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segunda-feira, 12 de abril de 2010

A lógica da abundância - AUGUSTO DE FRANCO

Tempo estimado de leitura : 4 minutos
Texto publicado originalmente na Escola-de-Redes em 06/02/09


Uma das coisas mais bacanas das redes sociais distribuídas
é a chamada “lógica da abundância”. Dizendo de outra
maneira, de uma perspectiva menos estrutural e mais
processual: se você não produz artificialmente escassez
quando se põe a regular qualquer conflito, produz rede
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(distribuída); do contrário, produz hierarquia
(centralização).
Os problemas que se estabelecem a partir de divergências
de opinião são – em grande parte – introduzidos
artificialmente pelo modo-de-regulação. Por exemplo,
queremos escolher 5 pessoas para uma função qualquer,
mas 10 pessoas estão postulando. Problema? Que nada!
Basta escolher as 10. Quem disse que teriam que ser
apenas 5? Essa determinação está, por acaso, nos “Dez
Mandamentos”? Isso só será um problema se nos
tornarmos escravos dos estatutos e regimentos: sim, em
algum lugar foi definido que teriam que ser 5 pessoas, mas
e daí? Qual o problema de mudar essa definição?
Ah! Mas é muita gente, não cabe na sala, vai dificultar o
processo de decisão... Todas essas são, é óbvio, desculpas
esfarrapadas para produzir artificialmente escassez. Não
cabe na sala? Arrumamos uma sala maior ou fazemos um
rodízio de quem entra e quem fica fora de cada vez. Vai
dificultar o processo de decisão? Criamos duas instâncias e
redefinimos as responsabilidades pelas funções.
O fato é que somente em estruturas hierárquicas essas
coisas são realmente problemas. Porque nessas estruturas
o que está em jogo não é a funcionalidade do organismo
coletivo e sim o poder de mandar nos outros, quer dizer, a
capacidade de exigir obediência ou de comandar e controlar
os semelhantes.
Quanto mais distribuída for uma rede, mais a regulação que
nela se estabelece pode ser pluriarquica. Uma pessoa
propõe uma coisa. Ótimo. Aderirão a essa proposta os que
concordarem com ela. E os que não concordarem? Ora,
bolas, os que não concordarem não devem aderir. E
sempre podem propor outra coisa. Os que concordarem
com essa outra coisa aderirão a ela. E assim por diante.
O papel dos administradores das ferramentas de
netweaving usadas em uma rede não é o de chefes, nem
mesmo o de líderes. Eles devem ser netweavers, não
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coordenadores. Nem sempre um netweaver é a pessoa
mais importante. Tem os hubs. Tem os inovadores. Todos
esses papéis são tão os mais importantes em uma rede do
que o de netweaver.
Muitas vezes os administradores de sites e grupos em uma
plataforma interativa como o Ning não cumprem nem
mesmo o papel de netweavers. São apenas pessoas que
tomaram a iniciativa de abrir um site, formar um grupo,
colocar um tema em discussão em um fórum ou marcar um
evento. Quem deve aderir a essas iniciativas? Quem quiser.
E quem não quiser? Quem achar que não é bem assim, que
poderia ser melhor “um pouquinho”, que o desenho não
está adequado, que a proposta está equivocada etc., pode
sempre dizer isso para as pessoas que tomaram a
iniciativa.
E se não adiantar, se essas pessoas insistirem em manter o
que propuseram? Ora, nesse caso, também não deveria
haver o menor problema. Quem não está totalmente
satisfeito ou confortável com o que foi proposto, pode
propor outra coisa.
Vamos pegar o nosso próprio exemplo, o da Escola-de-
Redes. Aqui nunca se admite a votação como método de
regular majoritariamente qualquer dilema da ação coletiva.
E quando há discordâncias de opiniões, como fazemos?
Ora, não fazemos nada! Por que deveríamos fazer alguma
coisa? Viva a diversidade!
Se você estabelece alguma coisa a partir da votação, cai
numa armadilha centralizadora ou hierarquizante. Produz
“de graça” escassez onde não havia.
Vamos imaginar, por hipótese, que exista alguém que não
esteja muito contente com a maneira como o administrador
de algum grupo ou do próprio site da Escola-de-Redes está
conduzindo a coisa. O que essa pessoa pode fazer, além de
externar sua opinião e colocá-la em debate?
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Ora, no limite, essa pessoa descontente pode abrir uma
nova “rede” no NING (é fácil e gratuito) e chamá-la de
Escola de Redes (acrescentando, por motivos técnicos –
para satisfazer exigências do sistema, se não quiser lançar
mão de outro – um diferencial designativo qualquer, como
‘Escola de Redes 2’, ou Escola de Redes B’). Ela tem toda a
liberdade – e legitimidade – para fazê-lo. Se mantiver os
objetivos (investigação sobre redes sociais) e os requisitos
organizacionais da escola (topologia distribuída), não será
outra coisa, senão a Escola de Redes. E quem vai aderir?
Quem quiser.
A rigor, cada nodo já é uma outra-e-mesma escola. Cada
nodo pode, se assim desejar, abrir seu próprio site no NING
(ou em outra plataforma interativa qualquer) ao invés de
figurar como um grupo aqui.
Considerando, porém, a aceitação geral desta Escola-de-
Redes e o seu nível de atividade (relativamente alto em
vista do pouco tempo de existência), tudo indica que ainda
é melhor ficar por aqui. Um dia, entretanto, pode não ser.
Mas o mundo não vai cair por causa disso.
A Escola de Redes não é uma organização se expandindo e
sim uma idéia se disseminando. Como a vida – na bela
imagem de Lynn Margulis – ela não se apossa do globo pelo
combate e sim pela formação de redes. No plural.
Foi pensando nisso que escrevi, no segundo semestre do
ano passado (2008), o texto “Articule você também uma
escola de redes”.

FONTE : http://www.escoladeredes.ning.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

SERES VIVOS : BLOGS

leve seu blog pra passear,deixe links dele noutros ares!
deixe rastros, aceite rastros de outros blogs!
areje-o,alimente-o,regue-o,use e abuse dele!
rasgue-o, escreva muito,apague, delete,
ou desintegre-o...ou...até você pode deixá-lo,
um pouco na geladeira,escondidinho do mundo!
...todavia,lembre-se sempre, blogs e gente nasceram pra voar!
o que fazemos,somos nós!
e se não fizermos nada, dificilmente descobriremos quem somos!

Nadia Stabile  - 26/02/10

"Plantar uma árvore, ter um filho, escrever um livro e hoje...manter um blog!!!"

Blogs parecem ser uma ótima ferramenta para colocarmos um pouco de ordem em nosso caos!
A razão, a emoção,o conviver,a troca,nosso lado artístico...enfim,com blogs parece que colocamos "nossa casa" em ordem, e ainda cooperamos com outros, tudo ao mesmo tempo!
Os introvertidos,tímidos, passam  a expressar as tantas coisas guardadas lá dentro!
Os extrovertidos acabam tornando-se mais reflexivos por conta das batalhas travadas com os teclados!
Grandes intelectuais resolvem adaptar-se a uma linguagem mais simples!
E os mais populares resolvem escrever um pouco melhor e com isso começam a se aperfeiçoar...
Tantas transformações uma simples ferramenta pode causar!
E o interessante é que a cada dia mil outras utilidades para os blogs são criadas !!!
Para auxiliar nos estudos é extraordinário! é só ir linkando textos a serem lidos,
postando anotações de aulas,e tudo fica mais simples e interessante!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Seremos todos aprendentes - AUGUSTO DE FRANCO

Cartas rede Social
Buscadores & Polinizadores
Carta Rede Social 191 (05/06/09)

Desaprender a ensinar será tão importante quanto aprender a aprender, individual e coletivamente. Porque, no fim, não haverá ensinantes. Como buscadores e polinizadores, todos seremos aprendentes.
>>>

‘Carta Rede Social’, ex-‘Carta Capital Social’ (e antiga ‘Carta DLIS’) é uma comunicação pessoal de Augusto de Franco enviada quinzenalmente, desde 2001, para milhares de agentes de desenvolvimento e outras pessoas interessadas no assunto, do Brasil e de alguns países de língua portuguesa e espanhola. A presente 'Carta Rede Social 191' está sendo encaminhada para 11.172 destinatários.

Prezado(a) Leitor(a)

Na transição da sociedade hierárquica para a sociedade em rede estamos condenados a nos tornar buscadores cada vez mais autônomos e polinizadores cada vez mais interdependentes.

É assim que transitaremos do heterodidatismo para o autodidatismo e para o alterdidatismo: quando o lema 1) “eu busco o conhecimento que me interessa do meu próprio jeito” for a senha para o lema => 2) “eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos” e for a senha para o lema => 3) “nos produzimos nosso conhecimento comunitariamente” (em rede).

A escola que já se prefigura no final desse trajeto é uma não-escola. A escola é a rede.

Nela, todos seremos autodidatas. E todos seremos alterdidatas. Isso quer dizer que todos seremos educandos-educadores na medida em que aprendermos a aprender e aprendermos a conviver com o meio natural e com o meio social em que vivemos.

Aprender a aprender é a condição fundamental para a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente. É ensejar oportunidades aos educandos de se tornarem educadores de si mesmos (aprendendo a andar com as próprias pernas ao se libertarem das muletas do heterodidatismo). Aprender a conviver com o meio natural e com o meio social é ensejar oportunidades aos educadores de se tornaram educandos da interação comunitária na nova sociedade em rede (desaprendendo ensinagem ao se libertarem das muletas do heterodidatismo).

Nesse caminho, desaprender a ensinar será tão importante quanto aprender a aprender, individual e coletivamente. Porque, no fim, não haverá ensinantes. Como buscadores e polinizadores, todos seremos aprendentes.

O educando-buscador será um educador. O educador-polinizador será um educando. E a educação não será nada disso que andam falando.

Não entendo nada de educação. É por isso que eu pude – juntamente com alguns amigos – entrar na aventura de escrever um livro sobre isso.

A experiência – que começou no final de abril - está ocorrendo em um grupo na Escola-de-Redes. O livro a ser escrito a várias mãos, teria como título e subtítulo:


BUSCADORES & POLINIZADORES

O auto-didatismo e a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente & o alter-didatismo e as comunidades de aprendizagem na emergente sociedade em rede

O título e o subtítulo já explicam, em grande parte, o tema da obra.

É uma experiência inédita. Já usei blogs para escrever livros, mas nunca uma plataforma interativa de netweaving, como o Ning.

Há muito pretendia escrever mesmo sobre isso, na linha de um texto que publiquei na Carta Rede Social 172 , na Escola-de-Redes e na Rede Vivo Educação: Autodidatismo: a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente (as versões são um pouco diferentes). É para onde meu trabalho atual está me levando, sobretudo a experiência com a Rede Vivo Educação (Instituto Vivo) e com os Arranjos Educativos Locais (SESI PR).

Estamos procurando, mas ainda não encontramos uma boa metodologia para fazer esse trabalho colaborativo. A idéia inicial foi a de usar um hipertexto que seria publicado em partes. Uma Introdução e alguns capítulos (mas ainda não sabemos quais ou quantos serão). Cada pessoa que quisesse co-escrever poderia fazer um link (sublinhando alguma palavra ou expressão) e desenvolvê-lo como sub-capítulo (ou episódio: ἐπεισόδιον, he he).

Um co-escritor (ou co-escritora) também poderia propor um novo capítulo. A Introdução e os Capítulos seriam publicados em Fóruns de Discussão separados (um para cada).

Todavia, cada sub-capítulo seria publicado no campo reservado aos comentários. Quando não coubesse, seria carregado como arquivo (no mesmo campo de comentários).

Publicariamos o livro, em edição digital – entregue, portanto, ao Domínio Público – e também em papel, em uma edição da Escola-de-Redes ou, de preferência, em co-edição com alguma editora que tenha esquema de distribuição.

Eis um primeiro draft do texto básico:


Capítulo 1 | O educando-buscador será um educador

O autodidatismo e a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente

Na transição da sociedade hierárquica para a sociedade em rede estamos condenados a nos tornar buscadores cada vez mais autônomos.

É assim que transitaremos do heterodidatismo para o autodidatismo: quando pudermos dizer: “eu busco o conhecimento que me interessa do meu próprio jeito”.

A escola que já se prefigura no final desse trajeto é uma não-escola. A escola é a rede. Nela, todos seremos autodidatas. Um autodidata é alguém que aprendeu a aprender.

Aprender a aprender é a condição fundamental para a livre aprendizagem humana em uma sociedade inteligente. É ensejar oportunidades aos educandos de se tornarem educadores de si mesmos (aprendendo a andar com as próprias pernas ao se libertarem das muletas do heterodidatismo).

O educando-buscador será um educador não-ensinante. Porque será um aprendente.

Na sociedade que está vindo, todos seremos autodidatas. Uma criança, ou mesmo uma pessoa adulta ou idosa, navegando, lendo e publicando na web, é, fundamentalmente, um autodidata.

Todo aprendizado depende da capacidade de estabelecer conexões e reconhecer padrões. Cada vez mais será cada vez menos necessário que alguém ensine isso. Quando as possibilidades de conexão aumentam, também aumentam as possibilidades de reconhecer padrões (porque aumenta a freqüência com que, conhecendo uma diversidade cada vez maior de padrões, nos deparamos com homologias entre eles); quer dizer que, a partir de certo grau de conectividade, o heterodidatismo não será necessário.

Nos dias de hoje, uma criança com acesso à Internet em casa e noções rudimentares de um ou dois idiomas falados por grandes contingentes populacionais (como o inglês ou o espanhol, por exemplo), já é capaz de aprender muito mais – e com mais velocidade – do que um jovem com o dobro da sua idade que, há dez anos, estivesse matriculado em uma instituição de ensino altamente conceituada. Se souber ler (e interpretar o que leu), escrever, aplicar conhecimentos básicos de lógica e matemática na solução de problemas cotidianos e… banda larga, qualquer um vai sozinho. Ora, isso é terrível para os que querem adestrar as pessoas com o propósito de fazê-las executar certos papéis predeterminados. Isso é um horror para os que querem formar o caráter dos outros e inculcar seus valores nos filhos alheios.

Colecionadores de diplomas e títulos acadêmicos não terão muitas vantagens em uma sociedade inteligente. Suas vantagens provêem da idéia de que a sociedade é burra (e eles, portanto – que compõem a burocracia sacerdotal do conhecimento – são os inteligentes). Para se destacar dos demais – quando o desejável seria que se aproximassem deles – os “sábios” precisam que a sociedade continue burra.

Em uma sociedade conectada, quem organiza o conhecimento é a busca. Mas os caras ainda insistem em querer organizar o conhecimento para você (isto é o hetero-didatismo).

Toda organização do conhecimento para os outros corresponde a necessidades de alguma instituição hierárquica e está sintonizada com seus mecanismos de comando-e-controle. Toda organização do conhecimento de cima para baixo procura controlar e direcionar o acesso à informação por algum meio.

Os organizadores do conhecimento para os outros ainda entendem conhecimento como “informação interpretada”. Interpretada, é claro, do ponto de vista de seus possíveis impactos sobre a estrutura e a dinâmica das organizações hierárquicas de que fazem parte. Pretendem, assim, induzir a reprodução de comportamentos adequados à reprodução da estrutura e da dinâmica dessas organizações hierárquicas.

Por meio da urdidura de sistemas de gestão do conhecimento – desde os velhos currículos escolares aos modernos knowledge management systems, por exemplo – querem codificar, disseminar e direcionar a apropriação de conhecimentos para formar agentes de manutenção e reprodução de determinado padrão organizacional.

Mas já vivemos em um momento em que não se pode mais trancar o conhecimento – esse bem intangível que, se for aprisionado (estocado, protegido, separado), decresce e perde valor e, inversamente, se for compartilhado (submetido à polinização ou à fertilização cruzada com outros conhecimentos) cresce, gera novos conhecimentos e aumenta de valor (e é isso, precisamente, o que se chama de inovação). E estamos nos aproximando velozmente de uma época em que será cada vez menos necessária uma infra-estrutura hard instalada para produzir conhecimento (e inclusive outros produtos tangíveis, como estão mostrando as experiências nascentes de peer production ou crowdsourcing).

Novos ambientes interativos surgidos com a Internet já estão mostrando também a improdutividade (ou a inutilidade mesmo) de classificar o conhecimento a partir de esquema classificatório construído de antemão. Por exemplo, nos primeiros tempos do Gmail havia a recomendação: não classifique, busque! Hoje continua lá, literalmente: “O foco do Google é a pesquisa, e o Gmail não é exceção: você não precisa perder tempo classificando seu e-mail, apenas procure uma mensagem quando precisar e a encontraremos para você”.

Em uma sociedade cada vez mais em rede, onde as pessoas conectadas têm múltiplos caminhos para acessar o conhecimento que lhes interessa, quem organiza o conhecimento é a busca. É o perfil da busca – bottom up – que vai dizer qual o conhecimento que é relevante e não a decisão de um centro de comando-e-controle que queira dizer às pessoas – top down – o que elas devem conhecer.

Todos esses esforços por manter padrões verticais de um tipo de sociedade que já está fenecendo vão ser implacavelmente punidos pelas estruturas e pelas dinâmicas horizontais emergentes da nova sociedade que está florescendo. Dentro em breve, toda a gestão de organizações (inclusive a gestão do conhecimento) será regulada por meio de outros processos em rede. Só para dar um exemplo, em 10 minutos de funcionamento, o Twitter Tracker é capaz de fornecer – dependendo do tema – mais notícias inovadoras sobre determinado assunto do que os esforços de organização de uma equipe especializada, dedicada a essa tarefa durante uma semana.

O autodidata é um buscador. Mas quem busca é a pessoa. A pessoa é o indivíduo conectado e que, portanto, não se constitui apenas como um íon social vagando em um meio gelatinoso e exibindo orgulhosamente suas características distintivas e sim também como um entroncamento de fluxos, uma identidade que se forma a partir da interação com outros indivíduos. A pessoa como continuum de experiências intransferíveis e, ao mesmo tempo, como série de relacionamentos, aprende por estar imersa (conectada) em um ambiente educativo.


Capítulo 2 | O educador-polinizador será um educando

O alterdidatismo e as comunidades de aprendizagem na emergente sociedade em rede

Na transição da sociedade hierárquica para a sociedade em rede estamos condenados a nos tornar polinizadores cada vez mais interdependentes.

É assim que transitaremos do heterodidatismo para o alterdidatismo: quando pudermos dizer: “eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos”.

A escola que já se prefigura no final desse trajeto é uma não-escola. A escola é a rede. Nela, todos seremos alterdidatas. Um alterdidata é alguém que aprendeu a conviver com o meio natural e com o meio social em que vive.

Aprender a conviver com o meio natural e com o meio social é ensejar oportunidades aos educadores de se tornaram educandos da interação comunitária na nova sociedade em rede (desaprendendo ensinagem ao se libertarem das muletas do heterodidatismo).

O educador-polinizador será alguém que desaprendeu a ensinar. Porque será um aprendente.


Capítulo 3 | E a educação não será nada disso que andam falando

Seremos todos aprendentes

Na transição da sociedade hierárquica para a sociedade em rede, a educação não será nada disso que andam falando.

A escola que já se prefigura no final desse trajeto é uma não-escola. A escola é a rede. Nela, todos seremos autodidatas e alterdidatas: quando pudermos dizer: “nós produzimos nosso conhecimento comunitariamente” (em rede). Um autodidata-alterdidata é alguém que aprendeu a aprender-convivendo.

Como buscadores e polinizadores, não seremos ensinados nem ensinadores. Porque todos seremos aprendentes.

Sociedades em que as redes são as escolas serão sociedades desescolarizadas, como queria o visionário Ivan Illich.

A sociedade sem escola de Illich poderia ser renomeada como a sociedade-escola, desde que fique claro que se trata da sociedade-rede; ou seja, estamos falando da cidade educadora, ou, mais precisamente ainda, das comunidades educadoras que se formam na sociedade-rede.

Nesse sentido, não são os aparatos educativos hierárquicos, enquistadas dentro da sociedade, que educam basicamente: na medida em que a sociedade de massa vai dando lugar à sociedade em rede, é a própria sociedade (local, no sentido ampliado) que educa, por meio das comunidades (clusters) que necessariamente se formam em seu seio.

Comunidades educadoras são, antes de qualquer coisa, comunidades de aprendizagem, quer dizer, comunidades-que-aprendem.

Bem, por enquanto e isso. Vários conceitos apenas mencionados acima já estão gerando uma espécie de glossário. Talvez seja assim que o livro poderá ser escrito a várias mãos.

Se você se interessou pelo assunto pode dar uma espiada clicando no link abaixo:

http://escoladeredes.ning.com/group/buscadorespolinizadores

Até a ‘Carta Rede Social 192’ e um abraço do

Augusto de Franco
augusto@augustodefranco.com.br

05 de junho de 2009.

http://escoladeredes.ning.com


FONTE : http://augustodefranco.locaweb.com.br/cartas_comments.php?id=328_0_2_0_C

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

METARECICLAGEM - Apropriação tecnológica para a transformação social


metareciclagem

MetaReciclagem é uma rede auto-organizada que propõe a desconstrução da tecnologia para a transformação social.

Se você quer ser desconstruídx e re-construídx, ter suas idéias modificadas, reificadas, pisoteadas e amadas, se seu ego é grande o suficiente para ter amor ao que faz mas consegue reconhecer o que os outros fazem sem inveja, se não está aqui buscando promoção social, mérito ou grana, e se, acima de tudo, acredita em fadas, duendes e um mundo perfeito, seja bem-vindx à rede Metareciclagem.
Uma rede onde malucxs conversam, jogam bola, mandam emails, discutem e fazem as pazes, filosofam sobre vida e morte, colaboração, apropriação de tecnologia, como as coisas são por dentro, de onde viemos e para onde vamos.
Aviso de utilidade pública: Não nos responsabilizamos pelas modificações causadas nos seus neurônios após o convívio (prolongado ou não) com esta comunidade. Use com moderação.

Se apesar de todos esses avisos você ainda está à procura de pessoas que fazem MetaReciclagem, o mais fácil é cadastrar-se na lista de discussão. Você também pode consultar o histórico da lista ou navegar por este site para descobrir mais. Ainda pode encontrar Esporos e ConecTAZes ou explorar o wiki
Para enviar uma mensagem, use o formulário de contato.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA PARA QUÊ?

QUAL A FUNÇÃO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA? COMO FAZER DIVULGAÇÃO E DOMINAR SUAS LINGUAGENS?PORQUE UM HOMEM CHAMADO DR. JOSÉ REIS PEGOU UM FURGÃO NA DÉCADA DE 30 E SAIU PELAS FAZENDAS DO INTERIOR DE SÃO PAULO SE PODIA FICAR SENTADO EM SUA SALA NO INSTITUTO BIOLÓGICO? COMO ESTE HOMEM CONSEGUIU MESMO ASSIM VIRAR DIRETOR DE REDAÇÃO DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO E SER CONSIDERADO O MAIOR DIVULGADOR CIENTÍFICO BRASILEIRO?

 FONTE : http://avessodotwitter.ning.com/forum/topics/divulgacao-cientifica-para-que

sábado, 30 de janeiro de 2010

Plano MTV - SUSTENTABILIDADE- EDUCAÇÃO - GLOBALIZAÇÃO,- REDES,




Plano MTV - Educação I

Qual a relação entre educação e sustentabilidade? Se a maioria de nossos problemas passa pela educação, qual o modelo? A educação pode ser transformadora? Como? E qual o nosso papel, meros cidadãos nisso tudo, o que pedir, como botar a boca no trombone? Partindo dessa ideia, o PLANO MTV – Educação, conversou com jovens, especialistas e ativistas. Em 15 minutos, o programa traz questionamentos de jovens de todo o país, além da opinião de pessoas envolvidas com o assunto, como o educador Moacir Gadotti (Instituto Paulo Freire), Fellipe Redó e Alexandre Santini da CUCA-UNE, Sebastião Rocha (coordenador do Arassussa) e Luli Radfahrer (professor da ECA-USP). Pelo depoimento das diversas vozes apresentadas no programa, uma pergunta acabou por permear todo o debate: qual a educação que queremos para um mundo mais sustentável? Fica-se algumas conclusões, como o aumento da interatividade através da inclusão digital, a necessidade de uma escola que estimule a criatividade e a ligação imediata com o cotidiano dos estudantes.

Plano MTV - Globalização II

. Como botar a mão na massa e ajudar a criar um país que sirva de referência para o mundo do século 21 para lidar com o meio ambiente e as consequências da globalização. Partindo dessa ideia, o PLANO MTV – Globalização, conversou com jovens, especialistas e ativistas. Em 15 minutos, o programa traz questionamentos de jovens de todo o país, além da opinião de pessoas envolvidas com o assunto, como o fundador do Campus Party, Marcelo Branco, Fellipe Redó (CUCA-UNE), e o jornalista Xico Sá. Quais os prós e contras do processo irreversível de globalização no que diz respeito a sustentabilidade do planeta. O programa apresenta algumas respostas e levanta novas dúvidas.


ASSISTA OS VÍDEOS AQUI :
http://mais.uol.com.br/view/d52rltzih2do/plano-mtv--educacao-i-04021C336CE0912326?types=A


(*POSTAGEM ATUALIZADA EM 28 05 2014)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

LEITE DERRAMADO (e continuo escrevendo, mesmo sem ser lida!)



















igrejas desabam
blogs são deletados
leite é derramado
amigos partem
cidades inteiras perdem
seus pontos de referência,
o bar da esquina não existe mais,
desabou com as enchentes.
a menopausa e a insônia instalam-se,
e leites derramados invadem nossas noites.
nos poucos sonhos,meu gato chamava-se André Guide...

...e a ciência, e a Internet, e o Netweaving...
todos enfileirados esperando serem recolhidos
junto com o leite derramado...
e a poesia que junta-se a ciência...
a arte...a casa, os desabrigados e...
as injustiças todas deste país...
e as crianças da cracolândia,
 e a divulgação dos cursos, e de tudo!
e minhas eternas confusões na vida...
as escolhas...as não escolhas...
e a blogosfera...as redes sociais,
o Twitter...alguns desses rotulam-se
como local para um tema específico,
outros como local para se falar amenidades,
outro ainda pra escrever sobre notícias!
...e aí lembro-me da época em que crianças
brincavam livremente em qualquer lugar,
e brincavam de qualquer coisa....
e não se entediavam em parques temáticos!
tantas ferramentas especializadas na web,
tantas, mas tantas, que chegam a entediar a todos!
e o tal do netweaver que seria pra animar a rede...
vira bobo da corte falando sozinho!
seria ele o palhaço de festa infantil,
pronto a levar muitos chutes das crianças mal educadas!?
a web está cheia de leite derramado,
está cheia de furos, está cheia de inutilidades!
Redes,redes,redes...
será que servem pra alguma coisa mesmo!?
se o relacionamento humano é de um pra um...
...é impossível um dono de rede relacionar-se
humanamente com mais de duas mil pessoas...
não é humano perder pontos de referência,
perder a árvore que habitava nossa esquina,
perder o amigo, o pai, a mãe...
não gostamos de perder,
não gostamos de leite derramado,
não gostamos de redes que deletam
o que escrevemos ali ...
quando resolvemos sair delas...
os espaços virtuais desintegram pessoas!...
talvez seja melhor poder enxergar todos os leites que derramamos,
e todos os escombros de igrejas...aí quem sabe podendo reconstruir a igreja
tenhamos menos tédio! ou encontremos a imagem do santo padroeiro!

e eu continuo escrevendo , mesmo sem ser lida,
se estes ambientes virtuais mudaram o homem,
agora é chegada a  hora de mudarmos o virtual!


Nadia Stabile - 13/01/10

*espontaneidade é o treco mais legal nas pessoas,
querer compartimentalizar a espontaneidade:
"aqui nesta rede só se pode falar disto, e não daquilo"
(risos) isto nunca dará certo.
CONEXÕES !!! PARA QUE EXISTAM, AS PESSOAS
PRECISAM TER LIBERDADE E INTENSIDADE NAS TROCAS!
NOSSAS CABEÇAS SÓ ESTÃO PRESAS NO PESCOÇO,
DE RESTO... É QUASE UMA ESFERA QUE PODE
PENSAR E SE CONECTAR POR TODOS OS LADOS!
E AS TAIS SINAPSES QUE OCORREM EM NOSSOS NEURÔNIOS,
E OS INTERLIGAM...QUANTO MAIOR QUANTIDADE EXISTIR DELAS,
MELHOR PRA NÓS E PARA OS OUTROS QUE ESTÃO AO NOSSO LADO!
NÓS BRASILEIROS TEMOS MUITAS SINAPSES PRA REALIZARMOS
SOZINHOS E EM CONJUNTO...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

DOIS LIVROS DE IVAN ILLICH...E OS OUTROS NO SITE OFICIAL DO AUTOR

Seu livro mais famoso é Sociedade sem escolas (1971),(ou DESESCOLARIZAÇÃO DA SOCIEDADE) uma crítica à institucionalização da educação nas sociedades contemporâneas. Através de exemplos sobre a natureza ineficaz da educação institucionalizada, Illich se mostrava favorável à auto-aprendizagem, apoiada em relações sociais intencionais, e numa intencionalidade fluida e informal:

A educação universal por meio da escolaridade não é possível. Nem seria mais exequível se se tentasse mediante instituições alternativas criadas segundo o estilo das escolas actuais. Nem novas atitudes dos professores para com os seus alunos, nem a proliferação de novas ferramentas e métodos físicos ou mentais (nas salas de aula ou nos dormitórios), nem mesmo a intenção de aumentar a responsabilidade dos pedagogos até ao ponto de incluir a vida completa dos seus alunos, teria como resultado a educação universal. A busca actual de novos canais educativos deverá ser transformada na procura do seu oposto institucional: redes educativas que aumentem a oportunidade de cada um transformar cada momento da sua vida num outro de aprendizagem, de partilha e de interesse. Acreditamos estar a contribuir trazendo os conceitos necessários a quem realiza tais investigações sobre as grandes linhas na educação – e também para quem procura alternativas para outros tipos estabelecidos de serviços.

As últimas frases deixam claro o que o título do livro sugere, que a institucionalização da educação marca uma tendência de institucionalização da sociedade, e as idéias de desinstituicionalização da educação poderiam ser um ponto de partida para a desinstitucionalização da sociedade. Como pensador holístico, de inteligência formidável e erudição católica ampla, Illich sempre propôs as suas análises nos termos mais amplos possíveis.

O livro é mais do que apenas uma crítica, contém propostas para reinventar toda a aprendizagem em várias instâncias da sociedade e também na esfera individual. Possui destaque a sua proposta, feita em 1971, de criar as "redes de aprendizagem" ("telarañas de aprendizaje") apoiadas em tecnologias avançadas. Muitas das características das "redes de aprendizagem" recordam o uso da internet em geral e em particular o trabalho e idéias da própria Wikipedia.

Compañeros de viaje para La Sociedad Desescolarizada http://habitat.aq.upm.es/boletin/n26/nlib2.html é uma resenha crítica (em espanhol) que relaciona o pensamento do livro "Sociedade sem Escolas" com as idéias de outros autores que escreveram sobre o mesmo tema.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ivan_Illich

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A Expropriação da Saúde
Nêmesis da Medicina

Autor: Ivan Illich
Título original: Némésis Médicale, L'expropiation de la Santé

Este livro examina e aprofunda a atual hipertrofia da medicalização e o impacto psicológico sobre os indivíduos pelos signos e símbolos de um ritual clínico contraproducente e enganador.
http://www.ivanillich.org.mx/Linemes.htm

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A ciência em ação: seguindo Bruno Latour

Por Márcia de Oliveira Teixeira



(...)A despeito das influências nos trabalhos sistematizados por Latour em Ciência em ação, é possível discernir rupturas, em certo sentido, profundas. Dimensões, muito pouco presentes nos estudos da sociologia dos conhecimentos científicos (e tecnológicos), despontam como fundamentais nos trabalhos empíricos da década de 1980. São elas as práticas cotidianas dos laboratórios e os materiais (não-humanos) nelas envolvidos. Torna-se também saliente a influência de outras abordagens sociais, cujas ênfases recaem na perspectiva microssocial (Pickering, 1992), a exemplo do interacionismo simbólico e da etnometodologia. Ciência em ação introduz-se na discussão de um campo de estudos sociais da ciência. Trata-se de um outro programa de estudos, que compartilha referências, preocupações e a rejeição de uma perspectiva disciplinar. Porém, a exemplo dos demais programas, não pode ser entendido como um desdobramento linear e eminente.
Alguns poucos comentários se fazem necessários. As pesquisas sociológicas, ao buscarem o social nos conhecimentos científicos, o fazem em termos da identificação dos interesses de diferentes grupos sociais. A disputa e a associação de interesses, na definição de problemáticas e na legitimação de enunciados científicos, são privilegiadas. A análise pauta-se no contexto sociocultural, na dinâmica das redes sociais que sustentam a produção científica. Todavia, o movimento das redes de interesses sociais são insuficientes para explicar as práticas cotidianas da pesquisa (Callon, 1989b; Pickering, 1992). Autores como Latour (2000; 1979), Law (1989) e Callon (1989a) defendem que o entendimento dos processos sociais de produção da ciência deve comportar o entendimento das práticas realizadas nos laboratórios. É preciso entender as conexões entre o social e o tecnocientífico. Para tanto, salientam a simetria entre o social e a posição dos artefatos, das teorias e dos experimentos na produção da ciência ocidental. Propõem uma análise sociotécnica.
Assim, Ciência em ação pode ser interpretado como tentativa de enfrentamento de dois problemas: os limites da etnografia, respondendo se estudos locais de diferentes processos de produção de fatos tecnocientíficos podem nos dizer algo acerca do fazer científico; e o estabelecimento de um campo de pesquisa capaz de lidar com a dispersão das disciplinas e objetos das abordagens sociais das tecnociências (2000, p. 35).
O primeiro enfrentamento está diretamente associado à proposição de se analisar as práticas cotidianas da pesquisa científica. Estudar as tecnociências a partir de descrições densas dos laboratórios, a exemplo do realizado por Latour e Woolgar (1989) no Instituto Salk. Era preciso relatar o que ocorria nesses espaços, enfatizar o que produziu a diferença entre a ciência ocidental e outras formas de conhecimento, qual seja a manipulação de objetos, os experimentos, a fabricação de artifícios de deslocamento e de inscrição permitindo uma acumulação reflexiva. E aqui se inserem os trabalhos já citados de Latour, Woolgar, Law e Callon marcados pelo acentuado cunho etnográfico. Trabalhos reunidos nos chamados 'estudos de laboratório' (Knorr-Cetina, 1981).
Parte dessa produção aparece como material básico de pesquisa do livro em questão. Uma produção que se apóia em relatos minuciosos para levar a cabo seu objetivo de tratar a ciência do modo como ela acontece, como uma sucessão não-linear de práticas sociotécnicas.(...)

LEIA NA ÍNTEGRA EM :
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702001000200012

Mais de apenas um elo perdido entre Darwin e Brasil - (Elos perdidos entre Darwin e o Brasil)


















Por Klaus Hartfelder

Neste ano do bicentenário do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da sua primeira obra prima The Origin of Species (continuando com o subtítulo By Means of Natural Selection or the Preservation of Favored Races in the Strugggle for Life), a releitura de Darwin no contexto sociológico é muito bem vinda. Esta releitura, guiada pela visão humanística de Darwin e o seu profundo desprezo por sociedades baseadas em princípios econômico-sociais escravistas, gerou uma bela análise da recepção de idéias chamadas darwinianas no Brasil.
O trabalho dos pesquisadores relatado no texto de autoria de Carlos Haag na edição de maio da revista Pesquisa Fapesp aponta corretamente que essas idéias continham na verdade pouco Darwin e mais "darwinianismo social" de Herbert Spencer e idéias do chamado pai da "lei da biogenética", Ernst Haeckel . Este último um cientista muito influente na Alemanha, grande morfologista, ilustrador e brilhante orador (o que levou o apelido de "pitbull de Darwin") - e ademais, que criou a vertente de uma filosofia religiosa-natural conhecida como monismo.

É interessante notar que tanto Ernst Haeckel quanto também o próprio Charles Darwin foram muito influenciados por um naturalista alemão naturalizado brasileiro, Johann Friedrich Theodor Müller, melhor conhecido como simplesmente Fritz Müller ou Fritz Müller de Desterro (lembrando que o antigo nome de Florianópolis era Nossa Senhora de Desterro).

A meu ver, este é, pelo menos para a Biologia, o mais importante dos elos perdidos.

Quem se atreve a perguntar aos estudantes de cursos de ciências biológicas no Brasil se conhecem Fritz Müller e a sua relação com Charles Darwin, sai frustrado. Mas a culpa é de quem, dos alunos? Veio na hora certa, portanto, o artigo "Parceiro de Charles Darwin" publicado no fascículo de maio de 2009 Scentific American Brasil, da autoria de Margherita Anna Barracco e Cezar Zillig, e que espera-se vá ajudar a restabelecer o lugar desse naturalista no panteão dos grandes cientistas brasileiros.
Provavelmente foi em 1861 que Fritz Müller recebeu uma cópia da primeira edição traduzida para o alemão da Origem das Espécies e imediatamente reconheceu a importância da obra. Notavelmente, manteve uma vívida correspondência com Charles Darwin por 17 anos. Darwin o considerou o "príncipe entre os observadores" e, nas edições seguintes da Origem das Espécies, Fritz Müller se tornou o cientista mais citado.
Duas das suas observações ganharam notoriedade: a primeira é a do mimetismo entre espécies não-palatáveis de borboletas, a seguir chamada de mimetismo Mülleriano, e a segunda é a noção de que relações filogenéticas entre grupos de organismos podem ser reveladas através do estudo das suas fases larvais, sendo esta o resultado da observação de crustáceos do litoral de Santa Catarina. O próprio Darwin incorporou esse conceito na sua monografia sobre cracas, um grupo de crustáceos com plano de corpo na fase adulta bastante alterada, mas com fases larvais típicas das crustáceas.
Ernst Haeckel também se apropriou desta noção, que conheceu através das suas correspondências com Darwin e Müller e, juntando esta a noções previamente formalizadas por Karl Ernst von Baer, o descobridor do óvulo dos mamíferos, a petrificou na "lei da biogenética", ou "a ontogenia recapitula a filogenia". Em sua forma Haeckeliana, a "lei da biogenética" tem justamente recebido muitas críticas, inclusive de Stephen Jay Gould, mas como regra geral continua guiando pesquisas na área de evo-devo (evolução e desenvolvimento) da Biologia moderna.
Portanto, estamos lidando na realidade com dois elos perdidos do darwinismo no Brasil. O primeiro elo, que é principalmente relacionado com a primeira obra prima de Darwin, a Origem das Espécies, é com o verdadeiro darwinista Fritz Müller, que era professor de História Natural no Liceu Provincial de Florianópolis. Já o outro elo é o com as Conferências Populares da Glória, foco das pesquisas da historiadora social Karolina Carula e de outros pesquisadores apresentadas no texto de Carlos Haag.


Esse elo é com o Darwin antiescravista e as tendências republicanas e abolicionistas, e certamente está muito mais ligado ao segundo livro de Darwin The Descent of Man (continuando com o subtítulo And Selection in Relation to Sex). O livro se dividide em três partes, do qual somente a primeira pode ser vista como resultado das posições abolicionistas de Darwin. Já a segunda é de grande interesse para a Biologia Evolutiva, pois desenvolve o conceito da seleção sexual, que complementa a noção do processo evolutivo das espécies através da seleção natural, tema central do primeiro livro de Darwin.

Elos perdidos entre Darwin e o Brasil

Categoria: Divulgação de ciência
Escrito em julho 14, 2009 2:49 PM, por Maria Guimarães

FONTE : http://scienceblogs.com.br/cienciaeideias/2009/07/elos_perdidos_entre_darwin_e_o.php

sábado, 8 de agosto de 2009

SOBRE AMORES,REDES ,PAIS E NÓS.

"(...)Te amo,
como se não fosse amor,
como se fosse apenas um desejo,
um enorme desejo de te amar;
o maior,
e mais profundo que se pode ter;
que de tão intensamente desejado,
sentido
e sonhado,
torna-se até mesmo mais forte,
que o próprio amor ..."

(Da poesia de Marcelo Roque)

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SOBRE AMORES,REDES ,PAIS E NÓS.

eu e você somos nossos pais.
somos nossos avôs e bisavôs,
e tios e tias, e primos,e irmãos.
cada um de nós é apenas
um fio de uma rede, de uma teia.
há duas décadas se usava
muito a expressão : "RESOLVER-SE"
dizia-se,fulano é mal resolvido,
ou fulano é bem resolvido...
nós somos nós como os das teias,das redes,
que se estiverem bem atados, bem amarrados,
talvez passemos a ser
nós como os dos troncos de árvores
que como cicatrizes vão sumindo
da superficíe dos troncos
mas continuam lá...cicatrizes
que compõem o tronco,a estrutura da árvore
nossos pais e todos de nossa família
são nossas raízes,impossível esquecer-se disto!
mas o pai e a mãe significam muito pra nós!
para todos os nossos Nós!
e é sempre bom revisar,rever,
atar ou desatar estes nós!
é sempre bom...é sempre bom...

Nadia Stabile - 08/08/09
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