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sábado, 12 de janeiro de 2019

Vou-me Embora pra Pasárgada


https://www.youtube.com/watch?v=-wtCdCInwiY


Publicado em 2 de mar de 2011
INSCREVER-SE 316

Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconseqüente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d'água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcalóide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Terei a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada. manuel bandeira (Extraido do documentario de Joaquim Pedro de Andrade, 1959)


INÍCIO 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Lembrem de mim - Leminski








Lembrem de mim

lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça.


Marginal é quem escreve à margem,
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe tudo claro à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha.



quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência.



um dia
a gente ia ser homero
a obra nada menos que uma ilíada

depois
a barra pesando
dava pra ser aí um rimbaud
um ungaretti um fernando pessoa qualquer
um lorca um éluard um ginsberg

por fim
acabamos o pequeno poeta de província
que sempre fomos
por trás de tantas máscaras
que o tempo tratou como a flores


 uma carta uma brasa através
por dentro do texto
nuvem cheia da minha chuva
cruza o deserto por mim
a montanha caminha
o mar entre os dois
uma sílaba um soluço
um sim um não um ai
sinais dizendo nós
quando não estamos mais


 http://www.vidaempoesia.com.br/pauloleminski.htm




sábado, 4 de fevereiro de 2017

Augusto Boal - Jornal "O Trambique" - foto de Diego Lameira e poema de Claudio Wayne




Augusto Boal 
 
Boal contou certa vez que o golpista General Costa e Silva usava óculos – sempre escuros – para não comer a sua farda (verde oliva). Também, quando a aeromoça anunciou que o avião estava sobrevoando o Brasil, a dez mil metros ele teria dito: “Eu sabia que o Brasil era grande, mas não tão alto.” Os golpistas de hoje não precisam de óculos, tampouco sobrevoar o Brasil. São civis. Em comum, golpistas e trogloditas.

http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/aug usto-boal/augusto-boal-uma-trajetoria-revivida/  

https://pt.wikipedia.org/wiki/Augusto_Boal 


Augusto Boal - Hamlet e o filho do padeiro – memórias imaginadas – página 28:

“... Dizem, testemunhos familiares que José Augusto ainda teve tempo de murmurar: “Eu vou pro Brasil, ganho dinheiro e venho te buscar. Tu me esperas. Vamos nos casar! - Sim, senhor! Teria respondido minha mãe, intimidada ou fascinada, morta de medo e espanto. Vendo aquele olhar intenso, de parte a parte, tive a certeza de que, cedo ou tarde, eu nasceria. Com todo aquele amor nos olhos era inevitável: eu tinha que nascer”  



Fotografia de Diego Lameira - "Andar e Andar" - Bagé- RS

Poema de Claudio Wayne





*jornal "O Trambique" - por Otávio Martins Amaral - edição de fevereiro 2017
 

INÍCIO 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

BOCAGE, SEU EPITÁFIO E OS NÔMADES DIGITAIS


Quem sabe se Bocage vivesse nos dias de hoje, seria um nômade digital viajando pelo mundo...
Parece que os nômades digitais tem muito o que aprender com Bocage, demorariam muito para chegarem ao nível dele!...
*veja as páginas 13, 14 e 15 deste PDF a seguir:

http://nomadesdigitais.com/grupofechado/11-coisas-que-voce-precisa-saber-para-ganhar-dinheiro-e-viajar-o-mundo-ao-mesmo-tempo.pdf


*via matéria :  http://nomadesdigitais.com/10-cidades-incriveis-pelo-mundo-para-quem-quer-ser-um-nomade-digital/?origem=hypeness
 
Bocage



Lá quando em mim perder a humanidade

Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
Que engrole sub-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou a vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu, sem ter dinheiro."


http://www.jornaldepoesia.jor.br/@boca13.html


Bocage - poeta português - Biografia
http://www.e-biografias.net/bocage/

Bocage (1765-1805) foi poeta português. O mais importante poeta português do século XVIII. O grande poeta do Arcadismo de Portugal. Sua poesia individualista e pessoal já era uma antecipação do que seria a poesia romântica do século XIX.
Bocage (1765-1805) nasceu em Setúbal, Portugal, no dia 15 de setembro de 1765. Filho de José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora e ouvidor, e de Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, descendente de família da Normandia, região histórica do noroeste da frança.
Com 14 anos de idade, assentou praça na Marinha. Em 1786 esteve no Brasil. Nesse mesmo ano viajou para o Oriente, permanecendo na Índia como guarda-marinha. Desertou da Marinha e passou a viver uma vida errante e boêmia.

Em 1790, voltou à Lisboa. Iniciou sua atividade literária, seguindo a moda do Arcadismo, escrevendo poesias que falam de pastores, pastoras e ovelhas, observa-se também a utilização da mitologia clássica. O próprio nome do movimento, foi tirado de Arcádia, região da Grécia onde, segundo a mitologia, pastores e pastoras levavam uma vida inocente e feliz, em contato com a natureza.
Bocage chegou a participar de uma espécie de associação de poetas chamada Nova Arcádia, com o pseudônimo de Elmano Sadino. Com o tempo abandonou a poesia artificial e começou a falar do seu mundo interior, de seus dramas amorosos e existenciais, numa linguagem que encontrou grande receptividade entre os leitores daquela época e dos séculos seguintes, sendo o poeta mais lido em Portugal.
Sua obra é muitas vezes classificada de transitória. Surgiu no momento marcado por grandes transformações na Europa, decorrente da Revolução Francesa e do florescimento do Romantismo. Sua poesia individualista pessoal já era uma antecipação do que seria a poesia romântica do século XIX. Bocage é um dos maiores sonetistas líricos da literatura portuguesa, junto com Camões e Antero de Quental. Escreveu todos os gêneros literários de seu tempo: idílios, odes, canções, epístolas e fábulas.
Acusado de satirizar o clero e a nobreza, foi processado e preso pela inquisição.  Deixou fama de poeta satírico e, com o tempo, seu nome tornou-se sinônimo de contador de histórias picantes e obscenas. Durante o período que esteve preso, passou traduzindo autores franceses e latinos.Manuel Maria Barbosa du Bocage faleceu em Lisboa, Portugal, no dia 21 de dezembro de 1805.

Obras de Bocage

Cantiga à Morte de D. Inêz de Castro
O Triunfo da Religião
A Virtude Laureada
A Pavorosa Ilusão
Elegia
Mágoas Amorosas de Elmano
Improvisos de Bocage
Convite à Marília
À Puríssima Conceição de Nossa Senhora
À Morte de Leandro e Hero
Queixumes do Pastor Elmano Contra a Falsidade da Pastora Urselina


Informações biográficas de Bocage:
Data do Nascimento: 15/09/1765
Data da Morte: 21/12/1805
Morreu aos: 40 anos

REPRISE, PESSOA E SHAKESPEARE

 "Cumprir o que somos" como Fernando Pessoa (Ricardo Reis) diz no poema abaixo, cumprir nosso destino, nunca foi fácil nem rápido, muitos com 70 anos ou mais, ainda estarão a lutar pra tentar cumprir o que não puderam tentar antes.

 Nadia Gal Stabile - 14 09 2015 


 *detalhe de um ciber grafite - nadia gal stabile, que consta do link a seguir:
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2015/09/ciber-grafites-madrugada-de-13-09-2015.html



*Ricardo Reis (Fernando Pessoa) - "Cada um"-14 01 2009 - postado por Vania Gondim
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2009/01/ricardo-reis.html

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

FRIDA KAHLO - POEMA DE CONCHA ROUSIA

https://www.youtube.com/watch?v=tu4st9b1ZpU






Enviado em 18 de jun de 2009
INTERPRETAÇÃO LIVRE DE POEMA ,COM AUTORIA DE CONCHA ROUSIA, 
POETA GALEGA.
IMAGENS DE RETRATOS E OBRAS DE FRIDA KAHLO, ARTISTA PLÁSTICA MEXICANA.
MÚSICA DE ERNESTO NAZARETH
EDIÇÃO /VÍDEO DE NADIA STABILE
IMAGENS DO GOOGLE
JUNHO DE 2009 - MÉXICO - GALIZA - BRASIL

SITE DA POETA :  

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O MÍNIMO POEMA - RONALDO FRANCO


O mínimo poema
ali
rimado em cores
amores
flores
em dores...
Estamos cegos para a importância
do mínimo???


Ronaldo Franco



* "roubatilhado" (e sem aviso prévio) 
do mural de Ronaldo Franco, via mural do Facebook. Ronaldo Franco é grande amigo poeta, de Belém do Pará, e que teve grande "culpa" (risos) na criação deste blog Sarau Para Todos em setembro de 2008, lá nos tempos de Orkut.

("roubatilhar" foi verbo muito usado no Facebook há uns 3 ou 4 anos.
Eu nunca usei, escrevo hoje isto pela primeira vez, (risos)) Tenho problemas em assimilar gírias, um grande defeito mesmo!

Nadia Gal Stabile - 11 06 2015

 

terça-feira, 9 de junho de 2015

Quando ela trespassar a sibilina bruma - Samuel da Costa




Quando ela trespassar a sibilina bruma

Para a negra Valquíria


És tu a musa sagrada...
Que vagueia...
Em meus sonhos mais ignotos.
Habita o meu quimérico vergal.
Incendeia o meu estro!
Por fim
***
Mas o que será de mim?
Quando irromperes a outonal neblina?
O que será de mim?
Quando tu traspassar a sibilina bruma!
Para me dizer que amas a outro!
***
Nessa extrema saio de mim...
Sinto o eflúvio inebriante!
Que exala da charneca em flor...
E entorpece os meus sentidos...
Tira-me do chão!
Eleva-me ao cosmo infindo!
***
O que será de mim?
Quando não puder ver-te de novo!
O que será de mim?
Quando tu trespassar a nevoenta noite?
Só para me dizer a verdade!
O que será de mim?
Quando disseres que amas a outro!
 

Samuel da Costa


*via jornal eletrônico "Deixa que eu chuto" 
- 3º edição de Otávio Martins Amaral

terça-feira, 19 de maio de 2015

RUBEM ALVES, VINICIUS DE MORAES E O LIVRO SOBRE A ESCOLA DA PONTE


(...)
 De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela. (...)


* Trecho do poema de Vinicius de Moraes - "O operário em construção"

 http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/o-operario-em-construcao


*poema reencontrado na página 30 do livro de Rubem Alves :

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO, RUBEM ALVES E A ESCOLA DA PONTE EM PORTUGAL





     
     

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Brecht - Perguntas de um operário que lê

http://www.culturabrasil.org/brechtantologia.htm#Os%20maus%20e%20os%20bons


Perguntas De Um Operário Que Lê.

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas










segunda-feira, 26 de maio de 2014

O que mais dói - Patativa do Assaré



O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.

Fonte : http://www.luizberto.com/repentes-motes-e-glosas/quatro-poemas-de-patativa-do-assare-2
Imagem: escultura de Miró - "Mulher" 

domingo, 11 de maio de 2014

Algodão doce (para as mães) poema de Marcelo Roque



Algodão Doce

Era como se ela soubesse
o segredo de todas as coisas;
- contava onde faziam ninhos os aviões;
revelava o fio invisível que acendia os vagalumes;
falava quantas estrelas cabiam no céu;
e quais eram os sabores das nuvens

Porém, agora, depois de crescido,
não mais imagino o tamanho do ovo do avião.
Não temo tomar choque de vagalumes
e nem conto estrelas quando olho para o céu.
Mas, por você existir em minha vida, mãe,
o sabor das nuvens,
jamais sairá de minha boca...

Marcelo Roque

terça-feira, 22 de abril de 2014

Luto - poema de Marcelo Roque


Luto

Viver preso a conceitos;
não saber desistir das coisas
quando estas já se esgotaram;
insistir em velhos erros
ao invés de tentar os novos.
Guardar os sonhos
na mesma gaveta das contas a pagar
Beijar a esposa antes de sair
como se fosse infalível a volta.
Plantar segundas-feiras
esperando colher feriados.
Viver assim é como passar toda a vida
participando do próprio velório

Marcelo Roque

domingo, 20 de abril de 2014

Gabriel Garcia Márquez

Gabriel José García Márquez (Aracataca, 6 de março de 1927 — Cidade do México, 17 de abril de 2014)

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja. Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia. Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre." Gabriel García Marquez
Fonte :  http://pensador.uol.com.br/gabriel_garcia_marquez_poemas/

Presentes - Marcelo Roque




Se eu pudesse lhe dar coisas que não posso
daria-lhe duas segundas-feiras na semana
para valorizar seus domingos;
daria- lhe um instante de fúria
para que perceba sua força
e as sensações de um náufrago
para que não esqueça seu tamanho
Daria-lhe o esqueleto de uma árvore no quintal
para que compreenda a primavera,
um filho na praia para animar-se com o verão,
roupas velhas no armário para que deseje o outono
e picadas de pernilongo para que não duvide do inverno
Daria-lhe um amigo que lhe traísse
para deparar-se com as mazelas humanas
e um inimigo que fosse justo
para encher-lhe de esperanças

Se eu pudesse lhe dar coisas que não posso
daria-lhe um tanto de frustrações
para que repense sua vida
e um punhado de glórias
para premiar suas escolhas
Daria-lhe alegrias para exercitar sua confiança
e alguns dias tristes para descansar seu sorriso

Se eu pudesse lhe dar coisas que não posso
daria- lhe um amor impossível
para que aprenda a nada possuir
e um amor possível para lhe possuir por completo
Daria- lhe tudo para que nada lhe bastasse
e não daria-lhe nada, enfim... para que tudo desejasse


Marcelo Roque

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

MUSA - MARCELO ROQUE



Musa

Quero iluminar teus dias,
amanhecer-te envolta em versos
Ao pender de cada palavra
entardecer-te suavemente
E assim então, adormecer-te,
sob a sombra d'um poema

Marcelo Roque

Comunidade- http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=13358263

Http://recantodasletras.com.br/autores/marceloroque

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ETERNO OFÍCIO - MARCELO ROQUE

Eterno Ofício

Está o poeta, definitivamente,
condenado ao seu ofício, pois,
por vezes, mesmo a ausência do seu poema
se faz tão eloquente quanto o próprio

Marcelo Roque
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