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segunda-feira, 15 de junho de 2015
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
CAPPAZ - CONFRARIA ARTISTAS E POETAS PELA PAZ
CAPPAZ -Confraria Artistas e Poetas pela Paz
Carlos Rodrigues Brandão afirma que a Paz é “uma criação do exercício generoso do diálogo entre as pessoas que não pode ser outorgado. Um dever de direitos que nos cabe porque somos individual e coletivamente responsáveis, seres da sociedade, dos povos e nações da terra“. (BRANDÃO, Carlos Rodrigues. IN: “Campo Aberto: escritos sobre educação e a cultura popular.” São Paulo. Cortês, 1995, p.48.)
Sim, pessoas responsáveis, conscientes de sua condição de cidadãos do mundo, como Mahatma Gandhi, (1869-1948), Bertrand Russel, (1872-1970), Martin Luther King Jr., (1920- 1968), Herbert de Souza, o Betinho, (1935-1997), grandes lideranças empenhadas na construção da paz em seu contexto sócio-cultural. Suas palavras nos inspiram e encorajam a Confraria na sua proposta de uma Cultura de Paz.
Mohandas Karamchand Gandhi - Nasceu em 02/10/1869 e morreu em 30/01/1948. Conhecido por Mahatma Gandhi, adotou o princípio da verdade e da justiça. Conclamou o povo indiano a resistir, de forma pacífica, contra os tribunais e as leis, em sua época, impostas ao país. Gandhi nunca recebeu o prêmio Nobel da Paz, apesar de ter sido indicado cinco vezes, entre 1937 e 1948. Décadas depois, no entanto, o erro foi reconhecido pelo comitê organizador do Nobel. Quando o Dalai Lama Tenzin Gyatso recebeu o prêmio, em 1989, o presidente do comitê disse que o prêmio era "em parte, um tributo à memória de Mahatma Gandhi".
Sobre Gandhi, Albert Einstein disse que as gerações por vir terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra.
- "O caminho da paz é o caminho da verdade. Ser honesto é ainda mais importante do que ser pacífico. Na verdade, a mentira é a mãe da violência. Um homem sincero não pode permanecer violento por muito tempo. Ele vai perceber, no curso de sua busca, que não tem necessidade de ser violento. Vai também descobrir que, enquanto houver nele o menor vestígio de violência, não conseguirá encontrar a verdade que está procurando.”
- "A não-violência não é somente um estado negativo que consiste em não fazer o mal, mas também um estado positivo que consiste em amar, em fazer o bem a todos, inclusive a quem nos faz mal.”
Agnes Gonxha Bojaxhiu (Madre Teresa de Calcutá) – Nasceu aos 26 de agosto de 1910, em Skopje - Albânia, hoje a atual capital da Macedônia. Faleceu em 5 setembro de 1997. Deixou-nos como exemplos: FÉ, AMOR, SOLIDARIEDADE, RESIGNAÇÃO, RENÚNCIA e RESPEITO a Deus - através do seu próximo – exemplos estes construídos em gestos concretos, através de toda a sua obra, a qual foi sendo edificada ano após ano, durante quase 70 anos. Laureada com o Prêmio Nobel da Paz, em 1979, pela luta contra a pobreza na Índia. Considerada a missionária do século XX, concretizou o projeto de apoiar e recuperar os desprotegidos na Índia. Através da sua congregação - "Missionárias da Caridade" - partiu em direção à conquista de um mundo que acabou rendido ao seu apelo de ajudar o mais pobre dos pobres.
- "Os pobres que buscamos podem morar perto ou longe de nós. Podem ser material ou espiritualmente pobres. Podem estar famintos de pão ou de amizade. Podem precisar de roupas ou do senso de riqueza que o amor de Deus representa para eles. Podem precisar do abrigo de uma casa feita de tijolos e cimento ou da confiança de possuírem um lugar em nossos corações."
- "Nunca compreenderemos o quanto um simples sorriso pode fazer."
Bertrand Russel – Nasceu em 18/05/1872, Trellek, País de Gales. Faleceu em 02/02/1970, Penthyndendrach - País de Gales. Filósofo, matemático e ensaísta, pioneiro no domínio da lógica; autor de "Principia Mathematica", (1903), e mais de 40 obras. Nobel de Literatura em 1950, participou de movimentos contra o uso de armas nucleares. Mundialmente conhecido - apóstolo da paz e paladino da humanidade - cativava os mais novos e inspirava os mais velhos. Galardoado com o Prêmio Nobel da Literatura, pela elegância de estilo, agudeza de ironia e destreza mental.
- “Se a paz não puder ser mantida com honra, deixa de ser paz”.
- “Não devemos aceitar a guerra, devemos opor-nos a ela, se quisermos sobreviver» - declarou.”
Martin Luther King Jr. - Nasceu em 19 de dezembro de 1899, Geórgia. Morreu em 4 de abril de 1968, às 6h da tarde, assassinado em Mênfis, com um tiro na cabeça. Morreu levando para o túmulo seu "sonho americano" de uma sociedade justa e livre de preconceitos. Conseguiu o fim da segregação contra os negros nos Estados Unidos. Laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1964, como ativista dos direitos humanos.
- ”Eu tenho um sonho que meus filhos viverão um dia numa nação onde não seriam julgados pela cor de sua pele, mas sim pela virtude de seu caráter.”
- “O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.”
- “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
Herbert de Souza - Sociólogo brasileiro, nasceu em 3/11/1935, em Bocaiúva, (MG). Morreu em 9/8/1997, Rio de Janeiro, (RJ). Militou na Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, lançada em 1993. Foi um dos primeiros intelectuais a advogar em favor das organizações não-governamentais, que não dependem do estado nem da iniciativa privada. Foi também um dos fundadores da campanha nacional pela reforma agrária. Em 1986, fundou a ABIA, uma associação para lutar pelos direitos das pessoas portadoras do HIV, ou dos doentes com Aids. Betinho dirigiu essa organização por onze anos. Em 1992, Betinho liderou o movimento pela Ética na Política, que culminou com o “impeachment” do então presidente Fernando Collor, em setembro do mesmo ano. Esse movimento plantou os alicerces do movimento Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida. A partir da participação de Betinho, o problema da fome e da miséria tornou-se visível e concreto para todos os brasileiros.
- “O que nos falta é a capacidade de traduzir em proposta aquilo que ilumina a nossa inteligência e mobiliza nossos corações: a construção de um novo mundo.” (Betinho-1993)
-"Para nascer um novo Brasil, humano, solidário, democrático, é fundamental que uma nova cultura se estabeleça, que uma nova economia se implante e que um novo poder expresse a sociedade democrática e a democracia no Estado.”
Autoria: Joyce Lima Krischke e Judite Krischke Sebastiany – Especialistas em Educação.
Revisão e Supervisão: João José Oliveira Gonçalves – Professor de Língua e Literatura Portuguesa.
Joyce Lima Krischke
João José Oliveira Gonçalves
A QUE NOS PROPOMOS
Tendo como grande objetivo a produção e difusão da Cultura de Paz, a Confraria Artistas e Poetas pela Paz – CAPPAZ se propõe a:
Tendo como grande objetivo a produção e difusão da Cultura de Paz, a Confraria Artistas e Poetas pela Paz – CAPPAZ se propõe a:
- produzir obras artísticas e literárias engajadas na promoção da Cultura de Paz;
- estudar poesia, literatura e arte contemporânea, engajada na promoção da Cultura de Paz;
- estimular a divulgação e lançar suas produções literárias e artísticas;
- oportunizar intercâmbio pessoal, cultural e educacional entre artistas, poetas escritores e educadores do Brasil;
- apoiar e realizar exposições e saraus;
- posicionar-se e influir na formação de opinião, perante polêmicas atuais, no que diz respeito à preservação da vida e da dignidade humana, conforme consta em nossa concepção de Paz.
Autoria: Joyce Lima Krischke e Judite Krischke Sebastiany – Especialistas em Educação.
Revisão e Supervisão: João José Oliveira Gonçalves – Professor de Língua e Literatura Portuguesa.
Joyce Lima Krischke
João José Oliveira Gonçalves
Revisão e Supervisão: João José Oliveira Gonçalves – Professor de Língua e Literatura Portuguesa.
Joyce Lima Krischke
João José Oliveira Gonçalves
SITE : http://www.cappaz.com.br/menu_principal.htm
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Poesia e paz no Oriente Médio - Por Lelia Maria Romero (AMIGA REGINA ENVIA)
Por Lelia Maria Romero
Em dezembro passado, na Casa das Rosas, aconteceu a “Noite da Poesia do Oriente Médio”, da qual tive a honra de participar. Para este encontro foram selecionadas, entre as muitas culturas e etnias da região, as culturas árabe, judaica e persa, com apresentação de poemas e poetas de épocas diversas, divididos em dois blocos: clássico e contemporâneo. Acordes de uma música iraniana moderna acolhiam o público que lotou o hall principal. Momentos de emoção singular: um fragmento do Cântico dos Cânticos “cantado” em hebraico e duas Galáxias de Haroldo de Campos em português, árabe e hebraico, entre outros.
Durante as conversas na organização da “Noite”, foi sugerido aproveitar a oportunidade para celebrar a paz. Encarregada de escrever o texto de abertura do sarau, me vi um pouco perdida para elaborar algo curto e conciso sobre poesia e paz no Oriente Médio. Pontos de interrogação se desenharam na minha tela criativa mas rapidamente, tomada por minhas fontes fiéis _ poesia e história_ o conteúdo se apresentou. Afinal não é preciso de argumentos para se falar de paz. É sentar e fazer, antes que os preconceitos, modeladores de corações e mentes, enferrujem as lembranças poéticas, os erros e trunfos históricos. Lembremo-nos das trocas artísticas e da poesia que permanece. Longe dos interesses contemporâneos que transformaram o Oriente Médio numa região de discórdia em plena potência, recordemos as grandes civilizações que cresceram naquelas terras: egípcia, babilônica, persa, assíria, fenícia, mesopotâmica, entre tantas. No raio do Crescente Fértil – a passagem para a Índia, caminho do Mediterrâneo, entrada de grandes invasões, cruzamento de cameleiros e caravanas, ponto de intercâmbio, dos rastros de tapetes mágicos –, a região já era berço de expressiva produção poética. Do segundo milênio a.C., a Epopeia de Gilgamesh nos chega como o mais belo poema épico antes de Homero. Torneios de poesia lotavam praças e mercados e suspendiam, temporariamente, as guerras tribais na Península Arábica. A paz durava enquanto havia poesia.
O Oriente Médio passa a ser tratado de fora para dentro, antes mesmo da formação arbitrária dos estados modernos no século XX. Esse olhar se recrudesce com a deformação nas relações entre culturas e países, advindas do poder adquirido por duas riquezas subterrâneas: água e petróleo. A poesia contemporânea aproveita os temas e engendra outra teia de contatos e impermanências. Muitas vozes ecoam e estamos aqui para celebrar a poesia cotidiana e real. Lembremos ainda que o olhar de fora para dentro deforma o real e alimenta o idealismo que impõe, formata e pede fronteiras. A convivência pacífica alarga os limites, tende a construir pontes e, assim como a poesia, edifica. A paz é uma postura cotidiana, é desfronteira, é real.
É desnecessário forjar circunstâncias para se falar de paz e de poesia. Somos pela letra poética de cada dia, mensagem subliminar da “Noite da Poesia do Oriente Médio”, assim como foi o “Festival Literário da Palestina”, em 2009. Festival literário na Palestina ocupada? Parece estranho, mas se falamos sobre paz, lembremos que ali as pessoas não têm o direito de ir e vir por causa dos postos militares israelenses. Por isso os organizadores transformaram o evento em festival itinerante, para que a população da Cisjordânia tivesse a oportunidade de viver essa experiência e pudesse seguir o rastro da poesia. O Festival foi de Jerusalém a Ramallah, a Jenin, Hebron e voltou para Jerusalém, sem tranquilidade infelizmente, mas acompanhado pelo interesse e entusiasmo da gente local.
Assim são os caminhos da poesia, que de alguma forma – festiva, silenciosa, delicada – se tecem, se apresentam, se modificam e permanecem porque, soprados para outros cantos, germinam. Caros amantes da palavra poética e do desenrolar da história humana, lembremo-nos, mais que tudo neste momento, que ontem ou hoje, não há muros para a poesia, seja na Casa das Rosas ou na Palestina.
Lelia Maria Romero é poeta e escritora, autora de "Andaluza". Pesquisa a Espanha medieval e F.G.Lorca. Coordena o Projeto NARRARTE que organiza oficinas de escrita e saraus. Colaboradora do Conselho Cultural do ICArabe.
A reprodução do artigo da newsletter do ICArabe é livre, desde que citados fonte e autor. Os artigos assinados e publicados aqui não necessariamente refletem a opinião do Instituto da Cultura Árabe.
FONTE : http://www.icarabe.org/
Em dezembro passado, na Casa das Rosas, aconteceu a “Noite da Poesia do Oriente Médio”, da qual tive a honra de participar. Para este encontro foram selecionadas, entre as muitas culturas e etnias da região, as culturas árabe, judaica e persa, com apresentação de poemas e poetas de épocas diversas, divididos em dois blocos: clássico e contemporâneo. Acordes de uma música iraniana moderna acolhiam o público que lotou o hall principal. Momentos de emoção singular: um fragmento do Cântico dos Cânticos “cantado” em hebraico e duas Galáxias de Haroldo de Campos em português, árabe e hebraico, entre outros.
Durante as conversas na organização da “Noite”, foi sugerido aproveitar a oportunidade para celebrar a paz. Encarregada de escrever o texto de abertura do sarau, me vi um pouco perdida para elaborar algo curto e conciso sobre poesia e paz no Oriente Médio. Pontos de interrogação se desenharam na minha tela criativa mas rapidamente, tomada por minhas fontes fiéis _ poesia e história_ o conteúdo se apresentou. Afinal não é preciso de argumentos para se falar de paz. É sentar e fazer, antes que os preconceitos, modeladores de corações e mentes, enferrujem as lembranças poéticas, os erros e trunfos históricos. Lembremo-nos das trocas artísticas e da poesia que permanece. Longe dos interesses contemporâneos que transformaram o Oriente Médio numa região de discórdia em plena potência, recordemos as grandes civilizações que cresceram naquelas terras: egípcia, babilônica, persa, assíria, fenícia, mesopotâmica, entre tantas. No raio do Crescente Fértil – a passagem para a Índia, caminho do Mediterrâneo, entrada de grandes invasões, cruzamento de cameleiros e caravanas, ponto de intercâmbio, dos rastros de tapetes mágicos –, a região já era berço de expressiva produção poética. Do segundo milênio a.C., a Epopeia de Gilgamesh nos chega como o mais belo poema épico antes de Homero. Torneios de poesia lotavam praças e mercados e suspendiam, temporariamente, as guerras tribais na Península Arábica. A paz durava enquanto havia poesia.
O Oriente Médio passa a ser tratado de fora para dentro, antes mesmo da formação arbitrária dos estados modernos no século XX. Esse olhar se recrudesce com a deformação nas relações entre culturas e países, advindas do poder adquirido por duas riquezas subterrâneas: água e petróleo. A poesia contemporânea aproveita os temas e engendra outra teia de contatos e impermanências. Muitas vozes ecoam e estamos aqui para celebrar a poesia cotidiana e real. Lembremos ainda que o olhar de fora para dentro deforma o real e alimenta o idealismo que impõe, formata e pede fronteiras. A convivência pacífica alarga os limites, tende a construir pontes e, assim como a poesia, edifica. A paz é uma postura cotidiana, é desfronteira, é real.
É desnecessário forjar circunstâncias para se falar de paz e de poesia. Somos pela letra poética de cada dia, mensagem subliminar da “Noite da Poesia do Oriente Médio”, assim como foi o “Festival Literário da Palestina”, em 2009. Festival literário na Palestina ocupada? Parece estranho, mas se falamos sobre paz, lembremos que ali as pessoas não têm o direito de ir e vir por causa dos postos militares israelenses. Por isso os organizadores transformaram o evento em festival itinerante, para que a população da Cisjordânia tivesse a oportunidade de viver essa experiência e pudesse seguir o rastro da poesia. O Festival foi de Jerusalém a Ramallah, a Jenin, Hebron e voltou para Jerusalém, sem tranquilidade infelizmente, mas acompanhado pelo interesse e entusiasmo da gente local.
Assim são os caminhos da poesia, que de alguma forma – festiva, silenciosa, delicada – se tecem, se apresentam, se modificam e permanecem porque, soprados para outros cantos, germinam. Caros amantes da palavra poética e do desenrolar da história humana, lembremo-nos, mais que tudo neste momento, que ontem ou hoje, não há muros para a poesia, seja na Casa das Rosas ou na Palestina.
Lelia Maria Romero é poeta e escritora, autora de "Andaluza". Pesquisa a Espanha medieval e F.G.Lorca. Coordena o Projeto NARRARTE que organiza oficinas de escrita e saraus. Colaboradora do Conselho Cultural do ICArabe.
A reprodução do artigo da newsletter do ICArabe é livre, desde que citados fonte e autor. Os artigos assinados e publicados aqui não necessariamente refletem a opinião do Instituto da Cultura Árabe.
FONTE : http://www.icarabe.org/
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
TOLSTOI E JESUS
"Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo." - Léon Tolstói
(...) Tolstoi ficou famoso por ser um pacifista. Nas palavras de Mahatma Gandhi, com quem Tolstói trocou correspondência, o escritor foi o maior "apóstolo da não-violência". No livro "O Reino de Deus está em vós", Tolstoi baseia-se no Sermão da Montanha para afirmar que não se deve resistir ao mal utilizando-se do próprio mal.
No mesmo livro, continuando seu raciocínio pacifista, o escritor afirma ser contrário ao serviço militar obrigatório (e ao militarismo como um todo). Ele também defende e exalta povos como os Quakers, que buscam a simplicidade, a autonomia e não utilizam de violência.
Religiosidade sem dogmas
Foi excomungado pela Igreja Ortodoxa Russa, religião dominante no seu país, depois de tanto critica-la. O escritor entendia como dogmas irracionais, que serviam para dominar o povo, alguns dos conceitos mais caros à Igreja. Considerava e seguia a doutrina de Jesus, mas achava impossível, por exemplo, que Jesus pudesse ser um homem e Deus, ao mesmo tempo. Para Tolstoi, Deus estava nas próprias pessoas e em suas ações e Jesus teria sido, para ele, o homem que melhor soube exprimir uma conduta moral que gerasse justiça, felicidade e elevasse espiritualmente a todos os homens.
Seu cristianismo exacerbado, no fim de sua vida, assemelhava-se ao cristianismo primitivo. Em alguns trabalhos publicados, seus textos foram muito mais longe que suas atitudes pessoais, como em "Sonata a Kreutzer", que mostra uma tendência a exaltar o celibato, porém o escritor ainda teve filhos depois desta obra. Pouco antes de sua morte, seus amigos o aconselharam a se retratar com a Igreja, este porém, recusando-se.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Liev_Tolst%C3%B3i
'A natureza vai seguir seu curso' (AMIGA REGINA ENVIA) ÁRVORES,ÁRVORES,ÁRVORES E UMA GRANDE MULHER
Wangari Maathai

Líder ambiental e Prêmio Nobel da Paz em 2004 por sua luta em defesa da natureza, a queniana Wangari Maathai é a mulher mais "neutralizada" do mundo. Seu grupo, o Green Belt Movement, já plantou mais de 45 milhões de árvores nos últimos 30 anos. Em entrevista, Wangari, que acompanhou em Copenhague a discussão do clima, defende o plantio de árvores como forma de lutar contra o aquecimento e alerta para o perigo de o mundo enfrentar cada vez mais guerras ambientais, como as que já se desenrolam na África, pondo em risco a segurança global. "Quando os recursos se tornarem escassos, as pessoas vão lutar por qualquer coisa que tenha restado." -
O Globo, 21/12, Ciência, p.25.

Líder ambiental e Prêmio Nobel da Paz em 2004 por sua luta em defesa da natureza, a queniana Wangari Maathai é a mulher mais "neutralizada" do mundo. Seu grupo, o Green Belt Movement, já plantou mais de 45 milhões de árvores nos últimos 30 anos. Em entrevista, Wangari, que acompanhou em Copenhague a discussão do clima, defende o plantio de árvores como forma de lutar contra o aquecimento e alerta para o perigo de o mundo enfrentar cada vez mais guerras ambientais, como as que já se desenrolam na África, pondo em risco a segurança global. "Quando os recursos se tornarem escassos, as pessoas vão lutar por qualquer coisa que tenha restado." -
O Globo, 21/12, Ciência, p.25.
domingo, 25 de outubro de 2009
INEXORÁVEIS MUROS (HOMENAGEM AO PROFESSOR CHRYSTIAN PAIVA)
enquanto houver muros entre homens e mulheres
tudo continuará deturpado na cabeça
dos "humanos" deste planeta
tudo começa "em casa",tanto a opressão
quanto o respeito e o amor
mulheres que tornam-se mães,
estando em seu juízo perfeito,
nunca iriam alimentar seus filhos
com alimentos impestiados
tudo urge em ser transformado
falta feminilidade no mundo!
faltam mulheres sendo respeitadas
vimos que o mundo sendo dos homens
deu no que deu...
falta feminilidade
é preciso descobrir a mulher!
mulheres tem instinto de preservação natural
mulheres não querem ver seus filhos mortos
ou vivendo mal!
mulheres não alimentam seus filhos com veneno!
mulher rima com vida.
Nadia Stabile - 25/10/09
*Hoje faz uma semana que o professor Chrystian Paiva morreu.
Estas três postagens que fiz hoje,foram em homenagem a ele.
tudo continuará deturpado na cabeça
dos "humanos" deste planeta
tudo começa "em casa",tanto a opressão
quanto o respeito e o amor
mulheres que tornam-se mães,
estando em seu juízo perfeito,
nunca iriam alimentar seus filhos
com alimentos impestiados
tudo urge em ser transformado
falta feminilidade no mundo!
faltam mulheres sendo respeitadas
vimos que o mundo sendo dos homens
deu no que deu...
falta feminilidade
é preciso descobrir a mulher!
mulheres tem instinto de preservação natural
mulheres não querem ver seus filhos mortos
ou vivendo mal!
mulheres não alimentam seus filhos com veneno!
mulher rima com vida.
Nadia Stabile - 25/10/09
*Hoje faz uma semana que o professor Chrystian Paiva morreu.
Estas três postagens que fiz hoje,foram em homenagem a ele.
domingo, 20 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
mamas fartas e o tempo
riam "macacos", riam!
que eu saiba macacas não possuem mamas fartas,
mas mulheres sim, não todas...
mas as que possuem dizem ter um grande coração,
dizem serem muito mais maternais e carinhosas!
...e assim com o tempo até os corações envelhecem
com o tempo tudo passa, tudo cicratiza, tudo se transforma,
minha tia ficou velhinha,mas ainda tem o coração jovem
e romântico,ama os animais e deleita-se só de ver
uma foto de periquitos enamorados!
estas são a maioria das mulheres, com mamas fartas, ou não!
mulheres tiram de letra o tempo!
colocam-no abaixo... a sabedoria das mulheres não tem fim...
elas amam, amam tudo, amam uma flor,
amam os pássaros,e amam até...o amor!
embora não sejam poetas tanto quanto os homens!
elas extrapolam a poesia, elas são a própria poesia!
Mulheres bagunçam o tempo,com mamas fartas ou não!
Tempo e natureza...mulher é natureza com todos os detalhes,
com todos os caprichos!...
e o tempo,deixemos para os homens filosofarem sobre ele!
Nadia Stabile - 03/09/09
que eu saiba macacas não possuem mamas fartas,
mas mulheres sim, não todas...
mas as que possuem dizem ter um grande coração,
dizem serem muito mais maternais e carinhosas!
...e assim com o tempo até os corações envelhecem
com o tempo tudo passa, tudo cicratiza, tudo se transforma,
minha tia ficou velhinha,mas ainda tem o coração jovem
e romântico,ama os animais e deleita-se só de ver
uma foto de periquitos enamorados!
estas são a maioria das mulheres, com mamas fartas, ou não!
mulheres tiram de letra o tempo!
colocam-no abaixo... a sabedoria das mulheres não tem fim...
elas amam, amam tudo, amam uma flor,
amam os pássaros,e amam até...o amor!
embora não sejam poetas tanto quanto os homens!
elas extrapolam a poesia, elas são a própria poesia!
Mulheres bagunçam o tempo,com mamas fartas ou não!
Tempo e natureza...mulher é natureza com todos os detalhes,
com todos os caprichos!...
e o tempo,deixemos para os homens filosofarem sobre ele!
Nadia Stabile - 03/09/09
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Beto, Bia e Abelardo - Ciclo 1: O mundo visto pelo olhar de Beto
Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Por Jeosafá Fernandez
Orientações iniciais: desenvolvendo habilidades de leitura e discutindo valores
O projeto Beto, Bia e Abelardo procura vincular a leitura em língua portuguesa à necessária e atual discussão sobre valores. Articula deliberadamente competências e habilidades lingüísticas e literárias à reflexão sobre conteúdos culturais, morais, éticos, científicos, artísticos entre outros. Parte da constatação de que nenhuma eduação é isenta, de que toda verdadeira ação de leitura é um mergulho em profundidade na sociedade, no íntimo do indivíduo e no coração do conhecimento, e de que todos estamos, o tempo todo, constituindo ou rejeitando, assumindo ou criticando valores, consicente ou inconscientemente.
O que é ser "bem-educado"? Aceitar passivamente os berros dos adultos ou dos mais fortes? Devolver com grito o grito e com violência a violência? O que é ler bem? Seria repetir, muitas vezes com as mesmas palavras, o que os superiores exigem, sem nada criar ou contestar? E o que seria "uma pessoa moral"? Aquela que elege valores de sua religião, de seu grupo social, ou unicamente seus, para os impor, a todo custo e meio aos demais?
Viver numa sociedade tão dinâmica, num mundo tão complexo, numa época tão cheia de guerras e violências impõe a quem deseja justiça, respeito aos direitos humanos e ao meio-ambiente atitude positiva: é preciso entender o mundo, é preciso entender o outro, é preciso que cada um entenda a si próprio e lute por mudanças solidárias, em relação ao hoje e em relação às gerações futuras, que têm direito de receber um planeta e um vida decentes. Noutras palavras: é preciso saber para mudar, mas não há saber sem boa leitura e bons leitores, de textos e de mundos.
Traduzo assim as intenções e expectativas de Beto, Bia e Abelardo: ler para gostar, ler para saber, ler para mudar solidariamente o mundo.
Linguagem oral
Explorar possibilidades de leitura oral a partir de dialetos (falares regionais: caipira, do nordeste, gaúcho, entre outros) e socioletos (falares de grupos sociais: jovem urbano, idosos, mulheres, jargões profissionais etc.). Buscar múltiplas e variadas locuções interpretadas, articulando modulação de voz, ritmos, timbres, tonalidades, volume, velocidade (não há uma certa, mas muitas possíveis, desde que atinjam o objetivo de fisgar o leitor). No caso da criança alfabetizada e letrada, dar oportunidade para que ela execute a leitura, de trechos ou de histórias completas, desde que ela assim deseje. Aproveitar interferências durante a leitura para elucidar dúvidas. Interromper a leitura somente se a criança solicitar, e explicar somente o que ela solicitou (nas atividades de pré-leitura e de pós-leitura o professor poderá destacar o que julgar necessário, seja com relação à linguagem, seja com relação a valores em questão). A leitura pode ser feita sem interrupções ou pode sofrer pausas, sempre a depender da solicitação da criança. No primeiro caso, é necessário discutir questões de linguagem e de conteúdo com as crianças ao final. Cada sessão de leitura não deve ultrapassar 50 minutos.
Tanto a pré quanto a pós leitura pode ser realizada imediatamente à leitura ou em momentos outros, mas sempre na mesma semana.
Linguagem escrita
Orientar a criança sobre a organização do livro, os significados e sentidos das imagens e das cores de capa e de início e final de episódio. Não esquecer dados técnicos: título da obra, títulos dos episódios, autor do texto e autores das imagens etc. Explorar com a criança as diferenças entre texto oral e texto escrito. Alertar a criança que o texto tem obstáculos propositais, que elas podem superar com ajuda do professor ou dos pais (questões de vocabulário, de palavras de uso regional, pontuação, acentuação, pronúncia a partir do registro escrito, de recursos poéticos tais como rimas, aliterações e cadências etc.). Há vários jogos de linguagem no livro. Numa das histórias, há a explicitação de que há no livro, além do bem-te-vi, gralhas. Aqui, gralha é o nome que se dá para anomalias do registro escrito no texto impresso. No trabalho com o texto escrito, a criança deve ser estimulada a encontrar as gralhas presentes no texto. Nisso ela pode ser ajudada pelos pais em casa (é conveniente que os pais leiam em casa a história da semana e ajudem a criança a superar as dificuldades textuais e a apontar as gralhas presentes apenas na história da semana). Esse jogo chama-se Caça às gralhas. Mais à frente esse jogo estará amarrado a duas personagens do Ciclo 2 - O mundo visto pelo olhar de Bia. As atividades de pré e de pós-leitura não devem ser amarradas à produção escrita. Algumas vezes isso é desejável, mas não deve predominar. Ciranda de roda, produção de desenhos e pinturas, jogos e brincadeiras podem muito bem ser mobilizados para sensibilizar a criança (pré-leitura) e para concluir significativamente o trabalho com cada episódio (pós-leitura). Em ambos os casos a criação e a produção imaginativa da criança devem ter lugar. Devem ser descartadas todas as práticas de reprodução, bem com aquelas que não possam ser compreendidas claramente e aceitas voluntariamente pelas crianças. Convém discutir as noções de “certo” e “errado”, comparando-se a linguagem oral e a escrita.
Valores éticos, morais, sociais, científicos, afetivos entre outros
O projeto Beto, Bia e Abelardo articula competências e habilidades de leitura com o debate sobre constituição de valores. Que valores a mídia, a família e a escola estão constituindo e transmitindo às nossas crianças? Nós concordamos com tudo que chega a nossos filhos ou não? Pais e educadores podem intervir na formação de valores de seus filhos e alunos?
Estas questões e outras da mesma natureza permeiam cada um dos 10 episódios de Beto, Bia e Abelardo. Há violência contra a mulher no seio da família? Há manifestações de machismo? Há intolerância contra as diferenças? Há respeito ao meio-ambiente? A criança é exposta a risco pelos adultos? O desemprego e as dificuldades econômicas afetam as relações do casal e deste com os filhos? O pano de fundo dessas histórias são quatro importantes documentos contemporâneos, que devem ser explorados nas atividades pré e pós leitura, bem como nos debates e explicações para as crianças: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso. Nas atividades de pré e de pós-leitura, bem como nos debates e explicações às crianças, devem ser propostos problemas éticos e morais que elas devem responder com auxílio dos colegas e dos pais: Qual o papel dos adultos em relação à proteção à criança? Que relações têm as fábulas infantis com os riscos que as crianças sofrem hoje, em meio a uma sociedade consumista, muito injusta e particularmente violenta contra os mais fracos? Como a criança pode evitar situações de risco? Quais são as situações potencialmente de risco para crianças? Devemos ou não proteger os idosos? Que idéias e valores os desenhos e programas infantis veiculam e estimulam nas crianças? O certo é ser solidário ou levar vantagem em tudo? O certo é passar a rasteira no colega ou se associar a ele para vencer dificuldades. Como posso, enquanto criança, tornar minha família, minha rua, minha escola, meu bairro, o mundo melhores? Quando é que eu, enquanto criança, passo dos limites? O que são limites? Posso ser espancado porque passei dos limites? O que são direitos, o que são deveres? O que é liberdade, o que é abuso?
Essas e outras questões devem ter destaque no trabalho desenvolvido pelo projeto. Disponibilizar para as crianças e para suas famílias os documentos citados é necessário.
As atividades de pré, pós e mesmo as de leitura podem ser realizadas com presença de familiares e membros da comunidade, desde que devidamente planejadas, de modo que o foco seja mantido sempre nas crianças participantes do projeto: pais e comunidade têm lugar importante, auxiliando e co-participando, mas não devem tomar o lugar das crianças.
Orientação geral: Realizar apontamentos durante as atividades.
DO BLOG : Amplexos do JeosaFÁ - Educação, Literatura, Leitura, Cinema, Paz
FONTE: http://amplexosdojeosafa.blogspot.com/2008/03/beto-bia-e-abelardo-ciclo-1-o-mundo.html
Por Jeosafá Fernandez
Orientações iniciais: desenvolvendo habilidades de leitura e discutindo valores
O projeto Beto, Bia e Abelardo procura vincular a leitura em língua portuguesa à necessária e atual discussão sobre valores. Articula deliberadamente competências e habilidades lingüísticas e literárias à reflexão sobre conteúdos culturais, morais, éticos, científicos, artísticos entre outros. Parte da constatação de que nenhuma eduação é isenta, de que toda verdadeira ação de leitura é um mergulho em profundidade na sociedade, no íntimo do indivíduo e no coração do conhecimento, e de que todos estamos, o tempo todo, constituindo ou rejeitando, assumindo ou criticando valores, consicente ou inconscientemente.
O que é ser "bem-educado"? Aceitar passivamente os berros dos adultos ou dos mais fortes? Devolver com grito o grito e com violência a violência? O que é ler bem? Seria repetir, muitas vezes com as mesmas palavras, o que os superiores exigem, sem nada criar ou contestar? E o que seria "uma pessoa moral"? Aquela que elege valores de sua religião, de seu grupo social, ou unicamente seus, para os impor, a todo custo e meio aos demais?
Viver numa sociedade tão dinâmica, num mundo tão complexo, numa época tão cheia de guerras e violências impõe a quem deseja justiça, respeito aos direitos humanos e ao meio-ambiente atitude positiva: é preciso entender o mundo, é preciso entender o outro, é preciso que cada um entenda a si próprio e lute por mudanças solidárias, em relação ao hoje e em relação às gerações futuras, que têm direito de receber um planeta e um vida decentes. Noutras palavras: é preciso saber para mudar, mas não há saber sem boa leitura e bons leitores, de textos e de mundos.
Traduzo assim as intenções e expectativas de Beto, Bia e Abelardo: ler para gostar, ler para saber, ler para mudar solidariamente o mundo.
Linguagem oral
Explorar possibilidades de leitura oral a partir de dialetos (falares regionais: caipira, do nordeste, gaúcho, entre outros) e socioletos (falares de grupos sociais: jovem urbano, idosos, mulheres, jargões profissionais etc.). Buscar múltiplas e variadas locuções interpretadas, articulando modulação de voz, ritmos, timbres, tonalidades, volume, velocidade (não há uma certa, mas muitas possíveis, desde que atinjam o objetivo de fisgar o leitor). No caso da criança alfabetizada e letrada, dar oportunidade para que ela execute a leitura, de trechos ou de histórias completas, desde que ela assim deseje. Aproveitar interferências durante a leitura para elucidar dúvidas. Interromper a leitura somente se a criança solicitar, e explicar somente o que ela solicitou (nas atividades de pré-leitura e de pós-leitura o professor poderá destacar o que julgar necessário, seja com relação à linguagem, seja com relação a valores em questão). A leitura pode ser feita sem interrupções ou pode sofrer pausas, sempre a depender da solicitação da criança. No primeiro caso, é necessário discutir questões de linguagem e de conteúdo com as crianças ao final. Cada sessão de leitura não deve ultrapassar 50 minutos.
Tanto a pré quanto a pós leitura pode ser realizada imediatamente à leitura ou em momentos outros, mas sempre na mesma semana.
Linguagem escrita
Orientar a criança sobre a organização do livro, os significados e sentidos das imagens e das cores de capa e de início e final de episódio. Não esquecer dados técnicos: título da obra, títulos dos episódios, autor do texto e autores das imagens etc. Explorar com a criança as diferenças entre texto oral e texto escrito. Alertar a criança que o texto tem obstáculos propositais, que elas podem superar com ajuda do professor ou dos pais (questões de vocabulário, de palavras de uso regional, pontuação, acentuação, pronúncia a partir do registro escrito, de recursos poéticos tais como rimas, aliterações e cadências etc.). Há vários jogos de linguagem no livro. Numa das histórias, há a explicitação de que há no livro, além do bem-te-vi, gralhas. Aqui, gralha é o nome que se dá para anomalias do registro escrito no texto impresso. No trabalho com o texto escrito, a criança deve ser estimulada a encontrar as gralhas presentes no texto. Nisso ela pode ser ajudada pelos pais em casa (é conveniente que os pais leiam em casa a história da semana e ajudem a criança a superar as dificuldades textuais e a apontar as gralhas presentes apenas na história da semana). Esse jogo chama-se Caça às gralhas. Mais à frente esse jogo estará amarrado a duas personagens do Ciclo 2 - O mundo visto pelo olhar de Bia. As atividades de pré e de pós-leitura não devem ser amarradas à produção escrita. Algumas vezes isso é desejável, mas não deve predominar. Ciranda de roda, produção de desenhos e pinturas, jogos e brincadeiras podem muito bem ser mobilizados para sensibilizar a criança (pré-leitura) e para concluir significativamente o trabalho com cada episódio (pós-leitura). Em ambos os casos a criação e a produção imaginativa da criança devem ter lugar. Devem ser descartadas todas as práticas de reprodução, bem com aquelas que não possam ser compreendidas claramente e aceitas voluntariamente pelas crianças. Convém discutir as noções de “certo” e “errado”, comparando-se a linguagem oral e a escrita.
Valores éticos, morais, sociais, científicos, afetivos entre outros
O projeto Beto, Bia e Abelardo articula competências e habilidades de leitura com o debate sobre constituição de valores. Que valores a mídia, a família e a escola estão constituindo e transmitindo às nossas crianças? Nós concordamos com tudo que chega a nossos filhos ou não? Pais e educadores podem intervir na formação de valores de seus filhos e alunos?
Estas questões e outras da mesma natureza permeiam cada um dos 10 episódios de Beto, Bia e Abelardo. Há violência contra a mulher no seio da família? Há manifestações de machismo? Há intolerância contra as diferenças? Há respeito ao meio-ambiente? A criança é exposta a risco pelos adultos? O desemprego e as dificuldades econômicas afetam as relações do casal e deste com os filhos? O pano de fundo dessas histórias são quatro importantes documentos contemporâneos, que devem ser explorados nas atividades pré e pós leitura, bem como nos debates e explicações para as crianças: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso. Nas atividades de pré e de pós-leitura, bem como nos debates e explicações às crianças, devem ser propostos problemas éticos e morais que elas devem responder com auxílio dos colegas e dos pais: Qual o papel dos adultos em relação à proteção à criança? Que relações têm as fábulas infantis com os riscos que as crianças sofrem hoje, em meio a uma sociedade consumista, muito injusta e particularmente violenta contra os mais fracos? Como a criança pode evitar situações de risco? Quais são as situações potencialmente de risco para crianças? Devemos ou não proteger os idosos? Que idéias e valores os desenhos e programas infantis veiculam e estimulam nas crianças? O certo é ser solidário ou levar vantagem em tudo? O certo é passar a rasteira no colega ou se associar a ele para vencer dificuldades. Como posso, enquanto criança, tornar minha família, minha rua, minha escola, meu bairro, o mundo melhores? Quando é que eu, enquanto criança, passo dos limites? O que são limites? Posso ser espancado porque passei dos limites? O que são direitos, o que são deveres? O que é liberdade, o que é abuso?
Essas e outras questões devem ter destaque no trabalho desenvolvido pelo projeto. Disponibilizar para as crianças e para suas famílias os documentos citados é necessário.
As atividades de pré, pós e mesmo as de leitura podem ser realizadas com presença de familiares e membros da comunidade, desde que devidamente planejadas, de modo que o foco seja mantido sempre nas crianças participantes do projeto: pais e comunidade têm lugar importante, auxiliando e co-participando, mas não devem tomar o lugar das crianças.
Orientação geral: Realizar apontamentos durante as atividades.
DO BLOG : Amplexos do JeosaFÁ - Educação, Literatura, Leitura, Cinema, Paz
FONTE: http://amplexosdojeosafa.blogspot.com/2008/03/beto-bia-e-abelardo-ciclo-1-o-mundo.html
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J.G. DE ARAUJO JORGE (livro) POESIA
7 -CANTIGA DO SÓ. Poesia. ( 1a edição, 1964 )
Trata-se de uma coleção de novos poemas, muitos deles apenas
conhecidos dos ouvintes do programa que Araujo Jorge mantinha
na rádio Rio, e que apresenta agora, na Rádio Nacional, em dois
horários: aos domingos, às 23 hs, e às quintas-feiras, às 21.35.
Escreveu o autor sobre este livro: "Era inicialmente, um canto de
solidão. Fixava um momento em que me sentia como náufrago em
praia deserta, feliz de ter chegado a algum lugar, mas com o coração
cheio de mar e de lembranças inacessíveis...Mas, novos momentos
foram chegando, e, com eles, novos poemas!' Alguns dos mais
recentes sucessos literários de Araujo Jorge encontram-se neste
livro: "Mulher Grávida", 'Vermelho e Branco", "Carta ao futuro
de meu filho", "Nunca morrer assim", e outros. O leitor
encontrará ainda, no livro, muitas trovas, gênero em que J. G. se
consagrou com a publicação de "Cantigas de menino grande" e
"Trevos de quatro versos" Seria difícil dar um exemplo do espírito
deste seu novo livro.
Citemos, portanto, ao acaso:
VERMELHO E BRANCO
O sangue vermelho
do homem branco,
do homem preto,
do homem amarelo,
o sangue é vermelho,
é um sangue só.
O leite branco
da mulher branca,
da mulher preta,
da mulher amarela,
o leite é branco,
é um leite só.
Deus pôs por dentro de homens
e mulheres
de aparências tão diferentes,
uma humanidade só:
o mesmo anseio, a mesma fome,
o mesmo sonho, o mesmo pó;
o mesmo sangue vermelho,
da cor da vida, da cor
do amor,
e mais:
o mesmo leite branco,
da cor da paz.
J.G.DE ARAUJO JORGE
LEIA MAIS EM :
FONTE : http://www.jgaraujo.com.br/obras/obras.htm
Trata-se de uma coleção de novos poemas, muitos deles apenas
conhecidos dos ouvintes do programa que Araujo Jorge mantinha
na rádio Rio, e que apresenta agora, na Rádio Nacional, em dois
horários: aos domingos, às 23 hs, e às quintas-feiras, às 21.35.
Escreveu o autor sobre este livro: "Era inicialmente, um canto de
solidão. Fixava um momento em que me sentia como náufrago em
praia deserta, feliz de ter chegado a algum lugar, mas com o coração
cheio de mar e de lembranças inacessíveis...Mas, novos momentos
foram chegando, e, com eles, novos poemas!' Alguns dos mais
recentes sucessos literários de Araujo Jorge encontram-se neste
livro: "Mulher Grávida", 'Vermelho e Branco", "Carta ao futuro
de meu filho", "Nunca morrer assim", e outros. O leitor
encontrará ainda, no livro, muitas trovas, gênero em que J. G. se
consagrou com a publicação de "Cantigas de menino grande" e
"Trevos de quatro versos" Seria difícil dar um exemplo do espírito
deste seu novo livro.
Citemos, portanto, ao acaso:
VERMELHO E BRANCO
O sangue vermelho
do homem branco,
do homem preto,
do homem amarelo,
o sangue é vermelho,
é um sangue só.
O leite branco
da mulher branca,
da mulher preta,
da mulher amarela,
o leite é branco,
é um leite só.
Deus pôs por dentro de homens
e mulheres
de aparências tão diferentes,
uma humanidade só:
o mesmo anseio, a mesma fome,
o mesmo sonho, o mesmo pó;
o mesmo sangue vermelho,
da cor da vida, da cor
do amor,
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o mesmo leite branco,
da cor da paz.
J.G.DE ARAUJO JORGE
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Para lembrar Hiroshima e John Hersey
Por Francisco Ribeiro em 26/8/2008
Matinas Suzuki Jr., no posfácio que escreveu sobre Hiroshima (São Paulo: Companhia das Letras, 2002), enfatiza que o livro de John Hersey é uma espécie de Cidadão Kane do jornalismo, pois lidera todas as listas como a "melhor reportagem" já escrita. Hersey morreu há 15 anos e, em vida, teve a oportunidade de, nos anos 1980, quatro décadas após ter publicado a reportagem – primeiramente na revista The New Yorker, depois em forma de livro –, voltar a Hiroshima e completar seu trabalho. Muito já se falou sobre Hiroshima, as seqüelas da bomba, mas, passados 63 anos, parece impossível, assim como o holocausto, curar o trauma deixado na alma da humanidade.
Momentos culminantes, como em casos de assassinatos – Martin Luther King, John Lennon – nos remetem à perspectiva de querer voltar no tempo, alterar a história. Ilusão inútil, leite já derramado, mas que não altera a vantagem do historiador de poder documentar-se e comentar fatos ocorridos como aqueles de 6 de agosto de 1945. Cabe acompanhar o fatídico andar do relógio daquela trágica manhã.
Oito horas, 14 minutos, mais alguns segundos. O coronel Paul Tibbets Jr., comandante do bombardeiro B-29, alcunhado de "Enola Gay", faz um vôo tranqüilo, sem oposição, pois os poucos Mitsubishi, se ainda restam, dedicam-se a ataques kamikazes contra a frota americana no Pacífico. O militar olha para baixo e confere, ainda intacta, a clássica descrição da cidade de Hiroshima: bela, em forma de leque, dividida em seis ilhas formadas pelos braços do rio Ota. Está quente e, pela cidade, circulam bondes e trabalhadores. Não é um dia normal, pois o país, já há algum tempo, vem sendo destroçado pelos americanos, mas, estóicos e disciplinados, os japoneses resistem em capitular.
O coronel cumpre ordens (mesma argumentação dos nazistas) e tem a sorte de estar lutando pelo lado vencedor. Em sua "ingenuidade", pode imaginar estar carregando apenas um bombão, um pouco mais destrutivo do que aqueles que, nos últimos seis anos, castigaram a Europa, a Ásia e o norte da África. Até aquele momento, 67 cidades japonesas já foram bombardeadas e, só em Tóquio, morreram 100 mil pessoas. Os habitantes de Hiroshima aguardam a sua vez e fazem preparativos tradicionais de defesa antiaérea.
Oito horas e 15 minutos. O coronel despeja sua carga mortal. Percebe um imenso clarão silencioso e, logo depois, a aglomeração de gases sob a forma de um cogumelo gigante. Missão cumprida, pode retornar à base. Ele ainda não sabe que, embaixo, cerca de 100 mil, dos 240 mil habitantes da cidade, morreram na hora, outros milhares perecerão logo depois.
Infância incomum
A Segunda Guerra Mundial é pródiga em relatos de populações sob intenso bombardeio: Varsóvia, Londres, Stalingrado, Dresden, Berlim. A singularidade de Hiroshima reside no fato de ter sido a primeira experimentação efetiva de uma arma nuclear. Três dias depois, o experimento e os traumas subseqüentes seriam partilhados com Nagasaki. Não havia necessidade, o Japão estava exangue, a rendição era uma questão de dias. Mas, fiel à máxima de que a vingança é um prato que se come frio, era necessário que os japoneses quitassem sua dívida em relação a Pearl Harbor. Os russos também aproveitariam o estado terminal japonês para declarar guerra e surrupiar as ilhas Sakalinas, indo à forra pela derrota de 1905. Ninguém esquece.
Mas, afinal, o que significa uma cidade ser atingida pela bomba atômica?
Coube a Hersey a aventura de, entre 25 de maio e 12 de junho de 1946, portanto quase um ano após a tragédia, apurar os fatos em Hiroshima. Ele levaria outras seis semanas escrevendo a reportagem. Impressionados pela narrativa, os editores do The New Yorker optaram por fazer uma edição monotemática. Resultado: os 300 mil exemplares esgotaram-se em poucas horas. O mesmo sucesso editorial seria obtido quando, logo depois, a reportagem foi transformada em livro.
Hersey teve uma infância incomum, pois, filho de missionários americanos, nasceu em Tientsin, China, vivendo lá até os 11 anos de idade. Formou-se em Yale, e, logo em seguida, como correspondente na China e na Rússia, escreveu artigos para as revistas Time, Life e The New Yorker. Já famoso, e ganhador do prêmio Pulitzer por Um sino para Adano, tinha 32 anos quando foi escalado para ir a Hiroshima. Hersey tomou como modelo de construção narrativa o relato escrito por Thornton Wilder, A ponte de São Luiz Rei, sobre uma catástrofe ocorrida no Peru, descrita sob o ponto de vista de cinco sobreviventes.
O grande clássico
Não se trata de pastiche, é uma questão de método. Narrativas são, no bom sentido, cheias de truques, tanto do ponto de vista estrutural, como para prender a atenção do leitor. Hersey construiu sua reportagem sob o ponto de vista de seis personagens – duas mulheres e quatro homens, sendo um alemão –, personificando a tragédia, ou, como observou Matinas Suzuki Jr.:
"[...] ele aproximou a abstração ameaçadora de uma bomba atômica à experiência cotidiana dos leitores. O horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, ele deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história. O tom da reportagem é um prolongamento da dor silenciosa que os sobreviventes de Hiroshima notaram nos conterrâneos feridos". (Hiroshima, p. 168)
Assim, o leitor acompanha o dia-a-dia, as agruras, o sofrimento, a luta contra as doenças causadas pela radiação, a batalha contra o preconceito, a superação da senhora Hatsuyo Nakamura, da senhorita Toshiko Sasaki, dos doutores Masakazu Fujii e Terufumi Sasaki, do reverendo Kiyoshi Tanimoto e do padre Wilhelm Kleisorge. Gente de carne e osso com coragem e força para ir em frente, mostrar solidariedade, empreender ações exemplares que dignificam a espécie humana. Eles também representam o conjunto de pessoas que, no Japão, são conhecidas como hibakushas: pessoas que sofrem os efeitos da bomba.
Libelo contra a utilização de armas atômicas, Hiroshima também é uma aula de jornalismo literário ou reportagem de imersão. A tradição é longa, remonta ao século 19. Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado primeiramente sob forma de reportagem para O Estado de S.Paulo, é o grande clássico do período no Brasil. Conforme Suzuki, "o termo novo jornalismo, por exemplo, foi usado em 1887 por Mat Arnold para descrever o estilo vivo das reportagens que W.T. Stead escrevia para a Pall Mall Gazette" (Hiroshima, p.179).
Empatia e observação
É possível capturar, via internet, trechos de artigos de Stead escritos sobre favelas londrinas. O mesmo nicho social que, anos mais tarde, Jack London exploraria para escrever The people of the abyss (O povo do abismo). Deste último, a lembrança do porta-bandeira, alcunha dada a miseráveis que, proibidos de dormir nos parques públicos da rainha Victoria, eram obrigados a caminhar, "marchar" a noite inteira. London também cobriria a guerra entre a Rússia e o Japão (1904-1905).
Enfim, Hersey é um dos grandes exemplos de repórteres-escritores que, no Brasil, dada a falta de espaço nos jornais, mantêm o gênero através de livros, como é caso, por exemplo, de Caco Barcelos. A revista The New Yorker, uma senhora robusta de 83 anos, saudada por haver publicado alguns dos maiores textos da imprensa mundial, possui uma galeria desses interessantes narradores, tais como Lílian Ross (autora de Film, um painel sobre Hollywood) que, há algum tempo, numa entrevista para a Folha de S.Paulo, quando indagada se era possível ensinar jornalismo literário, deu o seguinte depoimento:
"No momento, procuro fazer isso com um jovem em troca de seus conhecimentos como cozinheiro. Ele é um ótimo `chef´ e quer ser um repórter-escritor. Acredito que possa ensinar a ele o que considero ser a essência da atividade, mas até um certo ponto. Isso equivale a apenas 10% do que realmente importa. O restante depende de características individuais: história de vida, experiência, natureza, autodisciplina, curiosidade, humor, entusiasmo, paixão, originalidade, coragem, biologia, determinação, idade, ego e energia. Vigilância em relação à sensibilidade dos outros; capacidade de empatia e de observação enquanto mantém a imparcialidade; e a habilidade de resistir a fazer julgamentos morais das outras pessoas".
Parece pouco?
FONTE: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=500IMQ003
Matinas Suzuki Jr., no posfácio que escreveu sobre Hiroshima (São Paulo: Companhia das Letras, 2002), enfatiza que o livro de John Hersey é uma espécie de Cidadão Kane do jornalismo, pois lidera todas as listas como a "melhor reportagem" já escrita. Hersey morreu há 15 anos e, em vida, teve a oportunidade de, nos anos 1980, quatro décadas após ter publicado a reportagem – primeiramente na revista The New Yorker, depois em forma de livro –, voltar a Hiroshima e completar seu trabalho. Muito já se falou sobre Hiroshima, as seqüelas da bomba, mas, passados 63 anos, parece impossível, assim como o holocausto, curar o trauma deixado na alma da humanidade.
Momentos culminantes, como em casos de assassinatos – Martin Luther King, John Lennon – nos remetem à perspectiva de querer voltar no tempo, alterar a história. Ilusão inútil, leite já derramado, mas que não altera a vantagem do historiador de poder documentar-se e comentar fatos ocorridos como aqueles de 6 de agosto de 1945. Cabe acompanhar o fatídico andar do relógio daquela trágica manhã.
Oito horas, 14 minutos, mais alguns segundos. O coronel Paul Tibbets Jr., comandante do bombardeiro B-29, alcunhado de "Enola Gay", faz um vôo tranqüilo, sem oposição, pois os poucos Mitsubishi, se ainda restam, dedicam-se a ataques kamikazes contra a frota americana no Pacífico. O militar olha para baixo e confere, ainda intacta, a clássica descrição da cidade de Hiroshima: bela, em forma de leque, dividida em seis ilhas formadas pelos braços do rio Ota. Está quente e, pela cidade, circulam bondes e trabalhadores. Não é um dia normal, pois o país, já há algum tempo, vem sendo destroçado pelos americanos, mas, estóicos e disciplinados, os japoneses resistem em capitular.
O coronel cumpre ordens (mesma argumentação dos nazistas) e tem a sorte de estar lutando pelo lado vencedor. Em sua "ingenuidade", pode imaginar estar carregando apenas um bombão, um pouco mais destrutivo do que aqueles que, nos últimos seis anos, castigaram a Europa, a Ásia e o norte da África. Até aquele momento, 67 cidades japonesas já foram bombardeadas e, só em Tóquio, morreram 100 mil pessoas. Os habitantes de Hiroshima aguardam a sua vez e fazem preparativos tradicionais de defesa antiaérea.
Oito horas e 15 minutos. O coronel despeja sua carga mortal. Percebe um imenso clarão silencioso e, logo depois, a aglomeração de gases sob a forma de um cogumelo gigante. Missão cumprida, pode retornar à base. Ele ainda não sabe que, embaixo, cerca de 100 mil, dos 240 mil habitantes da cidade, morreram na hora, outros milhares perecerão logo depois.
Infância incomum
A Segunda Guerra Mundial é pródiga em relatos de populações sob intenso bombardeio: Varsóvia, Londres, Stalingrado, Dresden, Berlim. A singularidade de Hiroshima reside no fato de ter sido a primeira experimentação efetiva de uma arma nuclear. Três dias depois, o experimento e os traumas subseqüentes seriam partilhados com Nagasaki. Não havia necessidade, o Japão estava exangue, a rendição era uma questão de dias. Mas, fiel à máxima de que a vingança é um prato que se come frio, era necessário que os japoneses quitassem sua dívida em relação a Pearl Harbor. Os russos também aproveitariam o estado terminal japonês para declarar guerra e surrupiar as ilhas Sakalinas, indo à forra pela derrota de 1905. Ninguém esquece.
Mas, afinal, o que significa uma cidade ser atingida pela bomba atômica?
Coube a Hersey a aventura de, entre 25 de maio e 12 de junho de 1946, portanto quase um ano após a tragédia, apurar os fatos em Hiroshima. Ele levaria outras seis semanas escrevendo a reportagem. Impressionados pela narrativa, os editores do The New Yorker optaram por fazer uma edição monotemática. Resultado: os 300 mil exemplares esgotaram-se em poucas horas. O mesmo sucesso editorial seria obtido quando, logo depois, a reportagem foi transformada em livro.
Hersey teve uma infância incomum, pois, filho de missionários americanos, nasceu em Tientsin, China, vivendo lá até os 11 anos de idade. Formou-se em Yale, e, logo em seguida, como correspondente na China e na Rússia, escreveu artigos para as revistas Time, Life e The New Yorker. Já famoso, e ganhador do prêmio Pulitzer por Um sino para Adano, tinha 32 anos quando foi escalado para ir a Hiroshima. Hersey tomou como modelo de construção narrativa o relato escrito por Thornton Wilder, A ponte de São Luiz Rei, sobre uma catástrofe ocorrida no Peru, descrita sob o ponto de vista de cinco sobreviventes.
O grande clássico
Não se trata de pastiche, é uma questão de método. Narrativas são, no bom sentido, cheias de truques, tanto do ponto de vista estrutural, como para prender a atenção do leitor. Hersey construiu sua reportagem sob o ponto de vista de seis personagens – duas mulheres e quatro homens, sendo um alemão –, personificando a tragédia, ou, como observou Matinas Suzuki Jr.:
"[...] ele aproximou a abstração ameaçadora de uma bomba atômica à experiência cotidiana dos leitores. O horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, ele deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história. O tom da reportagem é um prolongamento da dor silenciosa que os sobreviventes de Hiroshima notaram nos conterrâneos feridos". (Hiroshima, p. 168)
Assim, o leitor acompanha o dia-a-dia, as agruras, o sofrimento, a luta contra as doenças causadas pela radiação, a batalha contra o preconceito, a superação da senhora Hatsuyo Nakamura, da senhorita Toshiko Sasaki, dos doutores Masakazu Fujii e Terufumi Sasaki, do reverendo Kiyoshi Tanimoto e do padre Wilhelm Kleisorge. Gente de carne e osso com coragem e força para ir em frente, mostrar solidariedade, empreender ações exemplares que dignificam a espécie humana. Eles também representam o conjunto de pessoas que, no Japão, são conhecidas como hibakushas: pessoas que sofrem os efeitos da bomba.
Libelo contra a utilização de armas atômicas, Hiroshima também é uma aula de jornalismo literário ou reportagem de imersão. A tradição é longa, remonta ao século 19. Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado primeiramente sob forma de reportagem para O Estado de S.Paulo, é o grande clássico do período no Brasil. Conforme Suzuki, "o termo novo jornalismo, por exemplo, foi usado em 1887 por Mat Arnold para descrever o estilo vivo das reportagens que W.T. Stead escrevia para a Pall Mall Gazette" (Hiroshima, p.179).
Empatia e observação
É possível capturar, via internet, trechos de artigos de Stead escritos sobre favelas londrinas. O mesmo nicho social que, anos mais tarde, Jack London exploraria para escrever The people of the abyss (O povo do abismo). Deste último, a lembrança do porta-bandeira, alcunha dada a miseráveis que, proibidos de dormir nos parques públicos da rainha Victoria, eram obrigados a caminhar, "marchar" a noite inteira. London também cobriria a guerra entre a Rússia e o Japão (1904-1905).
Enfim, Hersey é um dos grandes exemplos de repórteres-escritores que, no Brasil, dada a falta de espaço nos jornais, mantêm o gênero através de livros, como é caso, por exemplo, de Caco Barcelos. A revista The New Yorker, uma senhora robusta de 83 anos, saudada por haver publicado alguns dos maiores textos da imprensa mundial, possui uma galeria desses interessantes narradores, tais como Lílian Ross (autora de Film, um painel sobre Hollywood) que, há algum tempo, numa entrevista para a Folha de S.Paulo, quando indagada se era possível ensinar jornalismo literário, deu o seguinte depoimento:
"No momento, procuro fazer isso com um jovem em troca de seus conhecimentos como cozinheiro. Ele é um ótimo `chef´ e quer ser um repórter-escritor. Acredito que possa ensinar a ele o que considero ser a essência da atividade, mas até um certo ponto. Isso equivale a apenas 10% do que realmente importa. O restante depende de características individuais: história de vida, experiência, natureza, autodisciplina, curiosidade, humor, entusiasmo, paixão, originalidade, coragem, biologia, determinação, idade, ego e energia. Vigilância em relação à sensibilidade dos outros; capacidade de empatia e de observação enquanto mantém a imparcialidade; e a habilidade de resistir a fazer julgamentos morais das outras pessoas".
Parece pouco?
FONTE: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=500IMQ003
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009
MOSAICO EM PRETO NO "SARAU PARA TODOS" LEMBRA ATROCIDADE DE HIROSHIMA
NADIA QUERIDA, SOMOS UMA EQUIPE SIM E ME SINTO PARTE DELA. AMEI A IDÉIA DE “MOSAICOS”, PORQUE O “SARAU PARA TODOS” É O NOSSO MOSAICO. A SALA DO NJR/ECA/USP É COMO SE FOSSE O CENTRO ACADÊMICO, COM DISCUSSÕES LIVRES... OS ESTAGIÁRIOS DIZEM ISSO. NOSSOS VEÍCULOS TAMBÉM NÃO TÊM CENSURA...SÃO MOSAICOS...VAMOS LUTAR PELOS MOSAICOS COLORIDOS NAS ESCOLAS,COMO VOCÊ PENSOU...AMEI A IDEIA,MAS HOJE A NOSSA COR É PRETA, COM A COMPANHEIRA JOANA D’ARC,LEMBRANDO A BOMBA ATÔMICA EM HIROSHIMA.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
sábado, 25 de julho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
Higiene e alimentação do pensamento
Está claro que um corpo higienizado e bem alimentado estará apto a melhor executar as tarefas apresentadas, sejam elas quais forem.
Como nada se faz que não comece com o pensamento, é fácil concluir que para produzir boas idéias é necessário que, como o corpo, ele esteja bem alimentado e higienizado.
O corpo transformando o alimento em energia exige que esses alimentos tenham a dosagem e qualidade adequadas, para que se crie boa disposição física.
Também o pensamento precisa de "alimento" adequado para produzir vibrações positivas e de grande potencialidade. Nesta situação, a percepção aumenta, as idéias surgem precisas e os problemas são, com mais facilidade, resolvidos e ultrapassados.
Infelizmente é comum as pessoas se descuidarem do suprimento saudável para o pensamento.
É necessário a triagem e avaliação do que se precisa e deseja armazenar em nosso pensamento. A boa música, o bom relacionamento com as pessoas, a boa leitura, o contato com a natureza, a discussão altruística dos problemas diuturnos, procurando soluções lógicas, ajudando o semelhante a compreender e resolver problemas, estes são alimentos do espírito e, em conseqüência, a força que impulsionará pensamentos de valor.
Na medida em que for aumentada a capacidade de substituir as idéias preconcebidas, gravadas no subconsciente por uma nova concepção de vida, conquistada através de leituras e pesquisas, automaticamente o pensamento vai se "higienizando".
A "higienização" do pensamento só se faz paulatinamente. Através da meditação, do recolhimento para análise das tarefas executadas, ou a executar, visando a identificação de possíveis erros, buscando a devida e imediata correção.
Estas práticas estão ao alcance de qualquer um e em qualquer situação. Tal modo de proceder não é tabelável, nem pode sofrer cobrança de ágio, depende apenas da vontade orientada para o bem e da convicção de que "Conforme pensares assim serás".(...)
*Realizadores:
Nilton Figueiredo de Almeida
Célia Caccavo F. de Almeida
José Carlos Pinheiro Alves
1993
FONTE : http://www.racionalismo-cristao.org.br/bu/ultimo-minuto.doc.
Como nada se faz que não comece com o pensamento, é fácil concluir que para produzir boas idéias é necessário que, como o corpo, ele esteja bem alimentado e higienizado.
O corpo transformando o alimento em energia exige que esses alimentos tenham a dosagem e qualidade adequadas, para que se crie boa disposição física.
Também o pensamento precisa de "alimento" adequado para produzir vibrações positivas e de grande potencialidade. Nesta situação, a percepção aumenta, as idéias surgem precisas e os problemas são, com mais facilidade, resolvidos e ultrapassados.
Infelizmente é comum as pessoas se descuidarem do suprimento saudável para o pensamento.
É necessário a triagem e avaliação do que se precisa e deseja armazenar em nosso pensamento. A boa música, o bom relacionamento com as pessoas, a boa leitura, o contato com a natureza, a discussão altruística dos problemas diuturnos, procurando soluções lógicas, ajudando o semelhante a compreender e resolver problemas, estes são alimentos do espírito e, em conseqüência, a força que impulsionará pensamentos de valor.
Na medida em que for aumentada a capacidade de substituir as idéias preconcebidas, gravadas no subconsciente por uma nova concepção de vida, conquistada através de leituras e pesquisas, automaticamente o pensamento vai se "higienizando".
A "higienização" do pensamento só se faz paulatinamente. Através da meditação, do recolhimento para análise das tarefas executadas, ou a executar, visando a identificação de possíveis erros, buscando a devida e imediata correção.
Estas práticas estão ao alcance de qualquer um e em qualquer situação. Tal modo de proceder não é tabelável, nem pode sofrer cobrança de ágio, depende apenas da vontade orientada para o bem e da convicção de que "Conforme pensares assim serás".(...)
*Realizadores:
Nilton Figueiredo de Almeida
Célia Caccavo F. de Almeida
José Carlos Pinheiro Alves
1993
FONTE : http://www.racionalismo-cristao.org.br/bu/ultimo-minuto.doc.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Rita Levi-Montalcini: A vida e o exemplo de uma grande mulher (AMIGO MARCELO ROQUE DESTACA) Vá clicando para ver os 35 slides
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Augusto Boal indicado ao Nobel da Paz
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Humanizadores con la no violencia I "Tolstoi" (A NÃO VIOLÊNCIA DE TOLSTOI, NA QUAL GANDHI BASEOU-SE)
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