Mostrando postagens com marcador MITOLOGIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MITOLOGIA. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de janeiro de 2010

ZENAIDE SILVA - FOI ENTREVISTADA POR ANTONIO ABUJAMRA,NO DIA 29/01/10 ,NO "PROVOCAÇÕES" DA TV CULTURA

Programa número 448

Zenaide Silva, negra, ex-favelada, atriz e ex-apresentadora da Rede Globo, graduada em Artes Cênicas numa Universidade americana, vem ao Provocações e revela: quer disseminar no Brasil o que aprendeu num curso de Afrocentricidade, numa outra Universidade americana: aprendeu, por exemplo, que Ísis, a deusa suprema dos antigos egípcios, era negra. Mais ainda, era uma divindade da vizinha Etiópia, onde se registram os primeiros vestígios da vida humana. Zenaide aborda a cultura grega como algo “roubado” aos egípcios (e, portanto, aos etíopes e à raça negra) e adaptado às necessidades brancas.

Desconstrói palavras (como História, Filosofia, etc.), que teriam sido criadas para relatar os fatos e os pensamentos de uma sociedade paternalista, em prejuízo de sua origem na “grande mãe”, Ísis, africana.

Atualmente envolvida com projetos educacionais de formação contínua de professores, Zenaide espera ter a oportunidade de atuar no Brasil em centros comunitários na periferia para introduzir os conhecimentos de afrocentricidade que traz dos Estados Unidos.
Saiba mais curiosidades dessa negra espetacular assistindo o próximo Provocações.

FONTE : http://www2.tvcultura.com.br/provocacoes/arquivo.asp

*ver:  http://sarauxyz.blogspot.com.br/2016/02/legado-roubado-george-g-m-james.html



Zenaide Silva quer introduzir conhecimentos de afrocentricidade

Bloco 1

https://www.youtube.com/watch?v=VPoAfUN0Gk0

Bloco 2
https://www.youtube.com/watch?v=PbzM9ldQfjs

 Bloco 3
https://www.youtube.com/watch?v=_Eb1mCBL30E
 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O MITO DE EROS - Por Salvatore D'Onofrio





















 Psique tocada por las alas de Eros.

"Erótica é a alma” (Adélia Prado) 

11/09/2006

Eros é uma das “Divindades Primordiais”, aquelas que pertencem à “pré-história” da Mitologia grega. Segundo o pensamento órfico (de Orfeu, figura mítica que deu origem a uma doutrina filosófica e religiosa), Eros teria nascido do Ovo primordial (o Caos), engendrado pela Noite, cujas metades se separaram, dando origem à Terra e ao Céu. Ele é o princípio da atração universal, que leva as coisas a se juntarem, criando a vida. Eros é a força que assegura a coesão interna do Cosmos e a continuidade da vida na terra. Para Platão, ele seria um dáimon, uma força espiritual intermediária entre a divindade e a humanidade. Na cultura romana, Eros é confundido com Cupido, filho de Vênus (a deusa do amor) e de Marte (o deus da guerra), representado como uma criança alada, nua, armada com arco e flechas ou com espada e escudo, símbolo da paixão arrebatadora. Acontece que, com o passar do tempo, se desfigurou o sentido etimológico da palavra “erótico”, reduzindo o conceito a um tipo de satisfação carnal proibida (“sexo sem pecado é como ovo sem sal”, diria o cineasta Luís Buñuel), à nudez, à sacanagem, aos filmes pornôs. Confundiu-se Eros com Priapo, o deus do sexo, representado com um falo enorme, protetor dos reprodutores e símbolo da procriação.

O Eros verdadeiro é o deus do amor no seu sentido integral, que engloba corpo e alma. A atração puramente física é animalesca e não humana. É apenas o bicho que tem o período do cio. O homem e a mulher se amam (ou deveriam se amar!) sempre e em todos os lugares por uma comunhão de sentimentos que transcende o aspecto corporal. O erotismo, que verdadeiramente funciona e que faz perdurar a atração recíproca por longo tempo, está no olhar apaixonado, na admiração que o amante sente pelas qualidades físicas e espirituais que consegue enxergar na pessoa amada. O erotismo, que realmente e de uma forma mais duradoura estimula o desejo, se encontra na poesia lírica, na pintura, na dança, nos filmes sentimentais, na arte em geral, pois supera o nível do real e penetra no mundo da fantasia, do sonho, do vago sentimento do inacessível. Por esse prisma, os Cantos de Salomão e a poesia trovadoresca são mais eróticos do que o Kama Sutra. O erotismo está mais no sugerir do que no mostrar totalmente, no claro-escuro, na promessa do idílio, no mistério a ser desvendado, na repetição do ato do amor como se fosse sempre pela primeira vez. Como diz a poeta Adélia Prado, “erótica é a alma”! Só que conhecer o espírito de alguém é bem mais difícil do que lhe conhecer o corpo. Manuel Bandeira nos oferece uma reflexão interessante a respeito:

“Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque corpos se entendem; as almas, nem sempre”.

E, sobre a renovação do desejo erótico, esta bela imagem do poeta Mário Quintana: “amar é mudar a alma de casa”. Enfim o erotismo, entendido como prática do amor num sentido bem geral, é onipresente a qualquer atividade humana bem sucedida. A escritora Lygia Fagundes Telles afirma acertadamente: “Vocação é ter a felicidade de ter como ofício a paixão”. Mas é a escritora existencialista francesa, Simone de Beauvoir, companheira do grande poeta-filósofo Jean-Paul Sartre, quem melhor define a essência da relação carnal: “O erotismo implica uma reivindicação do instante contra o tempo, do indivíduo contra a sociedade”.

Salvatore D'Onofrio
Professor da UNESP e Autor da PEQUENA ENCICLOPÉDIA DA CULTURA OCIDENTAL
www.salvatoredonofrio.hpgvip.ig.com.br

Publicação: www.paralerepensar.com.br 19/09/2006

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FREUD E A MITOLOGIA GREGA

(...)Freud esperava provar que seu modelo, baseado em observações da classe média austríaca, fosse universalmente válido. Utilizou a mitologia grega e a etnografia contemporânea como modelos comparativos. Recorreu ao "Édipo Rei" de Sófocles para indicar que o ser humano deseja o incesto de forma natural e como é reprimido este desejo. O complexo de Édipo foi descrito como uma fase do desenvolvimento psicossexual e de amadurecimento. Também fixou-se nos estudos antropológicos de totemismo, argumentando que reflete um costume ritualizado do complexo de Édipo (Totem e Tabu). Incorporou também em sua teoria conceitos da religião católica e da judaica; assim como principios da Sociedade Vitoriana sobre repressão, sexualidade e moral; e outros da biologia e da hidráulica.

Esperava que sua investigação proporcionasse uma sólida base científica para seu método terapêutico. O objetivo da terapia freudiana ou psicanálise é, relacionando conceitos da mente cartesiana e da hidráulica, mover (mediante a associação livre e da interpretação dos sonhos) os pensamentos e sentimentos reprimidos (explicados como uma forma de energia) através do consciente para permitir ao sujeito a catarse que provocaria a cura automática.(...)  LEIA MAIS NA WIKIPÉDIA

manual para reformatar o inconsciente (mais um "Frankenstein")

complexo de édipo,tem cura?
ter sido super protegido...!?
tem cura?
reformatar o inconsciente?
auto-cura, mútua-cura?
ter sido rejeitado,tem tratamento?
ser proletário,tem cura?
ser sem teto,tem cura?
Marx curaria mais que Freud?
Freud teria cura?
ser preconceituoso, tem cura?
ter ódio de injustiças, tem cura?
homem,tem cura?
literatura cura
mais que psicanálise?
a psicanálise morreu,ou foi ressuscitada por Lacan?
se Shakespeare e a mitologia grega não existissem...!?
o que Freud explicaria?
Dostoiévski...o que seriam dos crimes e castigos?


Nadia Stabile - 23/09/09

*mais uma tentativa,mais um Frankenstein.

domingo, 9 de agosto de 2009

Giramundo - Cobra Norato (partes 2 e 3)






Trecho de Cobra Norato, o espetáculo mais premiado do grupo Giramundo. Em 2009, a montagem, encenada regularmente ainda hoje, completa 30 anos.
Imagens por Aggêu Simões

domingo, 25 de janeiro de 2009

AS MOIRAS E OS FIOS DA VIDA - DA WIKIPÉDIA















Na mitologia grega, as moiras (em grego antigo Μοῖραι) eram as três irmãs que determinavam o destino, tanto dos Deuses, quanto dos seres humanos, eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. Durante o trabalho, as moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios, as voltas da roda posicionam o fio do indivíduo em sua parte mais privilegiada (o topo) ou em sua parte menos desejável (o fundo), explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos. Conta-se que o deus Ares foi o único ser capaz de submeter as moiras à vontade dele; fora esta exceção, elas jamais foram manipuladas, e nada se pode fazer para detê-las, ou ganhar-lhes o favor (até porque as Moiras entendem que o trabalho delas está mesmo acima delas próprias).

As três deusas decidiam o destino individual dos antigos gregos, e criaram Têmis, Nêmesis e as Erínias. Pertenciam à primeira geração divina (os deuses primordiais), e assim como Nix, eram domadoras de deusas e homens.

As moiras eram filhas de Nix. Moira, no singular, era inicialmente o destino. Na Ilíada, representava uma lei que pairava sobre deuses e homens, pois nem Zeus estava autorizado a transgredi-la sem interferir na harmonia cósmica. Na Odisséia aparecem as fiandeiras.

O mito grego predominou entre os romanos a tal ponto que os nomes das divindades caíram em desuso. Entre eles eram conhecidas por Parcas chamadas Nona, Décima e Morta, que tinham respectivamente as funções de presidir a gestação e o nascimento, o crescimento e desenvolvimento, e o final da vida; a morte; notar entretanto, que essa regência era apenas sobre os humanos.

Os poetas da antiguidade descreviam as moiras como donzelas de aspecto sinistro, de grandes dentes e longas unhas. Nas artes plásticas, ao contrário, aparecem representadas como lindas donzelas. As Moiras eram:

* Cloto (Κλωθώ; klothó) em grego significa "fiar", segurava o fuso e tecia o fio da vida. Junto de Ilítia, Ártemis e Hécata, Cloto atuava como deusa dos nascimentos e partos.
* Láquesis (Λάχεσις; láchesis) grego significa "sortear" puxava e enrolava o fio tecido, Láquesis atuava junto com Tyche, Pluto, Moros e outros, sorteando o quinhão de atribuições que se ganhava em vida.
* Átropos (Ἄτροπος; átropos) em grego significa "afastar", ela cortava o fio da vida, Átropos juntamente a Tânatos, Queres e Moros, determinava o fim da vida.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Moiras

*lembrança obtida assistindo um desenho animado na TV Cultura-
Nadia Stabile -25/01/09

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

PERFIL DO DIREITISTA BRASILEIRO - MODOLINKAR COM O BLOG DO MÁRIO, "OUSAR LUTAR!!! OUSAR VENCER!!! " (clique aqui)

Como a direita conservadora e caricata está novamente na moda - e nós que achávamos que ela havia morrido com a abertura política, hein?! - achei conveniente publicar o texto que recebi de um leitor. É tudo verdade, mas rende boas risadas. No boteco também se fala de política, por que não? Aliás, quer lugar mais apropriado para quebrar o pau do que o botequim? Mas no balcão - que é igual para todos os cotovelos - todo mundo manda um pouco; quem quiser discordar, que fique à vontade!
**ESTE TRECHO É DO BLOG: http://www.cosmo.com.br/blog/blog_post.php?blog_id=12&post_id=823

1. Ao contrário dos direitistas europeus e norte-americanos – patrióticos ao ponto da xenofobia – o direitista brasileiro odeia o Brasil. É curioso, porque nenhuma direita traz tantas marcas do seu lugar de origem como a brasileira.

2. O direitista brazuca sofre de profunda nostalgia. Entende-se: ele um dia teve Paulo Francis. Hoje deve contentar-se com Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. Ou seja, já completa uma geração em total orfandade de gurus. Anda tão carente que seu mais novo mestre é um auto-intitulado "filósofo" de cujo trabalho nenhum profissional de filosofia jamais ouviu falar.

3. Os direitistas tupiniquins em geral se dividem em dois grupos: os raivosos e os blasé. Os primeiros vociferam em blogs, lançam insultos, ordenam que os adversários se calem ou se mudem para Cuba. Reagem histericamente à própria infelicidade. Os segundos, em busca de uma elegância copiada de algum filme gringo, intercalam em suas frases expressões inglesas já completamente fora de uso. Reagem esquizofrenicamente à sua infelicidade, à sua incapacidade de reconciliarem-se com o que são.

4. O direitismo brasileiro costuma ser um grande clube do Bolinha. Tem verdadeiro pânico das mulheres, especialmente das mulheres fortes, seguras, profissionalmente bem-sucedidas. Estas últimas costumam ter o poder de fazer até mesmo do blasé um raivoso.

5. O direitista tupiniquim adora lamber as botas de Bush. Numa época em que até vozes do conservadorismo tradicional norte-americano reconhecem o caráter da mentirada sobre a qual se sustenta Bush, o direitista daqui ainda defende o genocídio praticado pelos EUA no Iraque.

6. O direitista tupiniquim tem pânico de discutir questões relacionadas a raça e etnia. Quando aflora qualquer conversa sobre a discriminação racial ou sobre o lugar subordinado do negro na sociedade, ele raivosamente acusa os interlocutores de estarem acusando-o de racista. Para essa “vestida de carapuça” Freud inventou um nome: denegação. É a atitude preferida do direitista quando o tema é relações raciais.

7. O direitista brasileiro louva e idolatra o mercado, mas curiosamente pouquíssimos espécimens dessa turma se estabeleceram no mercado com o próprio trabalho. É mais comum que herdem um negócio do pai, recebam via jabaculê o emprego que terão pelo resto da vida ou, mais comum ainda, que concluam a quarta década de vida morando com a mãe e tomando toddyinho.

8. O direitista brasileiro ainda acha que todo esquerdista é aquele tipo folclórico que não toma coca-cola, usa camiseta do Che Guevara e defende ditaduras comunistas, com uma bolsa de lona à tiracolo.

9. O direitista brasileiro tem certeza de que a ameaça comunista ainda é uma realidade a ser considerada no mundo e, portanto, deve ser combatida. Ele acha que existe um plano para implantar uma ditadura de esquerda em escala planetária envolvendo Lula, Hugo Chavez, Evo Morales, Fidel Castro, as FARC e o MST.

10. Na visão do direitista brasileiro, qualquer grevista não passa de baderneiro. Para a direita, a ordem se sobrepõe à Justiça, os interesses individuais são mais importantes que os interesses coletivos. Os movimentos sociais devem ser criminalizados. Os índios não merecem a demarcação de suas terras porque são vagabundos. Os negros têm de saber qual é o seu lugar. Os pobres são pobres porque não têm capacidade para enriquecer.

FONTE: http://ousarlutar.blogspot.com/

domingo, 7 de dezembro de 2008

MUIRAQUITÃ ,O TALISMÃ DAS AMAZONAS - MITOLOGIA BRASILEIRA - POR ZOE DE CAMARIS

A Muiraquitã, o Talismã das Amazonas

Conta a lenda amazônica que a tribo das mulheres guerreiras tinha como local sagrado, o Lago do Espelho da Lua. Seu ritual mais importante consistia em confeccionar um talismã que mais tarde seria entregue ao homem que lhes dessem filhas. Algumas versões dizem que a Muiraquitã era feita do barro que ficava no fundo do Yacyuaruá e que, ao receber os raios da lua cheia, ou ainda do Sol, se solidificava. Outras versões contam que o sangue das Icamiabas, ao ser pingado sobre um peixe ou alguma pequena rã da lagoa transformaria o animal em pedra.
Ao chegar da meia noite, estando a lua cheia no céu - a época da "malvadeza da lua", segundo expressão indígena - e antes do astro branco completar o seu auge, as Amazonas caminhavam até o Lago do Espelho da Lua, carregando vasilhas com feitiços perfumados que seriam usados para liberar o espírito das águas, a Mãe da Muiraquitã. Começava o ritual, com cantos e danças seguidas de banhos purificadores. Na hora exata, as Amazonas mergulhavam e do fundo do lago traziam um barro esverdeado ao qual seria dada a forma desejada. Depois de sólido, as Icamiabas cortavam uma parte do cabelo que fosse suficiente para fazer uma trança e nela penduravam a sua Muiraquitã, o emblema da Mãe das Pedras Verdes, a Yacumana.
Fernando Sampaio comenta que a Muiraquitã, antes de ser relacionada à fertilidade, foi um símbolo do poder feminino. Aqueles que negam a existência das Amazonas, não convencidos pelo relato de Carjaval (fantasia espanhola para agradar o Rei de Espanha) e ignorando o tema mítico comum à diversas tribos brasileiras, esbarram estrondosamente na existência do verde talismã ...

As Muiraquitãs, artisticamente confeccionados em jadeíte, nefrite, ardósia, diorito, estratite ou pedra-cristal, guardam várias formas: cilíndricas, antropomorfas, zoomorfas. As especulações sobre estes artefatos, espalhados por diversos museus do mundo e em coleções particulares, são inúmeras. No continente europeu o nome da pedra com a qual era confeccionada a Muiraquitã é chamada de Amazonenstein . A maior parte das Muiraquitãs foi encontrada no baixo Amazonas, nas adjacências do Rio Nhamundá, local do encontro da expedição de Orellana com as Amazonas. Miticamente, a região das Muiraquitãs é chamada de País das Pedras Verdes.

Barbosa Rodrigues via nestes objetos de jade a evidência de antigas migrações asiáticas. Seus estudos foram refutados, mas é certo que até hoje na região amazônica, nas proximidades do rio Nhamundá e Tapajós não são encontradas jazidas do mineral, embora estudos revelem jazidas de pedras verdes na cidade de Amargosa, na Bahia. Normalmente esverdeadas, as Muiraquitãs apresentam, salvo exceções, forma zoomórfica representando sapos, peixes ou tartarugas. A forma mais comum do talismã é o sapo, animal relacionado à magia amazonense e também à cura.

Os mitos que cercam esse pequeno e curioso animal, que tem relações com os elementos fogo, ar e água, são inúmeros. Um dos mais interessantes é o do sapo Aru, aquele que se transforma em homem bonito e seduz a mãe da Mandioca. O Aru é um protetor dos roçados - quando ele aparece, a colheita está garantida. Dizem os nativos que a Mãe da Mandioca o acompanha nessas incursões e que, se a roça estiver limpa e organizada, a chuva irá fertilizar a plantação. Se a plantação estiver mal cuidada, as pragas impedirão que se retire da terra o sustento. Aru está sempre ligado à sua contraparte feminina, Mani-Cy.

Uma lenda Karajá conta a história do sapo Ar-hã que nas noites de solidão espanta a tristeza cantando, e sua canção chama a chuva. Quando a água cai, infiltrando-se no oco das árvores, mistura-se à seiva que o sapo utiliza para fazer os gargarejos que limpam sua garganta e assim ele pode cantar, atraindo a futura companheira. Essa mistura de seiva, água da chuva e saliva formam uma baba que escorre do seu corpo e acumula-se em torno do sapo. A baba, depois de seca, torna-se uma resina que, após ser retirada de dentro da árvore, é usada para fins afrodisíacos, para resolver questões amorosas e ainda guarda propriedades medicinais.

Às Muiraquitãs são atribuídas virtudes terapêuticas e propriedades mágicas que trariam sorte ao seu portador. Quem o trouxer ao pescoço, ao dizer muirakitã catu, será bem recebido onde quer que chegue . Deve ser guardada em um estojo da mais pura prata.

Mário de Andrade, no clássico modernista Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, faz com que o protagonista esteja sempre à procura da Muiraquitã, continuadamente roubada pelo gigante Piamã. O talismã é um presente de Ci, a Mãe do Mato, aqui mostrada como uma valorosa Icamiaba, eterna paixão de Macunaíma.

Pablo Cid , em seu estudo sobre as Amazonas, grafa o vocábulo da seguinte forma: Muiracytã, como sendo de autoria de Barbosa Rodrigues. Fui verificar a veracidade da informação, por me parece razoável e significativa, e encontrei ainda outras denominações para a Muiraquitã, entre elas Nanacy , como no mito de Izy-Jurupary relatado pelo mesmo Barbosa Rodrigues .

A meu ver, existe uma transição entre o tempo do talismã Muiraquitã e o tempo do amuleto Itatuxauá, objeto similar ao Tembetá, transição esta que estaria relacionada à transformação social indicada pelo mito de Jurupary. Não é à toa que Mário de Andrade faz com que Macunaíma transforme a Muiraquitã que lhe foi entregue por Ci em tembetá, assim que a Icamiaba sobe aos céus...

Teodoro Sampaio nos fala de uma peça que representa Yacy, a mãe dos frutos, a Lua; o mês lunar: um ornato feito de um pedaço de concha branca e talhado em forma de crescente . A peça citada é usada unicamente pelos homens, que a trazem pendurada ao pescoço, em uma variação do tembetá, usado tradicionalmente nos lábios. Parece haver também uma relação desta peça com a virilidade masculina, pois o homem que não porta o amuleto seria desprezado pelas mulheres. O brilho do tembetá estaria relacionado aos raios, uma alusão ao "deus Tupã" - uma concepção recente de deus criador, pelo menos para a grande maioria dos povos indígenas, exceção feita aos Guarani.

Alfred Russel Wallace nos descreve o tembetá como o mais valioso, estimado e esquisito ornato do nativo:


Cilindro opaco, de uma rocha esbranquiçada, parecendo mármore, porém de quartzo imperfeitamente cristalizado. Tem de 4 a 8 polegadas de comprimento e uma polegada de diâmetro. São polidas em roda e têm as extremidades achatadas, trabalho esse que exige muita paciência. Em cada uma das extremidades são furadas, e, através desses furos, é inserido um cordão, para conservá-las suspensas ao pescoço. Parece inacreditável que eles possam fazer esses furos em tão dura substância, sem qualquer instrumento de ferro adequado para tal propósito. Dizem os índios que conseguem fazer isso por meio da ponta flexível do broto de bananeira do mato, triturando-se a cavidade com finíssima areia e um pouco de água. Leva alguns anos para ser feito. Todavia, deverá consumir-se um tempo muito mais longo para furar-se a pedra que o tuxáua usa, como símbolo de sua autoridade. Essa pedra é de maior tamanho e fica em sentido transversal sobre o peito. Para esse propósito, é necessário abrir-se o buraco longitudinalmente, de uma extremidade à outra da pedra.


Segundo é informado a Wallace, leva-se duas existências para fazer a pedra do chefe. As pedras são trazidas de longa distância, rio acima, provavelmente bem de perto das cabeceiras do rio, na base dos Andes. Wallace conta que é muito difícil adquirir uma delas, pois tem um valor inestimável para o nativo. É chamada também de muruçú.

Muiraquitã e Itatuxaua, símbolos de poder dos nossos nativos - índices representativos de uma transformação social? Estariam estas peças marcando a mudança de um regime social para outro? Mudanças ideológicas dentro de um determinado grupo podem fundamentar o nascimento de um mito e a criação de um símbolo. E o mito das Amazonas atesta a existência de uma alteração social, de modo notadamente marcante.

Se as referências históricas não são suficientes para comprovar que em algum momento nas terras do Brasil existiram realmente núcleos que congregavam mulheres sozinhas, servindo como registro verídico, nos basta ter em conta que a vitalidade do mito como realidade psicológica é realmente inegável - afinal, verdades arquetípicas são verdades do espírito.

E o mito, dessa vez, encontrou uma referência bastante substancial - a Muiraquitã.

Zoe de Camaris

Notas:

CID, Pablo. As Amazonas amerígenas. Rio de Janeiro: Bruno Buccini, 1971.

PERET, João Américo. Mitos e lendas Karajá, inã son we're. Rio de Janeiro, s/ed, 1979. p.29-31.

RODRIGUES, Barbosa. O Muyrakytã - estudo da origem asiática da civilização do Amazonas nos tempos pré-históricos. Manaus: Typ. Do Amazonas, 1889.

CID, Pablo. As Amazonas amerígenas. Rio de Janeiro: Bruno Buccini, 1971.

RODRIGUES, Barbosa. O Muyrakytã - estudo da origem asiática da civilização do Amazonas nos tempos pré-históricos. Manaus: Typ. Do Amazonas, 1889. P. 29 e 32.

PEREZ-MARICEVICH.(comp.) Los Fuegos de la notche. Textos de Barbosa Rodrigues/Bartolome/Cadogan/Chase Sardi/Pane Chelli/ Toamsini. Asuncion: Diaz de Bedoya & Gomez Rodas Editores, 1983. p. 43 a 49.

SAMPAIO, Teodoro. O Tupi na Geografia Nacional, 242.

WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelo Amazonas e Rio Negro. Trad.: Orlando Torres. Vol. 156, Biblioteca Pedagógica Brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1939. p.445.

FONTE : http://www.heramagica.com.br/zoe_muiraquit%E3.htm
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...