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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Carta de José Pacheco a Nise da Silveira - 2013



*Mensagem recebida pelo Whatsapp
Em tempos de angústias, incertezas e ebulição de sentimentos que transitam entre o amor e o ódio, vem os eflúvios da transformação. O texto abaixo me foi enviado pelo amigo e grande artista Marcio Cunha.

Carta de José Pacheco, nosso maior educador vivo, a Nise da Silveira, escrita em 2013 e publicada no livro "Aprender em Comunidade", do Professor José Pacheco. Uma profecia poderosa. (Rio de Janeiro, Setembro de 2013).

"Querida Nise,
dizia o Sartre que há dois tipos de pessoas que dizem a verdade: as crianças e os loucos. E que os loucos são internados em hospícios, enquanto as crianças são educadas. Ambos estão guetizados: os loucos em hospícios, as crianças nas escolas. A mesma sorte dos velhos relegados em lares da terceira idade. A salutar criatividade da infância é cerceada pela louca velha escola. Mas a busca da verdade e da beleza são domínios em que nos é consentido ficar crianças toda a vida, como nos dizia o sábio Einstein. E as pinturas dos considerados loucos, nos quais reconheceste genialidade, deram origem a um belo museu, são prova de que nem tudo está perdido. Há alguns dias atrás, estive no teu Engenho de Dentro, na boa companhia do Vítor e do Ney Matogrosso. O Hotel da Loucura vai provando ser possível, em imprevistos e improváveis lugares, retomar o rumo perdido da humanização, concretizar a utopia.
No discurso sobre educação, a palavra utopia é, geralmente, sinônima de impossibilidade. Porém, utópico será algo que indica uma direção, que requer intencionalidade e ação. Como diria Quintana, “se as coisas são inatingíveis... ora! / Não é motivo para não querê-las”. Concretizar utopias – recriar vínculos, rever e re-olhar, reelaborar as práticas – reconfigura a metáfora do Mito de Sísifo, o “inédito viável” freiriano. A nova educação, que emerge do sonho de todos nós, deverá formar o cidadão democrático e participativo, sensível e solidário, fraterno e amoroso, o ser humano dotado de educação integral.
Todas as teorias estão escritas. Todas as experimentações, reformas e modas já foram ensaiadas. Por isso, importa renovar a denúncia da guetização da juventude, a par com o anúncio da possibilidade de uma aprendizagem participativa e transformadora. Nunca será demasiada a afirmação da possibilidade de uma escola na qual os aprendizes aprendam a lidar com um conhecimento mutante, na busca da integração das diversas dimensões do humano “para garantir condições de se atribuir novos sentidos à existência e atender a necessidade do engajamento do sujeito na construção do futuro”.
O que se aprende dentro de um edifício escolar, que não possa ser aprendido fora dos seus muros? O espaço de aprender é todo o espaço, tanto o universo físico como o virtual, é a vizinhança fraterna.
Pois é, querida Nise, por todo o Brasil surgem o que poderei chamar protótipos de comunidades de aprendizagem, a partir da escola, embora elas possam ter outras origens. Refiro-me a práticas de eco-sustentabilidade, de estímulo ao espírito inventivo e criação de soluções novas, baseadas no princípio ético que nos diz que tudo o que for inovado o deva ser para benefício coletivo.
O modelo escolar não é o único modelo de educação e a educação deverá ser pensada mais a partir das comunidades que serve, do que a partir da instituição, de modo a que os processos de aprendizagem tenham um papel transformador nas sociedades. A escola é o equipamento social mais abundante, uma das maiores conquistas do povo, numa área de escassos quilômetros quadrados, encontraremos meia dúzia de escolas e apenas um hospital. Mas as comunidades de aprendizagem não dependem da existência de um prédio escolar (a “pedagogia predial”, como o Lauro ironizava) e sim da utilização de prédios e espaços da comunidade, nos quais, os estudantes possam, junto à comunidade, aprender e exercer cidadania, desfrutando de seus direitos ou realizando seus deveres, para o bem de toda a comunidade. Que a escola não seja somente interface com a realidade, mas espaço onde ocorrem atos contributivos do desfazer do abismo entre a realidade escolar e outras realidades.
Tampouco a aprendizagem depende apenas do professor, pois é necessária uma tribo inteira para educar uma criança. Ainda há quem pense que basta decorar matéria e vomitá-la numa prova, sem perceber que a maior parte dos conteúdos supostamente aprendidos (segundo pesquisas recentes) se esvai da memória, alguns meses após a prova. Aliás, uma prova quase nada prova. E na sigla IDEB (por seres pessoa sábia, não irias entender, se eu tentasse explicar o que seja...), que tanto preocupa professores, escolas e secretarias, e faz submeter os pobres alunos a simulados e intensos treinamentos, as letras ID não significam (como pretendem alguns) “índice de desenvolvimento”, mas “índice de decoreba”. Creio que esses loucos não diagnosticados não terão lido Paulo Freire na universidade. No seu curso de formação, talvez nenhum dos seus professores lhes tenham dito que ninguém educa ninguém, como tão pouco ninguém educa a si mesmo, e que os homens se educam em comunhão, mediados pelo mundo.
Urge rever os conceitos de espaço e tempo de aprendizagem, para que os “paidagogos” não mais conduzam as crianças da comunidade para a escola, mas as libertem da reclusão num gueto escolar e as devolvam à comunidade, na qual a escola constitui um nodo de uma rede de aprendizagem colaborativa. As escolas poderão constituir-se em espaços de cultura, lugares onde os saberes eruditos se casam com os saberes populares, onde a transformação acontece na partilha de conhecimento produzido. Crianças, jovens e adultos poderão utilizar essas escolas, sempre que desejarem, ou precisarem. Sem necessidade de entrar na escola no horário-padrão de aula, ou ter “falta” por chegar atrasado. Sem necessidade de perua e ônibus (como já nos avisava o Anísio, há décadas atrás), sem departamentos de “transporte escolar”, onde se esgotam recursos (em funcionários administrativos, motoristas, seguranças, manutenção, combustível, quando não se constitui em ninhos de corruptos e máfias...), se força a criança a acordar de madrugada e penar longas viagens, para ouvir algumas horas de aula, onde quase nada aprende e através das quais, começa a colaborar com a desertificação das comunidades, que deveria ajudar a desenvolver.
Isso expliquei, em pormenor, a muitos políticos e a gente que se diz professor. Disse-lhes que um novo modelo de educação não pode alicerçar-se no velho e que àquilo que é novo não devem ser aplicados raciocínios dedutivos. Nada adiantou, querida Nise. A loucura benévola daqueles que estão no Engenho de Dentro em nada se compara à loucura daqueles que, fora do hospício, insistem em manter um sistema falido, gerador de ignorância e infelicidade. Estes são os loucos de que nos falava Einstein. Vão delapidando o erário público em projetos, pactos, programas, capacitações, consultorias, assessorias e outras inutilidades. A última pesquisa dada a conhecer aponta como dado que o desperdício anual é de cerca de 56 bilhões de reais. É, ou não é uma loucura?
Quero crer, amiga Nise, que, depois de tempos sombrios, há de despontar a claridade que ponha fim à loucura. Que terá chegado o tempo de, à semelhança do Jung, o Brasil te encontrar."


INÍCIO 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

SÓ MAIS UM TIJOLO



Pink Floyd com seu The Wall,
tem tudo a ver com a visão de educação
que descobri em 2005.

esta educação tradicional falida 
que já deveria ter sido enterrada
no século retrasado empesteia tudo

você é só mais um tijolo no muro,
seja nada, embarque no individualismo
e esqueça sua individualidade!
esqueça-se de quem é você,
esqueca-se de sua origem,
enterre tudo o que de vivo existe em você,
é melhor você seguir a boiada,
a massa de outros tijolos,
sua mesa de trabalho, não é sua,
é de todos, seu armário não é seu,
todos o usam, a forma como você 
se comunica é igualzinha a forma
dos outros, pelo tais aplicativos
que tem feito pessoas falarem 
sozinhas pelas ruas,
assemelhando-se a sonâmbulos...
não seja crítico, obedeça seus professores,
releve seus interesses,
jogue no lixo suas questões,
torne-se só mais um tijolo.


nadia gal stabile - 31 12 2014



terça-feira, 26 de agosto de 2014

o que somos



a foto de cima foi clicada por Geraldo,
parente de um cunhado, esqueci o sobrenome dele.
a outra foto é de 1963, quando eu estava no pré primário.
tinha 18 anos na de cima, tinha entrado na faculdade
e comecei a ser professora substituta de educação artística
numa escola pública num bairro vizinho de onde eu morava.
outro dia fui encontrada por uma aluna daqueles tempos, no facebook.
ela  está com 48 anos e eu com 56. ela foi a aluna mais especial que tive,
escrevia-me cartinhas, estava com 10 anos de idade na época, que coisa
extraordinária é esta de cada um ter suas características e se forem
tão especiais quanto esta! eu respondia as cartinhas dela e guardo até hoje
tais cartas. parece que a questão da educação pra mim, desde lá ficou forte demais.
em 1976 eu com meus 18 anos, era mais criança que os alunos, mas foi genial ter tido esta experiência! desde lá reconheci a importância da expressão pelo desenho que
as crianças e jovens  usam tão bem, lembro que eu ficava hiper surpresa com os desenhos e com todas as formas de expressão que eram propostas a eles.
na época eu não tinha muita consciência dos graves problemas da educação no Brasil, hoje tenho e ando lutando desde 2005 quando fiz um curso ótimo  sobre educação democrática :  https://www.facebook.com/cursoeducacaodemocratica?fref=ts
foi nesta época que também entendi a enorme importância da Internet para a educação e a cultura.

precisamos entender que o que somos depende quase que totalmente da educação que temos.

nadia gal stabile - 26 08 2014


quinta-feira, 20 de maio de 2010

DA DERRUBADA DAS GRADES À DERRUBADA DAS PAREDES

Horário: 26 maio 2010 de 15:00 a 17:00
Local: UMAPAZ - Univ. Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz

Situada em bairro de alta heterogeneidade social e cultural, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima teve, ao longo dos anos, o privilégio de receber também uma clientela heterogênea e múltipla, apresentando problemas centrais de indisciplina, alto índice de falta dos alunos e aulas vagas, devido à elevada ausência de professores.

Para reverter esse quadro, a pedido do Conselho de Escola, a psicóloga Rosely Sayão formulou e apresentou, em setembro de 2003, uma proposta de assessoria, no sentido de se ir implantando, na Amorim Lima, dispositivos inspirados no Projeto Fazer a Ponte, Escola Portuguesa.

No dia 26 de maio, às 15h, a UMAPAZ receberá a pedagoga e diretora da EMEF Amorim Lima para falar sobre essa experiência, abordando as bases conceituais da aprendizagem, do currículo e dos valores que fundamentam o projeto ali implantado.

___________________________________________

Palestra – “Da derrubada das grades à derruba das paredes”

Palestrante: Ana Elisa Siqueira

Coordenação: Shirley Dayse Gomes Pellicciari

Público focalizado: educadores, pedagogos, professores, psicopedagogos, psicólogos e profissionais da educação.

Participação gratuita
Não é preciso se inscrever. Pedimos chegar com 15 minutos de antecedência.
http://romanticos-conspiradores.ning.com/events/event/show?id=2765393%3AEvent%3A19010&xg_source=msg_invite_event
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A NOÇÃO DE LIBERDADE NO "EMÍLIO" DE ROUSSEAU (REPOSTAGEM - CLICADA 272 VEZES NO MÊS DE MARÇO de 2010)

 POSTADA EM 15 DE MAIO de 2009 NESTE BLOG
http://sarauxyz.blogspot.com/2009/05/nocao-de-liberdade-no-emilio-de.html

Luiz Felipe Netto de Andrade e Silva SAHD

RESUMO: A educação natural de Rousseau é uma tentativa de mostrar como
as paixões, se liberadas da deformação provocada pela opinião social, po-
dem ser moralmente corretas. Se o Emílio, afirma Rousseau, é um tratado so-
bre a bondade natural do homem, esta bondade está fundada sobre a liber-
dade, e, sobretudo, sobre a liberdade das paixões.

PALAVRAS-CHAVE: educação, bondade natural, liberdade.

Na Carta a Philibert Cramer, de 13 de outubro de 1764, Rousseau
sugere que a análise atenta de seu pensamento filosófico deve ser em-
preendida a partir da leitura do Emílio (Rousseau, 1929, p.339). Segundo
o autor, ele permite melhor compreender a ordem entre seus escritos e
alcançar os princípios fundamentais de seu “sistema”. Aceitando a in-
dicação e o desafio proposto, o presente artigo tem como objetivo re-
construir argumentos centrais desenvolvidos por Rousseau acerca da
constituição da noção de liberdade segundo o Emílio, isto é, segundo as
duas etapas que caracterizam o seu conteúdo, a educação pela liberda-
de e a educação para a liberdade.


A proposição que inicia o capítulo primeiro do Contrato Social, “o
homem nasceu livre e por toda parte se encontra sob grilhões” (Rous-
seau, 1964b, p.351), encontra o seu exemplo no Emílio. Nesse “romance
da natureza humana”, Rousseau tem como objetivo principal demons-
trar que o homem da natureza, “saindo das mãos do Autor das coisas”,
difere radicalmente do homem civil, que “nasce, vive e morre na escra-
vidão” (Rousseau, 1969a, p.63). Como se manifesta, pergunta o autor, a
liberdade natural do homem? No âmbito físico, ela se identifica com a
necessidade natural de movimento, cujos impedimentos à sua satisfa-
ção cria obstáculos ao desenvolvimento normal da criança e engendram
efeitos físicos nefastos. Se a liberdade é um bem e a necessidade de
movimento é a sua primeira manifestação, o uso “desnaturado” (déna-
turé) da mesma representaria um excesso condenável, pois toda justifi-
cação desta prática não passaria de raciocínios inúteis da nossa falsa
sabedoria jamais confirmados por nenhuma experiência. Nessa pers-
pectiva, pode-se afirmar que uma educação adequada é aquela que res-
peita a liberdade física da criança. Nas palavras de Rousseau:

"Da multidão de crianças que, entre povos mais sensatos do que nós, são
criadas com toda a liberdade de seus membros, não se vê uma só que se fira ou
se mutile; não dariam a seus movimentos a força que pudesse torná-los perigo-
sos e, quando assumem uma posição violenta, a dor logo as adverte de que de-
vem mudá-la. (Rousseau, 1969a, p.255-56"

Esta liberdade de movimento deve ser preservada quando a criança
cresce, uma vez que os seus efeitos serão benéficos para o desenvolvi-
mento de seu corpo (Rousseau, 1969a, p.278). Quando a criança conclui
alguns progressos e as suas faculdades estão finalmente desenvolvidas,
alcançando o estágio em que deveremos considerá-la um ser moral, sua
verdadeira liberdade, segundo Rousseau, ultrapassa a liberdade inicial
de movimento e se transforma numa liberdade da vontade. Mais exata-
mente, a criança é livre quando é capaz de realizar a sua vontade. Mas o
que significa afirmar exatamente “fazer a sua vontade” (faire sa volonté)?

É, segundo o autor, ser capaz de bastar a si mesmo sem apresentar nenhu-
ma dependência externa: “O que faz a sua vontade é aquele que não precisa
para tanto colocar o braço de outrem na ponta dos seus. Segue-se daí que o pri-
meiro de todos os bens não é a autoridade, mas a liberdade. O homem verda-
deiramente livre só quer o que pode e faz o que lhe agrada. (Rousseau, 1969.pag.309)

(...)

LEIA NA ÍNTEGRA EM :
http://www.scielo.br/pdf/trans/v28n1/29409.pdf

quinta-feira, 11 de março de 2010

"QUEM É,É E TÁ ACABADO!"

quem sabe faz,
às vezes o cara é doutor, mas não faz nada que presta!
meu pai sabia mais que engenheiro formado pela USP!
na época (década de 20,30,do séculoXX)tinha estudado
na escola técnica Getúlio Vargas e no Liceu de Artes e Ofícios!
A educação antiga era bem melhor.
Quem tem talento pras coisas, títulos não querem dizer nada!
existe escola pra formar poeta? dizia meu pai!
José Reis é um exemplo e tanto!
o que ele fazia...era dom, era vocação, era missão,
independente de diplomas e títulos!
nós brasileiros precisamos parar de valorizar tanto
certas coisas e valorizar as coisas e pessoas que tem valor mesmo!
tantos empreendedores   no Brasil, que quase nem estudaram formalmente!
geralmente fazem as coisas na raça,
buscando por conta deles as ferramentas para produzir coisas essenciais!
mentalidades precisam mudar! professores precisam ser informados,
que o mundo mudou! Paulo Freire e Ivan Illich há muito
alertaram ... a escola está obsoleta, o sapato velho furou,
a sociedade mudou, as pessoas não são mais as mesmas de 30 anos atrás!
todos sabem que num país de contrastes e de privilégios,
diplomas de doutor nas paredes são suspeitíssimos!
hoje o que vale é o profissional que vive seu tempo!
Brasil, o país dos coronéis!...e...
O país dos grandes anarquistas!
o futuro é anarquista!

Nadia Stabile - 11/03/10

sexta-feira, 5 de março de 2010

A COMPREENSÃO HUMANA - EDGAR MORIN

Os sete saberes necessários à educação do futuro.


A COMPREENSÃO HUMANA


O quarto aspecto é sobre a compreensão humana. Nunca se ensina sobre como
compreender uns aos outros, como compreender nossos vizinhos, nossos parentes, nossos
pais. O que significa compreender?
A palavra compreender vem do latim, compreendere, que quer dizer: colocar junto
todos os elementos de explicação, ou seja, não ter somente um elemento de explicação,
mas diversos. Mas a compreensão humana vai além disso, porque, na realidade, ela
comporta uma parte de empatia e identificação. O que faz com que se compreenda alguém
que chora, por exemplo, não é analisar as lágrimas no microscópio, mas saber o significado
da dor, da emoção. Por isso, é preciso compreender a compaixão, que significa sofrer
junto. É isto que permite a verdadeira comunicação humana.
A grande inimiga da compreensão é a falta de preocupação em ensiná-la. Na
realidade, isto está se agravando, já que o individualismo ganha um espaço cada vez maior.
Estamos vivendo numa sociedade individualista, que favorece o sentido de
responsabilidade individual, que desenvolve o egocentrismo, o egoísmo e que,
consequentemente, alimenta a autojustificação e a rejeição ao próximo.
A raiva leva à vontade de eliminar o outro e tudo aquilo que possa aborrecer. De
certa maneira, isto favorece ao que os ingleses chamam de self-deception, isto é, mentir a si
mesmo, pois o egocentrismo vai tramando sempre o negativo e esquecendo dos outros
elementos.
A redução do outro, a visão unilateral e a falta de percepção sobre a complexidade
humana são os grandes empecilhos da compreensão. Outro aspecto da incompreensão é a
indiferença. E, por este lado, é interessante abordar o cinema, que os intelectuais tanto
acusam de alienante. Na verdade, o cinema é uma arte que nos ensina a superar a
indiferença, pois transforma em heróis os invisíveis sociais, ensinando-nos a vê-los por um
outro prisma. Charlie Chaplin, por exemplo, sensibilizou platéias inteiras com o
personagem do vagabundo. Outro exemplo é Coppola, que popularizou os chefes da Máfia
com “O Chefão”. No teatro, temos a complexidade dos personagens de Shakspeare: reis,
gangsters, assassinos e ditadores. No cinema, como na filosofia de Heráclito:
“Despertados, eles dormem”. Estamos adormecidos, apesar de despertos, pois diante da
realidade tão complexa, mal percebemos o que se passa ao nosso redor.
Por isso, é importante este quarto ponto: compreender não só os outros como a si
mesmo, a necessidade de se auto-examinar, de analisar a autojustificação, pois o mundo
está cada vez mais devastado pela incompreensão, que é o câncer do relacionamento entre
os seres humanos.

LEIA MAIS EM :
http://www.rubervalmaciel.com/arquivo/materias_aula/atividade/1243100145.pdf

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SUMMERHILL - AUTO-REGULAÇÃO,SEXO,LIBERDADE....

http://www.futuroeducacao.org.br/biblio/Summerhill.pdf

HABLANDO SOBRE SUMMERHILL

A. S. NEILL


CAPÍTULO I

AUTORREGULACION

HE ESCRITO tantos libros sobre educación que posiblemente ya no encuentre nada nuevo que aña­dir. Leer los libros que uno mismo escribe es muy penoso, y es por eso que yo no suelo releer los míos; así que tal vez en las páginas que siguen me repita con frecuencia. Aunque no creo que esto importe mucho, pues el lector olvida pronto lo que lee. Pero el motivo de este libro es, sin embargo, muy claro: deseo responder a los cientos de preguntas que tantos visitantes me han formulado. Y la primera cuestión que encabeza la lista es la siguiente:

¿CÓMO SE PUEDE DISTINGUIR LA LIBERTAD DEL LIBERTINAJE?

UN AMIGO me pidió que escribiera un libro acer­ca de esto mismo y me decía: "Habiendo leído tantos padres tu libro Summerhill, debes sentirte culpable, considerando que ellos han tratado has­ta entonces a sus hijos con disciplina, y que tú les dices que a partir de ahora son libres. La con­secuencia viene a ser que haya un sinfín de niños consentidos, ya que los padres no tienen no­ción de lo que es la libertad. Ellos no se dan cuen­ta de que libertad es igual a tomar y dar, puesto que implica libertad tanto para los padres como para los hijos. Esa clase de padres piensan que li­bertad viene a ser lo mismo que hacer lo que a uno le da la gana."
En América tuve la impresión de que allí los niños confunden bastante la libertad. Por ejem­plo, si voy a visitar a alguien con quien me gusta sostener una charla interesante, es corriente que con esa persona se encuentren su esposa y sus dos niños, cuya consecuencia viene a ser que los niños son los que monopolizan toda la conversación. Hoy mismo vino una visita a mi habitación, y a tres niños que había dentro, les dije: "Vamos, mu­chachos, despejen el campo, tengo que hablar con este señor." Y se marcharon. Pero también puede suceder a la inversa, es decir, que sean ellos los que me pidan que yo me largue, por ejemplo cuando quieren estar solos para hacer cualquier cosa.
Pero téngase en cuenta que eso es para mí más fácil que para los padres, pues yo muy pocas veces tengo que negar algo a un niño, porque en la escuela quien manda es la comunidad misma y no yo. Comprendo, sin embargo, que esto resultaría muy difícil a la madre que mientras cocina tiene a su alrededor a tres niños que la están molestan­do. El remedio debiera ser que los niños no se en­contraran en el mismo ambiente de los adultos. Porque, en realidad, ninguna de las cosas que tenemos en casa -estanterías de libros, adornos, relojes de pared, etc.-, le dice al niño absolutamente nada. Los niños, claro, necesitan otro am­biente, pero sabemos que únicamente mansiones muy ricas pueden disponer de cuartos especialmen­te configurados para ellos; pero, en ese caso, el niño suele estar rodeado de niñeras que no saben nada de la naturaleza infantil. Por lo tanto, los niños no deberían pisar ni la cocina, ni la sala de visitas, sino tener sus propios cuartos, sus domi­nios, por decirlo así; mas la realidad es que no los tienen. Pero, no obstante, si una madre mantiene contacto con su hijo, y si éste no siente miedo an­te ella, entonces al niño se le puede decir no sin hacerle ningún daño.
Por desgracia, muchos lectores tienen una idea de Summerhill muy vaga. Krishnamurti diría que la tienen a un nivel verbal; idea que debería ser más vívida, completa, y, al fin, emocional (...) leia mais clicando no link do início

CURSO DE FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA - POLITEIA

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA 2010


A autonomia está em voga no discurso pedagógico. Quase todos os projetos pedagógicos das escolas têm por objetivo formar uma pessoa autônoma, um sujeito crítico, um cidadão. Mas quando e como começa a experiência da autonomia? Ora, não há outra maneira de tornar-se autônomo que não pela experiência própria da democracia.

A educação democrática tem uma tradição centenária, embora só recentemente esteja se tornando conhecida. São escolas que buscam revolucionar as relações no seu interior: abolindo a compulsoriedade das atividades acadêmicas, buscando formas mais eficientes e não-competitivas de avaliar o processo de ensino-aprendizagem e compartilhando um espaço de gestão administrativa e pedagógica com educadores, estudantes e pais.

O Curso de especialização em Educação Democrática é ministrado desde 2002 e tem por objetivo apresentar as correntes teóricas da educação democrática, assim como a experiência das principais escolas como Iasnaia Poliana, Summerhill e Escola da Ponte.

Essa tradição de pensamento se atualiza no contexto das novas tecnologias de informação e comunicação que possibilitam o auto-aprendizado e a produção colaborativa de conhecimento. O objetivo final é que os participantes desenvolvam projetos que disseminem os princípios democráticos em suas organizações.

A Politeia tem como objetivo firmar parcerias com a administração pública para oferecer o curso aos professores das redes públicas de ensino, além de parcerias com Universidades e outros agente educacionais para suprir a demanda de interessados fora da região metropolitana de São Paulo.

Este curso já foi oferecido em parceria com a Prefeitura de Mairinque para os professores da rede deste município e dos vizinhos Araçariguama, São Roque e Alumínio; em parceria com a Prefeitura de Campos do Jordão para os gestores da rede municipal; em parceria com ONG de São Paulo e do Rio de Janeiro, para o público em geral.

Além das turmas organizadas na sede da Politeia, os cursos presenciais podem ter diferentes formatos: semestrais, aos finais de semana, intensivos ou como melhor se adaptar ao grupo interessado.

O curso apresenta aos participantes as experiências precursoras da educação democrática, projetos pedagógicos atuais e seus principais pilares: gestão democrática, autonomia, liberdade, autoridade, currículo, aprendizado e interesse são alguns dos temas presentes nos textos, vídeos e exercícios que compõem os encontros do curso.

Encontros às terças-feiras das 19h às 21h - início após o carnaval
Carga horária: 32 horas
25 vagas
Valor: R$ 520,00 em até 4 vezes ou R$ 500,00 à vista


INSCRIÇÃO


Para realizar sua inscrição é necessário enviar um e-mail para secretaria@politeia.org.br com os seguintes dados:

Nome/ Telefone/ E-mail/ Área de atuação/ Forma de pagamento.

A inscrição será efetivada com o pagamento no 1º dia do curso (02/03) na secretaria da Associação.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

METARECICLAGEM - Apropriação tecnológica para a transformação social


metareciclagem

MetaReciclagem é uma rede auto-organizada que propõe a desconstrução da tecnologia para a transformação social.

Se você quer ser desconstruídx e re-construídx, ter suas idéias modificadas, reificadas, pisoteadas e amadas, se seu ego é grande o suficiente para ter amor ao que faz mas consegue reconhecer o que os outros fazem sem inveja, se não está aqui buscando promoção social, mérito ou grana, e se, acima de tudo, acredita em fadas, duendes e um mundo perfeito, seja bem-vindx à rede Metareciclagem.
Uma rede onde malucxs conversam, jogam bola, mandam emails, discutem e fazem as pazes, filosofam sobre vida e morte, colaboração, apropriação de tecnologia, como as coisas são por dentro, de onde viemos e para onde vamos.
Aviso de utilidade pública: Não nos responsabilizamos pelas modificações causadas nos seus neurônios após o convívio (prolongado ou não) com esta comunidade. Use com moderação.

Se apesar de todos esses avisos você ainda está à procura de pessoas que fazem MetaReciclagem, o mais fácil é cadastrar-se na lista de discussão. Você também pode consultar o histórico da lista ou navegar por este site para descobrir mais. Ainda pode encontrar Esporos e ConecTAZes ou explorar o wiki
Para enviar uma mensagem, use o formulário de contato.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O QUE É DESCONFERÊNCIA? (DO WIKI DO AMIGO L.ALGARRA)

Desconferência

De WikiPapagallis

[editar] Descrição

Este é um evento para um número grande de pessoas, geralmente a partir de quarenta. Todos são convidados a apresentar seus temas ou assuntos de interesse. Em seguida podemos apresentar alguns formatos já conhecidos para que os participantes organizem suas apresentações. Entre estes formatos temos: palestra, debate, entrevista, painel, mesa-redonda, apresentação clássica, aula, etc.
Os participantes podem então formatar seus temas, escolher seus formatos, planejar a duração e propor seu evento para que este seja lançado em uma grade de programação espontânea, organizada de acordo com os espaços disponíveis nas salas e áreas adjacentes.

[editar] Referências

Os princípios que guiam uma desconferência são diretamente influenciados pelo trabalho do autor e consultor Harrison Owen, que descreve um método de organizar grupos de interação, chamado Open Space Technology.
Owen em seu artigo "Opening Space for Emerging Order", explica os Quatro Princípios do Open Space:
1) Seja quem for que veio, é a pessoa certa;
2) O que quer que aconteça, é apenas aquilo que deveria ter acontecido;
3) Quando quer que comece é na hora certa;
4) Quando acaba, acabou;
E acompanhando a Lei dos Dois Pés afirmando que, "Se a qualquer momento você encontra-se em qualquer situação onde você não estiver nem aprendendo ou contribuindo – use seus dois pés e dirija-se para um lugar mais ao seu gosto".

[editar] Infraestrutura

Idealmente o evento deve começar em um grade auditório com capacidade para receber todos os participantes. Depois da reunião inicial vários espaços são úteis e necessários ao bom andamento da desconferência. Salas de apoio, áreas de convivência, páteos, refeitórios, bibliotecas, áreas de estar e qualquer canto onde um grupo de pessoas possa se reunir confortavelmente para uma conversação de aprendizado.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Auto-regulação da aprendizagem - Luiz Gustavo Lima Freire

FONTE : http://www.cienciasecognicao.org/pdf/v14_2/m318358.pdf

Self-regulation of learning
Luiz Gustavo Lima Freire
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (FPCE), Universidade de Lisboa, Lisboa,
Portugal
Resumo
Este ensaio descreve o conceito ou construto da auto-regulação da aprendizagem, discutindo
suas fases, componentes, e importância no cenário educacional contemporâneo. Trata-se de um
estudo bibliográfico, assente nos pressupostos de autores que têm se debruçado sobre a
temática. O objetivo desse estudo é contribuir para a construção do conhecimento relacionada
ao processo ensino-aprendizagem, apresentando estratégias que permitam aos alunos,
professores e demais intervenientes do processo educativo, auto-regularem suas aprendizagens.
© Cien. Cogn. 2009; Vol. 14 (2): 276-286.
Palavras-chave: escola; auto-regulação; aprendizagem; metacognição.
Abstract
This assay describes the concept or construct of learning self-regulated, discussing its stages,
components and relevance in the educational state of the art. This is a literature search, based
on the assumptions of authors who have been working on the theme. The aim of this study is
contribute to the knowledge construction related to the teaching-learning process, presenting
strategies that enable students, teachers and other stakeholders in the educational process,
self-regulate their learning. © Cien. Cogn. 2009; Vol. 14 (2): 276-286.
Keywords: school; self-regulation; learning; metacognition.
Introdução
O presente estudo tem como objetivo permitir um conhecimento mais aprofundado do
construto da auto-regulação da aprendizagem. Para possibilitar a realização dessa proposta
refletiremos sobre a competência dos estudantes para serem ativos durante a aprendizagem,
exercendo controle sobre seus processos cognitivos, metacognitivos e motivacionais, de modo
a adquirirem, organizarem e transformarem as informações adquiridas ao longo do tempo.
O termo metacognição será evidenciado, dada a sua importância e aplicabilidade na
educação. Trata-se do conhecimento, controle e monitorização que as pessoas são capazes de
realizar relativamente a sua própria cognição.
Com as constantes transformações sociais, políticas e tecnológicas, temos assistido a
uma desenfreada mudança de paradigmas. Isso se reflete na educação e principalmente na
construção do conhecimento, obrigando professores e alunos a repensarem as suas práticas
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Ensaio
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como condição imprescindível para que possam continuar agindo autonomamente e de uma
forma crítica em relação à sociedade.
A informática, o e-mail, e a globalização, têm produzido uma carga de informação,
com a qual o homem não está conseguindo lidar. Nesse sentido:
“(…) reconhece-se à incapacidade do homem consumir toda a informação, sendo por
conseguinte indispensável desenvolver o indivíduo como um ser estratégico, gestor da
multiplicidade de dados com que tem que lidar.” (Simão, 2002: 13)
Não basta aprender os conteúdos curriculares formais, mas principalmente poder fazer
escolhas críticas, estar preparado para o “novo”, poder agir com autonomia, e saber gerir a
informação. A atualidade exige que os indivíduos reflitam, buscando novas soluções e idéias,
pois os velhos procedimentos já não atendem às necessidades cambiantes modernas, daí o
imperativo do pensamento flexível e inovador, capaz de estabelecer soluções (Freire, 2006a,
2006b). No entanto, essas competências só poderão ser estimuladas através da compreensão
dos conteúdos, e de um ensino-aprendizagem que promova a auto-regulação do aluno para
aprender.
A memorização é uma componente indissociável do processo de ensinoaprendizagem,
mas não deve ser sua última finalidade. É obvio que aprender implica
processos de retenção, que o aluno deverá ser capaz de realizar através da codificação
simbólica e da condensação das informações, o que lhe permitirá estabelecer uma rede
integrada capaz de se sustentar na consciência pelo seu caráter afetivo e usual (Duarte, 2002;
Freire, 2006a).
Mas, esse não deve ser o seu objetivo exclusivo. Para além de reter a informação, ele
precisa compreendê-la, ou seja, atribuir um sentido pessoal a ela, porque é através disso que
será capaz de não só, guardar o conhecimento e aplicá-lo em longo prazo, como também, se
transformar, no sentido de conhecer a si próprio permanentemente como sujeito coresponsável
pelas suas aprendizagens e susceptível às transformações que elas provocam,
sejam comportamentais, cognitivas ou afetivas (idem).
Segundo Morin (2001) é preciso ensinar estratégias que permitam enfrentar os
imprevistos, o inesperado e a incerteza, modificando seu desenvolvimento, em virtude das
informações adquiridas ao longo do tempo.
Dessa forma, roga-se à escola que transforme seu papel como instituição de ensino.
Sendo necessário introduzir e desenvolver, através de práticas educativas baseadas na
compreensão, a autonomia dos alunos, apoiada num papel mais ativo dos mesmos, já que não
basta mais, transmitir, mas encorajá-los a serem capazes, eles próprios, de selecionarem,
construírem e transferirem o conhecimento. “À escola compete educar os estudantes para que
eles saibam de uma forma, crítica e motivada, assumir um papel construtivo nas suas próprias
aprendizagens ao longo da vida” (Silva et al., 2004:12).
Nesse sentido, um dos aspectos a privilegiar é a transferência do conhecimento, ou
seja, a possibilidade dos alunos poderem utilizar o conhecimento adquirido na escola, nas
situações do dia a dia. Miranda (2005: 257) confirma esse aspecto afirmando que:
“(…) a escola deveria preparar os estudantes para serem capazes de se adaptar de um
modo flexível a novos problemas e situações, isto é, deveriam ensinar os alunos a
transferir os conhecimentos acadêmicos às situações cotidianas da vida”.
Estudos têm demonstrado que os alunos que dominam os processos de aprendizagem
através de um maior controle das motivações e dos aspectos cognitivos e contextuais, são
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mais auto-regulados e obtêm melhores resultados acadêmicos (Silva et al., 2004; Duarte,
2002; Simão, 2002).
Perrenoud (1999: 96) conceitua a auto-regulação como as “capacidades do sujeito para
gerir ele próprio seus projetos, seus progressos, suas estratégias diante das tarefas e
obstáculos.” Na realidade todas as pessoas possuem um certo grau de auto-regulação, mas
importa que esse grau, e em especial nos e para os processos de aprendizagem escolar, seja
elevado, o que certamente favoreceria uma autonomia progressiva no aprender e por extensão
na própria vida.
“Para aprender, o indivíduo não deixa de operar regulações intelectuais. Na mente
humana, toda regulação em última instância, só pode ser uma auto-regulação, pelo
menos se admitirmos as teses básicas do construtivismo: nenhuma intervenção externa
age se não for percebida, interpretada, assimilada por um sujeito. Nessa perspectiva,
toda acção educativa só pode estimular o autodesenvolvimento, a auto-aprendizagem, a
auto-regulação de um sujeito, modificando seu meio, entrando em interacção com ele.
Não se pode apostar, afinal de contas, senão na auto-regulação.” (Perrenoud, 1999: 96)
Segundo Zimmerman (2000) a auto-regulação da aprendizagem pode ser definida
como qualquer pensamento, sentimento ou ação criada e orientada pelos próprios alunos para
a realização dos seus objetivos.
Enquanto, Silva e colaboradores (2004:13) sugere que:
“A aprendizagem regulada pelo próprio estudante resulta da interacção de
conhecimentos, competências, e motivações, que são necessários ao planeamento, à
organização, ao controlo e à avaliação dos processos adoptados e dos resultados
atingidos.”
Essas três concepções acerca da Auto-regulação da aprendizagem realçam em maior
ou menor grau, o caráter efetivamente intencional da ação, com vistas a um objetivo
previamente estabelecido. Os processos através dos quais se pode alcançá-los dependem das
características individuais e contextuais, ou melhor dito, da capacidade do aluno refletir e
operar sobre essas mesmas características.
Posto isto, um aspecto importante, é saber como os pais e os professores podem
incentivar a tomada de consciência do aluno nessa direção. O ensino que privilegia a
autonomia dos estudantes possui especificidades e exigências próprias, vistas como condições
imprescindíveis para o sucesso e bons resultados. As crenças e atitudes dos pais, assim como,
a forma de ensinar dos professores influenciam enormemente a auto-regulação dos estudantes.
Desenvolvimento
A aprendizagem acadêmica é reconhecidamente fundamental para a integração social
e para o desenvolvimento dos indivíduos. À escola compete, não só transmitir conhecimentos,
mas principalmente, através de uma aprendizagem baseada na compreensão, favorecer a
independência, a autonomia e a criatividade dos alunos.
De acordo com isto, cabe-lhe promover habilidades transversais aos conteúdos
curriculares, que capacitem os alunos a gerirem suas aprendizagens.
“Para além de ser uma fonte de informação, uma das tarefas fundamentais da escola é
dotar os alunos de estratégias que lhes permitam reelaborar, transformar, contrastar e
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reconstruir criticamente os conhecimentos que vão adquirindo, ou seja, apostar no
conhecimento estratégico.” (Simão, 2002: 14)
Entretanto, muitas escolas não têm alcançado o objetivo de formar os alunos
integralmente, seja por não valorizarem os aspectos biológicos, psicológicos e sociais da
aprendizagem, não contemplarem a construção de significados pessoais e subjetivos, seja por
favorecerem uma aprendizagem baseada exclusivamente na aquisição do conhecimento e na
memorização.
O professor tradicional:
“cuja função seria oferecer ou proporcionar conhecimentos já elaborados para sua
incorporação ou assimilação na memória dos aprendizes. É, sem dúvida, o papel
tradicional na cultura transmissiva da aprendizagem que predominou, e ainda
predomina, entre nós.” (Pozo, 2002: 261)
Em função disso, é preciso questionar as práticas adotadas e a qualidade do ensino
para que se possa fazer uma transformação que melhore o nível das aprendizagens realizadas
nas mesmas. “Exige-se uma nova forma de entender a escola que se traduza na necessidade de
desenhar novos currículos que sirvam não só para aprender, mas também para continuar a
aprender” (Simão, 2002:13).
Não se trata de negar o professor que mantém uma postura tradicional relativamente
ao ensino. O que se espera é uma capacidade para assumir diferentes papéis, de modo a estar
apto para fazer com que os estudantes construam as suas próprias aprendizagens (Pozo,
2002). O produto mais relevante, aquele que os professores devem privilegiar, é o da
aquisição de competências e/ou quadros interpretativos, críticos e criativos sobre o
conhecimento, além da promoção de atitudes positivas para a continuidade da aprendizagem
ao longo da vida. Nessa lógica, a memorização da informação e/ou os métodos que a
favorecem, podem ser tidos como um elemento implicado do processo de ensinoaprendizagem,
mas não devem ser primariamente valorizados pelo professor. Não queremos
por em causa o valor de práticas pedagógicas culturalmente assentes na memorização (quando
ela era tida como um fim em si mesma) diremos antes, que a rápida desatualização das
informações, requer novas formas de ensinar-aprender. Em termos políticos, a valorização de
práticas de ensino que valorizem mais a compreensão está relacionada com a autonomia e a
criticidade. Lembremos a disputa (início do séc. XIX) entre a corrente “monitorismo”, que
defendia o controle externo do comportamento e a “filantropista” que defendia a compreensão
em oposição à memorização (interiorização do controle). É interessante afirmar a associação
entre concepções de aprendizagem “qualitativas” e concepções de conhecimento não dualistas
(processos metacognitivos e auto-regulatórios) (Duarte, 2002). Deve-se ter em conta que uma
possível distinção entre professores “tradicionais” e “construtivistas” é metafórica e
estratégica. Não se pode prescrever um padrão de ensino (onde estão implicados valores
subjetivos e idiossincráticos) o que se pode fazer é promover reflexões sobre modos de
ensino-aprendizagem, modos alternativos, as conseqüências de cada um deles, e a
possibilidade de escolhê-los. O conhecimento é uma construção, um “ir mais além” uma
descoberta da realidade, por isso, concordamos com Freire (2003: 38) quando afirmou que a
consciência bancária (ensino-aprendizagem mais memorísticos) “pensa que quanto mais se dá
mais se sabe. Mas a experiência revela que com este mesmo sistema só se formam indivíduos
medíocres, porque não há estímulo para a criação”.
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Isso deve ser visto como uma necessidade imperiosa, pois numa sociedade onde a
informação é tão diversificada e mutável, é imprescindível que os alunos sejam capazes de
poder abstrai-la, a fim de que possam aprender ao longo da vida.
“A aprendizagem deve, acima de tudo, significar construção de destrezas cognitivas e
conhecimento, significando a apropriação de mecanismos de busca e selecção de
informação, assim como de processos de análise e resolução de problemas, que
viabilizem a autonomia progressiva do aluno no aprender e no realizar, os quais se
prolongam por toda a vida.” (Rosário e Almeida, 2005: 144)
Os alunos devem ser capazes de refletir, pensar e abstrair a partir dos conteúdos e
atividades curriculares, aplicar o conhecimento às novas situações, sendo os maiores
responsáveis e podendo controlar suas próprias aprendizagens.
Acontece, que muitas escolas têm encontrado dificuldades para reformularem as suas
práticas educativas. Uma prova disso, pode ser uma certa ausência do conceito da autoregulação
da aprendizagem em muitos dos ambientes educativos. Quando não se integra esse
conceito, traduzindo-o em uma prática emancipadora, ou seja, favorecedora do crescimento
pessoal, pode-se afirmar que os alunos não são plenamente estimulados, suas potencialidades
não são amplamente incentivadas, os currículos estão defasados, não atendem às novas
exigências sociais, e os professores não são formados plenamente, porque não aprendem a
ensinar os seus alunos a auto-regularem-se.
Conceber ambientes de aprendizagem que conduzam a uma maior autonomia dos
alunos não é uma tarefa fácil, mas imprescindível. Collins (1992) sugere que exista uma
cooperação entre os ambientes e os professores interessados em melhorarem o ensino.
Enquanto os práticos poderiam ajudar a traduzir a teoria na prática, tornando-a baseada na
investigação, os investigadores poderiam relacionar melhor a sua atividade com a prática.
Vários estudos têm sido desenvolvidos com o objetivo de demonstrar que os alunos
conseguem melhores resultados acadêmicos, baseados na compreensão dos conteúdos e na
construção de significados pessoais, quando controlam conscientemente os seus processos de
aprendizagem, ou seja, quando se tornam auto-regulados (Silva et al., 2004; Duarte, 2002;
Simão, 2002; Sá, 1998; Rosário e Almeida, 2005).
A aprendizagem auto-regulada pressupõe que os alunos sejam capazes de criar um
plano com vistas a alcançar um determinado objetivo, selecionar estratégias adequadas para
execução dos mesmos, revisar sistematicamente suas estratégias, bem como seus objetivos e
fazer re-direcionamentos quando julgarem necessário. Fica dessa forma entendido, que existe
um caráter fundamentalmente voluntário e intencional subjacente a esse conceito.
De acordo com o modelo proposto por Zimmerman (2000) o construto da autoregulação
possui fases, processos e componentes que se integram para produzir os resultados
e produtos da aprendizagem. Os alunos podem ser chamados de auto-regulados quando são
metacognitivamente, motivacionalmente e comportamentalmente mais ativos nos seus
processos de aprendizagem.
Fases na ação do estudante auto-regulado
As teorias da auto-regulação da aprendizagem (Zimmerman, 2000; Silva et al. , 2004)
referem que a ação auto-regulada se desenvolve em fases. A primeira, chamada de
antecipação e preparação diz respeito ao estabelecimento dos objetivos pedagógicos e a
escolha de um plano estratégico, ou seja, como o nome sugere, nessa fase, o aluno escolhe o
quê vai fazer e qual a meta que pretende atingir. Essa fase é influenciada pelos construtos
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motivacionais, os objetivos de realização, a auto-eficácia e a valorização da aprendizagem.
Assim:
“Para que os estudantes estejam activamente envolvidos no processo educativo, é
necessário que valorizem a aprendizagem e o desempenho bem-sucedido mesmo
relativamente a actividades que não consideram interessantes.” (Sá et al., 2004: 64)
Existe a necessidade do aluno se apropriar dos objetivos, valorizando-os e
estabelecendo-os como seus, ainda que a construção dos mesmos não seja acompanhada
exclusivamente pelo prazer, mas fundamentalmente pela necessidade, com vistas a alcançar
um projeto maior. De acordo com isso, a escola pode desenvolver práticas que incentivem a
auto-regulação se propor tarefas que os alunos valorizem, se estabelecer objetivos realistas e
fomentar um investimento estratégico do esforço.
A segunda fase chamada de execução e controlo caracteriza-se pelo cumprimento dos
objetivos e planos traçados na primeira fase. Como se pode atingir as metas anteriormente
delineadas? Nessa altura, a automonitorização desempenha um papel importante. Através do
uso das estratégias de aprendizagem e do controle da atenção, os alunos podem e devem gerir
o tempo, controlar o comportamento, o ambiente físico e os seus processos internos. Trata-se
de conferir e permitir que seja conferida, bem como, de incentivar e ensinar o aluno a se
responsabilizar pelo seu próprio modo de estudar, afinal, ninguém melhor do que ele próprio
para fazê-lo. Isso não significa que os professores devem ensinar métodos padronizados de
estudo a grupos de alunos. Com efeito, o ensino de estratégias de aprendizagem deve ser
adequado às características de cada um.
A terceira e última fase chamada de auto-reflexão e auto-reação refere-se à
possibilidade e a necessidade do aluno avaliar o processo e seus resultados comparando-o
com os objetivos delineados na primeira fase. Consegui atingir meus objetivos, sim, não e por
quê? Essa avaliação é influenciada fundamentalmente pelos construtos motivacionais e
cognitivos. Os comportamentos são, no fundo, verificados de acordo com os valores pessoais,
também subjacentes na escolha dos objetivos. As respostas dadas em função dessa autoreflexão,
são as chamadas reações. Os alunos podem continuar persistindo ou abandonar a
tarefa em função dos sentimentos que resultam da sua auto-avaliação. Esses sentimentos
podem ser positivos, conduzindo-os a satisfação e a valorização pessoal, ou negativos,
criando resistência ou até mesmo o abandono da tarefa.
O aluno deve persistir numa tarefa, tanto quanto acredite que ela é importante e
necessária para a sua aprendizagem, e caso desista, que seja capaz de refletir sobre os
condicionamentos e especificidades de tal ato, ou seja, que ganhos poderá ter conseguido,
bem como, as perdas, caso considere que existam. Um aspecto importantíssimo é a
necessidade de refletir sobre os assuntos, procedimentos de seleção e estratégias de
aprendizagem. Para além de realizar um trabalho, ele deve ser capaz de perceber quais são as
suas necessidades, o que poderá dificultar a realização das tarefas, como poderá fazê-lo, que
materiais serão necessários e que competências terá desenvolvido com a realização das
aprendizagens e seus processos (Freire, 2006b).
Essas fases foram separadas apenas por uma questão didática, pois na verdade elas
interagem dinamicamente em várias direções e no tempo. Isso quer dizer que não existe um
limite rígido, uma relação linear entre elas, mas antes bastante flexível, o que quer dizer que o
aluno pode operá-las de acordo com as suas necessidades, em várias direções e ou a um só
tempo. Como a auto-regulação é um construto, suas etapas não podem ser verificadas
diretamente, mas somente a partir do comportamento ou de inferências. Por isso, o ensino que
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privilegie a auto-regulação apenas pode se valer dessa separação de forma didática, mas não
na prática.
Dimensões do construto da auto-regulação da aprendizagem
Os aspectos afetivos e emocionais, especificamente as motivações, determinam o grau
de auto-regulação apresentado pelos alunos. Para Skinner e Belmont (1993, apud Lemos,
2005: 193)1:
“Os alunos motivados demonstram comportamentos e pensamentos que optimizam a
aprendizagem e o desempenho, tais como tomar iniciativa, enfrentar o desafio ou
utilizar estratégias de resolução de problemas. Exprimem também afectos positivos face
à aprendizagem, como entusiasmo, curiosidade e interesse. Esses são os alunos que
farão um percurso escolar mais longo, aprenderão mais e se sentirão melhor consigo
mesmos.”
A persistência, o empenho e os objetivos traçados, são frutos das expectativas de
desempenho que os alunos possuem em função da auto-avaliação que fazem das suas
capacidades, ou seja, da consciência que têm da sua auto-eficácia, da importância que
atribuem a aprendizagem, da percepção que possuem acerca das tarefas, das causas que
atribuem aos acontecimentos e da construção de significados decorrentes das interpretações
subjetivas, construídas a partir das suas experiências.
“Um bom rendimento escolar parece estar associado a formas de auto-regulação mais
autônomas (identificada) e à motivação intrínseca, ou seja, à interiorização dos valores
associados ao trabalho escolar (…) estes resultados sugerem, por um lado, que os
estudantes mais intrinsecamente motivados estando mais empenhados obtêm melhores
resultados escolares e, por outro lado, que as próprias experiências de sucesso
contribuem para a manutenção nos estudantes do prazer intrínseco na realização das
actividades escolares e para a sua valorização.” (Sá, 1998: 178)
As escolas podem favorecer o progresso da aprendizagem, quando valorizam as
competências dos alunos, quando levam-nos a acreditar que são os responsáveis pelos seus
desempenhos, quando estabelecem metas realistas, valorizam os seus progressos em direção a
essas metas, incentivam a construção de significados pessoais, promovem a auto-avaliação e
um investimento estratégico do esforço. Freire (2008) em um estudo que procurou
caracterizar as concepções de aprendizagem de um grupo de estudantes universitários
brasileiros no enquadramento da perspectiva fenomenográfica, demonstrou que os estudantes
podem conceber (representar) a aprendizagem de duas formas distintas: quantitativa
(enquanto memorização das informações) e qualitativa (enquanto compreensão dos
conteúdos). Cada um desses modos de conceber a aprendizagem estaria relacionado com
formas específicas de abordar as tarefas escolares, enquanto os alunos que consideram a
aprendizagem como acúmulo de conhecimentos, tenderiam a abordar as tarefas de forma
estereotipada, com graves desajustes para a construção dos conhecimentos, os que consideram
que aprender é compreender as matérias, tenderiam a abordar as tarefas de forma mais
profunda, e por isso mesmo associada à melhores resultados acadêmicos.
Duarte (2002: 12) afirma que é “imprescindível que as decisões relativas ao ensino se
alicercem num conhecimento da forma como os/as estudantes se confrontam com [e
representam ou concebem] a aprendizagem. Esse conhecimento é essencial para a
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intervenção” nos contextos educativos e para que os próprios estudantes possam compreender
e melhorar a forma como aprendem. Atendendo ao modo hierárquico como as concepções de
aprendizagem se organizam, é possível afirmar que as qualitativas são preferíveis às
quantitativas. As primeiras tendem a derivar em uma abordagem “profunda” ou produto de
aprendizagem superior, por isso são objetivos de intervenção a atingir, na linha das mudanças
das crenças dos estudantes sobre as suas aprendizagens. Apenas uma organização estrutural
elevada da concepção de aprendizagem pode garantir uma aplicação consciente e
metacognitiva dos processos que definem uma aprendizagem profunda, e em diferentes
contextos.
As concepções de aprendizagem dos pais dos estudantes também são importantes. O
valor que esses conferem à aprendizagem em geral, o valor que atribuem à escola, às tarefas
escolares e mais especialmente à aprendizagem dos seus filhos, determina em grande medida,
a imagem que os estudantes possuem sobre si próprios, sobre si enquanto aprendentes, e por
sua vez, sobre o valor que atribuem ao ato de aprender.
Nos últimos anos, tem-se empreendido na Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Universidade de Lisboa, um programa de investigação (Duarte, 2002; Freire,
2008) com o objetivo de compreender as concepções de, e as abordagens à aprendizagem.
Nesse âmbito, está sendo desenvolvido um estudo por Freire e Duarte (em preparação)2 que
pretende analisar a relação existente entre concepções de aprendizagem de artes visuais e os
processos de regulação interna (metacognição, auto-regulação e aprendizagem autodirigida)
utilizados pelos alunos. Espera-se com os seus resultados, a possibilidade de uma leitura mais
aprofundada da relação existente entre as percepções, as interpretações e os significados que
os estudantes atribuem à aprendizagem e os seus “padrões” de estudo, pois, com efeito, a
mudança dos contextos sociais (universidades) implica tanto a modificação objetiva das
situações, quanto à modificação das percepções pessoais.
Os métodos de estudos se relacionam com os hábitos e estratégias utilizadas pelos
alunos no processo de aprendizagem. Acontece que certos procedimentos pessoais podem e
devem ser ensinados com vistas a tornar os resultados acadêmicos mais alargados, mas
sempre de forma flexível.
“O uso apropriado de estratégias de aprendizagem que permitam ao aluno mais
facilmente adquirir, organizar e reter a informação necessária à construção do seu
conhecimento e à realização das tarefas escolares, paralelamente à utilização de outras
estratégias, que facilitam o próprio planear e avaliar a realização dessas tarefas, surgem
como determinantes do sucesso escolar.” (Silva e Sá, 1997: 16)
As estratégias cognitivas se relacionam com a manipulação do material a ser
aprendido, enquanto as estratégias metacognitivas se referem à planificação, a monitorização
e a auto-avaliação dos processos de aprendizagem. Monereo e colaboradores (1995: 27)
apresentam o termo estratégias de aprendizagem como,
“processos de tomada de decisão (conscientes e intencionais) pelos quais o aluno
escolhe e recupera de maneira organizada os conhecimentos que necessita para
completar um determinado pedido ou objectivo, dependendo das características da
situação educativa na qual se produzirá a acção.”
A metacognição é uma dimensão importantíssima, envolve o conhecimento sobre os
processos e produtos cognitivos, como a atenção, a memória e a consciência, assim como, o
conhecimento sobre as situações da aprendizagem. Embora se possa pensar em metacognição
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em diferentes níveis e enfoques conceptuais, aqui nos interessa a sua aplicação
especificamente à educação. Paris e Winograd (1990, apud Silva e Sá, 1997:24)3 oferecem
dois significados: a auto-apreciação cognitiva que se refere às reflexões pessoais sobre os
conhecimentos, competências cognitivas, fatores da tarefa e estratégias para realizá-las e a
autoconstrução cognitiva ou a metacognição em ação significando as reflexões pessoais
acerca da organização e planificação da ação, antes do início da tarefa, nos ajustamentos
feitos enquanto ela se realiza, e nas revisões necessárias à verificação dos resultados obtidos,
ou seja, o conhecimento metacognitivo possibilita a consciência dos processos envolvidos na
aprendizagem do próprio aluno.
As variáveis volitivas se referem à escolha e nível de empenho utilizado para executar
uma tarefa. Enquanto os aspectos motivacionais são mais utilizados para iniciá-las, os
volitivos se relacionam mais com a manutenção e com a persistência nos objetivos. Através
das estratégias volitivas, o aluno pode controlar sua motivação, seus processos internos, seu
comportamento e o ambiente de aprendizagem, especificamente a atenção, a ansiedade, e os
elementos distraidores. O desempenho é então, controlado de acordo com o autocontrole e a
automonitorização contínua. Essas estratégias, como é óbvio, realçam o caráter voluntário da
ação.
As variáveis comportamentais se referem à execução dos procedimentos, a ação
desenvolvida pelo aluno para o estabelecimento do sucesso. Através dessas estratégias os
alunos podem organizar o meio ambiente, pedir ajuda aos colegas, pais e professores, e
controlar o tempo das tarefas. Estudos têm demonstrado que a planificação e gestão do tempo
também desempenham um papel importante na ação auto-regulada. Os alunos que apresentam
melhores resultados acadêmicos, distribuem o tempo proporcionalmente às características,
dificuldade e importância das tarefas, investem horas suficientes para a realização das mesmas
e eliminam elementos distraidores que poderiam perturbá-los (Silva e Sá 1997, Silva et al.,
2004).
Eles devem ainda, controlar os ambientes físicos, e se conscientizar dos aspectos
sociais envolvidos na sua aprendizagem. Os contextos onde essas ocorrem são influenciados
por valores, pressões sociais e pelos signos, que influenciam os resultados. A escola, enquanto
instituição social, deve ensinar os conteúdos formais e universais, sem contudo abandonar o
caráter singular e subjetivo da educação. Para tanto, pode utilizar o contexto favoravelmente,
se promover à realização de tarefas em cooperação, incentivando os alunos a se “espelharem”
nos professores enquanto “modelos”, nos outros alunos com competências mais
desenvolvidas, e se ensinarem competências que facilitem pedidos de ajuda e apoios. Os
estudantes não melhoram espontaneamente, tanto quanto poderiam, a forma como estudam ao
longo do tempo, daí a importância da formação de professores centrar-se nos fundamentos da
auto-regulação da aprendizagem.
Conclusão
A constituição da auto-regulação enquanto campo de conhecimentos se faz através de
um processo de agregação de tradições disciplinares diferentes. Em muitos casos, ainda não
foi possível fertilizar mutuamente os objetivos, na tentativa de interpretar o fenômeno da
aprendizagem na sua complexidade. A fim de que os diversos estudos dessa área se integrem,
é necessário que as fronteiras sejam desfeitas. Essa possibilidade aumentaria a compreensão e
o enriquecimento das distintas abordagens.
A crise do sistema educacional, confirmada pela forma segmentada das escolas
ensinarem os alunos e pouco contemplativa das suas potencialidades, provoca muitos desafios
a um projeto de recuperação das mesmas e da sociedade. A reflexão nesse sentido passa por
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uma perspectiva política e social. Entretanto, os psicólogos e professores, podem começar por
refletir na direção de projetos que ensinem os alunos a se auto-regularem, a se tornarem mais
autônomos e ativos nas suas aprendizagens, e a utilizarem os conhecimentos adquiridos ao
longo das suas vidas. Isso implica a viabilização de um núcleo de saberes formadores que
permitam aos professores e aos alunos a utilização de um suporte epistemológico que
comporte tanto a expressão de todas as suas experiências, quanto incorpore um padrão de
práticas democráticas e de relações institucionais favorecedoras.
Para que se possa provocar transformações nesse sentido, é preciso que os professores
se armem através de um conjunto de práticas que se baseiem, não tanto em seus sentimentos e
crenças, mas fundamentalmente num estudo sistematizado acerca do construto da autoregulação
da aprendizagem e das implicações enriquecedoras que ele trás. Uma série de
pesquisas nessa área já têm sido desenvolvidas e se constituem em fontes preciosas de
conhecimentos. Espera-se que esse estudo tenha sido de alguma valia para quem se interessa
pelo assunto e principalmente para quem deseja melhorar a atividade educativa.
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Ciências & Cognição 2009; Vol 14 (2): 276-286 © Ciências & Cognição
Submetido em 28/01/2009 | Revisado em 03/05/2009 | Aceito em 08/05/2009 | ISSN 1806-5821 – Publicado on line em 31 de julho de 2009
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Notas:
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- L.G.L. Freire é Psicólogo, Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho
(Universidade Católica de Pernambuco), Mestre em Ciências da Educação e Doutorando em
Psicologia da Educação (FPCE, Universidade de Lisboa, Portugal). É investigador do Projeto
de Documentação Histórica "Resgate: Barão do Rio Branco" do Ministério da Cultura do
Brasil, no Arquivo do IICT - Instituto de Investigação Científica Tropical "Histórico
Ultramarino" de Lisboa
. E-mail para correspondência: luizgustavolfreire@ig.com.br.

Auto-regulação da aprendizagem : atuação do pedagogo em espaços não-escolares


Id. 17604293
Idioma PT
Titulo Auto-regulação da aprendizagem : atuação do pedagogo em espaços não-escolares
Autor(es) Lourdes Maria Bragagnolo Frison
Localización http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=243
Versión 1.0
Estado Final
Descripción No presente estudo, buscou-se compreender e aprofundar o entendimento sobre a teoria da auto-regulação conceituada como o processo em que os sujeitos estabelecem metas que interagem com suas expectativas, desenvolvem estratégias para alcançá-las, criando condições para que a aprendizagem se efetive. O estudo, realizado através da metodologia qualitativa e de um estudo de caso múltiplo, justifica-se porque é preciso saber aprender ao longo da vida, mantendo ativa a capacidade de aprender que somada a outros conhecimentos será aplicada às práticas e funções profissionais. É um tema pouco estudado e pesquisado no Brasil, mas pode representar avanços no entendimento dos processos auto-regulatórios que acontecem nos espaços não-escolares e na atuação do pedagogo auto-regulado. O problema de pesquisa foi assim formulado: quais as características, fases e princípios da auto-regulação da aprendizagem presentes na atuação do pedagogo em espaços educativos não-escolares? Defende-se a tese de que a auto-regulação da aprendizagem é fator com potencial determinante para atuação dos pedagogos na formação dos sujeitos trabalhadores em espaços educativos não-escolares. Partindo da análise teórica e empírica das competências necessárias ao pedagogo para a atuação nos espaços citados, os objetivos da pesquisa foram: conceituar aprendizagem e auto-regulação da aprendizagem; identificar e compreender as ações relacionadas à construção da aprendizagem auto-regulada desenvolvidas pelos pedagogos em espaços não-escolares para sugerir pontos de referência para a atuação do pedagogo auto-regulador (também ele auto-regulado) em espaços não-escolares. Entende-se por espaços não-escolares a atividade educacional organizada e sistemática, realizada fora do sistema de ensino formal, visando proporcionar aprendizagem sistemática e continuada a educandos-trabalhadores que foram assim denominados porque além de executarem tarefas do trabalho estão em constante processo de formação e aprendizagem no local de trabalho. A pesquisa teve como corpus a experiência de treze pedagogos que atuam em diferentes espaços não-escolares, entre eles: organizações empresariais públicas e privadas; organizações governamentais, não-governamentais e fundações. A pesquisa também apresenta contribuições decorrentes de um estudo piloto realizado em Portugal com três profissionais licenciados pela Faculdade de Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa. A análise dos dados encaminha para o entendimento da aplicação da teoria da auto-regulação da aprendizagem na atuação do pedagogo auto-regulador (e auto-regulado) das aprendizagens dos educandos-trabalhadores em espaços educativos não-escolares.As categorias de análise utilizadas foram: arquétipo das ações dos pedagogos nas dimensões pedagógica, técnica e humana; competências relacionadas ao construto da auto-regulação da aprendizagem e princípios da auto-regulação da aprendizagem percebidos na prática desses educadores. Na atuação profissional, o educando-trabalhador é percebido como protagonista de sua aprendizagem e o pedagogo desvela-se como alguém que intervém mobilizando e estimulando processos específicos que visam criar, implementar e ajustar estratégias de ensino às aprendizagens dos trabalhadores. A análise dos dados empíricos levou à conclusão de que para ter uma atuação auto-regulatória o pedagogo deve ser, ele próprio, auto-regulado. Essa constatação pode ser desencadeadora de um novo estudo. Como resultado final da pesquisa apresenta-se uma proposta de atuação que o pedagogo auto-regulado pode utilizar para auto-regular as aprendizagens dos educandos-trabalhadores.
Tipo PDF
Palabras clave PEDAGOGIA
Tipo de recurso Electronic Thesis or Dissertation
Tese ou Dissertacao Eletronica
Tipo de Interactividad Expositivo
Nivel de Interactividad muy bajo
Audiencia Estudiante
Profesor
Autor
Estructura Atomic
Coste no
Copyright

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Requerimientos técnicos Browser: Any
Fecha de contribución 21-feb-2009
Contacto    FONTE:   http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=17604293
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