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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A NOÇÃO DE LIBERDADE NO "EMÍLIO" DE ROUSSEAU (REPOSTAGEM - CLICADA 272 VEZES NO MÊS DE MARÇO de 2010)

 POSTADA EM 15 DE MAIO de 2009 NESTE BLOG
http://sarauxyz.blogspot.com/2009/05/nocao-de-liberdade-no-emilio-de.html

Luiz Felipe Netto de Andrade e Silva SAHD

RESUMO: A educação natural de Rousseau é uma tentativa de mostrar como
as paixões, se liberadas da deformação provocada pela opinião social, po-
dem ser moralmente corretas. Se o Emílio, afirma Rousseau, é um tratado so-
bre a bondade natural do homem, esta bondade está fundada sobre a liber-
dade, e, sobretudo, sobre a liberdade das paixões.

PALAVRAS-CHAVE: educação, bondade natural, liberdade.

Na Carta a Philibert Cramer, de 13 de outubro de 1764, Rousseau
sugere que a análise atenta de seu pensamento filosófico deve ser em-
preendida a partir da leitura do Emílio (Rousseau, 1929, p.339). Segundo
o autor, ele permite melhor compreender a ordem entre seus escritos e
alcançar os princípios fundamentais de seu “sistema”. Aceitando a in-
dicação e o desafio proposto, o presente artigo tem como objetivo re-
construir argumentos centrais desenvolvidos por Rousseau acerca da
constituição da noção de liberdade segundo o Emílio, isto é, segundo as
duas etapas que caracterizam o seu conteúdo, a educação pela liberda-
de e a educação para a liberdade.


A proposição que inicia o capítulo primeiro do Contrato Social, “o
homem nasceu livre e por toda parte se encontra sob grilhões” (Rous-
seau, 1964b, p.351), encontra o seu exemplo no Emílio. Nesse “romance
da natureza humana”, Rousseau tem como objetivo principal demons-
trar que o homem da natureza, “saindo das mãos do Autor das coisas”,
difere radicalmente do homem civil, que “nasce, vive e morre na escra-
vidão” (Rousseau, 1969a, p.63). Como se manifesta, pergunta o autor, a
liberdade natural do homem? No âmbito físico, ela se identifica com a
necessidade natural de movimento, cujos impedimentos à sua satisfa-
ção cria obstáculos ao desenvolvimento normal da criança e engendram
efeitos físicos nefastos. Se a liberdade é um bem e a necessidade de
movimento é a sua primeira manifestação, o uso “desnaturado” (déna-
turé) da mesma representaria um excesso condenável, pois toda justifi-
cação desta prática não passaria de raciocínios inúteis da nossa falsa
sabedoria jamais confirmados por nenhuma experiência. Nessa pers-
pectiva, pode-se afirmar que uma educação adequada é aquela que res-
peita a liberdade física da criança. Nas palavras de Rousseau:

"Da multidão de crianças que, entre povos mais sensatos do que nós, são
criadas com toda a liberdade de seus membros, não se vê uma só que se fira ou
se mutile; não dariam a seus movimentos a força que pudesse torná-los perigo-
sos e, quando assumem uma posição violenta, a dor logo as adverte de que de-
vem mudá-la. (Rousseau, 1969a, p.255-56"

Esta liberdade de movimento deve ser preservada quando a criança
cresce, uma vez que os seus efeitos serão benéficos para o desenvolvi-
mento de seu corpo (Rousseau, 1969a, p.278). Quando a criança conclui
alguns progressos e as suas faculdades estão finalmente desenvolvidas,
alcançando o estágio em que deveremos considerá-la um ser moral, sua
verdadeira liberdade, segundo Rousseau, ultrapassa a liberdade inicial
de movimento e se transforma numa liberdade da vontade. Mais exata-
mente, a criança é livre quando é capaz de realizar a sua vontade. Mas o
que significa afirmar exatamente “fazer a sua vontade” (faire sa volonté)?

É, segundo o autor, ser capaz de bastar a si mesmo sem apresentar nenhu-
ma dependência externa: “O que faz a sua vontade é aquele que não precisa
para tanto colocar o braço de outrem na ponta dos seus. Segue-se daí que o pri-
meiro de todos os bens não é a autoridade, mas a liberdade. O homem verda-
deiramente livre só quer o que pode e faz o que lhe agrada. (Rousseau, 1969.pag.309)

(...)

LEIA NA ÍNTEGRA EM :
http://www.scielo.br/pdf/trans/v28n1/29409.pdf

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

TRECHOS DE "DALAI LAMA"

"Karma é uma palavra sânscrita que significa “ação”. Designa uma força ativa, significando que o resultado dos acontecimentos futuros pode ser influenciado por nossas ações. Supor que karma é uma espécie de energia independente que predestina o curso de toda a nossa vida é incorreto. Quem cria o karma? Nós mesmos. O que pensamos, dizemos, fazemos, desejamos e omitimos cria o karma. Não podemos, portanto, sacudir os ombros sempre que nos defrontamos com o sofrimento inevitável. Dizer que todo o infortúnio é mero resultado do karma equivale a dizer que somos totalmente impotentes diante da vida. Se isso fosse verdade, não haveria motivo para ter qualquer esperança".

"Nossas vidas são condicionadas pelo karma e são caracterizadas por sucessivos ciclos de problemas. Um problema começa, termina e logo tem início um outro problema"

“Somos os criadores de nossa própria felicidade e de nosso sofrimento, pois todas as coisas têm origem na mente. Sendo assim, precisamos assumir a responsabilidade por tudo aquilo de bom ou de ruim que experimentamos. Este livro contém a essência do budismo e oferece conselhos para a pratica da sabedoria em nossas vidas diárias nas palavras de Sua Santidade, o Dalai-Lama. Seus pensamentos inspiradores ajudam a melhorar nosso estado de espírito e a descobrir uma profunda paz interior”.

“A essência de toda vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo o resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito e sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano”.

“Se a pessoa tem uma base espiritual estável, não se deixará dominar pela sedução da tecnologia ou pela insanidade que é o desejo desenfreado de adquirir bens materiais. Essa pessoa saberá encontrar o equilíbrio sem querer demais e sabendo valorizar o que já tem. O perigo constante é abrir a porta para a ganância, um de nossos inimigos mais incansáveis. É ai que se deve por em prática o verdadeiro trabalho da mente”.

“O beneficio mais importante da paciência consiste em sua ação como um antídoto poderoso ao mal da raiva, a maior ameaça a nossa paz interior e, conseqüentemente, à nossa felicidade. A paciência é o melhor de que dispomos para nos defendermos inteiramente dos efeitos destrutivos da raiva. Pense bem: a riqueza não protege ninguém da raiva. Nem a educação por mais talentosa e inteligente que a pessoa seja. A lei, muito menos, pode ser de qualquer ajuda. E a fama é inútil. Só a proteção interior do autocontrole paciente evita que experimentemos o tumulto das emoções e pensamentos negativos”.

“A culpa é um sentimento incompatível com nosso pensamento, pois acreditamos que somos parte de uma ação, mas não somos inteiramente responsáveis por ela. Somos apenas parte do fator que contribuiu para a ação. Entretanto, em alguns casos, devemos sentir arrependimento, deliberadamente assumir responsabilidades, lamentar o ocorrido e nunca cometer aquele erro outra vez”




Bibliografia:
Palavras de Sabedoria
Copyright © Sua Santidade, o Dalai-Lama 1999.
Copyright da tradução © Sua Santidade o Dalai-Lama 2001
Todos os direitos reservados, no Brasil, por Editora Sextante (GMT Editores Ltda.)
www.esextante.com.br

http://www.ruadasflores.com/ori_oriente/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"AMOR E ETC" - ROUSSEAU ,SARTRE,FOUCAULT,NIETZSCHE E HANNAH ARENDT

"Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão."
Jean-Paul Sartre

“O amor à verdade é terrível e poderoso”. Nietzsche

“O comportamento sexual não é, como muito se costuma supor, a superposição, por um lado de desejos oriundos de instintos naturais e, por outro, de leis permissivas e restritivas que ditam o que se deve e o que não se deve fazer. O comportamento sexual é mais que isso. É também a consciência do que se faz, a maneira que se vê a experiência, o valor que se a atribui. É, neste sentido, creio eu, que o conceito de gay contribui para uma apreciação positiva – mais que puramente negativa – de uma consciência na qual o afeto, o amor, o desejo, as relações sexuais são valorizadas.” (Michel Foucault - Escolha sexual, ato sexual , 1982)

***********************************************
(...)Arendt reconhece em Rousseau o primeiro teórico da interioridade, a qual aparece como uma forma de resistência à introdução do social na esfera privada, a rebelião do coração contra a existência social. Mas, ao mesmo tempo, Rousseau é o inventor do amor romântico, que, por ser extramundano, é antipolítico, "talvez a mais poderosa das forças humanas antipolíticas", como Arendt constata. Ela critica o eu da interioridade, do amor romântico, a idéia de procurar a verdade sobre si no profundo de si mesmo, nas emoções, na sexualidade, no amor. Se o amor romântico se apresenta como o ideal sentimental hegemônico, isso acontece porque encarna o ideal que corresponde à nossa realidade antipolítica, isto é, a de uma sociedade voltada para a interioridade na procura de verdade, do sentido, da autenticidade, da satisfação, e que contempla o mundo como hostil a essa busca. Como observa Arendt (1988, p.42): "Uma sondagem de opinião revelou: o ponto central é 'a preocupação pelo homem'. O homem se preocupa por si mesmo. (Descoberta de si mesmo). É assim desde o começo da Idade Moderna. Em contrapartida: o ponto central de toda a política é a preocupação pelo mundo".

Somente desenvolvendo novas formas de amor mundi no sentido arendtiano é que, a meu ver, podemos conceber alternativas a esse ideal, criar e recriar formas de relacionamento voltadas para o mundo, para o espaço público, tais como a amizade, a cortesia, a solidariedade, a hospitalidade, o respeito. Todas elas dependem de uma publicidade, de uma espaço de visibilidade capaz de iluminar os acontecimentos humanos, de um mundo comum que una ou separe os indivíduos, mantendo sempre a distância entre eles, condição da pluralidade. É nesse sentido que Arendt contrapõe a amizade à fraternidade no ensaio sobre Lessing em Homens em tempos sombrios, pois a amizade exprime mais a humanidade do que a fraternidade, precisamente por estar voltada para o público. Ela é um fenômeno político, enquanto a fraternidade suprime a distância dos homens, transformando a diversidade em singularidade e anulando a pluralidade (Arendt, 1987). A fraternidade é, no fundo, uma forma de comunidade identificatória, na qual, na condição de irmãos, somos todos iguais. Assim como a fraternidade e o amor se apresentam como forças antipolíticas, Arendt também critica a família e o parentesco como modelos de organização política. A sociedade moderna é definida como uma "administração doméstica coletiva", um "conjunto de famílias economicamente organizadas", uma "família sobre-humana" (1987, p.38), o que sugere um caráter profundamente antipolítico derivado da compreensão da política segundo critérios familiares: "Na medida em que se constroem corpos políticos sobre a família e são compreendidos como uma imagem dela, considera-se que os parentescos podem, por um lado, unir os mais diversos e, pelo outro, permitir que figuras semelhantes a indivíduos distingam-se as umas das outras ... Em ambos os casos, a ruína da política resulta do desenvolvimento de corpos políticos a partir da família" (Arendt, 1987, p.45-6, grifos nossos).(...)

IN "Hannah Arendt, Foucault e a reinvenção do espaço público"
Por Francisco Ortega

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732001000100015

domingo, 29 de novembro de 2009

TREM - ADÉLIA PRADO E DRUMMOND

"Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento."

Adélia Prado

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(...)Se de tudo fica um pouco,

Mas porque não ficaria

um pouco de mim? No trem

que leva ao norte, no barco,

nos anúncios de jornal,

um pouco de mim em Londres,

um pouco de mim algures?

Na consoante?

No poço?

Um pouco fica oscilando

Na embocadura dos rios

E os peixes não o evitam,

Um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.(...)

**Fragmento do poema "Resíduo" de Drummond

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

cognição, emoção e volição ...e os sonhos

Comentário sobre artigo do filósofo Bento Prado Jr.: "A imaginação: Fenomenologia e Filosofia Analítica"

Categoria : Filosofias no Campo Psi
Publicado por Adalberto Tripicchio

"O poeta é um fingidor,
que finge tão completamente,
que acaba por sentir que é dor
a dor que deveras sente."

Fernando Pessoa

(...)A certeza para Spinoza nada mais é do que a idéia adequada de alguma coisa. "Concedo, pois que ninguém se engana enquanto percebe, isto é, as imaginações do espírito consideradas em si mesmas não envolvem erro; mas nego que um homem não afirme nada enquanto ele percebe". Este texto é tanto mais curioso, na sua contestação da liberdade da vontade, já que recorre à teoria do sonho e da imaginação. Não era, com efeito, o argumento do sonho um argumento cartesiano.

Nas Meditações, embora o argumento da alucinação seja recusado (desde aquela época...), o argumento do sonho é essencial na estratégia da dúvida, como ninguém o ignora. Antes de voltarmos ao texto do escólio, é interessante que nos reportemos às páginas do Imaginário que Sartre consagrou ao argumento cartesiano e, mais geralmente, ao problema do sonho (pp. 205-225).

Se Sartre recorre ao texto de Descartes é porque coloca dificuldades para sua teoria da imaginação e do imaginário. Sartre reformula o texto de Descartes nos seguintes termos: "Se é verdade que o mundo do sonho se dá como um mundo real e percebido, quando ele é constituído apenas por um imaginário mental, não haveria aí ao menos um caso onde a imagem se dá como percepção...?" (p. 206)
Se a descrição cartesiana da consciência que sonha é correta, será incorreta a descrição que Sartre nos fornece da imagem. Havia-se estabelecido entre as características essenciais da imagem:

1. O fenômeno da quase-observação;

2. O fato de que a consciência imaginante põe seu objeto como um nada;

3. A espontaneidade da intenção imaginante.

Estas três características opõem essencial e radicalmente imaginação e percepção. Isto porque o objeto da percepção é essencialmente observável, posto como positivo (como existente) e como imposto à passividade da consciência. É-lhe, portanto, indispensável encontrar a falácia do argumento cartesiano e teorizar sobre a natureza do sonho. No caso da consciência vigilante que percebe, a reflexão nada lhe acrescenta nem a altera. À contracorrente de Descartes, Sartre diz:

"E, a bem dizer, sua absurdidade não é menor do que aquela proposição: talvez eu não exista, proposição que, justamente para Descartes, é verdadeiramente impensável" (pp. 206-207). Sartre poderá afirmar, a seguir, incluindo pela primeira vez o nome de Spinoza no L'Imaginaire: "Na realidade, a percepção, como a verdade para Spinoza, é index sui e não poderia ser de outra maneira. E o sonho se assemelha também muito ao erro no espinosismo: o erro pode dar-se como verdade, mas basta possuir a verdade para que o erro se dissipe por si mesmo".

O que opõe, portanto, o sonho à percepção para Sartre - o que teria escapado a Descartes - é a fragilidade do sonho, isto é, sua incapacidade de resistir à reflexão (ou, na linguagem de Ryle, de competir com a percepção). Spinoza nos diz: "... e não creio que exista um homem que durante o seu sonho pense ter o livre poder de suspender seu juízo sobre o que ele sonha, e de fazer com que não sonhe o que sonha; e, todavia ocorre que, mesmo nos sonhos, nós suspendemos nosso juízo, quando sonhamos que sonhamos".

A fragilidade do sonho tem exatamente o mesmo sentido em Spinoza e em Sartre. Tanto para um como para o outro, essa fragilidade significa sua incapacidade de "competir" com outras representações - como para o próprio Ryle. Tanto num caso como no outro, a consciência que sonha difere da consciência desperta na medida em que o sonho isola uma representação, enquanto a consciência desperta está voltada para o horizonte do mundo ou da totalidade da experiência. Na linguagem de Husserl, diríamos que toda percepção de uma coisa é indissociável da tese do mundo.

Isolada de suas circunstâncias, a coisa perde sua substância (a "substância" que a percepção lhe atribui, pondo-a como existente) e se desfaz em puro "fantasma".

Perceber uma coisa, perceber sua articulação com as demais, perceber a coisa dentro do mundo, afirmar sua existência, tudo isto é uma e a mesma coisa. Para Spinoza, sonhar é suprimir o mundo ou a sua ordem; ou, ainda, em outros termos que não existe um mundo ou uma ordem do sonho e do imaginário. Como afirma Sartre, explicitamente: "Todavia, essas poucas notas (sobre o sonho) não contradizem essa grande lei da imaginação: não há mundo imaginário. Com efeito, trata-se apenas de um fenômeno de crença."

Para Ryle, também, sabemos quão frágil é o imaginário, incapaz de competir com a percepção (embora ao fazer dele, entre outras coisas, uma antecipação da percepção, complique um pouco a clara oposição), como sabemos que reduz a alucinação ao erro ou à falha de juízo. Deixe-se claro que não queremos sugerir algo como um desvio congênito da Metafísica Ocidental, de sua origem até hoje, que a condena a errar por esquecer a natureza da imaginação. Estamos de acordo com Ryle, quando afirma que só se pode pensar a imaginação, deslocando-a da esfera do conhecimento e, a fortiori, da ontologia.(...)

LEIA NA ÍNTEGRA AQUI: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/print.php?itemid=1244

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"KAZUO OHNO" E OUTROS- FRASES E FRAGMENTOS (rememorando postagem de 21/01/09)

"É preciso desabrochar até onde for possível, com toda a alma". Kazuo Ohno

"Nascer é a grande improvisação" Tatsumi Hijikata


"Na minha dança eu nunca me preocupei em saber se o que eu criava era ou não era Butoh, só pensava em fazer algo bom. Entretanto, nunca estive satisfeito com minha dança. Eu danço movido por um sentimento de gratidão. O que me interessa é que o Homem, com este corpo tão pequeno, contém todos os elementos do Universo dentro de si. Para mim, se eu não puder dançar esse homem, se não houver essa forma de dançar, não haverá sentido em dançar." Kazuo Ohno

"O belo continua até a eternidade. Há um existir infinito". Kazuo Ohno

"O único movimento que tem significado é aquele que deriva da alma". Kazuo Ohno

"As feridas do nosso corpo fecham e se curam, mas existem as feridas escondidas, aquelas do coração. Se você souber aceitá-las descobrirá a dor e o prazer que são impossíveis expressar com palavras. Você encontrará a realidade poética que só o corpo pode expressar". Kazuo Ohno

"Os homens vivem com a consciência de que morrerão, no entanto esperam ter uma vida eterna. A eternidade é um dos argumentos principais do Butô. Ela cabe no instante, e esta consciência serve para ultrapassar as barreiras do corpo. A morte é inevitável, não podemos viver sem olhá-la. Não podemos fechar os olhos, mas podemos torná-la alegre". Kazuo Ohno

"O corpo envelhece e morre, mas segue dançando com a Energia do Universo. A morte é um novo começo. E quando eu morrer, vou começar de novo dentro do universo, vou continuar dançando". Kazuo Ohno

"A poesia não é uma crença. Nem uma lógica. A
poesia é um ato. Um ato que nega todos os atos. Ai se dá no instante em que a sombra do sonho parece a sombra do poema". Tagiguchi Shuzô

"O início é o fim, o fim é o início". Kazuo Ohno

FONTE: http://alfarrabio2.blogspot.com/2008/03/exposio-kazuo_25.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Entre o fractal e a pós-modernidade (clique aqui para ler mais)


La responsabilidad de una escritura designa
una libertad, pero esta libertad no tiene los
mismos límites en los diferentes momentos de
la historia. Al escritor no le está dado elegir
su escritura en una especie de arsenal
intemporal de formas literarias. Bajo la
presión de la Historia y de la Tradición se
establecen las posibles escrituras de un
escritor dado. (BARTHES, El grado cero de
la escritura, p.24)




A microficção na fronteira do fractal

Há poucas décadas que os críticos e estudiosos de diversas disciplinas
repararam na semelhança de interesses entre diferentes tipos de teorias e os discursos
literários. Essas observações criaram o espaço para uma visão inter- disciplinar que
cada vez está sendo mais aceita no campo da literatura. Encaixariam-se, por
exemplo, dentro dessa tendência, o vínculo que Roland Barthes traçou entre
conceitos do Taoísmo e algumas características das formas narrativas e poéticas,
assim como também o conceito de rizoma extraído da botânica e aplicado ao modelo epistemológico das ciências sociais analisado por Deleuze e Guattari. Por outro lado,
temos práticas mais recentes, e talvez menos abrangentes, como a do trabalho do
crítico Franco Moretti da Universidade de Stanford (A Literatura vista de longe
(2008)) que utiliza ferramentas gráficas de análise matemática e estatística, e até conceitos da biologia evolutiva, para explicar mudanças na evolução das estruturas
narrativas do romance. Podemos também incluir nessa breve lista as contribuições à
análise de narrativas pós-modernistas realizadas a partir da Teoria do caos no
referente ao conceito de não-linearidade aplicado a esses textos, assim como o estudo
das metaficções através da geração de múltiplas significações como se se tratasse de
um sistema caótico que produz infinitas informações.
  
Pode-se dizer que a teoria do caos se originou como um movimento “underground” que rejeitou o
postulado fundamental da Ciência: o conceito laplaciano que afirma que, dado o modelo matemático correto e as condições iniciais de um sistema, sempre podemos conhecer de antemão a evolução do sistema com certo grau de precisão, ou seja, podemos predizer o futuro. (PEUSNER, 1994)


Gostaríamos de deter-nos rapidamente em algumas noções da Teoria do caos
por serem elas fundamentais para compreender a mudança de escala que se produz
em narrativas novas como a microficção. É importante entender que esta teoria, ou
ciência como a chamam alguns, tenta romper com o paradigma determinístico e
mecanicista da física newtoniana que procurava princípios regentes, universais e
eternos, do funcionamento da natureza e nos que a temporalidade era desprezada,
instalando uma nova visão do mundo baseada em elementos tais como os processos e
formas não-lineares e as simetrias recursivas nas quais a mesma forma geral se repete
através de diferentes longitudes de escala enquanto a forma está sendo
progressivamente aumentada ou diminuída. Esta é uma nova perspectiva em
concordância com a percepção de que a irreversibilidade tem um papel de
protagonismo na natureza e que ela se rege muitas vezes por processos espontâneos.
Mesmo quando esses sistemas não se comportam da mesma maneira duas vezes
seguidas, a teoria do caos nos demonstra que se observamos tais sistemas ao longo
do tempo, podemos perceber uma certa ordem que lhe é inerente, ou seja, há uma
ordem na aparente desordem do caos. Assim, o caótico já não é mais sinônimo de
processos aleatórios, mas de novos e mais profundos níveis de padrões de ordem
pois, “reservamos este termo para aqueles processos que são tão sensíveis às
condições iniciais, que a informação sobre um passado quase imediato não nos serve
para predizer seu futuro, por mais detalhada que ela seja” (PEUSNER, 1994:29).
Algumas destas noções têm sido aplicadas ao estudo das ciências sociais79 e também
da literatura.
Uma das noções principais que a Teoria do caos trabalha é a da idéia de
iteração ou repetição que também se encontra presente na geometria de fractais. Essa
geometria que contrasta com a clássica de base euclideana foi desenvolvida entre a
década de 60 e 70 pelo matemático de origem polaca Benoit Mandelbrot de forma
independente à teoria do caos, embora rapidamente tenha sido adotada por esta
última como uma linguagem matemática poderosa que ajudava a descrever numa
escala muito precisa padrões caóticos. De forma sintética, a geometria de fractais
trata de um aspecto da natureza que quase todo mundo tem notado por séculos e
milênios, mas que ninguém conseguiu descrever em termos formais matemáticos.

O trabalho de Ilya Prigogine (prêmio Nobel de química 1977) dentro da Teoria do caos tem
provocado um grande impacto nos estudos culturais. Pois a reconceitualização do vazio como um
espaço de criação tem tido profundas afinidades com a idéia pós-moderna de realidade construída: se
a realidade é construída, então ela pode ser também desconstruída. Nesta reconstituição fica claro que o mundo visto como uma experiência humana resulta da colaboração entre realidade e construção social. Dessa forma, a realidade está sujeita a uma constante revisão, desconstrução e reconstrução.(...)


PUC-RIO
LEIA MAIS EM : http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0610444_08_cap_06.pdf

domingo, 20 de setembro de 2009

MILTON SANTOS FALA SOBRE A AMÉRICA LATINA...

Entrevista Milton Santos

Por Vermelho.org [Quinta-Feira, 4 de Outubro de 2007 às 10:56hs]

Em junho de 2001, o Brasil perdeu um de seus intelectuais mais ativos, perspicazes e certeiros na crítica. O geógrafo Milton Santos tem ampla obra sobre a questão urbana, a pobreza, a globalização e a questão racial.
 Nesta edição especial sobre a questão do negro, a Fórum faz uma homenagem ao professor, reproduzindo um trecho de uma entrevista com ele publicada em 1998, no site vermelho.org.br.


 A gente está acostumada a pensar o Brasil como um país ocidental...
 Milton Santos – É, somos todos brancos!... (risos)

 O que é o Brasil?
 Milton Santos – É um país como qualquer outro e, também, um grande país, uma grande cultura. E nós, contraditoriamente, admitimos que só há grandes culturas no Norte.

 Quais elementos têm o Brasil e a América Latina que serviriam de indícios para desenvolvermos uma alternativa a essa “globalização”?
 Milton Santos – O que temos de forte na América Latina e no Brasil, em particular, é a idéia de futuro. E é justamente esse sentido de futuro que falta à Europa. Os europeus – os filósofos – falam muito em futuro, mas não crêem nele o bastante, porque é um continente que necessita ter medo todos os dias. Quando não tem medo, inventa. Há um século, a Europa é assim. E a América Latina é o contrário – é o continente do arrojo, do bandeirismo, da disposição de abrir novos caminhos. Creio que é por aí.
 Outro dado importante é o fato de fazermos várias revoluções ao mesmo tempo, o que não é incorporado, ainda, pela epistemologia das Ciências Sociais. No caso da América Latina, fizemos ao mesmo tempo a revolução demográfica, a revolução urbana, a revolução industrial, a revolução sexual. Todas concomitantemente. E os parâmetros que utilizamos são os europeus, onde tudo é devagar, tudo é lento e onde, por isso mesmo, as organizações têm um peso forte, porque elas são capazes de comandar de alguma forma a evolução. No nosso caso, as organizações são menos capazes desse comando da evolução – exatamente por essa soma, essa superposição de revoluções na vida social. Como a organização é incapaz de comandar pacificamente, pelo consenso, então você tem sempre a brutalidade no governo. No caso do Brasil foi a brutalidade do regime militar e, agora, a brutalidade deste regime civil. Quer dizer, temos uma brutalidade sucedendo a outra. A brutalidade é sempre presente, porque não se leva em conta essa dinâmica da sociedade e não se busca uma forma de organização da vida política que acompanhe tal dinâmica social.

 Fazemos várias revoluções, mas não conseguimos completar uma revolução democrática. Temos o passado convivendo (e até atrapalhando) com os que querem o futuro.
 Milton Santos – Creio que sim. E isso tem que ver com o caráter das nossas classes médias. Apenas quem quer as mudanças são os pobres, pois a classe média quer se manter com seus privilégios. Os direitos não interessam à classe média – a classe média não pede direitos, porque ela prefere ir pelo canal dos privilégios.

 É difícil não perceber, dentro dessas contradições sociais, uma contradição racial. A questão do negro é uma questão de raça ou de classe?
 Milton Santos – São as duas coisas. Eu tendo a pensar que é mais uma questão de raça mesmo...

 O Brasil é um país racista, não?
 Milton Santos – É, também é isso. Mas além de ser racista, a sociedade se organizou na base do escravismo e de sua memória. A idéia do outro como uma coisa, que era uma idéia oficial, continua vigente no Brasil atual, onde os negros ainda são coisas. Não importa se eles tenham uma melhoria financeira, econômica ou cultural.

Vermelho.org
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=1148




segunda-feira, 14 de setembro de 2009

BRUNO LATOUR

“Os críticos desenvolveram três repertórios distintos para falar de nosso mundo: a naturalização, a socialização, a desconstrução. Digamos, de forma rápida e sendo um pouco injusto, Changeux, Bourdieu, Derrida. Quando o primeiro fala de fatos naturalizados, não há mais sociedade, nem sujeito, nem forma do discurso. Quando o segundo fala de poder sociologizado, não há mais ciência, nem técnica, nem texto, nem conteúdo.Quando o terceiro fala de efeitos de verdade, seria um atestado de grande ingenuidade acreditar na existência real dos neurônios do cérebro ou dos jogos de poder. Cada uma destas formas de crítica é potente em si mesma, mas não pode ser combinada com as outras. Podemos imaginar um estudo que tornasse o buraco de ozônio algo naturalizado, sociologizado e desconstruído?” (LATOUR, 2008, p. 11)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

VIVA A PRIMAVERA MAS VIVA MESMO COM VONTADE DE VIVER POIS A VIDA É BELA . JOANA D'ARC

“ Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei... e achareis descanso para a vossa alma.’’ ( Evangelho de Mateus 11.28.29 c)

Inseguranças, doenças, fracassos ou decepções com certeza não irão desaparecer do mundo a cada troca de estação mas sem dúvida a cada hora, dia, mês ou ano que estejamos vivos o Criador continuará presenteando a nossa existência e colocando em nossa estrada as flores com toda a sua beleza de cores, variedade de espécies e o mistério e sedução do seu perfume.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

DOIS LIVROS DE IVAN ILLICH...E OS OUTROS NO SITE OFICIAL DO AUTOR

Seu livro mais famoso é Sociedade sem escolas (1971),(ou DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE) uma crítica à institucionalização da educação nas sociedades contemporâneas. Através de exemplos sobre a natureza ineficaz da educação institucionalizada, Illich se mostrava favorável à auto-aprendizagem, apoiada em relações sociais intencionais, e numa intencionalidade fluida e informal:

A educação universal por meio da escolaridade não é possível. Nem seria mais exequível se se tentasse mediante instituições alternativas criadas segundo o estilo das escolas actuais. Nem novas atitudes dos professores para com os seus alunos, nem a proliferação de novas ferramentas e métodos físicos ou mentais (nas salas de aula ou nos dormitórios), nem mesmo a intenção de aumentar a responsabilidade dos pedagogos até ao ponto de incluir a vida completa dos seus alunos, teria como resultado a educação universal. A busca actual de novos canais educativos deverá ser transformada na procura do seu oposto institucional: redes educativas que aumentem a oportunidade de cada um transformar cada momento da sua vida num outro de aprendizagem, de partilha e de interesse. Acreditamos estar a contribuir trazendo os conceitos necessários a quem realiza tais investigações sobre as grandes linhas na educação – e também para quem procura alternativas para outros tipos estabelecidos de serviços.

As últimas frases deixam claro o que o título do livro sugere, que a institucionalização da educação marca uma tendência de institucionalização da sociedade, e as idéias de desinstituicionalização da educação poderiam ser um ponto de partida para a desinstitucionalização da sociedade. Como pensador holístico, de inteligência formidável e erudição católica ampla, Illich sempre propôs as suas análises nos termos mais amplos possíveis.

O livro é mais do que apenas uma crítica, contém propostas para reinventar toda a aprendizagem em várias instâncias da sociedade e também na esfera individual. Possui destaque a sua proposta, feita em 1971, de criar as "redes de aprendizagem" ("telarañas de aprendizaje") apoiadas em tecnologias avançadas. Muitas das características das "redes de aprendizagem" recordam o uso da internet em geral e em particular o trabalho e idéias da própria Wikipedia.

Compañeros de viaje para La Sociedad Desescolarizada http://habitat.aq.upm.es/boletin/n26/nlib2.html é uma resenha crítica (em espanhol) que relaciona o pensamento do livro "Sociedade sem Escolas" com as idéias de outros autores que escreveram sobre o mesmo tema.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ivan_Illich

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A Expropriação da Saúde
Nêmesis da Medicina

Autor: Ivan Illich
Título original: Némésis Médicale, L'expropiation de la Santé

Este livro examina e aprofunda a atual hipertrofia da medicalização e o impacto psicológico sobre os indivíduos pelos signos e símbolos de um ritual clínico contraproducente e enganador.
http://www.ivanillich.org.mx/Linemes.htm

LEIA OS LIVROS DE IVAN ILLICH EM SEU SITE OFICIAL - (ESPANHOL)
http://www.ivanillich.org.mx/

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

DO LIVRO ASSIM FALAVA ZARATUSTRA

"Com toda a sinceridade vos dou este conselho: Afastem-se de mim e precavei-vos contra Zaratustra! Melhor ainda: tenham vergonha dele! Talvez ele os tenha ludibriado. O homem de conhecimento não só deve amar os seus inimigos, mas também odiar os seus amigos. Mal corresponde ao mestre aquele que nunca passa de discípulo. E por que não quereis tomar minha Coroa?Venerais-me! Mas que aconteceria se sua veneração um dia acabasse? Tome muito cuidado para que uma estátua não te esmague! Vocês dizem crer em Zaratustra? Mas que importância tem Zaratustra? Sois crentes em mim; mas que importam todos os crentes?! Vocês ainda não procuraram em vocês mesmos: por isso me encontraram. Assim fazem todos os crentes: por isso que toda a crença é de tão pouca importância. Agora vos ordeno que me percam e encontrem a vocês mesmos; e só quando todos vocês tiverem me negado, retornarei para vós.Em verdade, meus irmãos, buscarei então as minhas ovelhas desgarradas com outros olhos; vos amarei então com outro amor. E novamente sereis meus amigos e filhos de uma só esperança; então quero estar a vosso lado, pela terceira vez, para festejar com vocês o grande meio-dia."

Zaratustra:Da Virtude Dadivosa (trechos da parte 2)

sexta-feira, 31 de julho de 2009

...no último dia do mês,fechando o primeiro semestre de 2009...











...mudei a imagem do topo deste blog
porque tem muito a ver com a minha vontade de expressão!
bati esta foto em 1987,ela significa meu pai e a minha vida.
o fundo do quintal da "oficina" mecânica de meu pai,
e onde eu vivi até meus 8 anos de idade.
meu pai projetava e fabricava máquinas operatrizes
numa "indústria"de fundo de quintal! mais brasileiro que isto...
este local fotografado ,era onde ficava a forja,peças velhas,
e uma bancada meio esquecida...tudo meio enferrujado,
a bancada de trabalho dele mais usada,ficava noutro lugar.
mas aqui é o fundo do quintal de uma "indústria de fundo de quintal"!
local que não mais existe desde o ano 2000,
e se eu não tivesse batido esta foto,hoje seria menos feliz!

Nadia Stabile - 31/07/09

Manuel Bandeira - O habitante de Pasárgada

quarta-feira, 29 de julho de 2009

NÓS


os nós custam muito tempo até sumirem
o cerne...o suporte
os anéis... camadas,cascas que vão surgindo
e sendo ultrapassadas,fortalecendo o tronco!
constroem a árvore!
só depois de cortada,morta,
os segredos da árvore no corte de topo,
gritam...confesso que vivi...
e o que vivi...viveria muito mais!


Nadia Stabile - 29/07/09

































































(...)NÓS - Os nós são porções de ramos incluídos no tronco da planta ou ramo principal. Os ramos originam-se, em regra, a partir do eixo central do caule de uma planta (a medula) e, enquanto vivos, tal como o tronco, aumentam em tamanho com a adição anual de camadas lenhosas. A porção incluída é irregularmente cónica, com a ponta na medula. A direcção das fibras forma ângulos rectos ou oblíquos a grã do caule, produzindo um cruzamento de grãs.

Durante o desenvolvimento da árvore, a maioria dos ramos, especialmente os mais baixos, morrem, mas continuam presos à árvore por algum tempo, muitas vezes por anos. As camadas de crescimento posteriores deixam de ser incluídas no ramo (agora morto), mas são depositados ao redor dele. Assim os troços de inserção dos ramos mortos dão origem aos nós, que são apenas o conteúdo de um furo preenchido com material oriundo do troço do ramo incluído, e podem soltar-se facilmente quando a madeira é serrada ou seca. Para os diferentes fins de uso da madeira, os nós são classificados de acordo com a forma, tamanho, sanidade e firmeza com que estão presos ao caule.(...)

(...) CERNE - O cerne (palavra que tem a mesma origem etimológica que núcleo) é a designação dada à parte do xilema do tronco que já não participa activamente na condução de água, assumindo uma função essencialmente de suporte mecânico da estrutura da planta. A distinção entre cerne e alburno (a parte vascularmente activa do xilema) é clara na maior parte das espécies, já que em corte os troncos apresentam uma porção mais escura de madeira no centro e uma porção mais clara na parte externa. A primeira corresponde ao cerne e a segunda ao alburno. Contudo, nem sempre esta diferença é facilmente percebida, pois a mudança de cor pode ser gradual e pouco marcada.

O cerne é constituído por células mortas, formando uma estrutura mais ou menos enrijecida de suporte, em torno da qual o alburno se vai progressivamente formando. À medida que as células do alburno decaem e morrem, vão sendo incorporadas no cerne, o qual vai assim crescendo radialmente, acompanhado a expansão do xilema.(...)

LEIA MAIS EM :http://pt.wikipedia.org/wiki/Madeira
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