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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Análise de “A Náusea”, de Jean Paul Sartre

Por Marcelo Sobrinho Mendonça 

Introdução

Em "A Náusea", Sartre nos mostra Antoine Roquentin, um historiador letrado e viajado, que chega à cidade de Bouville ("boul" indicando "lama" e metaforicamente "impureza") a fim de escrever a biografia do marquês de Rollebon, figura pitoresca e de excentricidade fascinante, que vivera na cidade durante o século XVIII. Ao iniciar seus trabalhos, logo se desencanta de forma irreversível não só pela biografia, como também pela própria sociedade e condições humanas com as quais se depara em Bouville. Roquentin é, então, acometido por uma (a priori) estranha sensação de aversão ao ser humano e sua condição existencial - a "náusea". Cercada de um niilismo exacerbado e elucubrações de alta profundidade intelectual, "A Náusea" nos mostra um protagonista despadronizado e repelido pelas próprias contestações que faz a respeito da existência e sua falta de sentido, ou seja, a respeito da gratuidade e ilogicidade da existência, por si só desprovida de essência. Trata-se, portanto, da saga de um personagem conturbado e por vezes beirando a loucura, tal é a nudez existencial a que ele se expõe.
Mecanismos de busca essencial

Como dito, para Antoine Roquentin a existência é gratuita e ilógica e essa constatação por cada um de nós é algo terrível e fora de aceitabilidade. Decorre dessa falta de essência verdadeira uma busca de cada ser humano por sua essência artificial e iludida, havendo, para esse fim, uma série de mecanismos que tornam a existência mais suportável.

Um desses mecanismos próprios de cada um é o que ele chama de "captura do tempo". Trata-se de uma organização memorial para tornar pequenos fatos, simples existências, marcos de um sentimento aventureiro, fazendo desse "grande" fato um polarizador atrativo dos fatos precedentes, como se esses tivessem levado ao grande fim. Dessa forma, organiza-se a memória humana a partir de fins, na ordem inversa. Esse mecanismo é apontado por Roquentin como uma poderosa instrumentação da mentira, a qual ele mesmo usou sem se dar conta, num ato involuntário de sua própria condição de homem.

Outro mecanismo elucidado pelo protagonista é o mundo do conhecimento e das ciências, criado pelas "grandes mentes" ainda presas em sua busca essencial. Esse mundo, que trata da origem das espécies, da conservação da energia no universo e chega a conferir uma essência "preguiçosa" até às janelas, "com seu índice de refração", é ilusório e torna o ser humano um conhecedor de seu mundo, um dominador de si mesmo e dos outros, num processo de profunda ilusão. Fazendo uma analogia à alegoria da caverna, de Platão, o homem imagina-se conhecedor de todo um universo, enquanto, na verdade, busca conhecer minuciosamente cada parte (por menor que seja) de sua caverna, sem jamais vislumbrar seu exterior. É mais um engano, sadio para a manutenção da existência.

Um outro mecanismo apontado é o de ordenamento das glórias passadistas pela burguesia acrítica e inábil para a contestação meditativa. Assim, glórias de outras gerações, baseadas no capital e no valor epidérmico do mundo, são relembradas de forma a conferir uma essência, uma lógica, à existência dos burgueses do presente. Esse mecanismo detestável a Roquentin lhe rouba críticas muito contundentes, chamando de "salafrários" a todos os burgueses de Bouville, constituintes desse espécime humano alienado.
Dialogando com Descartes

Da célebre frase "Penso, logo existo", Sartre, pela voz de Antoine Roquentin, faz um aprofundamento filosófico bem à maneira do Existencialismo, do qual Sartre é figura proeminente. Assim, para o protagonista, a consciência da existência, o sentir-se existir, advém do fato do pensamento, ou seja, à medida que se pensa, sente-se existir. Essa consciência é algo horrível para Roquentin e torna-se ainda pior quando ele constata que a única forma para fugir à existência é fugir ao pensamento. Mas nos perguntamos: como fugir ao pensamento se a necessidade de fuga já é um pensamento, que, como qualquer outro, nos reconduz à existência? Estamos presos, portanto, à existência, pois o caminho do pensamento e a chegada ao sentimento de existir são indesvencilháveis. Eis aí uma bela explicação à referida "náusea", que intitula a obra, pois quem suportaria estar perfeitamente cônscio de sua prisão sem, ao menos, sentir-se "nauseado"?
Humanismo x Existencialismo

Uma das únicas personagens com quem Antoine Roquentin se relaciona no livro é o Autodidata, um humanista ferrenho que aprendeu grande parte de seu vário conhecimento nos livros da biblioteca municipal, onde trabalha. De orientação filosófica bastante adversa à de Roquentin, ele representa uma personificação do Humanismo. Resulta dos encontros dos dois na biblioteca uma série de discussões de alta profundidade intelectual, num gládio de alto nível entre as duas posturas - a do Humanismo (representada pelo Autodidata, credor das capacidades humanas diferenciais) e a do Existencialismo (representada por Roquentin, niilista, misantrópica e repleta de meditações pessimistas). Após discussões severas, o protagonista Roquentin chega, entretanto, à conclusão de que não vale mais a pena discutir, pois a mente do Autodidata definitivamente não está preparada nem disposta a ouvir seus intricados conceitos, os quais seriam a perdição absoluta de qualquer humanista. Um episódio bastante interessante a ser citado e que ocorre durante um dos encontros dos dois na biblioteca municipal é a morte de uma mosca, esmagada por Roquentin em frente ao Autodidata. Ignorando os pedidos do bibliotecário, Roquentin esmaga a mosca e declara consternado: "Simplesmente libertei-a de sua existência, era um favor a prestar a ela!". É, sem dúvida, um episódio que deixa bem clara a melancolia advinda do existencialismo sartriano.
Música e Existencialismo

Logo no início da obra, Roquentin é bruscamente retirado de sua incessante náusea por uma composição jazzística de nome "Some of These Days". A princípio, essa correlação entre alívio e música é bastante misteriosa para o protagonista, mas, aos poucos, ele acaba por entender sua razão. Depois, analisando a atitude daqueles que ele chama de "imbecis", ou seja, aqueles que vão às salas de concertos buscando o esquecimento dos problemas ou aqueles que buscam superar suas crises com os "Prelúdios de Chopin", Roquentin conclui que essas pessoas tentam se deixar tocar pela música, como se essa fosse capaz de penetrar os poros do corpo e os vazios da mente, provocando uma mudança de sensações. Na verdade, isso pode ser apontado como mais um mecanismo de esquiva da existência penosa e intratável, de forma que, ao invés de sofrer pura e simplesmente, cada ser humano busca um sofrimento ritmado, melódico, ou como o próprio Roquentin infere: "É preciso sofrer em compasso". Ele vê-se, portanto, inserido nesse contexto de humanidade, tendo sofrido do mesmo engano que qualquer outro ser humano sofre, ao deixar-se invadir pela música tantas vezes citada "Some of These Days".
A verdadeira existência

Ao final da obra, após ter reencontrado sua mulher Anny, pela qual ainda pensava nutrir fortes sentimentos, Antoine Roquentin descobre que já não havia entre eles mais nada, exceto a simples repugnância entre quaisquer duas existências, o que o abala extremamente e o leva e abandonar Bouville definitivamente. Antes de partir, entretanto, ele termina por fazer suas reflexões mais escaldantes de toda a obra. Usando de sua ampla visão e conhecimentos, ele divaga sobre o que é a existência definitiva e as relações entre as existências simplórias que encontramos por toda parte, sempre à espreita.

Para ele, por exemplo, a idéia da existência de uma árvore passa a ser gratuita e absurda como qualquer outra existência e o absurdo reside no próprio fato de se existir, isto é, torna-se um absurdo à medida que se existe, pois a existência é desprovida de uma lógica que a fundamente. Já no campo da matemática, uma circunferência encontra em si mesma uma lógica definida e clara - o giro completo de um segmento de reta lhe confere seu fundamento. Logo, o que existe é absurdo exatamente pelo fato de existir e deixa-se o absurdo à medida que se deixa a existência. Também o tempo é visto de uma forma intrigante, sendo nada mais nada menos que a nossa percepção sensitiva da mudança entre duas existências. O tempo, pouco conceituável fisicamente, torna-se filosoficamente algo de simplicidade interessante - entre duas existências e uma observação externa, configura-se a noção de tempo.

Para selar o pessimismo que é detonado a cada página, Roquentin diz ainda que, algum dia, ele vai esbarrar nas ruas com homens cujas línguas estejam transformadas em lacraias e suas feições completamente animalizadas, pois, em sua visão, a igualdade de todas as existências poderia tornar os homens cada vez mais "existentes", simplesmente "existentes", como as próprias lacraias o são. O marquês de Rollebon, origem de sua vinda a Bouville, tornara-se, para ele, uma simples fuga de si mesmo, um homem buscando abandonar sua existência e mergulhar na de outro, numa tentativa naturalmente frustrada. Uma das últimas coisas que ele faz em Bouville, antes de tomar seu trem, é sentar-se num banco e observar as existências que o rodeiam, seja a de um lago, a de uma árvore ou a de cada pessoa que ele observa.

Devemos ter em vista, ainda, que "A Náusea" é uma obra que cresceu numa mente inquieta e repleta de conceitos complicadíssimos e, até certo ponto, chocantes - a mente de Sartre. Cresceu também num solo fértil para tais contestações existenciais - um palco beligerante que encaminhava a Segunda Guerra Mundial (iniciada em 1939, um ano após a publicação da obra). Inegavelmente, a obra traz conceitos revolucionários e dissonantes de qualquer forma filosófica precedente, sendo amada por uns e renegada por outros, sem, todavia, perder sua importância no cenário da filosofia do século XX.

Sobre o autor: Marcelo Sobrinho Mendonça, crítico, interessado em expôr uma visão do cotidiano. Publica artigos sobre literatura e filosofia.

FONTE:
http://www.mundodosfilosofos.com.br/analise-obra-a-nausea-jean-paul-sartre.htm

domingo, 10 de janeiro de 2010

RELAÇÃO COM SIMONE ROMPEU BARREIRAS - MARIA RITA KEHL

12.06.2005
publicado originalmente na Folha de S. Paulo, Mais! |
extraído de Bresser-Pereira Website

Eles formaram o casal símbolo das esperanças libertárias dos tempos modernos. O amor e a paixão da amizade, que os uniram por mais de 50 anos, até a morte de Sartre, consolidaram-se em torno de um objeto comum: a verdade. Mas como é impossível viver na verdade, o encontro entre Sartre e Simone inaugurou-se com uma mentira. Em 1929, quando se licenciou em filosofia na Sorbonne, Beauvoir estava envolvida em uma relação platônica com René Maheu (André Herbaud), amigo de Sartre.

O que mais sabia

Quando Jean-Paul propôs-lhe um encontro, Simone inventou uma desculpa e pediu a sua irmã que a substituísse. Esta, ao voltar do passeio, disse que Sartre engoliu a mentira "cortesmente".
Poucas semanas depois, Castor (forma como Simone era chamada por Sartre) entraria com Maheu e Nizan no quarto de Sartre para estudar Leibniz. Já no primeiro encontro percebeu que Sartre era o que mais sabia no grupo. Ganhava todas as discussões, mas mostrava uma genuína alegria em compartilhar seu saber. "Era um maravilhoso treinador intelectual", escreveu Simone em seu diário. Sartre estava com 23 anos, Simone, com 21. Depois desse primeiro contato, seguiu-se um período de alegre camaradagem entre Simone e os três rapazes, que a consideravam como uma igual: a moça de família burguesa e formação católica não se chocava com a liberdade da conversa masculina.
Em pouco tempo, a amizade de Sartre prevaleceu sobre a dos outros dois: "Todo tempo que não passava com ele era tempo perdido".
Para Beauvoir, Sartre foi o companheiro que não exigiu que ela renunciasse a si mesma. Para ele, Castor foi a cúmplice em um projeto que raras mulheres de sua geração aceitariam: uma parceria amorosa radicalmente antiburguesa, que excluía casamento, filhos, formação de patrimônio.
Uma união em que o pensamento e a escrita sempre estiveram em primeiro lugar, seguidos do companheirismo, do prazer da conversa, da paixão pela política. "Bruscamente, não me achava mais só", escreveu Simone, surpresa por ter encontrado um homem que a dominava intelectualmente, mas que a estimulava para que se tornasse sua igual. "Com ele, poderia sempre tudo partilhar."
Não foi um arroubo de juventude. Sartre e Simone bancaram, durante 51 anos, a ousada proposta do que Benjamin Péret chamou de "amor sublime", entre homem e mulher capazes de fazer, do encontro amoroso, condição de sublimação. Sartre não tinha interesse em dominar Simone. Sua liberdade o interessava, assim como seu talento e sua produção escrita. Foram sempre os primeiros leitores dos livros que um e outro escreviam.
Nunca moraram na mesma casa. Mesmo durante a doença de Sartre, os hábitos do agradável cotidiano compartilhado respeitavam os limites da autonomia de cada um. Passavam, juntos, uma parte das férias; depois, cada um viajava para o seu lado. "Mas a separação de Sartre sempre era um pequeno choque para mim", escreveu Beauvoir.
A longa lista de casos amorosos de Sartre, todos do conhecimento de Simone, tinha relação com o prazer que ele sentia em ocupar, diante de outras mulheres, a posição masculina tradicional, de domínio e poder.

Certa deserotização

É possível que o racionalismo que marcou a parceria entre Sartre e Simone, condição para que o casal sobrevivesse à arriscada proposta da liberdade sexual de ambos, tenha lhes custado o preço de uma certa deserotização. Na longa entrevista que Sartre concedeu à sua companheira em 1974, o interesse dele por outras mulheres foi discutido abertamente; àquela altura, o triunfo de Beauvoir sobre todas as outras estava consolidado. Com outras mulheres, Sartre experimentava o mundo singular de cada uma. Porém "o mundo, eu o vivia com você". Parecia um amor esfriado; talvez não fosse. "Amo muito você, minha querida Castor", teria lhe dito Sartre no hospital, dois dias antes de morrer.
A morte de Sartre deixou Simone em estado de choque. Tentou deitar-se junto do corpo dele no leito do hospital, debaixo dos lençóis. Ficou seriamente doente e esgotada nas semanas que se seguiram. Foi uma despedida dolorosa. "Sua morte nos separa. Minha morte não nos reunirá. Assim é: já é belo que nossas vidas tenham podido harmonizar-se por tanto tempo."

FONTE : http://www.simonebeauvoir.kit.net/artigos_p06.htm

CUMPLICIDADE ENTRE SIMONE BEAUVOIR E SARTE

ENTREVISTA COM HAZEL ROWLEY | autora de Tête-à-Tête
Ela contou a história de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir
Paulo Lima | julho 2006
extraído de Caros Amigos

"(...)A notável cumplicidade do casal permitia que dividissem não somente interesses e preocupações, mas também amantes. E essa liberdade era exercida mediante um pacto incomum: eles contavam tudo um para o outro. Bonita, ícone do feminismo, Beauvoir era igualmente uma sedutora e teve muitos amantes homens, mas também se envolveu com mulheres, fato que ela sempre negou e que só se tornou público após a sua morte, com a divulgação de suas cartas.

Hazel Rowley lecionou na Universidade de Iowa, Estados Unidos, e na Deakin University, Austrália, e é autora dos livros Richard Wright: The Life and Times e Christina Stead: A Biography. Para escrever o duplo retrato de Sartre e Beauvoir, ela realizou entrevistas originais e pesquisou centenas de cartas inéditas. “Jamais gostei tanto de ter escrito um livro“, disse nesta entrevista concedida por e-mail de Nova York, onde mora.(...)"

"(...)Relações abertas não eram incomuns. O que fez com que a de Sartre e Beauvoir fosse tão diferente e famosa?
É verdade, relações abertas não eram particularmente incomuns naquele tempo. Muitos amigos do casal levavam o mesmo tipo de vida. Hoje é algo incomum. O mundo se tornou mais conservador, em parte por causa da Aids. Porém, a maioria das pessoas que vivem relacionamentos abertos não conta tudo um para o outro, e com detalhes em technicolor! Mas Sartre e Beauvoir contavam tudo um para o outro. Isso lhes dava um sentimento de cumplicidade. Para escritores, isso era maravilhoso. Era quase como se cada um deles vivesse duas vidas. O que os tornou também famosos foram as memórias de Beauvoir. Ela despertou ainda mais o interesse sobre a vida dos dois escrevendo memórias sem fim sobre a vida do casal.(...)"

LEIA NA ÍNTEGRA EM :
FONTE : http://www.simonebeauvoir.kit.net/artigos_p08.htm

ÓBVIAS ESCAPADAS INCONSCIENTES!!??

NISE DA SILVEIRA

















Por mais que eu tente refletir e escrever sobre o maior mal de nossa sociedade,
mesmo vivendo este mal, e sabendo que muitas outras mulheres passam até por
coisas bem piores do que eu...não conseguiria.Porém saber que Simone de Beauvoir
escreveu,aos seus 41 anos :"O SEGUNDO SEXO", é surpreendente e recompensador!
Uma das questões mais complexas da humanidade!Raiz de muitos conflitos rotineiros,
e talvez o cerne das questões de direitos humanos!
Confesso, não tenho capacidade,nem condições necessárias para poder tratar
desta questão como eu gostaria!
Mas posso tentar escrever algumas coisas que sempre vi acontecer com
as mulheres que me rodeiam,e comigo mesma.
Por mais que se diga...ou mesmo que os homens  nunca entendam esta complexa e urgente questão
da mulher na sociedade, e nem as mulheres entendam e resolvam ir por caminhos opostos ao que seria o
esperado....e cairem nas "óbvias escapadas inconscientes",tanto os homens quanto as mulheres..."é melhor deixar pra lá"....mexer em ninhos de marimbondos nunca foi bom...e assim os assuntos mais presentes em nosso dia a dia,são tapados com a peneira há séculos....e eu pergunto, a troco de que?
Tive um amigo, o único amigo que preocupava-se e até falava sobre as questões da mulher!
Ele morreu cedo, mas vi que é algo que pode existir! Homens propondo-se a falar,
e a tentar cooperar com tais questões,mas quase sempre,os que sofrem com os problemas
é que devem lutar sozinhos !? é isso?
Sou mulher, não pude estudar antropologia, filosofia,psicologia ,sociologia,
ou outra coisa como essas... pra hoje poder estar tendo argumentos consideráveis e fazer-me entender!
Não tenho prática em escrever, tenho algumas deficiências,como todos,mas estou aqui tentando
dizer algo que possa acordar alguns, e sei que há muitas mulheres que poderiam e deveriam estar se expressando muito melhor do que eu,e não o fazem!
Sim, há algumas, sim! mas poderiam haver muitas mais! acho que não escrevem ou não se manifestam de outras formas porque acomodaram-se neste caos, e conseguem fazer das tripas coração e irem...irem...
mas para onde? No Brasil que dizem haver pouca participação do povo...será?...
Quando se parte pra luta num país como o Brasil, se é julgado como,radical, fanático, doido...
E se a gente se assume ativista,aí endoidou de vez, mesmo!
Hoje mais do que nunca as mulheres podem lutar junto com os homens,não contra eles,
tendo consciência sempre das armadilhas que estão por todos os lados,como por exemplo,
os condicionamentos que fazem as mulheres e os homens rivalizarem-se!
Lógico que há homens que assumem os emblemas a eles impostos de opressores, repressores,
covardes, exploradores, enfim ! E também há muitas mulheres que se sujeitam passivamente a estes
tão equivocados homens!... Então , sei que é possível começarmos a nos redesenhar, a nos atribuirmos novos desígnios e novas atitudes,deixando de repetir sempre o que nossos pais fizeram.
Hoje o companheirismo entre homens e mulheres é muito mais visível! Novos tempos!
E lutando juntos por causas tão abrangentes quanto esta,é que poderemos sair desta situação ainda muito nebulosa e que urge ser resolvida.
Quando um homem subestima uma mulher, ou vice e versa...a coisa fica ruim!
As diferenças entre os sexos é complicada, porque dificulta mesmo a compreensão, o entendimento mútuo! mas se formos pensar essas diferenças, esta incompreensão está também entre pessoas do mesmo sexo!

Nadia Stabile - 10/01/10

*IMAGEM : Nise da Silveira que com imensa coragem driblou com categoria de fazer inveja aos soberbos jogadores da seleção, a psiquiatria manicomial e higienista do século XX, colocando cores e amor no cuidar psiquiatrico.
http://eueumesmosemirenes.zip.net/arch2006-06-01_2006-06-30.html 

sábado, 9 de janeiro de 2010

A obra de Simone de Beauvoir

As suas obras oferecem uma visão sumamente reveladora de sua vida e de seu tempo.
Em seu primeiro romance, A convidada (1943), explorou os dilemas existencialistas da liberdade, da ação e da responsabilidade individual, temas que abordou igualmente em romances posteriores como O sangue dos outros (1944) e Os mandarins (1954), obra pela qual recebeu o Prêmio Goncourt e que é considerada a sua obra-prima.
As teses existencialistas, segundo as quais cada pessoa é responsável por si própria, introduzem-se também em uma série de quatro obras autobiográficas, além de Memórias de uma moça bem-comportada (1958), destacam-se A força das coisas (1963) e Tudo dito e feito (1972).
Entre seus ensaios críticos cabe destacar O Segundo Sexo (1949), uma profunda análise sobre o papel das mulheres na sociedade; A velhice (1970), sobre o processo de envelhecimento, onde teceu críticas apaixonadas sobre a atitude da sociedade para com os anciãos; e A cerimônia do adeus (1981), onde evocou a figura de seu companheiro de tantos anos, Sartre.

  • 1943 : L'Invitée, romance
  • 1944 : Pyrrhus et Cinéas, ensaio
  • 1945 : Le Sang des autres, romance
  • 1945 : Les Bouches inutiles, peça de teatro
  • 1946 : Tous les hommes sont mortels, romancce
  • 1947 : Pour une morale de l'ambiguïté, ensaio
  • 1948 : L'Amérique au jour le jour
  • 1949 : Le Deuxième Sexe, ensaio filosófico
  • 1954 : Les Mandarins, romance
  • 1955 : Privilèges, ensaio
  • 1957 : La Longue Marche, ensaio
  • 1958 : Mémoires d'une jeune fille rangée, autobiográfico
  • 1960 : La Force de l'âge, autobiográfico
  • 1963 : La Force des choses
  • 1964 : Une mort très douce, autobiográfico
  • 1966 : Les Belles Images, romance
  • 1967 : La Femme rompue, novela
  • 1970 : La Vieillesse, ensaio
  • 1972 : Tout compte fait, autobiográfico
  • 1979 : Quand prime le spirituel, romance
  • 1981 : La Cérémonie des adieux suivi de Entretiens avec Jean-Paul Sartre : août - septembre 1974, biografia
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Simone_de_Beauvoir


O S E G U N D O S E XO
 

SIMONE DE BEAUVOIR

Entendendo o eterno feminino como
um homólogo da alma negra, epítetos
que representam o desejo da casta dominadora
de manter em "seu lugar", isto
é, no lugar de vassalagem que escolheu
para eles, mulher e negro, Simone de
Beauvoir, despojada de qualquer preconceito,
elaborou um dos mais lúcidos e
interessantes estudos sobre a condição
feminina. Para ela a opressão se expressa
nos elogios às virtudes do bom negro,
de alma inconsciente, infantil e alegre,
do negro resignado, como na louvação
da mulher realmente mulher, isto é, frívola,
pueril, irresponsável, submetida ao
homem.
Todavia, não esquece Simone de Beauvoir
que a mulher é escrava de sua própria
situação: não tem passado, não tem
história, nem religião própria. Um negro
fanático pode desejar uma humanidade
inteiramente negra, destruindo o
resto com uma explosão atômica. Mas
a mulher mesmo em sonho não pode
exterminar os homens. O laço que a
une a seus opressores não é comparável
a nenhum outro. A divisão dos sexos é,
com efeito, um dado biológico e não um
momento da história humana.
Assim, à luz da moral existencialista,
da luta pela liberdade individual, Simone
de Beauvoir, em O Segundo Sexo, agora
em 4.a edição no Brasil, considera os
meios de um ser humano se realizar dentro
da condição feminina. Revela os
caminhos que lhe são abertos, a independência,
a superação das circunstâncias
que restringem a sua liberdade.
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