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terça-feira, 22 de setembro de 2015

INTERNET, TELEVISÃO, MONOCULTURAS...


Assange deve ter razão. Se compararmos a Internet, a televisão, as monoculturas...ou, aos bancos e religiões fundamentalistas... e a outras coisas  que os seres humanos inventam, vamos ver que todas elas tem lados péssimos em mãos erradas, e outras nem deveriam existir!

Eu deveria nem escrever mais nada, deveria sair da Internet, acabar com meus blogs e perfis em mídias sociais e sair fora? Todas as pessoas deveriam fugir da Internet, este grande panóptico, e se esconderem como toupeiras amedrontadas?

Adiantaria alguma coisa? Nossos celulares possuem em suas baterias um dispositivo que espiona seu usuário, e se você tem GPS no celular ou no carro.... aí, se esqueça de se esconder, porque de nada vai adiantar! Nossa privacidade já foi pro espaço há muito tempo, por isso sempre dizia : "mostremos nossos traseiros aos donos dos panópticos!"

Faz muito tempo que os sociólogos, psicólogos e etc trabalham para agências de pesquisas. A mídia e a publicidade só funcionam em cima destas pesquisas, sabem tudo das pessoas, ou dos consumidores. Ser consumidor não significa que o ser humano seja uma pessoa ou um cidadão, significa que ele é um individuo manipulado pra consumir.

As monoculturas ameaçam a civilização humana e todos que vivem neste planeta!

A televisão em mãos erradas anda fazendo mais estragos que a bomba atômica, etnocídios ferrados, e o pior disto tudo é que os consumidores condicionados ao extremo, não conseguem perceber o mal que representa a televisão comercial.

Bancos e religiões fundamentalistas, muitos ainda não perceberam o mal enorme que tais coisas representam a civilização humana.

Enfim, estamos rodeados por grandes ameaças a nós, e inclusive os "civilizados" (nós) representam um dos maiores males aos indígenas! 

Resta-nos refletir para tentarmos resolver todas estas ameaças, ficar parado sem fazer nada, não resolveria nada! Parece que nestes tempos muitas coisas pra lá de crueis e absurdas andam acontecendo, migrantes sendo atacados em fronteiras, extremistas ameaçando muitos, fanáticos religiosos aos montes... e nós precisando nos melhorarmos, derrubar nossa intolerância, nossos preconceitos e nos colocarmos no lugar destas pessoas que fogem de guerras e injustiças brutais, elas precisam do equilíbrio e da humanidade daqueles que as acolhem como imigrantes!

Nadia Gal Stabile - 22 09 2015 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

imigrantes




tudo o que eu possa escrever desenhar e postar neste blog denuncia a minha origem a minha raiz sóciocultural e mesmo assim estou aqui e nunca poderia negar nada na verdade pra maioria das pessoas isto nem importa porque o que é um blog o que é ser blogueira ou ciberativista...é nada praticamente assim como é nada ser uma mulher de classe média que se mete a escrever um blog e que é neta de uns italianos que chegaram aqui no final do século dezenove vindos em um navio chamado umberto I e de uma avó galega que morreu aos 35 anos assim como a avó calabresa que tinha um pai feroz e que ao morrer deixou quatro filhos sendo só um maior de 18 anos que era meu pai...a vida de meu avô napolitano não foi fácil chegou aqui na adolescência ou antes... preciso verificar nos documentos que restaram dele ficou viúvo cedo e teve de criar 3 filhos menores de idade e um maior fazia belas tigelas de macarronada com brajolas pra alimentar os filhos trabalhava na ferrovia pintando letreiros em trens tinha talentos artísticos mas que nem puderam se desenvolver muito deixou seus pincéis feitos à mão pra sua neta primogênita que aos 13 anos já pintava telas à óleo... morreu antes que eu nascesse ... fico imaginando a vinda de meus bisavôs e avôs no tal navio umberto I cruzando o oceano e chegando aqui no brasil na época em que era tudo muito mais calmo quase não sei nada da vida deles lá na itália isto é bem chato pra mim gostaria de saber como era e o que passaram no tal navio e como foram recebidos aqui no bairro da mooca na cidade de são paulo fico pensando na minha bisavó que cuidava dos cavalos era mulher forte e que se orgulhava muito do neto primogênito que era meu pai era mesmo um garotinho lindo meu pai as filhas mulheres eram sempre menos queridas do que os filhos homens mas minha avó paterna só teve filhos meu avô paterno era homem calmo com bela fisionomia casou-se tarde e ficou viúvo cedo a irmã dele o ajudou a criar o filho menor a vida dos imigrantes parecem ser sempre muito provisórias muito tristes às vezes as pessoas sentem-se sem chão talvez por terem saído do lugar de onde nasceram ...mesmo meus bisavôs terem chegado ao brasil com condições financeiras boas mesmo assim nunca se compara com viver no lugar em que se nasce... se há mais de 100 anos o mundo já era complicado hoje nem se fala e por isso tantos refugiados procurando ter um pouco de paz em outras partes do planeta que cada vez fica menor  e cada vez fica pior por causa da "maioria" injusta e cruel

nadia gal stabile - 14 de setembro de 2015 
*sem vírgulas e sem pontos


domingo, 22 de abril de 2012

A DESUMANIDADE É GLOBAL SOB O CAPITALISMO

Por Celso Lungaretti

Fiquei chocado com esta notícia tão sucinta da Folha de S. Paulo deste domingo (22):
"O governo espanhol aprovou anteontem uma lei que restringe o atendimento médico público a imigrantes ilegais, que terão acesso apenas aos serviços básicos: emergência, maternidade e atendimento médico infantil.

Com a medida, o governo espera deixar de gastar € 500 mil neste ano. Desde 2000, o país não vive uma mudança tão radical na política sanitária, quando uma reforma na lei dava acesso às especialidades médicas somente aos imigrantes empregados".
Enquanto o jornalão paulista noticiou de forma telegráfica, a maioria dos veículos passou batida. Nem sequer na busca virtual encontrei grande coisa.

Quem ainda é capaz de raciocinar e sentir como ser humano leu assim:
"O governo espanhol, para não despender um punhado de euros, decidiu entregar à morte pessoas (gente como a gente, pouco importando em qual país nasceram!), que têm doenças graves e requerem tratamento médico continuado".
Eu, que nunca tive condições financeiras para fazer as viagens com as quais sonhava, recebo uma melancólica compensação: fortíssimos motivos para concluir que não teriam valiado a pena.

Caso dos crimes impunes e dos deboches escancarados de Berlusconi, de seus pogroms contra imigrantes, da indiferença ou anuência do cidadão comum italiano face à perseguição infame contra Battisti. A Itália foi um afeto que se encerrou para mim nos últimos anos. Pensava nela como um país repleto de compassivos Mastroiannis; percebi não ter sido por acaso que se prostrou a Mussolini.

Agora é a Espanha que desfaz minhas ilusões, tratando os fugitivos da miséria como lixo, tal qual outras nações vitimadas pelas crises cíclicas do capitalismo. Na hora de sacrificar gente para salvar bancos, os estrangeiros são sempre alvos preferenciais; e, mais ainda, os imigrantes ilegais. "Primeiro os meus" é a lógica da xenofobia ignóbil, da mesquinhez e da pequenez.

Nem sequer na heróica Catalunha, que em outras posturas difere do restante da Espanha, parece vicejar a solidariedade para com os coitadezas do mundo.

Como cantou Vandré, "a vida não mudava/ mudando só de lugar".

A desumanidade é global sob o capitalismo. Não há oásis. O que existe são, aqui e ali, pessoas ainda movidas pela solidariedade e compaixão, lutando para evitar que o homem seja o lobo do homem.

Estas pessoas carregam as esperanças de (e da) humanidade. 

LEIA TAMBÉM, NO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
É DEFINITIVO: TENTAREI ABRIR UMA NOVA FRENTE DE ATUAÇÃO

domingo, 29 de novembro de 2009

A ITÁLIA, ENTRE MUSSOLINI E DANTE

Como meu sobrenome deixa evidente, sou de ascendência italiana (por parte do avô paterno e do bisavô materno).

Mas, os dois ramos já haviam se dissociado desse passado quando eu começava a entender as coisas.

Uma lembrança remota da minha meninice foi a do meu pai e meu tio comentando a morte de um ancestral famoso: Angelo Lungaretti. Circulava de mão em mão a notícia publicada no jornal italiano Corrieri della Sera.

Atraído pelas promessas dos fazendeiros brasileiros, que mandavam recrutadores à Itália oferecendo viagem gratuita, Angelo Lungaretti veio trabalhar na lavoura cafeeira.

Raul Salles, filho do fazendeiro Diogo Eugênio Salles, assediou a irmã de Angelo. Este tentou transferir-se com a família para outra fazenda, mas Raul fez com que fossem rejeitados. E ainda persuadiu o delegado de Analândia a prender Angelo por embriaguez.

Quando o soltaram, no dia 3 de outubro de 1900, Diogo e Raul tentaram expulsar os Lungaretti da fazenda, sem pagar-lhes os 2.000 réis a que faziam jus por seu trabalho. O velho Francisco, pai de Angelo, disse que não sairiam. Diogo agarrou-o, sacudiu-o e atirou-o no chão.

Angelo, vendo o pai desmaiado, supôs que estivesse morto. Com uma velha e enferrujada garrucha, disparou contra Diogo, ferindo-o mortalmente.

Seguiu-se uma série de descalabros, como as torturas sofridas por habitantes de Analândia para que depusessem contra Angelo.

No processo, não foi levada em conta a minoridade do réu (Angelo ainda não completara 21 anos) nem se providenciou tradutor para ele e as testemunhas da defesa que não falavam bem o português, além de se relevarem várias contradições dos acusadores.

O falecido era irmão do presidente Campos Sales, que cogitou até a instauração da pena de morte, com efeito retroativo, para que pudesse ser aplicada nesse caso; foi dissuadido pela Inglaterra.

O governo italiano, supondo tratar-se de mais um anarquista, não deu a mínima. Angelo foi, entretanto, fortemente apoiado pela colônia, que até se cotizou para pagar-lhe um advogado famoso. Isto não impediu sua condenação a 21 anos de reclusão.

Finalmente, numa mudança de governo, foi libertado depois de cumprir sete anos e meio da pena. Voltou à Itália, onde levou vida tranqüila até a morte, em 1960.

Mas, esta história familiar não me interessou muito na época. Só fui lhe dar valor muito tempo depois, em função do rumo que minha própria vida tomou.

O que me predispôs mesmo a valorizar meu sangue latino foram os livros do primeiro autor que me fez a cabeça: Monteiro Lobato, com sua verdadeira veneração pelo legado greco-romano.

Graças a ele, passei a identificar a Itália com o humanismo, o equilíbrio, a sensatez. Não com o fascismo que só a derrota na II Guerra Mundial conseguiu apear do poder.

E foi ainda a arte reforçou minha admiração pela Itália: desde os fundamentais escritores Dante Alighieri, Alberto Moravia e Italo Calvino até os maravilhosos filmes de Federico Fellini, Ettore Scola, Mario Monicelli e tantos outros.

O AFETO QUE SE ENCERRA

Sem nunca ter podido conhecer a pátria dos meus antepassados, eu a imaginava como um contraponto ao sôfrego e calculista american way of life: uma terra aprazível, com um povo compassivo, que sabia viver. Pensava em cada italiano como um Marcello Mastroianni e em cada italiana como uma Sofia Loren.

E, embora estivesse ciente dos excessos com que foram combatidos os militantes da ultraesquerda na década de 1980, não os associava ao povo italiano. Para mim, a culpa toda era do PCI, que aliara-se ao partido da burguesia facinorosa (a Democracia-Cristã) contra os verdadeiros revolucionários, tangendo-os ao desespero e a atitudes insensatas como a execução de Aldo Moro.

O Caso Battisti desfez rudemente minhas ilusões: percebi que muitos italianos comuns, a exemplo do que ocorria durante o fascismo, continuam se deixando tanger por lideranças demagógicas e rancorosas.

Assim como os brasileiros foram levados pela mídia a quase trucidarem os donos da escola-base, houve italianos que aderiram insensivelmente à caça às bruxas desencadeada por Berlusconi. Que decepção!

Então, já não me surpreende a introdução de medidas repulsivas como as que a Itália adotou neste ano de 2009 para combater a imigração ilegal, propostas, claro, pelo governo Berlusconi, como as pesadas multas impostas a clandestinos e o risco de prisão que passaram a correr os que os hospedam.

Também foi aumentado de dois para seis meses no tempo de detenção de imigrantes ilegais e se criaram rondas locais de cidadãos comuns (esquadrões de delatores voluntários) para localizá-los, secundando o trabalho da polícia.

É essa Itália mesquinha e intolerante que persegue Battisti, para exibir sua cabeça como troféu, marcando o reencontro com aquele passado em que os trens chegavam sempre no horário, a autoridade era sagrada e o Duce zelava por todos.

REPÚDIO À DESUMANIDADE

Mas, nem tudo está perdido: a agência France Presse informa que 3 mil cidadãos de Cocaglio, no norte da Itália, se manifestaram pacificamente neste sábado (28) contra a decisão de seu prefeito de realizar a contagem dos estrangeiros da comunidade para denunciar os clandestinos às autoridades.

Como a cidade tem apenas 8 mil habitantes, o movimento denominado United Colours of Christmas (alusão à publicidade da Benneton) foi dos mais significativos.

E recebeu o apoio do Vaticano: "Esta ideia de relacionar o Natal e a difícil realidade que afeta os seres humanos é uma coisa dolorosa", declarou o presidente do Conselho Pontifício para os Imigrantes, monsenhor Antonio Maria Veglio.

Do outro lado, estão um medíocre prefeito eleito pelo fascistóide partido anti-imigrantes da Liga Norte e seu colega de agremiação política, o ministro do Interior do igualmente fascistóide Governo Berlusconi, um tal de Roberto Maroni.

Maroni é aquele que decidiu construir um centro de identificação e expulsão de imigrantes ilegais na ilha de Lampedusa, tida como a entrada da Europa.

Ou seja, simbolicamente, ele quer fechar a porta do continente aos miseráveis, como o príncipe Próspero fechou as portas do seu castelo aos aldeões, deixando-os entregue à peste, no imortal conto de Edgar Allan Poe, A Máscara da Morte Rubra. Torço para que ele receba o mesmo castigo de Próspero.

E (sem muitas esperanças, confesso), torço também para que a Itália siga o exemplo desses dignos moradores de Cocaglio, repudiando a herança mussolinesca e reassumindo-se como a pátria de Dante.
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