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domingo, 27 de março de 2016

CRISTO É FAVELADO - A ÚLTIMA CEIA E PASOLINI

Trailer: O Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini (Blu-ray)1964


https://www.youtube.com/watch?v=ku8anKRF838




https://pt.wikipedia.org/wiki/Pier_Paolo_Pasolini


https://www.oximity.com/article/Cristo-%C3%A9-favelado-1?utm_campaign=it&utm_source=it-5-folDig&utm_medium=email

Cristo é favelado







2.063.749 Visulizações do Artigo

por NINJA
No meio das vielas da Rocinha, um homem com um manto vermelho rodeado de jovens negros, mulheres e soldados atravessa a favela sob comoção.
Foto: Mídia NINJA
A Via Sacra da Rocinha é uma ópera popular, com coros e choros em torno de um Cristo muito além do cristianismo e da Igreja. Esse Cristo popular e político, como o de Pasolini, fascina gerações. No meio do caminho as mulheres da favela se manifestam pelos seus filhos mortos pela polícia, as caras e rostos são da comunidade, são atores sociais na favela em que Amarildo foi assassinado e torturado pela polícia pacificadora das UPPs. A Igreja já foi de libertação! O espetáculo é político e laico. A história não é ruim não!

Foto: Mídia NINJA

O Evangelho Segundo São Mateus (1964), de Pier Paolo Pasolini, é um dos filmes mais lindos da história do cinema, com um cristo revolucionário, jovem, que desestabiliza os poderes e produz desejos não fascistas.

Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA
Foto: Mídia NINJA

INÍCIO 


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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

III MARCHA INTERNACIONAL CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO - SALVADOR - BAHIA - 24 DE AGOSTO DE 2015

III MARCHA INTERNACIONAL CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO - SALVADOR - BAHIA - 
24 DE AGOSTO DE 2015
http://reajanasruas.blogspot.com.br/

https://www.facebook.com/ReajaOuSeraMortoReajaOuSeraMorta


Em 5 de setembro, Criolo fará 40 anos. 1975, nesta época, ou bem antes, ouvíamos falar de...e testemunhávamos enormes injustiças sociais em relação aos negros, não só aqui, mas em outras partes do mundo. O que fazer se este mundo é nazi fascista? O que fazer? e o pior... é que a maioria ainda não se tocou disto e continua fazendo o jogo do inimigo... e se considerando cidadão ou gente!
Nos anos 80 lembro bem de amigos negros que diziam não poder passar no centro da maior cidade do Brasil, São Paulo, após 10 da noite. Se lá passassem certamente seriam parados e revistados por policiais como se fossem bandidos... na época eu só podia me solidarizar, hoje tomo partido aqui no blog destas crueis injustiças, destes crimes absurdos contra os direitos humanos, destas mortes e crimes "invisíveis", "invisiveis" pra maioria do povo e para os que "governam" e se fazem de cegos e ainda cooperam para manter toda esta vergonha!

Nadia Gal Stabile - 07 08 2015

http://www.cartacapital.com.br/cultura/criolo-desde-que-me-entendo-por-gente-vao-pra-favela-assassinar-jovens-1875.html


Polícias Militares invadem com fuzil na mão o lançamento do Comitê da III Marcha contra do genocídio do povo negro em Cachoeira/ BA


http://www.geledes.org.br/policias-militares-invadem-com-fuzil-na-mao-o-lancamento-do-comite-da-iii-marcha-contra-do-genocidio-do-povo-negro-em-cachoeira-ba/#gs.3110961579ab4172bccf0a7ec2e90f2b


*vídeo via portal Geledés

Polícia Militar invade e intimida atividade comunitária EM Cachoeira-BA 

https://www.youtube.com/watch?v=3XbzXCFCneo



*PDF do Relatório da Anistia Internacional : 
"Você Matou Meu Filho"
https://anistia.org.br/wp-content/uploads/2015/07/Voce-matou-meu-filho_Anistia-Internacional-2015.pdf

segunda-feira, 7 de junho de 2010

XEQUE A OBAMA

Em tempos de Copa do Mundo, o resultado do último confronto entre Israel e pacifistas foi uma goleada. O estado judeu atacou de forma destrambelhada a flotilha de ajuda humanitária a Gaza e ficou com a defesa tão exposta que os adversários marcaram gols à vontade.

O mundo inteiro já chegou a conclusões definitivas:
  • Israel cometeu óbvios crimes ao abordar o comboio em águas internacionais, ao assassinar pelo menos nove estrangeiros no curso de uma ação ilegal, ao agredir vários outros, ao sequestrar os sobreviventes, ao mantê-los presos por alguns dias e ao despachá-los para onde não optaram por ir;
  • o bloqueio do Gueto de Gaza (em tudo e por tudo semelhante ao Gueto de Varsóvia...) é criminoso e aberrante, devendo ser levantado o quanto antes.
A alegação de que os assassinos israelenses estariam exercendo legítima defesa, ao encherem de balas vítimas que não portavam armas de fogo, é risível.

Nem que a flotilha tivesse invadido seu território faria sentido, pois o emprego desmedido de força salta aos olhos.

Em alto mar, então, nem há o que discutir. Os coitados tinham todo direito de reagir ao ataque de piratas; e estes, nenhum de acrescentar uma atrocidade a uma ilegalidade.

Houve quem levantasse uma questão cabível: o que Israel fez foi uma ação pirata ou um ato de guerra?

Como a embarcação atacada tinha bandeira turca, formalmente o segundo enquadramento é o mais correto.

Mas, como se tratava de uma missão humanitária internacional, a agressão de Israel se deu contra o mundo civilizado como um todo, e não especificamente contra a Turquia. Considero que andou certo o governo turco ao não levar o episódio às últimas consequências, declarando guerra a Israel, como poderia ter feito.

Agora, o estado judeu, também de forma risível, nega-se a aceitar a participação de outras nações ou organismos na investigação do episódio.

Pretende fazê-la sozinho, com o propósito de acobertamento, claro. A Turquia está certíssima em interpretar tal atitude como uma admissão de culpa.

Pelos mesmos motivos expostos acima, o país formalmente agredido tem todo direito formal de liderar as investigações. O pleito da Turquia procede.

Mas, como o ataque se deu em águas internacionais e a vítima foi uma missão humanitária integrada por cidadãos de vários países, a investigação deveria competir mesmo é à ONU.

Continua valendo o que eu afirmei na semana passada:
"Respaldado no poder econômico e de mídia de judeus do mundo inteiro, Israel aplica, há décadas, a lei do mais forte.

"A ONU terá de agir da mesma maneira, se quiser ser respeitada: fazendo valer a força maior de que teoricamente dispõe.

"Para começar, exigindo o imediato levantamento do bloqueio israelense a Gaza.

"Depois, impondo a rigorosa apuração desse episódio de pirataria em alto mar, seguida da não menos rigorosa punição dos responsáveis."
Não tenho dúvidas de que um relatório elaborado pela ONU condenará Israel de forma tão enfática quanto o fez o de Richard Goldstone, sobre o genocídio praticado contra os palestinos de Gaza na virada de 2008 para 2009.

Nem de que será aprovado, como sempre, por esmagadora maioria.

Mas, produzir efeitos concretos é outra história.

Como assinalou o colunista Jânio de Freitas, em dia inspirado (A cara e a alma):
"Se há mais de quatro décadas nenhuma das tantas e diferentes tentativas de pacificação da área prosperou, (...) é bastante lógico que o fundamento do problema esteja em um fator influente sobre toda a área ou sobre partes decisivas dela.

"Tal fator existe. Tem cara e tem alma. Sua cara é o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, uma cara cínica, apta a adotar ares de seriedade e de cumprimento compungido do dever, quando põe em prática os atos mais abjetos. Sua alma é de testa de ferro, de guarda-costas matador, de agente duplo, de traficante.

"Tais características do Conselho de Segurança ativam-se a cada vez que um dos seus cinco integrantes permanentes [EUA, Rússia, França, Inglaterra e China] invoca o direito de veto a uma resolução proposta por um dos 15 membros...

"(...) Dominante, há mais de 40 anos a direita belicista de Israel não precisa pensar em conter suas ambições territoriais e de dominação; nem em possíveis fórmulas de convívios sem beligerância na região, respeito aos acordos internacionais sobre práticas toleradas e crimes de guerra, violações de direitos, respeito a fronteiras e a águas internacionais.

"Israel é uma população dividida em relação ao que o país faz, mas é um país de mãos livres para fazer o que quiser. E faz, implícita e explicitamente autorizado pela assegurada cobertura da maior potência mundial".
Então, em última análise, é Barack Obama quem decidirá se Israel vai ou não continuar cometendo impunemente as piores truculências.

Obama terá de optar entre suas conveniências políticas domésticas, num país em que o apoio dos judeus ricos e da mídia que eles controlam decide eleições, e o respeito à Justiça e ao Direito nas relações internacionais. Nem mais, nem menos.

Temo que ainda não seja desta vez que os EUA dirão: "Sim, nós podemos... ser justos".

sábado, 5 de junho de 2010

A TRAGÉDIA DO ORIENTE MÉDIO (para reler e refletir)

Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilãos-vítimas.

Ou, simplificando mais ainda, a acreditarmos que quem causa sofrimento às vítimas são os bandidos e quem as defende, os mocinhos.

No fundo, trata-se do velho e obtuso maniqueísmo, a que os pensadores marxistas contrapuseram a dialética: Bem e Mal não existem como instâncias metafísicas que, desde os píncaros do paraíso celestial ou das profundezas do inferno, teleguiam a práxis humana, mas sim como resultado das decisões e ações adotadas pelos homens em cada situação.
No primeiro caso, alguns encarnam o Bem absoluto e o Mal absoluto, sem nuances: os mocinhos são sempre mocinhos e os bandidos, eternamente bandidos.

Na análise marxista, os papéis vão sendo assumidos a cada instante, de forma que o mocinho de ontem poderá ser o bandido de hoje, e vice-versa.

A esquerda mundial até hoje não se recuperou do pesadelo stalinista, que, como Isaac Deutscher bem assinalou, foi um amálgama do pensamento sofisticado dos revolucionários europeus com a religiosidade primitiva da Santa Mãe Rússia.

E a História, infelizmente, favoreceu essa perda de densidade crítica por parte da esquerda. O nazifascismo parecia mesmo encarnar o Mal absoluto, colocando os que o combatiam na condição de cruzados do Bem absoluto.

Veio a guerra fria e a estreiteza de visão se consolidou definitivamente, de ambos os lados. A política mundial se tornou um mero western daqueles tempos em que os mocinhos se vestiam sempre de branco e os bandidos só usavam trajes negros.

Então, desde a década de 1950, quando os EUA se colocaram como protetores de Israel e os soviéticos se compuseram com o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, ficou estabelecido que a única forma progressista de encararmos os conflitos do Oriente Médio é beatificando os árabes e satanizando os judeus.

A questão no Oriente Médio é muito mais complexa.

Em primeiro lugar, temos um povo (o judeu) milenarmente perseguido, não só devido à maldade intrínseca dos poderosos de todos os tempos, mas também a uma certa vocação para o martírio: nunca quis misturar-se aos outros povos e conviver harmoniosamente com eles, fazendo, pelo contrário, questão de preservar sua identidade cultural/religiosa e de ostentá-la aos olhos de todos.

Então, mais do que a outros povos, fazia-lhe imensa falta um território próprio. Constituindo uma colônia minoritária em outros países e segregando-se rigidamente dos naturais desses países, neles despertava previsível hostilidade.

Ademais, os judeus eram invejados pelos gênios da cultura e da ciência que produziam (Marx, Freud, Einstein e tantos outros) e por seu êxito nas finanças, além de despertarem a hostilidade dos governos pela participação marcante que tinham em movimentos libertários/revolucionários.

É sintomático, aliás, que a esquerda hoje esqueça ou omita a importantíssima contribuição do Bund (União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polônia e Rússia) para a gestação do movimento revolucionário russo, no início do século passado.

HOLOCAUSTO – Ao buscar um inimigo comum contra o qual unir a nação alemã, Hitler não precisou pensar muito: os judeus eram a opção óbvia.

Finda a II Guerra Mundial, a indignação que o Holocausto provocou na consciência civilizada fez com que a idéia do lar judaico passasse a ser vista com simpatia generalizada.

Foi quando os judeus cometeram seu maior erro de todos os tempos: aceitando a liderança espúria de fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários, implantaram seu estado nacional numa região em que se chocariam necessariamente com outros fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários.

A Inglaterra, império decadente, bem que tentou impedir, em vão. E as pombas desnorteadas, judeus imbuídos dos melhores ideais, acabaram aderindo em massa ao projeto sinistro dos falcões.

Então, uma das experiências socialistas mais avançadas que a humanidade conheceu, a dos kibutzim (comunidades coletivas voluntárias israelenses), acabou sendo tentada num país que logo viraria bunker – e, melancolicamente, foi definhando, até quase nada diferir hoje em dia das cooperativas dos países capitalistas.

As nações árabes só não exterminaram até agora o estado judeu porque jamais o enfrentaram juntas e disciplinadas, sob um verdadeiro comando militar. Mesmo quando vários exércitos combateram Israel, atuaram praticamente como unidades independentes, em função das querelas e disputas de poder entre os reis, sheiks, sultões, califas, emires, etc., de países cuja organização política e social ainda é feudal.

Os israelenses, por enquanto, têm compensado sua inferioridade numérica com a superioridade de seus quadros e equipamentos militares, bem como com a repulsiva prática de promover massacres intimidatórios, reagindo de forma desproporcional e freqüentemente genocida aos ataques que sofre.

Os movimentos fundamentalistas/terroristas árabes agem como provocadores: sabem que jamais conseguirão enfrentar de igual para igual Israel, mas atraem retaliações contra seus povos, na esperança de que isto acabe trazendo as nações para o campo de batalha. Querem ser o estopim de uma guerra santa e não hesitam em sacrificar os seus em nome dos desígnios de Alá.

Os governantes feudais árabes, entretanto, têm mais medo de serem desalojados dos seus tronos do que ódio por Israel. Sabem que o despertar das massas contra o inimigo nacional pode derivar para levantes revolucionários em seus países. Preferem preservar o status quo, ao preço de fecharem os olhos a atrocidades como as cometidas contra os palestinos em Gaza.

Não se trata de nenhum filme de mocinho-e-bandido, pois só há vilãos entre os atores políticos; ninguém que mereça nossa simpatia e apoio.

Quanto às vítimas, estas sim são indiscutíveis: os civis que, nas últimas seis décadas, têm sido abatidos como moscas, devido à cegueira e (sejamos francos) imoralidade monstruosa desses atores políticos.

No fundo, a solução sensata seria o estabelecimento dos judeus noutro território qualquer – quantos países paupérrimos não lhes cederiam terras e autonomia administrativa, em troca de recursos e cooperação para seu desenvolvimento?

Mas não é a sensatez que rege o mundo e sim, como Edgar Allan Poe destacou, o horror e a fatalidade.

Então, os Hamas da vida continuarão ensejando carnificinas e os israelenses seguirão massacrando os vizinhos, trucidando seus velhos, mulheres e crianças, até que surja um novo Lawrence da Arábia e consiga levar à vitória a guerra santa sonhada pelos fundamentalistas/terroristas árabes.

O que temos no Oriente Médio é uma tragédia: os acontecimentos marcham insensivelmente para o pior desfecho e nada podemos fazer, exceto atenuar, tanto quanto possível, os banhos de sangue.
ESCREVI ESTE ARTIGO EM JANEIRO DE 2009, NA ESTEIRA DOS MASSACRES QUE ISRAEL PERPETRARA NA FAIXA DE GAZA.

PERMANECE, INFELIZMENTE, ATUALÍSSIMO.

OS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS NOS REVELAM, P. EX., QUE O BLOQUEIO DE GAZA SÓ FUNCIONOU PORQUE O EGITO COLABOROU COM ISRAEL NESSE INTENTO DESUMANO.

AGORA, FINALMENTE, SE DISPÔS A REVER SUA POSIÇÃO DE CONSIDERAR O HAMAS PIOR INIMIGO AINDA DO QUE O ESTADO JUDEU.

QUANTO A ISRAEL, FICAMOS SABENDO QUE SE TORNA, CADA VEZ MAIS, UM MONSTRO DE FRANKENSTEIN: AS ILUSÕES DE OUTRORA VÃO CEDENDO LUGAR À DURA REALIDADE DE QUE OS JUDEUS SOFISTICADOS NÃO QUEREM NELE RESIDIR, DAÍ O CRESCENTE AFLUXO DE JUDEUS MAIS PRIMITIVOS (E, PORTANTO, IMPIEDOSOS) PARA QUEM COMPENSA TROCAR A POBREZA NA QUAL VIVIAM PELOS RISCOS DE SE ESTABELECEREM NUMA ZONA DE CONFLITO.

ESSES NOVOS CONTINGENTES SÃO PREDOMINANTEMENTE DE FANÁTICOS RELIGIOSOS -- E, COMO TAIS, TENDENTES A APOIAR QUAISQUER SOLUÇÕES DE FORÇA CONTRA OS PALESTINOS.

ELES AUMENTAM MÊS A MÊS SUA ASCENDÊNCIA NA POLÍTICA E NO EXÉRCITO ISRAELENSES. E QUEREM MESMO QUE SURJAM CONFRONTOS COMO O ATUAL, PARA FECHAREM TODAS AS PORTAS AO DIÁLOGO CIVILIZADO, CONSOLIDANDO A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO USURPADO AOS PALESTINOS.

DAÍ A HIPÓTESE, COGITADA POR ALGUNS ANALISTAS, DE QUE O MASSACRE DA FLOTILHA DE AJUDA HUMANITÁRIA EM ÁGUAS INTERNACIONAIS NÃO TENHA SIDO UM FESTIVAL DE ERROS E ABUSOS, MAS SIM UMA PROVOCAÇÃO DELIBERADA, URDIDA PELOS FALCÕES ISRAELENSES PARA AFASTAREM AINDA MAIS QUALQUER POSSIBILIDADE DE SOLUÇÃO NEGOCIADA.

IDEM O RECENTE ANÚNCIO DE NOVAS OCUPAÇÕES NO EXATO INSTANTE EM QUE OS ESTADOS UNIDOS EMPENHAVAM-SE EM BUSCAR UM ACORDO, O QUAL IMPLICARIA, PELO CONTRÁRIO, DEVOLUÇÃO DE TERRA AOS PALESTINOS.

MANTENHO MINHA ANÁLISE: O QUE ESTAMOS VENDO SÃO EVOLUÇÕES NO SENTIDO DE UMA ENORME TRAGÉDIA QUE NINGUÉM ESTÁ CONSEGUINDO EVITAR.

OS JUDEUS SÓ CONSEGUIRÃO PERMANECER EM ISRAEL SE CHEGAREM A ALGUMA FORMA DE ENTENDIMENTO COM OS LEGÍTIMOS PROPRIETÁRIOS DAQUELAS TERRAS.

NO LONGO PRAZO, A ALTERNATIVA PARA ELES É: COEXISTÊNCIA PACÍFICA OU EXPULSÃO (EVENTUALMENTE EXTERMÍNIO).

MAS, APROFUNDANDO SUA INTRANSIGÊNCIA, CONTRIBUEM INSENSIVELMENTE PARA ESSE DESFECHO.

MAIS DIA, MENOS DIA, OS POVOS ÁRABES SE UNIRÃO E VÃO ALCANÇAR A VITÓRIA. SE OS JUDEUS NÃO RECUAREM DE SUA LOUCURA BELICISTA, ACABARÃO COLHENDO O QUE ESTÃO PLANTANDO.

NO ENTANTO, NÃO VEJO MOTIVO NENHUM PARA NOS REGOZIJARMOS COM BANHOS DE SANGUE.

FICO ENOJADO AO VER CIDADÃOS ANTEGOZANDO DESDE JÁ O DIA EM QUE TAL "CANCRO" SERÁ "EXTIRPADO". QUEM GOSTA TANTO ASSIM DE VER PESSOAS MORRENDO, POR QUE NÃO VAI MATÁ-LAS PESSOALMENTE?

CONTINUAREI LAMENTANDO QUE SEJAM O HORROR E A FATALIDADE A REGEREM OS DESTINOS DO MUNDO, ENQUANTO O CAPITALISMO, JÁ PUTREFATO E CADA VEZ MAIS DESTRUTIVO EM SEUS ESTERTORES, NÃO CEDER FINALMENTE LUGAR À COOPERAÇÃO E SOLIDARIEDADE ENTRE OS HOMENS.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

DANDO NOME AOS BOIS: O QUE HOUVE FOI 'PIRATARIA' E 'SEQUESTRO'

O número de visitantes do meu blogue deu um salto desde o ataque israelense à flotilha de ajuda humanitária a Gaza.

Sinal de que há uma demanda por jornalismo de verdade, que a grande imprensa não atende.

É simplesmente repulsiva a forma como está sendo noticiado o episódio.


Quase ninguém diz que se tratou de um ato de PIRATARIA. E foi. Não há outro nome para a agressão de um bando armado a embarcações civis em alto mar.

E o que aconteceu com os ativistas que não foram mortos nem feridos pelo bando armado? Terão sido detidos, como se lê e ouve na mídia?

Não, porque o bando armado não tinha autoridade para deter ninguém, muito menos em águas internacionais.

O que houve não passou de um SEQUESTRO. Nem mais, nem menos. Então, nunca existiram 700 pessoas detidas, o que há são 700 pessoas sequestradas.

Se quem as tivesse sequestrado fosse o governo de Chávez, Castro ou Ahmadinejad, a terminologia da mídia, com certeza, seria rigorosamente exata.

Também é um embuste dá-los, agora, como
deportados, já que não entraram em Israel por vontade própria, mas sim arrastados por sequestradores. Estão sofrendo mais uma violação dos seus direitos, ao não serem simplesmente soltos para ir onde quisessem, mas sim despachados na marra para um país que não escolheram.


Em se tratando de Israel, os jornalistas pisam em ovos e são obrigados a utilizar os mais evasivos eufemismos.


Depois, existe quem esteja perdendo tempo e desperdiçando espaço com análises sobre a ridícula alegação israelense de que seus assassinos teriam exercido o direito de autodefesa. O que não é sério, não devemos levar a sério, caso contrário nos acumpliciaremos com a desinformação.

Se qualquer barco é atacado por piratas no meio do oceano, a tripulação, sim, reage em legítima defesa.

Os piratas, não. Eles estão simplesmente tentando neutralizar as vítimas, para concretizarem seu intento ilegal.

Se, para tanto, as matam, o que fizeram foi cometer homicídio, por motivos vis. Ou seja, um crime dos mais crapulosos.

Não são questões semânticas: a linguagem também pode servir para atenuar o impacto de episódios escabrosos, facilitando sua absorção e progressivo esquecimento.

Os jornalistas que se mancomunam com esses contorcionismos retóricos, entretanto, não estão sendo imparciais, mas sim amorais. Ao contribuírem para a aceitação do inaceitável, fazem uma opção pela carreira, em detrimento da missão.

Lembremos Brecht: "em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar".

Nove seres humanos valorosos deram a vida para que nada parecesse impossível de mudar. O mínimo que podemos fazer é honrar seu sacrifício.

terça-feira, 1 de junho de 2010

XEQUE À ONU

Tanta gente destaca as semelhanças entre a Alemanha nazista e Israel que nem vou me dar ao trabalho de relacionar os pontos comuns. Saltam aos olhos.

Só acrescentarei um, que até agora tem passado despercebido.

A impotência da Liga das Nações em conter Adolf Hitler levou à sua dissolução.

Se a Organização das Nações Unidas, que a sucedeu, continuar sendo incapaz de enquadrar Israel, também não terá razão nenhuma para continuar existindo.

Que seja dissolvida, pois, evitando dispêndios cuja única contrapartida, nas situações agudas, tem sido a produção de retórica inócua.


Pois o que acaba de acontecer, por mais que a propaganda israelense tente embaralhar e maquilar os fatos, não passou de um ataque pirata, em águas internacionais, contra embarcações que cumpriam uma missão humanitária.


Houve pessoas assassinadas e houve pessoas sequestradas;
uma ofensa gravíssima a nações livres e a seus cidadãos.

Isto não pode ser aceito passivamente, de forma nenhuma.


Assim como não poderiam ter ficado sem resposta enérgica os horrores denunciados no Relatório Goldstone.


Assim como não poderia estar sendo permitido que um país com liderança tão insensata e truculenta desenvolva um projeto nuclear sem controle internacional de nenhuma espécie.


Respaldado no poder econômico e de mídia de judeus do mundo inteiro, Israel aplica, há décadas, a lei do mais forte.


A ONU terá de agir da mesma maneira, se quiser ser respeitada: fazendo valer a força maior de que teoricamente dispõe.


Para começar, exigindo o imediato levantamento do bloqueio israelense a Gaza.


Depois, impondo a rigorosa apuração desse episódio de pirataria em alto mar, seguida da não menos rigorosa punição dos responsáveis.


E passando a colocar em mesmíssimo plano, na discussão de sanções contra projetos nucleares clandestinos, os casos do Irã e de Israel.


Ou o que vale para um vale para o outro, ou é melhor deixarmos de palhaçada. Da forma parcial como está equacionando o problema, a ONU perde toda autoridade moral.


Israel colocou a sucessora da Liga das Nações em xeque; cabe-lhe decidir se é mate ou ainda tem fibra para virar o jogo.


Só existe uma certeza: se não sair da posição defensiva, sua derrota será inevitável.


E o mundo virará terra de ninguém, com a prevalência da força sobre a razão, como Israel tudo faz para que aconteça.

terça-feira, 11 de maio de 2010

RESENHA - História e Ficção - Convergências entre política indigenista e movimento indianista - REGINA ABU-JAMRA MACHADO


História e ficção –
Convergências entre política indigenista e movimento
indianista

Resenha de Regina Maria Abu-Jamra Machado*


TREECE, David. Exilados, aliados, rebeldes – 
O movimento indianista, a política
indigenista e o Estado-nação imperial.
São Paulo, Nankin/Edusp, 2008.

Inventando
uma tradição? Este título da primeira
parte da introdução, seguida
imediatamente por dados censitários
brutais, vem lembrar que a população
indígena, de 5 milhões no século XV,
caiu para 100.000 na virada do século
XX, e fornece o primeiro elemento
definidor de um processo destrutivo de
proporções genocidas a contrastar
permanentemente com o perfil do índio
na mitologia integracionista nacional.
Segue-se a análise de conceitos chave
na evolução da política indigenista
desde o império até a “democracia
racial” e o “luso-tropicalismo”, as
ideologias neocolonialistas da “Marcha
para o Oeste” de Getúlio Vargas e seu
contemporâneo integralismo,
geralmente banhando numa noção geral
de “conciliação”, segundo a qual a
assimilação do índio pressupõe
convergência de interesses. Ora, lembra
Treece, o relatório de Darcy Ribeiro
encomendado pela UNESCO, Os índios
e a civilização, “virou de ponta-cabeça
as suas expectativas e as de seus
patrocinadores”, expondo como a
mitologia da integração mascarava a
desintegração social e cultural, “o
esfacelamento da identidade coletiva
das comunidades tribais e a dissolução
de indivíduos alienados no anonimato
da sociedade dominante.”
Protagonista onipresente em toda a
gama de expressões artísticas dos
séculos XVIII e XIX, o índio vem a
corporificar ironicamente o mesmo
nacionalismo que o aniquila. Esta ironia
ocupa um lugar central na reflexão
produzida pelos escritores indianistas,
como demonstra a tese de David
Treece, que traz para o centro do debate
acadêmico o fato, jamais bastante
acentuado, de ter sido o indianismo,
além de um movimento artístico, uma
arena de debate sociopolítico. Visto
como o “movimento de nacionalismo
cultural mais coerente antes do
Modernismo”, obra de escritores
notáveis, patrocinados pelo Imperador
D Pedro II, “o indianismo foi uma viga
mestra do projeto imperial de
construção do Estado, o mais
importante objeto de reflexão artística e
política a exercitar a mente de sua elite
intelectual por mais de meio século.”
As sucessivas investigações dos
fenômenos característicos do
movimento indianista continuam pelo
século XX afora, com as abordagens
estruturalistas dos anos 1970 seguidas
por análises cada vez mais abrangentes,
tanto por parte de pesquisadores
brasileiros quanto americanos ou
europeus.
Quanto ao objetivo declarado do estudo,
é tratar o fenômeno indianista “como
um movimento cultural e intelectual em
diálogo consigo mesmo e com as
correntes políticas e ideológicas mais
amplas de seu tempo, e rehistoricizá-lo,
reconhecer nele as múltiplas e
frequentemente contraditórias vozes de
um discurso coletivo como também de
autores individuais a intervirem
conscientemente no processo social.”
A segunda e última parte da Introdução,
“Imagens do Império”, apresenta o
indianismo como uma sequência de
imagens que “serviram para
conceitualizar as formas reais e
possíveis do Estado-nação brasileiro.”
Isso leva à confrontação obrigatória
com o não reconhecimento de que a
condição do índio “era uma questão
política em todo o período, envolvendo
historiadores, estadistas e escritores, em
debate prolongado e, com frequência,
apaixonado”, política e movimento
literário mostrados em permanente
interação.
O capítulo I examina sobretudo os
textos produzidos pelos jesuítas sobre o
índio durante os dois primeiros séculos
de colonização, enquanto fonte
principal da literatura indianista
subsequente: “Os mitos e estereótipos
dos épicos indianistas do século dezoito
e da literatura romântica indianista,
embora revestidos da ideologia
iluminista e liberal, foram, em grande
medida, herdados dessa tradição
jesuítica primeva.”
O capítulo 2 acrescenta uma
interrogação capital já no título:
“Extermínio ou integração?
Independência, conflito civil e política
indigenista depois de Pombal”, para
chegar até a consolidação da
independência durante a primeira
metade do século XIX, examinando a
onda liberal da Regência, com todas as
suas contradições, bem como a primeira
geração de escritores indianistas que,
como já mencionado, tendo-se apoiado
sobretudo nos relatos quinhentistas e
seiscentistas, deixa para escritores como
Bernardo Guimarães a tarefa de retratar
as consequências trágicas da
destribalização tal como se verifica
então. A notável oposição à política de
extermínio determinada por D. João VI
em 1798, levantada por José Bonifácio
logo após a Independência, bem como
sua ação como deputado, é
detalhadamente exposta e analisada,
arrematada por conclusões inhabituais:
primeiro, uma associação entre “a
condição do indígena e a do escravo
negro e suas respectivas relações com o
Estado e a sociedade.” Estabelece-se
uma filiação direta de José Bonifácio a
“seus sucessores mais proeminentes,
como Gonçalves Dias, Joaquim Manuel
de Macedo e José de Alencar”, levando
ao questionamento do “problema” da
escravidão, que viria assim a constituir
“uma questão de ordem implícita do
indianismo oitocentista” Os dois ciclos
de agitações e revoltas populares que
respondem à total ausência de reformas
das estruturas coloniais, são
introduzidos pela pergunta de um
deputado em 1831: “Como há de
marchar o regime novo com as mesmas
molas do regime velho?” E a
constatação: “O caráter dos primeiros
vinte anos de literatura romântica
indianista, de 1835 em diante, encontrase
inequivocamente moldado por esse
clima de conflito, instabilidade e
desintegração federal.”
Uma contribuição que nos parece
importante assinalar é a abrangência da
pesquisa, que traz textos raramente
abordados nas histórias literárias, com
algumas contribuições inéditas de
pesquisadores brasileiros. Mesmo a
análise de escritores relativamente
conhecidos, como Teixeira e Sousa,
nessa perspectiva interdisciplinar, traz
novas e instigantes abordagens, como “a
possibilidade de formular uma série de
comentários que ficariam entre as mais
acerbas denúncias da marginalização
social e racial sob o Império, que a
literatura desse período produziu.” Vida
e obra de Gonçalves Dias, em seguida,
são também revisitadas à luz das
contribuições mais significativas da
bibliografia sobre o autor, em torno da
qual gira a parte mais importante das
reflexões desenvolvidas nesse capítulo.
A política da conciliação é discutida no
capítulo 3, paralelamente à política
indigenista, bem como a ausência da
questão fundamental da escravidão na
literatura desse período, enquanto o
índio é idealizado sob os traços do
“guerreiro tribal como o escravo
voluntário da representante feminina da
ordem colonial”, encarnado no índio
Peri. Essa década, iniciada com a
publicação dos “Últimos cantos” por
Gonçalves Dias, seguida pelo “O
Guarani” de José de Alencar, é vista
também sob o ângulo da aprovação da
Lei de Terras e da lei Eusébio de
Queiroz e suas consequências sobre a
política indigenista. No ano de 1851,
um marco nem sempre lembrado é a
publicação insólita pela liberal revista
Guanabara do “Memorial orgânico” de
Varnhagen, e a polêmica então aberta
pela defesa que faz este de um
implacável uso da força e da retomada
das “bandeiras” coloniais com seus
propósitos de escravização dos índios e
liberação das terras para colonização
por brasileiros e imigrantes.
No capítulo 4 tratar-se-á do período de
1870 a 1888, com a intervenção de
abolicionistas como Joaquim Nabuco,
cuja polêmica com José de Alencar é
examinada de modo a mostrar as
contradições presentes em ambas as
posições em confronto. Os escritores
analisados nesta última fase do império
representam correntes que já se afastam
do idealismo romântico, trazendo à cena
literária o caboclo e uma nova rebeldia
contra uma ordem social ainda uma vez
em crise. Particularmente interessante é
o exame da evolução das posições de
José de Alencar, desiludido das
“conciliações” da década de 1850, como
da nobreza cavalheiresca dos
donatários, que cedem a vez ao
“autoritarismo cru dos barões
latifundiários do nordeste” no “O
sertanejo”, ou de outros barões ou
fazendeiros nos outros romances da
última fase do escritor.
Na conclusão, é globalmente examinado
“O legado indianista”, bem como o
desejo expresso de se acabar com o
indianismo romântico culminando com
a rejeição desse movimento pelos
Modernistas de 1922, paralelamente à
evolução das políticas indianistas
durante o século XX. No último
parágrafo são abordadas as constatações
que se impõem ao final deste século,
com as terríveis consequência dos
sucessivos projetos de integração ainda
e sempre assolando as populações
indígenas do país. O texto se fecha por
uma recapitulação da radical alteridade
das culturas indígenas, com seu
canibalismo visto e revisto pelo
romântico Gonçalves Dias, o único que,
“em seu poema “I-Juca-Pirama”,
compreendeu algo de seu poder como
expressão de uma visão alternativa e
utópica de integração social e autorealização.”
***

DAVID TREECE é Professor do
Departamento de Estudos portugueses e
brasileiros no King’s College de Londres.
Autor de documentários sobre a Amazonia
(anos 80); na Inglaterra. Em 1996, criou o
Centre for the Study of Brazilian Culture
and Society, que se tornou o maior produtor
de trabalhos acadêmicos em Estudos
culturais brasileiros, literatura e história.
Sua atividade acadêmica continua
dinamizando o interesse por assuntos
ligados ao Brasil.

* Regina Maria Abu-Jamra Machado é Doutora pela universidade Paris 3/La Sorbonne Nouvelle -
2007 - literatura brasileira - titulo: Ficção e café no vale do Pariba - Três romances da fazenda
escravagista. Tradutora e pesquisadora em literatura e historia - romantismo, 2° reinado, José de Alencar,
fazendas de café, vale do Paraiba.

FONTE : http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/9589/5487

domingo, 11 de outubro de 2009

A guerra civil brasileira

A marca de 150 mil mortes violentas por ano no Brasil é o maior indicador de que estamos vivendo nada menos do que uma Guerra Civil. Um conflito mal disfarçado, consequência da falta de ação de um Estado que, em cinco séculos de história, nunca funcionou como vetor pacificador, civilizatório. Esta é a análise proposta pelo médico e historiador Luís Mir, autor do livro Guerra Civil – Estado e Trauma, que pinta com cores fortes o quadro da violência no País e atribui à degradação social o mote principal da explosão das situações de risco para o cidadão comum.

Da forma como são apresentados, os números conferem à análise um tom convincente. De todas as mortes registradas por ano, 55 mil são assassinatos. Neste quesito, o Brasil figura destacadamente no ranking mundial: com 3% da população do globo, o país registra 13% de todos os homicídios do mundo. "Nos últimos 20 anos – 1980 a 2000 – foram assassinadas no Brasil 600 mil pessoas. De 1990 a 2000, dois terços: 369.101, dos quais 70% jovens entre 15 e 24 anos. Somos um país genocida com um Estado Pacífico, ou um Estado genocida com uma sociedade pacífica?", questiona o autor na apresentação do livro. Uma pergunta que ele próprio se propõe a responder nas mais de 900 páginas do ensaio.
Ao apresentar suas justificativas para o título, Luís Mir assume uma linguagem especial, quase como de um correspondente de guerra, descrevendo em agudas expressões o número de baixas, as estratégias e os custos desta guerra. Como exemplo da contundência do estilo, Mir descreve a ação policial com termos que desenham uma realidade beligerante: "A grotesca ofensiva policial-militar à criminalidade ambicionada pelo Estado brasileiro ignora a essência desta realidade (per capita baixo) e colabora dramaticamente para a acentuação do ressentimento étnico e a sua violência explosiva. As ofensivas são amorais e obscenas porque impõem soluções de pacificação que vitimam civis inocentes e esteiam infinitamente a violência".
O livro não poupa a ação passiva do Estado, apontado como promotor e responsável pela situação de insegurança que vivemos desde o Descobrimento. Mir destila sua crítica às elites dominantes que ‘controlam o Estado e sempre elegeram a repressão, o uso sistemático da violência como primeira solução para lidar com as desigualdades sociais. A redistribuição de renda – que poderia diminuir o fosso entre ricos e pobres, entre a elite e segregados – nunca foi considerada uma alternativa viável pelos donos do poder", conclui.
Na apresentação das estatísticas, o autor dá a impressão de colocar no mesmo tacho de fervura questões que não podem ser somadas aritmeticamente. Quando fala em 150 mil mortes violentas por ano, Luís Mir soma quase 100 mil vítimas de acidentes de trânsito. Em princípio, vítimas também da violência. Mas a informação colide com o argumento da degradação social como fator desencadeador: as causas e justificativas de um caso e outro são muito diferentes. Nos homicídios, há o peso pessoal-emocional, da eliminação motivada da vida; nos acidentes de trânsito, a irresponsabilidade e soberba podem ser os principais motes, atingindo vítimas sem identidade. Nada que afete profundamente o resultado do ensaio, apenas uma ideia para ser confrontada ao longo da leitura.

(Guerra Civil – Estado e Trauma, de Luís Mir - Geração Editorial, 960 páginas)

FONTE : http://letralegal.blogspot.com/2009/02/guerra-civil-brasileira.html
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