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sexta-feira, 26 de junho de 2015
domingo, 4 de maio de 2014
Escolarizando o Mundo - Completo Legendado [Schooling the World]
O filme examina o pressuposto escondido da superioridade cultural por trás dos projetos de ajuda educacionais, que, no discurso, procuram ajudar crianças a "escapar" para uma vida "melhor".
Aponta a falha da educação institucional em cumprir a promessa de retirar as pessoas da pobreza -- tanto nos Estados Unidos quanto no chamado mundo "em desenvolvimento".
E questiona nossas definições de riqueza e pobreza -- e de conhecimento e ignorância -- quando desmascara o papel das escolas na destruição do conhecimento tradicional sustentável agroecológico, no rompimento das famílias e comunidades, e na desvalorização das tradições espirituais ancestrais.
Finalmente, ESCOLARIZANDO O MUNDO faz um chamado por um "diálogo profundo" entre as culturas, sugerindo que nós temos, ao menos, tanto a aprender quanto a ensinar, e que essas sociedades sustentáveis ancestrais podem ser portadoras do conhecimento que é vital para nossa própria sobrevivência no próximo milênio.
Aponta a falha da educação institucional em cumprir a promessa de retirar as pessoas da pobreza -- tanto nos Estados Unidos quanto no chamado mundo "em desenvolvimento".
E questiona nossas definições de riqueza e pobreza -- e de conhecimento e ignorância -- quando desmascara o papel das escolas na destruição do conhecimento tradicional sustentável agroecológico, no rompimento das famílias e comunidades, e na desvalorização das tradições espirituais ancestrais.
Finalmente, ESCOLARIZANDO O MUNDO faz um chamado por um "diálogo profundo" entre as culturas, sugerindo que nós temos, ao menos, tanto a aprender quanto a ensinar, e que essas sociedades sustentáveis ancestrais podem ser portadoras do conhecimento que é vital para nossa própria sobrevivência no próximo milênio.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Reich, Fromm e Marcuse - Perversões
Sobre a Crítica da
Perversão Social em
Reich, Fromm e Marcuse
CARLOS AUGUSTO PEIXOTO JUNIOR
Para ler na íntegra clique no link:
http://www.scielo.br/pdf/physis/v8n1/06.pdf
CARLOS AUGUSTO PEIXOTO JUNIOR
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segunda-feira, 11 de junho de 2012
AS CAUSAS LGBT, A INTOLERÂNCIA, O CAPITALISMO E A REVOLUÇÃO
Por Celso Lungaretti
Estive
neste sábado (9) num ato-debate sobre casamento civil igualitário que
teve lugar num hotel do centro velho de SP, reunindo porta-vozes das
causas LGBT, o deputado federal Jean Wyllys, o deputado estadual Carlos
Giannazi e o presidente do diretório paulistano do PSOL, Maurício Costa.
No final, para minha surpresa, Giannazi se referiu a Wylly como o ovo da serpente (relativamente aos interesses por ela representados) que a TV Globo incubou no seu detestável reality show Big Brother Brasil: "Não sabiam quem estavam promovendo"...
A ficha me caiu: sim, eu lembrava vagamente de sua participação no BBB, por haver sido, vez por outra, obrigado a assistir ao programa quando visitava parentes. Mas, minha aversão pelo BBB sempre foi profunda, daí nunca ter fixado aquelas figuras geralmente patéticas que a Globo pinça para transformar em fugazes Cinderelas.
[Afora as óbvias restrições ideológicas que faço ao BBB e à Globo, há outro aspecto envolvido: tenho grande apreço pelos --e enorme saudade dos-- ídolos artísticos que abriam seu caminho à base da raça e do talento, como os da MPB dos anos 60 e os roqueiros das chamadas três primeiras gerações do rock. Aproveitando uma brecha histórica, eles conseguiram impor-se à indústria cultural, que teve de os engolir. Depois, o sistema readquiriu o controle e voltou a impingir cascalhos como pedras preciosas a bel-prazer, afirmando seu poder de eleger quem se tornará celebridade graças tão-somente a produção e holofotes, enquanto condena muitos diamantes brutos a nunca virarem brilhantes.]
Menos mal que, dentre duas centenas de sapos tocados pela vara de condão global, um haja se revelado príncipe.
Wyllys é autor da proposta de emenda constitucional que equipara o casamento homossexual ao heterossexual. [Uma bela frase que encontrei num blogue de cinema: "O casamento é um direito dos humanos, não um privilégio dos heterossexuais".]
Ele, Giannazi e Costa defenderam convincentemente a bandeira. Falaram também uns 20 representantes de coletivos e/ou expoentes LGBT.
O mestre de cerimônias não sentiu-se obrigado a respeitar a ordem de inscrição das intervenções individuais: primeiro da lista, fui preterido. Houve, claro, profusão de mais do mesmo e ninguém tocou nos pontos que eu abordaria.
Eu teria falado em nome da geração 68, meu grande referencial até hoje.
Lembraria que foi quando todos os outsiders marchamos juntos, braços dados ou não, irmanados na rejeição à ditadura militar e à própria ordem burguesa que ela representava, tabus sexuais inclusos.
Que sofremos terrível derrota e, nas décadas seguintes, a mágica união se desfez e cada grupo passou a perseguir seus objetivos por si, com maior ou menor êxito.
Que há, sim, mais tolerância à diversidade atualmente; e também muitos objetivos ainda por conquistar.
Mas, que nenhuma conquista será definitiva enquanto não mudarmos as relações de poder na sociedade.
A tortura é proibida, mas o pau canta adoidado em nossas delegacias e presídios.
Turbas lincharem cidadãos às escâncaras é impensável, mas isto ocorre amiúde na mesma Avenida Paulista que é palco neste domingo da Parada de Orgulho LGBT.
A presença de tropas de choque num campus é aberração característica dos tempos nefandos de Hitler e Médici, mas voltou a existir na principal universidade brasileira.
Nosso país não extradita perseguidos políticos, mas tivemos de suar sangue para evitar a extradição de Cesare Battisti.
Salta aos olhos que os nostálgicos da ditadura militar e seus pupilos tramam o retrocesso, testando com seus balões de ensaio (barbárie no Pinheirinho, blitzkrieg na Cracolândia, tropas de elite nos morros cariocas...) a resistência da sociedade ao totalitarismo.
Então, é preciso termos clareza quanto ao verdadeiro inimigo.
Sofremos todos as consequências de uma ordem econômica e social alicerçada na ganância e no estímulo à diferenciação, que permanentemente coloca as pessoas umas contra as outras, em competição tão inútil quanto insana e canibalesca: o inimigo são os outros, o inferno são os outros.
E existem os que nos propomos a direcionar os frutos do trabalho humano para o bem comum, somando forças e coordenando esforços para todos termos o necessário para uma existência digna e a podermos desfrutar plenamente, em comunhão com a coletividade e em harmonia com a natureza.
A intolerância, com seus avanços e retrocessos, perdurará enquanto existir o capitalismo.
A tolerância só se consolidará irreversivelmente quando cada ser humano tiver nos outros seres humanos seus parceiros e irmãos, não mais seus adversários.
Daí a importância das tentativas que fazemos de reatar os fios da revolução, voltando a unir as tendências e vertentes que estavam juntas em 1968 e precisam juntar-se de novo para a edificação de uma sociedade na qual nunca mais viceje a cultura do ódio.
Isto eu gostaria de haver dito. E estarei sempre pronto para dizer aos que quiserem ouvir algo além da reiteração daquilo que já é ponto pacífico.
OUTROS ARTIGOS RECENTES (clique p/ abrir):
O DRAMA DA ESPANHA E UMA CANÇÃO PREMONITÓRIA
DE HORA EM HORA A MARACUTAIA DA TRANSPOSIÇÃO PIORA
GILSON DIPP: SEU LUGAR NÃO É NA COMISSÃO DA VERDADE!!! .
No final, para minha surpresa, Giannazi se referiu a Wylly como o ovo da serpente (relativamente aos interesses por ela representados) que a TV Globo incubou no seu detestável reality show Big Brother Brasil: "Não sabiam quem estavam promovendo"...
A ficha me caiu: sim, eu lembrava vagamente de sua participação no BBB, por haver sido, vez por outra, obrigado a assistir ao programa quando visitava parentes. Mas, minha aversão pelo BBB sempre foi profunda, daí nunca ter fixado aquelas figuras geralmente patéticas que a Globo pinça para transformar em fugazes Cinderelas.
[Afora as óbvias restrições ideológicas que faço ao BBB e à Globo, há outro aspecto envolvido: tenho grande apreço pelos --e enorme saudade dos-- ídolos artísticos que abriam seu caminho à base da raça e do talento, como os da MPB dos anos 60 e os roqueiros das chamadas três primeiras gerações do rock. Aproveitando uma brecha histórica, eles conseguiram impor-se à indústria cultural, que teve de os engolir. Depois, o sistema readquiriu o controle e voltou a impingir cascalhos como pedras preciosas a bel-prazer, afirmando seu poder de eleger quem se tornará celebridade graças tão-somente a produção e holofotes, enquanto condena muitos diamantes brutos a nunca virarem brilhantes.]
Menos mal que, dentre duas centenas de sapos tocados pela vara de condão global, um haja se revelado príncipe.
Wyllys é autor da proposta de emenda constitucional que equipara o casamento homossexual ao heterossexual. [Uma bela frase que encontrei num blogue de cinema: "O casamento é um direito dos humanos, não um privilégio dos heterossexuais".]
Ele, Giannazi e Costa defenderam convincentemente a bandeira. Falaram também uns 20 representantes de coletivos e/ou expoentes LGBT.
O mestre de cerimônias não sentiu-se obrigado a respeitar a ordem de inscrição das intervenções individuais: primeiro da lista, fui preterido. Houve, claro, profusão de mais do mesmo e ninguém tocou nos pontos que eu abordaria.
Eu teria falado em nome da geração 68, meu grande referencial até hoje.
Lembraria que foi quando todos os outsiders marchamos juntos, braços dados ou não, irmanados na rejeição à ditadura militar e à própria ordem burguesa que ela representava, tabus sexuais inclusos.
Que sofremos terrível derrota e, nas décadas seguintes, a mágica união se desfez e cada grupo passou a perseguir seus objetivos por si, com maior ou menor êxito.
Que há, sim, mais tolerância à diversidade atualmente; e também muitos objetivos ainda por conquistar.
Mas, que nenhuma conquista será definitiva enquanto não mudarmos as relações de poder na sociedade.
A tortura é proibida, mas o pau canta adoidado em nossas delegacias e presídios.
Turbas lincharem cidadãos às escâncaras é impensável, mas isto ocorre amiúde na mesma Avenida Paulista que é palco neste domingo da Parada de Orgulho LGBT.
A presença de tropas de choque num campus é aberração característica dos tempos nefandos de Hitler e Médici, mas voltou a existir na principal universidade brasileira.
Nosso país não extradita perseguidos políticos, mas tivemos de suar sangue para evitar a extradição de Cesare Battisti.
Salta aos olhos que os nostálgicos da ditadura militar e seus pupilos tramam o retrocesso, testando com seus balões de ensaio (barbárie no Pinheirinho, blitzkrieg na Cracolândia, tropas de elite nos morros cariocas...) a resistência da sociedade ao totalitarismo.
Então, é preciso termos clareza quanto ao verdadeiro inimigo.
Sofremos todos as consequências de uma ordem econômica e social alicerçada na ganância e no estímulo à diferenciação, que permanentemente coloca as pessoas umas contra as outras, em competição tão inútil quanto insana e canibalesca: o inimigo são os outros, o inferno são os outros.
E existem os que nos propomos a direcionar os frutos do trabalho humano para o bem comum, somando forças e coordenando esforços para todos termos o necessário para uma existência digna e a podermos desfrutar plenamente, em comunhão com a coletividade e em harmonia com a natureza.
A intolerância, com seus avanços e retrocessos, perdurará enquanto existir o capitalismo.
A tolerância só se consolidará irreversivelmente quando cada ser humano tiver nos outros seres humanos seus parceiros e irmãos, não mais seus adversários.
Daí a importância das tentativas que fazemos de reatar os fios da revolução, voltando a unir as tendências e vertentes que estavam juntas em 1968 e precisam juntar-se de novo para a edificação de uma sociedade na qual nunca mais viceje a cultura do ódio.
Isto eu gostaria de haver dito. E estarei sempre pronto para dizer aos que quiserem ouvir algo além da reiteração daquilo que já é ponto pacífico.
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O DRAMA DA ESPANHA E UMA CANÇÃO PREMONITÓRIA
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REVOLUÇÃO
segunda-feira, 7 de maio de 2012
A FALSA CONSCIÊNCIA E A ESQUERDA QUE COM ELA COMPACTUA
Por Celso Lungaretti
Como
faz falta uma esquerda à moda antiga, que não tenha medo medo de dizer
em alto e bom som que o problema fundamental nas nações capitalistas é
exatamente o fato de serem capitalistas!
No Brasil, a esquerda que perdeu a vontade de fazer a revolução, preferindo disputar nacos de poder sob o capitalismo, embarca grotescamente no denuncismo contra a corrupção, pautado pelo inimigo e insuflado ad nauseam pela indústria cultural do inimigo.
Com isto, o debate político permanece há anos estagnado e não se oferece aos trabalhadores uma PERSPECTIVA REVOLUCIONÁRIA.
Bem dizia o Paulo Francis, nos seus melhores dias: o combate à corrupção é bandeira da direita.
A corrupção é inerente ao sistema que coloca a ganância e a busca da diferenciação acima de todos os outros valores, inclusive a família e a vida; haverá sempre algum político querendo levar vantagem por meios escusos e sua momentânea colocação na berlinda será sempre conveniente para quem está empenhado em evitar que os explorados reflitam sobre os caminhos concretos para darem um fim à exploração.
Entra CPI, sai CPI e nada verdadeiramente muda, ninguém é verdadeiramente punido, só cumpre um período de ostracismo e depois volta à tona, belo e lampeiro. Os acusados de uma podem até se tornar os juízes de outra, como Fernando Collor.
No Brasil, a esquerda que perdeu a vontade de fazer a revolução, preferindo disputar nacos de poder sob o capitalismo, embarca grotescamente no denuncismo contra a corrupção, pautado pelo inimigo e insuflado ad nauseam pela indústria cultural do inimigo.
Com isto, o debate político permanece há anos estagnado e não se oferece aos trabalhadores uma PERSPECTIVA REVOLUCIONÁRIA.
Bem dizia o Paulo Francis, nos seus melhores dias: o combate à corrupção é bandeira da direita.
A corrupção é inerente ao sistema que coloca a ganância e a busca da diferenciação acima de todos os outros valores, inclusive a família e a vida; haverá sempre algum político querendo levar vantagem por meios escusos e sua momentânea colocação na berlinda será sempre conveniente para quem está empenhado em evitar que os explorados reflitam sobre os caminhos concretos para darem um fim à exploração.
Entra CPI, sai CPI e nada verdadeiramente muda, ninguém é verdadeiramente punido, só cumpre um período de ostracismo e depois volta à tona, belo e lampeiro. Os acusados de uma podem até se tornar os juízes de outra, como Fernando Collor.
Caberia
à esquerda brasileira dizer aos explorados: "Isto é só poeira colorida
que o sistema joga nos seus olhos, para que sintam-se vingados vendo um
poderoso cair no opróbrio! Vocês precisam é de que os frutos do seu
trabalho não lhes sejam usurpados, não de catarse barata!".
Assim como caberia à esquerda européia (começando pela da França, onde a xenofobia virou grande tema eleitoral...) dizer aos explorados de lá: "Não são os imigrantes que desgraçam sua vida ao disputarem postos de trabalho consigo mas sim o capitalismo, ao forçar os trabalhadores a uma competição zoológica por bens que poderiam sobrar para todos, se a produção fosse voltada para o atendimento das necessidades humanas e o que se produz fosse distribuído equitativamente entre todos os seres humanos".
Mas, não o fazem. Então, entregues à FALSA CONSCIÊNCIA que o sistema tudo faz para neles incutir, os explorados daqui esbravejam contra todos os políticos e descreem na atividade política como caminho para forjarem uma sociedade mais justa, enquanto os explorados de lá hostilizam irmãos ao invés de buscarem seu apoio na luta contra o verdadeiro vilão, o capitalismo.
Até que a esquerda volte a ser revolucionária, continuaremos patinando sem sair do lugar.
Assim como caberia à esquerda européia (começando pela da França, onde a xenofobia virou grande tema eleitoral...) dizer aos explorados de lá: "Não são os imigrantes que desgraçam sua vida ao disputarem postos de trabalho consigo mas sim o capitalismo, ao forçar os trabalhadores a uma competição zoológica por bens que poderiam sobrar para todos, se a produção fosse voltada para o atendimento das necessidades humanas e o que se produz fosse distribuído equitativamente entre todos os seres humanos".
Mas, não o fazem. Então, entregues à FALSA CONSCIÊNCIA que o sistema tudo faz para neles incutir, os explorados daqui esbravejam contra todos os políticos e descreem na atividade política como caminho para forjarem uma sociedade mais justa, enquanto os explorados de lá hostilizam irmãos ao invés de buscarem seu apoio na luta contra o verdadeiro vilão, o capitalismo.
Até que a esquerda volte a ser revolucionária, continuaremos patinando sem sair do lugar.
OUTROS ARTIGOS RECENTES (clique p/ abrir)ANISTIA DE 1979 NÃO IMPEDE QUE USTRA RESPONDA PELO ATENTADO DO RIOCENTRO
domingo, 22 de abril de 2012
A DESUMANIDADE É GLOBAL SOB O CAPITALISMO
Por Celso Lungaretti
Fiquei chocado com esta notícia tão sucinta da Folha de S. Paulo deste domingo (22):
"O governo espanhol aprovou anteontem uma lei que restringe o atendimento médico público a imigrantes ilegais, que terão acesso apenas aos serviços básicos: emergência, maternidade e atendimento médico infantil.Com a medida, o governo espera deixar de gastar € 500 mil neste ano. Desde 2000, o país não vive uma mudança tão radical na política sanitária, quando uma reforma na lei dava acesso às especialidades médicas somente aos imigrantes empregados".
Enquanto
o jornalão paulista noticiou de forma telegráfica, a maioria dos
veículos passou batida. Nem sequer na busca virtual encontrei grande
coisa.
Quem ainda é capaz de raciocinar e sentir como ser humano leu assim:
"O governo espanhol, para não despender um punhado de euros, decidiu entregar à morte pessoas (gente como a gente, pouco importando em qual país nasceram!), que têm doenças graves e requerem tratamento médico continuado".
Eu,
que nunca tive condições financeiras para fazer as viagens com as quais
sonhava, recebo uma melancólica compensação: fortíssimos motivos para
concluir que não teriam valiado a pena.
Caso
dos crimes impunes e dos deboches escancarados de Berlusconi, de seus
pogroms contra imigrantes, da indiferença ou anuência do cidadão comum
italiano face à perseguição infame contra Battisti. A Itália foi um
afeto que se encerrou para mim nos últimos anos. Pensava nela como um
país repleto de compassivos Mastroiannis; percebi não ter sido por acaso
que se prostrou a Mussolini.
Agora
é a Espanha que desfaz minhas ilusões, tratando os fugitivos da miséria
como lixo, tal qual outras nações vitimadas pelas crises cíclicas do
capitalismo. Na hora de sacrificar gente para salvar bancos, os
estrangeiros são sempre alvos preferenciais; e, mais ainda, os
imigrantes ilegais. "Primeiro os meus" é a lógica da xenofobia ignóbil,
da mesquinhez e da pequenez.
Nem
sequer na heróica Catalunha, que em outras posturas difere do restante
da Espanha, parece vicejar a solidariedade para com os coitadezas do
mundo.
Como cantou Vandré, "a vida não mudava/ mudando só de lugar".
A
desumanidade é global sob o capitalismo. Não há oásis. O que existe
são, aqui e ali, pessoas ainda movidas pela solidariedade e compaixão,
lutando para evitar que o homem seja o lobo do homem.
Estas pessoas carregam as esperanças de (e da) humanidade.
LEIA TAMBÉM, NO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):É DEFINITIVO: TENTAREI ABRIR UMA NOVA FRENTE DE ATUAÇÃO
sábado, 21 de abril de 2012
Pequena Imprensa Burguesa
É realmente entristecedor assistirmos ao noticiário nacional
e vermos a nossa "Grande" Imprensa ( cada vez mais "pequena"),
descaradamente tomando partido do grande capital
No caso mais recente, onde o governo argentino rompeu o contrato
com a multinacional espanhola YPF, por entendê-lo de teor abusivo,
causando assim, prejuízos monetários e de ordem estratégica à
Argentina, nossos principais jornais, telejornais e revistas, fizeram o
possível para desinformar a população, dando ao entender que a empresa
em questão, foi arbitrariamente desapropriada pelas autoridades argentinas
- o que não corresponde a realidade
E também não ressaltaram o fato da Justiça daquele país estar
trabalhando no intuito de chegar a um valor indenizatório que será
repassado a esta multinacional
É vergonhoso e criminoso o comportamento desta imprensa entreguista
que age de maneira sensacionalista com a intenção de proteger os
interesses daqueles que a sustentam - as grandes corporações
capitalistas
E para tanto, vivem articulando a desagregação e o revanchismo
entre os países da América latina, o que facilitaria a ação das aves
de rapina do capitalismo sobre uma presa desorientada e dispersa
Marcelo Roque
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
"PUSEMOS FOGO NOS BANCOS"
"Um membro do movimento anarquista de Atenas, que participou dos protestos de domingo, justificou os incêndios que atingiram cerca de 50 edifícios: 'Pusemos fogo nos bancos, nas grandes lojas internacionais, porque esses são os culpados da crise', disse à Folha o jovem, que não quis se identificar.
'O pacote aprovado pelo Parlamento é para salvar os bancos, e não o povo. A situação está terrível, as pessoas aqui estão se matando por não terem como pagar as contas. Até as faculdades, que antes eram gratuitas, nós teremos que pagar', criticou o estudante de economia".
É compreensível que os gregos reajam com violência à penúria que lhes está sendo imposta sem qualquer motivo aceitável --pois crise real não existe nenhuma.
Se as safras tivessem sido devastadas por catástrofes, os rebanhos dizimados por pestes ou a capacidade de geração de energia fosse insuficiente para as indústrias produzirem itens necessários, haveria problemas de verdade.
Se as safras tivessem sido devastadas por catástrofes, os rebanhos dizimados por pestes ou a capacidade de geração de energia fosse insuficiente para as indústrias produzirem itens necessários, haveria problemas de verdade.
Para os poderosos, seres humanos têm de ser abatidos --metaforicamente, ou mesmo a balas-- porque os números não batem.
Para os seres humanos, muito melhor será queimar-se tal contabilidade perversa.
Bem que Marcuse advertiu: a lavagem cerebral da indústria cultural condicionaria os homens a encararem a organização atual da sociedade como a única possível, a sentirem-se impotentes para mudar aquilo que os infelicita.
Então, ninguém mais se pergunta, seriamente: para que precisamos de bancos?
Para que precisamos de grandes lojas internacionais, ou lojas de qualquer tipo?
Por que precisamos pagar por seja lá o que for (vivendo nós também agoniados por causa de números que não batem)?
Não seria muito mais simples organizarmo-nos coletivamente para produzir o realmente necessário, entregando a cada família o quinhão de que realmente necessita e tendo muito mais tempo livre para fazermos o que quiséssemos?
Hoje já ultrapassamos a barreira da escassez e, se aproveitarmos racionalmente o potencial produtivo disponível, garantiremos tranquilamente a cada habitante do planeta tudo de que necessita para uma existência digna --sem estourarmo-nos de trabalhar e sem colocarmos a própria sobrevivência da humanidade em risco por causa da ganância desmedida.
Então, mais do que nunca, só depende de nós deixarmos de ser peões, não dançarmos mais amarrados pelo pescoço com cordão, não sermos mais empregados e também não virarmos patrões, como cantou o grande Elomar Figueira de Melo.
Então, mais do que nunca, só depende de nós deixarmos de ser peões, não dançarmos mais amarrados pelo pescoço com cordão, não sermos mais empregados e também não virarmos patrões, como cantou o grande Elomar Figueira de Melo.
É óbvia a impossibilidade de vivermos assim, como seres humanos dignos deste nome, sob o capitalismo. Mas, quem precisa verdadeiramente do capitalismo? O que nos impede de deletarmos os que parasitam nosso trabalho e fazermos nós mesmos o que tem de ser feito, em nosso benefício e dos que virão depois de nós?
Quando, secundarista de 17 anos, participei da minha primeira passeata, no início de 1968, fiquei frustradíssimo porque os universitários montaram um esquema de segurança para impedir o apedrejamento do First National City Bank, na famosa esquina da Ipiranga com a avenida São João. Aquelas vidraças eram uma tentação!
Viraram cacos quando a repressão se abateu sobre passeatas seguintes e ninguém viu mais motivo para refrear sua gana por justiça... simbólica.
Hoje, quando passo por esses imensos e luxuosíssimos bancos das nossas principais avenidas, não penso em vê-los apedrejados (ou queimados).
Penso em quanta coisa útil poderá ser feita nessas edificações, depois que enxotarmos os parasitas e as colocarmos a serviço dos homens.
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PALESTINO SEQUESTRADO POR ISRAEL PODE MORRER EM GREVE DE FOME
MASSACRES, VIOLÊNCIA SEXUAL, CRIMES CONTRA A HUMANIDADE: É A SÍRIA
SÃO PAULO É O GRANDE FOCO DIREITISTA DO PAÍS
SOBRE ASCENSOS E REFLUXOS REVOLUCIONÁRIOS
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SÃO PAULO É O GRANDE FOCO DIREITISTA DO PAÍS
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
O Império Contra Ataca
Com esta profunda crise financeira internacional que evidencia ainda mais
o quão nocivo é o regime Capitalista, e as crescentes manifestações por
todo o globo, onde milhões de pessoas saem às ruas demonstrando todo
o seu descontentamento com tal regime, é mais do que natural que a
Grande Imprensa , porta-voz e comparsa do capital, venha atacar mais
ferozmente o Socialismo através de matérias que, orquestradamente, são
repetidas em seus telejornais, jornais, rádios, revistas e internet
Tendo, é claro, Cuba como alvo principal
Não há um único dia onde não ouvimos ou lemos na mídia o nome
da blogueira cubana Yoani Sánchez. Como se fosse ela, a única pessoa
na face da Terra que sofra algum tipo de cerceamento de liberdade
Curioso que, enquanto todos os holofotes estão voltados em sua
direção, em Cuba mesmo, temos um dos maiores exemplos de
autoritarismo, perseguição e arbitrariedade do Planeta - a prisão
de Guantánamo, ou melhor, o campo de concentração de Guantánamo
Onde lá sim, a tortura é institucionalizada, seguindo cartilhas e tudo
mais
Onde muitos prisioneiros sequer são formalmente acusados pela
prática de algum crime; basta ser minimamente suspeito de qualquer
envolvimento em atos ou planos, considerados terroristas pelo
governo dos Estados Unidos, para ser encarcerado e sofrer todos
os tipos de agressões e humilhações físicas e psicológicas
Guantánamo é um absurdo insulto à dignidade humana, tão execrável
quanto os campos de concentração nazistas da Segunda Guerra
ou o campo de concentração à céu aberto mantido pelo governo
de Israel em Gaza
Mas, a imprensa golpista prefere colocar como sendo a maior das
vítimas, alguém que, para denunciar os abusos sofridos, recebe
os jornalistas dentro das confortáveis instalações dos melhores
hotéis cubanos
E além da denúncia de censura, a mídia também, não se cansa de
falar da insatisfação de parte da população cubana em relação
ao cenário político e econômico do país
Denunciam a prostituição, o mercado negro, o contrabando e outras
atividades, cujas práticas se justificariam, pela necessidade de um
"reforço orçamentário" de seus praticantes
Convenhamos que, em todos os países, encontraremos cidadãos
insatisfeitos com os seus governos e que, a prostituição, mercados
negros, contrabandos e demais atividades similares, não são uma
exclusividade cubana, nos Estados Unidos, por exemplo, estas são
práticas comuns de milhões de pessoas
Resumindo, vivemos em um mundo onde, infelizmente, em praticamente
todos os países, encontramos abusos cometidos contra os seus cidadãos,
repetidas em seus telejornais, jornais, rádios, revistas e internet
Tendo, é claro, Cuba como alvo principal
Não há um único dia onde não ouvimos ou lemos na mídia o nome
da blogueira cubana Yoani Sánchez. Como se fosse ela, a única pessoa
na face da Terra que sofra algum tipo de cerceamento de liberdade
Curioso que, enquanto todos os holofotes estão voltados em sua
direção, em Cuba mesmo, temos um dos maiores exemplos de
autoritarismo, perseguição e arbitrariedade do Planeta - a prisão
de Guantánamo, ou melhor, o campo de concentração de Guantánamo
Onde lá sim, a tortura é institucionalizada, seguindo cartilhas e tudo
mais
Onde muitos prisioneiros sequer são formalmente acusados pela
prática de algum crime; basta ser minimamente suspeito de qualquer
envolvimento em atos ou planos, considerados terroristas pelo
governo dos Estados Unidos, para ser encarcerado e sofrer todos
os tipos de agressões e humilhações físicas e psicológicas
Guantánamo é um absurdo insulto à dignidade humana, tão execrável
quanto os campos de concentração nazistas da Segunda Guerra
ou o campo de concentração à céu aberto mantido pelo governo
de Israel em Gaza
Mas, a imprensa golpista prefere colocar como sendo a maior das
vítimas, alguém que, para denunciar os abusos sofridos, recebe
os jornalistas dentro das confortáveis instalações dos melhores
hotéis cubanos
E além da denúncia de censura, a mídia também, não se cansa de
falar da insatisfação de parte da população cubana em relação
ao cenário político e econômico do país
Denunciam a prostituição, o mercado negro, o contrabando e outras
atividades, cujas práticas se justificariam, pela necessidade de um
"reforço orçamentário" de seus praticantes
Convenhamos que, em todos os países, encontraremos cidadãos
insatisfeitos com os seus governos e que, a prostituição, mercados
negros, contrabandos e demais atividades similares, não são uma
exclusividade cubana, nos Estados Unidos, por exemplo, estas são
práticas comuns de milhões de pessoas
Resumindo, vivemos em um mundo onde, infelizmente, em praticamente
todos os países, encontramos abusos cometidos contra os seus cidadãos,
mas por questões puramente políticas ou econômicas
(e nada humanitárias), alguns países ou governos em especial, são
massacrados como sendo os piores e únicos malfeitores do planeta
Mas como disse no início, o Capitalismo vem sendo, mundialmente,
(e nada humanitárias), alguns países ou governos em especial, são
massacrados como sendo os piores e únicos malfeitores do planeta
Mas como disse no início, o Capitalismo vem sendo, mundialmente,
duramente criticado, como até então, nunca havia sido
Muitos já estão mais do que saturados dos mandos e desmandos
dos senhores do capital, e de todo o sofrimento imposto a maioria
da população, ainda mais em tempos de crise, com aumento de
impostos, diminuição de salários e desemprego
Para buscar equilibrar as contas, que foi comprometida por culpa
de 0,1% da população, os outros 99,9% é que pagam o pato
E diante de um clamor por um regime voltado mais para as causas
da maioria, a elite capitalista então, orquestra seus ataques contra
o sistema que mais se aproxima dos anseios de muitos - o Socialismo
Portanto, todo esta artilharia anti-cubana que estamos acompanhando
Muitos já estão mais do que saturados dos mandos e desmandos
dos senhores do capital, e de todo o sofrimento imposto a maioria
da população, ainda mais em tempos de crise, com aumento de
impostos, diminuição de salários e desemprego
Para buscar equilibrar as contas, que foi comprometida por culpa
de 0,1% da população, os outros 99,9% é que pagam o pato
E diante de um clamor por um regime voltado mais para as causas
da maioria, a elite capitalista então, orquestra seus ataques contra
o sistema que mais se aproxima dos anseios de muitos - o Socialismo
Portanto, todo esta artilharia anti-cubana que estamos acompanhando
diariamente nos noticiários, pode ser definida com a seguinte frase :
"O Império Contra Ataca"
"Quero deixar bem claro que não apoio o governo cubano quanto
a censura que impõe a seus cidadãos, incluindo a proibição de viagens
para fora do país. Mas não podemos permitir que, por meio de
manipulação midiática, percamos a sensibilidade de perceber outros
"O Império Contra Ataca"
"Quero deixar bem claro que não apoio o governo cubano quanto
a censura que impõe a seus cidadãos, incluindo a proibição de viagens
para fora do país. Mas não podemos permitir que, por meio de
manipulação midiática, percamos a sensibilidade de perceber outros
abusos que acontecem por este mundo afora. Sendo que, muitos
deles, no quintal de nossas casas"
Marcelo Roque
deles, no quintal de nossas casas"
Marcelo Roque
sábado, 11 de fevereiro de 2012
PRIVATIZAÇÕES: O XÍS DA QUESTÃO
Por Celso Lungaretti
Os reformistas (e também alguns cidadãos que se enxergam como sendo de esquerda, mas cujo discernimento político deixa a desejar...) fizeram enorme alarde a respeito de um dossiê de denúncias eleitoreiras transformado em livro.
Agora, os direitistas contra-atacam questionando a privatização de aeroportos.
Então, vamos combinar: um seguidor de Marx ou Proudhon só pode considerar defensáveis as empresas estatais QUE SEJAM GERIDAS POR CONSELHOS DE TRABALHADORES E ESTEJAM PRIORIZANDO AS NECESSIDADES E INTERESSES DO POVO.
As que existem, tanto dá que estejam nas mãos do estado burguês ou de capitalistas. Ao povo é que não pertencem. E o povo não tem motivo nenhum para defender um bem que não é nem jamais foi seu.
[As voltas que o mundo dá: bem no comecinho da campanha presidencial de 1989, entrevistei o Lula e lhe fiz a mesmíssima objeção acima. Ele respondeu que não pretendia deixar as estatais como estavam, mas sim colocá-las sob a direção de conselhos de funcionários. Parece que em 2002 ele já mudara de idéia. Eu não mudei.]
[As voltas que o mundo dá: bem no comecinho da campanha presidencial de 1989, entrevistei o Lula e lhe fiz a mesmíssima objeção acima. Ele respondeu que não pretendia deixar as estatais como estavam, mas sim colocá-las sob a direção de conselhos de funcionários. Parece que em 2002 ele já mudara de idéia. Eu não mudei.]
Vamos parar de perder tempo com essas tolices e voltar ao que realmente importa: o imperativo de substituirmos o capitalismo por um regime cujos pilares sejam a justiça social e a liberdade.
Repito pela enésima vez: O CAPITALISMO, NO ATUAL ESTADO DE PERVERSIDADE E PUTREFAÇÃO, NÃO PODE SER REDIMIDO NEM TER SUA MALIGNIDADE ATENUADA.
Ou nos livramos dele, ou ele nos destruirá a todos, dando fim à espécie humana.
Precisa de coveiros que o enterrem de uma vez por todas, não de enfermeiros que lhe apliquem esparadrapos.
Precisa de coveiros que o enterrem de uma vez por todas, não de enfermeiros que lhe apliquem esparadrapos.
É simples assim.
OUTROS TEXTOS RECENTES (clique p/ abrir):
MARTA SUPLICY NÃO QUER DORMIR COM O INIMIGO
O CALVÁRIO DE UM PAI QUE SÓ CONFRATERNIZAVA COM O FILHO
CASO PINHEIRINHO: A BELÍSSIMA AULA DE UM VELHO MESTRE
MINO CARTA: A DERROTA LHE SUBIU À CABEÇA
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
ANJOS E DEMÔNIOS - MARCELO ROQUE ; Glória Kreinz divulga

Anjos e Demônios
Depois do desmantelamento da União Soviética, no início
da década de 90, nenhum outro país no mundo tinha interesse
maior na permanência do regime Socialista em Cuba do que os
Estados Unidos
Paradoxalmente, para o fortalecimento do Capitalismo, era necessária
a manutenção do Socialismo. Porém, de um Socialismo em frangalhos,
que fosse sinônimo de miséria e atraso
Evidente que o regime cubano não é perfeito, como todo e qualquer
outro regime político, têm lá suas deficiências. Mas, comparando-o ao
Capitalismo, salta-nos aos olhos suas virtudes
Mas não vêm ao caso agora tais comparações, já esmiuçadas de
maneira competente por gente muito mais qualificada do que eu
neste assunto
O que esta em questão aqui, é a forma como os "donos do poder"
agem para manipular a realidade, de modo, a favorecerem suas idéias
É notório que o fator "medo" é um elemento muito eficaz para se
implantar o domínio sobre uma sociedade - temos ai o exemplo da
religião que, para manter o "rebanho unido", prega a existência
de "lobos maus" ( demônios e coisas do tipo)
E tal tática se estende a outros grupos que visam igual domínio
Os "Senhores do Capitalismo" que, por consequência, são os
donos dos meios de produção, incluindo, é claro, a mídia, agem
da mesma forma
Para tanto, necessitam de tais "demônios", e o maior deles é o
Socialismo
É claro que diante deste contexto de manipulação de informação
e criação de "lobos maus", não interessa informar as pessoas o
quão o abominável embargo econômico à Cuba, causa enorme
prejuízos financeiros ao país. E muito menos ressaltar que por
vinte anos seguidos, em votação na ONU, quase todos os
países do mundo( com excessão dos Estados Unidos e Israel) votam
contra a manutenção deste embargo, que chega a ser visto como
um "terrorismo econômico"- aliás, termo este que o define muito bem
Mas, como falei no início, sem a sombra Soviética, Cuba não mais
preocupa os Estados Unidos- muito pelo contrário, devido ao
"estrangulamento" econômico imposto ao país e todo terrorismo
midiático patrocinado pelo Capitalismo contra este pequeno país
caribenho, hoje, aos olhos de boa parte do mundo, Cuba e,
consequentemente, o Socialismo, tornou-se sinônimo de miséria,
atraso e confisco de liberdades individuais ( ou seja, o Demônio)
Por fim, não querendo aqui eximir o Socialismo cubano de qualquer
culpa, até porque, não existem regimes perfeitos, mas não devemos
ignorar jamais todas as articulações econômicas, políticas e midiáticas
organizadas pelos Estados Unidos e seus aliados,com o único intuito
de prejudicar Cuba
De modo a terem então, o seu troféu - esta "carranca cubana"-
diretamente "talhada" pelas predatórias e dominadoras mãos
do Capitalismo
Marcelo Roque
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domingo, 1 de janeiro de 2012
APOCALÍPSE QUANDO?
Por Celso Lungaretti
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| Esta é a ameaça... |
A estrutura era idêntica, havia também uma introdução ("Meu senhor, minha senhora/ vou falar com precisão/ não me negue nesta hora/ seu calor, sua atenção") bem nas pegadas da anterior ("Prepare o seu coração/ pras coisas que eu vou contar/ Eu venho lá do sertão/ e posso não lhe agradar"), letra longa descrevendo a jornada do imbecil até o entendimento, etc.
E, como rendera boa divulgação prévia a utilização de uma queixada de burro como instrumento musical, ele levou novamente uma atração bizarra para o palco: uma possante buzina, que soou os acordes iniciais de "De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando" (ou, simplesmente, "Ventania").
A repetição de fórmula não colou, mas não era uma composição descartável. Gosto até hoje desta estrofe:
"Andei pelo mundo aforaquerendo tanto encontrarum lugar pra ser contenteonde eu pudesse ficar.Mas a vida não mudavamudando só de lugar"
É também meu sentimento em relação à virada da folhinha.
A vida não muda mudando só de ano, embora queiramos sempre acreditar que o seguinte será melhor... apenas porque já não suportávamos mais o outro.
| ...estes, os principais ameaçados... |
Assim, p. ex., existem duas bombas-relógios em nosso futuro, por cortesia dessa entidade que verdadeiramente já morreu, mas deixamos continuar nos desgraçando, ao invés de cravar-lhe a estaca que a reduzirá a pó.
A primeira é a grande depressão que, mais dia, menos dia, desabará sobre nós, como consequência do represamento das crises cíclicas capitalistas --elas antes eram periódicas e relativamente mais brandas, agora o sistema consegue postergá-las, empurrando-as mais e mais para a frente, o que não impedirá o elástico de acabar arrebentando. E aí a crise iniciada com o crack de 1929 parecerá, provavelmente, brinquedo de criança.
Será em 2012 o apocalypse now? Ou continuaremos nessa lenta agonia que já tragou Grécia, Espanha, Itália? As pedras do dominó continuarão tombando uma por vez ou vão cair todas de uma vez?
A outra incognita são as consequências do aquecimento global. Vimos em Fukushima o trailer do que está por vir: a conjugação de sismo e tsunami com a insegurança nuclear quase completou a obra estadunidense de agosto/1945, tornando o Japão uma ilha bem mais nua que a do filme do Kaneto Shindô.
Catástrofes naturais continuarão ocorrendo, mesmo se tomarmos as medidas necessárias para impedir que a indústria automobilística e outros focos de poluição atmosférica extingam a espécie humana. Já não se trata mais de evitá-las, e sim de minorar sua intensidade e período de duração (nosso período de provação).
E nem isto estamos, realmente, fazendo. Parece que as coisas ainda terão de piorar, antes de começarem a melhorar.
E nem isto estamos, realmente, fazendo. Parece que as coisas ainda terão de piorar, antes de começarem a melhorar.
| ...e este, o motivo da ameaça. |
O que fazer?
Iludir-se com a desconversa dos pistoleiros de aluguel acadêmicos e midiáticos do capitalismo?
Deixar-se tomar pelo pessimismo, arrancando os cabelos?
Resignar-se à vontade divina?
Aproveitar ao máximo os últimos dias de Pompéia, e que se dane o mundo?
No fundo é questão de temperamento --além do dever de legarmos vida a quem demos vida.
Mas, como dizem os zen-budistas, o dever só obriga quem acredita que o tem. E o capitalismo insufla ao máximo o egoísmo e a indiferença pela sorte dos outros --quaisquer outros, até filhos e netos, salvo no que tange aos gastos para aplacar a consciência culpada por não lhes dar a atenção que merecem...
Falo por mim, e sei que meus leitores são afins: lutarei com todas as minhas forças, nos anos que me restam, para que minhas filhas e netos não vivam e morram num planeta devastado.
E também porque lutar é sempre minha primeira reação face aos poderosos, suas injustiças sem perdão e seus crimes sem castigo.
Foi o grande motivo de eu ter entrado no caminho das lutas políticas sociais aos 16 anos; continua sendo um forte motivo aos 61.
Somos o que somos, traçando nossos caminhos pelo mundo a partir do que somos --ou seja, de como nos construímos pela vivência pessoal do eterno conflito entre o cosmo sangrento e a alma pura (grande Mário Faustino!).
O calendário nada tem a ver com isto.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
REFLEXÕES SOBRE A MORTE DE UM TIRANO
Por Celso Lungaretti
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| Nas pegadas de Stálin: assim se cultuava a personalidade do ditador que já foi tarde. |
Pelos motivos que vou expor adiante, nunca me interessou particularmente o que acontecia na Coréia do Norte. A idade me ensinou a manter distância daquilo que só me deprimirá.
Mas, para os interessados, recomendo a ótima análise de Elio Gaspari em sua coluna Já foi tarde acesse na íntegra aqui http://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/1024251-ja-foi-tarde.shtml da qual destaco estes parágrafos estarrecedores:
"Em 1945, a península coreana foi dividida entre duas ditaduras. A do Norte, comunista e rica. A do Sul, capitalista e pobre. Nos anos 60, quando se falava em milagre coreano, o tema era a supremacia socialista. Em 1970, todos os vilarejos do país tinham eletricidade.Passou-se uma geração, o Sul tem uma democracia e o Norte tem uma tirania enlouquecida, que mais se parece com a Spectre do romance de Ian Fleming do que com um Estado. Em apenas quatro anos, entre 1991 e 1995, a renda per capita da população caiu de US$ 2.460 para US$ 719. O regime vive do socorro cúmplice da China.Falta eletricidade, mas as 34 mil estátuas do Pai da Pátria Socialista são iluminadas mesmo de dia.A professora Mi-Ran conta que via alunos de cinco ou seis anos morrerem de fome nas salas de aula. Sua turma de jardim de infância de 50 alunos caiu para 15.
| De Hitler a Kim Jong-il, os grandes ditadores sempre tiveram paradas militares como fetiche |
Nas casas desse paraíso, uma parede da sala deve ser reservada para o retrato do Líder, que é distribuído com um pano. Fiscais zelam para que nenhuma família deixe de limpá-lo.
A fome dos anos 90 matou entre 600 mil e 2 milhões de coreanos do norte. Em algumas cidades morreram dois em cada dez habitantes. Um médico conta que ensinou mães a ferver demoradamente a sopa de capim. A certa altura, as famílias preferiam que as crianças morressem de fome em casa, porque nos hospitais, onde não havia remédio, faltava também comida".
O PODER MANTIDO A FERRO E FOGO,
SOBRE MONTANHAS DE CADÁVERES
Um conceito do marxismo clássico que até hoje considero axiomático é do que o destino do mundo se decide nos países com economia avançada, não nos periféricos.
Era nesses que Marx queria iniciar a construção do socialismo, convicto de que arrastariam os demais na sua esteira.
Mas, quando foi o reformismo e não a revolução que neles prevaleceu após a revolução soviética de 1917, os apressadinhos correram a trocar o foco, passando a tentar mudar o mundo a partir das nações menos pujantes --o que só gerou decepções e fez brotarem tiranias como cogumelos.
Mas, quando foi o reformismo e não a revolução que neles prevaleceu após a revolução soviética de 1917, os apressadinhos correram a trocar o foco, passando a tentar mudar o mundo a partir das nações menos pujantes --o que só gerou decepções e fez brotarem tiranias como cogumelos.
As potências centrais acabam sempre por anular tais arroubos, seja forçando trocas de regime, seja asfixiando tais nações mediante embargos econômicos como o imposto a Cuba.
Muitos, por estarem sendo forçados a socializar a penúria e não a abundância, acabaram descambando para os piores despotismos, como o Camboja do Pol Pot. A palavra de ordem de tais nomenklaturas é a manutenção do poder a ferro e fogo, sobre montanhas de cadáveres.
Muitos, por estarem sendo forçados a socializar a penúria e não a abundância, acabaram descambando para os piores despotismos, como o Camboja do Pol Pot. A palavra de ordem de tais nomenklaturas é a manutenção do poder a ferro e fogo, sobre montanhas de cadáveres.
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| Barricadas parisienses, 1968: os comunistas franceses preferiram salvar Charles De Gaulle. |
E os esquerdistas que, desde Stalin, traem a proposta libertária do marxismo e se põem a defender brutais tiranos, tornam execrável a imagem da revolução aos olhos dos explorados das nações prósperas, aqueles que precisaríamos reconquistar para voltarmos a oferecer uma perspectiva revolucionária global, como havia um século atrás.
A mesmerizante indústria cultural burguesa martela dia e noite na cabeça dos videotas que a alternativa ao capitalismo é miséria e chicote.
Os movimentos de contestação de 1968 e anos seguintes foram os últimos que abriram uma possibilidade real de revolução nos países prósperos. Nunca saberemos o que aconteceria se o Partido Comunista Francês tivesse se colocado no lado certo das barricadas, junto aos estudantes e operários jovens que se rebelaram, e não esfaqueando-os pelas costas.
Resta, para nós, a titânica tarefa de recolocarmos a revolução aos trilhos, reentronizando sua componente libertária, sem a qual ela jamais voltará a ser atrativa para os melhores seres humanos --mormente na era da internet!
É impensável, para cidadãos tão ciosos da sua liberdade pessoal como os de hoje, a perspectiva de desperdiçarem esforços na construção de regimes que lhes imporão camisas de força. Tanto quanto em 1968, temos, isto sim, de encarnar a esperança do paraíso agora!
E as terríveis frustrações com o stalinismo (degeneração burocrática da revolução que culminou na volta ao capitalismo e à democracia burguesa) e com o maoísmo (de cuja derrocada resultou o pior dos mundos possíveis, um capitalismo de estado altamente despótico) servem como sonoro alerta de que a nova revolução terá, obrigatoriamente, de ser global, tanto quanto o capitalismo hoje é global.
O chamado socialismo real implantado em países isolados, nem serviu como estopim para a revolução mundial, nem se manteve... socialista. Na verdade, tornou-se uma caricatura odiosa do socialismo, que melhor serviu à burguesia como espantalho do que para nós como cartão de visita.
É hora de reassumirmos a revolução mundial --e, eminentemente, libertária-- como meta suprema.
*postagem atualizada em 22 09 2014 por Nadia Gal Stabile
*postagem atualizada em 22 09 2014 por Nadia Gal Stabile
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O PIB E OS PAPAGAIOS DO CAPITALISMO
Por Celso Lungaretti
"Na regra, é preciso descobrir o abuso.
E sempre que o abuso for encontrado,
é preciso encontrar o remédio.
Vocês, aprendam a ver,
E sempre que o abuso for encontrado,
é preciso encontrar o remédio.
Vocês, aprendam a ver,
ao invés de olhar bobamente"
(Brecht, A exceção e a regra)
(Brecht, A exceção e a regra)
Bur(r)ocratas governamentais, expertos espertinhos, doutos economistas, analistas econômicos e outros papagaios do capitalismo fazem o maior estardalhaço: o Produto Interno Brasileiro parou de crescer! No último trimestre, repetiu o patamar de julho/setembro de 2010! Deus nos acuda!!!
Mas, há matéria-prima e capacidade instalada para se produzir mais? Há.
Há recursos humanos para se produzir mais? Há.
Há brasileiros necessitados de que se produza mais, para levarem existência digna ao invés de vegetarem na penúria? Há.
Então, qual é o problema?
Apenas o de que, para os senhores do mundo, não está sendo lucrativo produzir mais nas atuais circunstâncias.
Ou seja: inexiste obstáculo real, tudo se resume a mais uma crise artificial.
O que fazer, então?
A primeira possibilidade é a única que os papagaios do capitalismo contemplam: arrocharem-se povos e nações para que volte a ser lucrativo produzir mais. Que morram os homens para que vivam os bancos!
A segunda só entra nas cogitações de quem consegue enxergar um pouco mais longe: os homens organizarem-se solidariamente para um melhor aproveitamento da matéria-prima, da capacidade instalada e dos recursos humanos.
Isso tudo poderia estar servindo para satisfazer as necessidades da maioria.
Está servindo para proporcionar privilégios aberrantes e luxos ultrajantes a uma pequena minoria, à custa da miséria de uns e da vida mal vivida de outros (trabalham e estressam-se mais do que deveriam, realizam-se menos do que poderiam).
Qualquer dia aprenderemos a não levar a sério os papagaios do capitalismo. São os delfins da desumanidade.
E, o mais importante: aprenderemos que não precisamos do capitalismo e passaríamos muito melhor sem ele.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
GRÉCIA DESAFIA O OLIMPO
Por Celso Lungaretti
A submissão canina da grande imprensa à desumanidade capitalista está emblematicamente expressa no editorial desta 5ª feira (3) da Folha de S. Paulo, Drama grego, que começa assim:
"A inoportuna iniciativa grega de convocar um referendo sobre o pacote de ajuda causa turbulência e pode agravar ainda mais a crise europeia
É potencialmente explosiva a decisão do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de convocar um referendo sobre o pacote de socorro ao país aprovado pelas principais lideranças da zona do euro.
O plano, embora não resolva de forma imediata e definitiva a insolvência do país, o que seria impossível, pode pelo menos salvá-lo de um calote desordenado, com graves consequências para a economia europeia e mundial".
Ou seja, atendendo à prioridade de evitar "graves consequências para a economia europeia e mundial", o premiê grego deveria enfiar um pacote recessivo goela adentro dos cidadãos de seu país sem sequer consultá-los, salvando bancos e desgraçando pessoas.
Os poderosos do mundo assim exigem, e seus cãezinhos midiáticos obedecem fielmente ao comando dado pela voz do dono.
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| Crack de 1929: eu sou você amanhã... |
A iniciativa de Papandreou vai tornar o povo grego alvo de todos os raios do Olimpo, se outros povos e outros governantes não seguirem o altaneiro exemplo da Grécia, recusando-se também a levar adiante este jogo de cartas marcadas que, ao preço da penúria de homens e nações, apenas adia o inevitável.
As crises cíclicas do capitalismo têm hoje outra aparência, mas a mesma essência: a irracionalidade básica de um sistema fundado na mais-valia, que gera um permanente desequilíbrio entre a oferta e a procura, cujas consequências são apenas postergadas pelos mecanismos de crédito que empurram para a frente o acerto de contas -- o qual, mais dia, menos dia, chegará.
O intervalo entre as ameaças de um novo crack e a engenharia financeira que o evita temporariamente está cada vez mais curto. É inimaginável chegarmos ao final desta década sem que o mundo inteiro pague, na forma de uma depressão pior ainda que a da década de 1930, o preço de já não ter se livrado do capitalismo.
Pois, mais apropriada do que a metáfora antiga de parto da revolução, é a de que urge enterrarmos o quanto antes um defunto que já está fedendo.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
1968 É HOJE
Por Celso Lungaretti
| Qualquer semelhança... |
- A renda per capita não cresce desde 1996;
- A distribuição dessa renda tem piorado há duas décadas;
- O nível de desemprego em abril de 2008 era de 4,8% da população economicamente ativa, o que, em parte, compensava aqueles efeitos;
- Em janeiro de 2010, o desemprego andava em torno de 10,6% e, desde então, permanece quase igual (9,2%);
- O colapso da Bolsa cortou pelo menos 40% da riqueza que os agentes pensavam que possuíam;
- A combinação da queda da Bolsa com a queda do valor dos imóveis residenciais fez boa parte do patrimônio das famílias evaporar-se;
- Ao menos 25% das famílias têm hoje menos da metade que supunham ter em 2008.
| ...não é mera coincidência. |
"O grande problema é que a maioria dos cidadãos não entende como isso pode ter acontecido. Sentem que foram assaltados à luz do dia, sob os olhos complacentes das instituições em que confiavam: o poder Executivo e o Banco Central. Assistem confusos o comportamento do Legislativo".
Não chega à conclusão óbvia: os cidadãos foram mesmo assaltados à luz do dia, explorados, espoliados, depenados, saqueados, esbulhados, manipulados, engambelados, logrados, iludidos -- f..., enfim.
Com sua distorcida visão de mundo, Delfim também passa longe de outra conclusão óbvia: a de que as vítimas do capitalismo estão finalmente começando a despertar de sua letargia, sob os golpes de recessões desnecessárias (sofrendo privações para pagar a conta de situações causadas em grande parte pela ganância desmedida dos bancos, os quais são magnanimamente socorridos pelos governos) e das ameaças que sabem estar sendo incumbadas para a própria sobrevivência de seus filhos e netos.
Não, segundo Delfim são apenas "pequenos grupos mais exaltados tentam reviver, com passeatas festivas de fim de semana, o espírito revolucionário de 1968, que deu no que deu".
Prefiro me fiar nos pensadores comprometidos com a felicidade do ser humano, como Karl Marx, para quem a nova onda revolucionária começa sempre no ponto mais alto atingido pela anterior.
É exatamente o que está ocorrendo agora, com grande chance de ser aquela que varrerá o mundo, livrando-nos de uma vez por todas da exploração do homem pelo homem e todas as iniquidades decorrentes.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
GRÉCIA EM TRANSE
Por Celso Lungaretti
Despacho da agência noticiosa espanhola Efe revela que a paciência do povo grego com a desumanidade capitalista está chegando ao fim.
A conta do desequilíbrio estrutural do sistema vai sendo enfiada goela adentro dos cidadãos de cada nação, sem que jamais se chegue à solução definitiva, pois ela transcende o capitalismo: o mundo só se verá livre da alternância perversa de euforias econômicas e terríveis recessões quando o reparte das riquezas produzidas for regido pelo bem comum e pelo atendimento das necessidades humanas, não pelo lucro.
Do berço da democracia vem o grito de basta!:
"A Grécia vive nesta 4ª feira o primeiro dos dois dias consecutivos de greve geral, o que deve paralisar a atividade econômica do país, incluído o fechamento do espaço aéreo.
Os controladores aéreos anunciaram na 3ª feira à noite adesão ao protesto por 12 horas, gerando 300 cancelamentos no país.
Durante as primeiras 4h desta 4ª feira, o transporte público na capital ficou paralisado.
A indústria, o ensino, sítios arqueológicos e museus, bancos, ministérios, tribunais e serviços públicos estão praticamente paralisados pela falta de trabalhadores.
Profissionais como advogados, funcionários da Fazenda e de Alfândegas continuarão com as greves até 6ª feira e os taxistas se somaram à greve de 48 horas.
Nesta 4ª feira também permanecerão fechados os postos de gasolina, padarias, farmácias e comércios.
Dezenas de toneladas de lixo permanecem nas ruas do país inteiro apesar do decreto de mobilização civil da véspera do Governo para que se faça o recolhimento".
Por enquanto, a união popular se dá em torno da rejeição de mais um pacote recessivo.
Dia virá em que os verdadeiros democratas, em todos os países, dirão basta! ao capitalismo em si -- até porque ele esvaziou a própria noção de democracia, ao tornar o poder econômico tão poderoso que subjuga e sateliza o poder político, esvaziando a representação popular.
Os movimentos anticapitalistas que estamos vendo pipocar mundialmente na atual década constituem apenas acumulação de forças para o confronto decisivo -- no qual se jogarão as esperanças de sobrevivência da espécie humana, seriamente ameaçada de ser arrastada à extinção pelo capitalismo agonizante.
domingo, 9 de outubro de 2011
CATÁSTROFE AMBIENTAL SERÁ A CRISE DEFINITIVA DO CAPITALISMO?
Por Celso Lungaretti
"A grande crise do capitalismo virá quando chegar a catástrofe ambiental. Penso que haverá desastres cada vez mais frequentes e profundos. Haverá um momento de virada na história, uma espécie de barbárie ou alguma forma de regulação global dos mercados. (...)
Não sei quando isso acontecerá, mas essa será a crise de fundo do capitalismo: destruir as condições de sua própria existência, destruindo o ambiente, modificando condições que nunca deveriam ter sido modificadas."
Não sei quando isso acontecerá, mas essa será a crise de fundo do capitalismo: destruir as condições de sua própria existência, destruindo o ambiente, modificando condições que nunca deveriam ter sido modificadas."
A previsão é de Michael Burawoy, presidente da Associação Internacional de Sociologia, em interessante entrevista à repórter Eleonora de Lucena, da Folha de S. Paulo.
Fez-me lembrar a tese soturna de Friedrich Engels: se uma classe dominante consegue perpetuar relações de produção condenadas, que estão travando o desenvolvimento das forças produtivas, acaba ensejando o advento da barbárie.
Assim, quando a escravidão se tornou anacrônica e contraproducente, era Spartacus e seus gladiadores que encarnavam a possibilidade de, mediante sua extinção, o Império Romano ascender a um degrau superior de civilização. Ao derrotá-los, Roma tirou de cena os únicos sujeitos históricos capazes de darem uma resposta positiva à contradição existente.
Detida a revolução que a transformaria por dentro, fazendo-a evoluir, sobreveio a estagnação, o enfraquecimento e, finalmente, a destruição por parte dos que vinham de fora e expressavam um estágio de desenvolvimento há muito superado por Roma. O relógio da História andou para trás.
Agora, podemos estar diante de uma situação semelhante. O capitalismo se torna cada vez mais pernicioso e destrutivo, porque esgotou seu papel histórico e tem sobrevida parasitária.
Agora, podemos estar diante de uma situação semelhante. O capitalismo se torna cada vez mais pernicioso e destrutivo, porque esgotou seu papel histórico e tem sobrevida parasitária.
Desenvolveu enormemente as forças produtivas, permitindo que a humanidade finalmente ultrapassasse a barreira da necessidade; hoje estão dadas as condições para a produção de tudo aquilo de que cada habitante do planeta necessita para uma existência digna.
Mas, tendo como prioridade máxima o lucro e não o atendimento das necessidades humanas, desperdiça criminosamente tal potencial, impõe uma desnecessária e embrutecedora penúria a parcela considerável da humanidade, provoca turbulências econômicas cada vez mais frequentes, multiplica as agressões ambientais e malbarata os recursos naturais finitos dos quais depende a sobrevivência de nossa espécie.
Por enquanto, graças aos mimos que proporciona aos que participam do sistema (ao preço da exclusão de tantos outros seres humanos), à avassaladora eficiência tecnológica e à manipulação científica das consciências por parte de sua nefanda indústria cultural, tem conseguido evitar a revolução -- cada vez mais necessária e premente. Até quando?
Marcuse acreditava numa resposta provinda de quem estivesse fora do sistema, não submetido à sua lógica unidimensional, que exclui alternativas e veda o espírito crítico.
É exatamente o que começa a suceder, como, aliás, está bem caracterizado nestas outras afirmações do sociólogo Burawoy (foto abaixo):
"Estive em Barcelona e vi os indignados. Agora também em Wall Street. São muito similares. Resistem a se engajar no sistema político, em levantar temas políticos...
Todos esses movimentos refletem uma era de exclusão. (...) O centro de gravidade desses movimentos são os excluídos, os desempregados, estudantes semiempregados, juventude desempregada, até membros precários da classe média. É um conglomerado de grupos diferentes todos vivendo um estado de precariedade porque foram excluídos da possibilidade de ter uma posição estável [dentro do sistema, pois esta se tornou] um privilégio para poucos.
...É um movimento muito fluido e flexível. (...) Há espontaneidade, flexibilidade. É fascinante. Aparecer, desaparecer. É parte de sua força e de sua fraqueza.
...os participantes são de esquerda, são radicais democratas participativos, que preferem estruturas horizontais a verticais. Protestam contra o capitalismo que enxergam ao seu redor".
Mas, esses pequenos Davis serão suficientes para derrotar o terrível Golias dos dias atuais? Provavelmente, não.
No entanto, a barbárie também ronda as fronteiras do império -- não mais na forma de contingentes humanos, mas sim das forças de destruição que o capitalismo engendrou contra si, mas se abaterão sobre nós todos.
Então, as catástrofes ambientais que assolarão o planeta nas próximas décadas devem forçar os homens a unirem-se na luta pela sobrevivência. Será o momento em que, obrigados a tomar seu destino nas mãos, poderão dar um novo rumo à economia e à sociedade, que vão ser obrigados a reconstruir.
O certo é que, lembrando a canção célebre de Neil Young, estamos saindo do azul e entrando nas trevas.
Quiçá saiamos delas regenerados.
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