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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O ABC da Mídia Tática



O manifesto inicial da Mídia Tática


O ABC da Mídia Tática
Por David Garcia e Geert Lovink

Mídias Táticas são o que acontece quando mídias baratas tipo 'faça você mesmo', tornadas possíveis pela revolução na eletrônica de c que qualquer coisa as separa das mídias dominantes.
Uma ética e uma estética distintiva que tem emergido, a qual é culturalmente influenciada pela MTV através das recentes obras em vídeo feitas por artistas. Começou como uma estética rápida e suja que, embora sendo só um outro estilo (ao menos em sua forma videográfica) tem vindo a simbolizar um verité para os anos 90.
Mídias táticas são mídias de crise, crítica e oposição. Esta é tanto a fonte de seu poder ("a raiva é uma energia": John Lydon), como a sua limitação. Seus heróis típicos são; o ativista, guerreiros de mídia nômades, o prankster, o hacker, o rapper de rua, o kamikaze de câmera de vídeo, eles são os alegres negativos, sempre à procura de um inimigo. Mas, uma vez que o inimigo tenha sido nomeado e vencido, é ao militante tático que ocorre entrar em crise. Logo (apesar de suas conquistas), fica fácil troçar dele com expressões típicas da direita, "politicamente correto", "cultura de vítima", etc. Mais teoricamente, as políticas de identidade, críticas midiáticas e teorias da representação, que viraram o fundamento da maior parte das mídias táticas ocidentais estão elas mesmas em crise. Estas formas de pensamento são largamente vistas como remanescentes críticos e repressivos de um humanismo antiquado.


Acreditar que questões de representação são agora irrelevantes é acreditar que as chances de grupos e indivíduos na vida real mesmo ainda não são crucialmente afetadas pelas imagens em circulação de que qualquer sociedade dada dispõe. E o fato de que nós não mais vemos a mídia de massas como a única e centralizada fonte de nossas próprias definições pode tornar estas questões mais escorregadias, mas isso não as torna redundantes.

Mídia Tática, uma forma qualificada de humanismo. Um antídoto útil para aquilo que Peter Lamborn Wilson descreveu como "o inoponível domínio do dinheiro sobre os seres humanos". Mas também como um antídoto para as novas formas emergentes de cientificismo tecnocrático que sob a bandeira do pós-humanismo tendem a restringir discussões de uso humano e recepção social.

O que torna nossas mídias táticas? Em "A Invenção do Cotidiano", De Certeau analisou a cultura popular não como um "domínio de textos ou artefatos senão como um conjunto de práticas ou operações realizadas em estruturas textuais ou em forma de texto". Ele transferiu a ênfase das representações em si direto para os "usos" das representações. Em outras palavras, de que modo nós, como consumidores, usamos os textos e artefatos que nos rodeiam. E a resposta, ele sugeriu, era "taticamente". Isso quer dizer de formas muito mais criativas e rebeldes do que já tinha sido imaginado. Ele descreveu o processo de consumo como um conjunto de táticas pelas quais o fraco faz uso do forte. Ele caracterizou o usuário (um termo que ele preferiu a consumidor) rebelde como tático e o presumido produtor ( no qual ele inclui autores, educadores, curadores e revolucionários) como estratégico. Estabelecer esta dicotomia permitiu a ele produzir um vocabulário de táticas rico e complexo o bastante para equivaler a uma estética reconhecível e distinta. Uma estética existencial.

Uma estética da apropriação, do engano, da leitura, da fala, do passeio, da compra, do desejo. Truques engenhosos, a astúcia do caçador, manobras, situações polimórficas, descobertas prazerosas, tão poéticas quanto guerreiras.


O conhecimento dessa dicotomia tática/estratégica nos ajudou a nomear uma classe de produtores que parecem singularmente conscientes do valor destas inversões temporárias no fluxo do poder. E mais que resistir a estas rebeliões, fazem tudo que podem para amplificá-las. E na verdade fazem com que a criação de espaços, canais e plataformas para estas inversões seja fundamental para sua prática. Nós denominamos o seu (nosso) trabalho de mídia tática.


Mídias Táticas nunca são perfeitas, mas sempre em transformação, performativas e pragmáticas, envolvidas num contínuo processo de questionamento das premissas das canais com que elas trabalham. Isto requer a confiança de que o conteúdo pode sobreviver intacto enquanto viaja de interface para interface. Mas nunca devemos esquecer de que a mídia híbrida tem seu oposto, sua nêmesis, a Medialen Gesamtkunstwerk (1). O programa final para a Bauhaus eletrônica.


É claro que é muito mais cômodo aderir aos rituais clássicos da cena underground e alternativa. Mas mídias táticas estão baseadas num princípio de resposta flexível, de trabalho com diferentes coligações, sendo capaz de se mover entre as diferentes entidades na vasta paisagem midiática sem trair suas motivações originais. Mídias Táticas podem ser hedonistas, ou entusiasticamente eufóricas. Mesmo os hypes de moda tem seus usos. Mas é acima de tudo a mobilidade o que mais caracteriza o militante tático. O desejo e a capacidade de combinar ou pular de uma mídia para outra criando um contínuo suprimento de mutantes e híbridos. Cruzar fronteiras, conectando e religando uma variedade de disciplinas e sempre tirando total proveito dos livres espaços na mídia que estão continuamente aparecendo devido ao ritmo da mudança tecnológica e à regulação incerta.


Embora as mídias táticas incluam mídias alternativas, não estamos restritos a esta categoria. De fato, nós introduzimos o termo tático para romper e ir além das rígidas dicotomias que tem reatringido o pensamento nesta área por tanto tempo, dicotomias tais como amador vs. profissional, alternativo vs. popular. Mesmo privado vs. público.


Nossas formas híbridas são sempre provisórias. O que conta são as conexões temporárias que você é capaz de fazer. Aqui e agora, não algum vaporware ( 2)

prometido para o futuro. Mas o que possamos fazer no lugar com a mídia a que temos acesso. Aqui em Amsterdam nós temos acesso à tv local, cidades digitais e fortalezas de novas e velhas mídias. Em outros lugares eles podem ter teatro, demonstrações de rua, filme experimental, literatura, fotografia.


A mobilidade da mídia tática a conecta com um movimento mais amplo de cultura migratória. Adotada pelos proponentes do que Nie Ascherson descreveu como a estimulante pseudo-ciência do Nomadismo. "A raça humana mostra que seus expoentes estão entrando numa nova época de movimento e migração. Os sujeitos da história, antes fazendeiros estabelecidos e cidadãos, passaram a ser os migrantes, os refugiados, os gastarbeiters ( 3) , os que procuram asilo, os sem-teto urbanos".


Um exemplo característico do tático pode ser visto no trabalho do artista polonês Krzystof Wodiczko que percebe como as hordas de desalojados agora ocupam o espaço público das cidades: praças, parques, vãos de estações de trem que tinham antes sido desenhados por uma triunfante classe média para celebrar a conquista de seus novos direitos políticos e liberdades econômicas. Wodiczko acredita que estes espaços ocupados formam novas àgoras que deveriam ser usadas para sua determinação. "O artista", diz ele, "precisa aprender como operar como um sofista nômade numa pólis migratória".


Como outros taticistas de mídia migratórios, Wodiczko tem estudado as técnicas pelas quais os fracos se tornam mais fortes que os opressores, ao se dispersarem, ao não terem centro, ao se moverem rapidamente pelas paisagens midiáticas físicas ou virtuais. "O caçado deve descobrir a maneira de se tornar o caçador".


Mas o capital também está radicalmente desterritorializado. É por isso que nós apreciamos estar baseados numa edificação como De Waag, uma velha fortaleza no centro de Amsterdam. Nós alegremente aceitamos o paradoxo de *centros* de mídia tática. Assim como castelos no ar, precisamos de fortalezas de tijolos e argamassa, para resistir a um mundo de livres fluxos de capital nômade. Espaços para planejar e não só improvisar e a possibilidade de capitalizar sobre as vantagens adquiridas, têm sempre sido as prerrogativas das mídias "estratégicas". Como taticistas de mídia flexíveis, que não têm medo do poder, ficamos contentes ao utilizar esta abordagem para nós mesmos.


A cada poucos anos nós realizamos uma conferência Next 5 Minutes (Próximos Cinco Minutos) sobre mídia tática a nível mundial. Finalmente temos uma base (De Waag), da qual esperamos consolidar e seguir construindo a longo prazo. Vemos este edifício como um local para planejar evntos e encontros regulares, incluindo o próximo The Next 5 Minutes. Nós vemos o próximo The Next 5 Minutes (em janeiro de 1999), e as discussões que a ele conduzam, como parte de um movimento para criar um antídoto ao que Peter Lamborn Wilson descreveu como "o inoponível domínio do dinheiro sobre os seres humanos".


1. Obra de arte total midiática.
2. Software ainda não lançado no mercado, provavelmente em pesquisa.
3.Trabalhadores imigrantes, em alemão.
Tradução: Ricardo Rosas 

FONTE : http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/03/249849.shtml

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Trecho final da palestra de Tim Berners-Lee na Campus Party 2009

FSM 2009 - Ato Reforma Urbana




por Fórum de TVs última modificação 22/01/2009 21:54

Ato político Cultural realizado na Praça da República, em Belém do Pará, no dia 18 de Janeiro de 2009. O Ato foi uma iniciativa do Comitê de Reforma Urbana como forma de cobrar do poder público ações práticas e urgentes para uma melhor qualidade de vida da população, e contou com a participação de diversos movimentos sociais, apresentações artísticas e espaço aberto para intervenções.

http://www.wsftv.net/Members/harrison/videos/FSM_2009-_REFORMA_URBANA.wmv/view

FSM 2009 - Hip Hop no AIJ




por Fórum de TVs última modificação 20/01/2009 20:34

Uma das expressões mais fortes da juventude conteporânea é o movimento Hip Hop, que através dos B-boys, DJs, MCs, grafitagem e Fanzines colocam pra fora o que pensam e o que querem. A Juventude Hip Hop do distrito de Icoaraci em Belém do Pará nos mostra como estão trabalhando em Preparação ao Fórum Social Mundia 2009.
http://www.wsftv.net/Members/harrison/videos/FSM_2009_-_Rip_Hop_no_AIJ.wmv/view

Fsm 2009 - Rádios Comunitárias




por Fórum de TVs última modificação 22/01/2009 22:16

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva envia até o fim de Janeiro uma proposta de lei que visa descriminalizar as Rádios Comunitárias, mas o que será que tem, realmente, por trás disso? Quais são os prós e os contras? Quem nos responde a esses questionamentos é Moisés Ferreira que faz parte do Fórum em defesa das rádios Comunitárias.
http://www.wsftv.net/Members/harrison/videos/FSM_2009_-_Radios_Comunitarias.wmv/view

FORUM MUNDIAL DE MÍDIA LIVRE- NESTA SEMANA!! EM BELÉM DO PARÁ-ACONTECE JUNTO COM O "FSM"

DO BLOG DO FORUM

Cobertura do Fórum Mundial de Mídia Livre

No nosso blog você acompanhará a cobertura da galera da Faculdade de Comunicação da UFPA. O grupo Academia Amazônia foi lá checar! Mande também sua impressão.

Fórum Mundial de Mídia Livre: rede de “ampliação das vozes”*

Em meio a uma atmosfera plural, o Fórum Mundial de Mídia Livre que está acontecendo em Belém do Pará, como uma das atividades antecedentes ao Fórum Social Mundial, pretende abrir um espaço para discussões acerca do midialivrismo no Mundo.

O evento reúne diversas entidades e pessoas envolvidas direta ou indiretamente com esse tipo de “fazer mídia” para compartilhar informações, trocar experiências e fomentar novas formas de gestão dos canais de comunicação desse tipo de atividade.

O Midialivrismo procura facilitar a difusão e a democratização da comunicação, como direito do ser humano, um novo cenário para garantir expressão e a veiculação informação frente a linguagens da mídia hegemônica.

Serviço: O Fórum Mundial de Mídia Livre acontece na Escola de Aplicação da UFPA (antigo NPI - Avenida Perimetral, 1000), nos dias 26 e 27 de janeiro.

* Trecho da fala de Gustavo Gindre.(...)

Programação do FMML 2009

O Fórum Mundial de Mídia Livre vai acontecer nos dias 26 e 27 de janeiro de 2009 (inscrições aqui), em Belém do Pará.

Local: Escola de Aplicação da UFPA (antigo NPI) - Av. Tancredo Neves (Perimetral), nº 1000 – Bairro Montese (Terra Firme) – Belém, PA. Próximo à UFRA e ao Museu Emilio Goeldi. Mapa do local no site do NPI.


A programação do evento é a seguinte:

Dia 26 de janeiro (segunda-feira)

9h
Mesa 1 - Como ampliar o Midialivrismo
Debatedores: Sérgio Amadeu (Cásper Líbero), Renato Rovai (Revista Fórum), Ivana Bentes (UFRJ), Sóter (Abraço), Antonio Martins (Le Monde Diplomatique), Michael Hardt - EUA (a confirmar), Oona Castro (Overmundo), Maria Pia (AMARC), Gustavo Gindre (Intervozes, a confirmar).
11h30
Mesa 2 - A Mídia e a Crise
Debatedores: Luiz Hernandez Navarro (La Jornada), Sandra Russo (Página 12), Pascual Serrano (Rebelión), Marcos Dantas (PUC-RJ), Joaquim Palhares (Carta Maior), Altamiro Borges (Vermelho), Joaquín Constanzo (IPS), Bernardo Kucinski, Bernard Cassen - França (a confirmar), Ignacio Ramonet - Espanha (a confirmar).
14h
Almoço

15h30
Seminário de Comunicação Compartilhada no FSM
Conceito e modelos alternativos ao jornalismo de mercado

Abertura: Comunicação Internacional do Fórum Social Mundial

Mesa e recomendações da comunicação compartilhada ao FMML
  • Mídias colaborativas - Ciranda, Minga, Flamme D`Afrique
  • Fórum de Rádios - Fórum de Defesa das Rádios Comunitárias do Pará, Amarc, Radio Kosh
  • Fórum de TVs - Intervozes, Folcuspuller, Mau Mau (Quênia)
Informes
  • Laboratório de Conhecimentos Livres
  • Jornal Terra Viva/IPS
Microfone aberto: Recomendações do movimento social ao FMML
  • Movimento social criminalizado (MST/Via Campesina)
  • Movimento Feminista (Articulação Mulher e Mídia)
  • Movimento Negro (Força Ativa)
  • Movimento Indígena
  • Movimento Juventude
  • Movimento Conhecimentos Livres
18h
Respiro

18h30
Atividades auto-gestionadas
Reunião dos veículos, reunião das entidades que atuam pela democratização, reunião da academia, reunião dos blogueiros, oficinas, etc.

21h30 - Confraternização e sistematização dos debates

Dia 27 de janeiro (terça-feira)

9h - Plenária de Encerramento

14h
- Almoço

15h
- Ida em bloco à marcha do FSM

Dia 29 de janeiro (quinta-feira)

12h as 15h
Democratização da Comunicação: a alternativa dos Pontos de Mídia Livre

Debate Apoio para os Pontos de Mídia

Local: UFPA Profissional, bloco KP, sala KP07.

Participantes: Célio Turino, Forum Mundial de Mídia Livre, Associação Outras Palavras, Rede Universidade Nômade, veículos de Mídia Livre e midialivristas.



LEIA MAIS EM :
FONTE : http://forumdemidialivre.blogspot.com/

Silicone bala perdida - TV TAGARELA - FAVELA DA ROCINHA - RIO DE JANEIRO



Comercial satírico produzido para o espetáculo teatral Fragmentos da Roça. Realizado pela Escola de Música da Rocinha, dirigido por Flávia Melo, elenco formado por atores da Cia de teatro Roçacaçacultura , gravado e finalizado pela TV Tagarela.
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