terça-feira, 1 de maio de 2012
A EMENDA DO TRABALHO ESCRAVO
A Emenda do Trabalho
Escravo
Carlos A.
Lungarzo
Prof. Tit (r) Universidade
Estadual de Campinas, SP, Br.
A entidade de direitos humanos AVAAZ, que atua através de Internet (ver
URL), está colhendo assinaturas para reforçar
a campanha em favor da Proposta de Emenda à Constituição sobre o Trabalho Escravo, que o Congresso
Nacional do Brasil pode votar dentro de pouco tempo.
Por esta PEC, que é a número 438,
os donos ou administradores de terras onde existam pessoas trabalhando em
condições que possam ser qualificadas de escravidão,
“poderão” ser punidas, e suas terras serão confiscadas. O governo federal faz
um esforço para que esta proposta seja aprovada antes do dia 13 de maio, quando
se celebra o 124º aniversário da simbólica abolição da escravidão pela Lei
Áurea.
O confisco das propriedades, caso
realmente se realize, é fundamental por duas razões: (1) A terra é a arma de
escravização do feitor e, portanto, ela deve ser desmontada, dificultando assim
novas escravizações. (2) A fazenda será destinada a fins sociais, como sua
entrega a trabalhadores sem terra.
Preocupa, sem dúvida, o termo “sem
prejuízo de outras sanções previstas em lei”, porque essas sanções são
totalmente desproporcionais a um tipo de crime que, junto com o genocídio e a
tortura, devem ser considerados os maiores atos de agressão à humanidade. Hoje
em dia, a lei pune os criminosos escravocratas com multas ou “repreensões”.
A PEC, apesar de seu estilo morno, deveria ter sido aprovada em 1888,
ou talvez antes, já que nessa data Brasil era o único país ocidental (ou seja,
europeu ou americano) que ainda tinha escravatura. Este atraso de “apenas” 124
anos justificaria uma proposta mais forte. É verdade que o objetivo da justiça
moderna não deve ser a punição, mas os exploradores de escravos são ruralistas
com altíssimo poder. Estão misturados com o pior da política nacional, com
policiais, militares e magistrados, são chefes de jagunços, cumplices de
garimpagem, e costuma cometer todas as formas de tráfico e assassinato.
Confiscar suas terras é
indispensável, mas não é suficiente para garantir a segurança da sociedade. Se
fossem deixados em liberdade, poderiam reconstruir seu império escravista com
dinheiro acumulado em numerosos outros atos criminosos. Portanto, as duas ações, confisco e prisão,
deveriam ser adotadas. Ao mesmo tempo, é necessário modificar a pena por
escravidão. Não pode considerar-se o escravista como simples empregador ilegal
ou abusivo. Ele é um verdadeiro torturador e eventualmente um democida, já que
pessoas submetidas a trabalho escravo podem se tornar vítimas de mortes
massivas.
Como se este atraso de mais de um
século e o estilo permissivo da PEC fossem
pouca coisa, ainda ela conta com a oposição da bancada ruralista, cujos membros
enriquecem com os trabalhos forçados. Ainda tem a indiferença de outros
parlamentares, para os quais a escravidão, explorada de acordo com suas
possibilidades (nem todos podem ser grandes feitores!), também constitui o
motor de suas fazendas.
A Câmara de Deputados, no momento
mais bizarro de sua história, contou, há alguns anos, com um ridículo
presidente, antigo delator ao serviço da ditadura, que defendeu publicamente os
regentes do trabalho escravo. Naquele momento, o deputado Fernando Gabeira, que o confrontou corajosamente, fez a predição de
que ele seria expulso do Congresso, o que finalmente aconteceu.
A “tranquilidade” com que o Brasil lida com o trabalho escravo é estarrecedora.
Ter escravos é visto pelas autoridades como uma infração, menor até que um
conflito de trânsito. Além disso, a existência de escravidão no Brasil é também
uma vergonha para o sistema internacional, pois a ONU, para a qual a escravidão é, teoricamente, uma gravíssima
mazela, não poderia permitir (se seus objetivos fossem sinceros e seus
dirigentes honestos) que um membro dela praticasse esta aberração.
A proposta de Avaaz deve ser fortemente
apoiada, embora no futuro a repressão contra os traficantes e “donos”
de escravos deve tornar-se severa, e sua aplicação ser rigorosamente
verificada.
Avaaz tenciona
reunir-se pessoalmente com o presidente da câmara, mas, antes disso, pede o
maior apoio possível a sua petição. Clique neste e-mail e assine. Pense que
você está vivendo, como todos nós, numa imitação dos EEUU de 1850.
O manifesto de Arvaaz é assinado pelos membros da
equipe, Pedro, Emma, Diego, Laura,
Carol, Ricken e todos seus colegas.
Informações Adicionais
O manifesto está
acompanhado por informações adicionais:
Governo
quer votar PEC do Trabalho Escravo até 13 de maio (Rede Brasil Atual)
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/03/governo-quer-votar-pec-do-trabalho-escravo-ate-13-de-maio
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/03/governo-quer-votar-pec-do-trabalho-escravo-ate-13-de-maio
Governo
pede agilidade na votação de projeto sobre trabalho escravo (Folha de São Paulo)
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1061665-governo-pede-agilidade-na-votacao-de-projeto-sobre-trabalho-escravo.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1061665-governo-pede-agilidade-na-votacao-de-projeto-sobre-trabalho-escravo.shtml
Crianças
bebiam água do gado em fazenda de deputado flagrada com escravos (Repórter
Brasil)
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=2040
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=2040
Comissão:
40 mil foram resgatados da escravidão no Brasil desde 1995 (Terra)
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5718577-EI306,00-Comissao+mil+foram+resgatados+da+escravidao+no+Brasil+desde.html
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5718577-EI306,00-Comissao+mil+foram+resgatados+da+escravidao+no+Brasil+desde.html
PEC
do trabalho escravo é prioridade para governo (Congresso em Foco)
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/reportagens-especiais/pec-do-trabalho-escravo-e-prioridade-para-governo/
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/reportagens-especiais/pec-do-trabalho-escravo-e-prioridade-para-governo/
Debate
da PEC 438/2001 contra o Trabalho Escravo
(e-Democracia)
http://edemocracia.camara.gov.br/web/contra-o-
http://edemocracia.camara.gov.br/web/contra-o-
Tchu, Tchu, Tchá
E pensar que um dia
caminhei e cantei e segui a canção
E como muitos dei vivas a uma sociedade alternativa
Pensar que quando vi a morte na contramão
entristeceu-me ver atrapalhado o sábado
E que para plantar meus amigos
também quis uma casa no campo
Pensar que em versos cantei à amada
o quanto a amaria a cada despedida
e que quando pensei em alguém
fechei meus olhos de saudade ...
E finalmente pensar que hoje
depois de tudo isto
eu só quero tchu,
eu só quero tcha,
eu quero tchu, tchá,tchá, tchu,tchu, tchá
tchu, tchá, tchá, tchu, tchu, tchá
Marcelo Roque
E como muitos dei vivas a uma sociedade alternativa
Pensar que quando vi a morte na contramão
entristeceu-me ver atrapalhado o sábado
E que para plantar meus amigos
também quis uma casa no campo
Pensar que em versos cantei à amada
o quanto a amaria a cada despedida
e que quando pensei em alguém
fechei meus olhos de saudade ...
E finalmente pensar que hoje
depois de tudo isto
eu só quero tchu,
eu só quero tcha,
eu quero tchu, tchá,tchá, tchu,tchu, tchá
tchu, tchá, tchá, tchu, tchu, tchá
Marcelo Roque
segunda-feira, 30 de abril de 2012
COTAS: DERROTA PARA O RACISMO
Cotas: Derrota para o
Racismo
Carlos A. Lungarzo
Prof.
Tit. (r) UNICAMP
30-abril-2012
Há três dias, o STF rejeitou uma ação
da direita contra a política de cotas da Universidade de Brasília (UnB) por 10
votos contra 0, com a ausência do ministro Toffoli. O caráter legítimo da Ação
Afirmativa é óbvio, mas, apesar disso, chegou a Brasil quase meio século depois
que aos EEUU, e ainda não foi formalizada em lei federal. Apesar destas
deficiências, esta decisão é uma derrota parcial do racismo e a escravocracia.
O fato de que tenha sido possível
sabotar por muito tempo a aplicação de cotas raciais e sociais, e que ainda
seja repudiada nas universidades mais reacionárias e elitistas, explica-se pela
falta de informação e de recursos defensivos dos setores marginalizados.
A isso deve somar-se o lobbismo dos
vendedores de diplomas universitários, dos cursinhos, de grande parte dos
juízes monocráticos, dos intelectuais que bajulam as elites e, com grande
incidência, os próprios acadêmicos e pesquisadores.
Um fato ilustrativo da repulsa à
igualdade e o patrimonialismo dos setores acadêmicos é a negativa das
universidades paulistas a aceitar a ação afirmativa. Nos momentos em que a
pressão vira muito grande, estes “templos do saber” fabricam falsas fórmulas de
inclusão.
No caso de SP, além dos motivos
gerais, tem grande peso a tradição conservadora, etnofóbica e confessional das
elites paulistas, o histórico semifascista, remanescente do Integralismo, e o
vigor das novas ondas plusquam fascistas como
a do Opus Dei.
Por exemplo, se a grande massa de
professores e pesquisadores da USP fosse social e humanamente esclarecida, não
teria escolhido como líder um representante das piores tradições da direita
brasileira. É demagogia ou pouco conhecimento do ambiente universitário, pensar que o atual reitor da USP foi
escolhido a contragosto da massa docente, mesmo que não tenha sido eleito
no primeiro lugar. Ele teve, sem dúvida alguma oposição, mas a falta de
mobilização docente contra o esquema de barbárie instalado no campus mostra, obviamente, que essa
oposição não é expressiva.
Outros fatores que tornaram mais
resistida a AAf no estado de SP que em outros lugares, é o poder dos mercadores
da “educação”, da política estadual de sangramento do ensino público (que
conduziu o estado a último lugar do país no ENEM), e a ideologia darwinista e
gobineana da boa parte dos docentes e pesquisadores. Vejamos apenas um exemplo,
porque são milhares:
Há alguns anos, um professor do
Departamento de Estatística da USP declarou a imprensa que o ingresso de alunos
pobres na Universidade fazia cair o que ele chamava o “nível” do ensino. Esta é
uma manifestação descarnada de algo que os populares nem sequer suspeitam: a
universidade não é vista como parte do sistema educativo, mas como um círculo
de docentes, pesquisadores e orientandos que trocam regalias, subsídios,
bolsas, mordomias, mantendo as dificuldades de aprendizagem num nível
incompatível com a escola pública, para que o círculo fique fechado. É óbvio
que este “nível” é artificial e nada tem a ver com autêntica dificuldade
cognitiva.
A universidade é pensada pelas elites
de tecnocratas como uma fábrica de pesquisas que dependem de diversos fatores:
retribuição do mercado, acomodamento político, formação de clãs herméticos, troca
de estágios e premiações, em fim, variáveis de duvidosa relevância para a
demanda social. Existem, sim, as exceções, mas é anticientífico (com todo
respeito) tomar a exceção como representante da regra.
Uma vez, um líder religioso disse que
o Brasil nunca recebeu um premio Nobel, porque é o maior país católico do
planeta, e os suecos são protestantes e adoram a luxúria. Ele não esclareceu
por que a Argentina, com 96% de católicos, um 20% da população brasileira, e
uma mentalidade muito mais puritana, recebeu cinco Nobel (embora um deles fosse
injusto).
Embora em alguns centros brasileiros
se faça pesquisa útil de alta qualidade, os resultados não se distribuem de
maneira inversamente proporcional à densidade de melanina, como acreditam os racistas.
Após 10 anos de uma ainda fraca AAf no Brasil, percebe-se, como fizeram notar
vários magistrados, que as instituições que aplicam o sistema de quotas não
presentam desempenho pior que aquelas que as repudiam e combatem. Mas, o que é
verdade, é que a democratização racial da universidade pode criar novas
exigências num setor popular que vive à margem da cidadania. Ao mesmo tempo, o diálogo
entre os cérebros disporá de menos tempo, porque será necessário fazer algo
inusitado para algumas universidades: ensinar.
Se pobres, negros, índios e outros
proscritos entram na universidade, esta deverá se dispor a investir tempo em
ensino e não apenas em administrar bolsas e reclutar orientandos para que
auxiliem as pesquisas dos professores, ou em trocar aprovações de dissertações
pelo direito a assinar sua publicação em conjunto com o formando.
Os racistas anticotas têm levado seu
cinismo a extremos bizarros. Em 2002, na UERJ, políticos, comunicadores e
magistrados recrutaram alguns jovens negros que se manifestaram ofendidos de ser tratados como
inferiores, porque eles não precisavam “esmolas”. Esses meninos (um deles foi
meu aluno) e meninas pertenciam a uma pequena minoria de afrodescendentes
adotados por famílias brancas, que lhes tinham dado uma educação de elite.
Curiosamente, esses jovens
manipulados demonstravam algo muito importante: que eles se diferenciavam dos outros afrodescendentes pelo fato de ter
tido oportunidades que a enorme maioria não teve. A outorga de oportunidade
a essa massa excluída fará, se a política de AAF for estendida e incentivada, com
que os setores proscritos da sociedade atinjam níveis decentes de instrução.
Um argumento mais sério é que as
cotas raciais deveriam ser substituídas pelas sociais, já que não se pretende
premiar uma pessoa por ser negro ou índio, mas resgatar da miséria e da falta
de direitos todas as pessoas que nunca tiveram uma educação decente por falta
de dinheiro.
Reconheço que esse argumento é mais
sério e, em muitos casos, é bem intencionado. (Em outros casos, foi usado para
desviar a atenção das cotas raciais, dando assim “um tempo” para que a ofensiva
racista se pudesse reorganizar). Entretanto, há um fato que não é levado em
conta.
É verdade que encontrar identificação
social com outras pessoas por causa de raça ou nacionalidade é algo irracional,
e gera ideologias perversas como racismo e nacionalismo. Mas é diferente se identificar voluntariamente e
ser obrigado a se identificar como
método de defesa face a perseguição racial ou nacional.
Não é a vítima do racismo a que
escolhe se juntar com outras vítimas de sua mesma raça: é o racista que o obriga a se
unir com outros para defender-se.
É por este motivo bem conhecido que negros
americanos de mentalidade e ideologia diversas se unificaram em comunidades:
era sua única maneira de salvar-se do racismo, salvo se tornando subservientes
e colaboradores, como vários ideólogos americanos do neoliberalismo que são
afrodescendentes. Mas, estes Uncles Toms (não
fundo, o Pai Tomas não era tão subserviente como é pintado pela tradição) são
minoria.
Portanto, é importante que a comunidade negra, índia e de outras etnias tenha
seus próprios profissionais e intelectuais, pelo menos até o dia em que os
brancos brasileiros aceitem a igualdade racial, uma quase utopia que deve,
contudo, ser tentada.
A introdução de cotas sociais é imprescindível.
É banal precisar dizer isso. Mas, não pode ser usado como pretexto para ignorar
as cotas raciais. Forçar a entrada de outras etnias nas universidades é uma
maneira direta de educar as tropas “braso-boers” a aprender a conviver com a
diversidade.
Alguns racistas desesperados,
especialmente na classe acadêmica e no jornalismo, têm apresentado o fantasma do
conflito por causa de que alunos brancos deverão conviver com os descendentes
dos escravos de seus ancestrais. (Eles não dizem assim, é claro. Falam do “menor
nível” dos negros.) Pessoas de boa vontade sinalizam que nas universidades onde
se pratica o sistema de cotas não houve nenhum conflito racial nestes
anos.
Mas, a questão não é casuística; é um
assunto de princípios, ético, social e não apenas factual.
Se alunos “puros” não querem sentir
de perto o suor dos favelados, o que devem fazer é autoeducar-se. Se não
conseguirem e partem para o vandalismo (comum, por exemplo, nos trotes de
calouros, inclusive com “bichos” brancos e ricos), o que deve fazer uma justiça
minimamente séria é processá-los por racismo. Por sinal, será uma maneira de
usar alguma vez esta lei, que é letra absolutamente morta no Brasil, porque,
como disse uma vez um promotor, os MPs não querem denunciar os que fazem coisas
que eles próprios fariam.
O STF não fez mais que cumprir com
uma questão elementar de justiça. Mas, de qualquer maneira, esta votação foi a
mais importante que eu lembre. Não é por acaso que a notícia ocupa um local
nanoscópico na imprensa.
Who Are You.... Really - 40 Translation(s) | dotSUB
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Ao perguntarmos quem somos ativamos nossos pensamentos, mas não somos aquilo que pensamos somos muuuito mais...
Ao perguntarmos quem somos ativamos nossos pensamentos, mas não somos aquilo que pensamos somos muuuito mais...
domingo, 29 de abril de 2012
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