quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Boubacar Traoré - Baba Drame

CASA DA MÃE JOANA - MARCELO ROQUE; Glória Kreinz divulga

Casa da Mãe Joana

Entramos em 2012, ano de eleições para as prefeituras e Câmaras
municipais
Isto significa que será mais um ano agitado para a maioria dos
partidos que se mobilizam na captação de recursos financeiros
para suas respectivas campanhas
E este é o problema - as doações particulares para os partidos
Nas últimas eleições presidenciais, em entrevista, Eike Batista,
o empresário mais rico do Brasil, deixou claro que fez doações
tanto para o PT como também para o PSDB
Evidente que, como homem de negócios, o que ele temia era
que suas empresas fossem prejudicadas em futuras licitações
de um governo que ele não apoiara financeiramente - em outras
palavras; o velho toma-lá, da-cá
E não podemos deixar de citar também e, principalmente, que os
principais doadores de dinheiro para campanhas políticas, são
os bancos
Resumo da ópera; tanto no poder Executivo como no Legislativo,
temos um contingente enorme de políticos financiados por estas
instituições, o que é um verdadeiro absurdo, afinal, como um
parlamentar ou então, um chefe do Executivo, poderá, nestas
condições, ter idoneidade para elaborar, votar ou assinar projetos
relativos a estas instituições financeiras
Por estas e outras razões, sou favorável ao financiamento público
das campanhas, porém, aliado a uma mudança na lei eleitoral que, hoje,
privilegia com mais tempo de propaganda na rádio e televisão, as legendas
com a chamada "maior representatividade" no Congresso, o que, na verdade,
é uma maneira de continuar dando espaço muito maior aos velhos caciques
da política nacional, ligados, historicamente, ao latifúndio, bancos e outros
grupos financeiros, em detrimento àqueles partidos oriundos de movimentos
genuinamente populares e, de fato, muitíssimo mais representativos
Enfim, devemos lutar para expurgar das campanhas eleitorais e,consequentemente,
política nacional, a peçonhenta influência de grupos privados que, apenas enxergam
nas instituições públicas, um balcão de negócios, e não Casas que defendam os interesses
de toda a Sociedade

Marcelo Roque

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

JAGUNÇOS E INQUISIDORES; FAXINA RACIAL



Jagunços e Inquisidores Paulistas: Faxina Racial sem Trégua
Um comentário sobre o Crime Jurídico contra Michel Silveira



Carlos A. Lungarzo

O sistema policial-judicial de São Paulo é conhecido pelos milhões de ativistas de direitos humanos de todo o mundo. Não há medidas exatas do grau de violação e abuso, porque é difícil às vezes comparar certo terror de estado com outro. (Por exemplo, quem está em primeiro lugar na lista de massacradores, o delegado que manda torturar cinco pessoas por dia, ou aquele que ordena apenas um homicídio cada 24 horas?)
Entretanto, em termos gerais, ninguém tem dúvida de que este sistema é um das mais racistas, cruéis, corruptos e corporativos do planeta e o maior de Ocidente. Poderia dar não apenas dúzias, mas centenas de exemplos, mas me restrinjo apenas a um, para não fazer este artigo muito longo e perder o foco do principal.
Segundo fontes de diversos países, o massacre na prisão de Pavón, na cidade de Frajaines, a poucos km da cidade de Guatemala, em 25/09/2006, (vide) foi o maior da América Central já produzido por forças militares/policiais. Resultado: 7 mortos, ou seja 6% dos 111 detentos selvagemente assassinados pela polícia paulista em Carandiru, seguindo um plano das autoridades políticas e policiais do estado. Tem mais, ainda: enquanto o carrasco de Carandiru foi nomeado deputado estadual e louvado por políticos e juízes, o ministro do interior (justiça) da Guatemala, durante o massacre de Pavón (Carlos Vielman), foi detido na Espanha por crime contra a humanidade.
Os crimes policiais, ordenados pelos políticos e legitimados pelo judiciário paulista, não são resultado do que tecnicamente se chama “brutalidade” policial, ou seja, uso indiscriminado e desorbitado da força. Trata-se de uma catarse de mentalidade sádica, racista, populista e messiânica destes operadores sociais. O projeto que está por trás não é “apenas”, a banalidade da vida humana, como atribui Hanna Arendt aos nazistas, mas um detalhado e organizado plano de faxina étnica, para eliminar pobres, marginados, mendigos e, em geral, membros de estamento sociais ou raças cuja presença incomoda a demência assassina da burguesia e da classe média da cidade.
A banalidade é terrível porque despreza o valor dos seres humanos. Mas o ódio que caracteriza a faxina paulista é pior, porque faz da aniquilação e o sofrimento dos “inimigos” uma necessidade mística e até biológica. (Há uma longa e bem provada teoria que não posso expor neste breve espaço, de que torturadores, moralistas, inquisidores, genocidas, e outros semelhantes, são pessoas com transtornos sexuais sérios (Reich, Fromm, Mannheim, Foucault, Marcuse, etc.)
Nesta semana, em São Paulo, já se noticiaram dois escandalosos casos de racismo, um contra uma criança negra, e outro contra um jovem negro. Vou me referir a este último.
 
Palavra de Branco
Para boa parte do judiciário brasileiro, a palavra de um branco cristão vale mais que provas fotográficas, documentais e testemunhas presenciais.
O jovem negro MICHEL SILVEIRA, de 26 anos, filhos de Luís e Eliane Silveira Souza, agente sanitário da prefeitura de São Paulo, foi denunciado por um branco como autor de um assalto com armas.
A polícia, a mídia e o judiciário, não tem fornecido nenhuma destas informações: características da suposta testemunha, nem mesmo o nome, natureza do delito, circunstâncias e danos produzidos. O denunciante possivelmente nem exista. Embora não há certeza, o mais provável é que a acusação seja um truque policial para cortar mais uma cabeça afrodescendente.
Michel estava trabalhando como agente sanitário na Prefeitura de São Paulo no dia e hora em que se cometeu o pretenso delito. O Jornal da Globo do dia 03 de janeiro passou uma detalhada matéria, onde se mostra a gravação das câmaras do serviço de Michel, registrando sua presença no local. Vários funcionários e funcionárias deram depoimento ao repórter da Rede Globo, e esta mostrou, ainda, a folha de frequência desse dia, em que aparece a assinatura do jovem Michel.
Tem mais: os colegas de um curso que ele realiza testemunharam de que ele tinha assistido às aulas depois do emprego, duplicando assim o já fortíssimo álibi.
A colega de trabalho, Rogéria Vasconcelos, disse que ele
“estava com a gente no ambiente fechado. Todo mundo é testemunha que ele estava presente no evento”.
A secretaria de Segurança Pública de São Paulo excedeu, neste caso, todo o histórico de cinismo, invencionice e abuso que são típicos desta central de extermínio popular: ela disse que o acusado NÃO APRESENTOU PROVAS DE QUE ESTIVESSE TRABALHANDO.
Ou seja, alguém acusado de qualquer coisa, DEVE APRESENTAR AS PROVAS DE SUA INOCÊNCIA????. Não vale neste resíduo escravocrata do planeta aquele princípio que se exige no mundo civilizado desde 450 a. C., de que o ônus da prova deve ser daquele que acusa.
A barbárie dos jagunços não para por aí. Para eles tampouco existe o “princípio de não contradição”. Primeiro, a SSP disse que não houve flagrante.
Mas, NOVE DIAS APÓS O FORJADO ASSALTO, eles disseram ter o flagrante.
Michel está preso desde há mais de dois meses.
Os jagunços não estão sozinhos. Eles estão bem protegidos pelos inquisidores. Um desembargador do Estado disse que a PRISÃO DE MICHEL NÃO ERA ILEGAL.
DETALHE: O JUIZ É UM DOS QUE RECUSOU O DIREITO DA MÃE DE UMA CRIANÇA SEM CÉREBRO A ABORTAR.
REALMENTE, O MAGISTRADO NÃO SURPREENDE.
Alguém que exija que uma mãe sofra os horrores de uma gravidez de alto risco para ter uma criança que morrerá imediatamente e encherá sua vida de dor, só pode ser um daqueles personagens que o genial Dan Brown imortalizou no Código da Vinci. Para tal tipo de fanático: o que pode importar a liberdade ou a vida de um negro...???
Trata-se de uma verdadeira quermesse de atrocidades, aberrações, atos de sadismo, carolice medieval e loucura assassina. Mas, junto com tudo isso, algo ainda mais claro: RACISMO.
Michel teve sorte, dentro de tudo, de não ter sido morto no local em que foi encontrado. É o destino quase certo dos negros que a polícia encontra numa situação que os algozes acham “suspeita”.


Ações Imediatas
Dizem que no Brasil há 400 organizações de direitos humanos independentes (não estou falando de organismos oficiais que os governos instalam para ocultar a violação desses direitos ou para amortecer as queixas dos verdadeiros defensores). Supõe-se que essas organizações são filantrópicas. Nem os grandes países do mundo podem gabar-se de tantas organizações para um fim tão nobre.
Se isso é verdade, seria bom que uma décima parte delas levantasse sua voz frente a atos de iniquidade extrema como este, aproveitando que a grande mídia nos faz a gentileza de publicar a notícia, em vez de sonega-la.
Todos os agentes sociais que se reivindicam defensores da justiça e dos direitos humanos deveriam se envolver no caso MICHEL SILVEIRA, embora seja apenas um entre dúzias de milhares.
O fundamental é salvar a liberdade e a vida da vítima, mas não apenas isso. Há séculos que estes crimes se repetem, tornando-se cada vez mais perversos por causa do aumento do poder repressivo dos jagunços que fornece a nova tecnologia. (Um dos casos mais conhecidos é o enorme número de assassinatos com TASER, que evita as desconfortáveis perícias balísticas, que nunca se fazem.)
É necessário uma denúncia radical contra os autores, sejam executivos ou judiciais, e uma campanha internacional para que o país atinja um mínimo de respeito aos direitos humanos. (Um progresso perceptível nos DH no Brasil, se tivermos muita sorte, pode demorar cinco gerações, mas esse não é motivo para desanimar. Nós desapareceremos, mas haverá outros vivos).
Por sua vez, sabemos que a comunidade negra está acuada e que, sendo perseguida, encarcerada, assassinada pela polícia (e agora pelos militares que ocupam as comunidades), não é muito o que pode fazer sem colocar-se em extremo risco. Contrariamente ao que acontece nos EEUU (usualmente tido como modelo internacional de racismo), os negros não têm a menor possibilidade de progresso social no Brasil, porque as leis de igualdade social que nos EEUU têm 51 anos de aplicação (apesar dos enormes ataques), no Brasil são repudiadas pelo pior da canalha política e judicial, que as considera uma afronta contra os sagrados direitos dos brancos, ricos, europeus e católicos.
Há alguns meses, pessoas do mundo todo nos arrepiamos contra as atrocidades cometidas contra Troy Davis. Sem dúvida, a indignação era justa. Mas, sejamos realistas: quantos Troys são assassinados pela polícia brasileira nas ruas, com suas famílias, nas favelas, desarmados, sem ter feito nada? Quantos deles sofrem torturas muito maiores que uma injeção letal, e não têm nem voz pública, nem advogados, nem tempo para, pelo menos, gritar sua inocência?
Mas, pelo menos, os líderes do movimento negro que possuem melhores contatos com o exterior devem aproximar-se dos movimentos internacionais. Existem maiores atrocidades em outros países que as praticadas no Brasil (Síria, Sudão, Irã, e talvez alguns mais), mas não há, por enquanto, ninguém que tenha podido mostrar um caso maior de racismo, desde o fim do apartheid em África do Sul, mesmo que essas medidas tenham sido quase totalmente formais.

Ações Mediatas
Faço um chamamento às organizações e agentes de DH para que redijamos um documento detalhado sobre o etnocídio policial e judicial que se pratica no Brasil contra os negros, apara apresenta-lo ao Conselho de DH da ONU.
Sabemos que a burocracia internacional estabelece uma série de regras tortuosas para que se possa chamar algo de “genocídio”. Os requisitos são tantos que até os enormes massacres de Ruanda geraram “dúvidas” nos burocratas internacionais para qualifica-los como genocídios. Ainda mais difícil é punir os atores, porque o sistema de relações internacionais se interessa pelos negócios e não por direitos de qualquer espécie.
Mas, pelo menos, pode se fazer uma ampla campanha de denúncia, que sensibilize a opinião pública mundial. É fundamental ter em conta que os membros de aparelhos repressivos, os militaristas, torturadores, inquisidores e fanáticos do misticismo sanguinário não passam de um 2 ou 3% da humanidade. O problema é que o resto não tem voz, ou não está informado sobre a situação, ou não sabe como atuar.
Devemos nos organizar. Muitas pessoas têm medo (justificado) de represália, mas pensemos que nossa indolência matará milhares de pessoas, num dos mais atrozes quadros de extermínio atualmente existentes em países que não sofrem processos de guerra (ou seja, durante o que ironicamente se chama “tempo de paz”).

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ANJOS E DEMÔNIOS - MARCELO ROQUE ; Glória Kreinz divulga


Anjos e Demônios

Depois do desmantelamento da União Soviética, no início
da década de 90, nenhum outro país no mundo tinha interesse
maior na permanência do regime Socialista em Cuba do que os
Estados Unidos
Paradoxalmente, para o fortalecimento do Capitalismo, era necessária
a manutenção do Socialismo. Porém, de um Socialismo em frangalhos,
que fosse sinônimo de miséria e atraso
Evidente que o regime cubano não é perfeito, como todo e qualquer
outro regime político, têm lá suas deficiências. Mas, comparando-o ao
Capitalismo, salta-nos aos olhos suas virtudes
Mas não vêm ao caso agora tais comparações, já esmiuçadas de
maneira competente por gente muito mais qualificada do que eu
neste assunto
O que esta em questão aqui, é a forma como os "donos do poder"
agem para manipular a realidade, de modo, a favorecerem suas idéias
É notório que o fator "medo" é um elemento muito eficaz para se
implantar o domínio sobre uma sociedade - temos ai o exemplo da
religião que, para manter o "rebanho unido", prega a existência
de "lobos maus" ( demônios e coisas do tipo)
E tal tática se estende a outros grupos que visam igual domínio
Os "Senhores do Capitalismo" que, por consequência, são os
donos dos meios de produção, incluindo, é claro, a mídia, agem
da mesma forma
Para tanto, necessitam de tais "demônios", e o maior deles é o
Socialismo
É claro que diante deste contexto de manipulação de informação
e criação de "lobos maus", não interessa informar as pessoas o
quão o abominável embargo econômico à Cuba, causa enorme
prejuízos financeiros ao país. E muito menos ressaltar que por
vinte anos seguidos, em votação na ONU, quase todos os
países do mundo( com excessão dos Estados Unidos e Israel) votam
contra a manutenção deste embargo, que chega a ser visto como
um "terrorismo econômico"- aliás, termo este que o define muito bem
Mas, como falei no início, sem a sombra Soviética, Cuba não mais
preocupa os Estados Unidos- muito pelo contrário, devido ao
"estrangulamento" econômico imposto ao país e todo terrorismo
midiático patrocinado pelo Capitalismo contra este pequeno país
caribenho, hoje, aos olhos de boa parte do mundo, Cuba e,
consequentemente, o Socialismo, tornou-se sinônimo de miséria,
atraso e confisco de liberdades individuais ( ou seja, o Demônio)
Por fim, não querendo aqui eximir o Socialismo cubano de qualquer
culpa, até porque, não existem regimes perfeitos, mas não devemos
ignorar jamais todas as articulações econômicas, políticas e midiáticas
organizadas pelos Estados Unidos e seus aliados,com o único intuito
de prejudicar Cuba
De modo a terem então, o seu troféu - esta "carranca cubana"-
diretamente "talhada" pelas predatórias e dominadoras mãos
do Capitalismo

Marcelo Roque

domingo, 1 de janeiro de 2012

MARCELO ROQUE- FELIZ PRESENTE; Glória Kreinz divulga



Feliz Presente !

O amanhã não existe
Nós o inventamos na tentativa de camuflarmos
nossa incompetência ao lidarmos com as coisas do presente

Marcelo Roque

APOCALÍPSE QUANDO?

Por Celso Lungaretti

Esta é a ameaça...
Depois da consagração com "Disparada" no Festival da Record de 1966, Geraldo Vandré tentou repetir a dose no ano seguinte: na mesma linha do épico do boiadeiro, inscreveu um épico... do chofer de caminhão.

A estrutura era idêntica, havia também uma introdução ("Meu senhor, minha senhora/ vou falar com precisão/ não me negue nesta hora/ seu calor, sua atenção") bem nas pegadas da anterior ("Prepare o seu coração/ pras coisas que eu vou contar/ Eu venho lá do sertão/ e posso não lhe agradar"), letra longa descrevendo a   jornada do imbecil até o entendimento, etc.

E, como rendera boa divulgação prévia a utilização de uma queixada de burro como instrumento musical, ele levou novamente uma atração bizarra para o palco: uma possante buzina, que soou os acordes iniciais de "De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando" (ou, simplesmente, "Ventania").

A repetição de fórmula não colou, mas não era uma composição descartável. Gosto até hoje desta estrofe:
"Andei pelo mundo afora
querendo tanto encontrar
um lugar pra ser contente
onde eu pudesse ficar.
Mas a vida não mudava
mudando só de lugar"
É também meu sentimento em relação à virada da folhinha.

A vida não muda mudando só de ano, embora queiramos sempre acreditar que o seguinte será melhor... apenas porque já não suportávamos mais o outro.

...estes, os principais ameaçados...
Só que há razões bem determinadas para nossos anos serem ruins. Dá para enfeixá-las numa única palavra: capitalismo.

Assim, p. ex., existem duas bombas-relógios em nosso futuro, por  cortesia  dessa entidade que verdadeiramente já morreu, mas deixamos continuar nos desgraçando, ao invés de cravar-lhe a estaca que a reduzirá a pó.

A primeira é a grande depressão que, mais dia, menos dia, desabará sobre nós, como consequência do represamento das crises cíclicas capitalistas --elas antes eram periódicas e relativamente mais brandas, agora o sistema consegue postergá-las, empurrando-as mais e mais para a frente, o que não impedirá o elástico de acabar arrebentando. E aí a crise iniciada com o  crack   de 1929 parecerá, provavelmente, brinquedo de criança.

Será em 2012 o  apocalypse now? Ou continuaremos nessa lenta agonia que já tragou Grécia, Espanha, Itália? As pedras do dominó continuarão tombando uma por vez ou vão cair todas de uma vez?

A outra incognita são as consequências do aquecimento global. Vimos em Fukushima o trailer do que está por vir: a conjugação de sismo e tsunami com a insegurança nuclear quase completou a obra estadunidense de agosto/1945, tornando o Japão uma ilha bem mais nua que a do filme do Kaneto Shindô.

Catástrofes naturais continuarão ocorrendo, mesmo se tomarmos as medidas necessárias para impedir que a indústria automobilística e outros focos de poluição atmosférica extingam a espécie humana. Já não se trata mais de evitá-las, e sim de minorar sua intensidade e  período de duração  (nosso  período de provação).

E nem isto estamos, realmente, fazendo. Parece que as coisas ainda terão de piorar, antes de começarem a melhorar.

...e este, o motivo da ameaça.
É certo que a fúria da natureza vai aumentar neste ano, como veio aumentando nos últimos. Mas, não dá para prevermos se haverá ocorrências de extrema gravidade em 2012 ou vamos ser poupados. Elas estão sendo incubadas e os ovos vão eclodir, cedo ou tarde.

O que fazer?

Iludir-se com a desconversa dos pistoleiros de aluguel acadêmicos e midiáticos do capitalismo?

Deixar-se tomar pelo pessimismo, arrancando os cabelos?

Resignar-se à vontade divina?

Aproveitar ao máximo os últimos dias de Pompéia, e que se dane o mundo?

No fundo é questão de temperamento --além do dever de legarmos vida a quem demos vida.

Mas, como dizem os zen-budistas, o dever só obriga quem acredita que o tem. E o capitalismo insufla ao máximo o egoísmo e a indiferença pela sorte dos outros --quaisquer outros, até filhos e netos, salvo no que tange aos gastos para aplacar a consciência culpada por não lhes dar a atenção que merecem...

Falo por mim, e sei que meus leitores são afins: lutarei com todas as minhas forças, nos anos que me restam, para que minhas filhas e netos não vivam e morram num planeta devastado.

E também porque lutar é sempre minha primeira reação face aos poderosos, suas injustiças sem perdão e seus crimes sem castigo.

Foi o grande motivo de eu ter entrado no caminho das lutas políticas sociais aos 16 anos; continua sendo um forte motivo aos 61.

Somos o que somos, traçando nossos caminhos pelo mundo a partir do que somos --ou seja, de como nos construímos pela vivência pessoal do eterno conflito entre o cosmo sangrento e a alma pura (grande Mário Faustino!).

O calendário nada tem a ver com isto.
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