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quarta-feira, 3 de março de 2010

Brincando de contar histórias - Joana d'Arc M.A.Mata

BRINCANDO DE CONTAR HISTÓRIA – Reescrita de “MULHERES DE
CORAGEM” (ROCHA, RUTH), FDT




A história que eu vou narrar se passou na Alemanha
Na época que os poderosos reis invadiam os castelos
As crianças afastadas causavam uma tristeza tamanha
E as mulheres ficavam com os maridos para encorajá-los nos duelos

O Imperador Conrado III junto com sua tropa
Invadiu o castelo do Rei Wolfo VI
Foi uma guerra terrível e durou um bom tempo
E causou sofrimento, muita dor e pouco alimento

Dois anos passou e a guerra não terminou
Com isto as conseqüências não tardaram à aparecer
Com muitos ferimentos a saúde dos soldados piorou
E as mulheres angustiadas pensavam o que poderiam fazer

No castelo a derrota já era fato um consumado
E a conseqüência seria a humilhação até a morte
Mas o imperador com a coragem das mulheres impressionado
Resolveu lhes dar uma chance e mudar-lhes a sua sorte

Antes da invasão as mulheres seriam libertadas
E poderiam carregar consigo o que tivesse de mais precioso
Teria também a sua palavra que não seriam molestadas
E os soldados seriam educados e respeitosos

Astuciosas as mulheres logo se puseram a pensar
Num plano sem risco para os companheiros libertar
E logo não tardaram a encontrar
A forma perfeita para deles não se separar

Quando o dia amanheceu
Uma bandeira branca apareceu
Uma mulher para falar com o imperador, se ofereceu
E ele apreensivo e curioso a recebeu

Pediu para que ele confirmasse o que havia prometido
E ele aborrecido falou com precisão
- O que eu ordeno aos meus súditos é sempre cumprido.
E ela se retirou agradecendo a sua compreensão

Não tardou muito a chegar a hora da partida
E as mulheres entusiasmadas logo apareceram
Orgulhosas e altivas em sua caminhada
E seus inimigos atônitos silenciaram

Arrastavam em seus braços os companheiros
Alguns tão doentes que mal podiam caminhar
Com olhares amedrontados e passos inseguros
E elas com passos firmes sem se deixar intimidar


Diante de tal cena nem precisa descrever
A perplexidade do imperador Conrado
O que as mulheres foram capazes de fazer
Deixou-lhes inteiramente pasmado

Os guardas intrigados se olhavam
E sem duvida nada podiam fazer
Pois elas com habilidade afirmavam
- Meu marido é minha jóia preciosa e meu bem querer

Conrado III bem depressa tratou de se safar
Da situação constrangedora que acabava se entrar
E pra evitar maior confusão
Tratou de usar a imaginação

Mas as mulheres voltaram a entrar em ação
Ao imperador, entregaram uma proposta
Sugeria a Paz como única solução
E sem muita alternativa ele disse sim como resposta

E foi assim que a paz voltou a reinar
Ali mesmo em frente ao castelo
E alegres todos passaram a se abraçar
Comemorando o fim da guerra, que só trazia flagelo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Zumbi dos Palmares - DO PORTAL "GELEDÉS - INSTITUTO DA MULHER NEGRA"


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Zumbi dos Palmares
Cronologia
zumbi_dos_palmares01

• Mais ou menos em 1600: negros fugidos do trabalho escravo nos engenhos de açúcar, onde hoje são os estados de Pernambuco e Alagoas no Brasil, fundam na serra da Barriga o Quilombo dos Palmares. Os quilombos, eram povoados de resistência, seguiam os moldes organizacionais da república e recebiam escravos fugidos da opressão e tirania. Para muitos era a terra prometida, um lugar para fugir da escravidão. A população de Palmares em pouco tempo já contava com mais de 3 mil habitantes. As principais funções dos quilombos eram a subsistência e a proteção dos seus habitantes, e eram constantemente atacados por exércitos e milícias.
• 1630: Começam as invasões holandesas no nordeste brasileiro, o que desorganiza a produção açucareira e facilita as fugas dos escravos. Em 1644, houve uma grande tentativa holandesa de aniquilar com o quilombo de Palmares, que como nas investidas portuguesas anteriores, foi repelida pelas defesas dos quilombolas.
• 1654: Os portugueses expulsam os holandeses do nordeste brasileiro.

Porto A palavra Zumbi, ou Zambi, vem do africano zumbi. Em quimbundo "nzumbi", significa, grosso modo, "duende". No Brasil, Zumbi significa fantasma que, segundo a crença popular afro-brasileira, vagueia pelas casas a altas horas da noite.

História


O Quilombo dos Palmares (localizado na atual região de União dos Palmares, Alagoas) era uma comunidade auto-sustentável, um reino (ou república na visão de alguns) formado por escravos negros que haviam escapado das fazendas, prisões e senzalas brasileiras. Ele ocupava uma área próxima ao tamanho de Portugal e situava-se onde era o interior da Bahia, hoje estado de Alagoas. Naquele momento sua população alcançava por volta de trinta mil pessoas.
Zumbi nasceu em Palmares, Alagoas, livre, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado 'Francisco', Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar destas tentativas de aculturá-lo, Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.
Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita, mas Zumbi rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi tornou-se o novo líder do quilombo de Palmares.
Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares foi destruída e Zumbi ferido. Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares, e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos). Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695. Teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.
Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."

Calvo


• 1670: Zumbi aos quinze anos de idade foge e regressa a Palmares. Neste mesmo ano de 1670, Ganga Zumba, filho da Princesa Aqualtune, tio de Zumbi, assume a chefia do quilombo, então com mais de trinta mil habitantes.
• 1675: Na luta contra os soldados portugueses comandados pelo Sargento-mor Manuel Lopes, Zumbi revela-se grande guerreiro e organizador militar. Neste ano, a tropa portuguesa comandada pelo Sargento-mor Manuel Lopes, depois de uma batalha sangrenta, ocupa um mocambo com mais de mil choupanas. Depois de uma retirada de cinco meses, os negros contra-atacam, entre eles Zumbi com apenas vinte anos de idade, e após um combate feroz, Manuel Lopes é obrigado a se retirar para Recife. Palmares se estendia então da margem esquerda do São Francisco até o Cabo de Santo Agostinho e tinha mais de duzentos quilômetros de extensão, era uma república com uma rede de onze mocambos, que se assemelhavam as cidades muradas medievais da Europa, mas no lugar das pedras haviam paliçadas de madeira. O principal mocambo, o que foi fundado pelo primeiro grupo de escravos foragidos, ficava na Serra da Barriga e levava o nome de Cerca do Macaco. Duas ruas espaçosas com umas 1500 choupanas e uns oito mil habitantes. Amaro, outro mocambo, tem 5 mil. E há outros, como Sucupira, Tabocas, Zumbi, Osenga, Acotirene, Danbrapanga, Sabalangá, Andalaquituche.
• 1678: A Pedro de Almeida, governador da capitania de Pernambuco, mais interessava a submissão do que a destruição de Palmares, após inúmeros ataques com a destruição e incêndios de mocambos, eles eram reconstruídos, e passou a ser economicamente desinteressante, os habitantes dos mocambos faziam esteiras, vassouras, chapéus, cestos e leques com a palha das palmeiras. E extraiam óleo da noz de palma, as vestimentas eram feitas das cascas de algumas árvores, produziam manteiga de coco, plantavam milho, mandioca, legumes, feijão e cana e comercializavam seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços. Sendo assim o governador propôs ao chefe Ganga Zumba a paz e a alforria para todos os quilombolas de Palmares. Ganga Zumba aceita, mas Zumbi é contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. Além do mais eles tinham suas próprias Leis e Crenças e teriam que abrir mão de sua cultura.
• 1680: Zumbi assume o lugar de Ganga Zumba em Palmares e comanda a resistência contra as tropas portuguesas. Ganga Zumba morre assassinado com veneno.
• 1694: Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira de Melo comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares e onde Zumbi nasceu, cercada com três paliçadas cada uma defendida por mais de 200 homens armados, após 94 anos de resistência, sucumbiu ao exército português, e embora ferido, Zumbi consegue fugir.
• 1695, 20 de Novembro: Zumbi foi traído e denunciado por um antigo companheiro, ele é localizado, preso e degolado aos 40 anos de idade. Zumbí ou "Eis o Espírito", virou uma lenda e foi amplamente citado pelos abolicionistas como herói e mártir.
Atualmente, o dia 20 de novembro, feriado em mais de 200 cidades brasileiras, é celebrado como Dia da Consciência Negra. O dia tem um significado especial para os negros brasileiros que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade. Hilda Dias dos Santos incentivou a criação do Memorial Zumbi dos Palmares.

Várias referências nas artes fazem tributo a seu nome:


• Música composta por Edu Lobo e Vinicius de Moraes e popularizada por Elis Regina.
• Mencionado em diversas letras da banda Soulfly.
• Mencionado na música "Ratamahatta", da banda Sepultura.
• Seu nome é dado a um lutador no jogo feito em Adobe Flash: Capoeira Fighter 2.
• Quilombo, 1985, filme de Carlos Diegues sobre o Quilombo dos Palmares, ASIN B0009WIE8E
• Gilberto Gil lançou um CD chamado "Z300 Anos de Zumbi".
• A banda de nome Chico Science & Nação Zumbi (atualmente é chamada somente de Nação Zumbi, após a morte do vocalista Chico Science).
• Música de Jorge Ben também cantada por Caetano Veloso nos CDs Noites do Norte e Noites do Norte Ao Vivo.
• Música "300 anos" gravada por Alcione em 2007 (composta por Alty Veloso e Paulo César Feital).
• Nome do aeroporto de Maceió, Alagoas (Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares).

Referências bibliográficas


• CARNEIRO,Edison.O Quilombo dos Palmares, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 3a ed., 1966, p. 35
• FONSECA Júnior, Eduardo. Zumbi dos Palmares, A História do Brasil que não foi Contada. Rio de Janeiro: Soc. Yorubana Teológica de Cultura Afro-Brasileira, 1988. 465 p.
• FREITAS, Décio. Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Movimento,1973.
• LEAL, I.S. & LEAL, A. (1988). O menino de palmares. Coleção "Jovem do Mundo Todo". Editora Brasiliense. 18ª Edição.
• MARTINS Souza, José.Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo.Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira,2007 p.99
• SANTOS, Joel Rufino dos. (1988). Zumbi. Projeto Passo à Frente - Coleção Biografias.Editora Moderna.
• SCISÍNIO, Alaôr Eduardo. Dicionário da escravidão. Rio de Janeiro: Léo Christiano, 1997.
• VAINFAS, Ronaldo (org.). Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

Ver também

O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Zumbi dos Palmares.
• Escravidão
• Guerra dos Palmares
• Panteão da Pátria
• Quilombo
• Quilombo dos Palmares

Ligações externas
• Heróis negros no Brasil
• Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SEPPIR

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Zumbi_dos_Palmares"
Categorias:

Pesquisa de textos e seleção de imagens: Carlos Eugênio Marcondes de Moura

FONTE : http://www.geledes.org.br/zumbi-dos-palmares/zumbi-dos-palmares.html

sexta-feira, 22 de maio de 2009

o tempo passou e esta é mais uma imagem que ficou


No dia 16 de maio, comemorou-se o Dia Internacional de Histórias de Vida. Então resolvi contar um pouco de minha história!
Soraya é parte de minha história! A imagem de uma colega do pré primário e primário...a mais forte delas! Eu era uma garotinha quietinha ,tinha algumas colegas quietinhas também, japonesas.
Mas Soraya era extrovertida,hiper bem humorada,e tinha um tique nervoso, eu também tinha...mas o dela era bem engraçado! comia doces como todas as crianças e aí não parava de lamber os lábios!! mas tanto que aí ela ficava com duas bocas!! rsrssssss....bem engraçado mesmo!! E ela inventava "bordões" muito originais!
Soraya era arroz de festa! era pura claridade!! era e ainda é uma raiz irmã! outro dia descobri que havíamos morado na mesma rua na primeira infância! a rua está na história do futebol brasileiro!! Mas como disse um amigo, a magia de ter pisado o mesmo chão que Soraya desde muito pequena é a que sempre estará em mim!
Soraya , amiga que de vez em quando ressurge no roteiro de minha vida!...
"Somos nossos amigos! "

abraços pra todos os amigos!

Nadia Stabile - 22/05/09

o garoto do outro lado da estrada














a imagem criada por mim,
por minha alma... de um garotinho
que por muitas vezes escondia-se de sua mãe do outro lado da estrada...
é sublime....é a imagem que gostaria nunca este garoto tivesse perdido.
busquei nas imagens do Google um garotinho com suspensórios,
e só encontrei essa aí de cima!
desisti de procurar...esta imagem só existe dentro de mim!
esta imagem está perdida em algum universo paralelo,
onde este ser seria eternamente um garoto do outro lado da estrada.

Nadia Stabile - 22/05/09

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Celso Lungaretti no "Provocações "(Parte 1) CONTA PARTE DE SUA HISTÓRIA A ANTONIO ABUJAMRA



Celso Lungaretti, ex-preso politico é entrevistado por Abujamra no progama Provocações,TV CULTURA, em 14/03/2007. Parte 1.

Tatiana Belinky - MUSEU DA PESSOA



Depoimento de Tatiana Belinky para o projeto "Memórias da Literatura Infanto-Juveni" do Museu da Pessoa.

Marina Colasanti - MUSEU DA PESSOA



Depoimento de Marina Colasanti para o projeto "Memórias da Literatura Infanto-Juvenil" do Museu da Pessoa.

Daniel Ribeiro dos Santos - Museu da Pessoa

REGINA DO VALE CONTA PARTE DE SUA HISTÓRIA DE VIDA (DIA 16 DE MAIO :DIA INTERNACIONAL DE HISTÓRIAS DE VIDA)

Relembrando
por Regina do Vale


Eu sabia que o papai tinha um livro de sonetos do Padre Chico, não sei se alguém da família se lembra das histórias desse personagem, irmão da vovó Maria, padre e jogador, que acabou com a fortuna do pai e arruinou os irmãos, sem que, pelo que sei, alguém se zangasse com ele. Tenho uma vaga impressão, uma lembrança não sei se minha ou de histórias ouvidas, de uma pessoa alegre e sedutora. Não sei se além do jogo ele teria outros vícios. Não consta da crônica familiar, ou pelo menos, não aparece nos fiapos dessa crônica que duram na minha lembrança.
(…)
É verdade que papai tinha me mostrado esse livro de sonetos há muitos anos, mas como eu achava repetitivo e formal tudo que ele contava, mal e mal escutava quando ele queria recordar histórias da infância em Minas Gerais. Só me lembrei disso com a morte de mamãe e o desmanche da casa. Tivemos medo que tivesse sumido, mas afinal apareceu: assinado simplesmente "Um mineiro". Como me sinto perigosamente instável, ameaçada de desaparecer de uma hora para outra, e tenho certeza de meus haveres exóticos, de estrangeira sem nome nem prestigio serão simplesmente jogados no lixo ou, no melhor dos casos, serão recolhidos por Emmaüs ou essas firmas que vêem esvaziar as casas em que todos morreram, ao vir embora para a França, deixei o livrinho em São Paulo, na Oficina Literária do Claudio Giordano, cuidadoso guardião da memoria editorial brasileira.
(...)
Quando ficou viúva, vovó Maria ficou sem recursos para criar os filhos, pois os poderosos da cidade lhe tiraram o correio, cargo que ela tinha herdado do marido, para dar a protegidos políticos. Hoje acho essa historia esquisita, mas é assim que me lembro e é assim que posso contar. Agarrando-se com a igreja, ela conseguiu educar os filhos como religiosos. Os dois filhos homens deixaram o seminário sem se ordenarem, mas duas das filhas mulheres se tornaram freiras. Uma enlouqueceu, mas a outra, tia Maria, ficou e venceu. Foi superiora de colégio e saiu no dia que decidiu, voltando para Pains. Casou com um primo farmacêutico, Juca, que foi prefeito da cidade, acho que impulsionado por ela. Esse primo era um homem muito fino, de uma polidez de antanho, com uma voz educadíssima, e do qual existe uma biografia feita por um sobrinho (de Brasília, acho – tinha um exemplar, que dei para a biblioteca de português da Sorbonne, que tem espaço para esse tipo de documentação biográfica).

O casal, tia Maria e tio Juca, mais tarde, mudou-se para Belo Horizonte, onde ele manteve uma farmácia ainda por muitos anos e ela fundou uma instituição para proteger as moças que vinham do interior para trabalhar nas casas de família. O intuito era puramente caritativo, mas, por causa da integridade da tia Maria, que tomou a defesa das moças em casos de injustiça flagrante,o « Lar das domésticas » provocou reações enraivecidas entre as ricas burguesas da cidade. Ela que era tão conservadora, sem querer ficou com uma fama um pouco subversiva, numa época em que direitos sindicais ou outros direitos de classe ainda eram tabu na nossa sociedade vagamente escravagista.
(...)
Minhas lembranças pessoais da cidade natal de meu pai se limitam a umas férias em que fomos de trem para Pains (acho que no trecho final tivemos que tomar uma "jardineira"). Me lembro da casa da vovó, muito rústica, de um primo bonitão e coxo de uma perna que chegava a cavalo, de muito barro e terra vermelha e de uma avó muito doce e quase humilde, que não falava muito mas que tinha uma habilidade manual extraordinária e uma criatividade que era um verdadeiro talento. Os presépios para os quais ela inventava material, reciclando tudo que sobrasse na casa, e criando grutas imponentes, paisagens sem fim; as flores de miolo de pão, de pano, os terços de contas, tudo que servisse para divertir, embelezar, espiritualizar a vida de quem vivia perto dela.
Para mim ela fez um dia um vestido de melão de São Caetano, as Caetaninhas da trepadeira verde com bagos amarelos e vermelhos, "a hera das nossas ruínas", como disse um dia Monteiro Lobato, e que me deixou uma lembrança maravilhada e feliz, de princesa, de magia e de gratidão.
Ela fez também uma linda boneca de pano, mas essa eu não soube apreciar, pois as bonecas de louça eram as únicas que eu era capaz de desejar. Desejar ter. Mas aquela boneca de pano ficou como um anelo não expressado, uma incompreensão do gesto que não se repete, da ternura que se recolhe.
“Do lado esquerdo carrego meus mortos, por isso ando sempre de banda” (mais lembranças de mineiros...esta é do itabirano).
Minha avó veio uma vez a Jacarézinho, onde morávamos durante toda minha infância, e me lembro que minha mãe ficava muito irritada com essa presença em casa. Uma vez ela fez chichi na cama e mamãe reclamou muito e vi que ela ficou humilhada. Tenho uma lembrança triste desse dia, era o dia em que vovó ia embora, e eu me lembro dela de pé, de costas para mim, perto da cômoda, provavelmente chorando, sempre com aqueles vestidos compridos e pretos, e o coquezinho no cabelo, que não tirava o ar doce que ela tinha. Mas e a minha mãe, que não tinha empregada e que tinha que lavar os lençóis, dar um jeito de limpar e secar o colchão? Naquele tempo não pensei nisso - e aliás enquanto morei no Brasil também não. O peso do trabalho nunca recaiu nas minhas costas enquanto eu morava aí.
Por enquanto é isso. Um beijo para você e dê notícias.

"Regina do Vale"

VALÉRIA FAGUNDES CONTANDO SUA HISTÓRIA NO MUSEU DA PESSOA



Depoimento de Valéria Fagundes para o Museu da Pessoa.

domingo, 17 de maio de 2009

16 DE MAIO - DIA INTERNACIONAL DE HISTÓRIAS DE VIDA (clique aqui)

A importância de partilhar as nossas histórias de vida (DO BLOG PIMENTA NEGRA DE PORTUGAL)

http://pimentanegra.blogspot.com/

DIA INTERNACIONAL DE HISTÓRIAS DE VIDA - Em diversos países do mundo,este sábado, 16 de Maio, é um dia para contar, ouvir, divulgar e celebrar as histórias de vida. O Dia Internacional de Histórias de Vida, é uma data para celebrar a importância e o prazer de contar, registrar, compartilhar, ouvir e divulgar histórias de vida.

Este ano de 2009 assinala-se o segundo Dia Internacional de Histórias
de Vida. Este dia será uma oportunidade para celebrar e promover as
histórias de vida, fortalecendo um movimento crítico pela
democratização da cultura e pela transformação social. O Dia
Internacional é organizado pela Rede Internacional de Museus da Pessoa
(Brasil, Canadá, E.U.A e Portugal) e pelo Centre of Digital
Storytelling Network (EUA, Canadá, Dinamarca, República Tcheca,
Irlanda e Portugal).

Para este ano foi escolhido o tema Migração e Refugiados. A Comissão
de Direitos Humanos da ONU estima que existem 21 milhões de refugiados
actualmente. De acordo com a Organização Mundial de Migração, há 200
milhões de imigrantes internacionais no mundo. A migração é uma das
questões fundamentais do século XXI. As histórias das pessoas que
vivem a experiência da migração devem ser ouvidas pela comunidade
internacional como parte de um esforço para a constituição de
instrumentos que viabilizem o diálogo entre as sociedades e uma
verdadeira mudança social.

Independentemente do tema de cada ano, continuamos a celebrar as
histórias de vida de toda e qualquer pessoa, independente de ela ter
passado pela experiência da migração ou não. Então, se você desenvolve
alguma experiência com histórias de vida, junte-se a nós!


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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

"SUZI PAZITO" - Minha história preferida...

Assim que lançou o filme "Advogado do Diabo", pedi q reservassem pra mim na locadora, que não era muito perto da minha casa mas era a melhor da região. Já estava esperando pela fita, (é fita mesmo, ainda não tinha dvd e eu nem sou tão velha assim...) e o cara que alugou não devolvia, liguei uma semana enchendo o saco de todo mundo, quando o cara da locadora me pediu pra ir na sexta de manhã que o cara ia devolver logo cedo. Ia chegar atrasada no trabalho, mas ia valer a pena. Quando cheguei na locadora o cara do caixa me entregou a fita e eu p... da vida:
- Quem é o idiota que leva 1 semana pra devolver uma fita?
Ao meu lado um cara lindo, cheiroso estica a mão pra me cumprimentar e diz:
- Prazer, eu sou o idiota que estava com a fita!
Bom, eu quase morri de vergonha, e perguntei pro caixa se meu ônibus passava por ali, ele disse que não e eu fui embora rapidinho pegar pelo menos um táxi..
O cara da fita passou de carro por mim, buzinou e foi embora!
15 minutos depois eu ainda estava na chuva esperando qq coisa passar, quando ele pára o carro na minha frente e oferece uma carona. Eu não conhecia o cara, não aceitei. Ele esperou mais um pouco, deu a volta no quarteirão e ofereceu carona de novo, naquela hora eu desisti de ter medo e entrei no carro de um cara q eu nunca tinha visto na vida...
Bom...
5 meses depois estávamos casados, e já estamos juntos à 10 anos...

Não tenho grandes acontecimentos na minha vida, mas essa é infinitamente a melhor coisa q me aconteceu...
Não sou poética, nem artística como vcs esperam que sejam as estórias aqui, mas adoro contar essa, as pessoas se divertem muito com ela...
Não julguem... Curtam a estória e tenham coragem de contar a de vcs...

SUZI PAZITO - 31 de janeiro de 2008

*Esta história de Suzi,foi escrita para um certo festival que não decolou!
mas o blog do SARAU PARA TODOS está decolando!Pedi a Suzi sua autorização para colocar aqui este seu texto,ela concordou e aqui está para tentarmos convidar outras pessoas que tenham vontade de escreverem sobre suas histórias!
Agradeço a Suzi e desejo tudo de bom para todos!
Nadia Stabile - 03/11/08
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