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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

quem cochicha, o rabo espicha - delação e denúncia

hoje alguma criancinha me delatou no facebook
vai ver pensava estar fazendo uma denúncia
por considerar, talvez, que
o meu perfil fosse falsificado, roubado...
ou nada disto
depois de conhecermos um pouco de Freud,
vemos que todos neste mundo
são só criancinhas carentes
estacionadas no máximo na fase oral
buscando as mamas da mãe

na época da ditadura militar, aqui no Brasil
o povo se acovardou
não pode aprender a discernir
sobre diferenças gritantes
delatores viraram heróis
e lutadores contra o regime
bandidos, triste época
que se estende até hoje...

nos dicionários delação e denúncia
podem até ser a mesma coisa
mas não são, são muito diferentes

as intrigas, fofoquinhas, 
cochichos, mexericos
fazem parte das delações
são covardes, 
são coisas de gente baixa,
como diziam meus pais,
coisas de gente sem caráter, 
gente que não vale nada
ou que não vale o que come.

já as denúncias, são corajosas,
elas peitam os que estão no caminho errado
estes falam de frente, não pelas costas
e nem dando  mãos a inimigos

os intriguentos e delatores
são perigosos, se escondem
são traiçoeiros, pobres
individualistas, ressentidos,
egoistas

porém, todos podem se tornar ricos de alma
se assim desejarem e se esforçarem pra isso!

e... graças ao delatorzinho(a) do facebook
escrevi isto aqui, tudo tem um lado bom!

nadia gal stabile - 18 de setembro de 2014














Link do vídeo abaixo com Milton Nascimento
"Caçador de mim" https://www.youtube.com/watch?v=8qd3FxrNzMY#t=42









 http://www.espacoacademico.com.br/053/53lima.htm


 http://www.espacoacademico.com.br/052/52limaray.htm














segunda-feira, 26 de maio de 2014

meio metro e o medo das crianças





meio metro de raio em torno de uma pessoa
meio metro de distância de outras
nos ônibus da cidade de São Paulo
não se tem nem um centímetro



as paredes das construções estão se afinando
se hoje no prédio antigo que moro,
ouço o vizinho escarrar como se estivesse
dentro do meu apartamento
o que será dos moradores destes prédios novos?









o povo do MTST não liga pra chuva
não liga pra meio metro de espaço entre as auras
se abrigam em barracas improvisadas
em torno do Itaqueirão
não querem ficar fora da Copa.









alguém no Facebook diz que pra combater a Monsanto
o governo precisava colocar os pobres e os presidiários
pra cultivarem orgânicamente a terra
pra ela, trabalhar em harmonia com a terra é castigo.




para uma pessoa que esteve sempre fora da cadeia
considerar que o recém solto é inquieto
é no mínimo cruel
quem viveu sem liberdade por muito tempo
valoriza mais um passarinho do que um Boeing
valoriza cada minuto, cada segundo de escrita num blog.







nas escolas deveriam ensinar as crianças temerem
as respostas da natureza, a poluição dos mares,
a derrubada de árvores, os crimes contra os rios
as injustiças sociais, a extinção do mico leão e da jaguatirica
o envenenamento de nossos alimentos pelo agronegócio.






inventar e reinventar as coisas
dar muitos murros em pontas de facas
caminhar na corda bamba sabendo
estar sendo observada por muitos de fora do meu país
e pra que? sei lá, ser blogueira deve ser isto
como um artista de rua que nem sabe porque
os outros param pra lhe ver ... pra lhe ler.




os venenos do agronegócio andam atordoando
os brasileiros, que nem se tocam dos venenos que andam
consumindo diariamente.




Nadia Gal Stabile - 26 de maio de 2014











quarta-feira, 12 de maio de 2010

MEMÓRIA VIVA

Pensar que em épocas mais amenas, tive tempo para discutir política, futebol, decifrar mensagens subliminares de filmes e músicas...
Um história é válida, reconhecendo a infantilidade do meu relato, diante do nível dos colaboradores deste blog.
Eu estudante ainda muito jovem, entediada com longas explanações e exercícios gramaticais, cursando o ensino secundário, desviei a atenção de meu professor de Português e estava em altos papos paralelos com amigas de classe.
Fui advertida com rigor e desafiada pelo meu mestre:
- Você é tão engraçadinha, dispersa. Vai ter a chance de mostrar toda o seu potencial neste exato momento. Estou convocando todas as classes, diretoria e professores, para sabatinar você no palco de nosso auditório.
Eu, entre atônita e perplexa, mas com a vitalidade e espírito de jovem anarquista (rsss) aceitei a tarefa de forma altiva.
Lá fomos para o auditório, que rapidamente ficou repleto.
Eu, firme (como uma geléia) no palco, aguardava o bombardeio de meu professor

Disse-me ele então:

- Recite e resuma a mensagem camuflada, contida em alguma  letra de música à sua escolha.

Fã incondicional do injustiçado e já falecido cantor e compositor Taiguara, coloquei-me imediatamente a recitar, diante do olhar aguçado da platéia :

" AMO O VERDE CLARO QUE CIRCUNDA
  AS PUPILAS VIVAS DE LUIZA
  O AMARELO AMENO EM SEU CABELO
  OURO VELHO, PALHA,COBRE, FENO
  AMO O AZUL,  MISTÉRIO DESSA ESFERA
  ONDE HABITA O SOL DE NOSSAS VIDAS
  BRANCO, ESSE AMOR PURO E SEM FRONTEIRAS
  SONHA FECUNDAR A TERRA INTEIRA ...

  ESSA PEQUENA, AGORA EU SEI PORQUE ELA ME AMARRA
  ELA TEM MEDO, DO BERRO, DOS ACORDES DA GUITARRA
  ESSA PEQUENA, EU QUERO TRABALHAR, ELA NÃO DEIXA
  ESSA PEQUENA, EU QUERO DAR AMOR, ELA SE QUEIXA
  ELA ME ENGANA, DEPOIS VEM CENSURAR MINHA CONDUTA
  ESSA PEQUENA,NÃO PASSA DE UMA VÃ ...
  NÃO TEM A MENTE SÃ, ESSA PEQUENA."

- O título dessa música é "Prá Luiza" e eu assisti ao show do Taiguara despedindo-se do Brasil, antes de seu exílio. Do lado de fora do Teatro Ruth Escobar, a polícia fortemente armada, esperava a saída de todos aqueles que contrariando ordens superiores e apelos familiares, insistiram em prestigiar um dos grandes poetas de nosso tempo.
Fui levada com outros tantos para averiguações no DOPS e aqui estou, sã e salva, e cada vez mais impertinente.

A mensagem da música é óbvia: uma contundente crítica à Bandeira Brasileira, símbolo maior de nosso país, desonrada pela ignorância da censura, que sem entender absolutamente nada sobre poesia ou música, tolamente deixou que essa música fosse gravada.
É isso mesmo, a Pátria tem medo quando a voz do povo se ergue e berra, da mesma forma que a força policial se volta contra todos aqueles que lutam pela individualidade e democracia, liberdade de expressão e de trabalho,  numa grande orgia de Ordem e Progresso.

Meu professor e diretor ficaram estáticos, para logo em seguida seguirem os meus colegas que me aplaudiram cheios de entusiasmo !

A lição maior está no fato de que naquela época, a despeito de toda a dureza de nosso sistema, as escolas públicas instigavam, sabatinavam, incluiam no seu currículo demonstrações artísticas, deixando fluir qualidades e dons de seus alunos, independente de sua condição ou classe social.
Já tivemos um ensino público com muito mais qualidade e lamentavelmente vimos essa força diluir-se, obrigando a todos que necessitem ingressar no mercado de trabalho pela porta da frente,  serem forçados a migrar para o ensino particular. Caso contrário, ficarão entre os relegados a um segundo plano.
Quantos dentre nossos jovens, tem um potencial muito maior do que imaginamos ?
Não adianta criticar a falta de idéias, inabilidade na escrita, na postura diante do público e adesão a planos ilícitos como o roubo das provas do ENEM.
Há que se ter consciência que a CULTURA e EDUCAÇÃO são os grandes pilares para uma sociedade mais forte, mais justa e mais lúcida.
O ser humano não pode ser limitado em seu poder de criação, descobertas e pesquisas.
Só os bem-nascidos tem direito a vencer ?
Se muitos somente criticam e se conformam com essa cruel realidade, por favor, quando sair apague as luzes ... FUI !

Gina/12.04.10

sábado, 12 de setembro de 2009

SOBRE CUS E ALMAS

"quem tem cu tem medo" como diria Plínio Marcos"
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." Fernando Pessoa


Cu e alma,todos temos.
muitos também já se sentiram,
num beco sem saída.
porém se a alma for grande
tudo poderá valer a pena,
como pensou Pessoa.
se lembrarmos que os direitos humanos
de muitos brasileiros já foram para o espaço faz tempo,
e se constatarmos que rotineiramente somos roubados e desrespeitados
pelos "governos" e pelos diversos serviços de primeira necessidade,
pelos de segunda e terceiras necessidades...
serviço telefônico, bancos e o diabo a quatro...
o que nos restará fazer? votar corretamente?
ir às urnas e achar que só isso irá resolver nossos problemas
e todas as injustiças que a maioria tem passado!?...
o filósofo disse que o mundo se divide entre vencedores e vencidos,
acho que ele não estava se referindo só aos vencedores "capitalistas",
que sabem explorar seus concidadãos...por certo que não...
pois se estava...o outro que filosofou sobre a "servidão voluntária"...
estaria a considerar estes voluntários como vencidos?...

e a Wikipédia diz sobre ideias de Nietzsche,que:
"A vida só se pode conservar e manter-se através de imbricações incessantes entre os seres vivos, através da luta entre vencidos que gostariam de sair vencedores e vencedores que podem a cada instante ser vencidos e por vezes já se consideram como tais. Neste sentido a vida é vontade de poder ou de domínio ou de potência."(...)

ser um vencedor metaforicamente...
nem mereceria esta palavra exatamente!
o signo está gasto,
preferiria outra palavra,
uma palavra que incluisse outros significados,
como o filósofo citado aqui era alemão...
...é...uma outra palavra seria interessante!
mas qual?..................................................

aporias...becos sem saídas...
...mas, o que podemos fazer para que milhões de brasileiros deixem de ser desrespeitados e mortos indiscriminadamente todos os dias nas favelas, nas ruas, nos campos....!?
e como podemos resolver nossos próprios problemas!?

Nadia Stabile - 12/09/09

"LIBERDADE SEM MEDO" - A.S. Neill



Summerhill foi fundada em 1921. Talvez seja a escola menos comum do mundo. Trata-se de um lugar onde as crianças não são obrigadas a ir às aulas – podem deixar de assistir às lições durante anos, se assim o quiserem. Sob a égide de Liberdade Sem Medo, a escola promoveu uma radical transformação na teoria e na prática da educação, criticada por alguns, mas elogiada e defendida por muitos educadores, psicólogos e pedagogos.

SOBRE A ESCOLA : http://pt.wikipedia.org/wiki/Summerhill

SOBRE A.S.NEILL : http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Sutherland_Neill

O Medo à Liberdade - ERICH FROMM (LIVRO)




O Medo à Liberdade (1983), originalmente publicado nos EUA, em 1941, em plena Segunda Guerra Mundial, pelo filósofo, sociólogo e psicanalista Erich Fromm, é uma das mais importantes críticas psicossociais do autoritarismo, da destrutividade e do conformismo típicos do séc. XX. Para a visão profundamente humanista do autor, a razão capaz de explicar esses fenômenos é uma mescla de observações dos aspectos psicológicos da neurose com os fatores sociais que a impulsionam e a alimentam. Tudo sob o princípio filosófico existencial de que, nas escolhas da vida, a liberdade humana entre evoluir ou regredir é uma obrigação, uma responsabilidade que ninguém pode se furtar.

Sua tese é que na presente busca do sucesso financeiro, ao lado da liberdade material conquistada ao longo da história do ocidente, os indivíduos se isolaram cada vez mais uns dos outros. Essa mesma liberdade econômica, carregada de solidão, tornou-se motivo de medo e angústia, levando as pessoas a desejarem uma fuga psicológica de alienação, por meio de ilusões de “terem” algo ou de “pertencerem” a uma corporação ou grupo que lhes fariam sentir menos sós. Se na antiguidade o perigo era os homens tornarem-se escravos, atualmente tornou-se o de serem alienados psíquicos, autômatos. Pudessem encontrar uma alternativa saudável ao conflito, haveriam de reconhecer a importância do outro nos vínculos de cooperação e solidariedade. Mas, a solidão e a impotência encontraram na indústria moderna artifícios da felicidade de consumo e estímulos para o rápido alívio psicológico da condição humana – que em seu dinamismo tende a procurar soluções de alguma forma, com possibilidades de satisfação, ainda que ao preço da violência, da neurose e servidão voluntária. Explicando o fenômeno do nazifacismo, que bem conheceu, esclarece que a ânsia de poder não é originada da força, mas da fraqueza.

Fromm faz assim uma análise da patologia da alienação psíquica inconsciente da sociedade industrial, que se caracteriza pelo comportamento social consumista e pelo sistema patriarcalista autoritário, reclamando uma necessidade ética urgente de mudanças nas determinações sócio-econômicas. Do ponto de vista psicopatológico, segundo ele, o centro gravitacional da cultura capitalista é o consumismo passivo. O consumo, no entanto, é próprio da vida, do crescimento biológico e das relações humanas; afinal, precisa-se comer, vestir, trocar valores de uso econômico e outros. Todavia, há uma espécie compulsiva de consumo que unicamente visa aliviar a ansiedade, a insegurança ou mesmo o desespero subjacentes à nossa época. Ironicamente, constata ele, o homem contemporâneo, com seu avançado conhecimento intelectual, desconhece-se enquanto totalidade espiritual, não sabe bem o que deseja e por isso não consegue satisfazer-se plenamente, sentindo-se vazio de realizações.

Pode-se dizer, acertadamente, que ele foi o primeiro filósofo a construir uma antropologia filosófica, e uma problematização da liberdade, vinculando intimamente os pensamentos de Marx e Freud, reconhecendo claramente a superioridade do primeiro. A bem dizer, foi em 1930, com o livro o Dogma de Cristo (1986)2, que Fromm uniu de maneira concreta esses dois pensadores. Quem o afirma, com razão, é Franz Borkenau3, erudito do partido comunista que freqüentou o ambiente do Instituto de Frankfurt e escreveu uma resenha do mesmo texto no lançamento da revista Zeitschrift für Sozialforschung, de publicações desta Escola. Trata-se ali do uso da psicanálise aplicado aos fenômenos históricos, compreendendo as idéias e ideologias individuais como um resultado de necessidades psíquicas básicas submetidas a condições sociais e econômicas específicas. No entendimento de Martin Jay4, Fromm então afirmara em termos psicológicos o que Horkheimer e Marcuse, depois de sua ruptura com Heidegger, diziam sobre a noção abstrata de historicidade.
Para Fromm a função da ideologia e do autoritarismo pode equiparar-se aos sistemas neuróticos. A correlação direta entre o conceito marxista de “ideologia” e o conceito psicanalítico de “racionalização” veio a ser feita por Erich Fromm em 1932, no artigo Método e Função de uma Psicologia Social Analítica5, onde ele afirma que a psicanálise pode mostrar como a situação econômica é transformada em ideologia, através dos impulsos naturais do homem. (...)
CONTINUE LENDO EM : http://www.filosofia.com.br/vi_classic.php?id=9

sábado, 10 de janeiro de 2009

"THOMAS HOBBES" - O MEDO E O HOMEM É O LOBO DO HOMEM

(...)Para Hobbes, o homem se distingue dos insetos sociais, como as abelhas e as formigas; por isso, o homem não possui instinto social. Ele não é sociável por natureza e só o será por acidente.

Para compreender como o homem se resolve a criar a instituição artificial do governo, basta descrever o que se passa no estado natural; o homem, por natureza, procura ultrapassar todos os seus semelhantes: ele não busca apenas a satisfação de suas necessidades naturais, mas sobretudo as alegrias da vaidade (pride). O maior sofrimento é ser desprezado. Assim sendo, o ofendido procura vingar-se, mas - observa Hobbes, antecipando aqui os temas hegelianos - comumente não deseja a morte de seu adversário e deseja seu cativeiro a fim de poder ler, em seu olhar atemorizado e submisso, o reconhecimento de sua própria superioridade.

É claro que esse estado, em que cada um procura senão a morte, ao menos a sujeição do outro, é um estado extremamente infeliz. As expressões pelas quais Hobbes o descreve são célebres: "Homo homini lupus", o homem é o lobo do homem; "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos. Não pensemos que mesmo os homens mais robustos desfrutem tranquilamente as vitórias que sua força lhe assegura. Aquele que possui grande força muscular não está ao abrigo da astúcia do mais fraco. Este último - por maquinação secreta ou a partir de hábeis alianças - sempre é o suficientemente forte para vencer o mais forte. Por conseguinte, ao invés de uma desigualdade, é uma espécie de igualdade dos homens no estado natural que faz sua infelicidade. Pois, em definitivo, ninguém está protegido; o estado natural é, para todos, um estado de insegurança e de angústia.

Assim sendo, o homem sempre tem medo de ser morto ou escravizado e esse temor, em última instância mais poderoso do que o orgulho, é a paixão que vai dar a palavra à razão. (Essa psicologia da vaidade e do medo é, em Hobbes, uma espécie de laicização da oposição teológica entre o orgulho espiritual e o temor a Deus ou humildade.) É o medo, portanto, que vai obrigar os homens a fundarem um estado social e a autoridade política.(...)

LEIA MAIS EM :

FONTE : http://www.mundodosfilosofos.com.br/hobbes.htm
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