro de verdade porque nunca quis ser artista.
mas se é que nasci pra me comunicar,
escolho comunicar a arte dos que são invisíveis a olho vestido!
a verdadeira arte é a marginal!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

1 – o direito à vida e à saúde

§ 1º. O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente, admitida a participação de entidades não governamentais e obedecendo os seguintes preceitos:

I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil;

II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos.

§ 2º. A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência.

2- o direito à proteção especial

§ 3º. O direito à proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:

I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no artigo 7º, XXXIII;

II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;

III - garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola;

IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica;

V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade;

VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado;

VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança e ao adolescente dependente de entorpecentes e drogas afins.

3- o direito de proteção contra a violação dos direitos

§ 4º. A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

4- os direitos civis

§ 5º. A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.

§ 6º. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.(...)

LEIA MAIS EM :

FONTE : http://www.mp.ma.gov.br/site/centrosapoio/infJuventude/doutDireitoCriancaAdol.doc

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A ARTE, O CINEMA ,A MÁQUINA,A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL...

Metrópolis (conhecido no Brasil e em Portugal como Metrópolis) é um filme alemão de ficção científica produzido em 1927, realizado pelo cineasta austríaco Fritz Lang. Foi, à época, a mais cara produção até então filmada na Europa, e é considerado por especialistas um dos grandes expoentes do expressionismo alemão. O roteiro, baseado em romance de Thea von Harbou, foi escrito por ela, em parceria com Lang.
O enredo é ambientado no século XXI, numa grande cidade governada autocráticamente por um poderoso empresário. Os seus colaboradores constituem a classe privilegiada, vivendo em um jardim idílico, como Freder, único herdeiro do dirigente de Metropolis.

Os trabalhadores, ao contrário, são escravizados pelas máquinas, e condenados a viver e trabalhar em galerias no subsolo. Em meio à miséria dos operários, uma jovem, Maria, se destaca, exortando os trabalhadores a se organizarem para reivindicar seus direitos através de um escolhido que virá para os representar.

Através de cenas de forte expressão visual, com o recurso a efeitos especiais, algumas se tornaram clássicas, como a panorâmica da cidade com os seus veículos voadores e passagens suspensas. Alusões bíblicas, mistério, ação e romance, completam o leque que envolve o público e o mantém em suspense até ao final.

À época, Metropolis impressionou tanto Hitler que, quando ele chegou ao poder, solicitou ao Ministro Goebbels que abordasse Lang, convidando-o a fazer filmes para o partido nazista. Enquanto Thea Von Harbou, sua esposa à época, mergulhou no projeto, Lang evadiu-se para Paris, onde chegou a produzir filmes de conteúdo antinazista, passando-se posteriormente para os Estados Unidos, onde faleceu.(...)

LEIA MAIS EM :

http://pt.wikipedia.org/wiki/Metropolis_(filme)



FILME : "TEMPOS MODERNOS" DE CHAPLIN
Modern Times (Tempos Modernos, em português) é um filme do cineasta britânico Charles Chaplin lançado em 1936 em que o seu famoso personagem "O Vagabundo" (The Tramp) tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado.

Nesse filme Chaplin quis passar uma mensagem social. Cada cena é trabalhada para que a mensagem chegue verdadeiramente tal qual seja. E nada parece escapar: máquina tomando o lugar dos homens, as facilidades que levam a criminalidade, a escravidão. O amor também surge, mas surge quase paternal: o de um vagabundo por uma menina de rua.
Um trabalhador de uma fábrica (Chaplin), tem um colapso nervoso por trabalhar de forma quase escrava. É levado para um hospício, e quando retorna para a “vida normal”, para o barulho da cidade, encontra a fábrica já fechada.

Enquanto isso, uma jovem (Paulette Goddard), orfã de mãe, com duas irmãs pequenas e o pai desempregado, tem que realizar pequenos furtos para sobreviver. Após a morte do pai em uma manifestação, dois agentes do governo vão buscá-las para a adoação, mas a jovem foge.

Carlitos vai em busca de outro destino, mas acaba se envolvendo numa confusão: pois é tomado como o cabecilha por trás da greve que esta a acontecer e acaba por ser preso. Quando é libertado e depois de uma agradável estadia na prisão, decide fazer de tudo para voltar para lá e ao ver a jovem que fugiu da adoção (Paulette Goddard) roubar um pão para comer, decide se entregar em seu lugar. Não dá certo, pois uma grã-fina tinha visto o que houve e estraga tudo. Mesmo assim, ele faz de tudo para ir preso, mas os dois acabam escapando e vão tentar a vida de outra maneira. A amizade que surge entre os dois é bela, porém não os alimenta. Ele tem que arrumar um emprego rapidamente.(...)
LEIA MAIS EM :
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tempos_Modernos

2001: Uma Odisseia no Espaço

2001: A Space Odyssey
(no Brasil, 2001: Uma Odisseia no Espaço e em Portugal, 2001: Odisseia no Espaço) é, para muitos críticos, um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Foi realizado em 1968 pelo cineasta Stanley Kubrick, natural de Nova York, EUA.(...)
Desde a "Aurora do Homem" (a pré-história), um misterioso monólito negro parece emitir sinais de outra civilização interferindo no nosso planeta. Quatro milhões de anos depois, no século XXI, uma equipe de astronautas liderada pelo experiente David Bowman (Keir Dullea) e Frank Poole (Gary Lockwood) é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monólito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. Entretanto, no meio da viagem HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave, eliminando um a um os tripulantes.(...)
LEIA MAIS EM : http://pt.wikipedia.org/wiki/2001_-_Uma_odiss%C3%A9ia_no_Espa%C3%A7o

LIVRO: A Arte na Era da Máquina AUTOR : Maxwell Fry
Editora: Perspectiva - Português - 1982

Maxwell Fry é nome de grande projeção como arquiteto, urbanista e teórico em sua especialidade, tendo realizado projetos junto com Walter Gropius e Le Corbusier. A Arte na Era da Máquina apresenta uma visão crítica da vida contemporânea através do meio arquitetônico, assim como alerta para os perigos da expansão industrial desordenada. O autor procura por outro lado mostrar a necessidade da arquitetura permanecer ligada ao impulso criador da arte, defendida no livro como necessidade vital e não simples derivativo. Baseado nesses pressupostos Fry indica, com exemplos claros e concretos, qual o possível caminho em nossa era tecnológica para a formação de um ambiente adequado ao pleno desenvolvimento humano.













The Matrix


O filme apresenta diversos efeitos, pois Matrix tem como tema a luta do ser humano, por volta do ano de 2200, para se livrar do domínio das máquinas que evoluíram após o advento da Inteligência Artificial. Em um recurso extremo para derrotar as máquinas, a humanidade cobriu a luz do Sol para cortar o suprimento de energia das mesmas, mas elas adotam um solução radical: como cada ser humano produz, em média, 120 volts de energia elétrica, começam a cultivá-los em massa como fonte de energia. Para que o cultivo fosse eficiente, os seres humanos passaram a receber programas de realidade virtual, enquanto seus corpos reais permaneciam mergulhados em habitáculos nos campos de cultivo. Essa realidade virtual, que é um programa de computador ao qual todos são conectados, chama-se Matrix e simula a humanidade do final do século XX.(...)
LEIA MAIS EM : http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Matrix

EU SOU UM PINCEL...















QUAL É SEU INSTRUMENTO?

duplos sentidos...instrumentos, ferramentas, equipamentos...
por exemplo ferramentas...existem hoje as virtuais!...
instrumentos podem ser,os musicais, os de artesãos,
ou os de cirurgiões!...equipamentos então!
nossa...hoje muitos tem equipamentos de topo!
mas geralmente não conseguem usá-los em sua total capacidade,
tanto técnica, quanto "estética"...
por exemplo,como fazer um vídeo com uma câmera de celular?
muitos até tentam...esforçam-se...sem nem conhecerem a base da linguagem cinematográfica...geralmente nos provocam enjôos marítimos!
fruir esteticamente um instrumento, um equipamento,
tem tudo a ver com o usufruir exaustivamente...
Hermeto Pascoal é um artista que vai fundo,inventa instrumentos...ou indo além...
ele transforma tudo o que toca, em instrumentos musicais!
ele enxerga a sua arte em tudo. o grupo barbatuques é outra raridade,
transforma o corpo em instrumento musical! inventar funções para tudo
o que nos cerca e para nós mesmos,é genial! mas se eu fosse meu pai diria agora
duas coisas, diria que no brasil as pessoas não sabem nem como é fabricado o papel higiênico! e que portanto como estes equipamentos digitais são fabricados,estaria além da imaginação de nosso povo! outra coisa que meu pai diria é,se conhece um homem pelo instrumento que ele utiliza! ou usa!? utilizar é coisa antiga! hoje as pessoas consomem, usam e aí descartam! outra mentalidade a ser vencida pra que a sustentabilidade comece a ser entendida!
mas voltando a fruição das coisas! para um oriental que pinta letras,os ideogramas,a arte do sumi-è,o pincel,a tinta,o papel, são entendidos e sentidos pela pessoa que pinta,como algo além de instrumentos e materiais! eles chegam a ser extensões reais
do corpo e da alma de quem pinta! os orientais sempre com suas filosofias e hábitos totalmente diferentes de nós ocidentais! imaginem, o pincel sou eu... a câmera de celular sou eu... meu violão sou eu... meu blog sou eu...
e meu teclado do PC...sou eu!? ( quase sempre nos esquecemos da manutenção deste periférico, que lástima!)

Nadia Stabile - 27/07/09

Convite - III Seminário Internacional Margem Esqueda - BOITEMPO EDITORIAL (clique na imagem para ler)


Caros,

A Boitempo Editorial tem o prazer de convidar a todos para o III Seminário Internacional Margem Esqueda, que acontecerá de 18 a 28 de agosto. Confira a programação completa. Mais informações pelo email :
seminariomeszaros@boitempoeditorial.com.br
USP
DIA 18, TERÇA
14h
O poder da ideologia: Miguel Vedda, Virginia Fontes, Osvaldo Coggiola e Wolfgang Leo Maar
19h
Trabalho e alienação: Ricardo Antunes, Ruy Braga, Jesus Ranieri e Giovanni Alves

DIA 19, QUARTA
14h
Marx, Lukács e os intelectuais revolucionários: Emir Sader, Antonino Infranca, Carlos Nelson Coutinho e José Paulo Netto
19h
Para além do capital -a crise estrutural do capital: François Chesnais, Jorge Beinstein, Leda Paulani e Edmilson Costa

DIA 20, QUINTA
14h
Para além do capital - lógica destrutiva e questão ambiental: Brett Clark, Carlos Walter Porto-Gonçalves, Mohamed Habbib e Plínio de Arruda Sampaio
19h
Educação e socialismo: Roberto Leher, Afranio Mendes Catani e Isabel Rauber

DIA 21, SEXTA
14h
Marxismo, lutas sociais e revolução na América Latina: Francisco de Oliveira, Maria Orlanda Pinassi, Gilmar Mauro e Lucio Flávio de Almeida
19h
A necessária reconstituição da dialética histórica: István Mészáros
Encerramento: solo de Bach em viola por Susie Mészáros


UNESP-Araraquara
DIA 24, SEGUNDA
14h
A crise estrutural do capital: Gilmar Mauro, Maria Orlanda Pinassi e Aldo Casas.

UNICAMP
DIA 25, TERÇA
A crise estrutural do capital: Ricardo Antunes, Álvaro Bianchi, Aldo Casas, Caio Toledo e Plínio de Arruda Sampaio Jr.

UERJ
DIA 25, TERÇA
A necessária reconstituição da
dialética histórica: István Mészáros; comentários de Emir Sader e Gaudêncio Frigotto

CUFSA - Fundação Santo André
DIA 26, QUARTA
19h30
Crise do capital e perspectivas do trabalho: Antonio Rago Filho, Livia Cotrim, Miguel Vedda e Everaldo de Oliveira Andrade

UFRJ
DIA 26, QUARTA
17h30
Perspectiva do socialismo hoje: José Paulo Netto, Carlos Nelson Coutinho e Jorge Giordani
19h40
Música: solo de Bach em viola por Susie Mészáros
20h
A necessária reconstituição da dialética histórica: István Mészáros

UFRGS
DIA 27, QUINTA
19h
A necessária reconstituição da dialética histórica: István Mészáros; comentários de Jorge Giordani e Paulo Vizentini
DIA 28, SEXTA
15h
Para além do capital e a crise mundial: Jorge Giordani, Carla Ferreira e André Cunha
19h
Para além do capital, imperialsmo e Estados periféricos: Luiz Dario Ribeiro, Mathias Luce e Cesar Augusto Barcellos.

CEFET-BH
DIA 27, QUINTA
19h
Para além do capital: crise do capital e perspectivas do trabalho: Nicolas Tertulian, Ester Vaissman, Ana Lucia Barbosa Faria e Rodrigo Dantas

Boitempo Editorial
Débora Prado
Assessoria de Imprensa
+ 55 11 2305 1641
+ 55 11 8382 4978
imprensa@boitempoeditorial.com.br
www.boitempoeditorial.com.br


segunda-feira, 20 de julho de 2009

GLORIA KREINZ DIVULGA: O SARAU PARA TODOS, JACQUES DERRIDA E MARCELO ROQUE PELA DESCONSTRUÇÃO DA VIOLÊNCIA CULTURAL.

VEJA MAIS:
www.eca.usp.br/njr
http://www.eca.usp.br/nucleos/njr/clipeciencia/

Glória Kreinz

Toda comunicação democrática sai vencedora, quando conseguimos sobreviver em uma sociedade como esta em que vivemos. É difícil lutar por qualidade de vida melhor e direitos humanos, quando jogos de poder e terrorismo cultural, tão falados e temidos pelo filósofo da desconstrução Jacques Derrida, entram em cena em nossa sociedade de forma acintosa, usando de pretensa lógica, usando um destinatário fixo como valor.
É o que Jacques Derrida chama de morte do destinatário, acrescentando que o que vale para o destinatário vale também, “pelas mesmas razões, para o emissor, ou produtor”. O que Derrida coloca em questão é a autoridade do código e o poder da escritura, entendendo esta autoridade como “exercício da violência”, (Derrida:1973:63), mas que nem sempre alcança os efeitos esperados.
A comunicação, por exemplo, um dos elementos mais discutidos nos termos da globalização da cultura ocidental, é analisada criticamente, quando Derrida observa a relação comunicação/contexto, e mostra o perigo de cristalização do universo movente, se os fenômenos comunicacionais não forem considerados em suas constantes descontextualizações.
Um elemento, porém, permanece estável na discussão de Jacques Derrida, ou seja, a referência à cultura ocidental em relação a outras formas culturais, base de sua crítica desconstrutivista. O lugar do contexto se identifica com o lugar do logos, e este com a violência da palavra entendida como lei.
Os jogos de linguagem são entendidos como instrumentos de dominação no universo midiático. Resta então lutar, com todas nossas armas, inclusive no Blog Sarau para todos, contra os instrumentos de dominação. E isto fazemos, enquanto existirmos e resistirmos atuando em conjunto.
Eis Marcelo Roque, da equipe do NJR/ECA/USP , da Cátedra UNESCO José Reis de Divulgação Científica da USP e deste Blog falando em resistência.

"REBENTAÇÃO"
Tentar calar um homem
e suas ideologias
com o uso da força,
é o mesmo que tentar represar um rio
com arame farpado


Marcelo Roque

segunda-feira, 6 de julho de 2009

ADRIANA CALCANHOTO RASGA MANUEL BANDEIRA NA FLIP - 2009



(...)Centro para e ouve Calcanhotto

Pouco depois, Romulo Fróes e banda subiram ao palco da Tenda do Telão, ao lado da Praça da Matriz, para o primeiro show da noite, enquanto funcionárias da Flip distribuíam champagne a quem entrava. O compositor paulistano pagou o preço de ser a atração de abertura e sofreu com a indiferença do público, que perdeu a excelente performance do grupo, em especial pelas atuações de Fábio Sá no baixo e Curumin na bateria.

Adriana Calcanhotto apareceu em seguida, entrando em cena enquanto declamava "Poética", um poema de Manoel Bandeira. “Estou farto do lirismo comedido, do lirismo bem comportado, do lirismo funcionário público”, diziam os versos, que a cantora interpretava com vigor, para ao final rasgar o papel e jogar os pedaços ao alto. Lotado, o centro histórico da cidade parou para assistir: a tenda aberta nas laterais e telões estratégicos permitiam que o povo sem ingresso também pudesse se divertir.(...)



*ler mais em: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/inspiracao-e-quotquothumildadequotquot-de-bandeira-dominam-conferencia-de-abertura-da-flip/n1237627810820.html

Inspiração e humildade de Bandeira dominam conferência de abertura da Flip


PARATY ¿ A formação e a inspiração do poeta Manuel Bandeira foram a tônica da conferência de abertura da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, na noite desta quarta-feira (01). O crítico Davi Arrigucci Jr., considerado um dos grandes intérpretes da obra de Bandeira, não poupou superlativos para se referir a ele: o grande poeta moderno e um dos maiores da nossa língua são apenas uma amostra do ufanismo extremo que deu ainda deu origem à frase um país que produziu alguém com essa poesia e fibra moral tem que dar certo. Felizmente, o foco da palestra foi outro, voltado para o amadurecimento do poeta do cotidiano.





Através de citações e relatos do livro de memórias de Bandeira, "Itinerário de Pasárgada", Arrigucci, com ar professoral, buscou descrever o que ele entendia como emoção poética. Nas palavras do pesquisador, seriam os breves momentos de iluminação e de êxtase que o poeta vivencia e tenta imortalizar em versos. "É a sensação de um universo, um mundo completo, com os mesmos elementos do mundo banal, mas como que musicalizados, nos dando a sensação de totalidade completa." A procura por esses momentos de iluminação, ou alumbramento, como Bandeira costumava se referir, o levaram ao Morro de Santa Teresa, na década de 1920. Foi lá, na antiga rua do Curvelo, que o poeta descobriu o cotidiano carioca e desenvolveu seu "estilo humilde", falando do que é complexo de modo simples. "Ele forjou um modo de dizer o alumbramento de uma forma humilde, dando sentido solene a palavras do dia-a-dia", explicou Arrigucci. Apesar de cansar a plateia ao analisar em detalhes poemas como "Momento num Café" e "Poema Só para Jaime Ovalle", o conferencista arrancou aplausos entusiasmados no final de sua palestra.
Poeta celebrado e professor, Manuel Bandeira (1886-1968) foi um dos expoentes do movimento modernista, apesar de não ter participado pessoalmente da Semana de Arte Moderna. Também produziu farto material crítico de arte, crônicas esclarecedoras e trabalhos disputados de tradução. Boa parte desse legado está voltando às prateleiras em reedições caprichadas nesta Flip, como "Poesia Completa e Prosa", com mais de 1,7 mil páginas, e "Crônicas Inéditas 2", volume de uma coleção que está reunindo em livro os textos pulverizados de Bandeira na imprensa. Uma curiosidade é que a nova edição de "Estrela da Vida Inteira", outra compilação do autor, traz em CD o próprio declamando amostras de seu trabalho.
A figura de Bandeira ainda vai inspirar diversas atividades na programação principal e na Casa de Cultura, cujo ponto alto deve ser a conferência, no domingo, de Edson Nery da Fonseca, pesquisador, professor emérito da UnB e amigo pessoal do poeta, saudado com palmas ao adentrar a Tenda dos Autores. Os passos do homenageado também são lembrados na exposição fotográfica Os lugares de Bandeira, organizada em parceria com o Instituto Moreira Salles. Recife, Ouro Preto e Rio de Janeiro servem de cenário para imagens que recontam a trajetória de Bandeira.
Centro para e ouve Calcanhotto
Pouco depois, Romulo Fróes e banda subiram ao palco da Tenda do Telão, ao lado da Praça da Matriz, para o primeiro show da noite, enquanto funcionárias da Flip distribuíam champagne a quem entrava. O compositor paulistano pagou o preço de ser a atração de abertura e sofreu com a indiferença do público, que perdeu a excelente performance do grupo, em especial pelas atuações de Fábio Sá no baixo e Curumin na bateria.
Adriana Calcanhotto apareceu em seguida, entrando em cena enquanto declamava "Poética", um poema de Manoel Bandeira. Estou farto do lirismo comedido, do lirismo bem comportado, do lirismo funcionário público, diziam os versos, que a cantora interpretava com vigor, para ao final rasgar o papel e jogar os pedaços ao alto. Lotado, o centro histórico da cidade parou para assistir: a tenda aberta nas laterais e telões estratégicos permitiam que o povo sem ingresso também pudesse se divertir.
O repertório do álbum Maré não encantou muito a plateia, tanto que Adriana chegou a reclamar no microfone que todos estavam muito comportados. Mas foi só ela tocar Esquadros para todo mundo cantar junto e aplaudir forte. A gaúcha ainda lembrou da primeira vez em que se apresentou na Flip, quando o homenageado era Vinícius de Morais. Por isso, tratou de tirar da cartola uma redentora versão de Eu Sei Que Vou Te Amar, acompanhada por um coro de vozes do início ao fim. Sucessos como Devolva-me, Assim Sem Você e Mentiras ainda vieram para não deixar ninguém arrependido de sair de casa, mesmo com a chuva que passou rápida, mas molhou os desavisados.
A maratona da Flip começa nesta quinta-feira com a mesa Novos Traços, que reúne representantes da nova safra dos quadrinhos nacionais ¿ Rafael Grampá  e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, premiados no exterior, e o artista Rafael Coutinho. O cineasta Domingos de Oliveira vem na sequência em uma programação que ainda terá debates sobre ficção e realidade, literatura chinesa e fecha o dia com o discurso ateu do britânico Richard Dawkins, autor de Deus, um Delírio.



Poética 

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Manuel Bandeira

*postagem atualizada em 19 03 2016

http://ultimosegundo.ig.com.br/flip/2009/07/01/inspiracao+e+humildade+de+bandeira+dominam+conferencia+de+abertura+da+flip+7062916.html
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