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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

DONA ROSÁLIA - MARCELO ROQUE; Glória K divulga

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=13358263


Retratos da vida, parceira ... enquanto muitos que se acham senhores da razão,
se prendem à Idade Média, outras pessoas simples dão exemplo de como o mundo
pode ser melhor ... rsrs

Beijos e beijos ...





Dona Rosália

Dona Rosália não faltava à missa. Rigorosamente, todos os domingos,
lá estava aquela simples senhora sentada diante do altar, olhos fechados,
mãos postas, concentrada em suas orações

Habito também era assistir ao telejornal das oito, e ao ouvir o discurso
do Papa, onde este afirmava que a homossexualidade poderia condenar
a humanidade a extinção, ela, movida por um profundo respeito pela
figura daquele santo homem, balançou a cabeça em concordância

Cinco eram seus filhos - Egídio, o mais velho, Josias, Marieta, Eucádia
e Antônia
Com a morte do pai, Egídio passou a ser, ainda na adolescência, o
responsável por parte do sustento da família, pois a pensão de sua mãe
apenas, não era suficiente

Trabalhava em um pequeno mercadinho da cidade, era bem quisto por
todos, e não dispensava as horas extras para ter um dinheiro a mais
no fim do mês

Egídio, era o orgulho de dona Rosália, filho educado, trabalhador, e que
a ajudava na tarefa de cuidar dos irmãos mais novos

Ao terminar os estudos, como muitos outros jovens, queria ampliar
seus horizontes
Foi então que resolveu partir para a cidade grande.
Prestou vestibular e entrou, com mérito, no curso de Pedagogia -
tinha o sonho de ser professor

Entristecida ficou dona Rosália, mas sabia que seu filho partia em
busca de uma vida melhor - e qual mãe não deseja o melhor para
seu filho ?

Tão logo se estabeleceu na nova cidade e conseguiu emprego, Egídio
começou a enviar dinheiro para a mãe. Era pouco, mas absolutamente
necessário
Com o passar do tempo, a saudade aumentava, e só não era maior,
por conta dos telefonemas dos fins de semana, e as visitas de final
de ano

Alguns anos mais tarde, Egídio, já formado, liga para dona Rosália pra
lhe falar sobre a boa nova - finalmente conseguira o sonhado emprego
de professor
Porém, apesar da alegria, percebeu na voz da mãe, um tom diferente.
Pergunta então se aconteceu algo - já imaginando que pudesse ser
com um de seus irmãos
Dona Rosália disse que precisavam conversar, pois ficou sabendo
de algumas coisas que andavam acontecendo com ele

Egídio, imediatamente, se lembrou da visita surpresa que lhe havia
feito um primo, e na hora matou a charada - tal primo contou para
sua tia que, por sua vez, contou para dona Rosália que, ele, Egídio,
estava namorando com um rapaz

E agora, como encarar a mãe, esta senhora tão alicerçada em rígidos
valores morais, tão religiosa - e tão orgulhosa do filho ?
Seria esta uma revelação que poderia causar enorme sofrimento à
ambos

Certo do teor do assunto, disse a mãe que seria melhor conversarem
pessoalmente, já que no próximo mês, lhe faria mais uma de suas visitas

Mas Egídio não apareceu, alegando falta de tempo, evitou ficar frente
a frente com dona Rosália. Precisava de mais tempo, mais coragem ...
E quem sabe com o passar do tempo, a mãe não ia se acostumando mais com a idéia

E assim, foram os dias, as semanas, os meses ...

Os telefonemas não eram mais como antes, evitavam tocar no assunto,
porém, algo sempre ficava no ar - um certo nó na garganta

Egídio sentia falta das conversas que tinha com a mãe, da cumplicidade que
existia entre dois, e isto lhe causara enorme angústia

Então, eis que decidiu ir ao seu encontro ... queria de uma vez por
todas resolver aquela situação, mesmo que ouvisse de dona Rosália
o quão decepcionada estaria com ele

De malas prontas, lá foi ele ... e durante as horas de viagem, ficava
imaginando as reações de sua mãe quando o visse
Ficava buscando palavras que fossem as mais amenas e conciliadoras
possíveis
E quanto mais próxima a chegada, maior era a ansiedade
Conseguiria, afinal, olhar nos olhos de sua mãe ?

Pois, bem, diante da porta, depois de um vacilo inicial, tocou a campainha,
e ali ficou, parado, durante uma eternidade de segundos ...

Finalmente, a maçaneta começa a girar, e quando a porta se abre,
aparece a figura daquela mulher - frágil, um metro e quarenta e cinco
de altura, lenço amarrado na cabeça - tão magra, tão pequena - tão mãe

Olharam-se por alguns instantes, como se procurassem palavras ...

Foi quando dona Rosália, com aqueles olhos imensos e castanhos,
cheios d'água, deu-lhe um apertado e demorado abraço, dizendo-lhe
baixinho ao pé do ouvido;

- Seja feliz, meu filho ...
E que Deus o abençoe





"Bom seria se o Papa e sua Santa Igreja, aprendessem mais sobre
tolerância, respeito e, principalmente, amor, com a dona Rosália

Marcelo Roque

Dona Rosália




Dona Rosália não faltava à missa. Rigorosamente, todos os domingos,
lá estava aquela simples senhora sentada diante do altar, olhos fechados, 
mãos postas, concentrada em suas orações

Habito também era assistir ao telejornal das oito, e ao ouvir o discurso
do Papa, onde este afirmava que a homossexualidade poderia condenar
a humanidade a extinção, ela, movida por um profundo respeito pela
figura daquele santo homem, balançou a cabeça em concordância

Cinco eram seus filhos - Egídio, o mais velho, Josias, Marieta, Eucádia
e Antônia
Com a morte do pai, Egídio passou a ser, ainda na adolescência, o 
responsável por parte do sustento da família, pois a pensão de sua mãe
apenas, não era suficiente

Trabalhava em um pequeno mercadinho da cidade, era bem quisto por
todos, e não dispensava as horas extras para ter um dinheiro a mais
no fim do mês

Egídio, era o orgulho de dona Rosália, filho educado, trabalhador, e que
a ajudava na tarefa de cuidar dos irmãos mais novos

Ao terminar os estudos, como muitos outros jovens, queria ampliar 
seus horizontes
Foi então que resolveu partir para a cidade grande.
Prestou vestibular e entrou, com mérito, no curso de Pedagogia -
tinha o sonho de ser professor

Entristecida ficou dona Rosália, mas sabia que seu filho partia em 
busca de uma vida melhor - e qual mãe não deseja o melhor para 
seu filho ?

Tão logo se estabeleceu na nova cidade e conseguiu emprego, Egídio
começou a enviar dinheiro para a mãe. Era pouco, mas absolutamente 
necessário
Com o passar do tempo, a saudade aumentava, e só não era maior,
por conta dos telefonemas dos fins de semana, e as visitas de final
de ano

Alguns anos mais tarde, Egídio, já formado, liga para dona Rosália pra
lhe falar sobre a boa nova - finalmente conseguira o sonhado emprego
de professor
Porém, apesar da alegria, percebeu na voz da mãe, um tom diferente.
Pergunta então se aconteceu algo - já imaginando que pudesse ser
com um de seus irmãos
Dona Rosália disse que precisavam conversar, pois ficou sabendo 
de algumas coisas que andavam acontecendo com ele

Egídio, imediatamente, se lembrou da visita surpresa que lhe havia
feito um primo, e na hora matou a charada - tal primo contou para
sua tia que, por sua vez, contou para dona Rosália que, ele, Egídio,
estava namorando com um rapaz

E agora, como encarar a mãe, esta senhora tão alicerçada em rígidos
valores morais, tão religiosa - e tão orgulhosa do filho ?
Seria esta uma revelação que poderia causar enorme sofrimento à 
ambos

Certo do teor do assunto, disse a mãe que seria melhor conversarem 
pessoalmente, já que no próximo mês, lhe faria mais uma de suas visitas

Mas Egídio não apareceu, alegando falta de tempo, evitou ficar frente 
a frente com dona Rosália. Precisava de mais tempo, mais coragem ...
E quem sabe com o passar do tempo, a mãe não ia se acostumando mais com a idéia

E assim, foram os dias, as semanas, os meses ...

Os telefonemas não eram mais como antes, evitavam tocar no assunto,
porém, algo sempre ficava no ar - um certo nó na garganta

Egídio sentia falta das conversas que tinha com a mãe, da cumplicidade que 
existia entre dois, e isto lhe causara enorme angústia

Então, eis que decidiu ir ao seu encontro ... queria de uma vez por 
todas resolver aquela situação, mesmo que ouvisse de dona Rosália
o quão decepcionada estaria com ele

De malas prontas, lá foi ele ... e durante as horas de viagem, ficava
imaginando as reações de sua mãe quando o visse
Ficava buscando palavras que fossem as mais amenas e conciliadoras
possíveis
E quanto mais próxima a chegada, maior era a ansiedade
Conseguiria, afinal, olhar nos olhos de sua mãe ?

Pois, bem, diante da porta, depois de um vacilo inicial, tocou a campainha, 
e ali ficou, parado, durante uma eternidade de segundos ...

Finalmente, a maçaneta começa a girar, e quando a porta se abre,
aparece a figura daquela mulher - frágil, um metro e quarenta e cinco 
de altura, lenço amarrado na cabeça - tão magra, tão pequena - tão mãe

Olharam-se por alguns instantes, como se procurassem palavras ...

Foi quando dona Rosália, com aqueles olhos imensos e castanhos, 
cheios d'água, deu-lhe um apertado e demorado abraço, dizendo-lhe
baixinho ao pé do ouvido;

- Seja feliz, meu filho ...
E que Deus o abençoe 





"Bom seria se o Papa e sua Santa Igreja, aprendessem mais sobre
tolerância, respeito e, principalmente, amor, com a dona Rosália


Marcelo Roque

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Equipe do CQC é agredida no interior de São Paulo

Equipe do CQC é agredida no interior de São Paulo

Izabela Vasconcelos

O repórter Danilo Gentili, do programa CQC da Band, e o produtor Yuri Cruz Costa foram agredidos nesta quinta-feira (01/07), enquanto apuravam uma denúncia na cidade de Analândia, interior de São Paulo.

A agressão aconteceu quando Gentili e seu produtor tentavam entrar na prefeitura. O repórter levou um soco na barriga e o produtor teve a mão prensada na porta do órgão público.

De acordo com Vanderley Vivaldini Jr., membro da Associação dos Amigos de Analândia (AMASA), que acompanhava a equipe, os dois foram agredidos por José Roberto Perin, ex-prefeito da cidade e atual chefe do gabinete do executivo, e Luiz Fernando Carvalho, vereador e cunhado de Perin.

Segundo Vivaldini, não houve nenhum tipo de discussão. “O prefeito não atendeu e chamou os assessores. Aí prenderam a mão do produtor na porta e deram um soco no repórter”.

Gentili e Costa já registraram Boletim de Ocorrência e partiram para São Paulo para passar por exame de corpo de delito. A prefeitura ainda não se manifestou sobre o caso.

Na última semana, Gentili foi agredido por guardas municipais de São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, o repórter levou um soco no rosto.

FONTE;
Comunique-se.O Portal da Comunicação.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Mensagens de Ódio Pela Internet



Um Apelo ao Ministério Público


Carlos Alberto Lungarzo

Anistia Internacional (USA) – 2152711

Numerosos sites e blogs da Internet se caracterizam pela difusão permanente de mensagens de ódio, seja político, racial, ideológico, nacional ou de qualquer outra característica. Ao mesmo tempo, nesses sites abundam afirmações falsas ou distorcidas, que são mais do que difamações ou, mesmo, calúnias pontuais. Essas declarações formam um contexto de campanha de destruição moral de certas pessoas que eles consideram inimigas.
Não está em jogo a eventual ofensa ou injúria a alguém por lhe atribuir um ato que não cometeu, ou cujo cometimento não pode ser provado. Tampouco está em questão o direito de qualquer pessoa ou organização a manifestar seu desafeto, crítica ou repúdio por outros.
O que está em pauta é uma tendência sistemática a ofender, caluniar, ridicularizar, humilhar publicamente, expor ao ódio e eventualmente, incitar a ação física de vândalos ou hooligans contra pessoas ou grupos cujas posições não coincidem com as desses sites.
O Ministério Público deve, como mínimo, acompanhar o funcionamento desses sites e blogues, e manifestar se considera ou não esses atos como atentado à dignidade humana e incitação à violência.
Análise do Contexto
O problema da liberdade de ação e de expressão é um antigo calvário da democracia, da estratégia de Direitos Humanos e do Direito em geral. Isso não significa que o problema seja impossível de resolver. Se chegar a uma solução parece difícil é porque há muitos interesses em jogo, por um lado; e, de outro, muitas pessoas se sentem amedrontadas.
A liberdade de ninguém deveria ser limitada quando é exercida no âmbito privado ou público, sem produzir danos nos Direitos Humanos básicos de outras pessoas. Entretanto, os sistemas de poder controlam a vida privada, os direitos reprodutivos e as opções sexuais das pessoas, que são atos privados sem qualquer efeito negativo sobre os outros. Por outro lado, limitam direitos de expressão que, sejam corretos ou grosseiros, não configuram ódio nem visam a destruição moral ou física de nenhuma pessoa ou entidade. Vejamos dois exemplos:
Em alguns países, como a Itália, existe ainda a censura medieval contra a blasfêmia. Recentemente, uma pessoa foi condenada por fazer pilhéria com o Papa. Em algumas sociedades com resíduo do stalinismo, como Cuba, pode punir-se a execração dos símbolos pátrios, e até as críticas ao governo.
Entretanto, sites, rádio, TV, jornais e outras formas de mídia podem, em algumas sociedades, publicar manifestos violentos, que cultuam o ódio de maneira sistemática, e geram um sistema de lavagem (ou, melhor dizendo, de poluição) cerebral, pudendo servir, em situações críticas, como faísca para atentados.
Um exemplo famoso é o sistema de Rádio e TV chamado “As Mil Colinas” de Kigali (Ruanda), que, desde 1993, transmitiu mensagens contínuos incitando ao ódio contra a nação Tutsi, e preparando o genocídio que custaria quase 1 milhão de mortos. Tanto o diretor da emissora como o de um jornal com tendência similar foram julgados por crimes contra a humanidade, após o fim do massacre.
É verdade que a emissora tinha uma audiência enorme, e seu impacto na sociedade era gigantesco. Entretanto, se é necessário um impacto enorme para deflagrar um genocídio, não é necessária uma penetração tão grande para incitar a um ou mais atentados, sejam morais ou materiais.
Observe as preocupações das Nações Unidas com este tipo de problemas aqui.
Não nego que o assunto possa ser complicado, porque nem sempre a linha que separa uma liberdade legítima de um crime humanitário pode ser traçada com precisão. Uma amostra dessa dificuldade foi apresentada pelo caso de Richard Warman no Canadá, onde um tribunal conservador considerou que a limitação às mensagens de ódio feria a liberdade de expressão. Veja isto aqui.
No Brasil, as campanhas de ódio parecem coincidir com certas propostas de alguns políticos que desejam introduzir censura na Internet. Não posso dizer se essas campanhas estão coordenadas, mas elas possuem um caráter semelhante. As campanhas de ódio e ameaças procuram intimidar e calar defensores dos Direitos Humanos, do sistema democrático, e de um sistema jurídico equânime e objetivo. Também visam semear o terror entre os pacifistas, os inimigos do militarismo, da tortura, da pena de morte e da justiça linchadora. Atribuem a figuras desconhecidas ou públicas, atos criminosos extremos ou, até, históricos forjados de graves delitos e atentados.
Por outro lado, as campanhas para censurar a Internet parecem orientadas a impedir legalmente a manifestação dessas pessoas. Mesmo que os autores de ambos os métodos (o terror midiático e a censura legal) não estejam combinados, seu efeito é notoriamente aditivo.
A grande mídia tem uma direção ideológica e contra os DH numa proporção muito alta (uns 95% ou mais). Por causa disso, pessoas que querem expressar-se contra a impunidade dos crimes militares, a favor do direito de asilo, em prol da paz, contra as provocações internacionais, etc., só podem agir por meio da pequena mídia alternativa e, de maneira massiva, pela Internet. Então, os grupos neofascistas no seio da sociedade usam dois caminhos:
1. Individualmente ou por grupos, criam sites e blogues desde os quais desfecham violentas propagandas de destruição moral.
2. Como isso pode não ser suficiente, visam estabelecer um método de censura, com um pretexto qualquer: até agora, o mais mencionado é o perigo de que hackers ataquem os bancos (!). Esta foi a justificação de um projeto proposto por um senador que parece liderar um esquema de corrupção e atualmente está sendo investigado.
Estamos, então, numa situação paradoxal. Opiniões e críticas objetivas (sejam certas ou erradas) sofrerão censura quando estas leis forem aprovadas. Por outro lado, os autores dessas críticas são ameaçados permanentemente por sites de ódio.
Apesar das polêmicas em torno do direito de opinião, ninguém pode negar que existem leis razoáveis que restringem certo tipo de transmissão por Internet. Por exemplo, existe censura contra a pedofilia, e até as comissões que lidam com esse problema concentram suas baterias na Internet, apesar de que os maiores e mais agressivos pedófilos atuam na vida real. Com efeito, enquanto setores de diversa índole tentam limpar a Internet de imagens ou textos de pedofilia, nada se faz contra a prostituição e escravidão infantil, permanentemente denunciada por ONGs de DH.
Se é possível impor certas restrições as transmissões por Internet, por que não é possível inibir ou, pelo menos, amenizar mensagens de ódio?
Possíveis Mensagens de Ódio
Não é possível saber o número total de sites gerados no Brasil que acolhem mensagens. Os seguintes são os mais conhecidos e os que possuem mais seguidores. A proporção dessas mensagens é diversa. Alguns, esporadicamente, publicam notícias falsas sobre atos de terrorismo ou crimes praticados por pessoas públicas. Ou atiçam rancor contra movimentos sociais, grupos intelectuais, etc. Outros, já possuem uma direção sistemática nessa direção. Podem parecer de baixo impacto se comparados com os dos militares argentinos, por exemplo, ou com grupos de ódio dos Estados Unidos (p. e., o novo Ku Klux Klan), mas seu conteúdo deveria ser monitorado.
Alguns deles não têm terminação que identifique o país, portanto, devem ser abastecidos por provedores dos Estados Unidos. Entretanto, o que solicitamos ao Ministério Público é uma primeira revisão do material desses sites e uma análise de sua índole.
Quero deixar várias coisas claras:
1. Existem alguns veículos da grande mídia (muito poucos, talvez dois ou três), que usam um estilo de ódio semelhante ao destes sites. Não acredito que eles tenham menos responsabilidade, mas esse é um fato mais complexo, e sou consciente das limitações do poder público, inclusive quando atua com as melhores intenções.
2. Não estou criticando a propaganda neofascista, desde que ela não se expresse em forma de ódio. Pode reconhecer-se o direito de uma pessoa a admirar o fascismo, mas não a fazer propaganda da eliminação física, do racismo, da “faxina” de pessoas de outras ideologias.
3. Pessoalmente, não estou afetado por mensagens de ódio. As mensagens desse estilo que recebo, deleto. Se aparecem em algum site, simplesmente ignoro. Nunca entro em polêmicas com inimigos explícitos dos DH. Entretanto, é justo pensar que outras pessoas zelam por sua segurança física e sua reputação.
Eis a lista de sites que me causaram maior preocupação.

http://www.oquintopoder.com.br/
http://www.ternuma.com.br/
http://www.averdadesufocada.com/
http://www.midiasemmascara.org/
http://lilicarabinabr.blogspot.com/
http://coturnonoturno.blogspot.com/
http://www.fortalweb.com.br/grupoguararapes/
http://www.alertatotal.net/
http://www.defesanet.com.br/
http://levante-se.com/wp/
http://www.olavodecarvalho.org/index.html
http://brasilacimadetudo.lpchat.com/

Agradecerei também a opinião de leitores que desejem manifestar-se e aferir o grau de (i)legalidade das matérias neles publicadas.

carlos.lungarzo@gmail.com
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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Com quem está a polícia? - Marcelo Salles

Com quem está a polícia?
Por Marcelo Salles, 15.07.2009

Depois das reportagens veiculadas pelo RJTV (aqui) e pelo portal G1 (aqui), da Globo, a assessoria de imprensa da PM solicitou reunião com MC Leonardo, presidente da Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk). O encontro aconteceu no QG da polícia, no centro do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (15/7) – o vice-presidente da Apafunk, Mano Teko, também compareceu.

O major Oderlei, relações públicas da PM, disse que houve um mal entendido, que ”a imprensa interpretou de forma extrema” suas declarações e que “a PM não proíbe o baile, apóia todas as manifestações culturais que sejam legítimas e saudáveis para a sociedade”. Contudo, completou, “para que certos eventos aconteçam há que se cumprir determinadas regras”.

A conversa correu de forma amistosa. O que não impediu que MC Leonardo fosse direto ao ponto: “Não vou ficar implorando por um direito”, disse o presidente da Apafunk. A consideração foi feita quando o oficial pediu que antes da Roda de Funk no Dona Marta ele pedisse autorização ao comandante do batalhão da região. Amigos, amigos, negócios à parte. No caso, manifestação política à parte.

Cá entre nós: é preciso ter peito pra chegar no Quartel General da PM e mandar essa.

A postura da Apafunk foi firme e decidida. E corajosa, porque a Roda no Dona Marta fora proibida há quinze dias pelo comando do batalhão local. Houve até ameça de repressão com tropa de choque, feita pelo comandante. No entanto, é preciso lembrar que a Polícia Militar é um órgão vinculado ao governo estadual, que funciona com o dinheiro pago por todos os cidadãos fluminenses. Portanto, seu objetivo é contribuir com a segurança desses cidadãos. E aproveitando a pesquisa recém-divulgada pelo IPEA, vale ressaltar que os mais pobres pagam mais impostos que os mais ricos (44,5% contra 23%, íntegra aqui). Ou seja, até por uma lógica mercantilista (que não é o caso) a polícia deveria ter mais atenção ao entrar numa favela.

A propósito, na noite desta quarta-feira moradores do Morro dos Macacos protestaram contra a violência policial e afirmaram que nenhuma das mortes causadas pela polícia ocorreram em confronto. Até o RJTV deu, apesar de ter sido uma notinha de ridículos 22 segundos, com o devido cuidado para não mostrar as faixas e nem entrevistar ninguém que pudesse constranger o governador – veja a íntegra aqui).

No próximo domingo vamos observar o comportamento da polícia. Os “homens da lei” garantirão o direito de manifestação política previsto na Constituição ou reprimirão os participantes da Roda de Funk?

Com quem está a violência? (publicado em 14 de julho de 2009)

O que torna uma sociedade mais segura não é sua polícia, é a capacidade que a sociedade tem de garantir uma cultura de direitos
- Marcelo Freixo, deputado estadual (PSOL-RJ) e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj

Na sexta-feira, 10 de julho, um cabo do Bope foi assassinado por bandidos, na Tijuca. Devemos lamentar o ocorrido, sem dúvida. O policial estava cumprindo seu dever; ele tentou surpreender dois assaltantes que rendiam uma motorista, mas foi morto por um terceiro que estava fora de seu campo de visão.

Pra quem acha que todo bandido escolhe a “profissão” por livre e espontânea vontade, fica difícil, quase impossível, entender o que o Marcelo Freixo quis dizer. No caso do assalto acima citado, de imediato se poderia dizer que só a polícia poderia evitar o crime. No entanto, será que um cidadão se arriscaria caso pudesse sustentar sua família, com dignidade, uma vez empregado?

“Se a segurança depende da polícia é porque já tem equívocos anteriores”, continua Marcelo Freixo. Já está provado que a pobreza não gera violência. Desigualdade social gera violência. Ainda mais quando a mídia joga a favor desse apartheide. O fotojornalista italiano Oliviero Toscani dizia: “A publicidade gera delinquencia”. Claro, se você estimula e até fabrica desejos sobre um determinado objeto, e essa mensagem vai chegar a quem pode e a quem não pode ir até a loja comprar o produto. Queria o quê? Nem todo mundo tem vocação pra passar a vida no muro das lamentações.

Outra questão importante: nos dias seguintes ao assassinato do cabo do Bope, a polícia desencadeou uma onda de terror na cidade. Cerca de dez pessoas foram mortas, nem todas bandidas. No Morro dos Macacos, por exemplo. Uma fonte que lá esteve contou que foram cinco mortos e não três, como publicado pelas corporações de mídia. E desses cinco, dois não tinha nada a ver. Morreram porque são pobres. Será que vai haver perícia? Será que a mídia grande vai se indignar? Será que vai haver comoção nacional?

Não, nada disso. Em lugar de uma investigação séria e honesta, um julgamento sumário: a culpa é do funk. Toda a mídia corporativa associou a recente escalada da violência com a realização de bailes funk. Assim, diziam generalidades como “os policiais foram recebidos a tiros por traficantes que estavam em bailes funk”, uma repetição vulgar da versão policial. No Morro dos Macacos, minha fonte garante que isso é mentira, que era uma festa junina e não o temido baile.

E mesmo que a refrega tivesse ocorrido num baile funk, a culpa vai ser do gênero musical? O delegado de Polícia Civil Orlando Zaccone, analista crítico do atual modelo de segurança, brincou: “Se você pegar os registros de ocorrência nas proximidades do Maracanã em dia de jogo, vai ver que também aumenta. E aí, a solução é fechar o Maracanã?” Orlando, que é mestre em criminologia crítica, acrescenta que a proibição não é sobre qualquer funk, mas àquele localizado na favela porque este é “o local que precisa ser controlado”.

Ao fim e ao cabo, o que se percebe é uma inversão completa: a polícia, que deveria contribuir com a garantia dos direitos (inclusive a segurança pública), termina por provocar a violência. E as outras instituições da sociedade, públicas e privadas, em vez de buscarem a resolução do problema em sua raíz, clamam por mais violência. Sobretudo a mídia vampira.

PS: Leia aqui a reportagem “Funk Carioca – o batidão entre a repressão e a resistência“, publicada na edição de julho de 2009 da revista Caros Amigos.
http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=revista&id=128&iditens=217
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