Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de junho de 2014

Sobre fogueiras, livros e liberdade

50 anos depois
desde a copa de 70 , 44 anos

meu pai morto pela metade ou quase inteiro
a fogueira mais triste de nossas vidas
não era festa de são joão
eu me queimei muto também
a ditadura militar levou nossas vidas
levou nossos sonhos, levou nossas almas
almas sem expressão, não são almas
são zumbis que
na copa de 70 festejaram
naquela tal avenida de meu bairro
festejaram o que?

sonhei com meu pai, me abraçava
ontem a noite assisti trechos do tele teatro da cultura
electra de eurípedes...
filha e pai mortos na fogueira de livros de 1964
e com almas perseguidas e exiladas pra sempre
malditos fascistas
mundo cão
humanos sem liberdade de expressão,
sem poderem pensar,
sem poderem ter livros
não são humanos...
não são pessoas
oprimidos por si próprios
a subvivência mata
isto aqui é só ilusão, tudo acaba, a verdade está morta
as verdades não podem ser ressuscitadas
as mentiras sim, sobrevivem por meio século ou para sempre...
todos se alienam e acham normal
normose a pior das pestes!

Nadia Gal Stabile - 07 06 2014


http://pt.wikipedia.org/wiki/Fahrenheit_451_(filme)



Charges de Latuff e de outros, e meu ativismo no Facebook e blogs

Minha pequena, mas persistente atitude de ativista, continua ainda!
Ainda posso me expressar na web! Ainda posso...
Clique no link para ver as charges:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10203999628212447&set=a.1416193486266.2059475.1275453777&type=3&theater


https://www.facebook.com/nadiagalst/media_set?set=a.1416193486266.2059475.1275453777&type=3



COMO DILMA PERDEU A COPA ? POR QUE TORCEMOS CONTRA A SELEÇÃO BRASILEIRA ?

Celso Lungaretti e Rui Martins explicam.

Veja links no Google+ do jornalista Celso Lungaretti do blog Náufrago da Utopia -

https://plus.google.com/u/0/105061978596497604869/posts

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2014/06/por-que-torcermos-contra-selecao.html

ANISTIA INTERNACIONAL EXORTA GOVERNOS FEDERAL E ESTADUAIS A NÃO BARBARIZAREM MANIFESTANTES DURANTE O MUNDIAL. ADIANTARÁ?


quinta-feira, 15 de março de 2012

LEI SECA NOS ESTÁDIOS DA COPA: GOVERNO RECUA E O MUNDO RIRÁ DE NÓS

Por Celso Lungaretti
O Brasil será visto como um país onde ainda
subsistem as bizarrias do tempo de Al Capone
A querela sobre a venda ou não de bebidas alcoolicas nos estádios, durante a disputa da Copa do Mundo de 2014, expõe, de um lado, a mentalidade autoritária que continua subsistindo no Brasil, em plena democracia; e, do outro, a pusilaminidade de nossos governantes face à chantagem de bancadas retrógradas.

Para nossa vergonha, estávamos recebendo uma lição da Fifa sobre como devem ser tratados os cidadãos: numa democracia, cabe-lhes o direito de decidirem se, quando e quanto querem beber, mais o dever de manterem comportamento civilizado a despeito da quantidade de álcool ingerida.

Quem não segurar a onda, que seja expulso do estádio ou preso.

Mas, que não seja imposta à maioria uma ridícula e extemporânea  Lei Seca  por conta da imaturidade de alguns. [Assim como é uma aberração fascistóide obrigar motoristas laçados a esmo a se submeterem a testes de bafômetros, como se fossem culpados até provarem a inocência... antes mesmo de qualquer crime ter sido cometido!]

São as ditaduras que tratam adultos como crianças no internato, privando-os das oportunidades de errar. Nas democracias, eles são respeitados como adultos e, quando erram, recebem a punição cabível.

Na singular democracia brasileira, torcedores de futebol são encarados como crianças ou deficientes mentais, a quem se nega até o ínfimo prazer de uma cervejinha. 

Seria cômico, se não fosse trágico:
continuamos até hoje no tempo do Onça?!
Quem quiser, que engula a intragável cerveja sem álcool. Nossos tutores assim decidiram.

Sob vara da Fifa, o Governo brasileiro propôs a suspensão temporária desta prática vexatória que deveria ter sido abolida há muito tempo.

Mas, firme como geléia, acaba de recuar diante da rabugice da pior espécie de totalitários: os fanáticos religiosos, que só não chamo de herdeiros de Tomás de Torquemada porque o inquisidor-geral dos reinos de Castela e Aragão era sincero nas suas convicções monstruosas, enquanto os atuais parecem mais ser devotos do bezerro de ouro.

Mas, ainda que por mero oportunismo, representam o atraso e são infames pregadores do ódio (contra os cultos afrobrasileiros e os gays, principalmente), satanizando pessoas como forma de imantarem suas fileiras, à maneira de Hitler com os judeus.

Ou seja, tudo que a esquerda tem como obrigação combater e com o qual não pode fazer acordo nenhum, ter complacência nenhuma.

Estava certíssimo Gilberto Carvalho ao propor o combate ideológico a esses evangélicos.

Está terrivelmente errado agora o Governo, refugando diante dos que tentam nos fazer retroceder à Idade Média.

Torço para que a Fifa tire o Mundial do Brasil --ainda está em tempo de o fazer.

Enquanto não nos assumirmos plenamente como uma nação civilizada do século 21, sediarmos grandes eventos só servirá para escancarar nosso atraso, colocando-o sob holofotes para que o mundo ria de nós.

OUTROS ARTIGOS RECENTES (clique p/ abrir):
PINHEIRINHO: EIS O PERFIL DOS "CRIMINOSOS" DA SONINHA FRANCINE
BARBÁRIE NO PINHEIRINHO TEVE UM ÚNICO BENEFICIÁRIO
VAMOS DENUNCIAR ALCKMIN AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

sexta-feira, 9 de março de 2012

Jogo Sujo




Quando o secretário geral da FIFA, e interlocutor da Entidade,
Jérôme Valcke, deu uma declaração extremamente pesada,
dizendo que os organizadores da Copa do Brasil mereciam
receber um "chute no traseiro", por conta do atraso das obras
e, principalmente, da aprovação da chamada "Lei Geral da Copa",
imediatamente achei isto tudo muito estranho

Não é nada comum um dirigente sair por ai, trombeteando termos
pejorativos direcionados a seus parceiros de negócios
Mesmo quando as coisas vão muito mal, costumam aparecer juntos
diante das câmeras distribuindo sorrisos, ainda que forçados

E hoje, dia seis de março, após saber que os artigos mais polêmicos
que foram para uma segunda votação na Comissão da Câmara, dentre
eles a liberação de bebidas alcoólicas nos estádios, e a extinção da meia
entrada para estudantes durante os jogos da Copa, foram aprovados, devendo
ir agora para votação no Senado, o que eu suspeitava parece que vai se concretizar ;

Primeiro, o tal secretário geral "ofende" nossos organizadores que, imediatamente,
se mostram indignados e pedem à FIFA a substituição do mesmo, mostrando assim
uma postura "firme" do Brasil no trato com os integrantes desta Entidade

Telejornais, jornais, revistas e outros meios então, expõem, exaustivamente, a existência deste "desgaste" entre a FIFA e os representantes do governo, representado pela figura do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo. Mas fazem questão de ressaltar que o Brasil, prontamente, contra atacou, colocando Valcke e a Federação Internacional de Futebol, em seus devidos lugares, submetendo-os
à nossa soberania nacional e leis constituídas

Resumindo, querem fazer o povão acreditar que é o Brasil o dono da bola. Porém, nos bastidores, basicamente tudo aquilo que a FIFA queria, conseguiu

Conseguiram passar por cima das leis brasileiras, principalmente em
relação ao Estatuto do Torcedor - e tudo, graças a esta mais
que oportuna cortina de fumaça, estrategicamente criada

Por fim, já podemos ver no placar ;

FIFA 1 x 0 Brasil ...

E tudo leva a crer que este jogo, perderemos de goleada


Marcelo Roque

sexta-feira, 2 de julho de 2010

AOS QUE ESTÃO TRISTES E FRUSTRADOS HOJE POR CAUSA DA COPA - NOS LEMBREMOS DE CERTAS COISAS (CLIQUE AQUI PARA ASSISTIR) (CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)

LEMBREMOS... OU PENSEMOS... "..A BELEZA, A CIÊNCIA E A NATUREZA"(ver imagem aqui)
(frase colocada no vídeo de Glória Kreinz com poesia de Marcelo Roque,em homenagem aos nossos grandes cientistas "JOSÉ REIS" e "CRODOWALDO PAVAN".

UM DE MEUS MAIORES SONHOS, SENÃO O PRINCIPAL DELES,E QUE TALVEZ SEJA O SONHO DE MUITOS DE NÓS,É CHEGAR A VER O POVO BRASILEIRO PENSANDO E SENTINDO "CERTO".

SABENDO QUE A BELEZA, A CIÊNCIA E A NATUREZA ESTÃO EM NOSSAS MÃOS!!
SOMOS DONOS DE NOSSOS CAMINHOS,A AUTONOMIA QUE É O CERNE DA ALMA HUMANA!!
AQUELA QUE DECIDE SOBRE COISAS VITAIS....ENTÃO...DECIDAMOS NÃO BUSCAR A BELEZA SOMENTE NUM JOGO DE FUTEBOL!...temos muito mais a buscar,muito a fazer para sermos
um grande povo...!!!! AGRADEÇO A BELEZA QUE GLÓRIA KREINZ,MARCELO ROQUE E TODOS DO NJR ECA/USP PRODUZIRAM E AINDA PRODUZEM!! NADIA STABILE - 02/07/10

Bookmark and Share

sexta-feira, 11 de junho de 2010

FÜHRER DUNGA FLERTA COM A DERROTA

A Seleção carrancuda de Dunga nos envergonha e dá tiro no pé.

Nossas melhores características sempre foram a cordialidade, a irreverência, o temperamento lúdico.

Somos conhecidos mundialmente pela arte dos nossos boleiros, pela beleza plástica que conseguimos associar ao futebol, fazendo jogadas de sonho como aqueles dois gols que Pelé não marcou no Mundial de 1970 e, no entanto, são até hoje muito mais lembrados do que uma imensidão de tentos sem brilho.
Aí vem um Dunga, mata a fantasia e faz do escrete um exército.

Passa como um trator sobre a tradição de termos os melhores a nos representar, discriminando os talentos imensamente superiores (ao de quem tomou seu lugar) do Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso e Roberto Carlos. A não convocação desses três foi um crime lesa-futebol.

Aí, quando tudo marchava para termos só robozinhos em campo, o serelepe Robinho consegue brilhar mesmo em ambiente tão adverso.

Durante alguns dias, acalentamos a esperança de que haveria pelo menos um representante de nossa escola de jogar bola, um herdeiro de Garrincha em meio aos herdeiros do Dunga jogador.

O que acontece? Por uma ninharia, ter dado uma entrevista à Globo apesar do pacto de rabugice que o Führer obrigou os jogadores a firmarem, Robinho é coagido a expiar seu pecado humilhando-se diante de todo grupo.

O que é isso?! A Seleção virou Tribunal do Santo Ofício, com Dunga no papel de Grande Inquisidor?

Se o futebol de Robinho minguar como minguou o dos meninos do Santos depois de terem recebido uma punição igualmente caxias e desnecessária, não poderemos reclamar. A culpa é nossa, por termos deixado a coisa ir tão longe.

E se o alegre povo africano direcionar suas simpatias a outras Seleções, já que a de Dunga lembra demais a rigidez do apartheid, também não teremos do que nos queixar. Que joguemos sem aplausos, pois não os merecemos.

Enquanto isso, Maradona cria o melhor clima com que um escrete do seu país já disputou uma Copa. Parece ter roubado nosso encanto e mandado a arrogância argentina para nós.

Temo que este novo duelo entre Maradona e Dunga acabe como o de 1990, quando o fora de série deitou e rolou em cima do carregador de piano no lance decisivo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

NEM 'ÓPIO DO POVO', NEM 'PÁTRIA EM CHUTEIRAS'

O Brasil entrará definitivamente no clima de Copa do Mundo quando o técnico Dunga anunciar seus convocados, nesta 3ª feira (11).

Então, é um bom momento para darmos uma recapitulada nos 18 Mundiais de futebol já disputados, com destaque, claro, para os cinco vencidos pelo Brasil.


É o que fiz nos sete artigos da série Recuerdos dos Mundiais, criada para o Congresso em Foco e que está disponível para publicação e/ou repasse:

* AQUI ERA O PAÍS DO FUTEBOL
* 1958: A CONQUISTA DA HONRA
* 1962: O MUNDO AO PÉ DO MANÉ
* 1970: 'APESAR DE VOCÊ', UMA CAMPANHA EXUBERANTE
* 1994: O TETRA CAUTELOSO
* 2002: FELIPÃO ROUBA A CENA
* 2010: RITO DE PASSAGEM OU MAIS DO MESMO?

Agora, inclusive, conta com os vídeos dos melhores lances das finais de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, para matar as saudades.


Trata-se, sobretudo, de um olhar alternativo ao que a mídia geralmente lança sobre o futebol, aparentado com os enfoques de João Saldanha, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Alberto Helena Jr., Sócrates e mais um ou outro que ousou incursionar pelos ângulos sociológicos, políticos, econômicos, psicológicos, épicos e poéticos do esporte das massas.


Mais do que todos, entretanto, quem me mostrou o caminho das pedras foi Norman Mailer, no seu clássico sobre boxe, A Luta (1975). Aprendi com ele que se pode dizer muito sobre nossa sociedade, de forma fascinante, a partir de um grande evento esportivo.


E que, assim, podemos despertar a consciência do homem comum para aspectos que lhe passavam despercebidos, ajudando-o a compreender melhor não só um objeto de paixão, mas também o mundo no qual vive -- primeiro passo para cogitar a possibilidade de o transformar.


Tarefa da qual os elitistas e preconceituosos abdicam, ao reduzirem o futebol a um ópio do povo que não mereceria destaque nos espaços ditos engajados.


E que pode, no outro extremo, servir como antídoto ao rolo compressor da indústria cultural, que tudo faz para insuflar o espírito de
pátria em chuteiras, tão vantajoso para os negócios...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Chuvas no Rio: nem tudo vale a pena - PAULO PIRAMBA (AMIGO CASSIO BRANCALEONE ENVIA)

(Esta mensagem é um informe da APN - Agencia Petroleira de Noticias)



“...o que se espera como resultado do aumento da temperatura média do
planeta, em um futuro cada vez mais presente, são exatamente temporais muito


mais intensos, em duração e amplitude. O mar, além de mais aquecido, estará
em um nível superior ao de hoje, dificultando o escoamento, tanto das águas
pluviais, como dos esgotos, pelo envelhecido sistema de escoamento das


cidades. Ao invés de investir na adaptação do Rio de Janeiro aos problemas
que afligirão a cidade daqui a algumas décadas, as autoridades de todos os
níveis preferem alocar recursos em PACs cosméticos...”





Por Paulo Piramba



Os números realmente impressionam. Em menos de 12 horas choveu na cidade do
Rio de Janeiro, e em parte de sua Região Metropolitana, o equivalente a dois
meses de chuva. Uma média de 270mm, enquanto o índice normal para o mês de


abril é de 140mm. Até o momento em que escrevo, já foram confirmadas pelo
menos 95 mortes.



A causa mais imediata para esse extremo climático de gigantesca proporção é
a combinação de uma frente fria, com o contraste entre o ar polar e o ar


quente tropical, aliado à temperatura do mar, 2ºC mais quente do que o
normal. Além disso, a maré alta contribuiu para que o alagamento das áreas
urbanas do Rio, já muito impermeabilizadas, não escoasse.





Além do triste saldo de mortes, quase todas provocadas por deslizamentos de
encostas, o caos se instalou na cidade. O alagamento das vias impediu a
passagem dos veículos, fazendo com que milhares de pessoas não chegassem em


casa. Muitos dormiram na rua essa noite. Nessa terça-feira, a cidade vive um
feriado forçado, já que escolas, universidades e poder judiciário
suspenderam suas atividades. Mas muitos bancos, lojas e escritórios de


grandes e pequenas empresas também não funcionam, já que seus empregados e
clientes não têm como se locomover. As já normalmente ineficientes empresas
privadas de fornecimento de energia contabilizam milhares de casas sem luz


desde a noite de segunda.



O prefeito do Rio coloca a culpa do colapso da cidade “nas fortes chuvas, na
maré alta, na ocupação irregular das encostas e nas pessoas que insistem em
morar nelas”. Não deixa de alfinetar os “demagogos de plantão” que, segundo


ele, “criticam os reassentamentos de moradores de áreas de risco”. E ainda
dá “nota zero para o preparo da cidade para o temporal”.



Em meio a todo o oba-oba da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no


Rio de Janeiro, os ambientalistas mais críticos – que responsabilizam a
sociedade do consumismo e as suas relações com o meio ambiente, pela
escalada do aquecimento global – insistem que, ao invés de obras de fachada,


fossem incluídas na preparação destes eventos intervenções que começassem a
preparar a cidade para os efeitos que, certamente, as mudanças climáticas
provocarão.



Senão vejamos, o que se espera como resultado do aumento da temperatura


média do planeta, em um futuro cada vez mais presente, são exatamente
temporais muito mais intensos, em duração e amplitude. O mar, além de mais
aquecido, estará em um nível superior ao de hoje, dificultando o escoamento,


tanto das águas pluviais, como dos esgotos, pelo envelhecido sistema de
escoamento das cidades.



Ao invés de investir na adaptação do Rio de Janeiro aos problemas que
afligirão a cidade daqui a algumas décadas, as autoridades de todos os


níveis preferem alocar recursos em PACs cosméticos, que não vão alterar as
precárias condições de habitação da população mais pobre da cidade. Em
intervenções desastradas no ineficiente sistema de transporte público, como


a linha 1A do Metrô. Ou então transferindo a culpa para a natureza ou, o que
é mais revoltante, para as próprias pessoas que moram em locais em
permanente risco e precarização ambiental.



Em décadas de militância nunca vi nenhum morador dessas áreas afirmar que


gosta de morar ali onde está. Nunca vi ninguém expor, por opção própria, sua
família a uma vida sem água, sem esgoto, sem moradia digna e em permanente
risco. O que vi, e continuo vendo, são milhões de pessoas obrigadas a ocupar


estes territórios, por força de uma política econômica que achata salários e
precariza empregos.



São não-cidadãos colocados à margem da sociedade, invisíveis e tratados como
peças de reposição das engrenagens do mercado, para serem usados se e quando


necessário. Pessoas confinadas em guetos, onde o Estado só se faz presente
através da repressão policial, sem saúde e educação. E que, ao invés de
serem alvo de políticas habitacionais que lhes permitam conseguir uma


habitação digna, são alocadas e realocadas de acordo com a vontade da
especulação imobiliária. As casas do PAC racharam com a primeira chuva.
Substituir uma precariedade por outra, não é solução do problema. É troca de


cativeiro.



As autoridades do Rio, além de criminalizarem a pobreza, também vêm
responsabilizando os moradores de comunidades pela degradação ambiental da
cidade. No Rio, muros de confinamento têm sido erguidos sob o álibi de


impedirem que os moradores desmatem as encostas. Mas qualquer levantamento
por satélite mostra que são os condomínios e mansões que estão ocupando as
encostas acima da cota 100, destruindo a Mata Atlântica.





O real objetivo é “limpar” o Rio para que se transforme cada vez mais numa
cidade-espetáculo para os ricos, palco de grandes eventos, como desejam hoje
autoridades e empresários. Não é mais suficiente condenar milhões à


invisibilidade do não-acesso à sociedade do consumo. É necessário varrê-los
para baixo do tapete, escondê-los fisicamente com os tapumes da Linha
Vermelha, expulsá-los para o mais longe possível, para que as áreas onde


eles hoje estão sejam “revitalizadas”, como se lá nessas comunidades não
houvesse vida.



Ao longo da história, as cidades vêm perdendo sua referência territorial por
conta e obra das exigências dos mercados. Ocupar áreas de mangue aterradas


ou de várzea, e depois lamentar as inundações tornou-se freqüente.
Incentivar o consumo desenfreado, e depois não saber onde colocar o lixo,
também. Permitir que as indústrias utilizem e poluam a maior parte da água


potável, e depois sofrer com a sua escassez vai se tornando uma norma.



Vivemos em um planeta à beira de uma ameaça que pode colocar em risco a
sobrevivência das espécies, entre elas, a humana. O sistema que polui águas,


solos e ar, que vem dilapidando as riquezas naturais e causando uma
devastação ambiental dramática, tem a capacidade de destruir também o
equilíbrio do clima. Tudo isso pela utilização de modos de produzir e
combustíveis que agridem a natureza. Têm valido a pena?





* Paulo Piramba, 55 anos, é membro da Rede Ecossocialista Internacional e do
Instituto Búzios.



Fonte: Agência Petroleira de Notícias


Cassio Brancaleone
Sociólogo andante

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AQUI ERA O PAÍS DO FUTEBOL

“Brasil está vazio na tarde de domingo, né?
olha o sambão, aqui é o país do futebol
No fundo desse país
ao longo das avenidas
nos campos de terra e grama
Brasil só é futebol

(Milton Nascimento/Fernando Brant)
Já vão longe os tempos em que, como dizia o tema do filme Tostão, a Fera de Ouro, as ruas do Brasil ficavam vazias (como a av. Atlântica nesta foto do dia da decisão do Mundial de 1950) e os estádios lotados nas tardes de domingo.

Os motivos vão desde a violência das torcidas até a disponibilização de muitas outras opções de entretenimento, passando pelo agravamento da luta pela sobrevivência.

Mas, para aqueles que realmente amam o futebol, o principal motivo é outro: já não existe espetáculo. A tônica passou a ser muita transpiração e quase nenhuma inspiração.

Na fase de ouro do futebol brasileiro, nossos grandes craques exibiam aqui mesmo seu talento, preferindo ser bem pagos em casa do que magnificamente pagos no exterior.

Um ou outro, como Didi, se deixava seduzir pelo canto das sereias. Mas, tínhamos Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Gerson, Tostão, Rivelino e outros que tais enchendo nossos olhos nas tardes de domingo.

De 1970 para cá, entretanto, o futebol foi se tornando, cada vez mais, mercadoria. E os interesses econômicos impuseram sua lógica perversa, a mesma que outrora relegava o Brasil à condição de exportador de café e importador de produtos industrializados.

Com a famigerada Lei Pelé (rendição incondicional ao maior poder de fogo dos grandes clubes estrangeiros), o Brasil hoje não consegue segurar suas revelações nem por uma temporada completa. São vendidas mal começam a desabrochar.

Então, os grandes clubes brasileiros hoje montam seus times com maioria de jogadores limitados e alguns craques veteranos que retornam do exterior após terem virado bagaços, mais os meninos saídos das categorias de base e que são colocados na vitrine para atraírem compradores.

Alguns desses bagaços ainda conseguem ter algo próximo a um canto do cisne, como o Ronaldo (que o humorista José Simão apelidou de Ronalducho...).

Mas, isto se dá apenas porque os raros lampejos de seu brilho de outrora são suficientes para os destacarem dos cabeças-de-bagre e carregadores de piano que com eles dividem a cena.

Fornecemos a matéria-prima futebolística que será processada lá fora e depois pagamos às redes estrangeiras para receber as imagens do verdadeiro futebol brasileiro: aquele que Ronaldinho Gaúcho e Alexandre Pato jogam na Itália, Kaká e Luís Fabiano na Espanha, etc.

De quebra, fica esse péssimo exemplo dado aos brasileiros: o dinheiro compra tudo.

O penúltimo craque que se dispôs a abrir mão de uma oferta mirabolante em nome de valores mais nobres foi Sócrates, em 1984: durante um comício das diretas-já no Anhangabaú (SP), o doutor comprometeu-se publicamente a, caso fosse aprovada a emenda Dante de Oliveira, recusar a proposta da Fiorentina e permanecer no Brasil para contribuir na redemocratização.

A infâmia dos parlamentares não só nos privou de uma saída da ditadura pela porta da frente, como encerrou a grande fase de um dos nossos supercraques e, sem dúvida, o melhor cidadão que o futebol brasileiro já projetou.

E temos o caso mais recente de Adriano, que preferiu o calor de sua gente à frieza da moeda (mas, como a história só se repete em farsa, ele já parece disposto a refazer sua opção...).

Exceções à parte, a regra é de que o homo ethicus e o homo ludicus não têm mais lugar em nossa terra arrasada. Predomina de forma avassaladora o homo economicus.

Então, teremos nossa noite de Cinderela durante a Copa, mas a carruagem vai virar abóbora logo em seguida, no Brasileirão – pois, persistindo as tendências atuais, o de 2010 será tão ruim quanto o de 2009, provavelmente o mais nivelado por baixo de todos os tempos.

LEVEZA ARTÍSTICA x CARRANCA BELICOSA

Daqui a alguns meses a pátria estará novamente de chuteiras, o asfalto e calçadas com desenhos dos símbolos nacionais (alguns rebuscados, outros singelamente imperfeitos), as bandeiras tremulando nas janelas das casas e dos carros.

Mas, essas febres de sociedade consumista me assustam. Como disse o grande Raulzito, "mas que sujeito chato sou eu/ que não acha nada engraçado".

Um acontecimento, um único acontecimento, monopolizando todas as atenções durante certo período!

Como os obesos se empanturram de comida, a sociedade se empanturra de um drama qualquer. Consumo compulsivo, pantagruélico. Doentio, em suma.

Depois, sobrevém a saturação de quem absorveu uma dose cavalar de mesmice: ninguém aguenta mais falar sobre aquilo.

Só que logo surge qualquer outro episódio e deflagra o mesmo processo.

E todos são arrastados pela nova onda, como o foram por todas as anteriores e o serão pelas posteriores: zumbis do sistema.

É tudo forçado, inautêntico.

Parece-me que o homem-massa curte até aquilo de que não gosta por medo de ser colocado à parte do rebanho.

Em suma, ainda parafraseando o maluco beleza: eu acho tudo isso um saco.

Ou pior ainda, um tanto quanto perigoso. Vêm-me à lembrança aquelas grandes manifestações de culto a Hitler e Mussolini.

Mas, não é disto que quero falar, mas do antes. Pois, houve um antes:
  • antes que sobreviessem a padronização, a domesticação e a banalização;
  • antes que o capitalismo transformasse ouro em excremento, como faz com tudo;
  • antes que os esquemas rígidos restringissem a fantasia e a criatividade do futebol;
  • antes que a competitividade substituísse a leveza artística pela carranca belicosa;
  • antes que os torcedores virassem meros coadjuvantes do espetáculo que passou a priorizar telespectadores, marketing e merchandising...
Antes de tudo isso, foram escritas no futebol páginas bonitas de nossa gente.

É delas que falarei a partir da próxima semana, começando pela primeira da qual tenho remota lembrança: a Copa do Mundo de 1958.

Obs.: artigo inicial da série CELSO LUNGARETTI / RECUERDOS DOS MUNDIAIS, que começou a ser publicada neste domingo no Congresso em Foco e será sempre disponibilizada na 2ª feira para todos os que também a quiserem publicar ou repassar.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...