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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Rio





Assim, como o frágil fio d'água
que flui por entre as rochas,
vencendo pedras
e trilhas improváveis
e segue seu curso,
esverdeando vales e montes,
enchendo as florestas de cores,
movimentos e pássaros ...
deixe fluir a poesia ...

Marcelo Roque

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O POETA E EU - Marcelo Roque

O Poeta e Eu

Há um poeta
que se passa por mim
Que escreve por minhas mãos,
chora pelos meus olhos
e sorri pelo meu riso
Há um poeta
que se passa por mim
Que come a minha comida,
descansa no meu sono
e se diverte com meus amigos
Há um poeta
que brinca com meu cachorro,
conta estórias para dormir meu filho
e sonha, cada um dos meus sonhos
Há um poeta
que se passa por mim,
e assim se passa,
tão completamente que,
onde quer que vá, eu vou,
e com quem quer que esteja,
eu sou

Marcelo Roque

quinta-feira, 20 de maio de 2010

AFINIDADE - Marcelo Roque

Com a palavra me deito,
me levanto;
com ela faço amor
Em sua companhia me sento à mesa,
e nos fartamos,
de tudo aquilo que nos sobra
e nos é escasso
Juntos, conhecemos outros mundos,
outras línguas,
outros tempos
Conheço mais a mim mesmo,
e mais ainda, me desconheço
Somos assim, tão íntimos,
a ponto de misturar nossas roupas nas gavetas,
de calçar um, o sapato do outro,
e de tomarmos o mesmo banho
E tamanha é a nossa afinidade,
que somos até mesmo capazes de chegar ao extremo
de amar a mesma pessoa



Marcelo Roque

domingo, 2 de maio de 2010

ESPELHO - Poesia de Marcelo Roque

Tolo é o poeta que acredita
com os seus poemas
poder mudar o mundo
O que não percebe,
é que é o mundo quem dita os seus versos



Marcelo Roque

quinta-feira, 8 de abril de 2010

LIBERTA

Que seja livre minha poesia
Liberta das sombras do mundo
e fiel mensageira das coisas não ditas
Que despreze a tênue linha entre o bem e o mal,
e que não respeite nada,
nem mesmo as vontades do poeta
E que não sejam apaziguadores os seus versos,
posto que é a provocação quem alimenta a alma
E que finalmente por ser assim, livre,
venha a ser bela,
simplesmente bela;
voando acima da cabeça dos homens
e ao lado do coração das crianças

Marcelo Roque



Marcelo Roque

quinta-feira, 25 de março de 2010

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - Poesia de Marcelo Roque

Sejam as máquinas visíveis ou invisíveis
é o meu sangue quente
que corre entre suas juntas frias
Alimentando-as com a vida, até então,
restrita as fibras de minha carne
Reinventando assim o meu corpo
e expandindo minh'alma,
para além das fronteiras do meu peito



Marcelo Roque

segunda-feira, 22 de março de 2010

sábado, 13 de março de 2010

ECOS - Poesia de Marcelo Roque

Pode o tempo ruir meu castelo,
dispersar meus sonhos,
secar minha carne
Pode o tempo queimar os meus ossos,
enterrar minha estória
e apagar o meu nome
Pode o tempo, tudo ...
Menos calar os meus versos
Ontem, hoje e sempre,
ecos de minha existência


Marcelo Roque

segunda-feira, 8 de março de 2010

PLACA DE PETRI - Poesia Marcelo Roque

Sob o ágar dos teus olhos
desdobro-me infinitamente
Ora deixando-me revelar n'alguma lágrima,
ora ocultando-me,
na sombra d'algum sorriso
E quando tudo parece claro,
demasiadamente exato;
eis então que tal claridade ofusca-te os olhos,
escondendo-me ainda mais
sob o clarão de tuas certezas





Uma placa de Petri, ou caixa de Petri é um recipiente cilíndrico,

achatado, de vidro ou plástico que os biólogos utilizam para

a cultura de micróbios.

O nome foi dado a este instrumento de laboratório em honra

do bacteriologista alemão Julius Richard Petri (1852-1921) que

a inventou em 1877 quando trabalhava como assistente de

Robert Koch. É constituído por duas partes: uma base e uma tampa.

Normalmente, para se usar em microbiologia, a placa é parcialmente

cheia com um caldo líquido de ágar onde estão misturados alguns

nutrientes, sais e aminoácidos, de acordo com as necessidades

específicas do metabolismo do micróbio a estudar.

Depois de o ágar solidificar, é aí colocada uma amostra contaminada

pelo micróbio (alguns micróbios têm de ser colocados enquanto o ágar se encontra quente).



Marcelo Roque

domingo, 21 de fevereiro de 2010

PERFUME DE FELICIDADE!!

Quem cultiva flores,tem mais chances de ser cheiroso!!
perfumado como as rosas ou as madressilvas!
Da mesma forma quem cultiva a felicidade,
tem mais chances de ser feliz!
pessoas são rosas e jasmins,
se lhes damos amor, atenção e carinho,
ambas se tornarão muito mais perfumadas...
perfume de felicidade!

 Nadia Stabile - 21/02/10

domingo, 7 de fevereiro de 2010

PRESENÇA - Marcelo Roque

Saibas que onde quer que eu esteja, amor meu,
não mais saberei o que é ser sozinho
Por mais que eu atravesse ruas desertas ou,
sinta no rosto,
o gélido vento das desesperanças
E ainda que perdido,
nesta vida não mais me perderei, pois,
serás tu,
sempre tu, amada minha,
a minha partida,
a minha viagem,
e o meu destino ...



Marcelo Roque

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A BUSCA

Vivia eu a procurar por ti
e no então silêncio de meu amor,
imaginar as distâncias que nos separavam
E foram muitas as casas que conheci,
e por onde dias, talvez anos, vaguei,
simplesmente,
em busca de algo que me lembrasse teus olhos
Fortalezas construi
onde protegia com minha própria vida
quaisquer vestígios que entendia como teus
E quando perdido em ruas estranhas, ou,
consumido pelo cansaço dos desencontros,
eis que n'algum horizonte, levantava-se tua voz,
recitando-me versos,
que eu haveria de te escrever um dia
E assim, muitos séculos atravessei,
cavando esperanças em cada tempo,
repetindo teu nome sem ao menos sabê-lo,
e buscando-te ainda mais,
quando menos te buscava
E quando teu corpo, em carne,
finalmente postou-se a minha frente,
decretando o que seria o fim, de tão incansável procura;
foi então que pude olhar em teus olhos, e perceber,
que em meio a tantos mares,
montanhas e terras distantes;
era em meu peito que moravas, todo o tempo;
adormecida,
vivendo, pacientemente à espera,
do próprio beijo teu ...

Marcelo Roque

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

EM BUSCA DO VERSO PERFEITO

Sei que existe um verso perfeito
escondido num canto qualquer de minh'alma
Que sabe os segredos de todas as coisas,
e os meandros, sagrados do amor
E sei que este verso viaja em meu sangue,
entre as margens do meu saber,
iluminando sonhos em minhas retinas
e infinitos amores em meu coração



Marcelo Roque
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