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segunda-feira, 12 de novembro de 2018
Curso “A Era do Capital Improdutivo” - Pedagogia da Economia - aula 01/14 - Professor Ladislau Dowbor
https://www.youtube.com/watch?v=tAY4vLMWK_I
Caras e caros,
🤔 Entender o que acontece com a economia está ao alcance de qualquer pessoa. Não se trata aqui de teorias, e sim do nosso trabalho e do nosso dinheiro. O Instituto Paulo Freire, em parceria com o Economista e Professor Ladislau Dowbor, disponibiliza, gratuitamente, a íntegra do curso sobre o livro “A Era do Capital Improdutivo”.
📚 Você pode assistir e compartilhar livremente este curso, fundamental na atual conjuntura nacional e internacional.
🗣 São 15 vídeos de 10 a 15 minutos, numa linguagem clara e objetiva. O curso é em português, não em economês. Você vai entender como a nossa economia está sendo deformada, e como pode ser recuperada.
*Ladislau Dowbor é formado em Economia Política pela Universidade de Lausanne, na Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, na Polônia (1976). Atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da PUC-SP, nas áreas de economia e administração.
PEDAGOGIA DA ECONOMIA: educando para o mundo real
Aula 1 – A dimensão dos desafios
https://www.youtube.com/watch?v=tAY4vLMWK_I
Aula 2 – Quem são as corporações?
https://www.youtube.com/watch?v=886_nPfslAc
sábado, 20 de outubro de 2018
Walden - A vida nos Bosques - Livro de Henry David Thoreau
Walden ou A Vida nos Bosques é uma autobiografia do escritor transcendentalista Henry David Thoreau. A obra é considerada, simultaneamente, como uma declaração de independência pessoal, uma experiência social, uma viagem de descoberta espiritual e um manual para a autossuficiência[1].
Publicado em 1854, Walden é um manifesto poético contra a civilização industrial, que então ganhava força nos Estados Unidos. Diante da crescente complexidade da vida social estadunidense, derivada do crescimento exponencial da industrialização e urbanização, Thoreau, insatisfeito com o modo de vida na sociedade e procurando eliminar o desperdício e a ilusão deste[1], propõe o retorno ao simples.
Assim, inspirado pela filosofia do confucionismo, retira-se em 1845 para a floresta, onde constrói com as próprias mãos, sua casa e seus móveis, passando a viver com o mínimo necessário e em intenso contato com a natureza. Isola-se da sociedade, não por misantropia - posto que recebe visitas e também as retribui - mas com o propósito de obter uma maior compreensão da sociedade e de descobrir as verdadeiras necessidades essenciais da vida[1].
sábado, 14 de julho de 2018
Sequelados da ditadura civil e militar - Brasil
Foi em 1968 que Paulo Freire escreveu "Pedagogia do Oprimido", seu livro mais conhecido pelo mundo!
Em 1968 eu tinha 10 anos e já sentia a encrenca que o Brasil passava com a ditadura civil e militar.
Muitas sequelas ficaram, em mim e para a maior parte das pessoas que tiveram de frequentar escolas e universidades naqueles tristes tempos! E os que nem frequentavam escolas na época... o que teria ocorrido com suas cabeças? teriam sido lobotomizados e nem perceberam?
A opressão é a coisa pior que o ser humano inventou, é ferramenta do fascismo, a pior delas!
Uma das sequelas que tenho até hoje, teve reforço na época da faculdade. Havia a matéria Organização Social e Política, similar a Educação Moral e cívica que tínhamos no ginasial, atual ensino fundamental ou básico, nível 2. O professor desta matéria adotava um único livro e propunha que fizéssemos o seguinte: recortar noticias de jornais ou revistas e colar numa pasta, isto durante o semestre todo e no final apresentássemos tal pasta. Muitos não faziam nada disto, e chegando ao final do semestre ficavam desesperados para completar tal tarefa esdrúxula... então, corriam a ficar pedindo recortes aos outros, ou buscando jornais antigos para fazer tais recortes. Se os estudantes haviam lido ou não os tais recortes, ou se só tinham lido os títulos, não importava ao professor.
Como dizia Paulo Freire, "os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem".
No entanto, o que ficou destas propostas indecentes e de tudo relativo a esta não educação dos tempos da ditadura, foi que o caráter do povo foi deformado, oprimido, as pessoas sentiram que só a alienação seria possível pra que elas pudessem sobreviver com alguma paz! Mas que paz? que preço vergonhoso teve esta paz? O povo brasileiro não conseguiu aprender nem de leve o que seria cidadania! Não aprendeu nada que fosse humanizador, não, não conseguiu nem vislumbrar o que seria união, o que seria tomar partido de até... um familiar, não, a covardia inundou a todos.
E o que estes pais, avôs, bisavôs, que eram as crianças, os jovens e os adultos da época da ditadura, poderiam transmitir de significativo a estas gerações atuais? nada ou quase nada.Da minoria que se revoltava... muitos morreram...outros sofreram muito, porque inclusive sofreram sozinhos, sem o apoio da massa alienada e oprimida.
Os colegas de faculdade que assim como eu, quase nem liam as tais matérias de jornal, (que passavam pela censura dos militares), ficaram talvez para sempre se sentindo incapazes de compreender muitos fatos que ocorriam na época e até hoje se eximem de tentar entender de verdade o que ocorreu e o que hoje ocorre! E assim a raiz da alienação inserida lá na década de 70 até hoje surte bom resultado aos propósitos indecentes e fascistas dos militares e da invasão imperialista...opa, ou seria invasão cultural militar imperialista!?
Nadia Gal Stabile - 14 07 2018
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
felicidade, primavera e livros com papel reciclado
"a felicidade não é algo a ser alcançado no futuro, é um exercício diário, o que existe é o hoje (ou o que nós temos), o presente, e é nele que podemos exercitar a felicidade, podemos escolher ser felizes hoje."
Paulinho Moska(a frase não é literalmente assim, mas...)
http://pensador.uol.com.br/autor/paulinho_moska/
A primavera tem muito de felicidade, começa amanhã pelo calendário oficial, mas para os passarinhos já começou, estão mais alegres do que nunca.
Felicidade grande é poder ler um livro e se for em papel reciclado, mais ainda! Assim, menos árvores serão derrubadas e mais passarinhos e outros animais ficarão felizes.
Nadia Gal Stabile - 22 09 2015
sexta-feira, 19 de junho de 2015
(REPRISE) REICH - A FOME, O SEXO, O CORPO E A ALMA
WILHELM REICH - frases e livros
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2014/04/wilhelm-reich-frases.html
O homem precisa,primeiro e acima de tudo,matar sua fome e satisfazer seus desejos sexuais.A sociedade moderna torna difícil a primeira e frustra a segunda.Wilhelm Reich
Você conhece Hitler melhor do que
Nietzsche, Napoleão melhor do que Pestalozzi. Um rei significa mais para
você do que Sigmund Freud.
Wilhelm Reich
O Homem é a única espécie biológica que destruiu a sua própria função sexual natural,e está doente em função disso.
Wilhelm Reich
Não são os maus conselhos os responsáveis pela sua desgraça persistente, mas sua própria pequenez.
Wilhelm Reich
A perda da auto-percepção natural
divide nitidamente a pessoa em duas entidades opostas e
contraditórias; O corpo "aqui" é incompatível com a alma ou o espírito
"lá"
Wilhelm Reich
Somos responsáveis pelo o quê fazemos e recebemos. Mas não somos responsáveis pelo que sentimos.
Wilhelm Reichhttp://pensador.uol.com.br/frases_reich/
http://revistacult.uol.com.br/home/2012/01/invencao-sexo/
http://reichnauff.wordpress.com/2011/03/11/a-psicologia-do-fascismo-segundo-reich/
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domingo, 19 de abril de 2015
ÍNDIOS - ORIENTAIS, OCIDENTAIS, O CORPO, O SEXO E OS CONDICIONAMENTOS
o culto ao falo no Japão, filosofias orientais que cultuam o prazer, os indígenas com sua nudez natural, o pênis que para os civilizados ocidentais, em sua maioria, é feio, bruto, e precisa ficar escondido, repressão, negação do corpo masculino que causa deformidades cruéis a troco de nada, os condicionamentos culturais que produzem a hipocrisia e a falsa moral próprias dos ocidentais em relação aos próprios corpos, Marcuse sabia de tudo com seu "eros e civilização", Kubrick expressou tão bem em "laranja mecânica" o caos destes tempos cheios de condicionamentos e deformidades sexuais difíceis de serem revertidos e resolvidos, Reich, que quase ninguém nunca leu sua obra "a função do orgasmo", Foucault com seus estudos pra lá de relevantes da sexualidade, da educação que vigia e pune e... tantas coisas precisaríamos desaprender para nos tornarmos tão naturais e puros como nossos indígenas...lógico que eles também não são perfeitos... sem isto será mesmo impossível sairmos destes falsos caminhos cheios de injustiças e crimes contra o humano.
J.A.Gaiarsa dizia que aqui temos o Cristo pregado na cruz, sofredor, torturado, e na Índia, Shiva, é o prazer em pessoa...
nadia gal stabile - 19 04 2015
manifestantes contra o novo código florestal brasileiro
http://www.megacurioso.com.br/religiao/69746-ajoelhou-tem-que-rezar-conheca-a-igreja-que-venera-o-bilau-nsfw.htm
https://www.youtube.com/watch?v=EHxNBE4PeZo
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sábado, 28 de fevereiro de 2015
CARLOS ALBERTO LUNGARZO
Carlos Alberto Lungarzo é colaborador deste blog e nosso querido amigo argentino, estudioso, pesquisador, escritor, membro da Anistia Internacional e professor aposentado da UNICAMP.
Acaba de lançar a versão eBook de seu polêmico e fundamental livro "Os Cenários Ocultos do Caso Battisti", fundamental para que os equivocados conheçam a verdadeira história de Cesare Battisti que a partir do dia 2 de março, até 6 de março estará disponível gratuitamente para ser lida no site da Amazon conforme Lungarzo nos explica nesta postagem que linko aqui:
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2015/02/edicao-digital-gratuita-de-os-cenarios.html
Agradeço a Lungarzo pela sua força e disposição em estar sempre ativo e sempre nos dando bons exemplos de vida e de perseverança neste contexto político doido brasileiro e mundial!
Grazie Mille amici Lungarzo! sucesso e felicidades!
Nadia Gal Stabile - 28 de fevereiro de 2015
Para saber como ler o eBook clique no link a seguir:
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2015/02/edicao-digital-gratuita-de-os-cenarios.html
Capa da edição francesa do livro:
https://www.facebook.com/oscenariosocultosdocasobattisticarloslungarzo
https://sites.google.com/site/lungarbattisti/
http://aluzprotegida.blogspot.com.br/
http://ocasodecesarebattisti.blogspot.com.br/
http://consciencia.net/author/carlos/page/12/
http://www.skoob.com.br/autor/8177-carlos-a-lungarzo
Acaba de lançar a versão eBook de seu polêmico e fundamental livro "Os Cenários Ocultos do Caso Battisti", fundamental para que os equivocados conheçam a verdadeira história de Cesare Battisti que a partir do dia 2 de março, até 6 de março estará disponível gratuitamente para ser lida no site da Amazon conforme Lungarzo nos explica nesta postagem que linko aqui:
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Agradeço a Lungarzo pela sua força e disposição em estar sempre ativo e sempre nos dando bons exemplos de vida e de perseverança neste contexto político doido brasileiro e mundial!
Grazie Mille amici Lungarzo! sucesso e felicidades!
Nadia Gal Stabile - 28 de fevereiro de 2015
Para saber como ler o eBook clique no link a seguir:
http://sarauxyz.blogspot.com.br/2015/02/edicao-digital-gratuita-de-os-cenarios.html
Capa da edição francesa do livro:
https://www.facebook.com/oscenariosocultosdocasobattisticarloslungarzo
https://sites.google.com/site/lungarbattisti/
http://aluzprotegida.blogspot.com.br/
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http://www.skoob.com.br/autor/8177-carlos-a-lungarzo
quinta-feira, 19 de junho de 2014
ESTADO DE EREÇÃO INTELECTUAL PERMANENTE - RUBEM ALVES
RUBEM ALVES - DO LIVRO:"Ao professor com meu carinho"
"Ao professor, com o meu carinho" (2004)
Rubem Alves, com seu estilo peculiar e contundente,traz à tona algumas das críticas que vem apresentando, ao longo do tempo, ao sistema educacional. Quem o conhece de perto sabe que suas críticas são a manifestação de uma ansiedade profunda por ver oferecida a nossos alunos uma educação mais justa, por meio da qual também o professor possa se realizar em sua vocação de mestre.
Para continuar a ler clique no link :
http://edudemocraticaciber.blogspot.com.br/2009/04/estado-de-erecao-intelectual-permanente.html#.U6Lytf5Rhg8
"Ao professor, com o meu carinho" (2004)
Rubem Alves, com seu estilo peculiar e contundente,traz à tona algumas das críticas que vem apresentando, ao longo do tempo, ao sistema educacional. Quem o conhece de perto sabe que suas críticas são a manifestação de uma ansiedade profunda por ver oferecida a nossos alunos uma educação mais justa, por meio da qual também o professor possa se realizar em sua vocação de mestre.
Para continuar a ler clique no link :
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sábado, 7 de junho de 2014
Sobre fogueiras, livros e liberdade
50 anos depois
desde a copa de 70 , 44 anos
meu pai morto pela metade ou quase inteiro
a fogueira mais triste de nossas vidas
não era festa de são joão
eu me queimei muto também
a ditadura militar levou nossas vidas
levou nossos sonhos, levou nossas almas
almas sem expressão, não são almas
são zumbis que
na copa de 70 festejaram
naquela tal avenida de meu bairro
festejaram o que?
sonhei com meu pai, me abraçava
ontem a noite assisti trechos do tele teatro da cultura
electra de eurípedes...
filha e pai mortos na fogueira de livros de 1964
e com almas perseguidas e exiladas pra sempre
malditos fascistas
mundo cão
humanos sem liberdade de expressão,
sem poderem pensar,
sem poderem ter livros
não são humanos...
não são pessoas
oprimidos por si próprios
a subvivência mata
isto aqui é só ilusão, tudo acaba, a verdade está morta
as verdades não podem ser ressuscitadas
as mentiras sim, sobrevivem por meio século ou para sempre...
todos se alienam e acham normal
normose a pior das pestes!
Nadia Gal Stabile - 07 06 2014
desde a copa de 70 , 44 anos
meu pai morto pela metade ou quase inteiro
a fogueira mais triste de nossas vidas
não era festa de são joão
eu me queimei muto também
a ditadura militar levou nossas vidas
levou nossos sonhos, levou nossas almas
almas sem expressão, não são almas
são zumbis que
na copa de 70 festejaram
naquela tal avenida de meu bairro
festejaram o que?
sonhei com meu pai, me abraçava
ontem a noite assisti trechos do tele teatro da cultura
electra de eurípedes...
filha e pai mortos na fogueira de livros de 1964
e com almas perseguidas e exiladas pra sempre
malditos fascistas
mundo cão
humanos sem liberdade de expressão,
sem poderem pensar,
sem poderem ter livros
não são humanos...
não são pessoas
oprimidos por si próprios
a subvivência mata
isto aqui é só ilusão, tudo acaba, a verdade está morta
as verdades não podem ser ressuscitadas
as mentiras sim, sobrevivem por meio século ou para sempre...
todos se alienam e acham normal
normose a pior das pestes!
Nadia Gal Stabile - 07 06 2014
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quarta-feira, 30 de abril de 2014
TEOLOGIAS ATUAIS - Leandro Karnal
https://www.youtube.com/watch?v=dNVhp98SCbs
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_da_prosperidade
http://cadernocriativo.blogspot.com.br/2013/05/teologia-do-empreendedorismo.html
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
WILHELM REICH - frases e livros
O homem precisa,primeiro e acima de tudo,matar sua fome e satisfazer seus desejos sexuais.A sociedade moderna torna difícil a primeira e frustra a segunda.
Wilhelm Reich
http://pensador.uol.com.br/frases_reich/
http://revistacult.uol.com.br/home/2012/01/invencao-sexo/
http://reichnauff.wordpress.com/2011/03/11/a-psicologia-do-fascismo-segundo-reich/
Wilhelm Reich
Você conhece Hitler melhor do que
Nietzsche, Napoleão melhor do que Pestalozzi. Um rei significa mais para
você do que Sigmund Freud.
Wilhelm Reich
O Homem é a única espécie biológica que destruiu a sua própria função sexual natural,e está doente em função disso.
Wilhelm Reich
Não são os maus conselhos os responsáveis pela sua desgraça persistente, mas sua própria pequenez.
Wilhelm Reich
A perda da auto-percepção natural
divide nitidamente a pessoa em duas entidades opostas e
contraditórias; O corpo "aqui" é incompatível com a alma ou o espírito
"lá"
Wilhelm Reich
Somos responsáveis pelo o quê fazemos e recebemos. Mas não somos responsáveis pelo que sentimos.
Wilhelm Reichhttp://pensador.uol.com.br/frases_reich/
http://revistacult.uol.com.br/home/2012/01/invencao-sexo/
http://reichnauff.wordpress.com/2011/03/11/a-psicologia-do-fascismo-segundo-reich/
segunda-feira, 12 de abril de 2010
"RIZOMA" RESSUSCITADO - DO BLOG VÍRGULA - IMAGEM (MODOLINKAR)
11.01.10
www.rizoma.net
por Marcelo Terça-Nada!
O Rizoma.net foi um importante site que abrigou rico acervo de artigos sobre ativismo, cibercultura e intervenção urbana. O site saiu do ar em 2009, mas o pessoal do CCR está organizando todos os textos do site em e-books disponibilizados para download gratuito.Faça download dos PDFs, leia e divulgue:
RIZOMA.NET- Afrofuturismo
RIZOMA.NET – Anarquitextura
RIZOMA.NET- Recombinação
RIZOMA.NET- Gibi
RIZOMA.NET- E-spaço
RIZOMA.NET- Câmera Olho
RIZOMA.NET- Desbunde
RIZOMA.NET- Hierografia
RIZOMA.NET- Potlach
>> Mais cinco e-books estão disponíveis para download neste linkOutros lugares e formas para vc acessar os textos do Rizoma:
- e-Books do Rizoma no Camaléo
- e-Books do Rizoma no Issuu
- e-Books do Rizoma em PDF para download
- Acervo de textos do Rizoma.net no Archive.org
- Intervenção Urbana – Rizoma.net (via Archive.org)
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sábado, 20 de março de 2010
BRASIL - NOVO BLOG
http://brrasill.blogspot.com
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segunda-feira, 15 de março de 2010
'Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos', diz Umberto Eco (AMIGA REGINA ENVIA)
Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, 'Não Contem com o Fim do Livro'
13 de março de 2010 | 9h 33
O bom humor parece ser a principal característica do semiólogo, ensaísta e escritor italiano Umberto Eco. Se não, é a mais evidente. Ao pasmado visitante, boquiaberto diante de sua coleção de 30 mil volumes guardados em seu escritório/residência em Milão, ele tem duas respostas prontas quando é indagado se leu toda aquela vastidão de papel. "Não. Esses livros são apenas os que devo ler na semana que vem. Os que já li estão na universidade" - é a sua preferida. "Não li nenhum", começa a segunda. "Se não, por que os guardaria?"
Veja também:
Veja fotos e ouça trecho da entrevista concedida por Umberto Eco
Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros ("muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques", informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.
A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento - naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada - encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. "Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes", comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.
Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros - que, no momento, lideram sua preferência - como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos - caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.
Aos 78 anos, Eco - que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) - exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco - envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos) - conversou com a reportagem do Sabático.
O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?
O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.
Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?
A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar - muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa - é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.
Não é possível prever o futuro da internet?
Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.
Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?
O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias - de Paris a Nova York, por exemplo - sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?
É possível existir contracultura na internet?
Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.
Em um determinado trecho de 'Não Contem Com o Fim do Livro', o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória - que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.
De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos - até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?
No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.
Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.
Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?
Foi algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra perdera a essência de confronto humano direto - o inimigo transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.
Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?
Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil - o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.
Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?
Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).
Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro Eco, professor de semiótica.
E ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em minhas pesquisas acadêmicas - por isso, tiro férias. Mesmo assim, leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então, transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi muito bem-feito.
Por falar em 'O Pêndulo de Foucault', comenta-se que o senhor antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.
Quem leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: "O senhor não me admira, mas eu gosto de seus livros." Respondi: Não é que eu não goste de você - afinal, eu criei você (risos).
Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de humor quando se trata de Deus?
De acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos). E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para entender a trajetória da humanidade.
Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor foi curador, no ano passado?
Há quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. "Por quê?", perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances - até pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras, quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.
O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que recordações guarda dessas visitas?
Muitas. A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.
FONTE : http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,eletronicos-duram-10-anos-livros-5-seculos-diz-umberto-eco,523700,0.htm

Andrea Barbiroli/AE
Umberto Eco assina novo trabalho em parceria com o roteirista francês Jean-Claude Carrière
Na verdade, a coleção é maior, beira os 50 mil volumes, pois os demais estão em outra casa, no interior da Itália. E é justamente tal paixão pela obra em papel que convenceu Eco a aceitar o convite de um colega francês, Jean-Phillippe de Tonac, para, ao lado de outro incorrigível bibliófilo, o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, discutir a perenidade do livro tradicional. Foram esses encontros ("muito informais, à beira da piscina e regados com bons uísques", informa Umberto Eco) que resultaram em Não Contem Com o Fim do Livro, que a editora Record lança na segunda quinzena de abril.
A conclusão é óbvia: tal qual a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas, anunciadas ou temidas, não terem como detê-lo. Qualquer dúvida é sanada ao se visitar o recanto milanês de Eco, como fez o Estado na última quarta-feira. Localizado diante do Castelo Sforzesco, o apartamento - naquele dia soprado por temperaturas baixíssimas, a neve pesada insistindo em embranquecer a formidável paisagem que se avista de sua sacada - encontra-se em um andar onde antes fora um pequeno hotel. "Se eram pouco funcionais para os hóspedes, os longos corredores são ótimos para mim pois estendo aí minhas estantes", comenta o escritor, com indisfarçável prazer, ao apontar uma linha reta de prateleiras repletas que não parecem ter fim. Os antigos quartos? Transformaram-se em escritórios, dormitórios, sala de jantar, etc. O mais desejado, no entanto, é fechado a chave, climatizado e com uma janela que veda a luz solar: lá estão as raridades, obras produzidas há séculos, verdadeiros tesouros. Isso mesmo: tesouros de papel.
Conhecido tanto pela obra acadêmica (é professor aposentado de semiótica, mas ainda permanece na ativa na Faculdade de Bolonha) como pelos romances (O Nome da Rosa, publicado em 1980, tornou-se um best-seller mundial), Eco é um colecionador nato; além de livros, gosta também de selos, cartões-postais, rolhas de champanhe. Na sala de seu apartamento, estantes de vidro expõem tantos os livros raros - que, no momento, lideram sua preferência - como conchas, pedras, pedaços de madeira. As paredes expõem quadros que Eco arrematou nas visitas que fez a vários países ou que simplesmente ganhou de amigos - caso de Mário Schenberg (1914-1990), físico, político e crítico de arte brasileiro, de quem o escritor guarda as melhores recordações.
Aos 78 anos, Eco - que tem relançado no País Arte e Beleza na Estética Medieval (Record, 368 págs., R$ 47,90, tradução de Mario Sabino) - exibe uma impressionante vitalidade. Diverte-se com todo tipo de cinema (ao lado de seu aparelho de DVD repousa uma cópia da animação Ratatouille), mantém contato com seus alunos em Bolonha, escreve artigos para jornais e revistas e aceita convites para organizar exposições, como a que o transformou, no ano passado, em curador, no Museu do Louvre, em Paris. Lá, o autor teve o privilégio de passear sozinho pelos corredores do antigo palácio real francês nos dias em que o museu está fechado. E, como um moleque levado, aproveitou para alisar o bumbum da Vênus de Milo. Foi com esse mesmo espírito bem-humorado que Eco - envergando um elegante terno azul-marinho, que uma revolta gravata da mesma cor tratava de desalinhar; o rosto sem a característica barba grisalha (raspada religiosamente a cada 20 anos e, da última vez, em 2009, também porque o resistente bigode preto o fazia parecer Gengis Khan nas fotos) - conversou com a reportagem do Sabático.
O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?
O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.
Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?
A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar - muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa - é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.
Não é possível prever o futuro da internet?
Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.
Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?
O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias - de Paris a Nova York, por exemplo - sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?
É possível existir contracultura na internet?
Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.
Em um determinado trecho de 'Não Contem Com o Fim do Livro', o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória - que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.
De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos - até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?
No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.
Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.
Diversos historiadores apontam os ataques terroristas contra os americanos em 11 de setembro de 2001 como definidores de um novo curso para a humanidade. O senhor pensa da mesma forma?
Foi algo realmente modificador. Na primeira guerra americana contra o Iraque, sob o governo de Bush pai, havia um confronto direto: a imprensa estava lá e presenciava os combates, as perdas humanas, as conquistas de território. Depois, em setembro de 2001, se percebeu que a guerra perdera a essência de confronto humano direto - o inimigo transformara-se no terrorismo, que podia se personificar em uma nação ou mesmo nos vizinhos do apartamento ao lado. Deixou de ser uma guerra travada por soldados e passou para as mãos dos agentes secretos. Ao mesmo tempo, a guerra globalizou-se; todos podem acompanhá-la pela televisão, pela internet. Há discussões generalizadas sobre o assunto.
Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?
Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil - o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.
Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?
Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).
Um estudioso que também é seu amigo, Marshall Blonsky, escreveu certa vez que existe de um lado Umberto, o famoso romancista, e de outro Eco, professor de semiótica.
E ambos sou eu (risos). Quando escrevo romances, procuro não pensar em minhas pesquisas acadêmicas - por isso, tiro férias. Mesmo assim, leitores e críticos traçam diversas conexões, o que não discuto. Lembro de que, quando escrevia O Pêndulo de Foucault, fiz diversas pesquisas sobre ciência oculta até que, em um determinado momento, elas atingiram tal envergadura que temi uma teorização exagerada no romance. Então, transformei todo o material em um curso sobre ciência oculta, o que foi muito bem-feito.
Por falar em 'O Pêndulo de Foucault', comenta-se que o senhor antecipou em muito tempo O Código de Da Vinci, de Dan Brown.
Quem leu meu livro sabe que é verdade. Mas, enquanto são os meus personagens que levam a sério esse ocultismo barato, Dan Brown é quem leva isso a sério e tenta convencer os leitores de que realmente é um assunto a ser considerado. Ou seja, fez uma bela maquiagem. Fomos apresentados neste ano em uma première do Teatro Scala e ele assim se apresentou: "O senhor não me admira, mas eu gosto de seus livros." Respondi: Não é que eu não goste de você - afinal, eu criei você (risos).
Em seu mais conhecido romance, O Nome da Rosa, há um momento em que se discute se Jesus chegou a sorrir. É possível pensar em senso de humor quando se trata de Deus?
De acordo com Baudelaire, é o Diabo quem tem mais senso de humor (risos). E, se Deus realmente é bem-humorado, é possível entender por que certos homens poderosos agem de determinada maneira. E se ainda a vida é como uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, como Shakespeare apregoa em Macbeth, é preciso ainda mais senso de humor para entender a trajetória da humanidade.
Como foi a exposição no Museu do Louvre, em Paris, da qual o senhor foi curador, no ano passado?
Há quatro anos, o museu reserva um mês para um convidado (Toni Morrison foi escolhida certa vez) organizar o que bem entender. Então, me convidaram e eu respondi que queria fazer algo sobre listas. "Por quê?", perguntaram. Ora, sempre usei muitas listas em meus romances - até pensei em escrever um ensaio sobre esse hábito. Bem, quando se fala em listas na cultura, normalmente se pensa em literatura. Mas, como se trata de um museu, decidi elaborar uma lista visual e musical, essa sugerida pela direção do Louvre. Assim, tive o privilégio (que não foi oferecido a Dan Brown) de visitar o museu vazio, às terças-feiras, quando está fechado. E pude tocar a bunda da Vênus de Milo (risos) e admirar a Mona Lisa a apenas 20 centímetros de distância.
O senhor esteve duas vezes no Brasil, em 1966 e 1979. Que recordações guarda dessas visitas?
Muitas. A primeira, em São Paulo, onde dei algumas aulas na Faculdade de Arquitetura (da USP), que originaram o livro A Estrutura Ausente. Já na segunda fui acompanhado da família e viajamos de Manaus a Curitiba. Foi maravilhoso. Lembro-me de meu editor na época pedindo para eu ficar para o carnaval e assistir ao desfile das escolas de samba de camarote, o que não pude atender. E também me recordo de imagens fortes, como a da moça que cai em transe em um terreiro (para o qual fui levado por Mario Schenberg) e que reproduzo em O Pêndulo de Foucault.
FONTE : http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,eletronicos-duram-10-anos-livros-5-seculos-diz-umberto-eco,523700,0.htm
domingo, 21 de fevereiro de 2010
QUEM FOI GASTON BACHELARD?
Gaston Bachelard
(1884-1962)
Obras
O Novo Espírito Científico (1934), A Formação do Espírito Científico (1938),Psicanálise do fogo (1938), A Água e os Sonhos (1942), O Ar e os Sonhos (1943), A Terra e os Devaneios da Vontade (1948), O Materialismo Racional (1953),A Poética do Espaço (1957) e A Poética dos Devaneios (1960), etc.
Filosofia
Bachelard desenvolve uma reflexão muito diversificada sobre a ciência. Para além de filósofo, crítico e epistemólogo, era cientista e poeta. A publicação das obras revela esta oscilação de interesses a filosofia das ciências, a lógica, a psicologia e a poesia.Os seus trabalhos no domínio da epistemologia continuam a ser de grande relevância para a compreensão dos problemas científicos contemporâneos. A sua ideia principal é que no futuro o conhecimento se baseará na negação do conhecimento actual. Alguns conceitos inovadores:
1. Desfasamento.A filosofia dos filósofos está sempre desfasada em relação à ciência que se pratica. Os próprios cientistas professam uma "filosofia espontânea" que também não correspondência com a sua prática científica.
2. Novo espírito científico. Proposto por Bachelard, tem como objectivo ultrapassar os obstáculos epistemológicos que impedem a ciência de progredir ( o senso comum, os pressupostos das filosofias tradicionais).
3. Rupturas. Bachelard crítica as concepções continuistas da história da ciências, introduzindo a categoria de ruptura para assinalar a dupla descontinuidade histórica e epistemológica que na mesma se verifica. A continua rectificação dos conhecimentos anteriores é a chave de todo o progresso científico. A ciência não é pois um conhecimento absoluto, nem rigoroso, mas apenas cada vez mais aproximado do sentido profundo da natureza. O progresso científico faz-se através de sucessivas rupturas.
"Nós acreditamos, com efeito, que o progresso científico manifesta sempre uma ruptura , perpétuas rupturas, entre conhecimento comum (senso comum) e conhecimento científico, desde que se aborde uma ciência evoluída, uma ciência que, pelo próprio facto das suas rupturas, traga a marca da modernidade. (...) Podemos pois colocar a descontinuidade epistemológica em plena luz. (...) A própria linguagem da ciência está em estado de revolução semântica permanente". Bachelarad, Materialismo Racional
Edições e Comentários
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FONTE : http://afilosofia.no.sapo.pt/10bachelard.htm
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