Mostrando postagens com marcador Goldstone. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Goldstone. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ISRAEL VAI INVESTIGAR A SI PRÓPRIO E AS CONCLUSÕES SERÃO CENSURADAS

Bookmark and Share
Seria cômico, se não fosse trágico.

Ao admitirem desfecho farsesco para o caso do ataque à flotilha de ajuda humanitária a Gaza, a Organização das Nações Unidas e os países mais influentes do mundo, EUA à frente, acabam de jogar no lixo mais uma oportunidade para impor aos piratas israelenses o respeito pelo Direito internacional.

Num episódio inquestionável, claríssimo, gritante de chacina em alto mar, cometida por militares israelenses armados até os dentes contra civis de várias nacionalidades que se defendiam com estilingues, não só deixaram de aplicar sanções imediatas ao brutal agressor -- o que havia, ainda, para se averiguar? --, como abdicaram até mesmo de uma investigação internacional do episódio.

Os homicidas determinaram que só seriam investigados por seus pares, e esta aberração jurídica e moral foi aceita pelos poderosos do planeta!

Para completar a pantomima, os magnânimos carrascos admitiram que dois estrangeiros integrem a comissão especial constituída para tentar, em vão, salvar as aparências.

Então, serão cinco os investigadores: três israelenses, o prêmio Nobel da Paz David Trimble - um dos articuladores do acordo de paz na Irlanda do Norte de 1998 - e o promotor militar aposentado canadense Ken Watkin.

Podemos até admitir que façam honestamente seu trabalho.

No entanto, está antecipadamente vetada a apresentação ao público e à comunidade internacional de qualquer conclusão que "possa causar dano substancial à segurança nacional [de Israel...], as relações internacionais, o bem-estar ou a privacidade de qualquer indivíduo ou os métodos operacionais confidenciais de entidades autorizadas".

Ou seja, esses homens de reputação, para fazerem jus à dita cuja, deverão concluir o óbvio ululante:
  • que Israel agiu com bestialidade extrema, ao abordar em alto mar embarcações de outro país;
  • ao invadi-las da forma mais truculenta;
  • ao assassinar nove civis e ferir muitos outros;
  • ao sequestrar os sobreviventes, rebocando-os ao seu território;
  • ao roubar equipamentos que portavam;
  • ao mantê-los em cativeiro sem nenhuma autoridade para tanto;
  • e, finalmente, ao despachá-los para onde decidiram ao invés de soltá-los para ir aonde quisessem.
No entanto, tudo isso ficará em segredo, assim como o nome dos culpados por esses crimes.

E, como todos sabemos da dificuldade em disciplinar Israel, tal relatório (com as partes inócuas divulgadas e o que realmente importa mantido em sigilo) vai produzir efeito nenhum, já que nem cobranças da opinião pública haverá.

Afinal, sequer o contundente Relatório Goldstone teve as consequências que se impunham, embora haja concluído e informado ao mundo que Israel perpetrou massacres dantescos em Gaza, na virada de 2008 para 2009.

Depois desta, a ONU também deixou de existir. Só falta enterrarem.

A Liga das Nações acabou por ter sido impotente para conter Hitler.

A ONU acabou por ter sido impotente para conter Israel.

Simples assim.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

XEQUE A OBAMA

Em tempos de Copa do Mundo, o resultado do último confronto entre Israel e pacifistas foi uma goleada. O estado judeu atacou de forma destrambelhada a flotilha de ajuda humanitária a Gaza e ficou com a defesa tão exposta que os adversários marcaram gols à vontade.

O mundo inteiro já chegou a conclusões definitivas:
  • Israel cometeu óbvios crimes ao abordar o comboio em águas internacionais, ao assassinar pelo menos nove estrangeiros no curso de uma ação ilegal, ao agredir vários outros, ao sequestrar os sobreviventes, ao mantê-los presos por alguns dias e ao despachá-los para onde não optaram por ir;
  • o bloqueio do Gueto de Gaza (em tudo e por tudo semelhante ao Gueto de Varsóvia...) é criminoso e aberrante, devendo ser levantado o quanto antes.
A alegação de que os assassinos israelenses estariam exercendo legítima defesa, ao encherem de balas vítimas que não portavam armas de fogo, é risível.

Nem que a flotilha tivesse invadido seu território faria sentido, pois o emprego desmedido de força salta aos olhos.

Em alto mar, então, nem há o que discutir. Os coitados tinham todo direito de reagir ao ataque de piratas; e estes, nenhum de acrescentar uma atrocidade a uma ilegalidade.

Houve quem levantasse uma questão cabível: o que Israel fez foi uma ação pirata ou um ato de guerra?

Como a embarcação atacada tinha bandeira turca, formalmente o segundo enquadramento é o mais correto.

Mas, como se tratava de uma missão humanitária internacional, a agressão de Israel se deu contra o mundo civilizado como um todo, e não especificamente contra a Turquia. Considero que andou certo o governo turco ao não levar o episódio às últimas consequências, declarando guerra a Israel, como poderia ter feito.

Agora, o estado judeu, também de forma risível, nega-se a aceitar a participação de outras nações ou organismos na investigação do episódio.

Pretende fazê-la sozinho, com o propósito de acobertamento, claro. A Turquia está certíssima em interpretar tal atitude como uma admissão de culpa.

Pelos mesmos motivos expostos acima, o país formalmente agredido tem todo direito formal de liderar as investigações. O pleito da Turquia procede.

Mas, como o ataque se deu em águas internacionais e a vítima foi uma missão humanitária integrada por cidadãos de vários países, a investigação deveria competir mesmo é à ONU.

Continua valendo o que eu afirmei na semana passada:
"Respaldado no poder econômico e de mídia de judeus do mundo inteiro, Israel aplica, há décadas, a lei do mais forte.

"A ONU terá de agir da mesma maneira, se quiser ser respeitada: fazendo valer a força maior de que teoricamente dispõe.

"Para começar, exigindo o imediato levantamento do bloqueio israelense a Gaza.

"Depois, impondo a rigorosa apuração desse episódio de pirataria em alto mar, seguida da não menos rigorosa punição dos responsáveis."
Não tenho dúvidas de que um relatório elaborado pela ONU condenará Israel de forma tão enfática quanto o fez o de Richard Goldstone, sobre o genocídio praticado contra os palestinos de Gaza na virada de 2008 para 2009.

Nem de que será aprovado, como sempre, por esmagadora maioria.

Mas, produzir efeitos concretos é outra história.

Como assinalou o colunista Jânio de Freitas, em dia inspirado (A cara e a alma):
"Se há mais de quatro décadas nenhuma das tantas e diferentes tentativas de pacificação da área prosperou, (...) é bastante lógico que o fundamento do problema esteja em um fator influente sobre toda a área ou sobre partes decisivas dela.

"Tal fator existe. Tem cara e tem alma. Sua cara é o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, uma cara cínica, apta a adotar ares de seriedade e de cumprimento compungido do dever, quando põe em prática os atos mais abjetos. Sua alma é de testa de ferro, de guarda-costas matador, de agente duplo, de traficante.

"Tais características do Conselho de Segurança ativam-se a cada vez que um dos seus cinco integrantes permanentes [EUA, Rússia, França, Inglaterra e China] invoca o direito de veto a uma resolução proposta por um dos 15 membros...

"(...) Dominante, há mais de 40 anos a direita belicista de Israel não precisa pensar em conter suas ambições territoriais e de dominação; nem em possíveis fórmulas de convívios sem beligerância na região, respeito aos acordos internacionais sobre práticas toleradas e crimes de guerra, violações de direitos, respeito a fronteiras e a águas internacionais.

"Israel é uma população dividida em relação ao que o país faz, mas é um país de mãos livres para fazer o que quiser. E faz, implícita e explicitamente autorizado pela assegurada cobertura da maior potência mundial".
Então, em última análise, é Barack Obama quem decidirá se Israel vai ou não continuar cometendo impunemente as piores truculências.

Obama terá de optar entre suas conveniências políticas domésticas, num país em que o apoio dos judeus ricos e da mídia que eles controlam decide eleições, e o respeito à Justiça e ao Direito nas relações internacionais. Nem mais, nem menos.

Temo que ainda não seja desta vez que os EUA dirão: "Sim, nós podemos... ser justos".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

ATAQUE A AGÊNCIA DA ONU COM ARMA QUÍMICA É CASO DE PUNIÇÃO DISCIPLINAR?

Deu na BBC Brasil: Israel pune oficiais por uso de fósforo branco durante ofensiva em Gaza.

Como tardia e insuficiente satisfação à opinião pública internacional, o Exército de Israel comunicou à Organização das Nações Unidas haver aplicado punição disciplinar a um general de brigada e um comandente de divisão por terem "arriscado vidas humanas" ao autorizarem a utilização de armamentos com fósforo branco no bombardeio do bairro de Tel El Hawa.

O episódio se deu em 15/01/2009, durante os massacres israelenses na Faixa de Gaza -- aquela campanha singular na história militar, que terminou com 1.434 palestinos mortos e apenas 13 baixas do lado dos agressores...

Eis os trechos mais significativos do despacho da agência noticiosa britânica:
"É a primeira vez que Israel admite a utilização de fósforo branco, armamento proibido pelas leis internacionais, contra civis na Faixa de Gaza.

"É a primeira vez que o Exército israelense anuncia a punição de comandantes militares por atos cometidos durante a ofensiva.

"Antes do envio do documento à ONU, a versão do Exército israelense era de que o fósforo branco teria sido utilizado apenas para fins de 'dificultar a visibilidade das tropas pelo inimigo' e não diretamente contra civis.

"O armamento, que cria uma especie de 'cortina de fumaça', é altamente perigoso quando atinge pessoas pois gera queimaduras profundas.

"No caso mencionado no relatório do Exército israelense, projéteis com fósforo branco atingiram a sede da Agencia de Refugiados da ONU (UNRWA) na cidade de Gaza, deixando vários civis feridos e provocando um incêndio no local".
Salta aos olhos que punições disciplinares são simplesmente risíveis face à gravidade do crime cometido pelos militares israelenses, além de deixarem a impressão (para não dizermos certeza) de que tudo não passa da velha artimanha de tapar o sol com a peneira, produzindo dois bodes expiatórios para levarem a culpa de decisões que envolveram toda a cadeia de comando.

Alguma resposta Israel tinha de dar à acusação frontal do Relatório Goldstone. Deu essa. E seus porta-vozes militares correram a trombetear que "o documento enviado à ONU demonstra que o Exército israelense não tem o que esconder".

Para os leitores entenderem ainda melhor o tema em pauta, eis alguns trechos do artigo que escrevi no final de setembro, quando a lebre foi levantada: Investigadores da ONU concluem: Israel massacrou civis em Gaza:
"Os genocídios e atrocidades perpetrados por Israel durante sua campanha de intimidação dos palestinos em dezembro/2008 e janeiro/2009 foram veementemente condenados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em relatório [recém] divulgado.

"Segundo o documento, a ofensiva de Israel foi direcionada contra 'o povo de Gaza em conjunto', configurando 'uma política de castigo'.

"Mais: 'Israel não adotou as precauções requeridas pelo direito internacional para limitar o número de civis mortos ou feridos nem os danos materiais'.

"Portanto, o estado judeu 'cometeu crimes de guerra e, possivelmente, contra a humanidade'.

"A missão recomendou à Assembleia Geral da ONU que promova uma discussão urgente sobre o emprego do fósforo branco, que foi usado indiscriminadamente pelos israelenses contra a população civil de Gaza. A utilização militar do fósforo branco é proibida tanto pela Convenção de Genebra quanto pela Convenção de Armas Químicas".
Aliás, seria educativo indagarmos ao Exército israelense se o general de brigada e o comandante de divisão, únicos culpados, fabricaram pessoalmente os armamentos com fósforo branco, que jamais deveriam estar disponíveis no arsenal de uma nação civilizada.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

ISRAEL É O IV REICH

Os judeus criaram os kibutzim.

Para os jovens, explico: tratou-se da experiência temporariamente mais bem sucedida, em todos os tempos, de comunidades coletivas voluntárias, praticantes do igualitarismo -- na linha do que Marx e Engels classificaram como "socialismo utópico".

O verbete da Wikipedia, neste caso, é rigorosamente correto:
"Combinando o socialismo e o sionismo no sionismo trabalhista, os kibutzim são uma experiência única israelita e parte de um um dos maiores movimentos comunais seculares na história. Os kibutzim foram fundados numa altura em que a lavoura individual não era prática. Forçados pela necessidade de uma vida comunal e inspirados pela sua ideologia socialista, os membros do kibutz desenvolveram um modo de vida comunal que atraiu interesse de todo o mundo.

"Enquanto que os kibutzim foram durante várias gerações comunidades utópicas, hoje, eles são pouco diferentes das empresas capitalistas às quais supostamente seriam uma alternativa. Hoje, em alguns kibutzim há uma comunidade comunitária e são adicionalmente contratados trabalhadores que vivem fora da esfera comunitária e que recebem um salário, como em qualquer empresa normal".
O BUND E A REVOLUÇÃO SOVIÉTICA - Os judeus também desempenharam papel relevante no movimento socialista, principalmente por meio do Bund, que existiu entre as décadas de 1890 e 1930 na Europa.

Vale a pena lembrarmos como eles contribuíram para a revolução soviética, aproveitando um excelente artigo de Saul Kirschbaum, responsável pelo Programa de Pós-Graduação em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas da USP :
"A crescente urbanização e proletarização dos judeus, que deixavam para trás suas aldeias empobrecidas em busca de novas perspectivas de vida, fez emergir o movimento socialista judaico na segunda metade da década de 1870. Nos dez anos que se seguiram, desenvolveu-se a luta organizada dos trabalhadores pela melhoria de suas condições. Associações de operários organizaram greves em várias cidades da região de assentamento judaico. Representantes da intelligentsia, em sua maioria estudantes, começaram a formar círculos de trabalhadores para a disseminação de idéias socialistas.

"Aglutinando todos esses esforços, a idéia de que os judeus em geral e os trabalhadores judeus em particular tinham seus próprios interesses, e por isso precisavam de uma organização própria para atingir seus propósitos, disseminou-se rapidamente entre os ativistas. Por fim, representantes dos círculos socialistas reuniram-se em Vilna em outubro de 1897 para fundar a União Geral dos Trabalhadores Judeus na Lituânia, Polônia e Rússia, conhecida em ídiche como Der Bund. O Bund não se via somente como uma organização política, e devotou grande parte de sua atividade à luta sindical. Seu programa, formulado no primeiro encontro, via como objetivo principal a guerra contra a autocracia czarista.

"O Bund também não se considerava um partido separado, mas parte da socialdemocracia russa, que existia na forma de grupos e associações dispersos. Por causa de sua força, o Bund teve papel decisivo na criação, em março de 1898, do Partido Socialdemocrata de toda a Rússia, que viria a tornar-se o Partido Comunista.

"As atividades do Bund cresceram e sua influência sobre o público judeu aumentou depois que começou a organizar unidades de autodefesa no período dos pogroms de 1903 a 1907. Desempenhou papel ativo na revolução de 1905, quando tinha atingido 35 mil membros.

"Mas o Bund não foi o único partido a atuar entre as massas judaicas. A extensa atividade política que se seguiu à fracassada revolução de 1905 permitiu a ação de outros três partidos judaicos: o Partido Sionista Socialista dos Trabalhadores, (...) o Partido Judaico Socialista dos Trabalhadores (...) e finalmente o Partido Socialdemocrata dos Trabalhadores.

"A revolução que irrompeu na Rússia no início de 1917 pôs fim ao regime czarista e implantou uma república chefiada por um governo provisório. O novo governo aboliu as discriminações e outorgou aos judeus plena igualdade de direitos. Os partidos judeus, que tinham restringido ou mesmo totalmente suspendido suas atividades durante o período reacionário que se seguiu a 1907, despertaram para grande atividade. Após a proibição imposta durante os anos de guerra sobre todas as publicações em caracteres hebraicos, as editoras em hebraico e ídiche retomaram suas atividades, e surgiram dúzias de periódicos e jornais.

"...a Revolução Soviética provou ser possível uma abordagem nova e bem-sucedida para os conflitos nacionais, por meio da criação de um estado multinacional - uma nova forma de diferentes povos conviverem num mesmo território sobre uma base de igualdade nacional. Abordagem que, na época em que vivemos, parece ter sido esquecida e negligenciada em toda parte."
DE MÉDICO A MONSTRO - Durante longo tempo, a propaganda reacionária apresentou o movimento socialista internacional como uma conspiração judaica para dominar o mundo.

Na segunda metade do século passado, entretanto, Israel viveu sua transição de Dr. Jeckill para Mr. Hide. Virou ponta-de-lança do imperialismo no Oriente Médio, responsável por genocídios e atrocidades que lhe valeram centenas de condenações inócuas da ONU.

Até chegar ao que é hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o melancólico papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, acaba de determinar ao seu gabinete que estude a possibilidade de propor alterações à legislação de guerra internacional a fim de adaptá-la à necessidade de "conter a expansão do terrorismo no mundo".

Uma tese que conhecemos muito bem, pois martelada dia e noite nos sites e correntes de e-mails das viúvas da ditadura: a de que o combate ao terrorismo justifica violações dos direitos humanos. Eufemismos à parte, esta é a essência da proposta do premiê israelense.

E, se os totalitários daqui tudo fazem para salvar de punições aqueles que cometeram crimes em seu nome, os de lá não ficam atrás: Netanyahu determinou também a criação de uma comissão para defender as autoridades de Israel das acusações de crimes de guerra que lhes possam ser feitas por tribunais internacionais.

Ou seja, face ao repúdio universal dos massacres que perpetrou em Gaza na última virada de ano, Israel se prepara para radicalizar sua posição: defenderá genocidas, ao invés de os punir, como qualquer nação civilizada faria; e quer mudar as leis da guerra, para que passem a considerar lícitas e justificadas campanhas em que morrem 1.400 de um lado e 13 do outro.

Israel não tem mais nada a ver com os ideais que inspiraram os kibutzim e o Bund.

Está mais para um IV Reich. Nazista, como o anterior.

sábado, 17 de outubro de 2009

JACOBINOS À ESQUERDA E PIRATAS À DIREITA

Robespierre e Barba Negra ainda têm seguidores...

Segundo a Época, Hamas comemora e Israel rejeita aprovação do relatório Goldstone.

Eis a reação do Hamas:
"Taher al-Nunu, porta-voz do Hamas em Gaza, disse que o grupo agradece aos países que votaram a favor da aprovação do relatório. 'Damos as boas-vindas à arrasadora votação do relatório, que deve ser levado imediatamente ao tribunal internacional para crimes de guerra, a fim de que sejam processados os líderes da ocupação israelense por seus horrendos crimes', disse Nunu.

"O dirigente do Hamas Mahmoud Zahar disse à 'Al-Aqsa TV' – vinculada ao grupo islâmico palestino – que (...) o Hamas, inicialmente, rejeitou o relatório (...) 'porque igualava as vítimas com aos carrascos'.

"Porém, Zahar afirmou que, após a decisão desta sexta-feira (16), acredita que o relatório 'ofereça ao Hamas e à outra parte (Israel) a oportunidade de apresentar evidências e provas'. 'Pedimos a criação de um comitê independente que prepare a defesa de nossa posição', disse.
Eis a reação de Israel:
"...afirma um comunicado divulgado pelo Ministério de Assuntos Exteriores israelense... [tratar-se de uma] 'resolução injusta, que ignora os ataques assassinos cometidos pelo Hamas e por outras organizações terroristas contra civis israelenses'.

"'Esta resolução dá ânimo às organizações terroristas no mundo todo e menospreza a paz global', diz o documento israelense.

"Além disso, Israel adverte que 'continuará exercitando seu direito à defesa própria e de tomar ações para proteger as vidas de seus cidadãos'.
A última afirmação é a mais significativa: Israel hasteia a bandeira pirata e, arrogantemente, proclama que continuará ignorando a ONU, os tribunais internacionais e quaisquer instituições que se oponham ao primado da lei do mais forte.

Já não é nem mais o "olho por olho, dente por dente" dos tempos bíblicos que inspira o estado judeu, mas sim as práticas do homem de Neanderthal. Israel regrediu à mais primitiva barbárie.

FILHOS DE ROBESPIERRE

E este episódio é emblemático também para aferirmos quão miope e inconsequente é o posicionamento de uma pseudo-esquerda virtual, cuja inspiração nem de longe é o humanista Marx, que sonhou com um mundo no qual cada trabalhador pudesse desenvolver livremente suas potencialidades, tornando-se até grande pensador ou artista maior, pois estaria liberto dos grilhões da necessidade.

Não, eles são filhos de Robespierre, o cortador de cabeças. Trocam também a política, que pressupõe diálogo e concessões mútuas, pelas soluções de força. Exatamente como Israel, só que com o sinal trocado.

Então, tomando conhecimento da aprovação do relatório Goldstone, de imediato a avaliei como emblemática da rejeição cada vez maior da comunidade das nações aos genocídios e atrocidades israelenses.

E fiz um artigo para repercuti-lo, pois sabia que a imprensa subserviente a Israel lançaria fogo pesado contra o relatório, a ONU e a verdade histórica.

No Centro de Mídia Independente, entretanto, houve comentários ao meu artigo que ignoraram tudo que esse fato político trazia de positivo e só atentaram para o aspecto secundário de que a ação do Hamas também era recriminada. P. ex.:
"...a condenação ao partido do HAMAS, diga-se de passagem, eleito pelo POVO palestino só podia partir de uma organização que outrora se chamou 'liga das nações'.

"Digo e reafirmo, o Hamas Foi eleito e reeleito pelo nobre povo palestino!

"Aqueles que dizem que o Hamas é o culpado, ou provocador das mazelas do povo palestino, só repetem o discurso do opressor [grifo meu]".
Num apelo à racionalidade inexistente nesses (parafraseando Marcuse) homens unidimensionais de esquerda , expliquei:
"...o Relatório Goldstone não poderia omitir que as insensatas provocações do Hamas forneceram pretexto para o banho de sangue que Israel desencadeou. Caso contrário, ficaria exposto a acusações de parcialidade.

"Mas, o documento deixa bem claro que a culpa de cada lado é inversamente proporcional ao número de mortes: para cada israelense, 100 palestinos".
Em português tão tortuoso quanto a linha de raciocínio, veio a resposta:
"Quando se denuncia (sic) os crimes do Estado terrorista de Israel logo vêm (sic) a desculpa da existência do Hamas, ora, o Hamas só existe devido ao roubo das terras de seus legítimos donos, ou seja, os palestinos. Portanto, estes têm todo o direito de lutar contra os invasores sionistas, que com o apoio [grifo meu] da subserviente ONU, vêm ao longo do tempo cometendo todos os tipos de atrocidades e crimes de guerra... "
Cansado de tanta obtusidade, desabafei:
"O que está em causa não é o Hamas, É ISRAEL!

"O puxão de orelhas no Hamas era obrigatório, até porque não lhe cabia mesmo ficar disparando aqueles foguetes de baixo poder destrutivo mas muito dano político adverso (verdadeiros bumerangues!).

"Brincou com a vida dos palestinos e criou a situação que deu a Israel pretexto para massacrar os cidadãos do seu povo, incluindo velhos, mulheres e crianças.

"Mas o documento coloca muito mais peso nas acusações contra Israel, por ter retaliado de forma genocida, com uma reação exageradíssima em relação à ação.

"Temos mais é de aproveitar o principal dessa condenação para esclarecer as pessoas desinformadas, divulgando-a o máximo possível, ao invés de nos preocuparmos com o que foi secundário e sem verdadeira importância política.

"A direita sabe o que faz: tenta minimizá-la e colocá-la sob suspeição.

"Nós, não. Ficamos obcecados com uma única árvore e não percebemos a floresta por trás dela".
É, agora está oficialmente expresso, a avaliação que o próprio Hamas faz do relatório: de início o repudiou, mas depois caiu em si e percebeu que lhe proporcionava um enorme ganho moral e político.

Tanto que tudo fez para que fosse colocado o quanto antes em votação e agora agradece efusivamente aos países que garantiram sua aprovação.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...