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sexta-feira, 16 de maio de 2014
POR ONDE ANDA A BIOÉTICA?
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
Reich, Fromm e Marcuse - Perversões
Sobre a Crítica da
Perversão Social em
Reich, Fromm e Marcuse
CARLOS AUGUSTO PEIXOTO JUNIOR
Para ler na íntegra clique no link:
http://www.scielo.br/pdf/physis/v8n1/06.pdf
CARLOS AUGUSTO PEIXOTO JUNIOR
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domingo, 29 de janeiro de 2012
quarta-feira, 14 de abril de 2010
ISRAEL PODE EXPULSAR BRASILEIROS DA CISJORDÂNIA
Os ocupantes permitem que a Autoridade Palestina administre alguns bolsões da Cisjordânia. Assim como os nazistas permitiram que Pétain administrasse Vichy.
Estão construindo um muro de separação com 700 km de comprimento, para consolidar a anexação de parte significativa da Cisjordânia Ocidental. Com isto, isolaram 160 mil famílias palestinas.
E já demoliram mais de 20 mil casas das raças inferiores.
Nesta 3ª feira (13) entrou em vigor um decreto do Exército israelense, ampliando os poderes dos comandantes militares da região para expulsar pessoas que não tenham a documentação por eles considerada indispensável.
Ou seja, o ocupante decide quem pode ou não ficar. Os indesejáveis estão sujeitos a serem escorraçados da noite para o dia.
Antes, a possibilidade de expulsão era limitada a imigrantes clandestinos - os coitadezas que iam para lá ganhar a vida. Se originários de países que Israel considera inimigos, fora!
Não havia necessidade de nenhum índicio de que pudessem vir a cometer atos hostis aos israelenses.
Exatamente como os nazistas procediam com os judeus, considerando-os inapelavelmente culpados e puníveis, pouco importando os procedimentos concretos de cada um.
Agora ficou ainda pior. O novo decreto amplia o universo dos candidatos à expulsão sumária, passando a incluir pessoas que “se encontram na região e não possuem autorização de acordo com a lei”, segundo notícia da agência noticiosa britânica BBC:
Assim, 10 organizações de direitos humanos israelenses escreveram ao ministro da Defesa Ehud Barak, pedindo o cancelamento do novo decreto, já que ele “é ilegal e permite que se prejudique de maneira extrema e arbitrária um grande número de pessoas”.
Como seu protesto cairá no vazio, não cabe sequer dizermos que nem tudo está perdido.
Apenas, que nem todos estão perdidos.
Nesta 3ª feira (13) entrou em vigor um decreto do Exército israelense, ampliando os poderes dos comandantes militares da região para expulsar pessoas que não tenham a documentação por eles considerada indispensável.
Ou seja, o ocupante decide quem pode ou não ficar. Os indesejáveis estão sujeitos a serem escorraçados da noite para o dia.
Antes, a possibilidade de expulsão era limitada a imigrantes clandestinos - os coitadezas que iam para lá ganhar a vida. Se originários de países que Israel considera inimigos, fora!
Não havia necessidade de nenhum índicio de que pudessem vir a cometer atos hostis aos israelenses.
Exatamente como os nazistas procediam com os judeus, considerando-os inapelavelmente culpados e puníveis, pouco importando os procedimentos concretos de cada um.
Agora ficou ainda pior. O novo decreto amplia o universo dos candidatos à expulsão sumária, passando a incluir pessoas que “se encontram na região e não possuem autorização de acordo com a lei”, segundo notícia da agência noticiosa britânica BBC:
"...na Cisjordânia moram dezenas de milhares de pessoas que poderiam ser enquadradas na nova definição de 'infiltrados', inclusive cônjuges e parentes estrangeiros de palestinos locais, que entraram legalmente na região mas cujos vistos expiraram".A ameaça paira também sobre nossos compatriotas:
"Estima-se que entre 4 e 5 mil cidadãos brasileiros morem na região - muitos deles são mulheres brasileiras casadas com palestinos, que vivem há anos na Cisjordânia e podem ser enquadradas no novo decreto, correndo o risco de prisão e expulsão".Finalmente, vale ressalvarmos que não há só falcões em Israel; ainda existe quem resista à desumanização, dignos herdeiros e depositários dos ideais que os melhores judeus professam há milênios.
Assim, 10 organizações de direitos humanos israelenses escreveram ao ministro da Defesa Ehud Barak, pedindo o cancelamento do novo decreto, já que ele “é ilegal e permite que se prejudique de maneira extrema e arbitrária um grande número de pessoas”.
Como seu protesto cairá no vazio, não cabe sequer dizermos que nem tudo está perdido.
Apenas, que nem todos estão perdidos.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A GRANDE CIENTISTA LISE MEITNER SOFREU IMENSA INJUSTIÇA,O NAZISMO E A TRAIÇÃO DE SEUS COMPANHEIROS DE TRABALHO!
Lise Meitner e Otto Hahn
Lise Meitner (Viena, 17 de novembro de 1878 — Cambridge, 27 de outubro de 1968) foi uma física austríaca que estudou radioatividade e física nuclear, tendo sido a descobridora da fissão nuclear.
Foi a terceira de oito filhos de uma família judaica. Entrou na Universidade de Viena em 1901 onde foi aluna de Ludwig Boltzmann. Após o doutoramento partiu para Berlim, em 1907, para estudar com Max Planck e o químico Otto Hahn. Trabalhou com Hahn durante trinta anos, cada um dirigindo um departamento do Instituto Kaiser Wilhelm de Berlim. Hahn e Meitner colaboraram entre si no estudo da radioatividade, ela com seu conhecimento de física e ele com com seu conhecimento de química.
Em 1918, descobriram o elemento protactínio. Em 1923, Lise descobriu a transição não radioativa que passou a ser conhecida por efeito Auger, em honra a Pierre Auger, um cientista francês que descobriu independentemente o efeito, dois anos mais tarde.
Quando a Áustria foi anexada pela Alemanha em 1938, Meitner se viu forçada a fugir da Alemanha para a Suécia (via Países Baixos e Dinamarca), onde continuou seu trabalho no Instituto Manne Siegbahn em Estocolmo, porém com poucos recursos em parte devido ao preconceito de Siegbahn contra mulheres na ciência. Hahn e Strassmann deram continuidade ao trabalho iniciado anteriormente com Meitner. Hahn escrevia para Meitner descrevendo os resultados, e mais tarde encontraram-se clandestinamente em Copenhague, em novembro, para planejar uma nova rodada de experiências. As experiências químicas da evidência da fissão nuclear foram desenvolvidas no laboratório de Hahn em Berlim e publicadas em janeiro de 1939. Em fevereito do mesmo ano, Meitner publicou através de uma carta à Revista Nature, junto com seu sobrinho Otto Frisch, quando esteve visitando-o na Dinamarca, a explicação física sobre o processo que denominou de fissão nuclear. Meitner provou que a divisão do átomo de Urânio (em átomos de Bário e Criptônio) libera energia, que por sua vez causa fissão em mais átomos liberando neutrões e assim sucessivamente, dando origem a uma série de fissões nucleares com liberação contínua de energia, num processo denominado reação em cadeia. Meitner reconheceu o potencial explosivo desse processo. Imediatamente esses resultados foram confirmados no mundo inteiro. Tal descoberta fez com que outros cientistas se juntassem para convencer Albert Einstein a escrever uma carta ao Presidente Franklin D. Roosevelt, alertando-o quanto aos perigos do Projeto Manhattan.
Em 1944, Hahn recebeu o Prêmio Nobel de Química por sua pesquisa em fissão nuclear. Meitner foi ignorada pelo comitê (Siegmann fazia parte do comitê), principalmente porque Hanh não mencionou sua participaçao na pesquisa desde que ela deixou a Alemanha; muito pelo contrário, ele afirmou que seus experimentos químicos foram unicamente responsáveis por tal descoberta. Ajudantes de Meitner exigiram que fosse reconhecido que ela foi a primeira a provar através de seus cálculos a fissão nuclear. Contudo nao foi possível fornecer tal evidência para ajudá-la.
O erro cometido do Nobel nunca foi reconhecido, mas parcialmente retificado em 1966, quando Hahn, Meitner e Fritz Strassmann receberam o Prêmio Enrico Fermi.
Em visita aos EUA em 1946, Meitner foi tratada como celebridade pela imprensa estado-unidense, como uma pessoa que "deixou a Alemanha com a bomba na bolsa". Meitner foi eleita a "Mulher do Ano" pelo National Women’s Press Club (EUA) em 1946, e em 1949 recebeu a medalha Max Planck da Sociedade Alemã de Físicos.
O elemento 109, o mais pesado do universo, foi nomeado "meitnério" (Mt) em sua homenagem pela IUPAC. Muitas pessoas consideram Lise Meitner a "mulher mais importante na ciência do século XX".
[editar] Religião e ética
Apesar de ter sido originária e ter crescido em uma família judaica, Meitner tornou-se luterana ainda quando jovem e assim permaneceu pelo resto de sua vida. Ela não se considerava judia. Contudo, isso não impediu que não fosse perseguida pelo Regime Nazista. Ainda assim fazia objeções ao ser identificada como judia depois da guerra.[editar] Relações no Trabalho
Hans Hermann Hupfeld trabalhou no Kaiser Wilhelm Institut, Berlin Dahlem, de 1929 até 1932 com o Prof. Otto Hahn e a Profa. Lise Meitner. Sua pesquisa durante esse período resultou na descoberta do efeito efeito Meitner–Hupfeld, que acabou fazendo parte da base de pesquisas que evoluiu para o Modelo padrão. O Prof. Hupfeld é normalmente ignorado em relatos sobre a vida e obra da Profa. Meitner apesar de seu trabalho conjunto.[editar] Ligações externas
sexta-feira, 26 de junho de 2009
UOL-Notícia Internacional
26/06/2009
Pesquisador revela crueldade de algo menos conhecido do terror nazista: os bordéis de prisioneiras
Mareike Fallet e Simone Kaiser
Der Spiegel
Os prostíbulos dos campos de concentração continuam sendo um capítulo resguardado dos horrores da era nazista. Agora, um pesquisador alemão estudou o assunto sombrio e revelou a crueldade meticulosa dos assim chamados "alojamentos especiais".
Chutando-as de botas, o soldado da SS tirou Margarete W. e outras prisioneiras do trem e levou-as para um caminhão. "Levantem a lona. Todo mundo para dentro", gritou. Pela janela de plástico da lateral da lona ela observou quando entraram em um campo masculino e pararam na frente de um dormitório com uma cerca de madeira.
As mulheres foram levadas para uma sala mobiliada. O alojamento era diferente daqueles que Margarete W., então com 25 anos, conhecia de seu tempo no campo de concentração feminino de Ravensbrück. Havia mesas, cadeiras, bancos, janelas e até cortinas. A supervisora informou às recém-chegadas que agora estavam em um "bordel de prisioneiros". Elas viveriam bem ali, disse a mulher, com boa comida e bebida e, se fossem obedientes, nada aconteceria elas. Então, cada mulher foi enviada a um quarto. Margaret mudou-se para o número 13.
O bordel de prisioneiras do campo de concentração de Buchenwald começou a operar no dia 11 de junho de 1943. Foi o quarto de um total de 10, chamados "alojamentos especiais" erguidos em campos de concentração entre 1942 e 1945, a partir de instruções de Heinrich Himmler, diretor da SS. Ele implementou um esquema de recompensas nos campos, pelo qual as "realizações particulares" dos prisioneiros lhes garantiam menor carga de trabalho, alimento extra ou bônus financeiros.
Himmler também considerou benéfico "fornecer aos prisioneiros trabalhadores mulheres em prostíbulos", como escreveu no dia 23 de março de 1942 para Oswald Pohl, oficial da SS encarregado dos campos de concentração. A visão cínica de Himmler era que as visitas aos bordéis aumentariam a produtividade dos trabalhadores forçados nas fábricas de munição e pedreiras.
"Especialmente pérfido"
Ainda é um aspecto menos conhecido do terror nazista que Sachsenhausen, Dachau e até Auschwitz incluíam bordéis e que prisioneiras de campo de concentração foram forçadas à prostituição. O acadêmico de Berlim Robert Sommer, 34, estudou arquivos e memoriais de campos de concentração no mundo todo e fez diversas entrevistas com testemunhas históricas nos últimos nove anos. Seu estudo, que será publicado neste mês, fornece a primeira pesquisa ampla e científica desta "forma especialmente pérfida de violência nos campos de concentração". Sua pesquisa serviu de base para a mostra viajante "Bordéis de campos - o sexo forçado nos campos de concentração nazistas", que viajará por diversos memoriais no ano que vem.
Sommer fornece inúmeras evidências para combater a lenda que os nazistas proibiam resolutamente e lutaram contra a prostituição. De fato, o regime tinha uma fiscalização total da prostituição, tanto na Alemanha quanto nos territórios ocupados -especialmente depois do início da guerra. A rede ampla de bordéis controlados pelo Estado cobriu metade da Europa, e consistia de "bordéis civis e militares assim como os de trabalhadores forçados e ao mesmo tempo eram parte dos campos de concentração", segundo Sommer.
A combatente da resistência austríaca Antônia Bruha, que sobreviveu ao campo de Ravensbrück, informou anos atrás que: "As mais bonitas iam para o bordel da SS, as menos bonitas para o dos soldados".
O resto terminava no bordel do campo de concentração. No campo de Mauthausen, na Áustria, nos dez pequenos quartos do "Alojamento 1", o primeiro bordel de campo começou suas operações com janelas fechadas em junho de 1942. Naquela altura, havia cerca de 5.500 prisioneiros do campo de trabalho forçado de Mauthausen, quebrando granito para as construções nazistas. No final de 1944, mais de 70.000 trabalhadores forçados moravam no complexo do campo.
A SS tinha recrutado dez mulheres para Mauthausen, seguindo as instruções da agência de segurança do governo para erguer bordéis nos campos de trabalho forçado. Isso significava entre 300 a 500 homens por prostituta.
Cerca de 200 mulheres compartilharam o destino dos prisioneiros de Mauthausen nos bordéis do campo. Prisioneiras saudáveis e de boa aparência de 17 e 35 atraíam atenção dos recrutadores da SS. Mais de 60% delas eram alemãs, mas polonesas, soviéticas e uma holandesa foram transferidas para "a força-tarefa especial". Os nazistas não permitiam mulheres judias por razões de "higiene racial". Primeiro, as mulheres eram enviadas para o hospital do campo, onde recebiam injeções de cálcio, banhos desinfetantes, alimentos e um banho de luz.
De 300 a 500 homens por prostituta
Perto de 70% das trabalhadoras forçadas à prostituição tinham sido presas originalmente por serem "antissociais". Nos campos, as mulheres eram marcadas com um triângulo preto. Dentre elas, havia ex-prostitutas, cuja presença supostamente garantia a administração "profissional" dos bordéis dos campos, especialmente no início. Era muito fácil para uma mulher ser considerada "antissocial", bastava, por exemplo, não cumprir as instruções de trabalho.
Até que ponto as mulheres se voluntariaram para essas "forças-tarefas especiais" não se sabe. Robert Sommer cita a combatente da resistência espanhola Lola Casadell, que foi levada a Ravensbrück em 1944. Ela disse que a diretora do seu alojamento ameaçou: "Quem quiser ir para um prostíbulo deve ir para o meu quarto. Advirto, se não houver voluntárias, vamos pegar vocês à força."
O testemunho de Antonia Bruha, forçada a trabalhar na área do hospital do campo de concentração, lembra de mulheres "que vieram voluntariamente, porque foram informadas que depois seriam liberadas". Essa promessa foi rejeitada por Himmler, que reclamou que "alguns lunáticos no campo de concentração feminino, ao selecionarem as prostitutas para os bordéis, disseram às prisioneiras que aquelas que se voluntariassem seriam liberadas depois de seis meses."
A última esperança de sobrevivência
Para muitas das mulheres vivendo sob ameaça de morte, contudo, servir em um bordel era a última esperança de sobrevivência. "A principal coisa era escapar do inferno de Bergen-Belsen e Ravensbrüc", disse Lieselotte B., prisioneira do campo de Mittlebau-Dora. "A principal coisa era sobreviver". A sugestão de que faziam isso "voluntariamente" é uma das razões "pelas quais as mulheres dos bordéis são estigmatizadas até hoje", explicou Insa Eschebach, diretora do memorial de Ravensbrück.
Mantendo a hierarquia nazista racista nos campos, a princípio, apenas alemães podiam visitar o bordel, depois os estrangeiros também foram incluídos. Os judeus eram estritamente proibidos. Recebiam esses bônus os capatazes, diretores de alojamento e outros ocupantes proeminentes do campo. Primeiro, eles tinham que ter o dinheiro para adquirir um bilhete, que custava 2 marcos. Vinte cigarros na cantina, enquanto isso, custavam 3 marcos.
As visitas aos bordéis eram reguladas pela SS, assim como as horas de funcionamento. Em Buchenwald, por exemplo, o serviço ficava aberto de 7 às 22h. Ele permanecia fechado na falta de água ou luz, em ataques aéreos ou durante a transmissão dos discursos de Hitler. Edgar Kupfer-Koberwitz, prisioneiro em Dachau, descreveu o sistema em um diário do campo de concentração: "Você espera no salão. Um soldado registra o nome e o número do prisioneiro. Depois, chamam o um número e o nome do prisioneiro em questão. Aí você corre até o quarto com aquele número. Cada visita é um número diferente. Você tem 15 minutos, exatamente quinze minutos."
A privacidade era um conceito estranho aos campos de concentração, inclusive nos bordéis. As portas tinham janelas, e um soldado da SS patrulhava o salão. Os prisioneiros tinham que tirar os sapatos e não podiam falar além do necessário. A única posição sexual permitida era a de missionário.
Freqüentemente, o encontro nem chegava à penetração. Alguns homens não tinham mais força física para isso e, de acordo com Sommer, "alguns tinham mais necessidade de conversar com uma mulher novamente ou sentir a sua presença".
A SS tinha muito medo de espalhar doenças sexualmente transmissíveis. Os homens recebiam unguentos desinfetantes nos hospitais antes de cada visita ao bordel, e os médicos tiravam amostras das mulheres para testar gonorréia e sífilis.
A contracepção, por outro lado, era um aspecto que a SS deixava para as mulheres. Entretanto, raramente engravidavam, já que muitas mulheres tinham sido esterilizadas à força antes de serem presas e outras tinham se tornado inférteis com o sofrimento nos campos. No evento de um "acidente ocupacional", a SS simplesmente substituía mulher e a enviava para um aborto.
Aquelas que aguentavam a dureza da vida num bordel tinham mais chances de escapar da morte e, de acordo com a pesquisa de Sommer, quase todas as mulheres na prostituição forçada sobreviveram ao regime de terror nazista. Pouco se sabe o que aconteceu com elas ou se jamais conseguiram se recuperar da experiência traumática. A maior parte delas manteve silêncio sobre seu fardo pelo resto de suas vidas.
O livro de Robert Sommer, "The concentration camp Bordello: Sexual Forced Labor in National Socialistic concentration camps" (o bordel do campo de concentração: o trabalho forçado sexual em campos de concentração), será publicado em alemão pela Schöningh Verlag, Paderborn.
Tradução: Deborah Weinberg
Pesquisador revela crueldade de algo menos conhecido do terror nazista: os bordéis de prisioneiras
Mareike Fallet e Simone Kaiser
Der Spiegel
Os prostíbulos dos campos de concentração continuam sendo um capítulo resguardado dos horrores da era nazista. Agora, um pesquisador alemão estudou o assunto sombrio e revelou a crueldade meticulosa dos assim chamados "alojamentos especiais".
Chutando-as de botas, o soldado da SS tirou Margarete W. e outras prisioneiras do trem e levou-as para um caminhão. "Levantem a lona. Todo mundo para dentro", gritou. Pela janela de plástico da lateral da lona ela observou quando entraram em um campo masculino e pararam na frente de um dormitório com uma cerca de madeira.
As mulheres foram levadas para uma sala mobiliada. O alojamento era diferente daqueles que Margarete W., então com 25 anos, conhecia de seu tempo no campo de concentração feminino de Ravensbrück. Havia mesas, cadeiras, bancos, janelas e até cortinas. A supervisora informou às recém-chegadas que agora estavam em um "bordel de prisioneiros". Elas viveriam bem ali, disse a mulher, com boa comida e bebida e, se fossem obedientes, nada aconteceria elas. Então, cada mulher foi enviada a um quarto. Margaret mudou-se para o número 13.
O bordel de prisioneiras do campo de concentração de Buchenwald começou a operar no dia 11 de junho de 1943. Foi o quarto de um total de 10, chamados "alojamentos especiais" erguidos em campos de concentração entre 1942 e 1945, a partir de instruções de Heinrich Himmler, diretor da SS. Ele implementou um esquema de recompensas nos campos, pelo qual as "realizações particulares" dos prisioneiros lhes garantiam menor carga de trabalho, alimento extra ou bônus financeiros.
Himmler também considerou benéfico "fornecer aos prisioneiros trabalhadores mulheres em prostíbulos", como escreveu no dia 23 de março de 1942 para Oswald Pohl, oficial da SS encarregado dos campos de concentração. A visão cínica de Himmler era que as visitas aos bordéis aumentariam a produtividade dos trabalhadores forçados nas fábricas de munição e pedreiras.
"Especialmente pérfido"
Ainda é um aspecto menos conhecido do terror nazista que Sachsenhausen, Dachau e até Auschwitz incluíam bordéis e que prisioneiras de campo de concentração foram forçadas à prostituição. O acadêmico de Berlim Robert Sommer, 34, estudou arquivos e memoriais de campos de concentração no mundo todo e fez diversas entrevistas com testemunhas históricas nos últimos nove anos. Seu estudo, que será publicado neste mês, fornece a primeira pesquisa ampla e científica desta "forma especialmente pérfida de violência nos campos de concentração". Sua pesquisa serviu de base para a mostra viajante "Bordéis de campos - o sexo forçado nos campos de concentração nazistas", que viajará por diversos memoriais no ano que vem.
Sommer fornece inúmeras evidências para combater a lenda que os nazistas proibiam resolutamente e lutaram contra a prostituição. De fato, o regime tinha uma fiscalização total da prostituição, tanto na Alemanha quanto nos territórios ocupados -especialmente depois do início da guerra. A rede ampla de bordéis controlados pelo Estado cobriu metade da Europa, e consistia de "bordéis civis e militares assim como os de trabalhadores forçados e ao mesmo tempo eram parte dos campos de concentração", segundo Sommer.
A combatente da resistência austríaca Antônia Bruha, que sobreviveu ao campo de Ravensbrück, informou anos atrás que: "As mais bonitas iam para o bordel da SS, as menos bonitas para o dos soldados".
O resto terminava no bordel do campo de concentração. No campo de Mauthausen, na Áustria, nos dez pequenos quartos do "Alojamento 1", o primeiro bordel de campo começou suas operações com janelas fechadas em junho de 1942. Naquela altura, havia cerca de 5.500 prisioneiros do campo de trabalho forçado de Mauthausen, quebrando granito para as construções nazistas. No final de 1944, mais de 70.000 trabalhadores forçados moravam no complexo do campo.
A SS tinha recrutado dez mulheres para Mauthausen, seguindo as instruções da agência de segurança do governo para erguer bordéis nos campos de trabalho forçado. Isso significava entre 300 a 500 homens por prostituta.
Cerca de 200 mulheres compartilharam o destino dos prisioneiros de Mauthausen nos bordéis do campo. Prisioneiras saudáveis e de boa aparência de 17 e 35 atraíam atenção dos recrutadores da SS. Mais de 60% delas eram alemãs, mas polonesas, soviéticas e uma holandesa foram transferidas para "a força-tarefa especial". Os nazistas não permitiam mulheres judias por razões de "higiene racial". Primeiro, as mulheres eram enviadas para o hospital do campo, onde recebiam injeções de cálcio, banhos desinfetantes, alimentos e um banho de luz.
De 300 a 500 homens por prostituta
Perto de 70% das trabalhadoras forçadas à prostituição tinham sido presas originalmente por serem "antissociais". Nos campos, as mulheres eram marcadas com um triângulo preto. Dentre elas, havia ex-prostitutas, cuja presença supostamente garantia a administração "profissional" dos bordéis dos campos, especialmente no início. Era muito fácil para uma mulher ser considerada "antissocial", bastava, por exemplo, não cumprir as instruções de trabalho.
Até que ponto as mulheres se voluntariaram para essas "forças-tarefas especiais" não se sabe. Robert Sommer cita a combatente da resistência espanhola Lola Casadell, que foi levada a Ravensbrück em 1944. Ela disse que a diretora do seu alojamento ameaçou: "Quem quiser ir para um prostíbulo deve ir para o meu quarto. Advirto, se não houver voluntárias, vamos pegar vocês à força."
O testemunho de Antonia Bruha, forçada a trabalhar na área do hospital do campo de concentração, lembra de mulheres "que vieram voluntariamente, porque foram informadas que depois seriam liberadas". Essa promessa foi rejeitada por Himmler, que reclamou que "alguns lunáticos no campo de concentração feminino, ao selecionarem as prostitutas para os bordéis, disseram às prisioneiras que aquelas que se voluntariassem seriam liberadas depois de seis meses."
A última esperança de sobrevivência
Para muitas das mulheres vivendo sob ameaça de morte, contudo, servir em um bordel era a última esperança de sobrevivência. "A principal coisa era escapar do inferno de Bergen-Belsen e Ravensbrüc", disse Lieselotte B., prisioneira do campo de Mittlebau-Dora. "A principal coisa era sobreviver". A sugestão de que faziam isso "voluntariamente" é uma das razões "pelas quais as mulheres dos bordéis são estigmatizadas até hoje", explicou Insa Eschebach, diretora do memorial de Ravensbrück.
Mantendo a hierarquia nazista racista nos campos, a princípio, apenas alemães podiam visitar o bordel, depois os estrangeiros também foram incluídos. Os judeus eram estritamente proibidos. Recebiam esses bônus os capatazes, diretores de alojamento e outros ocupantes proeminentes do campo. Primeiro, eles tinham que ter o dinheiro para adquirir um bilhete, que custava 2 marcos. Vinte cigarros na cantina, enquanto isso, custavam 3 marcos.
As visitas aos bordéis eram reguladas pela SS, assim como as horas de funcionamento. Em Buchenwald, por exemplo, o serviço ficava aberto de 7 às 22h. Ele permanecia fechado na falta de água ou luz, em ataques aéreos ou durante a transmissão dos discursos de Hitler. Edgar Kupfer-Koberwitz, prisioneiro em Dachau, descreveu o sistema em um diário do campo de concentração: "Você espera no salão. Um soldado registra o nome e o número do prisioneiro. Depois, chamam o um número e o nome do prisioneiro em questão. Aí você corre até o quarto com aquele número. Cada visita é um número diferente. Você tem 15 minutos, exatamente quinze minutos."
A privacidade era um conceito estranho aos campos de concentração, inclusive nos bordéis. As portas tinham janelas, e um soldado da SS patrulhava o salão. Os prisioneiros tinham que tirar os sapatos e não podiam falar além do necessário. A única posição sexual permitida era a de missionário.
Freqüentemente, o encontro nem chegava à penetração. Alguns homens não tinham mais força física para isso e, de acordo com Sommer, "alguns tinham mais necessidade de conversar com uma mulher novamente ou sentir a sua presença".
A SS tinha muito medo de espalhar doenças sexualmente transmissíveis. Os homens recebiam unguentos desinfetantes nos hospitais antes de cada visita ao bordel, e os médicos tiravam amostras das mulheres para testar gonorréia e sífilis.
A contracepção, por outro lado, era um aspecto que a SS deixava para as mulheres. Entretanto, raramente engravidavam, já que muitas mulheres tinham sido esterilizadas à força antes de serem presas e outras tinham se tornado inférteis com o sofrimento nos campos. No evento de um "acidente ocupacional", a SS simplesmente substituía mulher e a enviava para um aborto.
Aquelas que aguentavam a dureza da vida num bordel tinham mais chances de escapar da morte e, de acordo com a pesquisa de Sommer, quase todas as mulheres na prostituição forçada sobreviveram ao regime de terror nazista. Pouco se sabe o que aconteceu com elas ou se jamais conseguiram se recuperar da experiência traumática. A maior parte delas manteve silêncio sobre seu fardo pelo resto de suas vidas.
O livro de Robert Sommer, "The concentration camp Bordello: Sexual Forced Labor in National Socialistic concentration camps" (o bordel do campo de concentração: o trabalho forçado sexual em campos de concentração), será publicado em alemão pela Schöningh Verlag, Paderborn.
Tradução: Deborah Weinberg
quarta-feira, 10 de junho de 2009
As 200 crianças do Dr. Korczak (autor dos livros "COMO AMAR UMA CRIANÇA" e "QUANDO EU VOLTAR A SER CRIANÇA")
Em 1942, tropas nazistas colocaram 200 órfãos judeus em um trem.
Destino: Campo de Concentração de Treblinka.
Para ele a vida valia menos que o destino destas crianças.
"COMO AMAR UMA CRIANÇA" JANUSZ KORCZAK (livro e um pouco da história deste extraordinário homem)

Janusz Korczak: Como amar uma criança...
Rafael F. Scharf
Vice-Presidente da Associação Internacional Janusz Korczak da Inglaterra
A vida de Janusz Korczak é tão tocante que, ao contá-la, é necessário evitar a ênfase patética que se impõe, a fim de permanecer-se fiel àquele sobre o qual falamos.
Ele era, na mais profunda acepção do termo, um homem simples, toda afetação lhe era estranha. É certo que ele não imaginava que seu nome seria célebre, e é por isto que cada vez que o glorificamos publicamente, inaugurando um monumento em sua homenagem, eu me pergunto qual seria o seu comentário se sua boca de pedra pudesse falar.
Sua história foi recontada inúmeras vezes e continuará sendo, porque ela mostra melhor, sem dúvida, não importando o caso particular, o horror inexprimível da última guerra e a exterminação dos judeus poloneses.
Em 5 de agosto de 1942, durante a liquidação do gueto de Varsóvia, os hitleristas ordenaram o agrupamento das crianças do orfanato de Korczak e o envio das mesmas ao campo de morte de Treblinka. O ‘Velho Doutor’ reuniu duzentos pupilos, os fez colocar-se sabiamente em fileiras e, à sua frente, partiu com eles para o ‘Umschlagplatz’, no cruzamento das ruas Stawki e Dzika, onde todos foram colocados em vagões de carga e enviados para os fornos crematórios.(...)
LEIA MAIS EM : http://www.rubemalves.com.br/comoamarumacrianca.htm.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
BBB E MANIPULAÇÃO (Beto Godoy cita "1984" e "O Ovo da Serpente" de Bergman)
As surpresas podem ser desagradáveis
Beto Godoy (*)
No inicio do século 20, George Orwell escreveu 1984, onde o Big Brother comandava os observados; em fins dos anos 70, Ingmar Bergman analisou, no filme O ovo da serpente, a observação de um vilarejo da Alemanha em crise na década de 20, contrastando com 1984, em que os observados tinham ciência da vigilância. Por último, temos o BBB: as pessoas sob o olhar das câmeras sabem disso. E não são as únicas controladas. Afinal, os observadores também são indiretamente controlados, pois, segundo especialistas americanos, a população hoje está presa aos eventos da chamada "agenda da mídia": o público toma como prioridade os eventos por ela promovidos.
O mundo em que vivemos é constantemente manipulado por estímulos que, apercebendo-se a mídia do que pedimos, nos oferece, direcionando nossas atitudes. Em O ovo da serpente, de 1977, Bergman mostra como isso era feito em proporções menores nas pequenas vilas da Alemanha: as pessoas eram estimuladas por gases, e suas reações, analisadas e posteriormente controladas. Os moradores também eram vigiados por câmeras em seus locais de trabalhos, sujeitos a várias situações – o que provocaria, na vigência do posterior nazi-facismo, reação dos alemães contra os judeus – as cobaias que, na primeira chance, quase exterminariam os "cientistas humanos".
No livro de Neal Gabler Vida, o filme – Como o divertimento conquistou a realidade (Companhia das Letras), vemos que os acontecimentos de O ovo da serpente estão presentes na vida cotidiana, porém agora de forma consentida: ao analisar as origens da introdução do entretenimento como forma de dominação soft, o autor remonta à época em que o teatro estava presente na realidade de todos – com a separação de classes na platéia –, passando pelo jornal em que as pessoas se identificavam nos fatos da vida, dando espaço à criação dos penny press, pioneiros na percepção da importância da imagem na atração do povo. Afinal, a imagem tornava a leitura quase desnecessária, transformando os meios impressos em difusores do sensacional. E permitindo, assim, que o entretenimento se infiltrasse no jornal – por muito tempo uma forma de controle do público.
Caos inesperado
Com o advento do cinejornal, as pessoas começaram a aderir às salas de projeção, que possibilitavam uma visão do mundo sem maiores necessidades de uso intelectual. Chegou então a televisão, que atendia a um número ainda maior de pessoas, estando na sala de muitos cidadãos americanos. O cinema então surgiu como entretenimento de fato. Criando-se astros, o entretenimento instalou-se de vez na vida de cada americano, pois todos queriam imitá-los. Com isso passam a ter a chamada "vida-filme", ou lifies, segundo o autor.
Temos que entender que, embora os casos sejam distintos, as conseqüências podem ser semelhantes: afinal, nos anos 20 os alemães eram manipulados em seu país. O que acontece hoje é a manipulação do observador, que, tendo acesso a essas formas consentidas e solicitadas de manipulação, precisa estar dentro do sistema chamado globalização, imposto pelo império capitalista americano. Naquela época, os dominadores tanto sabiam que toda ação gera reação que no filme de Bergman o judeu que observava os moradores do vilarejo previu conseqüências incontroláveis.
Nos dias de hoje a mídia parece não estar percebendo que o mundo-filme exige condições financeiras para atuação. Os excluídos vão se manifestar, e já estão se manifestando de forma violenta. O que a mídia mostra como solução são formas maiores de alienação, como os reality shows que nos desviam do que realmente necessita de atenção: as pessoas, e não os personagens do teatro capitalista.O filme nos mostra que, apesar de podermos ser manipulados sem que entendamos direito o que acontece, o manipulador pode ter surpresas nada agradáveis, e nestas ocasiões o caos pode imperar.
(*) Jornalista e professor de Fotografia no Mato Grosso do Sul
FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/fd050220035.htm.
Beto Godoy (*)
No inicio do século 20, George Orwell escreveu 1984, onde o Big Brother comandava os observados; em fins dos anos 70, Ingmar Bergman analisou, no filme O ovo da serpente, a observação de um vilarejo da Alemanha em crise na década de 20, contrastando com 1984, em que os observados tinham ciência da vigilância. Por último, temos o BBB: as pessoas sob o olhar das câmeras sabem disso. E não são as únicas controladas. Afinal, os observadores também são indiretamente controlados, pois, segundo especialistas americanos, a população hoje está presa aos eventos da chamada "agenda da mídia": o público toma como prioridade os eventos por ela promovidos.
O mundo em que vivemos é constantemente manipulado por estímulos que, apercebendo-se a mídia do que pedimos, nos oferece, direcionando nossas atitudes. Em O ovo da serpente, de 1977, Bergman mostra como isso era feito em proporções menores nas pequenas vilas da Alemanha: as pessoas eram estimuladas por gases, e suas reações, analisadas e posteriormente controladas. Os moradores também eram vigiados por câmeras em seus locais de trabalhos, sujeitos a várias situações – o que provocaria, na vigência do posterior nazi-facismo, reação dos alemães contra os judeus – as cobaias que, na primeira chance, quase exterminariam os "cientistas humanos".
No livro de Neal Gabler Vida, o filme – Como o divertimento conquistou a realidade (Companhia das Letras), vemos que os acontecimentos de O ovo da serpente estão presentes na vida cotidiana, porém agora de forma consentida: ao analisar as origens da introdução do entretenimento como forma de dominação soft, o autor remonta à época em que o teatro estava presente na realidade de todos – com a separação de classes na platéia –, passando pelo jornal em que as pessoas se identificavam nos fatos da vida, dando espaço à criação dos penny press, pioneiros na percepção da importância da imagem na atração do povo. Afinal, a imagem tornava a leitura quase desnecessária, transformando os meios impressos em difusores do sensacional. E permitindo, assim, que o entretenimento se infiltrasse no jornal – por muito tempo uma forma de controle do público.
Caos inesperado
Com o advento do cinejornal, as pessoas começaram a aderir às salas de projeção, que possibilitavam uma visão do mundo sem maiores necessidades de uso intelectual. Chegou então a televisão, que atendia a um número ainda maior de pessoas, estando na sala de muitos cidadãos americanos. O cinema então surgiu como entretenimento de fato. Criando-se astros, o entretenimento instalou-se de vez na vida de cada americano, pois todos queriam imitá-los. Com isso passam a ter a chamada "vida-filme", ou lifies, segundo o autor.
Temos que entender que, embora os casos sejam distintos, as conseqüências podem ser semelhantes: afinal, nos anos 20 os alemães eram manipulados em seu país. O que acontece hoje é a manipulação do observador, que, tendo acesso a essas formas consentidas e solicitadas de manipulação, precisa estar dentro do sistema chamado globalização, imposto pelo império capitalista americano. Naquela época, os dominadores tanto sabiam que toda ação gera reação que no filme de Bergman o judeu que observava os moradores do vilarejo previu conseqüências incontroláveis.
Nos dias de hoje a mídia parece não estar percebendo que o mundo-filme exige condições financeiras para atuação. Os excluídos vão se manifestar, e já estão se manifestando de forma violenta. O que a mídia mostra como solução são formas maiores de alienação, como os reality shows que nos desviam do que realmente necessita de atenção: as pessoas, e não os personagens do teatro capitalista.O filme nos mostra que, apesar de podermos ser manipulados sem que entendamos direito o que acontece, o manipulador pode ter surpresas nada agradáveis, e nestas ocasiões o caos pode imperar.
(*) Jornalista e professor de Fotografia no Mato Grosso do Sul
FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/fd050220035.htm.
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