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domingo, 15 de novembro de 2009

CARTA ABERTA A GILMAR MENDES - POR CARLOS LUNGARZO

São Paulo, 14 de novembro de 2009

Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil
Dr. Gilmar Ferreira Mendes

Prezado Senhor:
Escrevo a Vossa Excelência na simples condição de alguém que milita em defesa dos
Direitos Humanos desde a adolescência, que passou por várias seções da Anistia Internacional,
foi voluntário do ACNUR e da Justiça e Paz.
Não sou membro de nenhum partido político ou seita religiosa, não sou eleitor no
Brasil nem em meu país de origem, não recebo dinheiro da Itália, nem de grupos terroristas.
Conheci Battisti esta semana; antes que recebesse refúgio, nunca tinha ouvido falar
dele nem no grupo a que pertencia. Tampouco tenho interesse intelectual ou profissional no
caso: sou um cientista e não advogado, jornalista ou político. O que me move a empenhar‐me
nesta causa são o sentido de solidariedade, minha visão ética da vida e, também, a vergonha
que me produz pensar que possa viver sob instituições nas quais se pratica linchamento.
Embora tenha uma firme ideologia pessoal, repudio igualmente aos neofascistas
italianos que perseguem Battisti e aos pseudo‐esquerdistas que se enrolam na causa do
revanchismo e a “vendetta”.
Acompanhei muitos casos em minha condição de membro de AI, e vi pessoas liberadas
por um STF diferente: vi a liberação de Fernando Falco, na qual participei ativamente, e a do
padre Medina, em cujo apoio apenas pude redigir algumas cartas. Antes disso, soube da
extradição de Mário Firmenich, que foi correta.
Minha atividade em favor dos DH não foi apenas a de preencher papéis. Na década de
70 protegi refugiados do Cone Sul, vítimas da Operação Condor, com grave perigo para mim e
minha família. Na década de 80 participei na resistência contra o Operativo Charlie no México
e na América Central. Por tudo isso, não tenho nenhum embaraço em assumir que me sinto
plenamente qualificado para exigir justiça para Battisti.
Não estou pedindo clemência. Este é um termo teológico. O extraditando merece
justiça. Em meus anos de militância conheci dúzias de vítimas da repressão e posso afirmar
que é relativamente fácil, nessas condições, reconhecer a têmpera de alguém. Bastou estar
uma hora com Cesare Battisti para perceber que ele tem enorme coragem, o oposto exato de
seus inimigos, que se movem nas sombras, protegidos pelo poder. Posso me equivocar, mas
me parece certo que Battisti não poderá ser amedrontado, como não foram amedrontados

Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, Joe Hill, Ethel Rosenberg, Dreyfus, Olga Benário, e muitos
outros.
Não vou dizer a VE que a história nos julgará: a história é longa e talvez só mude muito
tempo depois que se acabe a única vida que temos certeza que possuímos. A crença na justiça
histórica é apenas uma maneira racional de fantasiar um desejo mítico de eternidade.
Mas, quero fazer uma observação prática: a realização da vingança de outros, como
simples procuradores, talvez não seja um bom negócio e não se possa fazer dela um bom
proveito. Muitos dirão que, apesar de que Hitler e Mussolini tiveram má sorte, esse não foi o
caso de Margareth Thatcher nem do ditador Franco, e que boa parte da Espanha e da Itália
ainda apóia o fascismo e seus similares, e parecem ter muito sucesso.
Mas, será realmente assim? Será que o triunfo de crueldade faz seus autores felizes?
Todos os anos, milhares de flores chegam ao túmulo de Bobby Sands e dos outros 9
heróicos garotos que levaram até a morte sua greve de forme em 1981, e não o fizeram para
pedir liberdade, apenas para manifestar seu desprezo por seus infames opressores. Seu
carrasco, a senhora Thatcher, só recebe os cumprimentos de subservientes empresários que
enriqueceram com a ruína de seu país. Os que já não podem beneficiar‐se dela, se afastaram.
Aliás, se o ódio compensa, eu gostaria de saber: por que o racismo atravessa a Itália?
Por que os mesmos vândalos que exigem a cabeça de Battisti andam com tochas ateando fogo
em acampamentos de africanos, árabes e ciganos, matando mulheres e crianças? Será que
pessoas felizes precisam de violência?
Não digo que esses atos deveriam parar por razões morais. Os que os praticam não
tem uma moral humanista: eles não acreditam na humanidade, mas nos mitos, na raça, na
linhagem, nas armas.
Mas, será que os massacres, a punição coletiva, a perseguição e o papel de
inquisidores medievais leva alguma felicidade a suas mentes doentias? Se não for assim, qual é
a vantagem desse ódio?
Não posso evitar pensar no famoso coronel de Carandiru. Ele sentiu‐se muito feliz
quando massacrou 111 pessoas indefesas, mas, será que era feliz junto a sua namorada, que
aplicou com ele a mesma metodologia criminosa, a única que eles conhecem?
Não estou dizendo a ingenuidade de que “a vida se vinga” ou “o mal acaba recebendo
seu castigo”. A história mostra que isso não é verdade. Esta é uma idéia antropomórfica, válida

para os que acreditam num destino personalizado. Há, porém, uma razão mais básica. A
crueldade, a vingança e o revanchismo tornam as pessoas doentes. Não é o castigo divino; é o
“castigo” de nossas próprias células.
Estatísticas feitas nos Estados Unidos, na França, durante a Guerra de Argélia, e na
Nicarágua, depois da libertação, mostram que torturadores, carrascos, linchadores, têm o
maior índice de problemas em sua vida afetiva. Na Georgia, por cada 9 famílias de militares
com graves quadros de violência familiar, há apenas 2 famílias civis com os mesmos
problemas. Em Alabama, por cada mulher de civil que apanha de seu marido, há 4,7 esposas
de policiais que padecem desse problema.
Contrariamente às opiniões cheias de ódio, de sede de sangue e de “vendettas”, há
muitas pessoas que valorizam Battisti, sua integridade, resistência e inteligência, sua qualidade
de escritor, sua capacidade de lutar durante 30 anos e estar disposto a morrer, em vez de
tornar‐se delator, “arrependido”, um lacaio da máfia peninsular.
Ele não estará sozinho em sua greve de fome, e não será possível para nenhum tribunal
extraditar para Itália todos os amigos de Battisti.
Excelência, sei que o VE está num nível cognitivo muito superior ao de outras pessoas
que se manifestaram contra Battisti. Sei reconhecer a inteligência de alguém, mesmo quando
nossos valores sejam opostos. Ouso dizer que Vossa Excelência apreciou 100% da brilhante
intervenção do Ministro Marco Aurélio, e reconhece, sem dúvida, que naquela longa
argumentação não há uma palavra desnecessária, uma frase que não seja precisa, uma
verdade que não tenha sido exaustivamente provada.
O Ministro Marco Aurélio fez, como ninguém tinha feito, uma análise profunda da
Sentença 76/88, RG 49/84 da Corte d’Assise de Milano. Ele enumerou 34 provas de que Battisti
foi tratado como autor de crime político e acusado diretamente de subversivo (evversivo). Não
acredito, mesmo sendo um outsider, que em direito absolutamente tudo seja assunto de
opinião.
Não posso pensar que o VE acredite realmente que esses crimes foram comuns. Nunca
pensaria isso, porque seria insultar vossa inteligência, e eu nunca cometeria essa
impropriedade. Também tenho certeza de que o VE sabe que a causa está prescrita. A prova
dada pelo Ministro Marco Aurélio é um verdadeiro teorema, que só pode nos inspirar pena
pelos que pretendem defender o parecer contrário.

Percebi que VE ouviu às poucas mas precisas ironias do Ministro Marco Aurélio sobre
o cinismo do governo italiano e seus xenófobos e racistas partidários, ao descrever as 12
maiores injúrias que os mais altos políticos fizeram da cultura e do povo brasileiro e até de
seus magistrados. Ele fez isso, olhando “olho no olho” no Embaixador Italiano, que naquele
momento abandonou a empáfia e fechou o rosto.
Sei que VE entendeu que o Ministro Marco Aurélio desmascarou os interesses políticos
e psicológicos (ressentimento, vingança, propaganda, revanchismo) que nada têm de jurídico e
se escondem detrás de um julgamento feito com todas as violações possíveis aos Direitos
Humanos e ao devido processo. E que ele também ressaltou o idealismo das gerações que
lutaram contra a barbárie na década de 70, sem se importar que os vândalos usassem farda ou
se vestissem à paisana.
Seria impossível duvidar de que VE ouviu a um dos maiores magistrados da atualidade
falar da ditadura do judiciário, algo que conduzirá à catástrofe não apenas da instituição do
refúgio, mas de toda a democracia.
Tampouco VE ignora muitos fatos que, embora não tenham sido narrados no dia 12,
são de absoluta evidência: Que o governo da Itália se utiliza da organização DSSA para
sequestrar refugiados no exterior, que o ministro italiano Clemente Mastella disse aos
parentes das vítimas que não cumpriria sua promessa feita ao Brasil de limitar a prisão de
Battisti aos 30 anos, que Battisti morreria na Itália pelas mãos de seus algozes e, portanto, que
a declaração de greve de fome de Battisti é a evidência de que prefere uma morte digna por
sua própria mão.
Em fim, Senhor Presidente: Vossa Excelência sabe que o Ministro Marco Aurélio está
certo, e hoje há milhares de pessoas que sabem disso. Não o conheço e não posso julgar se os
Direitos Humanos e a Justiça são importantes ou não para Vossa Excelência.
Mas, caso o sejam, VE tem uma excelente oportunidade de cumprir com esses direitos
e honrar a justiça:
Admita o empate e outorgue ao réu o benefício da dúvida!
Atenciosamente
Carlos Alberto Lungarzo
Matrícula de Anistia Internacional (USA) 21525711

quarta-feira, 24 de junho de 2009

CARTA ABERTA AO FAUSTÃO !! "FAUSTÃO!!! TOME VERGONHA NA CARA!!!" (ENVIADO POR UM AMIGO)

Carta Aberta ao apresentador Fausto Silva – Programa Domingão do Faustão

Fausto Silva,

Tomo a liberdade de me dirigir publicamente a você, infelizmente ao que parece meus e-mails anteriores não chegaram até você.
Sou paranaense, professor, tenho 45 anos e vivo há 19 anos como meu companheiro David. Ano que vem completamos nossas bodas de porcelana.
Geralmente assisto a seu programa, principalmente às vídeos cacetadas.
Te admiro pela inserção no seu programa de matérias e quadros de cunho social e principalmente pelo seu bom humor. Enfim, Faustão você é gente boa. Sabemos por sentir isso e por declarações de muita gente que fala de você como alguém muito generoso com todos.
Seu programa é muito assistido e admirado por milhões de brasileiros e de brasileiras. Você é referência nacional,como apresentador.
Com certeza suas opiniões influenciam no comportamento dos seus(as) telespectadores(as).
Dirijo-me a você Faustão de uma forma, amistosa e gentil para falar do meu descontentamento sobre a forma como você aborda a homossexualidade no Domingão do Faustão. Esse é nosso papel na luta pela inclusão social e respeito à nossa forma de ser.
Veja uns exemplos:
10/05/2009 – você referiu um "suposto" homossexual pelo termo GAZELA

17/05/2009 – você refere-se a um "suposto" homossexual pelo termo BOIOLA

17/06/2009 - diz que um “suposto" homossexual MORDE A FRONHA

17/06/2009 - No programa leva ao ar o comentário do participante Leandro Hassun : ISTO É UMA BICHONA!

2009 - refere-se ao suposto homossexual pelo termo LIBÉLULA

2009 – ao ver dois homens se cumprimentando, diz: ISTO É COISA DE BOIOLA!

Estes são alguns poucos exemplos durante os quais a platéia ri de uma situação que é muito triste no Brasil e no mundo: a Homofobia.
Fausto Silva, você sabia que em sete países há pena de morte para os homossexuais e 80 países criminalizam os atos homossexuais? Que no Irã gays são enforcados em praça pública?
Que na pesquisa da UNESCO publicada em 2004 consta que 40% dos adolescentes não gostariam de estudar com um gay, uma lésbica ou uma pessoa trans? Que se utilizam dos mesmos adjetivos listados acima para nos designar? Inclusive eu mesmo já fui taxado assim na escola nos velhos tempos. No programa Profissão Repórter do competente Caco Barcelos (exibido no dia 19/05/2009) a reportagem apresentou a triste história de Iago um adolescente de 14 anos que se suicidou porque era discriminado na escola. Infelizmente isso é muito comum.
Faustão, você sabia que na última Parada LGBT (conhecida como parada
Gay) de São Paulo 22 pessoas foram feridas com uma bomba que uma pessoa jogou de um prédio, e que numa Rua próxima a Praça da República -no final da parada - um gay de 35 anos apanhou tanto que sofreu traumatismo craniano e morreu?
Fausto Silva, você sabia que a maioria dos pais não gostariam que seus filhos fossem gays, lésbicas, travestis ou transexuais porque temem que seus filhos e filhas sofram violência, discriminação e por serem motivo de piadas de mau gosto e assédio moral?
Aqui em Curitiba, cidade em que vivo, no ultimo mês 6 travestis e um gay foram barbaramente assassinados. E aqui e outras cidades somos perseguidos por grupos de extermínio como skinheads. Nos últimos 20 anos 2992 pessoas LGBT foram barbaramente assassinadas pelo simples fat ode serem LGBT, segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia.
O Código de ética dos jornalistas, (artigo n° 10, item d), a Resolução nº 489 do Conselho Federal de Serviço Social e Resolução nº 001/99 do Conselho Federal de Psicologia, todos determinam que os respectivos profissionais dessas áreas devam respeitar a orientação sexual e a identidade de gênero de todas as pessoas.Lutamos para que sejamos respeitados como cidadãos com direitos e sem medo de viver.
Atualmente são realizadas no Brasil 150 Paradas LGBT, esses eventos têm como objetivo pedir respeito e consideração a nossa condição de cidadãos e cidadãs. Inclusive, o próximo domingo - 28 de Junho - é o Dia Internacional do Orgulho LGBT, e será comemorado em várias cidades no Brasil e no mundo inteiro.
O atual governo federal elaborou o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com 180 ações contra a homofobia e a favor do respeito à diversidade humana, fruto de conferências LGBT nas 27 unidades da federação e da 1ª Conferência Nacional LGBT, cuja abertura foi prestigiada pelo presidente da república.
No Congresso Nacional existe uma Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT com 250 parlamentares (deputados(as) e senadores(as)) participantes que querem a criminalização da homofobia.
Neste sentido, Faustão, gente boa, gostaria muito que ao se referir a LGBT ou pessoas supostamente LGBT, você se dirigisse com mais respeito, na boa mesmo. Sem ressentimentos.
Piadas e chacotas podem levar adolescentes a cometer suicídio, podem levar pais e mães a expulsarem seus filhos de casas, podem reforçar atitudes violentas contra LGBT.
Faustão é triste e é dolorido ser discriminado. Sei que você nunca quis fomentar a violência, por isso Faustão nos ajude a diminuir a discriminação no Brasil. Não encare isto como censura ou policiamento do politicamente correto.
Afinal, nossa constituição é clara nos seus artigos 3º e 5º quando diz todos são iguais e não haverá discriminação de qualquer natureza.
Vamos construir um Brasil em que caibam todas as cores.
Vamos viver em harmonia como as cores do Arco-íris.
Se a cultura é adquirida, conforme definiu Lévi-Strauss, também pode ser mudada. Nos ajude a mudar essa cultura homofóbica.
Para citar também Nelson Mandela:
Ninguém nasce odiando outra pessoa
pela cor de sua pele,
ou por sua origem, ou sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.
Por meio desta carta aberta peço que de uma forma cidadã e divertida nos ajude a combater a violência, a discriminação, preconceito e principalmente as mortes contra a comunidade LGBT.
Conto com você e ajude-nos a divulgar a campanha www.naohomofobia.com.br que pede pela aprovação da Lei que criminaliza a Homofobia.

Um abraço

Toni Reis

*Toni Reis - Professor, Especialista em Sexualidade Humana, Mestre em Filosofia em ética e sexualidade e Doutorando em Educação.
Presidente da ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

terça-feira, 26 de maio de 2009

HENFIL - CARTAS DA MÃE - TRÊS PARTES







Cartas da mãe é uma crônica sobre o Brasil dos últimos 30 anos contada através das cartas que o cartunista Henfil (1944/1988) escreveu para sua mãe, Dona Maria. Estas cartas, publicadas em livros e jornais, são lidas pelo ator e diretor Antônio Abujamra enquanto desfilam imagens do Brasil contemporâneo. Política, cultura, amigos e amor são alguns dos temas que elas evocam, criando um diálogo entre o passado recente do Brasil e nossa situação atual. Artistas, políticos e amigos de Henfil, entre eles o atual Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, o escritor Luis Fernando Veríssimo, os cartunistas Angeli e Laerte e o jornalista Zuenir Ventura, falam sobre a trajetória do cartunista dos anos da ditadura militar até sua morte. Animações inéditas de seus cartuns complementam o documentário dirigido por Fernando Kinas e Marina Willer em 2003.

sábado, 16 de maio de 2009

CONTROLAR NÃO É EDUCAR! CARTA ABERTA BLOGUEIRA!!!

ISTO É UMA CARTA ABERTA BLOGUEIRA AOS CIDADÃOS DESTE PAÍS!! OU AQUELES QUE AINDA NÃO DESISTIRAM DE ENTENDER O QUE É SER CIDADÃO!

CONTROLAR NÃO É EDUCAR!!
É DIREITO DE NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS SEREM BEM EDUCADOS!!!
HÁ MUITO TEMPO NOSSA EDUCAÇÃO FALIU!!
NAS FAMÍLIAS E ESCOLAS AS COISAS EXISTEM SÓ PRA CONSTAR!!!
SERES HUMANOS TORNARAM-SE SIMPLES NÚMEROS A SEREM VIGIADOS POR TODOS OS LADOS!
E AINDA GOVERNADORES E PREFEITOS "CORONÉIS", PRETENDEM ESCAFODER TUDO AINDA MAIS!!!
ONDE ESTÁ A HUMANIDADE DESTES HOMENS!?
ONDE ESTÃO NOSSOS IMPULSOS VITAIS DE PRESERVAÇÃO!?
NOSSOS FILHOS SENDO DEFORMADOS E NEUROTIZADOS A TROCO DO QUE?
TEMOS SAÍDAS PRA TUDO ISSO!! SÓ NÃO VÊ QUEM É CEGO!!
E A CEGUEIRA CAUSADA POR TODO ESTE SISTEMA PODRE AFETOU A TODOS!!
HÁ FATOS QUE ANTES CEDO DO QUE TARDE!
ESCOLAS PARTICULARES QUE UTILIZARAM CÂMERAS EM SUAS ESCOLAS,
JÁ COMPROVARAM QUE É COISA QUE NÃO FUNCIONA!
ENTÃO SERRA ESTARIA BEM MAL INFORMADO ALÉM DE ESTAR SOFRENDO DA MEMÓRIA!????
PLEBISCITOS E MUITAS ASSEMBLEIAS SÃO URGENTES PRA QUE TODOS TOMEMOS CONSCIÊNCIA DE MUITAS COISAS A SEREM RESOLVIDAS!
ACATAR MANDOS E DESMANDOS DE HOMENS DO PODER NÃO É SER CIDADÃO!
PELO CONTRÁRIO!!!!!!
A BUROCRACIA BABACA IMPOSTA AOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO PARA NADA SERVE!!!
PERDE-SE TEMPO PRECIOSO ,QUE PODERIA ESTAR SENDO DEDICADO AOS ESTUDANTES!!
AS ESCOLAS SÃO DO POVO, ASSIM COMO OS HOSPITAIS, AS BIBLIOTECAS, E TODO PATRIMÔNIO CULTURAL, NATURAL E HISTÓRICO DAS CIDADES E ZONAS RURAIS!
E PARA TOMARMOS POSSE DE TUDO ISSO QUE É NOSSO TEMOS DE REINVINDICAR OS DIREITOS DE NOSSOS FILHOS,NETOS E OS NOSSOS TAMBÉM!
JOVENS E CRIANÇAS PRECISAM DE BONS EXEMPLOS!!!
POR ISSO EDUCADORES DE VERDADE ANTES PRECISAM SE AUTO EDUCAREM E TEREM CONDIÇÕES DIGNAS DE SEREM ETERNAMENTE ESTUDIOSOS E PESQUISADORES, PARA PODEREM DAR O EXEMPLO AOS SEUS ALUNOS!
COMO ISSO PODERÁ OCORRER SE OS SALÁRIOS SÃO UM LIXO!?
E SE O GOVERNO NÃO PROMOVE CURSOS ADEQUADOS AOS PROFESSORES!!??
TRANSIÇÕES SÃO COMPLEXAS, MAS UMA HORA OU OUTRA ELA SE INICIARÁ!
É PRECISO A MOBILIZAÇÃO DE TODOS, TANTO DOS PROFISSIONAIS QUANTO DE TODOS OS QUE PRETENDEM TORNAR-SE CIDADÃOS DE VERDADE!

NADIA STABILE - 16/05/09

terça-feira, 28 de outubro de 2008

CARTA ABERTA AO GOVERNADOR JOSÉ SERRA(clique aqui)

Exmo. Sr. Governador José Serra,

como admirador que sou de sua trajetória idealista, mormente no período anterior ao golpe militar que desencadeou o arbítrio, as perseguições políticas e a prática continuada e generalizada de atrocidades em nosso país, quero crer que suas convicções democráticas e seu apego aos valores civilizados continuem os mesmos de quando V. Exa. presidia a UEE e a UNE.

Entre o momento de sua opção pelo exílio para garantir a integridade física e a própria sobrevivência, em 1964, e o feliz reencontro com a pátria amada, em 1978, muitos fatos escabrosos aconteceram. A censura férrea então imposta à imprensa, bem como as intimidações que os usurpadores do poder praticavam sistematicamente contra os jornalistas, devem ter impedido que algumas ocorrências relevantes lhe chegassem ao conhecimento no Chile e Estados Unidos, onde V. Exa. desenvolvia brilhante carreira acadêmica.

Um deles foi a criação, dentro do atual 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar (teve diversos nomes até receber este definitivo em 1975), das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), uma unidade incumbida de combater a guerrilha urbana e que, depois de massacrados os combatentes da resistência à ditadura pela via armada, passou a aplicar os mesmos métodos de torturas e assassinatos contra criminosos comuns.

A bestial execução de três jovens inocentes de classe média por parte dos carrascos da Rota 66, em 1975, fez com que a opinião pública se desse conta da existência de grupos de extermínio legalizados a aterrorizarem a população dos bairros pobres de São Paulo.

O excelente livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos, documentou 4.200 casos de assassinatos cometidos pela Rota nas décadas de 1970 e 1980, tendo como vítimas, quase sempre, jovens pobres, pardos e negros (muitas vezes sem antecedentes criminais). Os inocentes atingidos por engano seriam em maior número do que os verdadeiros criminosos - cuja condição, claro, não eximia os policiais do dever de entregá-los à Justiça, ao invés de simplesmente abatê-los, como faziam.

Tudo é revoltante nos relatos de Barcellos: a impunidade dos criminosos que, nas raras vezes em que alguém ousava denunciá-los, eram julgados pelos próprios colegas de corporação; as arbitrariedades de toda ordem, como alterações nos cenários dos crimes, destruição dos documentos das vítimas, aceitação de depoimentos contraditórios e até ameaças aos profissionais íntegros que tentassem não envolver-se nessas farsas; a impotência das famílias que, sem recursos para custear advogados e exigir justiça, acabavam se conformando com a execução covarde de seus entes queridos...

Endeusada pelos jornais popularescos e sanguinários, a Rota era a menina dos olhos de Paulo Maluf, que lhe deu total liberdade de ação quando governador e depois, em suas campanhas políticas, sempre prometeu colocá-la na rua.

Os excessos cometidos pela Rota eram tão frequentes e chocantes que o jornal Folha de S. Paulo chegou a exigir, em editorial (06/02/1983), que o governo estadual desativasse a Rota, dando fim à sua "legenda sanguinária":
- O método de operação consagrado pela Rota e imitado, nos últimos tempos, por outras unidades da PM não é apenas essencialmente ilegal, porque baseado na detenção de "suspeitos" identificados por uma nebulosa intuição policial; não é só atentatório aos direitos humanos, porque conduz frequentemente à eliminação sumária desses "suspeitos" ou à extração de confissões mediante sevícias; é também intrinsecamente incapaz de conter a escalada da criminalidade, mas ao contrário a alimenta com doses de violência cada vez mais desatinada.

Mas, perguntaria V. Exa., por que estou a relembrar esses acontecimentos infames, referentes a um passado que nos envergonha e entristece?

Simplesmente porque, neste ano de 2008, em plena vigência da democracia, o 1º Batalhão de Choque Tobias de Aguiar - Rota destaca no seu site, com indisfarçável orgulho, os atentados que cometeu contra a democracia:
"Marcando, desde a sua criação, a história desta nação, este Batalhão teve seu efetivo presente em inúmeras operações militares, sempre com participação decisiva e influente, demonstrando a galhardia e lealdade de seus homens, podendo ser citadas, dentre outras, as seguintes campanhas de Guerra:
(...) - Revolução de 1964, quando participou da derrubada do então Presidente da República João Goulart, dando início à ditadura militar com o Presidente Castelo Branco;
- Campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, para sufocar a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca..."

Ou seja, o batalhão (hoje totalmente identicado com a Rota, a ponto de incorporar essa sigla funesta a seu nome) se vangloria de haver ajudado a derrubar um presidente legítimo e ainda mente quanto à fracassada campanha de Registro, quando 5 mil militares não conseguiram anular os gatos-pingados que estavam sendo treinados por Lamarca, sem que este tivesse instituído guerrilha rural nenhuma até aquele momento.

A retórica do site continua sendo a mesmíssima dos tempos da ditadura, embora, com a volta do Brasil à civilização, os atos antes vilipendiados estejam sendo vistos na correta perspectiva de resistência à tirania, enquanto a justa condenação cai sobre os mandantes e executantes do terrorismo de estado vigente naquele terrível início dos anos 70. Eis a voz do passado que continua ecoando no presente, à custa dos impostos pagos pelos contribuintes paulistas:

"Mais uma vez dentro da história, o Primeiro Batalhão Policial Militar 'Tobias de Aguiar', sob o comando do Ten Cel Salvador D’Aquino, é chamado a dar seqüência no seu passado heróico, desta vez no combate à Guerrilha Urbana que atormentava o povo paulista.

"Havia a necessidade da criação de um policiamento enérgico, reforçado, com mobilidade e eficácia de ação.

"(...) Surge então o embrião da ROTA, a Ronda Bancária, que tinha como missão reprimir e coibir os roubos a bancos e outras ações violentas praticadas por criminosos e por grupos terroristas."

Hoje, quando já se conhece o festival de horrores resultante desse "policiamento enérgico", é inadmissível que os espaços virtuais do Governo do Estado continuem se prestando à exaltação do extermínio e das práticas hediondas.

"Desativar a Rota", pedia a Folha de S. Paulo há 25 anos. Não só escapou dessa medida profiláxica, como continua até hoje sendo enaltecida pelo aparelho policial como uma tropa de elite, a exemplo daquela do Rio de Janeiro (cuja atuação real, aliás, está muito longe das fantasias literária e cinematográfica fascistóides).

Então, Governador, em nome do seu passado de exilado e em consideração ao passado de todos nós que permanecemos aqui e fomos barbarizados, peço-lhe que, pelo menos, determine que as peças de comunicação do seu Governo passem a ser as aceitáveis numa democracia.

Isto se não lhe apetecer tomar a atitude mais pertinente, que já está atrasada em um quarto de século: desativar a Rota!

Respeitosamente,

CELSO LUNGARETTI
EM: 28/10/2008
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