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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

LINGUAGEM: A NATUREZA DIALÓGICA NO ESPAÇO VIRTUAL

Joyce de Castro Sanchotene[1]





RESUMO





O estudo descrito a seguir foi realizado por meio da observação e da análise da linguagem exercida em ambientes virtuais de comunicação com o objetivo de determinar alguns aspectos da interação em tais contextos. Os aportes teóricos foram encontrados em Bakthin, Faraco, Chartier e Silva, dentre outros. Entendendo a linguagem de forma dialógica e que, é na relação com os outros que nos constituímos, pretendeu-se, aqui, investigar de que maneira os internautas organizam sua interação, tanto em ambientes virtuais ou híbridos para que se possa registrar esses fatos historicamente com o objetivo de contribuir na investigação e constituição de formas pedagógicas a serem utilizadas em ambientes formais de educação.



Palavras-chave: Interação virtual. Ambiente. Linguagem. Educação.


1 INTRODUÇÃO



O presente artigo é resultado de uma reflexão embasada em conceitos de linguagem dialógicos e na observação e análise do efetivo exercício dessa linguagem em ambientes virtuais como sites, blogs e comunidades que fazem parte da Internet. Além disso, também foi observada a forma como se organizam as redes sociais, qual seu conteúdo e a que extrato social pertencem as pessoas que se habilitam a usar as ferramentas adequadas e participar da troca ciberespacial.

O acesso a computadores e à rede da Internet tem se ampliado significativamente nos últimos anos e estudos sobre o assunto tornam-se urgentemente necessários em curto espaço de tempo, para determinar o impacto das atividades realizadas em ambientes de interação social, principalmente em ambientes híbridos, sobre o processo formal de aprendizagem.

O conceito de linguagem aqui apresentado tem como pressuposto que esta é uma visão de mundo que busca as formas e instauração de sentido que passa pela abordagem lingüística e discursiva, pela semiótica da cultura, podendo ser definida como um conjunto de imagens entretecidas e ainda não de todo desveladas.

Para que se tenha uma idéia da importância da leitura, é importante citar Barthes e Compagnon apud Silva (2003).



Sabe-se que a leitura – o saber ler – foi, durante milênios, um operador brutal de discriminação social. A escrita-leitura (visto que uma não existe sem a outra) esteve, desde o início, ligada (com os escribas reais) às esferas do poder e da religião. Como padrão do tempo, da comunicação, da memória, do segredo, só podia ser um instrumento privilegiado do poder – ainda que este saber estivesse delegado numa casta de técnicos (escravos e clérigos) que dependia do poder. É por isso que a ‘alfabetização’ (ou difusão da escrita como técnica) sempre esteve ligada às lutas políticas e sociais da história.( Silva, 2003, p. 9)





Desta maneira, podemos dizer que, novamente, nos deparamos com outro operador de discriminação, o analfabetismo digital. Conforme Chartier (2002)



(...) quanto à ordem dos discursos, o mundo eletrônico provoca uma tríplice ruptura: propõe uma nova técnica de difusão da escrita, incita uma nova relação com os textos, impõe-lhes uma nova forma de inscrição. A originalidade e a importância da revolução digital apóiam-se no fato de obriga o leitor contemporâneo a abandonar todas as heranças que o plasmaram, já que o mundo eletrônico não mais utiliza a imprensa, ignora o ‘livro unitário’ e está alheio à materialidade do códex. É ao mesmo tempo uma revolução da modalidade técnica da produção do escrito, um a revolução da percepção das entidades textuais e uma revolução das estruturas e formas mais fundamentais dos suportes da cultura escrita. Daí a razão do desassossego dos leitores, que devem transformar seus hábitos e percepções, e a dificuldade para entender uma mutação que lança um profundo desafio a todas as categorias que costumamos manejar para descrever o mundo dos livros e da cultura escrita.( Chartier, 2002, p. 23-4)



Percebe-se, no momento atual, um temor das pessoas em relação à tecnologia, que os pegou desprevenidos, pois, além de não terem acesso e conhecimentos para usar, conforme o mínimo exigido dos profissionais hoje em dia, são facilmente passados para trás até por crianças que ainda não freqüentam a escola. Convivemos, também, com a tradicional falta de visão e decisão por parte das autoridades que, supostamente, deveriam cuidar do assunto.

De acordo com Brait (2001, p.77) “(...) a linguagem não é falada no vazio, mas numa situação histórica e social concreta no momento e no lugar da atualização do enunciado.” Isso significa que é necessário analisar a dimensão histórica e intersubjetiva do evento, pois, a dimensão é uma atualização do enunciado do ponto factual e semântico, ou seja, no momento de sua realização e não extraída após o acontecimento, apenas como uma forma gramatical seja ela palavra ou frase. Interessa-nos, na análise em questão, saber de que maneira tem sido feita na escola a formação do leitor do texto eletrônico, quais são as características da internet e do computador como suportes e produtores de textos, além da forma como são estruturados os textos digitais e de que forma se processa a interação com o leitor. Assim, foi feita uma análise documental e a observação de comunidades virtuais de estudos, discussões e de propagação de notícias, entre outros. Na verdade, tal idéia corrobora o pensamento de Bakthin, isto é, de que a perspectiva da semiótica das ideologias pode ser flagrada no intercurso social e nas manifestações de linguagem aí produzidas.



2 O DIALOGISMO NO CIBERESPAÇO



Entende-se que o sujeito nasce e é constituído como tal em um complexo caldo de heteroglossia e dialogização. Assim esse sujeito, no princípio, percebe a realidade lingüística como múltiplas vozes sociais que se realizam “em múltiplas relações dialógicas – relações de aceitação e recusa, de convergência e recusa, de convergência e divergência, de harmonia e de conflitos, de intersecções e hibridizações.” (Faraco, 2003, p. 80).

Bakthin define uma visão dialógica de mundo, ou seja, um diálogo entre existência e linguagem, entre mundo e mente, entre o que é dado e criado, que estão presentes nas discussões que faz sobre autoria, respondibilidade, mesmo e outro, mundo como experiência em ação, mundo como representação no discurso. Esses aspectos serão apresentados como conclusão deste trabalho, após a análise e estudo das comunidades virtuais de acordo com os pressupostos descritos acima. É interessante relembrar que em muitos lugares do mundo a alfabetização tradicional, que usa suportes mais simples do que os tecnológicos, ainda não chegou a resultados satisfatórios. Os suportes tecnológicos são, também, considerados intelectuais, já que promovem a experiência e a atribuição conceitual aos elementos utilizados.

Os estudos sobre questões de linguagem e de leitura, na formação de professores, perante a força de modelos discursivos não científicos, os quais orientam o ensino da língua no Brasil, bem como dos preconceitos lingüísticos e, por extensão, pedagógicos que são postos em todos os setores da sociedade, podem, também, ser equiparados à problemática da alfabetização digital com a qual a sociedade se depara neste momento. Considerando-se a função mediadora da tecnologia no processo de aprendizagem, torna-se primordial a discussão dos vários pressupostos teóricos relacionados a essa nova linguagem e não simplesmente a sua utilização como ferramenta. Por outro lado, são as crianças que dominam o assunto e conhecem todas as possibilidades do ambiente multimídia, dominando a sua utilização. Praticam várias experiências no ciberespaço, como, por exemplo, a formação e a participação em comunidades sociais que, por sua vez, pressupõem padrões, costumes e códigos sociais partilhados no ambiente.

Silva (2003) salienta:



É importante destacar que a tecnologia propriamente dita presente na Internet não é questionada pelas crianças enquanto aparato técnico, pois ela adquiriu uma determinada transparência que lhes permite lidar com pessoas, informações, jogos, serviços, aplicações e amigos. Por isso, é necessário considerar as implicações trazidas pela sua utilização sobre a percepção da realidade social, isto é, ao nos conectarmos com as informações por meio da Internet, estão ocorrendo mudanças externas, mas também internas. É fundamental reconhecer que o computador tornou-se um novo ambiente cognitivo.(Silva, 2003, p. 110)





Muitas são as considerações e estudos que se fazem necessários sobre os objetos informáticos, já que esses são imateriais e de existências virtuais, além de potencialmente interativos e, por tais motivos, são bem adaptados a uma pedagogia ativa.

Ainda sobre os ambientes interativos virtuais, é possível citar vários grupos de estudo e troca de experiências como, por exemplo, o Blogs Educativos, comunidades diversas formadas e interligadas por temas de estudo em várias áreas do conhecimento como o edudemocratica-Grupos, ou de interesse por notícias como o dHitt, redes de relacionamento como Orkut, Plaxo e muito mais.

Para exemplificar as formas interativas no ciberespaço, são reproduzidos abaixo trechos da comunicação entre alguns membros do Blogs Educativos.




-----Mensagem original-----
De: blogs-do-ozai@googlegroups.com [mailto:blogs-do-ozai@googlegroups.com]
Em nome de Antonio Ozaí da Silva
Enviada em: sábado, 8 de novembro de 2008 20:39
Para: blogs-do-ozaí
Assunto: [blogs] Cenas da Metrópole / A importância da literatura para o
homem de cultura universitária, qualquer que seja sua especialização

Caros(as),

informo que foram publicados novos textos nos blogs:

Cenas da Metrópole
A mulher negra caminha com dois cães poodles. É manhã ensolarada e
está quente. Lembrei do pupi, o nosso cachorrinho. Um pensamento me
assaltou e o meu lado “politicamente correto” o repudiou. Na dúvida,
perguntei se os poodles eram dela. Ela confirmou o que imaginei: “Não,
são da patroa”. Observo que leva sacos plásticos para recolher as
sujeiras deles.
http://antonio-ozai.blogspot.com/2008/11/cenas-da-metrpole.html

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Em Literatura, Política e Sociedade, leia:

A importância da literatura para o homem de cultura universitária,
qualquer que seja sua especialização - por Maurício Tragtenberg
http://antoniozai.blogspot.com/2008/11/importncia-da-literatura-para-o-homem
.html

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Veja no blog cultura e ciência política:

A História das Coisas - 1 a 4
The Story of Stuff - Cap 1 a 4, em Português
http://cienciapolitica-dcsuem.blogspot.com/2008/11/story-of-stuff-cap-1-4-em
-portugus.html

A História das Coisas - 5 a 7
The Story of Stuff - Cap 5-7 em Português
http://cienciapolitica-dcsuem.blogspot.com/2008/11/story-of-stuff-cap-5-7-em
-portugus.html

Metade (Osvaldo Montenegro)
http://cienciapolitica-dcsuem.blogspot.com/2008/11/metade.html

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Permaneço aberto às sugestões, críticas e contribuições. Deixe o seu
comentário... Leio sempre...

Muito obrigado.

Abraços, bom final de semana e tudo de bom,

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Como se observa na correspondência acima, os membros de um determinado grupo recebem um email com indicações de leitura, ou outras, que são freqüentemente renovadas, conforme o assunto. A par disso, percebe-se o aspecto informal da mensagem e as formas afetivas de interação entre os membros.

É freqüente, também, o auxílio mútuo nessas comunidades como se observa em:

2008/11/25 drekassia

> Olá pessoal,
> Se houver algum professor que trabalhe diretamente com o uso das
> TIC´s em sua escola, por favor me ajudem!
>
> Continuo minha pesquisa para o meu artigo de TCC e gostaria de saber
> como as TIC´s são trabalhadas em suas instituições. Em minha pesquisa
> visitei várias escolas aqui da minha região (Assis, Ourinhos, Cândido
> Mota, Palmital, Santa Cruz do Rio Pardo, etc) do interior de São
> Paulo, e notei um certo descaso não só por parte das escolas, mas
> também abandono por parte do governo. Equipamentos que vieram para as
> escolas a mais de 7 anos, capacitação que só tiveram a 4 anos atrás,
> laboratórios com 5 computadores que muitas vezes nem funcionam, para
> turmas de mais de 30 alunos. Não percebi nenhum trabalho empolgante
> para tentar motivar professores a utilizarem a tecnologia a seu favor
> em suas aulas. Será que isso acontece somente aqui? Gostaria de saber
> se há mais iniciativa em sua região. Será que pode me ajudar dizendo
> como as coisas funcionam por aí?
>
> Um grande abraço.
>
> Andréia
>
>
>

--
Larissa Silva
Msn: larypcoelho@yahoo.com.br
Blog: http://rabiscosdelary.blogspot.com/
Tel: (71) 9966-4918

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

__._,_.___

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Por outro lado, o texto do email acima sugere que a professora que o responde presta apoio à outra que, além de pedir ajuda para solucionar alguma dificuldade, ao mesmo tempo relata não receber apoio quanto ao uso de novas tecnologias em seu local de trabalho. Por meio dos exemplos citados, destaca-se aqui a real situação do uso da tecnologia em função da educação, observada em situações reais de uso.






3 CONCLUSÃO





A partir dos dados coletados e analisados nesse trabalho fica evidente que a internet, assim como, em outras épocas, cadernos, rádios, vídeos, dentre outros, veio para se estabelecer na sociedade porque, também, além de possuir outros aspectos relevantes para fins pedagógicos, cria redes de informação e, só por esse motivo, já seria adequada a sua inserção em locais em que se trabalha formalmente com educação. Além disso, essa inserção deve ser seguida de infra-estrutura, tanto física quanto humana e de uma política educacional coerente, isto é, de nada adianta prover escolas de computadores se não há um entendimento de como esse suporte deve ser utilizado de forma pedagógica. Não é demais repetir que, a exemplo de outros suportes anteriormente introduzidos nos meios escolares, não é só da competência do professor o estabelecimento das maneiras de utilização das ferramentas tecnológicas, mas é, também, de outros profissionais que participam da educação como bibliotecários, técnicos, webmasters e outros.

Finalmente, a crença de que a análise das transformações, que acontecem na sociedade, não se esgota em um único momento e contexto, permite que se afirme que novos estudos sobre a interação no ciberespaço devem ser realizados continuamente, dada a complexidade do dialogismo e da condição humana em cada momento histórico.





Referências





BRAIT, Beth. Diálogos com Bakhtin. Curitiba: Ed. da UFPR, 2001.



CASTRO, Gilberto de. FARACO, Carlos Alberto. TEZZA, Cristóvão (orgs.). Diálogos com Bakhtin. Curitiba: Ed. da UFPR, 2001.



CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Editora UNESP, 1998.



FARACO, Carlos Alberto. Linguagem e Diálogo. As idéias lingüísticas do Círculo de Bakhtin. Curitiba: Criar Edições, 2003.





SILVA, Ezequiel Theodoro da. A leitura nos oceanos da Internet. São Paulo: Cortez, 2003.



OZAI. De: blogs-do-ozai@googlegroups.com

Em nome de Antonio Ozaí da Silva
Enviada em: sábado, 8 de novembro de 2008 20:39
Para: blogs-do-ozaí
Assunto: [blogs] Cenas da Metrópole / A importância da literatura para o
homem de cultura universitária, qualquer que seja sua especialização.

[1] Mestre em Educação e Especialista em Língua Portuguesa

terça-feira, 25 de agosto de 2009

O QUE É SEMIÓTICA? DA WIKIPÉDIA

A Semiótica (do grego semeiotiké ou "a arte dos sinais") é a ciência geral dos signos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia. Mais abrangente que a lingüística, a qual se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico - Artes visuais, Música, Fotografia, Cinema, Culinária, Vestuário, Gestos, Religião, Ciência, etc.

"A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem significa o que o rodeia."


Origens

É importante dizer que o saber é constituído por uma dupla face. A face semiológica ou semiótica (relativa ao significante) e a epistemológica (referente ao significado das palavras).

A semiótica tem, assim, a sua origem na mesma época que a filosofia e disciplinas afectas. Da Grécia até os nossos dias tem vindo a desenvolver-se continuamente. Porém, posteriormente, há cerca de dois ou três séculos, é que se começaram a manifestar aqueles que seriam apelidados pais da semiótica (ou semiologia).

Os problemas concernentes à semiótica podem retroceder a pensadores como Platão e Santo Agostinho, por exemplo. Entretanto, somente no início do século XX com os trabalhos paralelos de Ferdinand de Saussure e C. S. Peirce, a semiótica começa a adquirir autonomia e o status de ciência.

Charles Sanders Peirce

Do ponto de vista cronológico, a primeira personalidade a citar é Charles Sanders Peirce (1839-1914). Para ele, o Homem significa tudo que o cerca numa concepção triádica (firstness, secondness e thirdness), e é nestes pilares que toda a sua teoria se baseia. Num artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, Peirce, em 14 de maio de 1867, descreveu suas três categorias universais de toda a experiência e pensamento. Considerando tudo aquilo que se força sobre nós, impondo-se ao nosso reconhecimento, e não confundindo pensamento com pensamento racional, Pierce concluiu que tudo o que parece a consciência, assim o faz numa gradação de três propriedades que correspondem aos três elementos formais de toda e qualquer experiência. (...)


* 1 Origens
o 1.1 Charles Sanders Peirce
o 1.2 Ferdinand de Saussure
o 1.3 Louis Hjelmslev
o 1.4 Umberto Eco
o 1.5 Roman Jakobson
o 1.6 Morris e Greimas
* 2 Lingüística
* 3 Referências
* 4 Ver também
* 5 Ligações externas

VER TAMBÉM :
* Biossemiótica
* Claude Lévi-Strauss
* Décio Pignatari
* Jacques Derrida
* Lucia Santaella
* Yuri Lotman
* Roland Barthes
* Semiótica psicanalítica
* Teoria semiótica da complexidade
* Vilém Flusser
* Umberto Eco
* Semiótica peirceana
* Semiótica militar
* Semiologia
* Diferença entre semiótica e semiologia
* Semiótica da cultura (semiótica russa)(...)

LEIA MAIS EM :

FONTE : http://pt.wikipedia.org/wiki/Semi%C3%B3tica

À procura de uma besta - ANÚNCIO DE JOÃO ALVES -

Carlos Drummond de Andrade

ANÚNCIO DE JOÃO ALVES


À procura de uma besta

Figura o anúncio no jornal que o amigo me mandou, e está assim redigido:

À procura de uma besta
A partir de 6 de outubro do ano cadente, sumiu-me uma besta vermelho-escura com os seguintes característicos: calçada e ferrada de todos os membros locomotores, um pequeno quisto na base da orelha direita e crina dividida em duas seções em conseqüência de um golpe, cuja
extensão pode alcançar 4 a 6 centímetros, produzido por jumento. Essa besta, muito domiciliada nas cercanias deste comércio, é muito mansa e boa de sela, e tudo me induz ao cálculo de que foi roubada, assim que hão sido falhas todas as indagações.
Quem, pois, apreendê-la em qualquer parte e a fizer entregue aqui ou pelo menos notícia exata ministrar, será razoavelmente remunerado.

Itambé de Mato Dentro, 19 de novembro de 1899.

(a) João Alves Júnior


>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

55 anos depois, prezado João Alves Júnior, tua besta vermelho-escura,
mesmo que tenha aparecido, já é pó no pó. E tu mesmo, se não estou enganado,
repousas suavemente no pequeno cemitério do Itambé. Mas teu anúncio continua
modelo no gênero, senão para ser imitado, ao menos como objeto de admiração
literária.
Reparo antes de tudo na limpeza de tua linguagem. Não escreveste
apressada e toscamente, como seria de esperar de tua condição rural. Pressa, não
a tiveste, pois o animal desapareceu a 6 de outubro, e só a 19 de novembro
recorreste à Cidade de Itabira. Antes, procedeste a indagações. Falharam.
Formulaste depois o raciocínio: houve roubo. Só então pegaste da pena, e traçaste
um belo e nítido retrato da besta.
Não disseste que todos os seus cascos estavam ferrados; preferiste dizê-lo
“de todos os seus membros locomotores”. Nem esqueceste esse pequeno quisto
na orelha e essa divisão da crina em duas seções, que teu zelo naturalista e
histórico atribuiu com segurança a um jumento.
Por ser “muito domiciliada nas cercanias deste comércio”, isto é, do
povoado e sua feirinha semanal, inferiste que não teria fugido, mas antes foi
roubada. Contudo, não o afirmas em tom peremptório: “tudo me induz a esse
cálculo”. Revelas a prudência mineira, que não avança (ou não avançava) aquilo
que não seja a evidência mesma. É cálculo, raciocínio, operação mental e
desapaixonada como qualquer outra, e não denúncia formal.
Finalmente, deixando de lado outras excelências de tua prosa útil – a
declaração positiva: quem a apreender ou pelo menos “notícia exata ministrar”,
será “razoavelmente remunerado”. Não prometeste recompensa tentadora: não
fazes praça da generosidade ou largueza: acenas com o razoável, com a justa
medida das coisas, que deve prevalecer mesmo no caso de bestas perdidas e
entregues.
Já é muito tarde para sairmos à procura de tua besta, meu caro João Alves
do Itambé; entretanto essa criação volta a existir, porque soubeste descrevê-la
com decoro e propriedade, num dia remoto, e o jornal a guardou e alguém hoje a
descobre, e muitos outros são informados da ocorrência. Se lesses os anúncios de
objetos e animais perdidos na imprensa de hoje, ficarias triste. Já não há essa
precisão de termos e essa graça no dizer, nem essa moderação nem essa atitude
crítica. Não há, sobretudo, esse amor à tarefa bem-feita, que se pode manifestar
até num anúncio de besta perdida.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

(Seleta em prosa e verso. José Olympio Editora, 1973, p.23 apud Faraco e Teza.
Oficina de Texto. Curitiba: Livraria do Eleoterio, 1999. p.31-2)

FONTE: http://coralx.ufsm.br/depeco/doc_docentes/doc_Jose_Lannes_de_Melo/Anuncio_Joao_Alves_Drummond_Micro_II.pdf

O PROCESSO SEMIÓTICO NUM POEMA DE DRUMMOND - Salatiel Ferreira Rodrigues

Poema das sete faces

Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás e mulheres
A tarde talvez fosse azul
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás do óculos e do bigode.

Meu Deus, porque me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

O PLANO DE EXPRESSÃO

Não nos propomos fazer aqui uma análise do poema de Drummond, muito menos pretendemos atribuir-lhe uma decifração total, visto que um texto poético de tal envergadura se constitui numa galáxia de significados que a análise jamais o esgota. Pretendemos apenas estudar-lhe o plano da expressão, sob os aspectos denotativos, conotativo e mítico, dentro de determinado enfoque, sem negar-lhe a possibilidade de n outros percursos de leitura diferentes.

Partindo do princípio de que a grandeza do poeta consiste no modo como explora as palavras e que entre estas há as que encerram um significado em si (substantivos, adjetivos, verbos) e outras que são palavras de relação, sem significado ou com significação latente (pronomes, preposições, conjunções), é com as primeiras que vamos nos ocupar, embora não esqueçamos do que na obra literária aquelas posições podem ser invertidas na escala de valores. Nossa preferência se explica também pela própria finalidade deste trabalho que é a análise de relação expressão / conteúdo em escala ascendente a partir do nível denotativo.

O contato com a poesia drummondiana revela-nos, logo de saída, marcante originalidade de vocabulário. O poeta esmera-se em alcançar os melhores resultados no trato com a palavra, no teorizar a palavra, como assim é visto por Antônio Houaiss:

Teoria da palavra – divagações, talvez, em torno de uma lúcida intuição de poeta, de cuja prática da palavra se pretende, agora, dar uma idéia, com a sua seleção verbal, prática mais rica ainda do que a teoria, que não a sistematiza, não a limita, não a define inteiramente. Prática, ademais, fecunda, e fecunda desde o início – sem a mínima quebra do valor de sua mensagem, muito antes pelo contrário.[1]

O vocabulário de Drummond – como é o dos poetas contemporâneos – opõe-se ao vocabulário usual dos poetas anteriores, como o disse Houaiss:

...não apenas uma oposição consagrada – como a dos parnasianos, à procura do rigor racional no uso dos vocábulos em oposição ao uso afetivo e padronizado dos românticos, ou dos simbolistas, à procura dos vocábulos musicais ou sugestivos em oposição ao uso lógico dos parnasianos. Nos contemporâneos, a oposição a todos os outros é por universalização; não há proscrição possível por princípio; haverá, se tanto, omissão, por não ocorrer a necessidade de uma dada palavra; e ainda mais, essa universalização não se faz na base da chamada adequação verbal – palavras afins pelo uso social de certa camada, pelo uso técnico, pela sugestão histórica, pela associação histórica – mas as palavras, provindas de quaisquer setores do vocabulário, confluem em inusitadas combinações, associações, que carregam de ineditismo o inusitado, sobretudo porque não se amarram em esquemas convencionais, de dignidade específica, de acordo com o tema, mas com o estado espírito do autor.[2]

Essa dupla oposição – ao anterior e ao presente – é uma constante em sua obra e é o que se verifica no Poema de sete face, anjo torto, ser gauche na vida, casas espiam os homens, bonde cheio de pernas, homem atrás dos óculos e do bigode, Raimundo, conhaque, botam a gente, etc. Valorização por oposição que se faz não apenas ao convencional, mas ao usual. Oposição que nos revela o mais importantes aspecto geral na evolução do vocabulário de Drummond.

Observe-se que nesse poema, na primeira, segunda, terceira e quarta estrofes, que se referem ao mundo objetivo, o mundo das coisas, as palavras são mais livres, mais independentes, passíveis de serem interpretadas isoladamente. J´na quinta, sexta e sétima estrofes, referindo-se ao mundo subjetivo, mundo dos sentimentos, as palavras adquirem mais força de expressão quando sentidas em bloco. Assim é que aquela primeira metade do poema, mais especialmente, se presta de imediato a uma leitura, seja no nível denotativo ou no conotativo, como veremos a seguir. (...)

CONTINUE A LER EM :
FONTE : http://www.filologia.org.br/revista/artigo/6(17)81-90.html

Beto, Bia e Abelardo - Ciclo 1: O mundo visto pelo olhar de Beto

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Por Jeosafá Fernandez

Orientações iniciais: desenvolvendo habilidades de leitura e discutindo valores

O projeto Beto, Bia e Abelardo procura vincular a leitura em língua portuguesa à necessária e atual discussão sobre valores. Articula deliberadamente competências e habilidades lingüísticas e literárias à reflexão sobre conteúdos culturais, morais, éticos, científicos, artísticos entre outros. Parte da constatação de que nenhuma eduação é isenta, de que toda verdadeira ação de leitura é um mergulho em profundidade na sociedade, no íntimo do indivíduo e no coração do conhecimento, e de que todos estamos, o tempo todo, constituindo ou rejeitando, assumindo ou criticando valores, consicente ou inconscientemente.

O que é ser "bem-educado"? Aceitar passivamente os berros dos adultos ou dos mais fortes? Devolver com grito o grito e com violência a violência? O que é ler bem? Seria repetir, muitas vezes com as mesmas palavras, o que os superiores exigem, sem nada criar ou contestar? E o que seria "uma pessoa moral"? Aquela que elege valores de sua religião, de seu grupo social, ou unicamente seus, para os impor, a todo custo e meio aos demais?

Viver numa sociedade tão dinâmica, num mundo tão complexo, numa época tão cheia de guerras e violências impõe a quem deseja justiça, respeito aos direitos humanos e ao meio-ambiente atitude positiva: é preciso entender o mundo, é preciso entender o outro, é preciso que cada um entenda a si próprio e lute por mudanças solidárias, em relação ao hoje e em relação às gerações futuras, que têm direito de receber um planeta e um vida decentes. Noutras palavras: é preciso saber para mudar, mas não há saber sem boa leitura e bons leitores, de textos e de mundos.

Traduzo assim as intenções e expectativas de Beto, Bia e Abelardo: ler para gostar, ler para saber, ler para mudar solidariamente o mundo.


Linguagem oral

Explorar possibilidades de leitura oral a partir de dialetos (falares regionais: caipira, do nordeste, gaúcho, entre outros) e socioletos (falares de grupos sociais: jovem urbano, idosos, mulheres, jargões profissionais etc.). Buscar múltiplas e variadas locuções interpretadas, articulando modulação de voz, ritmos, timbres, tonalidades, volume, velocidade (não há uma certa, mas muitas possíveis, desde que atinjam o objetivo de fisgar o leitor). No caso da criança alfabetizada e letrada, dar oportunidade para que ela execute a leitura, de trechos ou de histórias completas, desde que ela assim deseje. Aproveitar interferências durante a leitura para elucidar dúvidas. Interromper a leitura somente se a criança solicitar, e explicar somente o que ela solicitou (nas atividades de pré-leitura e de pós-leitura o professor poderá destacar o que julgar necessário, seja com relação à linguagem, seja com relação a valores em questão). A leitura pode ser feita sem interrupções ou pode sofrer pausas, sempre a depender da solicitação da criança. No primeiro caso, é necessário discutir questões de linguagem e de conteúdo com as crianças ao final. Cada sessão de leitura não deve ultrapassar 50 minutos.
Tanto a pré quanto a pós leitura pode ser realizada imediatamente à leitura ou em momentos outros, mas sempre na mesma semana.


Linguagem escrita

Orientar a criança sobre a organização do livro, os significados e sentidos das imagens e das cores de capa e de início e final de episódio. Não esquecer dados técnicos: título da obra, títulos dos episódios, autor do texto e autores das imagens etc. Explorar com a criança as diferenças entre texto oral e texto escrito. Alertar a criança que o texto tem obstáculos propositais, que elas podem superar com ajuda do professor ou dos pais (questões de vocabulário, de palavras de uso regional, pontuação, acentuação, pronúncia a partir do registro escrito, de recursos poéticos tais como rimas, aliterações e cadências etc.). Há vários jogos de linguagem no livro. Numa das histórias, há a explicitação de que há no livro, além do bem-te-vi, gralhas. Aqui, gralha é o nome que se dá para anomalias do registro escrito no texto impresso. No trabalho com o texto escrito, a criança deve ser estimulada a encontrar as gralhas presentes no texto. Nisso ela pode ser ajudada pelos pais em casa (é conveniente que os pais leiam em casa a história da semana e ajudem a criança a superar as dificuldades textuais e a apontar as gralhas presentes apenas na história da semana). Esse jogo chama-se Caça às gralhas. Mais à frente esse jogo estará amarrado a duas personagens do Ciclo 2 - O mundo visto pelo olhar de Bia. As atividades de pré e de pós-leitura não devem ser amarradas à produção escrita. Algumas vezes isso é desejável, mas não deve predominar. Ciranda de roda, produção de desenhos e pinturas, jogos e brincadeiras podem muito bem ser mobilizados para sensibilizar a criança (pré-leitura) e para concluir significativamente o trabalho com cada episódio (pós-leitura). Em ambos os casos a criação e a produção imaginativa da criança devem ter lugar. Devem ser descartadas todas as práticas de reprodução, bem com aquelas que não possam ser compreendidas claramente e aceitas voluntariamente pelas crianças. Convém discutir as noções de “certo” e “errado”, comparando-se a linguagem oral e a escrita.

Valores éticos, morais, sociais, científicos, afetivos entre outros

O projeto Beto, Bia e Abelardo articula competências e habilidades de leitura com o debate sobre constituição de valores. Que valores a mídia, a família e a escola estão constituindo e transmitindo às nossas crianças? Nós concordamos com tudo que chega a nossos filhos ou não? Pais e educadores podem intervir na formação de valores de seus filhos e alunos?
Estas questões e outras da mesma natureza permeiam cada um dos 10 episódios de Beto, Bia e Abelardo. Há violência contra a mulher no seio da família? Há manifestações de machismo? Há intolerância contra as diferenças? Há respeito ao meio-ambiente? A criança é exposta a risco pelos adultos? O desemprego e as dificuldades econômicas afetam as relações do casal e deste com os filhos? O pano de fundo dessas histórias são quatro importantes documentos contemporâneos, que devem ser explorados nas atividades pré e pós leitura, bem como nos debates e explicações para as crianças: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, Estatuto da Criança e do Adolescente, Estatuto do Idoso. Nas atividades de pré e de pós-leitura, bem como nos debates e explicações às crianças, devem ser propostos problemas éticos e morais que elas devem responder com auxílio dos colegas e dos pais: Qual o papel dos adultos em relação à proteção à criança? Que relações têm as fábulas infantis com os riscos que as crianças sofrem hoje, em meio a uma sociedade consumista, muito injusta e particularmente violenta contra os mais fracos? Como a criança pode evitar situações de risco? Quais são as situações potencialmente de risco para crianças? Devemos ou não proteger os idosos? Que idéias e valores os desenhos e programas infantis veiculam e estimulam nas crianças? O certo é ser solidário ou levar vantagem em tudo? O certo é passar a rasteira no colega ou se associar a ele para vencer dificuldades. Como posso, enquanto criança, tornar minha família, minha rua, minha escola, meu bairro, o mundo melhores? Quando é que eu, enquanto criança, passo dos limites? O que são limites? Posso ser espancado porque passei dos limites? O que são direitos, o que são deveres? O que é liberdade, o que é abuso?
Essas e outras questões devem ter destaque no trabalho desenvolvido pelo projeto. Disponibilizar para as crianças e para suas famílias os documentos citados é necessário.
As atividades de pré, pós e mesmo as de leitura podem ser realizadas com presença de familiares e membros da comunidade, desde que devidamente planejadas, de modo que o foco seja mantido sempre nas crianças participantes do projeto: pais e comunidade têm lugar importante, auxiliando e co-participando, mas não devem tomar o lugar das crianças.

Orientação geral: Realizar apontamentos durante as atividades.

DO BLOG : Amplexos do JeosaFÁ - Educação, Literatura, Leitura, Cinema, Paz
FONTE: http://amplexosdojeosafa.blogspot.com/2008/03/beto-bia-e-abelardo-ciclo-1-o-mundo.html

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CLASSIFICAÇÃO ANIMAL - (línguas vivas, línguas mortas,taxonomia,Aristóteles,Lineu e etc)





(...)Há mais de 10 milhões de espécies de seres vivos na Terra, e dessas, mais de 2 milhões são de animais. Desde muito tempo, os cientistas vêm tentando uma forma de classificação que seja universal, ou seja, que possa ser usada para qualquer animal, por pesquisadores do mundo todo. As primeiras tentativas de classificação datam de Aristóteles, e remontam a 3 séculos antes de Cristo. Ele dividia os animais em animais de sangue vermelho e animais sem sangue vermelho. Sem dúvida, é uma classificação muito simples e imperfeita.(...)

(...)A Nomenclatura Binomial


No período inicial da Taxonomia, cada cientista ou grupo de cientistas empregava regras peculiares de nomenclatura. Sem dúvida, isso deve ter trazido uma grande polêmica, inviabilizando a troca de informações e de conhecimentos entre os cientistas de vários países, quando não, dentro de um mesmo país. Em cada idioma e em cada dialeto, um mesmo animal pode receber vários nomes distintos.

Os trabalhos de Lineu, que datam do século XVIII, foram a base escolhida para a moderna nomenclatura científica, adotada universalmente em 1901. Suas principais regras são as seguintes:

a) Todos os nomes científicos devem ser escritos em latim ou serem "latinizados". O latim é uma língua morta, ou seja, não é falada em nenhum país. Por isso, não é sujeita a mudanças que freqüentemente acontecem nas línguas "vivas". Um nome estabelecido em 1910 deverá permanecer imutável por todo o tempo. Exemplo: Canis familiaris (cão doméstico).

b) A nomenclatura é binomial, isto é, cada espécie deve ser conhecida por um nome formado por pelo menos duas palavras. A primeira palavra indica o gênero, e a segunda designa a espécie. A cascavel é conhecida cientificamente por Crotalus terrificus. Seu gênero é Crotalus e a espécie é Crotalus terrificus. Observe que a espécie não é terrificus. Nunca se usa a última palavra isoladamente.

c) Etmologicamente, o nome do gênero é um substantivo, e é sempre escrito com a inicial maiúscula. A designação da espécie é um adjetivo, e é iniciada por minúscula. Por exemplo, a lombriga do homem, cujo nome científico é Ascaris lumbricoides.

d) Quando, em uma espécie, houver subespécies, essas são indicadas por um terceiro nome que se segue à designação da espécie, e é escrito com inicial em letra minúscula. Por exemplo: Rhea americana alba (o nome da ema branca sul-americana).

e) Se houver subgênero, esse será indicado com a inicial em maiúscula, entre parênteses, depois do nome do gênero. O mosquito transmissor da malária, por exemplo, é mosquito-prego, cuja notação científica é Anopheles (Nyssorhincus) darlingii.

f) Todo nome científico é escrito de forma a ter destaque em relação ao restante do texto. Para isso, se usa letra em itálico, em negrito ou grifado. Exemplos: Mus musculus, Macaca mulata e Homo sapiens.

Fonte: www.biomania.com.br

FONTE: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/taxonomia/classificacao-animal.php

O jovem Kanzi ,com 27 anos,"conversa" usando mais de 360 símbolos e entende milhares de palavras faladas.

















O jovem Kanzi começou a desenvolver sua habilidade lingüística por conta própria - enquanto observava os cientistas que treinavam sua mãe. Hoje com 27 anos, o bonobo "conversa" usando mais de 360 símbolos em seu tabuleiro e entende milhares de palavras faladas. Ele forma sentenças e produz ferramentas de pedra - modificando sua técnica de acordo com a dureza da rocha. E toca piano (já fez improvisações com o músico Peter Gabriel). "Se convivermos com os bonobos por 15 gerações", diz William Fields, "os bonobos vão ficar menos bonobos, e os seres humanos, menos seres humanos. No fim das contas, não há tanta diferença assim entre nós." Fields está analisando as vocalizações de Kanzi: "É possível que esteja falando em inglês, só que num ritmo rápido e num tom agudo demais para que possamos entender".

Foto de Vincent J. Musi

http://viajeaqui.abril.com.br/national-geographic/papeis-de-parede/edicao-96-marco-2008-451549.shtml?foto=21p

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Alphaville e a Semântica Geral - FILME DE GODARD

por Jayme Chaves

Alameda Oppenheimer, rua Enrico Fermi, cidade de Alphaville: endereço do Instituto de Semântica Geral. O tempo é o futuro. Lémy Caution, agente secreto, para lá se dirige. a fim de encontrar a filha do Dr. Von Braun, inventor do Raio da Morte. Encontra também um sistema de lavagem cerebral — ou "programação neurolingüística" — conduzido pelo supercomputador Alpha 60, que controla a vida da metrópole. O objetivo do instituto é educar e "reeducar" os cidadãos para um modo de vida inteiramente baseado nos postulados da ciência moderna, não-aristotélica.

No filme de Godard, Alpha 60 (interpretado por uma "voz" recém-operada das cordas vocais) recita várias passagens escritas pelo conde polonês Alfred Korzybsky (1879-1950). Desenhos e diagramas de sua autoria são mostrados na tela. Korzybsky inventou a Semântica Geral e fundou o seu Instituto, que existe de fato e localiza-se em Lakewood, Connecticut, EUA. Expôs seus princípios no livro Science and Sanity: An Introduction to Non-Aristotelian Systems and General Semantics (1933).

É difícil resumir aqui os postulados desta curiosa "ciência". Trata-se de uma mistura original de lingüística, filosofia e psicologia, sob a égide da matemática, e que se propõe substituir a assim chamada estrutura aristotélica da linguagem por outra mais condizente com os complexos problemas levantados pela ciência moderna. Não se trata apenas de uma mudança de orientação no conteúdo da aprendizagem. A estrutura de nossa linguagem deve ser modificada, pois ela condiciona psicologicamente o nosso pensamento, nosso comportamento e nossa apreensão da realidade, que deriva diretamente das reações semânticas concomitantes a essa estrutura.

S.I.Hayakawa, em seu artigo O que é estrutura aristotélica da linguagem (in Ideograma: Lógica, Poesia, Linguagem, org. Haroldo de Campos, Cultrix) enumera quatro características básicas da linguagem indo-européia (aristotélica):

1) Identidade: tendência a confundir palavras com os objetos designados. Ex.: "isto é aquilo". Korzybsky, contrariando Borges, dirá: "o mapa não é o território, a palavra não é coisa que descreve. Sempre que o mapa é confundido com o território, instala-se no organismo uma perturbação semântica. A perturbação continua até serem reconhecidas as limitações do mapa".

2) Abstração: tendemos a abstrair elementos isolados do objeto ou sensação designado, separando-os uns dos outros, perdendo a apreensão de sua totalidade e "obscurecendo ou ocultando por completo os relacionamentos funcionais", nos diz Hayakawa. E Korzybsky: "Ao fazer uma afirmação quanto a um objeto ou acontecimento, um indivíduo apenas abstrai algumas de suas características (...) A consciência da abstração constitui uma das diferenças fundamentais entre uma pessoa semanticamente treinada e outra que não o esteja.

3) Abstração infinita. Korzybsky: "tende consciência da AUTO-REFLEXÃO. Uma afirmação pode ser acerca da realidade ou pode ser acerca de uma afirmação acerca de uma afirmação da realidade".

4) Dois valores: "verdadeiro" e "falso", "certo" e "errado", "branco e preto", "contra" e "a favor". Segundo o conde, as afirmações de Aristóteles (...) foram provavelmente as mais completas disponíveis durante o seu tempo (...) mas elas continuam a ser a base das opiniões e crenças da maior parte das pessoas". E ainda: "Sempre que uma pessoa reage a uma situação nova ou alterada como se ela fosse velha e inalterada diz-se que ele ou ela está a identificar. Esta visão da vida é aristotélica".

Em Alphaville, Godard provoca pequenos choques semânticos entre o filme e o objeto filmado. O tempo é o futuro, mas o que se vê é a Paris dos anos 60. É um filme de ficção científica, mas se representa como um policial noir. Recita a Semântica Geral. Mistura "Figaro" com "Pravda". E beira o surrealismo, como na cena das execuções. O filme é um objeto não-divisível, e deve ser percebido em seu sistema de interligações. Também deve ser apreciado com uma lógica não-aristotélica, como aliás toda a cinematografia de Godard, que não comporta dois valores. Esse é e tem sido o grande problema da arte moderna, que propões situações novas mas é apreendida através de parâmetros velhos.

Mas Godard coloca a Semântica Geral como a filosofia (ou disciplina, como queria Korzybsky) dominante de um estado totalitário. Ele sem dúvida deveria cohecer a alucinante crença do conde na criação de uma terapia médico-psiquiátrica — que incluiria a intervenção cirúrgica — que modificasse o sistema nervoso do homem, fazendo com que fosse possível assimilar novas estruturas de pensamento e linguagem. Assim o homem estaria livre para reagir no complexo universo da mecânica quântica, por exemplo, livre da patologia aristotélica de um mundo que já não é mais aristotélico. O aparente messianismo fascista de tais afirmações se choca com as múltiplas possibilidades que elas evocam. Daí a riqueza, a bizarria e o atrativo do pensamento de Korzybsky quem, ao lado de opensadores tão diferentes quanto Spengler, Gurdjeff, MacLuhan e Norbert Wiener, foi um dos grandes "organicistas" do século.

Obs.: As citações de Korzybsky foram todas pinçadas de outra obra de ficção científica que aborda a Semântica Geral. Trata-se de Os Jogadores de Zero-A (The Players of Null-A), de A.E.Van Vogt, que descreve uma sociedade no futuro regida pela Máquina, e na qual os personagens enfrentam situações "Zero-A", ou seja, não-aristotélicas. Teria Godard lido Van Vogt?

FONTE: http://www.geocities.com/contracampo/alphavilleeasemanticageral.html

LEIA MAIS EM :http://escolanomade.org/tiki/Alphaville,+de+Jean+Luc+Godard

ASSISTA AO FILME COM LEGENDAS EM INGLÊS
http://video.google.com/videoplay?docid=-2648727779153972387




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Para lembrar Hiroshima e John Hersey

Por Francisco Ribeiro em 26/8/2008

Matinas Suzuki Jr., no posfácio que escreveu sobre Hiroshima (São Paulo: Companhia das Letras, 2002), enfatiza que o livro de John Hersey é uma espécie de Cidadão Kane do jornalismo, pois lidera todas as listas como a "melhor reportagem" já escrita. Hersey morreu há 15 anos e, em vida, teve a oportunidade de, nos anos 1980, quatro décadas após ter publicado a reportagem – primeiramente na revista The New Yorker, depois em forma de livro –, voltar a Hiroshima e completar seu trabalho. Muito já se falou sobre Hiroshima, as seqüelas da bomba, mas, passados 63 anos, parece impossível, assim como o holocausto, curar o trauma deixado na alma da humanidade.

Momentos culminantes, como em casos de assassinatos – Martin Luther King, John Lennon – nos remetem à perspectiva de querer voltar no tempo, alterar a história. Ilusão inútil, leite já derramado, mas que não altera a vantagem do historiador de poder documentar-se e comentar fatos ocorridos como aqueles de 6 de agosto de 1945. Cabe acompanhar o fatídico andar do relógio daquela trágica manhã.

Oito horas, 14 minutos, mais alguns segundos. O coronel Paul Tibbets Jr., comandante do bombardeiro B-29, alcunhado de "Enola Gay", faz um vôo tranqüilo, sem oposição, pois os poucos Mitsubishi, se ainda restam, dedicam-se a ataques kamikazes contra a frota americana no Pacífico. O militar olha para baixo e confere, ainda intacta, a clássica descrição da cidade de Hiroshima: bela, em forma de leque, dividida em seis ilhas formadas pelos braços do rio Ota. Está quente e, pela cidade, circulam bondes e trabalhadores. Não é um dia normal, pois o país, já há algum tempo, vem sendo destroçado pelos americanos, mas, estóicos e disciplinados, os japoneses resistem em capitular.

O coronel cumpre ordens (mesma argumentação dos nazistas) e tem a sorte de estar lutando pelo lado vencedor. Em sua "ingenuidade", pode imaginar estar carregando apenas um bombão, um pouco mais destrutivo do que aqueles que, nos últimos seis anos, castigaram a Europa, a Ásia e o norte da África. Até aquele momento, 67 cidades japonesas já foram bombardeadas e, só em Tóquio, morreram 100 mil pessoas. Os habitantes de Hiroshima aguardam a sua vez e fazem preparativos tradicionais de defesa antiaérea.

Oito horas e 15 minutos. O coronel despeja sua carga mortal. Percebe um imenso clarão silencioso e, logo depois, a aglomeração de gases sob a forma de um cogumelo gigante. Missão cumprida, pode retornar à base. Ele ainda não sabe que, embaixo, cerca de 100 mil, dos 240 mil habitantes da cidade, morreram na hora, outros milhares perecerão logo depois.

Infância incomum

A Segunda Guerra Mundial é pródiga em relatos de populações sob intenso bombardeio: Varsóvia, Londres, Stalingrado, Dresden, Berlim. A singularidade de Hiroshima reside no fato de ter sido a primeira experimentação efetiva de uma arma nuclear. Três dias depois, o experimento e os traumas subseqüentes seriam partilhados com Nagasaki. Não havia necessidade, o Japão estava exangue, a rendição era uma questão de dias. Mas, fiel à máxima de que a vingança é um prato que se come frio, era necessário que os japoneses quitassem sua dívida em relação a Pearl Harbor. Os russos também aproveitariam o estado terminal japonês para declarar guerra e surrupiar as ilhas Sakalinas, indo à forra pela derrota de 1905. Ninguém esquece.

Mas, afinal, o que significa uma cidade ser atingida pela bomba atômica?

Coube a Hersey a aventura de, entre 25 de maio e 12 de junho de 1946, portanto quase um ano após a tragédia, apurar os fatos em Hiroshima. Ele levaria outras seis semanas escrevendo a reportagem. Impressionados pela narrativa, os editores do The New Yorker optaram por fazer uma edição monotemática. Resultado: os 300 mil exemplares esgotaram-se em poucas horas. O mesmo sucesso editorial seria obtido quando, logo depois, a reportagem foi transformada em livro.

Hersey teve uma infância incomum, pois, filho de missionários americanos, nasceu em Tientsin, China, vivendo lá até os 11 anos de idade. Formou-se em Yale, e, logo em seguida, como correspondente na China e na Rússia, escreveu artigos para as revistas Time, Life e The New Yorker. Já famoso, e ganhador do prêmio Pulitzer por Um sino para Adano, tinha 32 anos quando foi escalado para ir a Hiroshima. Hersey tomou como modelo de construção narrativa o relato escrito por Thornton Wilder, A ponte de São Luiz Rei, sobre uma catástrofe ocorrida no Peru, descrita sob o ponto de vista de cinco sobreviventes.

O grande clássico

Não se trata de pastiche, é uma questão de método. Narrativas são, no bom sentido, cheias de truques, tanto do ponto de vista estrutural, como para prender a atenção do leitor. Hersey construiu sua reportagem sob o ponto de vista de seis personagens – duas mulheres e quatro homens, sendo um alemão –, personificando a tragédia, ou, como observou Matinas Suzuki Jr.:

"[...] ele aproximou a abstração ameaçadora de uma bomba atômica à experiência cotidiana dos leitores. O horror tinha nome, idade e sexo. Ao optar por um texto simples, sem enfatizar emoções, ele deixou fluir o relato oral de quem realmente viveu a história. O tom da reportagem é um prolongamento da dor silenciosa que os sobreviventes de Hiroshima notaram nos conterrâneos feridos". (Hiroshima, p. 168)

Assim, o leitor acompanha o dia-a-dia, as agruras, o sofrimento, a luta contra as doenças causadas pela radiação, a batalha contra o preconceito, a superação da senhora Hatsuyo Nakamura, da senhorita Toshiko Sasaki, dos doutores Masakazu Fujii e Terufumi Sasaki, do reverendo Kiyoshi Tanimoto e do padre Wilhelm Kleisorge. Gente de carne e osso com coragem e força para ir em frente, mostrar solidariedade, empreender ações exemplares que dignificam a espécie humana. Eles também representam o conjunto de pessoas que, no Japão, são conhecidas como hibakushas: pessoas que sofrem os efeitos da bomba.

Libelo contra a utilização de armas atômicas, Hiroshima também é uma aula de jornalismo literário ou reportagem de imersão. A tradição é longa, remonta ao século 19. Os sertões, de Euclides da Cunha, publicado primeiramente sob forma de reportagem para O Estado de S.Paulo, é o grande clássico do período no Brasil. Conforme Suzuki, "o termo novo jornalismo, por exemplo, foi usado em 1887 por Mat Arnold para descrever o estilo vivo das reportagens que W.T. Stead escrevia para a Pall Mall Gazette" (Hiroshima, p.179).

Empatia e observação

É possível capturar, via internet, trechos de artigos de Stead escritos sobre favelas londrinas. O mesmo nicho social que, anos mais tarde, Jack London exploraria para escrever The people of the abyss (O povo do abismo). Deste último, a lembrança do porta-bandeira, alcunha dada a miseráveis que, proibidos de dormir nos parques públicos da rainha Victoria, eram obrigados a caminhar, "marchar" a noite inteira. London também cobriria a guerra entre a Rússia e o Japão (1904-1905).

Enfim, Hersey é um dos grandes exemplos de repórteres-escritores que, no Brasil, dada a falta de espaço nos jornais, mantêm o gênero através de livros, como é caso, por exemplo, de Caco Barcelos. A revista The New Yorker, uma senhora robusta de 83 anos, saudada por haver publicado alguns dos maiores textos da imprensa mundial, possui uma galeria desses interessantes narradores, tais como Lílian Ross (autora de Film, um painel sobre Hollywood) que, há algum tempo, numa entrevista para a Folha de S.Paulo, quando indagada se era possível ensinar jornalismo literário, deu o seguinte depoimento:

"No momento, procuro fazer isso com um jovem em troca de seus conhecimentos como cozinheiro. Ele é um ótimo `chef´ e quer ser um repórter-escritor. Acredito que possa ensinar a ele o que considero ser a essência da atividade, mas até um certo ponto. Isso equivale a apenas 10% do que realmente importa. O restante depende de características individuais: história de vida, experiência, natureza, autodisciplina, curiosidade, humor, entusiasmo, paixão, originalidade, coragem, biologia, determinação, idade, ego e energia. Vigilância em relação à sensibilidade dos outros; capacidade de empatia e de observação enquanto mantém a imparcialidade; e a habilidade de resistir a fazer julgamentos morais das outras pessoas".

Parece pouco?

FONTE: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=500IMQ003

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"o buraco é mais em baixo"

devia ser 1980...
numa conversa com meus pais,
disse: "o buraco é mais em baixo"
ambos ficaram indignados,
decepcionados até!
o que esta garota de 20 e poucos
anos anda aprendendo por aí?!...
a conotação sexual logo veio-lhes!
indecência! onde foi que erramos!?
relevei,meus pais eram uns
40 anos mais velhos do que eu!
mas afinal? até hoje não
sei se eles chegaram a entender
o que quer dizer esta expressão!
na web é estranho ler o que
os jovens hoje pensam de frases antigas
como essa,mas que acho,nunca tenha sido entendida
desde a época em que foi inventada.

Nadia Stabile - 06/07/09

sábado, 13 de junho de 2009

McLuhan: “O MEIO É A MENSAGEM”

por luciano gasparini

Com esta célebre frase , o canadense Herbert Marshall McLuhan (1911-1980) levantou uma discussão que aborda a relação entre a forma e o conteúdo na transmissão da informação.
A impressionante velocidade com que as inovações tecnológicas aparecem, colaboram, na mesma proporção, para a mudança nas relações de comunicação da sociedade.
Para relembrar:
Antigamente, tínhamos as cartas como forma preponderante de comunicação a distância. Hoje os e-mails predominam.
Antes, vídeo-cassete. Atualmente, DVDs players. Fitas-cassete versus mp3 e ipod, máquina fotográfica analógica x digital, máquina de escrever x computador, enfim, vários são os exemplos desta transformação e quebras de paradigmas.
Onde quero chegar com isso?
Uma série de fatores influenciam na recepção de uma mensagem. Palavras ditas através do telefone são diferentes das mesmas palavras ditas pessoalmente.
Quantas vezes nos pegamos duvidando do que foi dito ao telefone? Estando frente a frente você pode avaliar o que foi dito através de sentidos que você não tem ao telefone como, por exemplo, gestos e olhares.
O estudo que proponho a seguir tem a finalidade de mostrar que a mudança do meio de comunicação altera a mensagem, ou seja, o sentimento causado ao receptor não é o mesmo quando transmitido por meios diferentes, mesmo que o texto seja idêntico.

Para exemplificar, peguemos o Jornal Zero Hora, versão digital e impressa.
http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1

Linearidade:Quando você pega o jornal impresso, você escolhe por onde vai começar a leitura através de uma editoria de seu interesse. Eu, particularmente, começo pela capa, contra-capa e esportes, nesta ordem.
Na versão online, tem os links correspondentes às editorias, o que nos permite fazer esta mesma escolha. Ou seja, nós damos a linearidade que queremos na leitura. E assim é nas duas versões do jornal.
Concentração:Para ler a versão online você precisa estar disponível a frente do computador, o que, teoricamente, dá melhor poder de concentração e predisposição à leitura. Embora tenhamos que reconhecer que as vezes somos interrompidos pela curiosidade de ver e-mails ou pelo bonequinho do MSN avisando que novas mensagens chegaram.
O jornal impresso nos dá a opção de lermos no ônibus, numa recepção de consultório ou rapidamente nas bancas. Isto tira a capacidade de atenção, pois temos que cuidar a parada pra descer, driblar os enjôos ou esperar pela chamada do médico.
Na versão online, temos comerciais que não são estáticos. Se movimentam de um lado para o outro ou aparecem repentinamente no meio da página, exigindo muitas vezes que você interrompa a leitura para fechar o arquivo. Os chamados popups. Eles também são objetos de dispersão.
Interação: o jornal da internet permite que você entre em murais, chats, fóruns e enquetes. você ainda tem a possibilidade de mandar a notícia para um amigo. Se quiser fazer isso pelo meio tradicional, também existe a possibilidade, mas terá que mandar cartas para a sessão do leitor. E sabe-se lá se vai ser recebida.
Hiperlink: a versão digital do jornal oferece a opção de navegar por outros sites através da existência dos hiperlinks. Se você tem uma dúvida ou desconhecimento sobre determinado assunto, pode se aprofundar nos links oferecidos. Ou até mesmo abrir um site e procurar sobre aquela palavra que você nunca ouviu falar.
Bem, aí estão apenas alguns exemplos de que o meio interfere na mensagem final. Por isso McLuhan dizia que o meio é a própria mensagem.
Portanto, é importante compreendermos que quando se passa de uma mídia para a outra é preciso uma reciclagem. É importante saber reconhecer a potencialidades, as deficiências e os limites de cada uma delas.
Quando você coloca uma gravação televisiva na internet ela passa a ser qualquer outra coisa, menos televisão.
Há uma remediação, ou seja, transformação do meio. Há uma nova linguagem, há um novo público, novos conceitos. O tempo, as interferências externas, as técnicas de produção são outras e precisam ser respeitadas.
Não há um meio melhor que outro. Há sim, um diferente do outro.

FONTE: http://lucianogasparini.wordpress.com/2007/05/03/macluhan-o-meio-e-a-mensagem/

sexta-feira, 29 de maio de 2009

TREMAIS ! - CãRiùá - TaTaRaNa

TODO
TEMPO.
TUDO
TENTA,
TORNAR
TOLO.

ONDE FOI PARAR A LINGÜÍSTICA.
O QUE SERÁ DA POBRE LINGÜIÇA.
SEM A DIÉRESE A LÍNGUA PADECE.
E É ASSIM, QUE O IDIOMA FENECE.

CãRiùá - TaTaRaNa

Quem vai explicar a criança;
na inocência da sua infância,
que ter-se-à de ler o "quente"
contido na palavra eloqüente,
"D I F E R E N T E"
da pronunciada em esquente.

www.cariua.com
cariua@cariua.com
http://pt-br.facebook.com/people/Cariua-Tatarana/1143125516

domingo, 24 de maio de 2009

Francês invade Museu da Língua Portuguesa















Instalação na entrada reúne 5 mil palavras do nosso vocabulário com origem francesa

Publicado em 11/05/2009

A onda de bistrôs na cidade ou nomes como Campo de Marte (de Champ de Mars) e Campos Elíseos (de Champs-Élysées) são apenas dois dos exemplos da vasta e antiga influência da língua e da cultura francesas sobre a nossa.

É desse trânsito livre que se trata a exposição O Francês no Brasil em Todos os Sentidos, que abre hoje para convidados no Museu da Língua Portuguesa e a partir de amanhã para o público.

Uma das principais atrações do Ano da França no Brasil, a mostra é a primeira binacional do museu, inaugurado em 2006. Diferentemente de outras exposições, é a única que não se dedica a uma obra literária ou a um autor.

Com curadoria assinada por dois franceses e um brasileiro, a mostra foi pensada como "um mosaico da presença francesa no Brasil por meio da palavra", como define o curador Álvaro Faleiros, poeta e professor de literatura francesa da USP.

A ideia fica clara logo na instalação da entrada. Formado por viadutos metálicos com vias iluminadas, o painel exibe palavras franceses incorporadas ao nosso vocabulário e a frase "Em nosso idioma mais de 5.000 palavras têm origem francesa".

Outro ponto entre os 14 espaços da exposição é o dos Falsos Cognatos, palavras semelhantes com significados diferentes, com cenário inspirado no Centro George Pompidou, em Paris.

FONTE: http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=17,38179

terça-feira, 12 de maio de 2009

JAMES JOYCE - ULISSES

Ulisses
  • Somos um povo generoso mas devemos ser justos - Tenho medo dessas grandes palavras - disse Stephen- que nos fazem tão infelizes
- pg 41
  • A coisa é se se crê realmente.
- pg 97
  • Monsieur de la Palise - escarneia Stephen - estava vivo quinze minutos antes de morrer
- pg 215
  • Apega-te ao agora, ao aqui, através dos quais todo o futuro mergulha no passado
- pg 218
  • As gentes não sabem quão perigosas podem ser as canções de amor
  • Ba! - disse Stephen rudemente - Um homem de gênio não se engana. Seus erros são volitivos e são os portais da descoberta
- pg 222
  • No que nós, ou a mãe Dana, tecemos e destecemos nosso corpos - disse Stephen - no dia a dia, as moléculas deles entrecuzando-se daqui para ali, assim tece e destece o artista a sua imagem. E assim como o sinal do meu peito direito está onde estava quando eu nasci. embora meu corpo tenha sido tecido de novos fios no correr dos tempos, assim através do espírito do pai inquieto a imagem do filho não vivente se mostra. No intenso instante da imaginação, quando a mente, diz Shelley, é um tição evanescente, aquilo que eu era é aquilo que eu sou e o que em possibilidade eu posso vir a ser. Assim no futuro, o irmão do passado, eu poderei ver-me como agora aqui estou sentado mas por reflexão daquilo que então eu serei
- pg 227
  • Não se pode comer o bolo e continuar a tê-lo
- pg 239
  • Me sinto tão triste. PS Florescendo tão só
- Pg 297
  • Permita-me - falava ele - confiar tanto em nossas relações que, embora superficiais se julgadas pelos padrões do mero tempo, são fundadas, como espero e creio, num sentimento de mútua estima, que lhe peça este favor. Mas, acaso tenha ultrapassado os limites da discrição, que a sinceridade de meus sentimentos seja a escusa da minha audácia
- pg 362
  • Melhor escapar um culpado do que noventa-e-nove erroneamente condenados
- pg 514
  • Ela hesita em meio a fragrâncias, música, tentações. Ela oconduz para os degraus, atraindo-o pelo odor dos sovacos, o viço dos seus olhos pintados, o frufru de sua comisola em cujas pregas sinuosas se enrosca o fartum leonino de todos os brutos e machos que a possuíram.
- pg 551
  • Sê justo antes de ser honesto
- pg 599

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(...)Ulisses e a ascensão do modernismo literário

1922 foi um ano fundamental na história do modernismo na literatura de língua inglesa, com a publicação tanto de Ulisses quanto do poema The Waste Land, de T. S. Eliot. Em seu romance, Joyce utiliza-se do fluxo de consciência, da paródia, de piadas e virtualmente todas as demais técnicas literárias para apresentar seus personagens. A ação do livro, que se desenrola em um único dia, 16 de junho de 1904, situa os personagens e incidentes da Odisséia de Homero na Dublin moderna e representa Odisseu (Ulisses), Penélope e Telêmaco em Leopold Bloom, sua esposa Molly Bloom e Stephen Dedalus, cujos caracteres contrastam com seus altivos modelos, parodiando-os. O livro explora diversas áreas da vida dublinense, estendendo-se sobre sua degradação e monotonia. Ainda assim, o livro também é um estudo afeiçoadamente detalhado sobre a cidade, e Joyce afirmava que se Dublin fosse destruída por alguma catástrofe, poderia ser reconstruída tijolo por tijolo, usando como modelo sua obra. Para atingir este nível de precisão, Joyce usou uma edição de 1904 do Thom's Directory - uma obra que listava os proprietários e/ou possuidores de cada imóvel residencial ou comercial da cidade. Ele também enxurrava amigos que ainda viviam na cidade com pedidos de informação e esclarecimentos.

O livro consiste em dezoito capítulos, cada um cobrindo aproximadamente uma hora do dia, começando por volta das 8 da manhã e terminando em algum ponto após 2 da madrugada seguinte. Cada um dos dezoito capítulos emprega seu próprio estilo literário. Cada um deles também se refere a um episódio específico da Odisséia de Homero e tem associado a si uma cor, arte ou ciência e órgão do corpo humano. Esta combinação de escrita caleidoscópica com uma estrutura extremamente formal e esquemática é uma das maiores contribuições do livro para o desenvolvimento da literatura modernista do século XX. Outras são uso da mitologia clássica como a armação para a construção do livro e o foco quase obsessivo nos detalhes exteriores num livro em que muito da ação relevante ocorre dentro das mentes dos personagens. Ainda assim, Joyce queixou-se: "talvez eu tenha supersistematizado Ulisses," e minimizado as correspondências míticas pela eliminação dos títulos dos capítulos, emprestados a Homero.(...)

(...)A obra de Joyce foi submetida a pesquisas intensas por estudiosos de todos os tipos, e ele é um dos autores mais notáveis do século XX. Também foi influência importante para autores tão diversos quanto Beckett, Jorge Luis Borges, Flann O'Brien, Máirtín Ó Cadhain, Salman Rushdie, Thomas Pynchon, William Burroughs e muitos outros.

A influência de Joyce também se faz sentir em campos alheios à literatura. A frase "Three Quarks for Muster Mark", no Finnegans Wake, é a fonte para a palavra quark, na Física, que designa um dos muitos tipos de partícula elementar. O nome foi proposto pelo físico Murray Gell-Mann. O filósofo francês Jacques Derrida publicou um livro sobre o uso da linguagem em Ulisses, e o filósofo americano Donald Davidson fez o mesmo com o Finnegans Wake, comparando-o com Lewis Carroll.(...)

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/James_Joyce

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“... a frase de Aristóteles se formou a si mesma em meio aos versos parlapatões e sobreflutuava no silêncio estudioso da biblioteca de Santa Genoveva ...” (Joyce. Ulisses)

Tece, tece, tecedor do vento,
Tece, tece, Joyceware.

*Trocadilho composto pela soma da palavra software e pelo nome Joyce: “JOYCEWARE”, de autoria do filósofo francês Jacques Derrida. Derrida compara as obras “Ulisses” e “Finnegans Wake”, ambas de James Joyce, a computadores de milésima geração. Daí o epíteto “Joyceware”, para designar as referidas obras do consagrado escritor irlandês. Cf. DERRIDA, Jacques. ‘Duas palavras’. In “riverrun... Ensaios sobre James Joyce”. Org. Arthur Nestrovski. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

FONTE: http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/148113

sábado, 11 de abril de 2009

...e os bois já estão sendo renomeados!

"botão mãe! não ícone!
desde os três anos de idade mexo em computador!
é botão...o botão ATUALIZAR!"

a meta-discussão...a luta para dar nome aos bois!
sem nem querer saber o que era semiótica...signos...ícones...
para ele botão ATUALIZAR...para mim ícone ATUALIZAR...
terminologias...ainda desconhecidas de muitos!
os mais velhos...da época em que
nem se falava em ícones...mouses,links...
e os botões eram reais!

a Torre de Babel... o se entender ou não,
a significação das palavras,das coisas...!
para ele o verde é demais,
e para mim o azul!
para o outro,o branco e preto...

dar nome aos bois sempre foi polêmico!
e hoje os bois que já estão sendo desinventados, renomeados...
...mas o que valeu a pena mesmo,foi ver meu filho
adolescente brigar pelos nomes dos bois!...


Nadia Stabile - 11/04/09

O POEMA PARA OCTAVIO PAZ - "A PALAVRA É O PRÓPRIO HOMEM.SOMOS FEITOS DE PALAVRAS..."

Para Octavio Paz a poesia é a forma natural de convivência entre os homens. Sua crítica é um diálogo aberto com o mundo, sendo seu desejo "a busca de identidade da natureza humana na multiplicidade de signos". Segundo o poeta Sebastião Uchoa Leite, "a crítica de Octavio Paz é de ordem antropológica e poética. Paz é poeta e crítico das civilizações, acreditando, ao contrário de que as civilizações são mortais, na frase de Valéry, que mesmo as aparentemente mortas estão vivas: os seus signos circulam nessa ars combinatoria do universo histórico. Como tudo é linguagem, tudo significa".


"A palavra é o próprio homem. Somos feitos de palavras. Elas são nossa única realidade ou, pelo menos, o único testemunho de nossa realidade"


( comentário na orelha do livro O Arco e a Lira
com tradução e comentários de Olga Savary. -
Editora Nova Fronteira, 1982)


FONTE : http://www.culturapara.art.br/opoema/octaviopaz/octaviopaz.htm.
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