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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Seringueiro diz que Marina ajudou a privatizar a Amazônia

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/seringueiro-que-trabalhou-com-marina-diz-que-ela-privatizou-amazonia.html




Caros assinantes seguem links de uma entrevista completa com o seringueiro Osmarino Amâncio, feita em Brasileia, no Acre. Companheiro de Chico Mendes, ele avalia os quase dez anos da lei de manejo das florestas públicas aprovada pela então ministra Marina Silva, no governo Lula. 

Consideramos o material relevante para discutir um tema que tem estado quase ausente da mídia corporativa, por motivos econômicos e ideológicos.


A entrevista completa é exclusiva dos assinantes que ajudam a sustentar nossas viagens.


Os vídeos estão nos links abaixo:










A senha para aqueles vídeos restritos aos assinantes é seringueiro2014.


Mais uma vez, obrigado pelo apoio de todos.


Luiz Carlos Azenha, Viomundo


(...)
osmarino_site
segunda-feira, 25 de Agosto de 2014
Seringueiro denuncia Marina Silva e declara apoio a Zé Maria
Osmarino Amâncio é uma liderança histórica dos seringueiros. De sua modesta casa na reserva extrativista Chico Mendes, em Brasileia (AC), ele conversou com a redação do Portal do PSTU
por Jeferson Choma, sugerido pelo leitor Snowden nos comentários, do site do PSTU
Como você conheceu a Marina Silva?
Conheci a Marina nas Comunidades Eclesiásticas de Base. Ela trabalhou como catequista, eu também comecei como catequista e nós trabalhamos juntos. As comunidades eram ligadas à Teologia da Libertação. Depois, ela se candidatou, foi eleita deputada eu fiquei de suplente. Mas aí, em 1993, eu saí do PT por divergir do programa do partido, porque estava vendendo todos os seus princípios. Na época, o PT expulsou algumas tendências como a Convergência Socialista. Eu saí do PT em solidariedade à expulsão destes companheiros.
A Marina fez parte dos empates [mobilizações de seringueiros contra o desmatamento da floresta]. No começo teve uma trajetória boa, mas depois se adaptou à legalidade burguesa, indo ocupar uma cadeira de deputada e, depois, de senadora e ministra. Então, fez a grande traição do movimento dos seringueiros.
O que você pensa sobre a candidatura de Marina Silva à presidência da República?
Eu acho que é um retrocesso total tanto pra questão campesina como pra questão da Amazônia. Ela nunca teve uma preocupação com a questão da educação. Ela foi senadora e nunca teve essa preocupação de fortalecer esse setor.
Na Amazônia, ela fez toda a logística para que o agronegócio e para que as multinacionais pudessem dizimar com todo esse potencial aqui da região.
Acho que estamos numa situação em que os candidatos que tão na frente [das pesquisas] não se diferenciam muito. A Dilma não propõe a reforma agrária, o PSDB e a Marina também não. Na questão ambiental, os três têm a mesma agenda que é a economia verde. Como eles vão sustentar isso? Propondo uma esmola pra classe trabalhadora. Vão propor o Bolsa Família. Aqui na Amazônia vão propor a Bolsa Verde, o Bolsa Floresta. Então, vão distribuir esmola e os bancos vão ser os grandes beneficiários pela política propostas por esses candidatos.
Esse pessoal não governa o Brasil. Eles obedecem a uma política econômica do grande empresariado deste país. A Marina sequer tem uma ideologia. A Marina se apresenta como sendo alguém que não é nem de esquerda, nem de direita. Ela não cumpriu com o seu compromisso quando foi ministra. Ela privatizou a Amazônia com a Lei de Concessão de Florestas Públicas, garantiu que o agronegócio se fortalecesse com a liberação dos transgênicos, não teve uma política dura contra a importação dos pneus usados da Europa e da China.
O que você acha da proposta de Marina a respeito do desenvolvimento sustentável pra Amazônia?
Isso aí é a mercantilização total dos recursos naturais que ela quer implementar aqui. Hoje aqui tudo virou mercado. Hoje se propõe vender toda a madeira como matéria-prima. Tem a proposta do mercado de carbono, que garante aos empresários de Las Vegas poluir lá e “compensar” aqui na Amazônia. Isso é a proposta da economia verde. Sustentável para as multinacionais e para o grande capital.
Isso afeta os seringueiros e os indígenas aqui. A proposta dessa economia verde vai querer expulsar essas populações de suas áreas. Eles não vão poder nem colocar o seu roçado. A Lei de Florestas Públicas vai entregar pra iniciativa privada a sua área de floresta.(...)
LEIA MAIS EM :  http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/seringueiro-que-trabalhou-com-marina-diz-que-ela-privatizou-amazonia.html

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MARINA ESTÁ NUMA SINUCA DE BICO E O PT FLERTA COM A DERROTA

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O   day after  foi melancólico.

De um lado, os demotucanos estão sendo bem persuasivos nas tentativas para convencer Marina Silva a suicidar-se politicamente.

Tomara que ela não ouça o canto dessas sereias -- como as mitológicas, carnívoras.

Se fizer uma composição com os representantes da ganância capitalista exacerbada e sem limites, ajudará a devolver o poder à pior direita brasileira.

Em termos ambientais, será um desastre.

E, claro, isto lhe seria cobrado adiante: sua responsabilidade pessoal num grave retrocesso histórico.

Iria virar uma morta sem sepultura, como o ex-Gabeira.

Voltar à esfera de influência do PT para receber um Ministério mais importante desta vez? É pouco para a dimensão que ela atingiu. Só se lhe oferecerem bem mais.

O pior é que seu partido já não é mais verde: amadureceu e apodreceu. Está traindo o compromisso assumido de combater as práticas ambientais predatórias, ao aliar-se com quem as encarna.

Então, Marina está numa sinuca de bico.

Como a decisão de a quem apoiar no 2º turno é impostergável, a sabedoria política manda que fique neutra, liberando o voto do seu eleitorado.

Assim, conservará intacto o patrimônio político que acumulou como terceira via, preservando-se para passos mais ambiciosos no futuro.

Depois, com mais vagar, vai ter de escolher um partido para o  projeto 2014, já que o PV virou mera linha auxiliar da direitona.

Aliás, a única afirmação reveladora de Marina nesta 2ª feira, desconsiderado o blablablá convencional sobre as consultas que fará antes de anunciar sua decisão, foi esta:
"O resultado que tivemos de aprovação ao projeto meu e do [vice] Guilherme [Leal] é muito maior que o nosso partido".
Corretíssimo. Ela precisará de um partido mais adequado para suas pretensões vindouras, nem que tenha de criar um, como Fernando Collor fez (PRN).

Suas próximas decisões determinarão se ela é uma estrela que veio para ficar ou uma supernova que logo irá perdendo o brilho, como Heloísa Helena.

FASCINADOS PELO ABISMO

Já as avaliações que petistas fizeram do resultado frustrante foi mais frustrante ainda: aconselharam a campanha de Dilma a perseverar nos erros.

Uns falam em  esclarecer  melhor a questão do aborto, no sentido de tentar iludir o eleitorado, martelando sem parar que, desde criancinha, ela nega às mulheres o direito de opção.

Cogitam até a retirada da descriminalização do aborto do plano de governo de Dilma.

Então, estamos conversados: se filmes repulsivos como Tropa de Elite conseguirem convencer contingente expressivo do eleitorado de que a tortura é válida, o PT correrá a apoiar a tortura...

O recuo em questão só servirá para fazê-la parecer oportunista e falsa, pois o que disse no passado está publicado e será relembrado ad nauseam  pelos antagonistas.

Outros dirigentes petistas recomendam a insistência nas comparações entre os governos de Lula e de FHC, quando a comparação a ser feita é bem outra: entre um projeto político esquerdista, sintonizado com a justiça social, e um projeto político direitista, sintonizado com a desigualdade e a exclusão inerentes ao capitalismo.

Caso seja necessário, ilustrarei com desenhos: O PT NÃO VAI GANHAR ESTA ELEIÇÃO SEM SUA MILITÂNCIA IDEALISTA, AQUELA QUE SÓ SE MOBILIZARÁ POR MUDANÇAS EM PROFUNDIDADE E NÃO POR RETOQUES COSMÉTICOS NA FACE MONSTRUOSA DO CAPITALISMO.

Para esvaziar a ofensiva ideológica direitista, terá de guinar à esquerda.

Se continuar em cima do muro, ambíguo e cauteloso, alienará seus apoios naturais e nem sequer vai conquistar o eleitorado conservador de classe média, que sempre se colocará na trincheira contrária.

Trata-se da receita infalível para ser inapelavelmente batido, jogando no ralo uma eleição que estava 99% ganha.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE MARINA SILVA

Marina Silva é colunista da Folha de S. Paulo. Mas, ao contrário de José Sarney, cujos artigos oscilam entre a vacuidade ornamental (quase todos) e o jus esperneandi de quem foi merecidamente condenado no tribunal da opinião pública (quando defende sua indefensável atuação parlamentar), Marina Silva tem o que dizer.

O de hoje, Conversa circular (acessar aqui), dá conta de que as iniciativas internacionais contra o aquecimento global continuam tímidas. Ela constata "o ritmo lento desses avanços, insuficiente para o tamanho e a urgência do problema".

Marina quer que o mundo chegue a 2020 com a emissão dos gases poluentes 25% a 40% menor do que a registrada em 1990. E parece considerar que bastará isso para que a temperatura média global não suba mais que dois graus acima da que existia anteriormente à revolução industrial.

Diz Marina que, ultrapassada a barreira dos 2ºC, o Brasil teria sérios problemas com o equilíbrio do sistema hídrico, comprometendo "nossa matriz energética limpa".

A mim me parece que, ultrapassada a barreira dos 2ºC, o Brasil e o mundo teriam sérios problemas com catastrófes em escala nunca vista, aniquilando enormes contingentes humanos e condenando outros ao desabrigo e à fome.

No fundo, o que vemos é um monumental chutômetro dos ditos especialistas e das ditas autoridades, em escala global. Ninguém mostra firmeza quanto ao terreno em que está pisando, mesmo porque se trata de um desafio totalmente novo.

O bom senso nos aconselha a tomarmos as piores projeções como as mais prováveis e agirmos em função delas. Por um motivo simples: se as superestimarmos, teremos apenas feito mais rapidamente que o necessário aquilo que deveria mesmo ser feito; se as subestimarmos, colocaremos a espécie humana em risco de extinção. É simples assim.

Mas, contrapõem os advogados do diabo, digo, do capitalismo, a concentração de esforços e recursos na área ambiental se dará em detrimento das iniciativas contra a miséria, então 3 bilhões de miseráveis morrerão.

O comezinho bom senso nos socorre de novo. Faltam ao mundo recursos para, simultaneamente, erradicar-se a pobreza e reduzirem-se drasticamente as emissões de gases poluentes? Ou isto só é impossível mantida a escala de valores capitalista, segundo a qual a obtenção do lucro conta mais do que a satisfação das necessidades humanas (e, em última análise, até do que a sobrevivência da humanidade)?

O certo é que, priorizando o bem comum e a coexistência harmoniosa com o planeta, temos, sim, potencial produtivo suficiente para proporcionar a cada ser humano uma existência digna e segura. Mas, mantidas as prioridades atuais, talvez não haja século 22.

Ter colocado o mundo à beira do precipício é um dos motivos mais gritantes pelos quais o capitalismo deve ceder lugar a um sistema econômico coletivista. Daí a insistência de certos analistas em negarem ou minimizarem o perigo com que nos defrontamos. São as sereias que, insensivelmente, tentam nos atrair para a morte.

Quanto a Marina, parece-me um pouco ingênua quando, p. ex., contrasta a atitude dos senhores do mundo, de empurrarem com a barriga as decisões relativas às questões ambientais, com a premência demonstrada na atual crise global do capitalismo, quando têm disponibilizado rios de dinheiro para evitar que a recessão vire depressão.

Até agora a ficha não parece ter caído para ela: é assim que agirão até o fim. Ou tomamos o destino da humanidade nas mãos, ou eles o continuarão comprometendo até o ponto de não-retorno. Se ficarmos esperando que ouçam a voz da razão, ai de nossos descendentes!

Quanto às pretensões políticas de Marina, discordo daqueles que tentam desqualificá-la como samba de uma nota só. Infelizmente, essa nota só (os desequilíbrios ambientais) se tornou um problema maior do que todos os priorizados pela vã politicalha desses detratores.

Mas, não vejo a Presidência da República como a melhor trincheira para ela nas lutas a serem travada daqui para a frente. É uma função esvaziada, figurativa, que hoje se submete às decisões do poder econômico no fundamental e só tem autonomia para administrar as miudezas do dia a dia.

Tanto quanto Heloísa Helena, não terá papel de protagonista nas encenações da política oficial enquanto se mantiver coerente com seus ideais. E, se abrir mão deles para virar estrela, deixará de representar uma esperança em dias melhores.

Esqueça os palcos do poder e venha para as ruas conosco, Marina! É aqui que você pode fazer a diferença. E é aqui, e só aqui, que podemos construir uma História diferente para nosso sofrido povo.
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