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sábado, 12 de setembro de 2009

Auto-regulação, autocensura e autonomia

Código Aberto
Postado por Carlos Castilho em 27/8/2009 às 2:17:15 PM

Estas três palavras alimentaram um debate entre leitores do Código como Thales, Mario, Cristiana e Waldir, a propósito de texto publicado no dia 25/8 e que foi lido também por quase mil outros visitantes da página.

Os blogs são para isto mesmo. O autor do texto só provoca. Quem faz conhecimento são os visitantes, dos quais 1% postam comentários e 99% apenas lêem. Este fato torna-se ainda mais relevante quanto o que está em questão é um tema onde há tantas percepções diferentes quanto o número de visitantes do Código.
Minha preocupação não é polemizar com leitores, mas participar da troca de idéias, tentando reduzir as diferenças conceituais, que são inevitáveis, dada a diversidade de experiências de cada um de nós.
Auto-regulação não é um sinônimo de autocensura no contexto das redações jornalísticas, porque, apesar das duas expressões terem algo em comum, referem-se a dois posicionamentos distintos: a auto-regulação se baseia em princípios gerais que cada profissional aplica individualmente, enquanto a auto-censura uma norma apoiada na conveniência institucional e aplicada coletivamente.
Outdoor vencedor na categoria estudantil na seccional Paraná do Premio Central do Outdoor.


Ambos os conceitos tem em comum o fato de se constituírem numa limitação auto-imposta e que atende a conjunturas concretas. No caso da auto-regulação, ela está baseada num consenso baseado em princípios que podem ser culturais, morais ou éticos. No caso da autocensura, temos uma decisão imposta que será aplicada pelo grupo social, no caso as redações, para atender a uma necessidade concreta, geralmente a da sobrevivência de interesses corporativos.
Tanto a auto-regulação como a autocensura, estão situadas dentro do quadro da autonomia, ou seja, são posicionamentos desenvolvidos sem interferência de órgãos superiores, como por exemplo, o governo.
Bom, tudo isto para chegar ao ponto crucial. A autocensura é questionável porque limita a nossa capacidade de pensar e anula a diversidade na troca de informações. Ela tende a uniformizar conteúdos a pretexto de preservar interesses e conveniências. Ao eliminar ou reduzir a diversidade de informações, a autocensura agride o jornalismo porque priva o público de dados, fatos e processos necessários para a formação de opiniões e tomada de decisões.
A auto-regulação obedece a uma lógica totalmente diferente. Ela se baseia na diversidade para, por meio da troca de informações, chegar a um consenso sobre o que pode ameaçar uma determinada comunidade social e seus integrantes. É o que acontece quando as famílias procuram evitar que crianças tenham acesso a filmes violentos. A preocupação não é reduzir a liberdade de informação mas evitar desordens emocionais em seres que ainda não chegaram à maturidade plena.
Alguns leitores comentaram que a auto-regulação é um atentado à liberdade de informação, numa reafirmação do famoso dito de que a melhor lei é aquela que não existe. Só que isto não passa de uma frase de efeito sem nenhuma correspondência prática. Não existe liberdade total, simplesmente porque vivemos em comunidades sociais onde há um bem-estar comum e um bem estar individual. Ora um é mais importante, ora o outro.
A auto-regulamentação sempre existiu e a maior prova dela são as Constituições nacionais. Ela, em tese, seria a materialização do consenso entre os residentes num mesmo país. No caso da imprensa, o argumento de liberdade irrestrita de informação esconde uma falácia, a de que os jornais, emissoras de rádio, televisão, revistas e internet informam tudo. Isto além de não ser verdade, é impossível e inviável.
Assim, a auto- regulamentação informativa tem a ver com a geração de consensos (o plural é importante) sobre o tipo de informação que pode ameaçar, por exemplo, grupos étnicos, direitos civis, o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes, a privacidade de suspeitos sem culpa formada, etc etc.
Estes consensos, que são específicos para cada caso e que evoluem com o tempo, devem incorporar princípios éticos porque dependem de valores desenvolvidos pela própria sociedade.
Em suma, e para terminar, auto-regulação informativa baseada na ética significa desenvolver no interior das redações jornalísticas de todos os tipos, consensos informativos que orientarão os profissionais sobre o tipo de conteúdo que será oferecido ao público numa determinada região, numa conjuntura precisa e num momento definido.
É a minha colaboração para um debate onde você leitor, tem o papel mais importante porque soma das experiências e conhecimentos de todos vocês é bem maior do que a minha.

FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id={6052A8A8-D874-4425-BC85-E5EB82800F50}&id_blog=2

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mais de apenas um elo perdido entre Darwin e Brasil - (Elos perdidos entre Darwin e o Brasil)


















Por Klaus Hartfelder

Neste ano do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da sua primeira obra prima The Origin of Species (continuando com o subtítulo By Means of Natural Selection or the Preservation of Favored Races in the Strugggle for Life), a releitura de Darwin no contexto sociológico é muito bem vinda. Esta releitura, guiada pela visão humanística de Darwin e o seu profundo desprezo por sociedades baseadas em princípios econômico-sociais escravistas, gerou uma bela análise da recepção de idéias chamadas darwinianas no Brasil.
O trabalho dos pesquisadores relatado no texto de autoria de Carlos Haag na edição de maio da revista Pesquisa Fapesp aponta corretamente que essas idéias continham na verdade pouco Darwin e mais "darwinianismo social" de Herbert Spencer e idéias do chamado pai da "lei da biogenética", Ernst Haeckel . Este último um cientista muito influente na Alemanha, grande morfologista, ilustrador e brilhante orador (o que levou o apelido de "pitbull de Darwin") - e ademais, que criou a vertente de uma filosofia religiosa-natural conhecida como monismo.

É interessante notar que tanto Ernst Haeckel quanto também o próprio Charles Darwin foram muito influenciados por um naturalista alemão naturalizado brasileiro, Johann Friedrich Theodor Müller, melhor conhecido como simplesmente Fritz Müller ou Fritz Müller de Desterro (lembrando que o antigo nome de Florianópolis era Nossa Senhora de Desterro).

A meu ver, este é, pelo menos para a Biologia, o mais importante dos elos perdidos.

Quem se atreve a perguntar aos estudantes de cursos de ciências biológicas no Brasil se conhecem Fritz Müller e a sua relação com Charles Darwin, sai frustrado. Mas a culpa é de quem, dos alunos? Veio na hora certa, portanto, o artigo "Parceiro de Charles Darwin" publicado no fascículo de maio de 2009 Scentific American Brasil, da autoria de Margherita Anna Barracco e Cezar Zillig, e que espera-se vá ajudar a restabelecer o lugar desse naturalista no panteão dos grandes cientistas brasileiros.
Provavelmente foi em 1861 que Fritz Müller recebeu uma cópia da primeira edição traduzida para o alemão da Origem das Espécies e imediatamente reconheceu a importância da obra. Notavelmente, manteve uma vívida correspondência com Charles Darwin por 17 anos. Darwin o considerou o "príncipe entre os observadores" e, nas edições seguintes da Origem das Espécies, Fritz Müller se tornou o cientista mais citado.
Duas das suas observações ganharam notoriedade: a primeira é a do mimetismo entre espécies não-palatáveis de borboletas, a seguir chamada de mimetismo Mülleriano, e a segunda é a noção de que relações filogenéticas entre grupos de organismos podem ser reveladas através do estudo das suas fases larvais, sendo esta o resultado da observação de crustáceos do litoral de Santa Catarina. O próprio Darwin incorporou esse conceito na sua monografia sobre cracas, um grupo de crustáceos com plano de corpo na fase adulta bastante alterada, mas com fases larvais típicas das crustáceas.
Ernst Haeckel também se apropriou desta noção, que conheceu através das suas correspondências com Darwin e Müller e, juntando esta a noções previamente formalizadas por Karl Ernst von Baer, o descobridor do óvulo dos mamíferos, a petrificou na "lei da biogenética", ou "a ontogenia recapitula a filogenia". Em sua forma Haeckeliana, a "lei da biogenética" tem justamente recebido muitas críticas, inclusive de Stephen Jay Gould, mas como regra geral continua guiando pesquisas na área de evo-devo (evolução e desenvolvimento) da Biologia moderna.
Portanto, estamos lidando na realidade com dois elos perdidos do darwinismo no Brasil. O primeiro elo, que é principalmente relacionado com a primeira obra prima de Darwin, a Origem das Espécies, é com o verdadeiro darwinista Fritz Müller, que era professor de História Natural no Liceu Provincial de Florianópolis. Já o outro elo é o com as Conferências Populares da Glória, foco das pesquisas da historiadora social Karolina Carula e de outros pesquisadores apresentadas no texto de Carlos Haag.


Esse elo é com o Darwin antiescravista e as tendências republicanas e abolicionistas, e certamente está muito mais ligado ao segundo livro de Darwin The Descent of Man (continuando com o subtítulo And Selection in Relation to Sex). O livro se dividide em três partes, do qual somente a primeira pode ser vista como resultado das posições abolicionistas de Darwin. Já a segunda é de grande interesse para a Biologia Evolutiva, pois desenvolve o conceito da seleção sexual, que complementa a noção do processo evolutivo das espécies através da seleção natural, tema central do primeiro livro de Darwin.

Elos perdidos entre Darwin e o Brasil

Categoria: Divulgação de ciência
Escrito em julho 14, 2009 2:49 PM, por Maria Guimarães

FONTE : http://scienceblogs.com.br/cienciaeideias/2009/07/elos_perdidos_entre_darwin_e_o.php

FELICIDADE - TOLSTÓI

«A felicidade é estar com a Natureza, ver a Natureza e conversar com ela.»

( Tolstói, em "Os Cossacos")

domingo, 26 de julho de 2009

As seis cordas - GARCIA LORCA (EM HOMENAGEM A GRANDE MESTRA E POETA GLÓRIA KREINZ,NOSSA AMIGA BLOGUEIRA )

A guitarra
faz soluçar os sonhos.
O soluço das almas
perdidas
foge por sua boca
redonda.
E, assim como a tarântula,
tece uma grande estrela
para caçar suspiros
que bóiam no seu negro
abismo de madeira.



*GRANDE GLÓRIA!! você tornou-se a alma deste SARAU!!sem você ele não seria o que é e o que ainda pode vir a ser! Seus comentários mais geniais que as postagens, fazem-nos perseverar nestes difíceis caminhos de nossa cultura!! Glória!!
NUNCA NOS DEIXE!! ABRAÇÃO NADIA - 26/07/09

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Para Nadia (Walder Maia do Carmo)

Quando conheci esta mulher, no orkut,
percebi que ela tinha muito acrescentar
à minha cultura coloquial,( Tolstói,Dostoiésvsky...).
Mas o que mais me atraiu nela,foi esta vontade intrépida
de nos deixar algo mais valioso que, é esta reflexão de
nos perguntarmos se estamos satisfeitos quando olhamos
para o mundo,nosso comprometimento para melhorá-lo.
Vi nela confiança, capacidade deste esforço.
Esta mulher sempre irei amar.
Parabéns Nadia pelo segundo aniversário do PICHAÇÕES,esta
troca de conhecimento e sabedoria que você, como exímio bloqueira, torna possível.

"a inveja é o elogio do medíocre"

esta frase,meu pai a usava muito!
mas...um dia lhe disse:
se é um elogio do medíocre é também ao medíocre!?
isto é,tanto o invejado quanto o invejoso,
seriam medíocres então?
bom, meu pai emudeceu,pensou...
e orgulhoso como era...
mesmo assim, deu-me uma certa razão!
ele que de tão super pai que sempre quis ser,
negava-se a demonstrar alguma troca comigo!
como disse Max Weber,talvez...
o homem cria símbolos,
símbolos que os controlam!
querer ser super homem, super pai,
era bem frequente desde a década de 70...talvez!
seria esta uma síndrome causada pelo milagre brasileiro!?
pela invasão imperialista?...pela televisão!?
sei lá!

Nadia Stabile - 06/07/09

"o buraco é mais em baixo"

devia ser 1980...
numa conversa com meus pais,
disse: "o buraco é mais em baixo"
ambos ficaram indignados,
decepcionados até!
o que esta garota de 20 e poucos
anos anda aprendendo por aí?!...
a conotação sexual logo veio-lhes!
indecência! onde foi que erramos!?
relevei,meus pais eram uns
40 anos mais velhos do que eu!
mas afinal? até hoje não
sei se eles chegaram a entender
o que quer dizer esta expressão!
na web é estranho ler o que
os jovens hoje pensam de frases antigas
como essa,mas que acho,nunca tenha sido entendida
desde a época em que foi inventada.

Nadia Stabile - 06/07/09

sexta-feira, 19 de junho de 2009

MEU PAI E AS ALAVANCAS






















sonhei com meu pai
acordei conversando com ele
sobre alavancas
os pontos de apoios
pra meu pai
eram vitais

se pararmos pra pensar
alavancas estão por toda parte
maçanetas são alavancas
chaves seriam também?
no nosso corpo
muitas alavancas
existem!

e se não alavancamos nossas vidas
ninguém fará isso por nós!
somos alavancas de nós mesmos!

Nadia Stabile - 19/06/09

(ao meu pai que foi embora deste mundo cheio de alavancas no ano 2000,e que esta noite veio conversar sobre alavancas)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

CVV - Centro de Valorização da Vida - MÚTUA AJUDA (FONE: 141)



CVV - Centro de Valorização da Vida.

Às vezes apenas precisamos de alguém para nos ouvir. Ligue pra gente. Telefone 141 em todas as capitais e diversas outras cidades. Lista completa de cidades em http://www.cvv.com.br/o_postos.htm
Categoria: Pessoas e blogs

Palavras-chave:
CVV suicídio apoio emocional amor voluntário

N A Neuróticos Anônimos - MÚTUA AJUDA

quarta-feira, 10 de junho de 2009

É TEMPO DE AMAR

Em primeiro lugar quero agradecer a minha amiga Nadia o privilégio e a oportunidade de estar colaborando com este trabalho coletivo. Concordo plenamente com ela quando coloca de forma tão inteligente que “ A depressão cresce mais que lixo tecnológico” portanto, é chegado o tempo de esquecer a depressão, e seguir o seu exemplo, somando forças, subtraindo a depressão e o desamor da nossa vida, multiplicando solidariedade, amor, companheirismo e acima de tudo dividindo conhecimentos. Enfim é tempo de cooperar, tempo de plantar, tempo de preservar e acima de tudo É TEMPO DE AMAR. Conjugar o verbo amar em todos os seus tempos porque o tempo passa rápido e para mim o ato de amar vai muito além de um ato
.
FALANDO DE AMOR

Joana d'arc

Se me pedires para falar do amor
Na certa, muitas frases feitas surgirão
Porque assim como o ar que respiramos
Ele e imprescindível em qualquer situação

O amor esta presente em toda ocasião
Quando lembramos de um amigo em oração
Quando brincamos com um animal de estimação
Ou quando tomamos uma grande decisão

O amor é como o vento, está sempre a soprar
Não tem direção certa, mas está sempre a nos tocar
Em nossa pele em nosso coração
Na alegria ,na tristeza enfim em qualquer situação

O amor é gota de orvalho que brilha na flor, pela manhã
É o verbo transcendo além da imaginação
É o limite do pensamento com a ação
É a soma do prazer com a abnegação.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A SOCIEDADE VIGIA,PUNI,CASTIGA,TORTURA, NEUROTIZA E AÍ MANDA PRA PSICANÁLISE!!!!!

(FREUD, JUNG, REICH e LACAN)

Psicanalisar e educar ou Psicanálise e Educação? Um retorno a Freud


Rinaldo Voltolini

(...)“Um” retorno a Freud: Lacan e o “drama dos conceitos”

A expressão retornar a Freud tornou-se emblemática do projeto lacaniano para a Psicanálise.
Em geral, ela é usada para marcar o retorno necessário a rota freudiana que se reputa ter sido abandonada ou desviada.
Sabemos que esta expressão representa, no mínimo, duas coisas extremamente imbricadas entre si: uma estratégia política e um projeto ético e teórico.
Uma estratégia política, porque serviu a Lacan para apontar sua filiação a Freud, da qual recusou perenemente ser desvinculado. Lacan não admitia ser visto como dissidente, a semelhança do que aconteceu com Jung, Reich e outros, por isso precisava demonstrar as provas de sua filiação, bem como responder aos argumentos que lhe identificavam como fora do campo freudiano.
Seu primeiro seminário dado depois de sua não admissão na instituição psicanalítica francesa, que resolvera anexar-se a IPA, esteve fortemente marcado pela necessidade de afirmar-se freudiano. Os quatro conceitos da Psicanálise, Seminário XI (Lacan 1964) serviam para mostrar, entre outras coisas, como entendia os quatro conceitos básicos, fora dos quais não se poderia dizer inscrito no campo freudiano.
Mas para se mostrar em consonância com a proposta freudiana não bastava demonstrar o entendimento dos conceitos, era necessário, sobretudo, “interpretar” a crítica que lhe faziam.
Todos sabemos que a base desta interpretação recaiu sobre a identificação dos críticos a um dogmatismo religioso, marcado pela ironia do termo excomunhão, usado por Lacan na primeira aula deste seminário, para se referir a seu processo de exclusão da IPA.
A expressão retornar a Freud, dizíamos, significa também um projeto ético e teórico, a medida em que é com Lacan, autor da expressão, que fica destacado que não se pode entender Freud sem dessacralizá-lo, sem utilizar com ele, na leitura de sua obra, o próprio princípio tão evidenciado pela psicanálise de que o homem afeta a obra. Fato que implica em levar em consideração o sujeito Freud, seus impasses e conflitos.
Retornar a Freud visava, sobretudo, criar uma condição para poder superá-lo transferencialmente, sem ficar condenado a repeti-lo gargarejicamente, imitá-lo, recaindo num inevitável dogmatismo conservador.
Retornar não é o mesmo que regredir, nem repetir. De modo algum pode ser reduzido a uma mera instalação de uma outra posição, mais verdadeira ou fiel que aquela que se desviou. Esta expressão pretende marcar, prioritariamente, uma leitura libertadora, daquela liberdade que vem quando podemos fazer alguma coisa com aquilo que recebemos de nossos pais. Mas só se pode fazer algo próprio quando se elaborou a herança recebida, de modo a não sucumbir na mera repetição dela.(...)

LEIA MAIS EM : http://www.educacaoonline.pro.br/index.php?option=com_content&view=article&id=337:psicanalisar-e-educar-ou-psicanalise-e-educacao&catid=36:especial&Itemid=46

Tortura na História do Brasil (do site do GRUPO TORTURA NUNCA MAIS)

A prática da tortura que percorre, até hoje, toda a história do nosso país foi durante séculos utilizada em quase todo mundo, como um exercício de vingança contra os corpos daqueles que se insurgiam contra o poder e a força do Rei. Daí, os suplícios públicos, assistidos como espetáculos na antiguidade, nos períodos medieval e moderno.

O uso sistemático da tortura, na Europa, ocorreu após o século XI, atingindo seu apogeu entre os séculos XIII e XVIII, com a Inquisição .Segundo Foucault (1988), naquele período, apesar dos suplícios serem públicos, todo o processo criminal, até a sentença, permanecia secreto, não só para a população, mas para o próprio acusado.

Em nossa história colonial são conhecidas as torturas infligidas aos escravos, índios – que não eram considerados humanos – e aos “perigosos” de todos os tipos, como aqueles perseguidos pela Inquisição, e os que praticaram crimes de “lesa majestade”, ou seja, contra a Coroa Portuguesa.
Segundo Foucault (1988) é com o advento do capitalismo industrial, no final do século XVIII e início do XIX, que as “grandes fogueiras” e a “melancólica festa” das punições vão se extinguindo (Foucault, p.14).

Os suplícios saem do campo da percepção quase cotidiana e entram no da “consciência abstrata”: é a era da “sobriedade punitiva”, quando não é mais para o corpo que se dirige a punição, mas para a alma, devendo atuar “profundamente sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições”. Assim, a premissa básica dos tempos modernos é: “que o castigo fira mais a alma que o corpo” (Idem, p.21).

Ou seja, não só os atos praticados serão objetos de punição, mas também aqueles que poderão vir a ser efetuados, dependendo da “alma” do sujeito: se ex-escravo, negro, mestiço, migrante, pobre. Inaugura-se a era da periculosidade, onde determinados segmentos por sua “alma”, sua essência, sua natureza deverão ser constantemente vigiados, disciplinados, normatizados. Entramos, segundo Foucault, nas sociedades disciplinares onde as instituições exercerão vigilância intensa, produzindo corpos dóceis, adestrando não só o físico, mas fundamentalmente os espíritos.

Entretanto, ao lado do dispositivo da periculosidade continua, ao longo de todo o século XX, existindo no Brasil e em muitos outros países, também o da tortura. Não mais para os escravos, mas para os “diferentes”, “criminosos”, “marginais”, “perigosos” ; ou seja, para os pobres em geral.

A tortura – que, ao longo de todo século XX, foi cotidianamente utilizada contra os “desclassificados” sociais - especialmente a partir do AI-5 (13/12/68), passou a ser também aplicada aos opositores políticos da ditadura militar

Apesar da implantação em 1964 de um governo de força, somente a partir do AI-5 é que a tortura se tornou uma política oficial de Estado. A vitória da chamada “linha dura”, o golpe dentro do golpe instituíram o terrorismo de Estado que utilizou sistematicamente o silenciamento e o extermínio de qualquer oposição ao regime. O AI-5 inaugurou também o governo Médici (1969-1974), período em que mais se torturou em nosso país.
Em seu livro de memórias ,o ex-presidente Geisel ( 1974 – 1979) afirmava:
“(...)que a tortura em certos casos torna-se necessária, para obter informações. (...) no tempo do governo Juscelino alguns oficiais, (...) foram mandados à Inglaterra para conhecer as técnicas do serviço de informação e contra-informação inglês. Entre o que aprenderam havia vários procedimentos sobre tortura. O inglês, no seu serviço secreto, realiza com discrição. E nosso pessoal, inexperiente e extrovertido, faz abertamente. Não justifico a tortura, mas reconheço que há circunstâncias em que o indivíduo é impelido a praticar a tortura, para obter determinadas confissões e, assim, evitar um mal maior.” ( O Globo, 1997, p.12, grifos meus ).

Em 1971, foi elaborado pelo Gabinete do Ministro do Exército e pelo seu Centro de Informações (CIEx) um manual sobre como proceder durante os interrogatórios feitos a presos políticos. Alguns trechos apontavam que:
“(...) O interrogatório é uma arte e não uma ciência (...). O interrogatório é um confronto de personalidades. (...) . O fator que decide o resultado de um interrogatório é a habilidade com que o interrogador domina o indivíduo, estabelecendo tal advertência para que ele se torne um cooperador submisso (...). Uma agência de contra-informação não é um tribunal da justiça. Ela existe para obter informações sobre as possibilidades, métodos e intenções de grupos hostis ou subversivos, a fim de proteger o Estado contra seus ataques. Disso se conclui que o objetivo de um interrogatório de subversivos não é fornecer dados para a justiça criminal processá-los; seu objetivo real é obter o máximo possível de informações. Para conseguir isso será necessário, frequentemente, recorrer a métodos de interrogatório que, legalmente, constituem violência. É assaz importante que isto seja bem entendido por todos aqueles que lidam com o problema, para que o interrogador não venha a ser inquietado para observar as regras estritas do direito (...). ( ALERS, 1988, p. 285, grifos meus).

Para que a engrenagem da tortura funcionasse, e ainda hoje funcione, de forma azeitada e produtiva foram, e ainda são, necessários muitos outros elos. Muitos profissionais como psicólogos, psiquiatras, médicos legistas, advogados, dentre outros respaldaram, e ainda hoje continuam respaldando, tecnicamente os terrorismos de Estado em diferentes países, assessorando práticas de exclusão com suas ações e saberes. A história da participação ativa de muitos desses profissionais no Brasil ainda está para ser escrita.

A Lei 9.455/97: a quem tem servido ?

A referência à prática da tortura aparece pela primeira vez na legislação brasileira somente em nossa última Constituição, a de 1988 - já em final do século XX! Apesar disso, foi colocada na Carta Magna ao lado dos crimes de terrorismo e tráfico de drogas .
Somente quase 10 anos depois de criminalizada em nossa Constituição é que a prática de tortura foi tipificada pela lei 9.455, de 07 de abril de 1997. (...)

LEIA MAIS EM : http://www.torturanuncamais-rj.org.br/artigos.asp?Codartigo=45&ecg=1

GRITOS EM SUSPENSÃO - NADIA STABILE

Como é possível no século XXI ainda existir tortura?
Tortura de muitas espécies.
Nos matadouros trilhões de gritos mudos,
Nas ‘masmorras’, nos porões,gritos que só alguns conseguem ouvir,
Só alguns se compadecem, só alguns fazem força para ouvir!

E nas casas, o mesmo acontece,e aí de forma
mais ou tão covarde quanto nas ‘masmorras’!
Muitas crianças e mulheres sendo agredidas,
Sofrendo violações desumanas.

corpos e almas são torturados,
Os limites dos corpos gritam,
Suplicam não perderem as memórias do ventre materno!
O aconchego guardado em nossa parte mais sutil e mais profunda!
Os toques carinhosos de outros seres ficam para sempre!
E atos agressivos, cruéis, dissolvem toda dignidade,
Que depois para ser restaurada,
Custa-nos muito esforço!

20/04/09

Infinito de Você (Walder Maia do Carmo)

Amor!Alma.
Na solidão do luar
ecoa meu grito nos montes
e se desfaz.
Procuro nas flores
teu perfume, cio.
Busco no horizonte
teu olhar!
A lareira aquece-me
no fênix do teu renascer
abrandando infinito de você...

Luvas a parodiar os sapatos de Marcelo

A arte de usar luvas hoje é rara!
Luvas e mãos
Mãos e luvas
Ser as luvas
Ser as mãos
Não li “A mão e a luva” de Assis,
E nem estou pensando
em luvas criminosas.


O que seriam de meus dedos
Se não fossem as luvas
A darem-lhe existência!

Nadia Stabile - 20/04/09

VOANDO - GLÓRIA KREINZ

Do grito ao calo,
do calo aos versos,
dos versos ao sapato,
o sapato aos teus pés,
asas conduzindo te assim,
por terras encantadas
chamados do sem fim...

domingo, 19 de abril de 2009

O GRITO e o ENTE - GLÓRIA KREINZ

O grito
fluiu,fluindo,
delicado, inteligente,
doce e combativo,
dizendo sutilmente
coisas da gente...
Choramos no gozo,
não cabemos a sós...
Gritamos o amado,
que mora em nós...
O grito
é parte do ente...
Poeta sabia,
você confirmou,
a vida e estilhaços
palavras em brilhos,
o ciclo mostrou...

sábado, 18 de abril de 2009

GRITA - DOR - Nadia Stabile

me parece que muitas mulheres choram ao alcançar o clímax!
e os homens?...quase nunca perguntaram-se porque!

os gritos das mulheres quase sempre desaguam em lágrimas!
o chorar feminino é muito doido ! agudos...altos sons!
que talvez intentem alcançar as altas esferas!
os gritos das mulheres são mais molhados,
são mais traumatizantes, são mais elucidativos!

os desígnios das mulheres
traduzem-se em gritos estridentes!
muito bem...o dom do grito é feminino!
razões,causas...não faltam!
entretanto há homens esforçados
e com um certo dom gritador!
geralmente são os homens que nunca desistem
de suas lutas,são os melhores gritadores!
são aqueles que conseguem enxergar pelos prismas das mulheres!
aqueles que sabem que as mulheres têm razão quando gritam!

como diz um provérbio árabe,
aquele que faz chorar uma mulher...
esqueci!....mas o que importa é dizer:
homens,prestem atenção nos choros e gritos das mulheres!

Nadia Stabile - 18/04/09
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