Otávio Martins Amaral escreve :
"Quando conheci o Gudin, ele havia acabado de gravar este LP, na
Continental. O produtor escolheu a foto colorida para a capa, a minha,
em branco e preto, ficou dentro. Esses produtores...
Sem querer, achei essa foto que eu tirei, não tem crédito. Essas gravadoras..."
Ele refere-se ao LP "Coração Marginal" (1979) e também há um compacto onde esta foto foi usada. Atualmente na Internet há este problema com as fotos e imagens em geral, nunca se sabe quem é o autor delas. Mas, antes tarde do que nunca, cá está um registro desta falha das gravadoras e quero também dizer que esta é uma belíssima foto de um grande artista brasileiro e clicada por um cara muito especial, meu amigo Otávio!
Nadia Gal Stabile - 24 de maio de 2015
http://cliquemusic.uol.com.br/discos/ver/coracao-marginal
http://www.discogs.com/Eduardo-Gudin-Velho-Ateu-Mente-Cora%C3%A7%C3%A3o-Marginal-Maria-Fernanda-de-S%C3%A1/release/6236097
http://www.eduardogudin.com.br
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-657927425-eduardo-gudin-compacto-vinil-velho-ateu-1979-stereo-_JM#redirectedFromParent
http://balaacobaco.blogspot.com.br
https://www.facebook.com/otaviomartinsescritormusico
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domingo, 24 de maio de 2015
sábado, 9 de maio de 2015
PROIBIDÃO: "O BANQUETE DOS MENDIGOS" 1974 - via amiga Elenice Rosa
do blog Mamapress(Mamaterra)
leia na íntegra em:
https://mamapress.wordpress.com/2015/05/04/proibidao-o-banquete-dos-mendigos-em-1974/
leia na íntegra em:
https://mamapress.wordpress.com/2015/05/04/proibidao-o-banquete-dos-mendigos-em-1974/
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sexta-feira, 20 de março de 2015
MANUEL DEIXARÁ SAUDADES
Antes tarde do que nunca, coloco aqui o filme De Profundis do artista galego Miguelanxo Prado, indicado pelo amigo Manuel, também galego, e que morreu no dia 15 de março de 2015, em Vigo, Galiza, deixa esposa e filho.
Manuel deixa muitos amigos e amigas desconsolados, assim como eu.
Em fevereiro teve um derrame cerebral e entrou em coma, complicações houveram e ele nos deixou sem aviso prévio, sem despedidas. Era um grande admirador da cultura e música brasileiras, criou um grupo para os apreciadores da boa música no Facebook, o "Ouvindo" e vários outros grupos e páginas, mas uma delas criou junto comigo : "Linux Brasil"(grupo) e "GNU Linux Brasil Galiza"(página), e lá cooperava muito com todos a respeito de software livre, Linux, fiquei feliz demais por poder cooperar com esta causa junto com este grande amigo de outros mares!
Incentivava muitos(as) intérpretes de nossa música, (as)os divulgava sempre.
Manuel era um dos imprescindíveis, amava o mar como um bom galego, nunca media esforços para cooperar com os usuários de Linux.
Galegos são pessoas muito sensíveis, carinhosas, poéticas, Rosalía de Castro é considerada a fundadora da literatura galega e Galiza o berço da língua portuguesa!
Manuel, magnífico filme!! Arte pura! parabéns a Miguelanxo Prado.
Quem sabe no andar de cima haja Internet e você possa ver esta postagem e os recados carinhosos de seus amigos(as) no Facebook!
Nadia Gal Stabile - 20 - 03 - 2015
"Já viu o filme De Profundis? é tudo desenho e música. Feliz Aninovo!" (01-01-2015) Manuel
ASSISTA AO FILME "DE PROFUNDIS" - MIGUELANXO PRADO
https://www.youtube.com/watch?v=Ju0S0YrLvjI
https://vimeo.com/80632551
De Profundis - Miguelanxo Prado from A Retallaría on Vimeo.
https://www.youtube.com/watch?v=PnM8TYVtJEk
http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguelanxo_Prado
Manuel deixa muitos amigos e amigas desconsolados, assim como eu.
Em fevereiro teve um derrame cerebral e entrou em coma, complicações houveram e ele nos deixou sem aviso prévio, sem despedidas. Era um grande admirador da cultura e música brasileiras, criou um grupo para os apreciadores da boa música no Facebook, o "Ouvindo" e vários outros grupos e páginas, mas uma delas criou junto comigo : "Linux Brasil"(grupo) e "GNU Linux Brasil Galiza"(página), e lá cooperava muito com todos a respeito de software livre, Linux, fiquei feliz demais por poder cooperar com esta causa junto com este grande amigo de outros mares!
Incentivava muitos(as) intérpretes de nossa música, (as)os divulgava sempre.
Manuel era um dos imprescindíveis, amava o mar como um bom galego, nunca media esforços para cooperar com os usuários de Linux.
Galegos são pessoas muito sensíveis, carinhosas, poéticas, Rosalía de Castro é considerada a fundadora da literatura galega e Galiza o berço da língua portuguesa!
Manuel, magnífico filme!! Arte pura! parabéns a Miguelanxo Prado.
Quem sabe no andar de cima haja Internet e você possa ver esta postagem e os recados carinhosos de seus amigos(as) no Facebook!
Nadia Gal Stabile - 20 - 03 - 2015
"Já viu o filme De Profundis? é tudo desenho e música. Feliz Aninovo!" (01-01-2015) Manuel
ASSISTA AO FILME "DE PROFUNDIS" - MIGUELANXO PRADO
https://www.youtube.com/watch?v=Ju0S0YrLvjI
https://vimeo.com/80632551
De Profundis - Miguelanxo Prado from A Retallaría on Vimeo.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
CONHEÇAM (E BAIXEM) UMA CANÇÃO RARÍSSIMA DO VANDRÉ: "CHE"
Por Celso Lungaretti
Navegando pelo Orkut depois de muito tempo distante, encontrei uma autêntica preciosidade na comunidade Geraldo Vandré: uma canção dedicada a Che Guevara, na intepretação do Vandré e Trio Maraya. E o que é melhor: com link para baixar (clique aqui), por cortesia da dedicada Marta Meissner.
O companheiro Vitor Nuzzi gentilmente dissipou minhas dúvidas sobre esta Che, enviando-me trechos de sua biografia ainda inédita do Vandré:
"...na verdade, eram duas músicas, conforme lembra Lúcia, mulher de Marconi [integrante do Trio Maraya]. 'O Marconi fez ela instrumental. Quando perguntavam, ele dizia que era homenagem aos gaúchos, para não se complicar', lembra, rindo. (...) E a música de Marconi –sem sequer ter letra– foi censurada.Cheguei a cogitar que se tratasse da música de Walter Franco que Vandré defendeu num Festival Universitário da Canção Popular. Mas, esta era outra, sobre a qual encontrei o seguinte depoimento do blogueiro Waldir Mengardo:
Segundo Lúcia, Vandré sempre quis pôr letra, mas Marconi nunca aceitou. E assim nasceria um segundo Che, quando o grupo todo foi para a Europa. Tempos difíceis, pré-AI-5, clima de vigilância no ar. Os cartões enviados da Bulgária chegavam abertos. 'O Marconi acabou fazendo uma outra melodia, e o Geraldo fez a letra.'"
"No Festival Universitário da Tupi, em 1968, Geraldo Vandré, junto com o Trio Maraya, defendeu uma música de Walter Franco chamada Não se queima um sonho. Era uma alegoria a Che Guevara que foi classificada na sua eliminatória e depois sumiu na final do Festival sem nenhuma explicação. (...) Era mais ou menos assim: Seu sonho sem mortalha/ Cercado de solidão/ Eu trago bem guardado/ Na espera e no coração/ Vem oh! meu companheiro Che/ seu sonho quero lhe dar..."
Nuzzi, por sua vez, esclareceu ter o festival da Tupi ocorrido logo depois do alvoroço de 'Pra não dizer que não falei das flores' no Maracanãzinho. O maestro Rogério Duprat, na época, criticou a composição de Walter Franco: "Se Guevara estivesse aqui não ia gostar nem um pouco. É preciso acabar com toda essa choradeira em torno do guerrilheiro, não é assim que se faz uma revolução".
Quanto à canção que junta os versos do Vandré e a segunda melodia do Marconi, acima disponibilizada, eis a letra:
Se canta só minha boca
Se tem forma de oração
Se a minha voz fica rouca
Qual arma sem munição
Se ela é franca, mas é pouca
Enquanto fica canção
Sobe monte, desce rio
Sobe monte, desce rio
Sobe monte, desce rio
Vida e barbas por fazer
Sobe monte, desce rio
Sobe monte, desce rio
E um dia, de repente
Foi morto num amanhecer
Na frente de todo mundo
Pra todo mundo aprender
Ou se entrega na chegada
Não perde nenhuma guerra
Mas também não ganha nada
Sobe monte, desce rio
Sobe monte, desce rio
Sobe monte desce rio
Vida e barbas por fazer
Sobe monte, desce rio
Sobe monte, desce rio
E um dia, de repente
Fez da morte mais viver
Quem seguia teu caminho
Não podia te prender
E mesmo por traição
Pensando que te matava
No meu corpo americano
Fincou mais teu coração
No meu corpo americano
Fincou mais teu coração
Perdoa minha canção...
OUTROS TEXTOS RECENTES (clique p/ abrir):
O DILEMA MENICUCCI
MINO CARTA: A DERROTA LHE SUBIU À CABEÇA
DAS PALAVRAS AOS ATOS: MEU APOIO A CARLOS GIANNAZI
https://www.youtube.com/watch?v=6iIdle8Is5c
postagem atualizada em 17 de outubro de 2014 por Nadia Gal Stabile
domingo, 1 de janeiro de 2012
APOCALÍPSE QUANDO?
Por Celso Lungaretti
![]() |
| Esta é a ameaça... |
A estrutura era idêntica, havia também uma introdução ("Meu senhor, minha senhora/ vou falar com precisão/ não me negue nesta hora/ seu calor, sua atenção") bem nas pegadas da anterior ("Prepare o seu coração/ pras coisas que eu vou contar/ Eu venho lá do sertão/ e posso não lhe agradar"), letra longa descrevendo a jornada do imbecil até o entendimento, etc.
E, como rendera boa divulgação prévia a utilização de uma queixada de burro como instrumento musical, ele levou novamente uma atração bizarra para o palco: uma possante buzina, que soou os acordes iniciais de "De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando" (ou, simplesmente, "Ventania").
A repetição de fórmula não colou, mas não era uma composição descartável. Gosto até hoje desta estrofe:
"Andei pelo mundo aforaquerendo tanto encontrarum lugar pra ser contenteonde eu pudesse ficar.Mas a vida não mudavamudando só de lugar"
É também meu sentimento em relação à virada da folhinha.
A vida não muda mudando só de ano, embora queiramos sempre acreditar que o seguinte será melhor... apenas porque já não suportávamos mais o outro.
| ...estes, os principais ameaçados... |
Assim, p. ex., existem duas bombas-relógios em nosso futuro, por cortesia dessa entidade que verdadeiramente já morreu, mas deixamos continuar nos desgraçando, ao invés de cravar-lhe a estaca que a reduzirá a pó.
A primeira é a grande depressão que, mais dia, menos dia, desabará sobre nós, como consequência do represamento das crises cíclicas capitalistas --elas antes eram periódicas e relativamente mais brandas, agora o sistema consegue postergá-las, empurrando-as mais e mais para a frente, o que não impedirá o elástico de acabar arrebentando. E aí a crise iniciada com o crack de 1929 parecerá, provavelmente, brinquedo de criança.
Será em 2012 o apocalypse now? Ou continuaremos nessa lenta agonia que já tragou Grécia, Espanha, Itália? As pedras do dominó continuarão tombando uma por vez ou vão cair todas de uma vez?
A outra incognita são as consequências do aquecimento global. Vimos em Fukushima o trailer do que está por vir: a conjugação de sismo e tsunami com a insegurança nuclear quase completou a obra estadunidense de agosto/1945, tornando o Japão uma ilha bem mais nua que a do filme do Kaneto Shindô.
Catástrofes naturais continuarão ocorrendo, mesmo se tomarmos as medidas necessárias para impedir que a indústria automobilística e outros focos de poluição atmosférica extingam a espécie humana. Já não se trata mais de evitá-las, e sim de minorar sua intensidade e período de duração (nosso período de provação).
E nem isto estamos, realmente, fazendo. Parece que as coisas ainda terão de piorar, antes de começarem a melhorar.
E nem isto estamos, realmente, fazendo. Parece que as coisas ainda terão de piorar, antes de começarem a melhorar.
| ...e este, o motivo da ameaça. |
O que fazer?
Iludir-se com a desconversa dos pistoleiros de aluguel acadêmicos e midiáticos do capitalismo?
Deixar-se tomar pelo pessimismo, arrancando os cabelos?
Resignar-se à vontade divina?
Aproveitar ao máximo os últimos dias de Pompéia, e que se dane o mundo?
No fundo é questão de temperamento --além do dever de legarmos vida a quem demos vida.
Mas, como dizem os zen-budistas, o dever só obriga quem acredita que o tem. E o capitalismo insufla ao máximo o egoísmo e a indiferença pela sorte dos outros --quaisquer outros, até filhos e netos, salvo no que tange aos gastos para aplacar a consciência culpada por não lhes dar a atenção que merecem...
Falo por mim, e sei que meus leitores são afins: lutarei com todas as minhas forças, nos anos que me restam, para que minhas filhas e netos não vivam e morram num planeta devastado.
E também porque lutar é sempre minha primeira reação face aos poderosos, suas injustiças sem perdão e seus crimes sem castigo.
Foi o grande motivo de eu ter entrado no caminho das lutas políticas sociais aos 16 anos; continua sendo um forte motivo aos 61.
Somos o que somos, traçando nossos caminhos pelo mundo a partir do que somos --ou seja, de como nos construímos pela vivência pessoal do eterno conflito entre o cosmo sangrento e a alma pura (grande Mário Faustino!).
O calendário nada tem a ver com isto.
sábado, 23 de janeiro de 2010
ADONIRAN BARBOSA, SEM RETOQUES (retrospectiva)
Entrevista que fiz com o Adoniran Barbosa para o nº 2 da revista "Playmen" (setembro/1980), quando comemorava seu 70º aniversário e era homenageado com o lançamento do disco ao lado, em que artistas famosos gravaram seus grandes sucessos. Morreria dois anos depois.Conheci o Adoniran num escritoriozinho que a gravadora Odeon mantinha na rua Bento Freitas. Eram só dois funcionários, que guardavam os malotes, distribuíam o material vindo da matriz e recolhiam outros tantos volumes para despachar de volta.
Eu costumava passar lá e apanhar os lançamentos do mês, para fazer minhas críticas. E sempre encontrava o Adoniran, paradão, ouvindo o papo dos outros, cochilando.
Às vezes o pessoal saía e deixava o Adoniran tomando conta. E ele pacientemente esperava que alguém voltasse.
Esse escritório fechou, quando a Odeon abriu uma representação à altura em São Paulo. Mas Adoniran continuou tendo seu itinerário particular, que cumpre com a pontualidade de um empregado-modelo.
Passar a manhã na rádio Eldorado, até a hora do almoço.
Sair para almoçar com qualquer conhecido de lá, talvez o amigo Nogueira, um divulgador.
Ficar meio triste quando todo mundo está com algum compromisso e ele tem de ir comer sozinho. Mas disfarçar, recusar se aparece o convite de um estranho.
[Meu caso. Ele balançou a cabeça e disse: "Eu vou sair por aí, na direção do Arouche. Não sei nem se vou almoçar ou comer um sanduíche. Fica para outra vez".]
Comparecer todas as tardes no La Barca, um boteco onde espera encontrar outro amigo, o Talismã, líder do conjunto que atualmente o acompanha.
E assim por diante.
[Lembro-me do meu sogro, notívago e bom papo, que sempre sonhava com o que iria fazer quando se aposentasse: pescar, passear, comprar uma granja e plantar sua horta, assistir aos filmes de TV que passam à meia-noite. Afinal chegou o dia. E, na manhã seguinte, lá estava ele de novo na repartição, no horário de sempre, para bater uma caixa com os amigos e irem juntos para o bar. Nada mudou. Até hoje.]
Eu costumava passar lá e apanhar os lançamentos do mês, para fazer minhas críticas. E sempre encontrava o Adoniran, paradão, ouvindo o papo dos outros, cochilando.
Às vezes o pessoal saía e deixava o Adoniran tomando conta. E ele pacientemente esperava que alguém voltasse.
Esse escritório fechou, quando a Odeon abriu uma representação à altura em São Paulo. Mas Adoniran continuou tendo seu itinerário particular, que cumpre com a pontualidade de um empregado-modelo.
Passar a manhã na rádio Eldorado, até a hora do almoço.
Sair para almoçar com qualquer conhecido de lá, talvez o amigo Nogueira, um divulgador.
Ficar meio triste quando todo mundo está com algum compromisso e ele tem de ir comer sozinho. Mas disfarçar, recusar se aparece o convite de um estranho.
[Meu caso. Ele balançou a cabeça e disse: "Eu vou sair por aí, na direção do Arouche. Não sei nem se vou almoçar ou comer um sanduíche. Fica para outra vez".]
Comparecer todas as tardes no La Barca, um boteco onde espera encontrar outro amigo, o Talismã, líder do conjunto que atualmente o acompanha.
E assim por diante.
[Lembro-me do meu sogro, notívago e bom papo, que sempre sonhava com o que iria fazer quando se aposentasse: pescar, passear, comprar uma granja e plantar sua horta, assistir aos filmes de TV que passam à meia-noite. Afinal chegou o dia. E, na manhã seguinte, lá estava ele de novo na repartição, no horário de sempre, para bater uma caixa com os amigos e irem juntos para o bar. Nada mudou. Até hoje.]
"VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU COM UM PÉ NA COVA?"
As homenagens programadas para a comemoração do seu 70º aniversáio desconcertaram Adoniran, que chegou até a dizer que não as merecia, "afinal não sou nenhum João Paulo 2º, nenhum Chaplin ou presidente da república".
E, de qualquer forma, não serviram para compensar anos e anos de esquecimento.
Homem às antigas, Adoniran ainda não se habituou a virar notícia apenas em tempo de efeméride.
Cansou-se de dar entrevistas: "O que mais posso dizer da minha vida? Já disse tudo, para todo mundo".
E não conseguiu conter o desabafo de quem teve de lutar demais para obter um reconhecimento tardio e meio superficial. "Por que não me procuraram há 20 anos atrás?"
Mas, em geral esforça-se para corresponder ao clima festivo.
Pergunto-lhe se ainda espera alguma coisa da vida. "Por que, você acha que eu estou com um pé na cova?"
Explico melhor: falta-lhe realizar algum sonho, uma grande meta?
Aí ele dá um sorriso e mostra que continua atento ao linguajar das ruas. Sabe até a gíria da meninada: "O que vier, eu traço. Tudo bem!"
E, de qualquer forma, não serviram para compensar anos e anos de esquecimento.
Homem às antigas, Adoniran ainda não se habituou a virar notícia apenas em tempo de efeméride.
Cansou-se de dar entrevistas: "O que mais posso dizer da minha vida? Já disse tudo, para todo mundo".
E não conseguiu conter o desabafo de quem teve de lutar demais para obter um reconhecimento tardio e meio superficial. "Por que não me procuraram há 20 anos atrás?"
Mas, em geral esforça-se para corresponder ao clima festivo.
Pergunto-lhe se ainda espera alguma coisa da vida. "Por que, você acha que eu estou com um pé na cova?"
Explico melhor: falta-lhe realizar algum sonho, uma grande meta?
Aí ele dá um sorriso e mostra que continua atento ao linguajar das ruas. Sabe até a gíria da meninada: "O que vier, eu traço. Tudo bem!"
"UM BOÊMIO POBRE. FILANTE. BICÃO."
Efeméride é a palavra-chave. Era preciso comemorar condignamente os 70 anos de Adoniran, nem que para isso se-lhe romantizasse o passado, transformando-o numa imagem ao gosto do público de agora.
E, já que o folclore paulistano nem de longe se compara ao da Lapa carioca ou de Vila Isabel, que tal promover Adoniran a algo assim como o estereótipo do boêmio do Bexiga?
Com um pouco de boa vontade e puxando por sua veia saudosista, conseguiram extrair de Adoniran declarações na medida para colocá-lo dentro do figurino pretendido:
Adoniran, você foi mesmo esse boêmio que estão pintando?
E, já que o folclore paulistano nem de longe se compara ao da Lapa carioca ou de Vila Isabel, que tal promover Adoniran a algo assim como o estereótipo do boêmio do Bexiga?
Com um pouco de boa vontade e puxando por sua veia saudosista, conseguiram extrair de Adoniran declarações na medida para colocá-lo dentro do figurino pretendido:
"Fui na Bela Vista procurar o Bexiga e não achei. Antes o pessoal sentava na calçada, agora as coisas por lá andam muito diferentes, cheias de viaduto.A matéria fala também de um bar boêmio da av. São João e de um bonde boêmio que rodava a noite inteira.
"O Brás eu também não encontrei, as casas baixas foram embora. A Rangel Pestana também não está mais lá. O Largo da Concórdia ficou cheio de banquinhas de camelô. A Celso Garcia, onde havia o melhor carnaval do Brás, também já não existe.
"No Belém não achei o Largo São José, com seus casarões e suas árvores.
"Nem a Lapa, onde não há nem sinal da calma de bairro de antes.
"O Largo da Sé, acho que venderam." (JT, 09/08/80)
Adoniran, você foi mesmo esse boêmio que estão pintando?
"Fui mas é um boêmio pobre, que ia de bar em bar, de boteco em boteco, sem dinheiro, filando bebida dos amigos. Um boêmio bicão."
"SÓ DE SAMBA NINGUÉM VIVIA"
Adoniran era capaz de registrar impressões acerca da cidade com alma de artista. É o grande cronista de São Paulo. Mas, suas andanças não foram despreocupadas como as dos sambistas cariocas e sua história está longe de ser a de um boêmio.
Mesmo porque seu amor pela cidade não era correspondido: São Paulo rejeitava seu samba, só queria saber de serenatas, valsas, modinhas, boleros e tangos.
Nesta cidade de imigrantes, ciosa de suas raízes culturais européias, não havia espaço para os ritmos, costumes e tradições realmente brasileiras. Adoniran testemunha:
Carreira sacrificada, árdua, difícil. E não foi por acaso que o pão nosso saía quase sempre de suas atuações como rádio-ator e não da música.
O clássico "Trem das Onze", p. ex., não veio de impressões deixadas por agradáveis noitadas boemias, mas sim de observações feitas quando ia no Circo do Batista, lá no Jaçanã, interpretar ao vivo os tipos que faziam sucesso no programa de rádio História das Malocas.
Mesmo porque seu amor pela cidade não era correspondido: São Paulo rejeitava seu samba, só queria saber de serenatas, valsas, modinhas, boleros e tangos.
Nesta cidade de imigrantes, ciosa de suas raízes culturais européias, não havia espaço para os ritmos, costumes e tradições realmente brasileiras. Adoniran testemunha:
"Só de samba ninguém vivia, em São Paulo. Era pouquíssimo executado. Os sambistas daqui, como a Isaura Garcia e o Vassourinha, eram obrigados a irem lá no Rio gravar composições de autores cariocas".Daí seu orgulho em ter sido o grande divulgador do samba paulista.
"Não o iniciador, porque já existiam o Raul Torres, o Nestor Amaral, o Cacique. Mas o Rio só veio a saber que se fazia samba em São Paulo quando os meus entraram lá. E aí a coisa se estendeu para todo o Brasil."Até que chegasse esse reconhecimento (e mesmo depois dele), a vida de Adoniran foi tipicamente paulistana, mas num aspecto pouco romântico, que as matérias louvaminhas esqueceram de registrar: o trabalho.
Carreira sacrificada, árdua, difícil. E não foi por acaso que o pão nosso saía quase sempre de suas atuações como rádio-ator e não da música.
O clássico "Trem das Onze", p. ex., não veio de impressões deixadas por agradáveis noitadas boemias, mas sim de observações feitas quando ia no Circo do Batista, lá no Jaçanã, interpretar ao vivo os tipos que faziam sucesso no programa de rádio História das Malocas.
"Aliás, o trem nunca foi das onze; era das oito, eu me lembro muito bem."
"NÃO PARAVA EM EMPREGO NENHUM"
Adoniran Barbosa, na verdade, é João Ramalho, um dos seis filhos (três homens e três mulheres) de um casal italiano que se estabelecera em Valinhos.
Tinha 14 anos quando o pai, empregado em olarias, descobriu que seria rendoso trabalhar perto da Capital, onde, de quebra, os filhos homens encontrariam colocação. Assim, em 1924 a família se mudou para Santo André.
Adoniran tem boas lembranças da infância, "pobrinha, mas tranquila":
Já em São Paulo, passou por uma variedade enorme de empregos, sem se dar bem. Foi operário de fábrica de tecidos, serralheiro, pintor de parede, ferragista, encanador, balconista, metalúrgico, garçom.
Tinha 14 anos quando o pai, empregado em olarias, descobriu que seria rendoso trabalhar perto da Capital, onde, de quebra, os filhos homens encontrariam colocação. Assim, em 1924 a família se mudou para Santo André.
Adoniran tem boas lembranças da infância, "pobrinha, mas tranquila":
"Uma infância comum. Não miserável. Tinha tudo. Boa comidinha em casa. Com minha mãe, meu pai, tudo".Fez até o 3º ano primário, entregou marmitas.
Já em São Paulo, passou por uma variedade enorme de empregos, sem se dar bem. Foi operário de fábrica de tecidos, serralheiro, pintor de parede, ferragista, encanador, balconista, metalúrgico, garçom.
"Não parava em emprego nenhum. Fui tanta coisa que nem me lembro".Nas horas de folga, gostava de assistir aos ensaios das bandas de música. Até que um dia faltou o tocador de caixa e ele se ofereceu para substituir.
"Isso lá por 1926, 28, mais ou menos. Então eu gostei tanto da coisa que comecei a estudar música. Comprei um flautim, passei a tocar o danadinho também".
"NO BARALHO TEM UM ÁS DE OURO.
NA RÁDIO SÃO PAULO TEM TRÊS"
NA RÁDIO SÃO PAULO TEM TRÊS"
Em 1932 ele veio morar sozinho em São Paulo. Logo começou a frequentar as rádios, cantando sambas em programas de calouros.
No do animador Jorge Amaral, na rádio Cruzeiro do Sul, ganhou um 1º prêmio interpretando "Filosofia", de Noel Rosa, apropriada para sua voz rouquenha. Recebeu 25 mil réis e um contrato, pois teve a sorte de ser notado pelo Paraguaçu, diretor do programa.
Adotou um nome artístico que homenageava dois amigos: o funcionário do correio Adoniran e o sambista carioca Luiz Barbosa.
Cantou músicas alheias, com regional, nas rádios Cosmo (depois América), São Paulo, Difusora.
Em 1935, inscreveu "Dona Boa" (composição sua, em parceria com o pianista carioca J. Aymberê) no concurso para o carnaval oficial da Prefeitura paulista. Ganhou o 1º prêmio: 500 mil réis.
O cheque foi descontado na Praça da Sé e o dinheiro mal deu para a farra que Adoniran e os amigos aprontaram. Ele acabou voltando a pé para casa.
Nesse mesmo concurso, o 2º lugar ficou com outro novato, o Ranchinho. E Adoniran se encontraria com a notável dupla caipira Alvarenga e Ranchinho no cast da rádio São Paulo, ainda em 1935.
Foi quando saiu a primeira matéria sobre ele em jornal, com um título que ainda hoje repete de memória:
No do animador Jorge Amaral, na rádio Cruzeiro do Sul, ganhou um 1º prêmio interpretando "Filosofia", de Noel Rosa, apropriada para sua voz rouquenha. Recebeu 25 mil réis e um contrato, pois teve a sorte de ser notado pelo Paraguaçu, diretor do programa.
Adotou um nome artístico que homenageava dois amigos: o funcionário do correio Adoniran e o sambista carioca Luiz Barbosa.
Cantou músicas alheias, com regional, nas rádios Cosmo (depois América), São Paulo, Difusora.
Em 1935, inscreveu "Dona Boa" (composição sua, em parceria com o pianista carioca J. Aymberê) no concurso para o carnaval oficial da Prefeitura paulista. Ganhou o 1º prêmio: 500 mil réis.
O cheque foi descontado na Praça da Sé e o dinheiro mal deu para a farra que Adoniran e os amigos aprontaram. Ele acabou voltando a pé para casa.
Nesse mesmo concurso, o 2º lugar ficou com outro novato, o Ranchinho. E Adoniran se encontraria com a notável dupla caipira Alvarenga e Ranchinho no cast da rádio São Paulo, ainda em 1935.
Foi quando saiu a primeira matéria sobre ele em jornal, com um título que ainda hoje repete de memória:
"No baralho tem um ás de ouro. Na Rádio São Paulo tem três: Adoniran Barbosa, Ranchinho e Alvarenga".
"EU FALANDO JÁ ERA UMA PIADA"
Um dia, o Blota Jr. e o Vicente Leporace resolveram fazer uma experiência e colocaram o Adoniran num programa humorístico que eles tinham na rádio Cruzeiro do Sul. O auditório entrou em delírio.
E, a partir daí, a carreira de rádio-ator passou a ser sua principal ocupação, deixando a música em segundo plano até 1969, quando ele "se aposentou".
Transferiu-se para a rádio Record em 1942, chamado pelo Otávio Gabus Mendes. Os programas foram se sucedendo:
- Palmolive no Palco;
- Escolinha Risonha e Franca (ele era o Barbosinha Maleducado da Silva);
- Casa da Sogra (interpretava vários tipos: o galã de cinema francês Jean Rubinet, o professor de inglês Richard, o cobrador de prestações Moisés Rabinovichi, o chofer de táxi do Largo do Paissandu Perna Fina);
- Zé Conversa e Catarina ("o Zé Conversa era um crioulo folgado da Barra Funda que vestia a roupa do patrão para conquistar as empregadinhas");
- O Crime Não Compensa (este já era sério e o Adoniran fazia sempre o criminoso).
Mas, o grande sucesso foi mesmo o História das Malocas, escrito por Osvaldo Molles (o Adoniran, com seu sotaque italiano, o chama de Molichi...) e inspirado no sucesso da música "Saudosa Maloca".
A galeria de tipos é inesquecível: a Teresoca, o Trabucão, Panela de Pressão, Pafunça. E o principal deles, "um preto da favela, vagabundo, que não faz nada", marcaria época, interpretado por Adoniran: o Charutinho.
[Trata-se de mais um dos personagens curiosos baseados no carismático presidente do Corinthians, Alfredo Ignácio Trindade. Outro deles é o político populista vivido por José Lewgoy no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha.]
O História das Malocas ficou no ar de 1954 a 1968, em dois horários: domingo às 12h e sexta-feira às 21h. Adoniran diz que ele foi o programa humorístico de maior audiência do rádio brasileiro, graças ao talento de Molles ("igual a esse não apareceu mais nenhum e nem vai aparecer").
Pergunto se ele próprio, Adoniran, chegava a criar alguma piada.
A galeria de tipos é inesquecível: a Teresoca, o Trabucão, Panela de Pressão, Pafunça. E o principal deles, "um preto da favela, vagabundo, que não faz nada", marcaria época, interpretado por Adoniran: o Charutinho.
[Trata-se de mais um dos personagens curiosos baseados no carismático presidente do Corinthians, Alfredo Ignácio Trindade. Outro deles é o político populista vivido por José Lewgoy no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha.]
O História das Malocas ficou no ar de 1954 a 1968, em dois horários: domingo às 12h e sexta-feira às 21h. Adoniran diz que ele foi o programa humorístico de maior audiência do rádio brasileiro, graças ao talento de Molles ("igual a esse não apareceu mais nenhum e nem vai aparecer").
Pergunto se ele próprio, Adoniran, chegava a criar alguma piada.
"Eu não. E nem precisava, que eu falando já era uma piada."
A CONSAGRAÇÃO, NA CAPITAL DO SAMBA
"Antigamente era difícil entrar e mais difícil ainda fazer sucesso. Ninguém queria nada com a gente. O elevador vazio, para artista sem nome, estava sempre lotado. E a gente tinha ficar dando em cima das gravadoras, dos cantores, dos locutores, dos diretores artísticos."A confissão de Adoniran explica bem porque compôs de forma tão descontínua: "Joga a Chave", "Malvina" e "Iracema", em 1943; pausa até 1950, ano de "Saudosa Maloca", "Samba do Arnesto" e "Os Mimoso Colibri"; novo lapso até 1956, quando suas composições antigos fazem sucesso na interpretação dos Demônios da Garoa e ele se anima a uma parceria com Vinícius de Moraes, "Bom Dia Tristeza", que Aracy de Almeida gravou.
Finalmente, em 1964, o grande sucesso: "Trem das Onze", que, sem ser música carnavalesca, acabou se tornando um dos cinco sambas mais executados no carnaval do centenário do Rio de Janeiro, valendo a Adoniran 2 mil cruzeiros de prêmio e um troféu que ele exibe até hoje, com a inscrição "Adoniran Barbosa, campeão carioca do carnaval".
Era o coroamento de sua carreira de compositor paulista, consagrar-se na capital do samba!
E depois? O justo reconhecimento, a possibilidade de gravar seu próprio LP, a aceitação de seus sambas originais, falando de tipos esquecidos do cotidiano em seu linguajar simples e cheio de erros de português?
Nada disso. Mais um período obscuro, de vacas magras. E ele , que já atuara no cinema (inclusive em O Cangaceiro), chega ao fim dos anos 60 fazendo pontas em novelas da TV Tupi, como Mulheres de Areia e Ovelha Negra.
ARNESTO E A CENSURA ORTOGRÁFICA
Foi então que o produtor musical João Carlos Botezelli, o Pelão, tornou-se seu amigo e começou a corrigir as injustiças de toda uma vida.
Levou Adoniran para se apresentar no teatro Treze de Maio, foi um tremendo êxito.
Conseguiu que ele gravasse o primeiro LP na Odeon, em 1975. Dá-se o episódio pitoresco da impossibilidade de colocar nesse disco, que reuniu seus grandes sucessos, o "Samba do Arnesto", porque um decreto oficial proibia o mau uso do vernáculo nos veículos de comunicação.
O professor Antônio Cândido sai em defesa de Adoniran, na contracapa:
"Já tenho lido que ele usa uma linguagem misturada de italiano e português. Não concordo. Da mistura, que é o sal de nossa terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba e da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se aliaram com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa nóis fumo e não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse País".
"NÓIS GANHA POCO, MAIS NÓIS SI DIVERTI"
Mais um LP em 1976. E um novo hiato hiato até agora, quando saiu o disco comemorativo de seus 70 anos, em meio a todas as festividades programadas pela Emi-Odeon. Um sucesso certo, a julgar por sua qualidade, pela repercussão da data e pelo peso dos convidados (Clementina de Jesus, Clara Nunes, Carlinhos Vergueiro, Djavan, Elis Regina, Gonzaguinha, MPB-4, etc.).
E depois? Quanto tempo levará até que o público recorde novamente esse que é um dos mais sensíveis e humanos retratistas do seu cotidiano? Meses? Anos?
Não importa. Adoniran seguirá mantendo seus rituais diários, resistindo obstinadamente à velhice e à acomodação.
Continuará se apresentado pela periferia e pelo Interior, em faculdades, escolas, prefeituras, entusiasmado com o público jovem que conquistou ("Até a criançada já me conhece!" - afirma, orgulhoso).
Não importa que volte dessas excursões exausto, desabe na cama e permaneça o dia e a noite toda recuperando as forças.
E se alguém lhe perguntar se gosta da vida que leva, decerto ele responderá sinceramente que sim, talvez até acrescentando sua frase célebre:
E depois? Quanto tempo levará até que o público recorde novamente esse que é um dos mais sensíveis e humanos retratistas do seu cotidiano? Meses? Anos?
Não importa. Adoniran seguirá mantendo seus rituais diários, resistindo obstinadamente à velhice e à acomodação.
Continuará se apresentado pela periferia e pelo Interior, em faculdades, escolas, prefeituras, entusiasmado com o público jovem que conquistou ("Até a criançada já me conhece!" - afirma, orgulhoso).
Não importa que volte dessas excursões exausto, desabe na cama e permaneça o dia e a noite toda recuperando as forças.
E se alguém lhe perguntar se gosta da vida que leva, decerto ele responderá sinceramente que sim, talvez até acrescentando sua frase célebre:
"Nóis ganha poco, mais nóis si diverti!"Obs.: presumivelmente, depois da onda toda da efeméride, Adoniran voltou a ser esquecido pela mídia, que só se ocupou dele de novo ao publicar-lhe o necrológio, dois anos mais tarde. Relendo hoje esta entrevista, percebi um pequeno senão: ela deixa a impressão que Adoniran compôs bem menos do que a centena de canções das quais foi autor, inclusive outras que mereciam ser citadas, como "Tiro ao Álvaro", "Prova de Carinho" e "Aqui Geralda".
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