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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pensamentos aforismáticos acerca da Excelência da Poesia - RICARDO SANT'ANNA REIS (clique aqui)

Ricardo Sant’Anna Reis, sociólogo e poeta.


Ao se propor ao debate o tema “A Excelência da Poesia”, a primeira ponderação que se pode fazer é a de que o conceito de excelência não permite mediações. Ao contrario, este se prende à idéia de raiz, de radicalidade, de conteúdo essencial, abordagem pura, etc.
A poesia, por excelente, é como o fenômeno da religião no que diz respeito ao dever da revelação transcendente (e não ao conteúdo moral).

A Poesia se apresenta aos homens como uma descrição profética, por serem os poetas tidos como entes de ligação entre a vida humana, com suas impressões e dores, seus erros, e a idealização da perfeição do Cosmo. Por serem capazes da expressão criativa, os poetas exercem fascínio sobre as pessoas que se consideram, no geral, incapazes de criar.
A identidade que se cria entre os poetas e pessoas que apreciam poesia, estrutura um formato de celebração, uma ritualística de amor quase religiosa. Este Religare se faz pela narrativa poética, que não é um relato naturalista e prosaico de uma sensorialidade objetivada, mas preserva o mistério.

Toda arte é uma abstração; e toda abstração, uma idealização, dimensão ficcional. Portanto a arte não traduz “verdades totalizantes” (como na religião e na moral), mas as “verdades transitórias” do artista. Recorramos a Niestzche para lembrar que: “A maior antítese à verdade, não é a mentira, e sim, a convicção”. Portanto, a poesia teima em ser impertinente e em abrigar a dúvida. O substrato humano destas verdades transitórias, é que se torna possível compreender a relatividade das coisas e que os valores humanos devem ser construídos para servir ao homem, enquanto coletividade, de maneira mais efetiva e satisfatória: À poesia cumpre aqui a função de transformar pessoas, de educar para o processo civilizatório, de forma não alienada, crítica e verdadeiramente humana.
Ao (re) inventar o mundo pela síntese funcional entre a emoção/paixão/desejos e a razão/logos/virtude, a poesia mostra-se com uma possibilidade crítica ilimitada. Mesmo quando a serviço de valores hegemônicos, da “verdade totalizante dos dogmas”, como na poesia épica de Milton, a liberdade do poeta é extrema. É belíssimo ver como em “Paraíso Perdido” este descreve a personalidade e qualidades de Satã, pintando-o como um anjo nobre, vaidoso, magnífico general, que sentindo-se relegado e vitima da ingratidão divina à sua lealdade (já que este nomeou a seu filho para comandar os anjos), levantou-se contra Deus usando de sua liderança entre os anjos para formar uma forte legião de seguidores. Afinal, derrotados, foram condenados a reinar nas profundezas. Também descreve a queda de Eva, tentada pela serpente, por curiosidade feminina e vaidade no exercício do livre arbítrio, e, Adão, que comerá posteriormente a maçã, mas o fazendo por solidariedade a sua amada, para que não fosse ela expulsa sozinha do Éden (ou seja, por amor o paraíso lhe foi perdido). É evidentemente uma descrição poética diferente do ensinamento religioso monoteísta, no que se refere a natureza diversa dos homens e entes sobrenaturais.

É a liberdade que se dá o poeta, ao servir-se da natureza e das emoções e transformá-los por sua narrativa, em busca melhor servir ao projeto humano. Através do amor (da busca pela beleza), colocando a racionalidade no exercício da arte, busca mitigar a dor da solidão, própria à condição humana. O homem, por ser o único animal que tem consciência de sua própria finitude, traz no peito uma angustia que lhe move em busca da transcendência. É neste processo que a poesia se constitui e forja a sua essência.

Os produtos da arte são como recortes, impressões, opções, ângulos, e devem ter o compromisso com a revelação de algo não percebido.
Os poemas, quadros, esculturas, etc, que não buscarem surpreender e revelar, não serão frutos da verdadeira arte.

A musica e as outras artes se dirigem mais ao gosto popular do que a poesia, pois lidam com sentimentos vagos e não se necessita (como condição sine qua non) de preparo intelectual por parte do receptor ou do produtor. Por exemplo, as artes pictóricas, descritivas ou não, deixam o individuo que as consome com bem cultural em liberdade para atribuir qualquer entendimento ou sensação a um quadro ou escultura. As expressões da manifestação artística são peculiares. A escultura deixa de lado o movimento e a cor; a pintura deixa de lado a terceira dimensão e o movimento; a musica abandona tudo que não seja o som.
Toda forma artística, evidentemente, leva a constituição de um gosto estético, leva a uma educação da sensibilidade, etc.

Porem, a poesia baseia-se na palavra e é portanto a abstração suprema, a mais complexa e completa das artes, onde se ausentam todos os aspectos auxiliares, possíveis em outras artes, e não se conserva nada do mundo exterior. A poesia reconstrói o mundo exterior de forma inteiramente inventiva, sendo a arte que mais dificilmente imita a vida, mais efetivamente idealizadora, e que incorpora o maior trabalho intelectual. Um trecho musical de sinfonia pode sugerir a alguém a impressão do frescor de primavera; para outro alguém, pode sugerir uma boa lembrança de amor, etc. Um poema, não. Deve ter a capacidade de transmitir conceitualmente o que quis dizer o criador, mesmo que promova sentimentos variados no leitor.

Não é no conteúdo das sensibilidades do artista que está a excelência da arte poética. É muito comum, popularmente, se confundir quadrinhas que espraiam bons augúrios e bons sentimentos, desejos de felicidade, com poesia. Isto não é poesia. O poeta não se distingue porque sente algo. Distingue-se pelo uso que faz do conceito de sensibilidade. A sensibilidade poética é fruto de um exercício intelectual qualificado, onde o criador deve usar a bagagem de conhecimentos que adquiriu, referencias universais, etc, deve distanciar-se no processo de criação a ponto de poder buscar o apuro conceitual e técnico, e sentir-se como um leitor que não teve a vivencia específica da inspiração sentiria o poema, para que este se exteriorize. Para tal, o poeta usará os recursos técnicos que lhe são acessíveis, que aprenderá por estudo, imitação repetição de leituras, etc. O importante é que haja na poesia elementos que garantam a poeticidade, tornando a linguagem efetivamente conotativa.

A poesia é a obra de arte onde se soma a sensibilidade e o instinto do artista, ao pensamento e a inteligência, trabalhando-se o material que a vida apresenta (uma idéia, uma palavra, uma cena, etc). O resultado deve ser algo altamente objetivado e exteriorizado no sentido de passar a ser um patrimônio cultural da humanidade.

Pedem-se altas doses de racionalidade no processo de criação poética, visando retirar toda a denotação, todo o naturalismo e dimensão prosaica (daí porque que uma poesia confessional será sempre menor), que só se refere e interessa ao individuo em si, projetando a poesia e o seu entendimento como valor universal. Um poema não é um diário intimo. Como Rilke aconselha a Franz Kappus: “Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo se morreria se lhe fosse vedado escrever. Se for o caso, construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Não faça poemas de amor ainda. Observe a natureza, descreva o que vê como se fosse o primeiro homem do mundo; vasculhe suas lembranças, sonhos, busque inspiração na sua infância, este rico manancial poético”.

Não se pode ler um poema interpretando-o no sentido imediato.
Ele tem que ter dimensão figurativa, ressaltar sons, formas, idéias, desejos, transcender o significado próprio das palavras e se abrir a novos sentidos. O uso da metáfora, a marcação de um ritmo que dá a unidade, é o meio retórico próprio à linguagem poética, que possibilita a dimensão conotativa, sugestiva, e se dirige à emoção do leitor.
Um poema, como toda arte, é também uma obra aberta, de certa maneira.

Constrói-se a linguagem garantindo a conotação do sentido, através de recursos de estilo, figuras de linguagem, sonoridade, ritmo, rima, repetição, experimentação de novas associações entre palavras, etc.


As figuras de linguagem são recursos usados pelos poetas para provocar a poeticidade em seus poemas. Mesmo em poemas brancos, onde não se teria que seguir nenhuma norma de orientação, pode-se e deve-se usar tais recursos que enriquecem o poema. Elas podem ser a Anáfora (repetição de verso), Anástrofe (inversão da ordem sintática), Diácope (repetição de frases), Aliteração (seqüência de fonemas), Epizeuxe (repetição de palavras em seqüência), Assonância (seqüência de sons), etc. São inúmeros os recursos que possibilitam a distinção da linguagem poética conotativa, para a linguagem denotativa da prosa.

Os recursos técnicos da arte poética permitem que esta torne-se um poderoso instrumento de formação de consciência critica, pois estimula e burila o espírito. Nem tudo no poema é revelação, por vezes insinuação, por vezes ausência simbólica, silêncio. Porem, um poema sempre se deve expressar sua forma o significado e o significante, ou seja, deve ter uma dimensão conceitual. O poema não deve ser um mero esforço pelo entretenimento ou um jogo de palavras como se vê em alguns produtores contemporâneos. É muito mais do que isto.

O amor surge na poesia como a metáfora de um mundo melhor, e a tarefa do poeta é a da busca pela beleza. Por amor considere-se a manifestação dos afetos vários (entendidos psicanaliticamente), onde a gradiente dos sentimentos pode se expressar. Evidentemente, a poesia tem uma forte dimensão de auto-analise, de trato terapêutico em si.
É um olhar para o interior da alma humana, contraditória, diversa, sublime, vil, etc.

Esta busca de sentido, a busca pela expressão mais adequada para a afirmação poética (a poesia como musica em Mallarmé, a desconstrução da palavra nos irmãos Campos, a poesia sem sangue, seca, sem metáforas de João Cabral, etc), chega-se a novas formas de expressão.

Há os que rejeitam a metáfora na poesia; os que buscam retirar da poesia os sentimentos humanos, etc. Todos acabam por criar novos signos de expressão poética. Neste sentido, a polêmica sobre a arte moderna, a explosão dadaísta do conceito, permanece até hoje.
Havia validade à época, egressos que estávamos do “beletrismo”, das formas harmônicas renascentistas, etc. Hoje, recupera-se o debate sobre a necessidade de reincorporar o logos ao processo da arte. Ao romperem com a tradição, as vanguardas estéticas serviram para a renovação do discurso, para a busca de sentido novo na poesia, etc.
Se este processo se esgotou, enquanto experimentação, porque não revisitar as antigas experiências e tradições? A métrica, a escansão, prosódia, a rima, podem ser recuperadas por uma abordagem contemporânea. Ou não podem? Fala-se que o nosso tempo pede uma linguagem ágil, moderna, pressionados que estamos pela linguagem midiática. Mas, creio que o papel da poesia é, neste caso, pela valorização da educação pública, de resistência cultural contra a reificação da tecnologia, pela desconstrução da cultura de massas que se tornou hegemônica e nefasta, onde nossos filhos mais o são da Globo e da Internet, do que nossos, de fato. Sem o reacionarismo de rejeitar as mudanças contemporâneas, creio que cabe à poesia um papel civilizatório de resistência frente ao mundo prosaico e sem espírito em que estamos vivendo, sempre correndo atrás de algo que não sabemos o que é. Por isso, que vivam Machado de Assis e Olavo Bilac, que vivam Cruz e Souza e Sousândrade, Castro Alves e Cecília Meireles, etc, nossos grandes e eternos luminares...

A poesia contemporânea sofre de algumas contaminações: a da dimensão geracional pós-moderna, do esvaziamento frente aos valores que balizavam historicamente a busca de sentido para a arte e para a convivência humana, o elitismo que marca determinada incapacidade de comunicação da poesia, etc. Vivemos sob o signo da mutação e expressando a perplexidade pela falta de utopias validas. Muito do que se chama de poesia, hodiernamente, não é mais do que necessidade de expressão comportamental de segmentos médios, socialmente esvaziados, humilhados e intelectualmente excluídos. Este fenômeno fala mais sobre a necessidade de convívio, de minimizar a violência urbana, da necessidade de uma revolução no processo educacional brasileiro, do que do verdadeiro processo de produção de arte poética. Vê-se por aí “poesia” que se mistura com certo tipo de boemia, onde a poesia se confunde com álcool e outras drogas, aditivos da percepção, não por uma investigação onírica, atitude rebelde, como a feita por Baudelaire, mas expressando decadência e busca desenfreada ao entretenimento. É um equivoco, penso. A poesia, ela própria deve ser capaz de inebriar poetas e leitores, de tirá-los da alienação sensorial e lançá-los ao desafio de mudar o mundo. A poesia pode e deve prescindir de Deus, de religião, de dinheiro, de drogas, como no poemeto-sintese de Claudia Alencar: "não faço poesia para ganhar dinheiro; faço-a para ganhar alma”. A poesia merece respeito, por ser uma condição irrecorrível para o poeta, quase como o respirar.

É parte constitutiva e inerente ao ser humano a capacidade criativa. Como um monstro que devora os próprios filhos, a sociedade anula a possibilidade de intervenção individual, restringindo-a a níveis lógicos para que não perturbem a reprodução do sistema. Uma pessoa que não desenvolveu o dom de criar por força da desconstituição do individuo em sociedade, como previu Jean Jacques Rousseau, pode ter a capacidade de apreciar poemas. O que lhe falta, pela castração da libido onírica, se lhe sugere como interesse.

Nada se pode impedir que a poesia surja como necessidade atávica, como um pescador desembarcado sente sempre falta da maresia em seu rosto. A procura da Excelência da Poesia nos obriga ao raciocínio conceitual litero-científico. Em sua teoria estética, Fernando Pessoa apresenta as três leis da forma abstrata (arte):

· A primeira lei é a necessidade de que a obra de arte apresente
UNIDADE, onde quaisquer de suas partes, ou versos, deve contribuir para o deslinde do sentido final, para uma impressão total definida. Há uma integração dialética entre o Todo e a Parte, onde o Todo se apresenta como síntese da determinação destas partes.

A arte imita a vida, não em sua plasticidade imediata, visível, na verdade, imita o processo da vida, onde a virtualidade animal é a de que todas as coisas tem uma contribuição circunscrita e focada para o funcionamento do corpo natural.
A angustia do artista, descrita no o “Parla!!” de Pigmalião para sua estátua, explica-se pela incorporação da dor, pela percepção do limite que a proximidade da morte trás. Por ser impossível alcançar a perfeição encontrada na natureza, imita-se o processo natural e recria-se uma segunda natureza, que é a cultura humana, onde a arte é a essência que movimenta a evolução da humanidade.

· A segunda lei é a da UNIVERSALIDADE, como capacidade
de falar para todos os que tenham um preparo intelectual determinado, seja em Lisboa ou no Rio de Janeiro, seja em Tóquio ou em Adis-Abeba, por ater-se, a poesia, a valores essencialmente humanos e universais, e que perpassam todos os tempos.

O que Shakespeare destaca em Rei Lear não é a demência senil do rei (que seria tema de um tratado de gerontologia), mas a duvida de um homem sobre o amor que lhe devotam as filhas e a nulidade da riqueza para garantir-lhe este amor. Este é o valor humano permanente que pode ser entendido em qualquer lugar do mundo.

A poesia “humaniza o homem”. Um artista não exprime emoções que apenas serão entendidas por ele. Ele exprime o que em suas emoções “é comum aos outros homens”. Isto é a Universalidade na poesia. Sobre a dimensão da temporalidade, sobre o sentir-se imanado com os anseios do poetas do passado, se dirá como Goethe: “Um homem de gênio só é de sua geração por seus defeitos”.

Esta Universalidade fala a favor da capacidade comunicativa da poesia. Quem aprecia um poema, não deve angustiar-se para decifrar signos iniciáticos, referencias pseudo-eruditas obscuras, etc, ou seja, um falso hermetismo acessível só a um circulo fechado de egocêntricos, como é comum se ver hoje em dia. É deprimente e constrangedor perceber as loas publicas e a institucionalização de uma poesia carregada de opacidade, pelas “academias da vida”. Isto só diz de nossa eterna cabeça culturalmente colonizada. A poesia não pode almejar permanecer como posse de poucos, pois é libertadora, é pensamento qualificado. Portanto, também não é um exercício de obviedades simplórias e pueris; não pode ser reduzida a pensamentos gentis e benfazejos, a manifestações de apreço ao senhor diretor, como no poema de Bandeira, porque reflete sentimentos humanos e incorpora arte e liberdade, enquanto elaboração criativa e conceitual.
Novamente recorremos ao Bandeira. Quem não entende a genial, sofisticada e simples (e se enternece) poesia:
Irene no Céu
Irene pretaIrene boaIrene sempre de bom humor.Imagino Irene entrando no céu:- Licença, meu branco!E São Pedro bonachão:- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.
A poesia deve ser instrumento civilizatório, de educação da sensibilidade das massas, tanto quanto o possível. Por ser a mais antiga das ocupações intelectuais, através da qual o homem contou, primeiramente, os seus delírios e alumbramentos, relatou aventuras, organizou sentimentos e desenvolveu a arte de amar, a poesia possibilitou ao homem adquirir humanidade. São posteriores à existência da arte poética, a filosofia, a política e a sistematização do conhecimento científico, que, em última instancia, visam o domínio da natureza.
A poesia não visa domínio, e sim, liberação.

Essencialmente dialético-crítica, a poesia não cabe no discurso acadêmico, apropriado como linguagem de classe, que enquadra, classifica e mata a vida pulsante na arte. O aprendizado da poesia nada tem a ver com cátedras. A linguagem poética deve instigar e aproximar as pessoas torná-las exigentes. Por isto os poetas foram expulsos da República de Platão. Está na hora de que voltem para as Ágoras, para as escolas, para alfabetizar as novas gerações, promover o exercício de sua função civilizatória.

· A terceira lei relacionada por Fernando Pessoa, é a da LIMITAÇÂO, onde o uso dos recursos técnicos, estéticos, vão evitar o transbordo, buscar a mesura e o alcance do máximo de concisão e efetividade, como um joalheiro lapida um brilhante, para revelar todo seu fulgor.

A idéia de perfeição não pode ser (e aí se evidencia o caráter revolucionário da linguagem poética) como a expressão da idéia perfeita emanada de Deus (como no ideal platônico), mas algo que se aproxima do artista pela contemplação errática (porque que humana) da natureza, onde vários fatores vão incidir para o resultado final, principalmente o acaso. A poesia é a porta de entrada para um mundo de percepções ultra-humanas, ficcionais ou não, que deixa a arte e a invenção como substrato e não paga tributo a nenhuma moral hegemônica.

Se há sonhos? Acredite neles. Devemos cultuar Deuses, em especial, os Deuses da Poesia, que nada nos cobram a não ser a coragem de que nos lancemos ao abismo do lírico, e sem rede. Esta é a diferença entre poetas e não-poetas: O prazer de se atirar ao vento; a poesia supõe dor, coragem e incomodo, parteiros da verdadeira arte, como uma vez nos ensinou a “bruja” Clarice Lispector.

FONTE: http://ricardosreispoesia.blogspot.com/2009/04/pensamentos-aforismaticos-acerca-da_20.html

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