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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

vontade

quem não faz o que tem vontade de fazer
é fraco demais

usa-se palavras e não se faz nada do que se diz
nega-se tudo

por aqui costuma-se dizer :
confiança é como um vaso, quebrou... não adianta tentar colar 
no Japão cola-se e até se valoriza o acaso dos rachos, dos cacos,
o provisório, o aleatório dos fatos desta vida
podem ser belos.

nadia gal stabile - 05 09 2014


cerâmica e fogo

a mãe indígena faz panelas de barro
a criança quebra
ela torna a fazer
a criança quebra de novo
ela torna a fazer
depois disto ainda faz a queima
conta com a força do fogo
que pode quebrar a panela, ou não.

nadia gal stabile - 05 09 2014



kintsukuroi – (s.) “consertar com ouro“; a arte de consertar cerâmica com ouro e laca e compreender que a peça é mais bela por ter sido quebrada  

http://www.sedentario.org/author/kentaro-mori 

arte de  kim joon





















segunda-feira, 20 de agosto de 2012

SEM PALAVRAS - MARCELO ROQUE





Sem Palavras


Tu me deixas assim, sem palavras,

sem rumo e sem ar

Faz-me devorar dicionários

e ainda assim não te encontrar

Se faz bem mais que um poema

e em ti vivo submerso

És não mais que este denso silêncio

que antecede o verso


Marcelo Roque

segunda-feira, 12 de março de 2012

POETICAMENTE - MARCELO ROQUE



Poeticamente

Entre um olhar e outro,
aos teus ouvidos,
sussurro meus versos
Acariciando-a lentamente
- palavra por palavra
E assim, pouco a pouco
vou despindo-te de pudores
Para só depois então,
em tua pele macia,
escrever minhas carícias

Marcelo Roque

domingo, 15 de janeiro de 2012

ÉRATO - MARCELO ROQUE; Glória Kreinz divulga


Érato

Pelos meus dedos já passaram tantas palavras
carregadas de dor, saudade
e alegria
Tantas promessas de eterno amor
e tantos silêncios ensurdecedores
Quantas mais passarão, não saberei
Ninguém há de saber ...
Mas no fim de meus dias,
no silenciar de minhas mãos,
restará apenas uma certeza;
a de que tu estarás entre o primeiro
e o último verso de minha vida

Marcelo Roque

domingo, 8 de maio de 2011

CERCO - MARCELO ROQUE


Cerco

Cerco-te de palavras
por todos os lados
Arquiteto poemas
Levanto barreiras intransponíveis de versos
Tudo para prender-te entre rimas
e flores
E assim ,render-te,
completamente,
invadindo de surpresa os teus sentidos

Marcelo Roque

Http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marceloroque

quarta-feira, 4 de maio de 2011

CORES e TELEPATICAMENTE


Cores

Paradoxalmente,
é a felicidade a coisa mais desejada
e desprezada pelas pessoas
Isto, porque muitos a imaginam apenas
em cores neons
Quando na verdade, na maioria das vezes,
pode perfeitamente, a felicidade,
ser encontrada nos tons mais sutis

Marcelo Roque


..........................................................


Telepaticamente

Quero preencher com versos
cada lacuna que possa existir entre nós
Cada pausa existente entre nossas palavras
De modo que,
mesmo quando em silêncio
continuemos nos falando

Marcelo Roque

Http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marceloroque

sábado, 23 de abril de 2011

VELHAS PALAVRAS - MARCELO ROQUE

Velhas Palavras

São sempre as mesmas
e gastas palavras
E os já conhecidos assuntos
Ainda assim, surpreende o poeta
Não pelas coisas que diz
mas pela forma como são ditas

Marcelo Roque

Http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marceloroque

quarta-feira, 9 de março de 2011

CÚMPLICES - MARCELO ROQUE

Cúmplices

No fim de tudo
sou apenas eu
e as palavras
As palavras e eu
Sendo que, conhecem elas,
todos os meus segredos
Mesmo aqueles que desconheço

Marcelo Roque

domingo, 27 de fevereiro de 2011

RETICÊNCIAS - MARCELO ROQUE

Reticências

Diante de ti
já não mais me calo
De certa forma
encontrará tal silêncio resistências
Pois quando não mais me permitem as palavras
te falar de amor
eis que recorro as reticências

Marcelo Roque

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

"NADIA GAL STABILE" - PALAVRAS

UM


palavras fúteis
não são palavras
são corpo sem alma




DOIS


palavra tem alma
diga
de corpo e alma


TRÊS


além dos sentidos
pode-se encontrar palavras
num email


QUATRO


nem desenterrando palavras
dá para se fazer entender
para alguém
que não quer entender,
ou que está ocupado
desenterrando palavras


CINCO


ressuscitar palavras
perdidas
esquecidas
caídas em desuso...
AGORA!! é a hora!


SEIS


tudo pode regenerar-se!
o ciberespaço fará
as pessoas desenterrarem
"vitais" palavras
que perderiam suas almas
junto com quem as dizia


SETE


coletivo,
blog coletivo,
mídias sociais,
wikis,grupos,
substantivo coletivo,
na escola você estudou,
estude agora a essência
dos cardumes, das matilhas,
e dos molhos de chaves!


OITO


a intersecção do conjunto A
com o conjunto B,
forma outro conjunto C,
coletivos interseccionados!


NOVE (de 2009)


palavras nos celulares
blogs coletivos
redes autônomas ou heterônomas,
novas mídias...
comunicação celular,
aldeia global,
só AGORA!!
McLuhan nasceu
um século antes!


Nadia Stabile - 27/12/08

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sábado, 3 de julho de 2010

NÃO

não,não sou poeta
sou turista em palavras
perdida em frases
afogada em parágrafos
sobrevivente de laudas
extinta em capítulos
asfixiada em versos
morta entre prosas volumosas.

palavras inundam-me, afogam-me.

Nadia Stabile - 02/07/2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Especulações em torno da palavra homem - Carlos Drummond de Andrade

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?

um ser metafísico?
uma fábula sem
signo ou desmonte?

Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?

E não perder o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta

nem lhe subtrai
da doação da pai?
Como se faz um homem ?

Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômem

brote a flor do homem?
Como se faz
a si mesmo, antes

de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai e outro pai

e um pai mais remoto
que o primeiro homem ?
Quanto vale o homem?

Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos, velho?

Vale menos, morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem

é medida de homem?
Como morre o homem,
como começa a?

Sua morte é fome
que a si mesma come?
Morre a cada passo?

Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem

consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono

que ele brinca, incerto
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?

Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?

Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?

Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas

e são tão engraçadas
as horas do homem?
mas que coisa é homem?

Tem medo de morte,
mata-se sem medo?
Ou medo é que o mata

com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?

Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?

Como vive o homem,
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?

E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?

Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?

Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?

Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?

Mas que dor é homem?
Homem como pode
descobrir que dói?

Há alma no homem?
E quem pôs na alma
algo que a destrói?

Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que é alma anônima?

Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?

Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?

E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?

Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

segunda-feira, 8 de março de 2010

NOSSA LÍNGUA , A MULHER E OS HOMENS

Encontramos inúmeros sinônimos pejorativos da palavra  MULHER no dicionário.
Como a língua é viva, a cada dia mais palavras surgem,ou outros significados são atribuídos às palavras antigas!
Nossa língua apenas reflete nossas ideias, nossas ideologias...e se nossos preconceitos e condicionamentos continuam os mesmos ou até maiores! certamente novas palavras pejorativas aparecerão em relação às mulheres e em relação a muitas outras coisas!
Se em nosso país a educação não é valorizada, e se o Estado não investe como deveria em educação!
Nunca sairemos dos velhos círculos viciosos em que por causa da educação ruim,muitos problemas sociais seríssimos são gerados.
Se valorizamos  nossa educação e a dos outros, e sabemos que cultura e educação estão intimamente ligados em suas raízes,veremos os fatos com realidade a ponto de identificarmos a origem de nossos preconceitos e condicionamentos e termos condições de nos consertarmos!
Para consertar a língua, antes temos de transformar nossas mentalidades!
E esta transformação já passou da hora de acontecer! O desrespeito às mulheres em nossa sociedade,é vergonhoso! As mulheres deveriam ser as primeiras a lutar por direitos humanos!
E os homens da grande mídia e das novas mídias , que não abordam as questões femininas, estão na pré história! É deprimente testemunhar a falta de consciência dos homens em relação às questões femininas!
Este não é o mundo que eu gostaria de continuar vivendo!

Nadia Stabile - 08/03/10

domingo, 10 de janeiro de 2010

PALAVRA É AÇÃO?












 libertei e liberei minhas palavras,
queria sair voando com elas.

Manoel de Barros diz que "o poder está na palavra",
elas ficam por aí e a gente vai.


por ser mulher minhas palavras sempre valeram menos,
sempre tiveram bem menos poder.


mulheres traduzem palavras em ações,
os filhos precisam das ações mais do que das palavras.


ações de mães ,fazem a humanidade!
...e as de pais também...!?


...é belíssimo ver mulheres,amigas deste blog, fazendo poesia!


todo ser verdadeiro faz poesia.

frases,poetas são experts nisso !


um dia escrevi isto numa rede social e  enviei por email:

Simples - 22/11/2006


"uma caneta, 
uma mão 
e a vontade de dançar 
com as palavras"


...uma pessoa querida leu e disse que tinha gostado,
aí comecei a achar que poderia trilhar os duros caminhos
dos artistas deste país.

 libertamos nossas palavras e os amigos nos libertam!

Nadia Stabile - 10/01/10

domingo, 25 de outubro de 2009

PALAVRAS

Sob o véu do silêncio,
dançam as palavras ao meu redor,
explicitamente ocultas,
entre músicas invisíveis

Marcelo Roque

sábado, 17 de outubro de 2009

ILUMINADO

Consumido pelo fogo invisível das palavras,
acendo-me em versos,
iluminando assim os caminhos,
onde outrora,
jaziam os meus passos,
perdidos entre as sombras
e a solidão

Marcelo Roque

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

INATINGÍVEL

Por mais que eu atravesse o coração das palavras,
e as submeta
as provações de todas as dores,
ainda assim,
não conseguirei te falar de amor em meus poemas,
pois, somente nos versos que não alcanço,
aqueles, inatingíveis até mesmo às palavras,
é que te amo,
e continuarei te amando,
sempre

Marcelo Roque

domingo, 11 de outubro de 2009

ANTONIO OZAÍ DIZ QUE PALAVRAS PODEM MATAR E MARCELO ROQUE FALA DE REDENÇÃO; GLÓRIA KREINZ DIVULGA

O SARAU PARA TODOS DEMONSTRA ESTAR ATENTO PARA O USO DAS PALAVRAS E QUEM AS USA, COM ANTONIO OZAÍ CHAMANDO ATENÇÃO SOBRE ISSO NA POSTAGEM ABAIXO E MARCELO ROQUE FALANDO DE SUA REDENÇÃO.NOSSOS LEITORES PODEM REFLETIR...

REDENÇÃO
Para a palavra,
o verso,
nada mais é,
que a sua redenção
Marcelo Roque

sábado, 10 de outubro de 2009

Palavras não sentem, não sofrem, não sangram!


“Testemunhei em primeira mão a força das idéias. Vi gente matar em nome delas. E morrer defendendo-as. Mas você não pode beijar uma idéia, não pode tocá-la ou abraçá-la. Idéias não sangram. Idéias não sentem dor. Elas não amam.”

[do filme “V de Vingança”]

As palavras não sentem, não sofrem. Não produzem ferimentos, não fazem jorrar sangue e não matam. Os que ferem, que derramam sangue inocente e que exterminam vidas são homens e mulheres em carne e osso. Mesmo a dor e o sofrimento psicológico não são provocados pelas palavras, mas por quem as dizem.

Não obstante, as palavras não são indiferentes ao mundo real, às pessoas reais. É através delas que concretizamos nossas ações. Com elas amamos, sofremos e morremos. Com elas, nos alegramos, nos entristecemos e sonhamos. Mas elas também podem nos levar a matar os sonhos, as esperanças e os indivíduos. Sintetizadas em slogans e apoiadas em crenças religiosas ou laicas, elas têm o poder de convencer e justificar os atos mais medonhos, perpetrados em nome da humanidade e ideologias.

As palavras têm o poder de mover multidões. Marco Antônio, com o cadáver de César em seus braços e sem acusar diretamente os seus inimigos, enfrenta a multidão indócil e a convence a se voltar contra Brutus e os conspiradores. Os seus argumentos vão do elogio ao desvelamento da culpa. Esta aparece à massa como se surgisse do seu próprio meio. O orador apenas a pôs em movimento. “Agora é deixar acontecer. Intriga, vós estais em marcha; tomai o curso que for de vossa vontade!”, afirma.[1]

As palavras são conceitos e idéias. Quantos matam e morrem em nome da religião e ideologias? Em nome de Deus cometem-se as mais horríveis atrocidades. Palavras que se transubstanciam em fanatismo e fundamentalismos.
Nacionalismo. Quanto ódio foi destilado em seu nome? “A gente se atira sobre um homem que não fez nada, morde, corta seu nariz, arranca-lhe as orelhas, abre sua barriga e tudo isso pedindo a ajuda de Deus. Quer dizer, pede-se a Ele que também corte narizes e orelhas e abra barrigas”, diz Zorba a respeito da guerra entre cretenses e turcos.[2] O nacionalismo não é, portanto, apenas uma palavra.

As ideologias fazem jorrar sangue e causam feridas que não cicatrizam. As idéias se materializam em homens e mulheres vivos e reais que, a exemplo da religião, se dispõem a morrer e matar por elas. Elas tendem a gerar dogmas e crenças, uma espécie de religião laica que também produz fanáticos fundamentalistas. São palavras que se concretizam em sistemas políticos. Idéias que precisam ser defendidas por todos os meios. O verbo se faz carne e age através dos homens e mulheres. Religiões e ideologias dão sentido às palavras e à vida dos indivíduos. Elas brotam do solo histórico e da experiência humana.

É preciso ter cuidado com as palavras. Elas não estão soltas no ar. Elas podem fazer sofrer, ferir e matar. Basta apenas que encontrem, naqueles que falam, lêem e escutam, os instrumentos propícios para a ação. Elas podem alimentar a intolerância, a inquisição e as ditaduras modernas. Mas também podem nutrir os que defendem a liberdade. A escolha é de cada um de nós!


Por Antonio Ozaí
__________
[1] SHAKESPEARE, W. Júlio César. Porto Alegre: L&PM, 2003, pp. 82-91.
[2] KAZANTZAKIS, N. Zorba, o Grego. RJ: Nova Fronteira, 1978, pp. 19-20.
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