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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O MAQUIAVÉLICO FERNANDO HADDAD E SUAS IMPOSIÇÕES DITATORIAIS


*VIA jORNAL "O TRAMBIQUE"
e BLOG NÁUFRAGO DA UTOPIA:
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/09/o-maquiavelico-fernando-haddad-e-suas.html

 O MAQUIAVÉLICO FERNANDO HADDAD E SUAS IMPOSIÇÕES DITATORIAIS


MAQUIAVEL MORA EM SÃO PAULO
Por Apollo Natali
Por que motivo reis e governantes sempre têm de ser cruéis e capricham nos maus tratos ao povo? Sim, por quê?

Um italiano do século 16, pouco depois de o Brasil ser descoberto (isto para melhor nos localizarmos no tempo), soprava maldades nos ouvidos dos príncipes de então, donos das cidades-Estado daquela época.
Trata-se do mundialmente influente Nicolau Maquiavel, ainda hoje venerado por boa parcela de dirigentes da humanidade. Numa espécie de hipnose coletiva, o mestre italiano de governos diabólicos convence até hoje líderes de nações de todo o mundo de que a melhor maneira de se governar é manter o povo debaixo de botas.

Hipnotizados em massa pelas maldades maquiavélicas estão submetidos mesmo os governantes de modernos países democráticos. Tal e qual se apresenta Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, metrópole entre as maiores do mundo, e desde antanhos a Wall Street da economia brasileira. Se não, vejamos.

A principal maldade do exercício do poder maquiavélico de Haddad é espalhar o pânico na vida e na economia de 12 milhões de paulistanos e de outros milhões de motoristas que, vindos de outros rincões, se atrevem a cruzar a fronteira da cidade e sacolejar pelos asfaltos esburacados de suas poluídas ruas e avenidas.

O pânico consiste em perpetrar um assalto –leia-se montanhas de multas– àqueles flagrados fotograficamente invadindo suas ciclovias improvisadas, de pisos desperdiçadamente perecíveis, implantadas a toque de caixa em vias mesmo onde não se vê bicicletas em tempo algum. Pânico principalmente em assaltar aqueles invasores de suas discutíveis faixas exclusivas para ônibus em vias super-estreitas que não comportam nem ciclovia nem faixa.

O mais estripador dos pânicos é a imposição ditatorial de Haddad, sem aprovação do povo, em fixar em 50 quilômetros por hora a velocidade máxima em toda a cidade. Quem passa a 51 quilômetros por hora diante das centenas de big brothers palacianos semeados a mãos cheias, leia-se "radares", tanto os que estão à vista como aqueles camuflados, vai gastar em multa o pão e o leite para as crianças. Haddad faz votos candentes para o sucesso desse seu moto contínuo de produzir dinheiro
Haddad: começou mal e conseguiu piorar.

Quando o limite era 60 por hora, fui multado a 61 quilômetros por hora. Tenho comprovante. As donas de casa desta cidade jamais vão esquecer esse nome, Fernando Haddad, que com seus 50 quilômetros por hora esgana a economia da metrópole, estrangula a movimentação das suas  riquezas e algema seus cidadãos.

Nova Iorque é uma ilha, que andem a 20 por hora. São Paulo é um continente aberto, que se solte. A 60 quilômetros por hora era o paraíso. Prudência, caldo de galinha e conscientização permanente de motoristas e pedestres, eis a fórmula mágica que evita acidentes. Nada de procedimentos maquiavélicos para encher o bolso.

Em meio a esse mundo de espetáculo, ridículo espetáculo, a dor sem remédio dos paulistanos é saber que configuram uma estupenda fonte de arrecadação as miríades multas de trânsito que pairam no horizonte, mediante a atual parafernália de colheita de dinheiro, com cara de extorsão, ao modo de Haddad.

Cada miríade são 10 mil multas, vejam no dicionário. Que se dane o cidadão e sua opinião democrática quanto a aprovação ou não das ações populistas e demagógicas que Haddad toma desde quando assumiu o poder, no início de 2013! Que se arrebentem a dignidade e as liberdades democráticas do respeitável e laborioso povo paulistano!

Sou paulistano do Bixiga. Tenho 80 anos. Meus pés cavaram valetas nas ruas de tanto transitar pela cidade, desde criança. Tenho o direito de chorar ao ver nosso povo tão maltratado a cada governo.

Mais maldade: merece virar outdoors espalhados em todas as ruas de São Paulo, de agora até as próximas eleições, o maquiavelismo e desumanidade de Haddad ao suspender a distribuição de leite para 200 mil crianças sem creche e usar esse dinheiro em rios de tinta nas suas inúteis ciclovias.

Tomara seja essa a pá de cal na sepultura política que o prefeito cava para ele mesmo, porque as mães dos pixotinhos e pixotinhas que perderam o leite, seus papais, tios, tias, vovós, vovôs, primos, amigos, vizinhos, eu, certamente, vamos execrar esse nome diante das urnas. Imperdoável o pecado social  de Haddad, essa sua indiferença pela saúde dos 200 mil filhotes paulistanos sem creche. Em troca de popularidade política.

Cortem para mim. Pensem agora no seguinte, no maquiavelismo de Haddad em conluio com o governador Geraldo Alckmin.

Já disse isso em outro texto e repito. Embora sejam as indústrias junto com a pecuária e a agricultura as responsáveis por 94% do consumo de água, e isso no mundo inteiro, Alckmin, conhecido por sua ideologia igualmente maquiavélica, voltou-se contra os fracos, isto é, ameaçou com multas pesadas os lares que usam água minimamente para lavar roupa, louça, tomar banho.

Já no quarto mandato sem nunca ter se preocupado com o antigo prenúncio da crise hídrica em São Paulo, Alckmin fez o mais maquiavélico disponível, isto é, criminalizou o consumo de água domiciliar como se fosse maconha.

Alckmin e Haddad tramaram desde o inicio do agravamento da crise decidindo por multas e ameaças contra quem se excedesse no consumo. A parte maquiavélica de Haddad no acordo é cumprida com a autoria do projeto 529/2014, aprovado então em primeira votação pela câmara. O projeto prevê multa de mil reais para quem usar água  para lavar calçada ou carro.

Não se turbem os vossos corações, cidadãos paulistanos, nem os que cruzam a fronteira diariamente cidade a dentro, porque democracia moderna é assim mesmo, é democracia ditatorial, em que os representantes do povo no governo substituem hoje os antigos reis e príncipes absolutistas, fazendo o que bem entendem com o dinheiro, a dignidade, a liberdade, a inteligência, a crença, a saúde, o estômago, o bolso do povo.

Não mais conduzindo, e sim sendo conduzidos, os paulistanos vêm sofrendo amargamente nos últimos tempos sob o governo de prefeitos maquiavélicos. Conscientizem-se todos eles, hoje e sempre, de que nenhum merece a confiança de receber poder ilimitado sobre qualquer cidadão. A turbulenta e trabalhadora São Paulo,  submissa há muito tempo, está a merecer um prefeito que não tenha a cara de carrasco do povo.
Comentário do blogueiro: o Apollo, velho guerreiro, é um dos melhores amigos que conheci no jornalismo. E tem carradas de razão ao detonar Fernando Haddad, o poste que Lula conseguiu impingir aos paulistanos. 
Trata-se de um ex-trotskista que se projetou na torre de marfim acadêmica, foi um trapalhão quando ministro da Educação e agora, como burgomestre, descamba para a mais delirante e exacerbada demagogia politicamente correta.  Poderia, sim, reduzir o limite de velocidade e implantar ciclovias, desde que tecnicamente embasado. Mas, são ações voluntaristas e altamente inoportunas, que o deixam bem com sua patota chique e mal com a grande maioria dos cidadãos.  Tornam um inferno o trânsito de São Paulo, com automóveis, caminhões e ônibus se arrastando pelas vias congestionadas e seus estressados motoristas vendo ao lado, livres, as faixas que os ciclistas não usam nos dias úteis e ninguém mais pode utilizar. (Celso Lungaretti)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

APOLLO NATALI: "PROPOSTAS SENSATAS E INSENSATAS PARA A EDUCAÇÃO"

* matéria via jornal "O TRAMBIQUE" de Otávio Martins Amaral

*postagem original do blog "Náufrago da Utopia"
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/2015/10/apollo-natali-propostas-sensatas-e.html




O TRAMBIQUE
 

A MINHA VOZ É A MESMA, MAS OS MEUS NOMES...
 

Nº 03 – PÁGINA 06
 

Responsável Otávio Martins Amaral



APOLLO NATALI: "PROPOSTAS SENSATAS E INSENSATAS PARA A EDUCAÇÃO".
 

Por Apollo Natali
 


"Se os Estados Unidos realmente se empenharem na criação de um novo sistema educacional para o século 21, a primeira medida a ser tomada é levar a profissão de professor a sério" (Barack Obama). "Viverás melhor quando fizeres os professores dos teus filhos serem mais bem pagos do que os políticos" (Wilhelm Reich). "Tratar com o mesmo rigor a responsabilidade fiscal e a responsabilidade educacional do País" (senador Cristovam Buarque).
 

Sugestões sensatas essas, de cabeças privilegiadas, na defesa da educação.
Igualmente sensatas propostas de Cristovam Buarque serão listadas no final
destas linhas. Foram consideradas insensatas pela classe política.
 

A reestruturação da educação no estado de São Paulo anunciada pelo governador Geraldo Alckmin, aparentemente nem sensata nem insensata, pode ser uma mexida na contabilidade para diminuir gastos com a educação dos pobres. Em 1998 a rede estadual de ensino tinha 6 milhões de alunos. Atualmente são 3,8 milhões. Motivos alegados: municipalização do ensino básico, menor taxa de natalidade, transferência de alunos para a rede privada.
 

O estado de São Paulo tem 645 municípios, 162 são alcançados pelas inovações. Sem alteração em 519 municípios. Ao todo, 311 mil alunos da rede serão transferidos de suas escolas em todo o Estado: 94 escolas serão fechadas, 66 delas funcionarão como creches; 28 que vão parar de funcionar não têm destinação.
 

O secretário da Educação, Herman Voorwald, justifica que a intenção é transformar as escolas em locais com apenas alunos de um ciclo –1ª a 5ª séries, 6ª a 9ª séries – e ensino médio. Ele defende que o objetivo é melhorar a qualidade do ensino. As transformações começam no início do ano letivo de 2016, para serem concluídas dentro de dois anos. Pais de alunos esperam o dia 14 de novembro, batizado de Dia E (de “ensino”) para saberem que escolas vão fechar.
 

Num lance de insensatez democrática, Geraldo Alckmin decidiu unilateralmente pelas modificações. Não consultou nem avisou pais e alunos. O sindicato dos professores da rede estadual de ensino, Apeoesp, que representa a categoria, nem sequer foi comunicado.

O governador garante que professores, merendeiras e funcionários da limpeza não serão demitidos. Não se sabe com que mágica isso vai ser feito.  A presidente da Apeosp, Maria Izabel Azevedo Noronha, lembra que apenas professores concursados não podem ser demitidos. Outras categorias de professores vão ter a carga horária drasticamente reduzidas, podendo chegar ao cúmulo de 12 horas-aula por semana, com a correspondente redução do salário.

“O professor mal vai conseguir se sustentar. Com o tempo,  a secretaria da Educação vai anunciar a necessidade de fechamento de mais escolas. A educação vai piorar, com certeza. A rede já não está organizada. Vai virar uma bagunça geral”, diz Izabel, que como Bebel é conhecida.


O nível educacional do Brasil poderia estar hoje igual ao de países como Costa Rica, Argentina, Chile e Coreia do Sul, tivessem sido levadas a sério propostas de Cristovam Buarque, doutor em economia, senador pelo PT-DF, ex-reitor da UnB de 1985 a 1989, governador do Distrito Federal de 1995 a 1998 e ministro da Educação de 2003 a 2004. Quando governava o Distrito Federal criou o Bolsa Escola, atual Bolsa Família.

Cristovam, no último mês de janeiro, garantia que em 15 anos suas propostas colocariam o Brasil no mesmo estágio educacional daqueles países. Suas idéias foram consideradas insensatas pelo ministro da Educação da época.


Só um cego político ou um infeliz omisso quanto às necessidades educacionais do País vê insensatez nas idéias de Cristovam Buarque. Quem enxerga o Brasil com nitidez considera que suas propostas nada têm de insensatas. Vejam:
  • estabelecimento de um piso salarial mínimo para todos os professores, vinculado a exigências mínimas de conhecimento;
  • tratar com o mesmo rigor a responsabilidade fiscal e a responsabilidade educacional do País;
  • aprovação de uma lei de responsabilidade educacional que obrigue a cada prefeito cumprir as metas traçadas para a educação das crianças que vivem em sua cidade;
  • o governo federal, que financia totalmente as universidades e as escolas técnicas federais –e financia também com isenções fiscais federais parte das universidades e escolas privadas– que assuma a responsabilidade pela educação básica dos filhos dos pobres;
  • redução das despesas do governo federal em apenas 1% em favor da educação não abala os pilares da política econômica;
  • definição de três principais destinações de recursos, ou seja, três pisos, obrigatórios, para todas as escolas brasileiras: um piso de salário e formação do professor, um piso de instalações e equipamentos pedagógicos e um piso de conteúdo para cada disciplina em cada série;
  • federalização da educação básica. Considerando a realidade da desigualdade nas rendas das cidades brasileiras e o desinteresse pela educação por parte de grande número de prefeitos, a igualdade de oportunidade educacional só será possível se a educação básica for uma preocupação federal, não apenas municipal ou estadual;
  • combinar a responsabilidade federal com a manutenção da descentralização gerencial das escolas a cargo dos municípios e até mesmo dos pais e da sociedade;
  • dar a cada criança brasileira uma escola com o mesmo padrão de qualidade, independentemente da cidade onde nasceu e vive. Que uma criança do município maranhense de Centro do Guilherme, p. ex., onde a renda per capita é de R$ 28 por mês, tenha o direito a uma escola com o mesmo padrão de uma criança de Águas de São Pedro, no estado de São Paulo, cuja renda média per capita é de R$ 955 mensais. Neste país desigual as crianças devem ser tratadas como brasileiras, com direitos iguais e não como municipais, com direitos diferenciados;
  • toda escola deve ter banheiro e luz elétrica, chão de cimento, paredes de tijolo, teto de telha e um mínimo de equipamentos modernos disponíveis no Brasil;
  • assegurar vaga na escola a partir dos quatro anos de idade. O berço da desigualdade na idade adulta está na desigualdade do berço da criança. A porta da igualdade é a educação que complementa o berço e não a fábrica que complementa a renda; e
  • que toda criança pobre tenha conhecimento básico da língua portuguesa equivalente aos filhos da elite.
Apollo Natali foi o primeiro redator da antiga Agência Estado, foi redator da Rádio Eldorado, do Estadão e do antigo Jornal da Tarde. Escreve atualmete para diversos sites e blogs de notícia, como o Observatório da Imprensa.
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