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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"Os direitos se tomam, não se pedem; se arrancam, não se mendigam" José Martí

José Martí, Henfil e Jaguar

"Os direitos se tomam, não se pedem; se arrancam, não se mendigam" José Martí 


nunca o contexto ajuda, sempre há muita injustiça, muitos crimes, muitas tragédias, entretanto o que é crucial para fazer as coisas melhorarem, é a força, a união, a determinação e a luta das pessoas!
os malditos sempre existiram neste planeta, as catástrofes naturais, idem, e é bom saber que com a luta do povo tudo pode melhorar!

Nadia Gal Stabile - 22 12 2016








quinta-feira, 18 de setembro de 2014

CLEUBER - está na história do Sarau para Todos

em 2008, ou 2009, colocava este cartoon(com o Lula)
de Cleuber na barra lateral deste blog.
Cleuber é um grande artista! 
agradeço a presença dele por aqui 
e pelo blog Náufrago da Utopia, 
de Celso Lungaretti, onde ele produzia 
charges especificas para as postagens do blog. 
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/



http://www.diarioliberdade.org/brasil/cultura-m%C3%BAsica/13792-entrevista-a-cleuber-o-cartunista-guerrilheiro.html



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

VIVA O HUMOR, ABAIXO A CARRANCA!

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Desde os tempos de Aparício Torelly (o mui digno Barão de Itararé), a sátira política é um respiradouro para cidadãos sem meios mais efetivos para confrontarem os poderosos.

"Manda quem pode e obedece quem tem juízo", diziam os antigos. Mas, submeter-se ao mandonismo ofende e amargura homens livres. O desabafo na forma de humor é o paliativo que desopila seu fígado e lhes permite conservar o amor próprio.

Vai daí que, depois de um longo e tenebroso inverno, posso finalmente elogiar uma decisão de ministro do Supremo Tribunal Federal: a de Carlos Ayres Britto, concedendo liminar contra o dispositivo casmurro da Justiça Eleitoral, tentando impedir que as emissoras de rádio e TV ridicularizem os sumamente ridículos candidatos ao próximo pleito.

O único erro dos humoristas é a redundância: os integrantes dessa inacreditável legião de feios, sujos e malvados tudo fazem para desmoralizar a si próprios, na caça sôfrega aos votos.

As imagens do programa eleitoral gratuito superam as mais grotescas aberrações concebidas pela genialidade delirante de Federico Fellini.

E, como as ervas daninhas crescem com mais vigor e os maus exemplos sempre frutificam nestes tristes trópicos, sabe-se lá até onde uma escalada censória poderia chegar. Melhor esmagarmos o quanto antes o ovo da serpente.

Preservemos o que ainda resta de cordialidade no brasileiro!

E prestemos tributo a heróis esquecidos como Alvarenga e Ranchinho que, por volta de 1940, depois de exporem em suas apresentações a nudez do ditador Getúlio Vargas, fugiam antes da chegada da Polícia.

[Cheguei a assisti-los, já idosos, detonando o  homem da vassoura  com uma paródia da clássica "Menino de Braçanã", de Luiz Vieira. Em vez de "quem anda com Deus não tem medo de assombração", cantavam "quem já viu o Jânio Quadros não tem medo de assombração"...]


Glória eterna ao grande Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta, cuja série Febeapá (Festival de Besteiras Que Assola o País) disse tudo que havia a dizer-se sobre a ditadura militar, no tempo em que ela se caracterizava mais pelo besteirol -- a bestialidade só passou a dar a tônica depois da morte do Lalau.

À extraordinária equipe de humoristas de O Pasquim, com destaque para o benjamim que acabou se tornando o melhor da turma: Henfil.

E, claro, também ao menestrel Juca Chaves, autor de sátiras inspiradíssimas como Dona Maria Tereza (conselhos à esposa do então presidente), que bem merece encerrar esta digressão:

Dona Maria Tereza,
diga a seu Jango Goulart
que a vida está uma tristeza,
que a fome está de amargar.

E o povo necessitado
precisa um salário novo,
mais baixo pro deputado,
mais alto pro nosso povo.

Dona Maria Tereza,
assim o Brasil vai pra trás,
quem deve falar, fala pouco,
Lacerda já fala demais.

Enquanto feijão dá sumiço,
e o dólar se perde de vista,
o Globo diz que tudo isso
é culpa de comunista.

Dona Maria Tereza,
diga a seu Jango porque
o povo vê quase tudo,
só o Parlamento não vê.

Dona Maria Tereza,
diga a seu Jango Goulart,
lugar de feijão é na mesa,
Lacerda é noutro lugar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

SERÁ QUE EU VOU VIRAR BOLOR?

CHARGE DE CLEUBER (clique para ampliar)
http://www.tracodeguerrilha.blogspot.com


"Venho me apegando aos meus sonhos
e à minha velha motocicleta.
Não gosto do pessoal da Nasa,
cadê meu disco voador?
O que é isso, meu amor?
Será que eu vou morrer de dor,
será que eu vou virar bolor?"
(Arnaldo Dias Baptista)

Atingir tal ou qual idade deixa de ser realmente importante para nós depois de completarmos 18 anos. Aí já estamos na posse de todos os nossos direitos civis, podemos votar, dirigir quaisquer veículos, assistir a todos os filmes e peças que quisermos.

Mas, em termos simbólicos, continuamos acreditando que, quando totalizamos um certo número de décadas, nossa vida muda.

A Geração 1968, p. ex., conviveu com aquela palavra-de-ordem das barricadas parisienses, "não confie em ninguém com mais de 30 anos!". Houve até uma musiquinha oportunista por aqui aproveitando a onda.

Esperei com impaciência o fatídico dia em que eu deixaria de ser confiável para os contestadores do stablishment. Mal acabara de despertar, fui correndo me olhar no espelho, para ver se tinha sofrido uma metamorfose durante o sono. Que alívio! Continuava o mesmo de sempre, mais para bicho-grilo do que para caretão (era o tempo em que editava revistas de rock)...

Aos 50, entretanto, tomei a decisão de mudar toda a minha vida, saindo de um casamento desgastado, procurando uma nova companheira, tendo filhos. Foi só coincidência ou, realmente, chegar àquela idade mexeu com minha cabeça? Sei lá...

No ano passado, o grande pensador Luiz Inácio Lula da Silva colocou outra pedra no meu futuro, ao dizer que os sexagenários, ou se tornam conservadores como ele, ou têm um parafuso solto na cabeça.

O pior é que David Mamet, o melhor dramaturgo estadunidense das últimas décadas, estava com exatos 60 anos ao dar entrada no cemitério dos mortos-vivos (que saudades do Henfil!). Foi quando declarou:

"Como quase todos os liberais americanos, consumo produtos de corporações e muitas vezes anseio por eles. Então, por que sempre vociferar contra as grandes empresas e dizer que são a encarnação do mal? Percebi que nem tudo está sempre errado à minha volta. Que aceitar uma sociedade de livre mercado é muito mais condizente com a minha experiência de vida do que a visão que eu mantinha antes – a crença de que uma sociedade em que o estado intervém é melhor. E, ainda, que não posso abominar todos os que são de direita, porque convivo com eles no trabalho, na reunião de pais e mestres, na minha rua, e gosto de muitos deles".

Será que, em outubro de 2010, eu também vou virar bolor? Quero crer que não.

Talvez porque as geringonças fabricadas pelas grandes empresas nunca tenham sido fundamentais para mim. Algumas me proporcionam conforto e simplificam minha vida, claro. Mas, já passei muito tempo sem elas e posso voltar a fazê-lo, sem traumas.

Quando começava minha carreira, conheci um veterano jornalista do Diário do Comércio (SP), chamado Waterlando João Alípio, que garantia ser capaz de sobreviver mesmo que a civilização acabasse: sabia caçar, pescar e não se incomodava de viver no meio do mato.

Sem chegar a tal exagero, acho que também conseguiria, mesmo que a duras penas, adaptar-me a um mundo pós-apocalíptico. Sou um bocado teimoso.

Da perspectiva que tenho nestes tristes trópicos, que me desculpe Mamet, tudo está realmente sempre errado à minha volta. O tal do livre mercado me fornece qualquer coisa que queira comprar, desde que, com sangue, suor e lágrimas, consiga pagar as prestações. De quebra, às vezes me faz comer o pão que o diabo amassou por conta de uma recessão que não causei.

Cá com meus botões, nunca deixarei de pensar que, dispensando tudo que é parasitário e inútil (bancos, governos, burocracias, propaganda, cursos burrificantes, objetos de luxo e mil etceteras), cada cidadão do País e do planeta poderia dispor do necessário para uma existência realmente digna -- trabalhando muito menos do que agora.

Também abomino uma sociedade em que o Estado mete o nariz em tudo e até grampeia nossos telefones. Aliás, estou com Proudhon e não abro:

"Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, identificado, doutrinado, aconselhado, controlado, avaliado, pesado, censurado, comandado por outros que não têm nem o título nem a ciência, nem a virtude. (...) Depois, ao menor resmungo, à primeira palavra de reclamação, reprimido, multado, enforcado, hospitalizado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído, e por cúmulo, jogado, ludibriado, ultrajado, desonrado".

Mas, quem disse que a estatização é a única opção em relação ao ao livre mercado? Por que não podemos nos associar livremente para criarmos outro tipo de sociedade, com os cidadãos assumindo e repartindo as funções hoje desempenhadas pelo Estado? Isso era bem mais difícil de viabilizar na época de Proudhon do que agora. Só falta vontade política e - por que não dizer? - espírito de luta. Isto os contemporâneos de Proudhon tinham muito mais do que nós.

Finalmente: quanto às pessoas de direita, não vou destratá-las apenas por serem escravas do sistema. Afinal, além de brasileiro cordial, sou cristão. Perdoo os que não sabem o que dizem.

Por tudo isto, confio em que, tanto quanto o eterno Mutante, eu não vá virar bolor. Aos 60 ou aos 100 anos.

Vai ver que tenho mesmo o tal parafuso solto...
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