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sábado, 3 de junho de 2017

a pedra e o poeta



pedra e poeta não morrem
mesmo a pedra não tendo células nervosas como o poeta...
ela também não morre

pedra transforma-se
água mole tanto bate na pedra, até que a fura

versos tanto esbarram na gente até que nos perfuram

no fundo das retinas que viram a pedra do poeta 
há a mesma coisa que na pedra
gente é pedra que transforma-se
que mistura-se a areia e a água 
que nunca morre, nunca desaparece

nadia gal stabile - 03 06 2017


INÍCIO 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

intemporal e Drummond





opmet tepom potem metop pomte.....tempo, quanto tempo, o que importa o tempo? misturar tudo, lembrar, relembrar, esquecer, recobrar a memória, ir lá no passado que nem se viveu e lembrar, sentir o que muitos podem ter sentido, o que muitos podem ter sofrido... é ruim? não, não é. saber do tempo perdido de muitos por conta de meia dúzia de ... melhor não dizer, melhor seguir em frente apesar de todos os trambolhos que bloqueiam nosso tempo. recobrar a consciência de fatos horrendos e sentir o que cada um dos sofridos sentiu. ver o que neste presente anda ocorrendo e sentir, sentir, chorar, chorar e chorar...
ir ao futuro e ver o que poderá ser, imaginar e sentir tudo o que poderia mudar, o que poderia estar bem melhor que hoje, que ontem...
ser intemporal e saber que o passageiro sempre passa, ficam restos, sempre sobra um resto,  *Mas de tudo, terrível, fica um pouco...

nadia gal stabile - 16 08 2016



*Resíduo - Carlos Drummond de Andrade

"(...)De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.


http://pensador.uol.com.br/frase/NTYyOTU5/



*14 08 16, fotos pela janela e do sol no quarto com câmera ruim do tablet - nadia gal stabile




INÍCIO 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

MUNDO GRANDE - DRUMMOND POR DRUMMOND

Carlos Drummond de Andrade declamando seu poema "MUNDO GRANDE"


https://www.youtube.com/watch?v=p-mWV-jZGec


Mundo Grande
 

Carlos Drummond de Andrade

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos - voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
- Ó vida futura! Nós te criaremos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

pouco, médio, muito e a pedra de drummond



achei esta foto em branco e preto num livro sobre a pinacoteca do estado de sp
eu poderia estar nela, adorava ir lá desenhar com meus 18 anos de idade
desenhar o corpo humano é uma coisa extraordinária, doida até
a ou o modelo ficam ali estáticos, se forem  praticantes de yoga,
aguentam muito melhor as poses mais demoradas

quem desenha muito tem mais condições de descobrir coisas da técnica
e das pessoas ou árvores que esteja observando e expressando num determinado suporte, como o papel, ou uma tela...

desenhar pouco, médio ou muito pode alterar muita coisa em você e na sua vida
assim como quem vive pouco, médio ou muito...

a gente pode desenhar sem ter papel e lápis, pode-se desenhar mentalmente,
até em casos de desenhos de observação, pode-se observar por muito, médio ou pouco tempo algo, e depois pega-se um papel e um lápis e desenha-se

teria tanto pra escrever aqui agora
tantas boas coisas sobre o desenho e a arte...a música...o teatro...a modelagem...
sobre escrever... mas estes meus muitos, tiveram pouco tempo e dedicação
para suportar todas as minhas médias tomadas de vida

a vida é isso, é o tempo pouco que se tem para o muito que poderíamos fazer
ficamos quase sempre no meio do caminho de quase tudo
e... no meio do caminho pode haver uma pedra
se a gente para para meditar sobre a pedra no meio do caminho como drummond,
pode ser muito

se você reflete sobre as pedras em seus caminhos
você já está a fazer muita arte.

nadia gal stabile - 28 08 2014



*fonte da foto em branco e preto da ex arena da Pinacoteca do Estado de SP:
"Museus - Pinacoteca do Estado - São Paulo" - edição FUNARTE, Rio de Janeiro - 1982

http://sarauxyz.blogspot.com.br/2014/08/a-pedra-de-drummond-em-varias-linguas.html

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A ROSA DO POVO - DRUMMOND

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/carlos-drumond/poesias-e-poemas.php

 http://vestibular.uol.com.br/resumos-de-livros/a-rosa-do-povo.htm


Além da terra,além do céu

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.


Poema do jornal

O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.

 

Áporo

Um inseto cava
cava sem alarme
perfurando a terra
sem achar escape.
Que fazer, exausto,
em país bloqueado,
enlace de noite
raiz e minério?
Eis que o labirinto
(oh razão, mistério)
presto se desata:em verde, sozinha,
antieuclidiana,
uma orquídea forma-se


domingo, 12 de junho de 2011

AOS NAMORADOS DO BRASIL - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


Aos Namorados do Brasil
Carlos Drummond de Andrade


Dai-me, Senhor, assistência técnica
para eu falar aos namorados do Brasil.
Será que namorado algum escuta alguém?
Adianta falar a namorados?
E será que tenho coisas a dizer-lhes
que eles não saibam, eles que transformam
a sabedoria universal em divino esquecimento?
Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa,
quando perdem os olhos
para toda paisagem ,
perdem os ouvidos
para toda melodia
e só vêem, só escutam
melodia e paisagem de sua própria fabricação?

Cegos, surdos, mudos - felizes! - são os namorados
enquanto namorados. Antes, depois
são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia.
Mas quem foi namorado sabe que outra vez
voltará à sublime invalidez
que é signo de perfeição interior.
Namorado é o ser fora do tempo,
fora de obrigação e CPF,
ISS, IFP, PASEP,INPS.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Especulações em torno da palavra homem - Carlos Drummond de Andrade

Mas que coisa é homem,
que há sob o nome:
uma geografia?

um ser metafísico?
uma fábula sem
signo ou desmonte?

Como pode o homem
sentir-se a si mesmo,
quando o mundo some?

Como vai o homem
junto de outro homem,
sem perder o nome?

E não perder o nome
e o sal que ele come
nada lhe acrescenta

nem lhe subtrai
da doação da pai?
Como se faz um homem ?

Apenas deitar,
copular, à espera
de que do abdômem

brote a flor do homem?
Como se faz
a si mesmo, antes

de fazer o homem?
Fabricar o pai
e o pai e outro pai

e um pai mais remoto
que o primeiro homem ?
Quanto vale o homem?

Menos, mais que o peso?
Hoje mais que ontem?
Vale menos, velho?

Vale menos, morto?
Menos um que outro,
se o valor do homem

é medida de homem?
Como morre o homem,
como começa a?

Sua morte é fome
que a si mesma come?
Morre a cada passo?

Quando dorme, morre?
Quando morre, morre?
A morte do homem

consemelha a goma
que ele masca, ponche
que ele sorve, sono

que ele brinca, incerto
de estar perto, longe?
Morre, sonha o homem?

Por que morre o homem?
Campeia outra forma
de existir sem vida?

Fareja outra vida
não já repetida,
em doido horizonte?

Indaga outro homem?
Por que morte e homem
andam de mãos dadas

e são tão engraçadas
as horas do homem?
mas que coisa é homem?

Tem medo de morte,
mata-se sem medo?
Ou medo é que o mata

com punhal de prata,
laço de gravata,
pulo sobre a ponte?

Por que vive o homem?
Quem o força a isso,
prisioneiro insonte?

Como vive o homem,
se é certo que vive?
Que oculta na fronte?

E por que não conta
seu todo segredo
mesmo em tom esconso?

Por que mente o homem?
mente mente mente
desesperadamente?

Por que não se cala,
se a mentira fala,
em tudo que sente?

Por que chora o homem?
Que choro compensa
o mal de ser homem?

Mas que dor é homem?
Homem como pode
descobrir que dói?

Há alma no homem?
E quem pôs na alma
algo que a destrói?

Como sabe o homem
o que é sua alma
e o que é alma anônima?

Para que serve o homem?
para estrumar flores,
para tecer contos?

Para servir o homem?
Para criar Deus?
Sabe Deus do homem?

E sabe o demônio?
Como quer o homem
ser destino, fonte?

Que milagre é o homem?
Que sonho, que sombra?
Mas existe o homem?

domingo, 13 de dezembro de 2009

CELSO LUNGARETTI PREOCUPADO COM EXPATRIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS, ZARATUSTRA COM A INCLUSÃO DE DEFICIENTES E TODOS NÓS COM OS DESNÍVEIS DE NOSSA SOCIEDADE.


DOMINGO, NO SARAU PARA TODOS, ESPAÇO DE REFLEXÃO...
CONHEÇA A BLOGOSFERA DO PORTAL NJR/ECA/USP-
BLOGS DE MÃOS DADAS
www.eca.usp.br/njr

Mãos Dadas
Carlos Drummond de Andrade
Composição: Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DRUMMOND,EIS A DIFERENÇA, ÚNICO:" VIDA FUTURA, NÓS TE CRIAREMOS"...GLÓRIA KREINZ

DEPOIS DE UM APAGÃO IMENSO,EM TODOS OS SENTIDOS, NADA COMO O ÉTICO CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, PARA MOSTRAR CAMINHOS...LEMBRANDO SEMPRE QUE MORREU POR AMOR, NO MESMO MÊS, DIAS DEPOIS DA MORTE DE SUA FILHA, MARIA JULIETA DRUMMOND DE ANDRADE...NÃO NEGOU PELO QUE VIVEU...COMPLETO E INTEIRO ATÉ O FIM...O AMOR NORTEOU SUA POESIA E SEUS ATOS...VERDADE SEMPRE...LUZ NA ESCURIDÃO...



O RESTO É SILÊNCIO...TINHA RAZÃO SHAKESPEARE...

Mundo Grande
Carlos Drummond de Andrade


Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.

Carlos Drummond Andrade

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

BLOGOSFERA,DRUMMOND, MARCELO ROQUE, E UM TOQUE SUTIL


"espero-te,
ainda que nunca me ouças chamar,
e ainda que nunca tenhas partido"
Marcelo Roque

CONFORME DISSE EM TEXTO SOBRE O POEMA "VERDADE" DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, O GRANDE PROBLEMA DA BLOGOSFERA É O DA COMUNICAÇÃO DO SÉCULO 21.TEM QUE SER ÚNICA NO QUE COMUNICA, NO MEIO DO BURBURINHO QUE SE ALASTRA, PARA NÃO SE TORNAR RUÍDO...SÓ ASSIM A INTERVENÇÃO ADQUIRE UMA IDENTIDADE NO MEIO DA MULTIDÃO DE CLONES. EVITA A REPETIÇÃO QUE ALERTAVA JEAN BAUDRILLARD...

PORÉM ISTO É PARA AQUELES QUE SÃO AUTÊNTICOS, E A DIFERENÇA, MESMO NA BLOGOSFERA, SE IMPÕE E REALÇA A DIFERENÇA,COMO O POEMA DE DRUMMOND CITADO NA POSTAGEM ABAIXO.
MAS TEMOS QUE FAZER JUSTIÇA. HÁ OUTROS POEMAS BRILHANTES E MARCELO ROQUE NOS DEU UM BELO EXEMPLO NO POEMA "ESPERO-TE", QUANDO FALOU DO SILÊNCIO DE QUEM ESPERA, AMANDO...

É TALVEZ A MAIS DIFÍCIL CONDIÇÃO NO ATO DE AMAR...DECLARAR E VIVER O AMOR É FÁCIL...GUARDÁ-LO EM SEU SILÊNCIO TORNA O MOMENTO UNIVERSAL, DIGNO DOS GRANDES AUTORES QUE JÁ FALARAM DO TEMA. AINDA MAIS NA BLOGOSFERA.

VALE A PENA PENSAR SOBRE O POEMA E COMPARÁ-LO COM "VERDADE" DA POSTAGEM ABAIXO.DOIS GRANDES MOMENTOS TEXTUAIS DA COMUNICAÇÃO NA BLOGOFESRA. E SÓ PRECISOU DE PALAVRAS, POETAS, E A MAGIA DO LUGAR "ENTRE" FULGURANDO ENTRE AS LETRAS...PROVA DE QUE A BLOGOSFERA E O TEXTO ESCRITO CONVIVEM EM PLENITUDE QUANDO SÃO BONS.QUALQUER TOQUE MENOS SUTIL PODE ATRAPALHAR...HEIDEGGER JÁ SABIA DISSO...

GLÓRIA KREINZ.

ESPERO-TE
Amo-te em cada beijo que não te dou,
em cada olhar que perco por sobre as nuvens,
e em cada verso que me escapa por entre os dedos
Amo-te nos gritos do meu silêncio,
nas noites que não têm fim,
e em cada lágrima que teima em não cair
Amo-te nas lembranças que já nem me lembro,
nas cinzas de todas as horas,
e nas dores que irei sentir
Amo-te assim feito um louco,
e feito louco,
busco-te ferozmente em cada palavra,
em cada objeto,
em cada mísero grão de tempo
Amo-te, e por amar-te tanto,
espero-te,
ainda que nunca me ouças chamar,
e ainda que nunca tenhas partido
Marcelo Roque

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

POEMA DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE PARA O JORNALISTA E ADVOGADO NICODEMO SPOSATO NETO QUE FALECEU SUBITAMENTE, AGORA, DE ATAQUE CARDÍACO.NJR/ECA/USP



Nicodemo Sposato Neto e Crodowaldo Pavan-NJR/ECA/USP

MAS AS COISAS FINDAS, MUITO MAIS QUE LINDAS, ESSAS FICARÃO
Carlos Drummond de Andrade

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


COM AMOR NICODEMO...GLÓRIA KREINZ...A GENTE SE ENCONTRA...PAVAN, ELE CHEGOU...BEIJOS...

sábado, 10 de outubro de 2009

2016 E A RETIRADA DAS FAVELAS DO RIO DE JANEIRO: GLÓRIA KREINZ LEMBRA CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

As Cidades Mal-Amadas


"À memória de Alceu Amoroso Lima,
que me convidou a olhar para as favelas
do Rio de Janeiro."

Quem sou eu para te cantar, favela,
que cantas em mim e para ninguém a noite inteira de sexta
e a noite inteira de sábado
e nos desconheces, como igualmente não te conhecemos?

Sei apenas do teu mau cheiro: baixou a mim, na vibração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte... melhor, tua vida.

Decoro teus nomes. Eles
jorram na enxurrada entre detritos
da grande chuva de janeiro de 1966
em noites e dias e pesadelos consecutivos.

Sinto, de lembrar, essas feridas descascadas na perna esquerda
chamadas Portão Vermelho, Tucano, Morro do Nheco,
Sacopã, Cabritos, Guararapes, Barreira do Vasco,
Catacumba catacumbal tonitruante no passado,
e vem logo Urubus e vem logo Esqueleto,
Tabajaras estronda tambores de guerra,
Cantagalo e Pavão soberbos na miséria,
a suculenta Mangueira escorrendo caldo de samba,
Sacramento... Acorda, Caracol. Atenção, Pretos Forros!

O mundo pode acabar esta noite, não como nas Escrituras se estatui.
Vai desabar, grampiola por grampiola,
trapizonga por trapizonga,
tamanco, violão, trempe, carteira profissional, essas drogas todas,
esses tesouros teus, altas alfaias.
Vai desabar, vai desabar
o teto de zinco marchetado de estrelas naturais
e todos, ó ainda inocentes, ó marginais estabelecidos, morrereis
pela ira de Deus, mal governada.

Padecemos este pânico, mas
o que se passa no morro é um passar diferente,
dor própria, código fechado: Não se meta,
paisano dos baixos da Zona Sul.
Tua dignidade é teu isolamento por cima da gente.
Não sei subir teus caminhos de rato, de cobra e baseado,
tuas perambeiras, templos de Mamalapunam
em suspensão carioca.

Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,
medo só de te sentir, encravada
favela, erisipela, mal-do-monte
na coxa flava do Rio de Janeiro.

Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver
Nem de tua manha nem de teu olhar.
Medo de que sintas como sou culpado
e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.

Custa ser irmão,
custa abandonar nossos privilégios
e traçar a planta
da justa igualdade.

Somos desiguais
e queremos ser
sempre desiguais.
E queremos ser
bonzinhos benévolos
comedidamente
sociologicamente
mui bem comportados.

Mas favela, ciao,
que este nosso papo
está ficando tão desagradável.
Vês que perdi o tom e a empáfia do começo?"



("Favelário Nacional" de Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE NO POEMA/REPENTE QUE DIZ MUNDO,MUNDO, VASTO MUNDO, SE EU ME CHAMASSE RAIMUNDO : GLORIA KREINZ DIVULGA

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

UM CERTO JOSÉ ...

Peço aqui, licença poética ao grande Drummond,
pois, também quero indagar, um certo José ...




José ...
E agora, José ?
A pose acabou,
o tom apagou,
o voto sumiu,
a cadeira esfriou,
e agora, José ?
E agora, você ?
você que é sem terno,
que foge dos outros,
você que desfaz versos,
que cala, contesta,
e agora, José ?

Está sem ninguém,
esta sem recurso,
esta sem caminho,
já não pode correr,
já não pode parar,
mentir já não pode,
a cadeira esfriou,
o gozo não veio,
o clima não veio,
o tipo não veio,
não veio a folia,
e tudo acabou,
e tudo ruiu,
e tudo gelou,
e agora, José ?

E agora, José ?
sua doce falácia,
seu instante de plebe,
sua turra e vudu
sua brinquedoteca,
sua fava de ouro,
seu terço de vidro,
sua prepotência,
seu dólar - e agora ?

Com o cetro na mão
quer fechar a porta,
não existe cetro ;
quer viver no mar,
mas o mar morreu;
quer ir para o Amapá,
Amapá não há mais,
José, e agora ?

Se você curvasse,
se você tremesse,
se você dançasse
a valsa do adeus,
se você sumisse,
se você embrenhasse,
se você mudasse ...
mas você não muda,
você é tolo, José !

Sozinho e obscuro
qual mato-sem-bicho,
sem ideologia,
sem bancada nua
para se escorar,
sem tapete vermelho
que seja voador,
você marcha, José !
José, para onde ?





Estamos passando por um momento de profunda tristeza política,
onde o nosso Senado, através de seus "excelentíssimos" senadores,
vem nos proporcionando um deprimente e vexatório espetáculo
de abuso de poder, e total desrespeito à sociedade ...
Sabemos que "José Sarney", não é o grande malfeitor nesta estória;
sua saída, não seria suficiente para colocar ordem na casa, porém,
é evidente que sua permanência, se tornou moralmente insustentável
Agora, uma coisa é fato, o Senado é apenas um reflexo do que acontece na política brasileira como um todo ...
E esta postura passiva de nossa sociedade diante dos mandos e desmandos daqueles que, deveriam nos representar, sem dúvida, é
a pilastra que sustenta toda esta "politicagem" no mais fiel estilo
coronelista dos velhos tempos ...
Que o nosso povo não têm um histórico de participação em relação aos
assuntos políticos de nosso país, já sabemos; Que fomos doutrinados,
desde os tempos do Império, a dar viva ao rei,(seja ele quem fosse) e
colocar em suas mãos, o destino de nossa terra, nossos filhos e nossos
sonhos; também já sabemos; e é justamente por saber disto tudo, que
devemos dar um basta ! Um basta a este "paternalismo" que nos
mantêm aprisionados à um regime praticamente feudal ... Onde mesmo sem percebermos, acabamos dando "vivas" a tantos "Josés", Renans, Collors, e ACMS da vida !
E diante disto tudo, eu volto a perguntar :
E agora, você ?
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