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terça-feira, 24 de novembro de 2015

GRUPO CARLYLE, GEORGE BUSH E A FAMÍLIA DE BIN LADEN





http://resistir.info/varios/carlyle.html



http://plutocracia.com/artigos/negocios_ilicitos_da_dinastia_bush.html



(...)Apoio dos executivos-ladrões


Outro antigo contato da dinastia Bush que beneficiou o atual presidente foi com o Grupo Carlyle, um dos principais fornecedores do Pentágono. Antes de ser governador do Texas, Bush-II integrou o conselho de direção de uma das subsidiárias deste grupo, a CaterAir. As indústrias deste grupo fabricam, entre outras coisas, o tanque Bradley e as peças do helicóptero Apache. A guerra declarada por George Bush “contra o terrorismo” utiliza as armas fabricadas pelas empresas do Grupo Carlyle. Outra ironia da história é que a família Bin Laden também é uma poderosa acionista desta corporação transnacional.

Estas intrincadas relações com o “complexo industrial-militar” é que levaram George W. Bush ao poder. Em maio de 2004, quando vários escândalos colocaram no banco de réus os executivos-chefes de várias empresas, a revista Time revelou que sua reeleição teve o apoio financeiro de 261 destes criminosos; 31 contribuíram para seu adversário democrata, John Kerry. Entre as corporações que entraram em colapso por fraudes contábeis estava a Enron, a sétima maior multinacional do mundo na lista da revista Fortune, e a Arthur Andersen. Ambas foram as principais financiadoras de Bush. Ken Lay, o corrupto presidente da Enron, acompanhou-o desde o início da carreira política, ajudando-a a se eleger governador do Texas.(...)




http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1050/noticias/gastar-e-facil

(...) Entre 2008 e hoje, o Carlyle foi o fundo que mais investiu no Brasil. E o que chamou atenção foi a volúpia com que procurou companhias de consumo. Foram 2 bilhões de dólares investidos em empresas como a operadora de turismo CVC, a fabricante de meias Scalina, a administradora de planos de saúde Qualicorp, as varejistas de brinquedos Ri Happy e PBKids e a rede de móveis Tok&Stok.(...)


https://en.wikipedia.org/wiki/The_Carlyle_Group

The Carlyle Group is an American multinational private equity, alternative asset management and financial services corporation based in Washington, D.C. As one of the largest private equity and alternative investment firms in the world, The Carlyle Group specializes in four key business areas: corporate private equity, real assets, global market strategies, and investment solutions.
Carlyle's corporate private equity business has been one of the largest investors in leveraged buyout transactions over the last decade,[when?] while its real estate business has actively acquired commercial real estate. Since its inception, Carlyle has completed investments in companies such as Booz Allen Hamilton, Dex Media, Dunkin' Brands, Freescale Semiconductor, Getty Images, HCR Manor Care, Hertz, Kinder Morgan, Nielsen, and United Defense.
Carlyle was founded in 1987 in Washington D.C. and currently operates with more than 1,700 professionals across 35 offices in North America, South America, Europe, the Middle East, Africa, Asia and Australia. As of March 31, 2015, Carlyle had $193 billion in assets under management across 130 funds and 156 fund of fund vehicles. Carlyle has investments in more than 200 companies and more than 250 real estate investments. Carlyle’s portfolio companies employ more than 675,000 people worldwide. The firm has more than 1,650 limited partners in 78 countries.
According to a 2015 ranking called the PEI 300 based on capital raised over the last five years, Carlyle was ranked No. 1 as the largest private equity firm in the world.[2](...)


(...)Carlyle's 2001 investor conference took place on September 11, 2001. In the weeks following the meeting, it was reported that Shafiq bin Laden, a member of the Bin Laden family, had been the "guest of honor", and that they were investors in Carlyle managed funds.[19][20][21][22][23] Later reports confirmed that the Bin Laden family had invested $2 million into Carlyle's $1.3 billion Carlyle Partners II Fund in 1995, making the family relatively small investors with the firm. However, their overall investment might have been considerably larger, with the $2 million committed in 1995 only being an initial contribution that grew over time.[24] These connections would later be profiled in Michael Moore's Fahrenheit 911. The Bin Laden family liquidated its holdings in Carlyle's funds in October 2001, just after the September 11th attacks, when the connection of their family name to the Carlyle Group's name became impolitic.[25](...)


(...)
Mas só à primeira vista. Está fora de causa, para os grandes trutas do Carlyle, deixar o accionista médio aproveitar de um tal maná. Outra vantagem, que não é das menores: colocando-se fora do circuito bolseiro, o grupo não é obrigado a divulgar à Security Exchange Comission (a comissão americana encarregada de verificar a regularidade das operações bolsistas) o nome dos seus associados (e particularmente dos accionistas incómodos, como o clã Bin Laden) nem as suas fatias respectivas. Esta atitude é também o melhor meio de dissimular o pormenor das actividades, que poderiam ofuscar muita gente. Com efeito, cada vez que Bush Junior passa a encomenda de um tanque ou de um navio a uma sociedade do grupo Carlyle, em nome da defesa americana, é Bush Senior que passa pela caixa, para receber outro punhado de dólares, bem como os Bin Laden, que durante todos esses anos embolsaram os seus 34% de dividendos anuais.

O Carlyle Group prosperava tranquilamente na sombra, até que dois organismos governamentais, o Judicial Watch e o Center for Public Integrity, insurgiram-se contra a situação. Estas duas associações, que vasculham as milhares de páginas entregues pelo Congresso todos os anos, bem como os documentos desclassificados da CIA ou do FBI, denunciaram o estado de coisas [3] relatado pelo Wall Street Journal e pela BBC. É claro que uma tal notícia fez o Carlyle sair do seu mutismo. A família Bin Laden (excepto o maldoso Ussama, naturalmente) é constituída por pessoas respeitáveis informaram com a mão no coração os dirigentes do Carlyle Group e também Arabella Burton, secretária particular de John Major, quando a notícia se tornou conhecida.

Então por que é que eles retiraram os seus investimentos no Carlyle? Georges Bush pai viajou pelo menos duas vezes, em Outubro de 1998 e em 2000, a Jeddah, a sede familiar dos Bin Laden, na Arábia Saudita. Será que lhes pediu notícias de Ussama, ou simplesmente um cheque? Após as revelações do Wall Street Journal , Jean Becker, porta-voz de Bush Senior, declarou primeiro que Bush Sr. havia encontrado a família Bin Laden uma vez, e a seguir, no dia seguinte: "Depois de ter visto as notas do ex-presidente" ... "O ex-presidente Bush não tem relação com a família Bin Laden. Ele encontrou-se com eles duas vezes". Somente duas? Segundo o Figaro de 31 de Outubro de 2001, Ossama Bin Laden foi internado no hospital americano de Dubai a 14 de Julho de 2001 para uma operação dos rins e recebeu a visita de um responsável da CIA e de vários membros da sua família (para a qual, recorde-se, ele é a ovelha negra e com a qual é suposto ter cortado todos os laços).

Estes membros da família seriam daqueles que possuíam fatias do Carlyle Group? Mistério, tão complexa é a família Bin Laden. Finalmente, a 7 de Novembro de 2001, The Guardian revelava que certos responsáveis do FBI queixavam-se de que "por razões políticas, todas as suas investigações sobre a família Bin Laden haviam sido paralizadas, sobretudo desde que Georges W. Bush tornara-se presidente". Estas investigações referiam-se a dois irmãos de Ossama Bin Laden, Omar e Abdullah, devido à sua relação com a Assembleia Mundial da Juventude Muçulmana, que faz parte das associações suspeitas de financiar o terrorismo. Estariam eles entre os 24 membros da família Bin Laden residentes nos Estados Unidos, que desapareceram (sob a supervisão do FBI !) do aeroporto de Washington a 14 de Setembro de 2001, três dias depois dos atentados [4] ? Mistério, a lisa completa dos passageiros não foi publicada.(...)

*para ler na íntegra acessar: 
http://resistir.info/varios/carlyle.html

domingo, 29 de abril de 2012

DE HORA EM HORA OBAMA PIORA

Por Celso Lungaretti 

Crer que algo vá mudar com a troca da guarda na presidência dos EUA sempre foi a maior roubada. Quem manda é o  stablishment, pouco importando as características do seu serviçal da vez na Casa Branca.

John Kennedy, p. ex., nem de longe pode ser considerado a  pomba  que dele fizeram, embora assassinado por  falcões

Deu sinal verde para a invasão da Baía dos Porcos em abril/1961, mas refugou quando o show já começara. Deixou de fornecer a prometida cobertura aérea para o desembarque dos  gusanos  e estes foram facilmente dominados.

Mas, não fez objeção nenhuma a que exilados cubanos utilizassem o território dos EUA para prepararem uma incursão armada contra seu país, nem descartou o apoio intervencionista a tal empreitada.

Foi só na enésima hora que reconsiderou, preferindo evitar um comprometimento tão ostensivo com a agressão a uma nação soberana sem ter-lhe declarado guerra.

Resultado: o mundo inteiro ficou sabendo, da mesmíssima maneira, que os EUA estavam acumpliciados com a invasão. E esta fracassou rotundamente.

Depois que John e Robert Kennedy foram assassinados por ultradireitistas hidrófobos, houve quem os tentasse erigir em grandes democratas.

"JOÃO DO AMOR"?!

Em 1968, no IV Festival de MPB da TV Record, foi até inscrita uma música homenageando o clã, composta por Ary Toledo e Chico Anysio. John Kennedy, quem diria, metamorfoseou-se em "João do amor" que "cantava a paz e o bem", mas cuja canção foi calada por "um tiro à traição". Dessa vez, o simpático Jair Rodrigues não recebeu muitos aplausos por sua interpretação...

Justiça seja feita, John Kennedy teve lá seu grande momento quando administrou a crise dos mísseis cubanos sem ceder às pressões militares para endurecer com a URSS. Com um Nixon na presidência, talvez a humanidade tivesse ido pro beleléu.

Durante a Guerra do Vietnã, eram bem heterodoxos os discursos do precandidato democrata à presidência em 1968, Eugene McCarthy, a ponto de sensibilizarem os jovens contestadores, que fizeram campanha por ele. Mas a indicação acabou ficando com o anódino Hubert Humphrey. Nunca saberemos se Gene, no poder, teria sido fiel à sua retórica.

George McGovern, menos à esquerda mas igualmente comprometido com o fim da guerra, conseguiu ser candidato em 1972, perdendo a eleição para o coadjuvante do macartismo Richard Nixon.

O menos pior dos presidentes estadunidenses nas últimas décadas foi, sem dúvida, Jimmy Carter, que estimulou a redemocratização da América Latina tanto quanto seus antecessores haviam semeado ditaduras. Foi mediador do primeiro acordo de paz entre um país árabe (o Egito) e Israel, amenizou o embargo econômico a Cuba e adotou uma política de paz em relação aos países comunistas. 

...E O VENTO LEVOU!

Está sendo uma completa decepção a  grande esperança negra  Barack Obama (aquele que, dentre outras promessas que o vento levou, comprometeu-se a desativar Guantánamo, só faltando assinar um  papelzinho  como os do Serra).

Tão insignificante vem sendo seu governo que nada melhor ele tem para erigir em trunfo eleitoral, nesta altura da campanha para reeleger-se, do que a hedionda operação pirata para extermínio de Osama Bin Laden e quem mais estivesse por perto, ao arrepio da soberania do governo paquistanês.

Tolamente, o rival republicano Mitt Romney afirmou que "não vale mover céus e terras gastando milhares de dólares só para pegar uma pessoa".

Levantou a bola para os democratas explorarem um tema que lhes favorece junto ao eleitorado de jecas e brucutus dos EUA.

Começando por Bill Clinton, que deu uma declaração mais feia ainda do que as mulheres que escolhe para  pular a cerca: disse que, ao tomar a decisão de autorizar uma  vendetta  caracteristicamente mafiosa contra Bin Laden, Obama teria escolhido "o mais difícil e mais honrado caminho".

Fez-me lembrar o título em inglês de um ótimo filme policial francês (d. Jean Herman, 1968, com Alain Delon e Charles Bronson): Honra entre ladrões.

Pois nada existe de mais desonroso do que ordenar matança tão covarde.
OUTROS ESCRITOS RECENTES (clique p/ abrir):
SINAL VERDE PARA AS COTAS RACIAIS. E TAMBÉM PARA AS COTAS SOCIAIS!

sábado, 10 de setembro de 2011

COMPANHEIRO ALLENDE? PRESENTE! AGORA E SEMPRE!

Por Celso Lungaretti


Há duas efemérides marcantes neste domingo, 11 de setembro.

A menos relevante para nós  é aquela que a mídia colonizada trombeteia ad nauseam: o décimo aniversário de um atentado nebuloso nos EUA, com grande possibilidade de ter sido urdido ou, ao menos, consentido pelos que depois surfaram na onda da indignação provocada. Algo como uma versão atualizada do incêndio do Reichstag.

O certo é que deu pretexto para o desencadeamento de uma escalada repressiva/intervencionista que fez lembrar a intolerante e paranóica década de 1950 -- aqueles anos terríveis do macartismo e da guerra fria.

Os efeitos da pirotecnia atribuída a Osama Bin Laden, contudo, pouco se fizeram sentir no Brasil -- ao contrário dos de um atentado que golpeou duramente as aspirações dos povos latino-americanos, destruindo um dos mais generosos experimentos socialistas do século passado. 

Deixando de lado a pauta da imprensa espiritualmente satelizada pelo Império (*), eu quero mesmo é reverenciar um dos maiores heróis da nossa sofrida América Latina: Salvador Allende, o  compañero presidente.

Que nunca pretendeu, no poder, ser nada além de outro militante revolucionário, como todos os seus companheiros de jornada na luta por um Chile com liberdade e justiça social.

E que, naquele terrível 11 de setembro de 1973, não aceitou curvar-se aos tiranos, preferindo a morte digna à fuga indigna que lhe ofereceram.

Então, as palavras que endereçou ao povo pelo rádio, na iminência do martírio, inspirarão para sempre os combatentes por um mundo redimido do pesadelo capitalista:
"Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo: tenho certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser extirpada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Outros homens se levantarão depois deste momento cinza e amargo em que a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, bem mais cedo do que tarde, vão abrir-se de novo as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor".
* E que ninguém venha me falar em números redondos e quebrados: aposto até meu último centavo que, em 11 de setembro de 2013, a mídia servil dará muito mais destaque aos 12 anos do atentado ao WTC do que aos 40 anos da morte de Allende.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

BIN LADEN: O FIM DE UM MITO OCO

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"Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!"
(T. S. Eliot)

Eterna e irremediavelmente infantilizados, os estadunidenses farão um auê intragável e vão produzir um sem-número de filmecos sobre a morte de Osama Bin Laden, o monstro por eles criado para combater os soviéticos no Afeganistão e que depois se voltou contra os criadores.

O patético Barack Obama -- que pretendeu personificar o novo, mas dia a dia comprova ser tão somente mais do mesmo -- foi o responsável último por uma operação pirata em solo paquistanês que resultou no assassinato de Laden, seu filho, dois homens e uma mulher. Outras duas pessoas ficaram feridas.

A alegada  maior democracia do mundo  mata seus inimigos sem julgamento e ainda extermina quem estiver por perto, pouco importando se tem alguma culpa no cartório, apenas laço de parentesco ou não passa do entregador de pizza. Aí o presidente vai à TV dizer que foi feita justiça, sem pejo de vangloriar-se de uma carnificina!

Qual justiça, a do olho por olho, dente por dente? Regredimos milênios, voltando aos valores brutais das tribos de pastores de cabras? Repulsivo.

Como num western do tempo das diligências, os EUA tudo fizeram  para dar a Bin Laden o troco pela destruição das horríveis torres gêmeas do WTC, respondendo a um ato espetaculoso e inútil com outro idem. Os ingleses devem morrer de vergonha dos costumes sanguinários e rústicos de sua ex-colônia...

Houve revista, se bem me lembro a Época, que considerou Bin Laden a grande personalidade mundial da década passada.

Nem a pau, Juvenal. Tratou-se apenas da mais acabada expressão do  inferno pamonha  que a indústria cultural engendrou. Na dita  sociedade do espetáculo, qualquer pirotecnia genocida compensa se der ibope, vale tudo por 15 minutos de fama. Bin Laden teve bem mais, uns 5 milhões de minutos...

Seu atentado sinistro deu pretexto a uma escalada repressiva sem precedentes, que levou de roldão várias conquistas civilizadas em termos de justiça, direitos humanos e direitos civis.

E, como guerreiro, não passou de um desprezível bárbaro.

Ele tinha, como todo e qualquer árabe,  motivos de sobra para odiar os EUA, cúmplices dos sucessivos massacres e da opressão que Israel exerce sobre os povos da região, mas nenhuma justificativa para estender sua vingança aos civis. É uma prática inaceitável, provenha de quem provir.

Nem o fato de que Obama agiu agora da mesmíssima maneira serve como atenuante. Guerras se travam entre combatentes e é uma extrema covardia homens armados atingirem civis desarmados, ponto final.

Portanto, Bin Laden não merece nenhum respeito ou comiseração por parte das pessoas empenhadas em livrar o mundo do pesadelo capitalista, pois, noves fora, foi só outro mito oco de uma sociedade que os produz e destrói incessantemente, para criar a ilusão de que existe movimento quando nada há além de estagnação.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

EUA TÊM 5 CAIXÕES PARA ENCHER

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Campo de concentração nazista?
Não, mas é quase igual: Guantánamo.
Foi anunciada nesta 2ª feira (04/04) a decisão de realizar na base naval  dos EUA e centro de torturas da CIA em Guantánamo (Cuba) o julgamento de cinco suspeitos de envolvimento com o atentado contra o WTC.

Digo  suspeitos  porque processos montados com base em sevícias  valem, juridicamente, tanto quanto os IPM's da ditadura brasileira de 1964/85: nada. Não passam de lixo. A investigação teria de recomeçar do zero.

Os cinco vão ser, obviamente, condenados à morte pelo tribunal militar, depois de lhes negarem, arbitrariamente, o direito a todas as garantias processuais oferecidas a réus nas cortes dos EUA.

Vale repetir, mais uma vez, a comparação com a malfadada  Redentora  daqui:
  • cortes civis às vezes ousavam confrontar o arbítrio dos militares, tanto que estes, com o AI-5, proibiram-nas de conceder  habeas corpus  nos casos qualificados como de  segurança nacional;
  • já nas auditorias militares, as sentenças eram predefinidas pelos serviços de Inteligência das Forças Armadas, reduzindo os julgamentos a inócuas encenações para justificarem o veredicto pronto.
O recado dos EUA para o mundo: ignorarão
os direitos humanos de quem os desafiar.
Da mesma forma, os cinco receberão a pena máxima porque é esta a mensagem que os EUA querem enviar ao resto do mundo: a de que esmagarão quem quer que os desafie, e se não apanharem os verdadeiros responsáveis (Bin Laden continua livre como um passarinho...),  qualquer um serve.

Como serviram Sacco e Vanzetti e o Casal Rosenberg, comprovadamente injustiçados, vítimas de repulsivas demonstrações de força que nada tiveram a ver com o nobre ideal da justiça.

Não tenho, nem ninguém tem, como saber se os cinco de agora são mesmo terroristas ou meros bodes expiatórios.

Esta "lição de democracia" certamente
não aparecerá nos filmes de Hollywood...
Considero o atentado de 11 de setembro uma abominação, já que atingiu indiscriminadamente civis, o que combatentes do povo não devem fazer em hipótese nenhuma.

Carnificinas hediondas como as que Israel perpetra na faixa de Gaza são-nos vedadas, porque constituem a negação total do nosso solene compromisso de contribuirmos para o advento de um estágio superior de civilização.

Mas, culpados ou não, salta aos olhos que estes acusados serão linchados, e não julgados.

O presidente Barack Obama, que tentou impedir tais farsas inquisitoriais encenadas em Guantánamo, acabou humilhantemente derrotado pela direita mais boçal e troglodita do seu país.

É outro que entrou rugindo e sairá miando.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A BATALHA DO RIO DE JANEIRO

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Canso de repetir: a criminalidade é intrínseca ao capitalismo.

Porque as molas mestras do capitalismo são a ganância, a busca do privilégio e da diferenciação, e o consumismo.

Ter cada vez mais posses e recursos materiais.

Competir zoologicamente com os semelhantes, no afã de se colocar em situação superior à deles.

Mitigar todas as suas insatisfações adquirindo e desfrutando coisas.

E se relacionando com os outros seres humanos como se eles fossem também coisas a serem desfrutadas; coisificando-os, enfim.

Com isto, nunca é preenchido por completo o vazio da irrealização, sempre falta algo e sempre o que falta é mais importante do que o já conquistado. O homem moderno é um Cidadão Kane que nunca encontra o  rosebud.

Pois os seres humanos só se realizam plenamente na coexistência cooperativa, solidária, harmoniosa e amorosa com outros seres humanos.

O capitalismo é um sistema perverso, que se alimenta do desequilíbrio e da desarmonia.

Que não garante a todos o necessário para todos, embora meios haja para tanto.

Que gera sempre, como uma secreção, seu exército industrial de reserva, seus excluídos, seus miseráveis.

Eles são o resultado da mais-valia, que continua firme, forte e toda poderosa.

Apenas sofisticou-se, ocultando-se atrás dos hologramas projetados pela indústria cultural; o grande truque do diabo é fingir que não existe.

A mais valia continua dividindo a humanidade em exploradores e explorados.

Continua estabelecendo graduações entre os explorados, de forma que eles mirem apenas o degrau superior e não a sociedade sem graduações nem classes; que nunca vejam a floresta por trás das primeiras árvores.

O dado novo é que alguns dos que estavam bem embaixo perceberam a inutilidade de tentarem realizar seus sonhos consumistas subindo a escada, degrau por degrau.

Descobriram atalhos para passar ao lado dos degraus e chegar logo ao topo.

Ironia da História: o capitalismo passou à fase das corporações, da liderança compartilhada, tornando quase impossível que grandes empreendedores ergam impérios do nada (Bill Gates é uma exceção que confirma a regra), mas a criminalidade forneceu uma válvula de escape para tais indivíduos.

Pablo Escobar foi o Henry Ford dos novos tempos. E outros não conhecemos porque os néo-Escobares perceberam que não lhes convinha alardear seu poderio.

Mas, a brecha que existiu era provisória e começa a ser fechada: também nesta modalidade de negócios o capitalismo selvagem está sendo substituído por práticas criminosas mais eficientes, com melhor relação custo-benefício.

Vale reproduzir a ótima avaliação de Luiz Eduardo Soares, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000), no seu artigo A crise no Rio e o pastiche midiático:
"O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.

"Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios – as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

"Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?
"O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias [a civil e a PM] impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável".
No fundo, os traficantes dos morros sempre foram complementares ao capitalismo e dele indissociáveis, fornecendo aquilo de que muitos explorados necessitam para continuar suportando sua existência insatisfatória.

Mas, o seu  modelo de gestão  caducou e outros  empreendedores, que já eram seus sócios, estão prontos a substitui-los com mais discrição e eficiência empresarial: os policiais-bandidos.

Desesperados por perceberem que perdiam terreno dia a dia, partiram para um desafio insensato, atingindo um dos valores mais sagrados da classe média: o automóvel.

Foi o suficiente para desencadear uma bestial demonstração de força do Estado, com seu poder de fogo infinitamente superior.

Morreram muitos inocentes no fogo cruzado, o cidadão comum sofreu prejuízos e enfrentou transtornos, a indústria cultural faturou em cima das manchetes empolgantes, traficantes foram presos ou mortos -- e a única certeza é de que empresários mais aptos herdarão os negócios dos que estão sendo excluídos do mercado.

De quebra, a mentalidade policialesca ganha reforço e penetra mais fundo na cabeça dos videotas: a repressão é o que nos salva de termos nossos carros queimados!

E dá-lhe mais repressão, mais tropas de elite! A fascistização da sociedade vai avançando imperceptivelmente, naturalmente.

Antes, gatos escaldados por 1964, os mais sensatos queriam as Forças Armadas longe das questões sociais, defendendo apenas o Brasil dos seus inimigos externos.

Agora, já se aplaudem os blindados da Marinha subindo o morro.

Como tantos aplaudiram a defesa da tortura e das truculências policiais num filmeco repulsivo.

De toda essa tempestade de som e fúria, o que restará?

O Estado venceu, como era de se prever, a  Batalha do Rio de Janeiro.

Que só não foi de Itararé porque houve mortos e feridos. Mas, não decidiu guerra nenhuma.

Decidiria se os traficantes vencessem. Mas, eles nunca venceriam. Nem aqui, nem na Colômbia que os pariu. Pelo contrário, para eles significou o canto do cisne.

O Estado não quer, verdadeiramente, acabar com o tráfico. Consentirá que, aos poucos, reassuma a antiga magnitude, sob nova direção e com outra metodologia operacional.

Só teremos solução real quando: 
  • identificarmos o capitalismo como o verdadeiro inimigo, oculto por trás dos espantalhos que ele, em cada instante, tenta fazer crer que sejam responsáveis por todos os males. Escobar, Castro, Bin-Laden, Saddam, Chávez, Ahmadenijad, há sempre um na berlinda, sem que nada melhore quando sai de cena, pois a indústria cultural imediatamente o substitui por outro, para que as ilusões e a alienação sejam mantidas;
  • e, consequentemente, quando nos mobilizarmos para dar um fim ao capitalismo, antes que -- condenado pela História e cada vez mais devastador em sua agonia -- seja ele a nos levar juntos para a destruição, ao aniquilar as bases naturais que sustentam a vida humana no planeta.

domingo, 17 de maio de 2009

MINO JOGA SUA ÚLTIMA CARTA: IGUALA BATTISTI A BIN LADEN (!)

Meninos mimados nos irritam, mas lhes damos um desconto por serem imaturos.

Já septuagenários mimados, quando não têm sequer a atenuante da senilidade, são insuportáveis.

Mino Carta acostumou a ver-se como os bajuladores o apresentam, ou seja, algo entre Júpiter Capitolino e um imperador da Roma dos césares.

Então, as evidências de que o Caso Cesare Battisti marcha para o único desfecho possível à luz da lei e jurisprudência brasileiras – o arquivamento do processo de extradição movido pela Itália e a imediata libertação do escritor italiano – fizeram Mino Carta perder as estribeiras e até o senso de ridículo: acaba de cometer um artigo sarcástico na aparência, furibundo na essência, cujo principal objetivo é induzir os leitores a associarem a imagem de Battisti à de Osama Bin Laden ( Asilo Político a Bin Laden, http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=4091 ).

Secundariamente, ele desfere o que pensa serem raios, mas não passam de resmungos de mau perdedor, contra o ministro da Justiça Tarso Genro, a quem culpa pelo fracasso de sua cruzada rancorosa.

Segundo Mino, há uma “doutrina, clara e insofismável, a assemelhar profundamente Cesare Battisti e Bin Laden, ambos combatentes de uma causa bélica”. Este sofisma infame o acompanhará ao túmulo, como contraponto aos méritos que acumulou na defesa da liberdade de expressão durante a ditadura militar.

É o simplismo habitual dos caçadores de bruxas: 1) pega-se um demônio; 2) forçam-se comparações fantasiosas entre ele e um ser humano; 3) condena-se o último à fogueira.

Então, como Bin Laden hoje é o estereótipo do terrorista aos olhos do cidadão comum, Mino Carta atropela a verossimilhança para equipará-lo a Battisti, comportando-se como um aprendiz de Maquiavel a aplicar a lógica de Torquemada.

TERRORISTA E GENOCIDA COMO BUSH - Bin Laden tem o perfil clássico do terrorista. É um cidadão que, exasperado com as matanças infligidas à população civil dos países árabes, resolveu pagar na mesma moeda: ao invés de lutar ao lado do povo, isolou-se numa clandestinidade extrema e foi travar sua guerra particular contra o eixo Israel/EUA.

Ao erigir os civis em alvo de uma vingança genocida, Bin Laden fez-se merecedor da execração universal, tanto quanto deveria ser execrado o terrorista George W. Bush pelos massacres de civis no Iraque (praticados sob falso pretexto, o que o igualou a Hitler no episódio do incêndio do Reichstag) e Afeganistão.

Já Battisti integrou, na década de 1970, um dos aproximadamente 500 grupúsculos de esquerda que pegaram em armas contra o terrorismo da extrema-direita (muito mais letal!) e a aliança espúria do Partido Comunista Italiano com a mafiosa Democracia-Cristã, que levou ao desespero os autênticos revolucionários, ao garantir a sobrevida do capitalismo até onde a vista alcançasse.

Foi um fenômeno político, indubitavelmente um desatino, mas não uma escalada de marginalidade. Assim a Itália o entendeu na época, ao introduzir uma legislação de exceção para combater a subversão contra o Estado (enquanto a tortura grassava solta e impune nos porões, seguindo as pegadas das ditaduras sul-americanas).

E assim reza a sentença expedida contra Battisti em processo de cartas marcadas, sem provas materiais, lastreado unicamente em delações premiadas e com lei aplicada retroativamente para agravar a pena.

Ao perceber que, face às especificações da Lei do Refúgio brasileira, jamais obteria a extradição de Battisti pelo que ele é e pelo que reconheceu ser ao condená-lo, a Itália tentou mesmerizar os tupiniquins com uma mágica canhestra, maquilando crimes políticos como comuns.

Mino Carta e Wálter Maierovitch engajaram-se de corpo e alma na campanha goebbeliana de satanização de Battisti. Não só deturparam os fatos referentes à sua militância nos Proletários Armados para o Comunismo, como repassaram aos brasileiros as mentiras italianas sobre o passado de Battisti, apresentando como marginal quem era esquerdista desde criancinha, seguindo a tradição familiar.

Agora, vendo seu castelo de cartas ruir, Mino ousa comparar um homem que recuou horrorizado diante das matanças cometidas por seus companheiros com outro que as considera justificadas pelos objetivos maiores; um homem que depôs as armas há três décadas e desde então leva existência pacata e produtiva, com um guerreiro que jamais abdicou da luta; um homem que desempenhou papel dos mais secundários nos anos de chumbo e só atingiu a notoriedade ao ser erigido em bode expiatório pela Itália, com um dos carbonários que mais impactaram a História em todos os tempos.

Aqueles a quem os deuses querem perder, primeiramente enlouquecem. Mino acaba de atingir o ponto mais baixo da longa carreira.

Em benefício de sua biografia, é hora de resignar-se à derrota iminente como o adulto amadurecido que deveria ser, ao invés de continuar reagindo com pirraças de criança mimada.
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