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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Frases de meu pai (1916 - 2000)

"a fome aguça a idéia"
"é preciso se ter um ponto de apoio"
"se tenho um problema pra resolver,pego um papel e escrevo,será difícil não se resolver algo assim"
"tem gente que só sabe o que está nos livros, se lhe tiram os livros da frente, não sabem mais nada"
"malhar ferro frio não adianta nada"
"todo sábado tomo um belo banho de sol e depois um bom banho frio"
"em cargos de chefia estão sempre os mais medíocres e incompetentes"
"uma andorinha só ,não faz verão"
"a maioria diz:eu estou bem, os outros que se danem"
"muitos de nossa família pensam:cada um por si e Deus por todos,que vergonha!"
"o que é de gosto regala a alma"
"o melhor prato é o apetite"
"está com tosse!? não tome tantos remédios! tome mel,misturado com limão e whisky ou conhaque!"
"a primeira coisa que um político faz ao ser eleito,é roubar o povo"
"povo não é um aglomerado de pessoas"
"na Rússia (comunista)não se vê crianças e velhos jogados na sarjeta,passando fome"
"no Brasil muitos talentos morrem na sarjeta"
"quando estou com gripe, pego uns tomates,faço uma salada,com muito alho picadinho por cima.logo a gripe vai embora"

Nadia Stabile - 06/07/09

quarta-feira, 22 de abril de 2009

CRISTO, CHE ...POBRES...MARX....NUM FRAGMENTO DE TEXTO DE LUNGARETTI

(...)CULTO PERENE

É claro que muitos jovens, antes desse filme, já viam Guevara como o próprio símbolo da revolução.
Enquanto Marx, Lênin, Stalin, Trotsky, Mao e o próprio Fidel só significam algo para os politizados, o Che tem uma força simbólica indiscutivelmente maior -- e muito mais adeptos na faixa da adolescência e mocidade.

Quais os motivos de culto tão perene?
Há quem o atribua, depreciativamente, à semelhança visual entre o Che abatido e o Cristo crucificado, omitindo que as trajetórias também são semelhantes.
Ambos desdenharam os bens materiais e foram solidarizar-se com os pobres, oferecendo-lhes apoio e esperanças. Despertaram a fúria dos poderosos de seu tempo e foram por eles destruídos, terminando sua jornada com muito sofrimento.
Evidentemente, os relatos que chegaram até nós sobre Jesus Cristo não têm áreas nebulosas como aqueles episódios em que Guevara parece haver incorrido em violência excessiva.
Mas, se o Salvador disse que não vinha “trazer a paz, mas a espada”, foi Guevara quem a empunhou. E a guerra nunca inspirou os melhores sentimentos ao ser humano. Pelo contrário, desperta seus piores instintos.
Então, a luta justificada e necessária contra o tirano Fulgêncio Batista pode ter feito aflorar o Robespierre latente naquele homem afável, tão bem retratado nos Diários de Motocicleta.
Mas, contradições são inerentes a todo ser humano. Não existe o herói perfeito e impoluto, salvo em nossa imaginação.
O certo é que Guevara continuou sacrificando tudo por seu ideal de justiça social. Como Garibaldi, foi levar a chama da revolução a outro mundo, a África. E tentou outra vez na Bolívia, onde finalmente o Império o fez executar (mais um paralelo com Cristo!).
Sua vida só foi uma sucessão de fracassos (como já se alegou) para quem reduz a existência à busca do sucesso fácil, descartando valores como a solidariedade, a coerência e a dignidade.
Os que o recriminam, certamente jamais agiriam como Guevara, abrindo mão do poder e honrarias para efetuar desesperadas tentativas de romper o isolamento da revolução cubana.
Pode-se supor que, como Trotsky, ele tenha concluído que a revolução invariavelmente se deforma quando fica restrita a um só país – ainda mais uma nação pobre, atrasada e asfixiada pelo embargo comercial, como Cuba. E fez o que poucos fariam: assumiu a missão de encontrar uma saída para o impasse, nas condições mais desfavoráveis.
No mundo todo, os jovens que também lutavam contra o Império se identificaram com seus sonhos e seu martírio. Não foram uma foto e um pôster que o transformaram em mito, mas sim esse exemplo de dedicação a uma causa justa até o sacrifício extremo.
E, como os corações mais sensíveis e as mentes mais lúcidas não conseguiram vencer o sistema regido pela desigualdade e ganância, Che inspira até hoje os que não aceitam o capitalismo globalizado como o fim da História.
Daí a inutilidade dos frequentes ataques à memória do homem Ernesto Guevara -- como os lançados pela mídia reacionária, a Veja à frente, quando do 40º aniversário da morte do herói.
Jamais atingirão, contudo, o mito Che Pueblo, personificação dos ideais igualitários que os melhores seres humanos vêm acalentando através dos tempos.

* Jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogs
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

LEIA MAIS EM :"A criminalidade é intrínseca ao capitalismo"

FONTE : http://www.patrialatina.com.br/colunaconteudo.php?idprog=4b0a59ddf11c58e7446c9df0da541a84&cod=875
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