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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

OUÇA

Programa de Rádio


http://www.eca.usp.br/nucleos/filocom/home.html
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O Teatro do Mundo - A Canção
Programa de Ciro Marcondes Filho
Terças-feiras - 12h30

Rádio USP - 93,7 MHz FM - S.Paulo


Contatos Rádio USP: Tel (11) 3091-3960. Fax: (11) 3091-4350.
E-mail: oteatro@usp.br

É possível ouvir o programa pela internet, acessando o
endereço da Rádio USP na web: www.usp.br/radiousp

Terças-feiras às 12h30, reprise nas quintas-feiras às 23h30

Ouça trechos dos programas:
___ Apresentação____
A Guerra, por Anders
___._ A Infância _____
_. Lugares da Memória
_____ A Fome __.____
__.___O Som_____ __
_.____ O Mar ___.____

É possível adquirir cópias dos programas em CD, entrando em contato com o Núcleo José Reis, pelos telefones (11) 3091-4021/4270 ou pelo e-mail nucleojosereis@eca.usp.br

Veja abaixo a lista atualizada dos programas: 1. A Guerra - 08 de abril de 2003
2. A Fome - 15 de abril de 2003
3. A Infância - 22 de abril de 2003
4. O Som - 29 de abril de 2003
5. A Solidão - 06 de maio de 2003
6. Século XX - 13 de maio de 2003
7. A Mulher - 20 de maio de 2003
8. O Homem Simples - 27 de maio de 2003
9. Pequenos Prazeres - 03 de junho de 2003
10. O Parceiro Ideal - 10 de junho de 2003
11. O Mar - 17 de junho de 2003
12. Lugares da Memória - 24 de junho de 2003
13. O Outro - 01 de julho de 2003
14. A Felicidade - 08 de julho de 2003
15. A Separação dos Amantes - 15 de julho de 2003
16. Anos Rebeldes - 22 de julho de 2003
17. Os Condenados da Terra - 29 de julho de 2003
18. O Riso e a Ironia - 05 de agosto de 2003
19. Brasil - 02 de setembro de 2003
20. Sentimentos Ácidos - 09 de setembro de 2003
21. O Desejo - 16 de setembro de 2003
22. Personagens Urbanos - 23 de setembro de 2003
23. Guerra Conjugal - 30 de setembro de 2003
24. O Tempo em Nós - 07 de outubro de 2003
25. O Corpo - 14 de outubro de 2003
26. A Comunicação - 21 de outubro de 2003
27. Iminência da Morte - 28 de outubro de 2003
28. Filhos - 04 de novembro de 2003
29. Preservação da Natureza - 11 de novembro de 2003
30. A Moda - 18 de novembro de 2003
31. A Sedução - 25 de novembro de 2003
32. O Olhar - 02 de dezembro de 2003
33. O Tédio - 09 de dezembro de 2003
34. Violência - 16 de dezembro de 2003
35. Religiosidade - 23 de dezembro de 2003
36. Viradas - 30 de dezembro de 2003
37. Paulicéia desvairada - 20 de janeiro de 2004
38. A Vida - 27 de janeiro de 2004
39. Histórias de Marias - 03 de fevereiro de 2004
40. O Belo - 10 de fevereiro de 2004
41. A Idade - 17 de fevereiro de 2004
42. Saber pensar - 24 de fevereiro de 2004
43. A Paixão - 02 de março de 2004
44. Amigo - 09 de março de 2004
45. O Homem - 16 de março de 2004
46. O Dinheiro - 23 de março de 2004
47. Medo e Angústia - 30 de março de 2004
48. A imortalidade - 06 de abril de 2004
49. Prostituição e marginalidade - 13 de abril de 2004
50. A Liberdade - 20 de abril de 2004
51. A Terra - 27 de abril de 2004
52. Vida Estressada - 04 de maio de 2004
53. O Garoto - 11 de maio de 2004
54. O Silêncio - 18 de maio de 2004
55. O Inconsciente - 25 de maio de 2004
56. A História - 01 de junho de 2004
57. Homens e Máquinas - 08 de junho de 2004
* O Homem Simples (reprise) - 15 de junho de 2004
* Pequenos Prazeres (reprise) - 22 de junho de 2004
* O Parceiro Ideal (reprise) - 29 de junho de 2004

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pós-Modernidade - Ciro Marcondes Filho

Fonte: http://www.eca.usp.br/

O termo pós-moderno tem suas limitações. Apresentado às ciências humanas como uma inovação interessante no sentido de substituir velhos e ultrapassados paradigmas, a nova visão da sociedade introduzida por ele teve a vantagem de nos fazer sair definitivamente da modernidade e considerá-la, efetivamente, página virada da cultura ocidental.

O paradigma pós-moderno ocupou o lugar de um marxismo desgastado e desacreditado, transcendeu os limites do estruturalismo e da semiologia, deu uma resposta interessante às novas formas de organização da política, da estética, da ciência e da literatura. Foi o arejamento necessário para que se pudesse pensar o final do século 20 sem os vícios iluministas de sujeitos históricos, visões de totalidade, programas e projetos, compromissos de arte, da literatura e do agir. Ao mesmo tempo, integrou as novas tecnologias no discurso do presente, avaliando-a ora crítica ora entusiasticamente. Assim optaram por ele ex ou neomarxistas (D.Harvey), pós-estruturalistas (J. Derrida, J.-F. Lyotard), críticos de tradição nietzscheana dos mais diversos (G. Vattimo, J. Baudrillard), além de uma gama de sociólogos de modelo clássico (M. Maffesoli, G. Lipovetsky) e pensadores ditos “de direita”.

Não obstante, o pós-moderno tem um defeito congênito: nasceu com uma herança genética traiçoeira, oriunda de sua própria ascendência moderna. O conceito não conseguiu livrar-se da sombra da modernidade que sempre o ofuscou. Apesar de se propor a refutá-la, o pós-moderno jamais deixou de ser seu filho temporão e rebelde, rechaçando a mãe mas reapresentando invertidamente, em sua repulsa, as mesmas questões da modernidade. Em suma, estávamos ainda em torno dos mesmos e desgastados temas. Por isso estamos saindo em busca de um novo procedimento metodológico. Ludwig Wittgenstein, citado por Teixeira Coelho, acredita que seja preciso a constante mudança das formas de pensar e que a dificuldade está no fato de jamais conseguirmos ver o que está diante de nossos olhos. Propõe-se assim uma nova leitura do termo “hermenêutica”, não mais como atingimento de uma verdade, de um sentido, de uma razão escondida por trás da aparência dos fenômenos, como pressupunha a filosofia idealista. É preciso abordar o fenômeno, tentar compreendê-lo não da forma analítica, dissecando-o em partes, implodindo sua organização interna.

Jean Baudrillard, em notável proposição de seu teorema da parte maldita, sugere a forma de nos aproximarmos dos objetos: eles estão aí, imprevisíveis; a nós restaria simplesmente assestar o projetor, manter a abertura telescópica e esperar que alguns desses acontecimentos façam a gentileza de se deixar apanhar. Diz ele que para captar esses acontecimentos estranhos é preciso refazer da própria teoria uma coisa estranha: a teoria do crime perfeito ou um atrator estranho.

Dar autonomia ao objeto, subtraí-lo de nossa obsessão de dominá-lo, deixá-lo simplesmente “ser” podem ser um ponto de partida para uma nova ciência. Aquela que reconhece o objeto como inatingível, inseparável de si, inacessível à análise; mas também versátil, reversível, irônico, como diz o pensador francês. Isso implica uma mudança do papel do intelectual, do explicador. Deixa-se as coisas serem o que elas são e livra-se de um monopólio do saber, da tirania do possuidor da verdade, da supremacia de um código. Por que afinal precisamos de alguém que nos conduza pela mão ao reino do conhecimento? Nosso convidado disse que nas décadas anteriores teríamos sido “adestrados” no sentido de nossa consciência ter sido como que pavlovianamente formada numa certa direção e não em outra. A lavagem cerebral teria se dado de maneira “esclarecida” e criado pessoas que olhavam e não viam, pensavam por oposições sistemáticas, dentro de esquemas e modelos prontos e fáceis, buscando sempre conteúdos encobertos, jamais considerando puras formas.

Talvez esteja aí a questão. A pós-modernidade nos alertou para o morto que disfarçadamente habitava nossos ambientes, declarando publicamente sua farsa.

Ela não queria ter nada a ver com a modernidade e voltava seus olhos para uma nova maneira de ver o mundo. Mas essa proposta decretou, de igual forma, também seu próprio desaparecimento.

Com o fim da pós-modernidade podemos enfim acordar do sonho secular e refazer tudo aquilo que o pensamento dominador em nós embutido deturpou, mistificou, estrangulou.

http://www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=1064
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