Mostrando postagens com marcador #AgoraÉQueSãoElas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #AgoraÉQueSãoElas. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de novembro de 2015

#AgoraÉQueSãoElas - O RETROCESSO COVARDE DA PL 5069

*A Professora Arlene Clemesha comentou ontem num telejornal que o retrocesso seria enorme se a PL 5069 passasse. Um ponto hiper relevante e absurdo é duvidar da palavra de uma mulher vítima de estupro e fazê-la comparecer a uma delegacia para fazer boletim de ocorrência. Afirmou a professora que isto seria voltar ao século passado quando as mulheres não eram vistas como cidadãs dignas e tinham suas palavras postas em xeque. Esta PL 5069 é mesmo desprezível, totalmente contra os direitos humanos e contra os direitos das mulheres tão duramente conquistados! 

Nadia Gal Stabile - 14 11 2015

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447340367_657170.html


Bancada feminina da Câmara espera que mobilização freie a votação

O desgaste que os protestos representam a Cunha podem ajudar a adiar a medida



Mulheres no ato contra PL 5069
Mulheres no ato em São Paulo. / Roberto Parizotti/secomCUT

Do lado de dentro, elas são apenas 52 a ocupar as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. Mas, do lado de fora, ganharam o reforço de milhares de mulheres, cujo objetivo é barrar nas ruas a aprovação do PL 5069, que dificultará o acesso ao aborto em casos de estupro. Para a enfraquecida bancada feminina da Câmara, a mobilização feminista, que volta a protestar nesta quinta-feira, é a última esperança para evitar que o projeto seja colocado em votação no Plenário, possibilidade que a articulação delas não conseguiu afastar até o momento.
A tarefa é difícil. O projeto, de autoria do presidente da Casa, Eduardo Cunha, tem o apoio e o lobby das bancadas religiosas do Congresso. Juntos são cerca de 170 os parlamentares evangélicos e os católicos ligados à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O número alto desses parlamentares, que também recebem apoio de outras bancadas conservadoras, como a da Bala (segurança pública), dá a Cunha a garantia de um apoio político importante neste momento em que ele está enfraquecido e ameaçado de perder o mandato por conta das denúncias de envolvimento com a corrupção da Petrobras.
Mas é justamente esse enfraquecimento de Cunha que pode trazer uma esperança para as mulheres em marcha, afirmam algumas parlamentares ouvidas pelo EL PAÍS. Como o foco dos protestos tem sido também o “Fora Cunha”, o presidente da Câmara pode querer evitar todo esse holofote, que aumentará quando o projeto de lei for colocado em votação.
O PL 5069, que tramitava desde 2013 e não teve nenhuma movimentação na Casa em 2014, foi apreciado de forma relâmpago neste ano na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O projeto prevê penas para quem “vende ou entrega, ainda que de forma gratuita, substância ou objeto destinado a provocar o aborto”. Caso o responsável seja médico, farmacêutico ou enfermeiro, a pena aumenta. Ele ganhou um substitutivo do relator Evandro Gucci, ligado à CNBB, que incluiu ainda que o aborto só será autorizado quando o estupro for constatado em exame de corpo de delito e comunicado à autoridade policial. E mais: nenhum profissional de saúde poderá ser obrigado a aconselhar, receitar ou administrar procedimento ou medicamento que considere abortivo. Os religiosos acreditam que a pílula do dia seguinte se enquadra nesta categoria, o que dificultaria a sua distribuição caso a lei seja aprovada. A própria CNBB já deu declarações afirmando que o medicamento é abortivo e, por isso, “moralmente inaceitável".
Aprovado na comissão em 23 de outubro, o PL deverá ser votado pelos 513 parlamentares do Plenário, onde precisa de uma maioria simples (257) para ser aprovado. Eduardo Cunha é quem decide quando isso acontece porque como presidente da Câmara tem a prerrogativa de definir o que entra em votação e em qual momento. A avaliação da bancada feminina é que o projeto poderá ser colocado em votação já na semana que vem, caso as manifestações não mudem o cenário. “Cunha mexeu com um setor da sociedade que se mobilizou rapidamente, pois as mulheres serão diretamente afetadas por essa política retrógrada”, afirma a deputada Maria do Rosário (PT-RS).
“Os protestos estão conseguindo virar votos de deputados que naquele momento não entenderam a gravidade do que se estava discutindo”, afirma a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ). A deputada Renata Abreu (PTN-SP), que votou a favor do projeto na comissão, é um exemplo: deu declarações na imprensa afirmando que considera mudar seu posicionamento. “Sinceramente, tenho repensando os pontos relativos ao B.O. [Boletim de Ocorrência] e ao corpo de delito. Inicialmente, pensava que a obrigatoriedade para a realização deles seria positiva para evitar a banalização do aborto. Mas, depois da votação, passei a conversar com mulheres que foram vítimas de estupro e percebi que a questão não é tão simples assim", afirmou ela ao portal iG.
As parlamentares preveem que, se ganhar a batalha neste momento, o avanço conservador contra os direitos femininos só irá aumentar rapidamente. O próximo projeto que deverá começar a andar com celeridade é o PL 478 de 2007, conhecido como Estatuto do Nascituro (termo que se refere ao "ser humano concebido, mas ainda não nascido"), que dificulta ainda mais o aborto legal. Em setembro, a tramitação até então morosa do projeto ganhou nova movimentação: o deputado evangélico Marcos Rogério (PDT-RO) conseguiu aprovar o pedido de audiência pública, a primeira etapa para iniciar a discussão. A data, entretanto, ainda não foi marcada.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Mulheres protestaram contra Cunha pela terceira vez em duas semanas

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/12/politica/1447346906_965515.html


Mulheres protestaram contra Cunha pela terceira vez em duas semanas

Em São Paulo e no Rio, manifestantes voltaram às ruas nesta quinta contra PL 5069.

Texto, em tramitação na Câmara, complica o acesso das mulheres ao aborto legal no Brasil

/ São Paulo / Rio de Janeiro 12 NOV 2015 - 22:18 BRST


Pela terceira vez em duas semanas, as mulheres voltaram às ruas nesta quinta-feira para protestar contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), um dos autores do projeto de lei (PL 5069) que cria novas regras para o atendimento a vítimas de abuso sexual. Na prática, o texto dificulta o acesso ao aborto legalmente permitido no Brasil. Em São Paulo, o ato, que reuniu cerca de 2000 pessoas, segundo organizadoras do movimento, teve a presença de mães acompanhadas de suas filhas e também protesto em frente à Secretaria de Educação do Estado que tem um plano de reorganização de escolas no estado. No Rio de Janeiro, a marcha acabou na Cinelândia e também prestou uma homenagem às mulheres mortas após realizarem abortos inseguros – em 2014, dois casos chocantes aconteceram, em apenas um mês, na cidade.
Leia análises e reportagens sobre o tema e veja quais foram os principais momentos dos atos.

PL 5069 #AgoraÉQueSãoElas - SILVIA FEOLA E MARCELO RUBENS PAIVA

http://cultura.estadao.com.br/blogs/marcelo-rubens-paiva/por-que-homens-nao-usam-saia/

Por que homens não usam saia?


Marcelo Rubens Paiva

10 novembro 2015 | 11:27



O PL 5069, do controvertido presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que dificulta o aborto legal em caso de estupro e limita o atendimento das vítimas, foi aprovado graças à intervenção da bancada evangélica pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, deu em manifestações nas ruas e no mundo virtual, em que se pediu um estado laico.
Cartazes com os dizeres “Útero Livre Já”, “Meu Útero É Laico”, “Meu Corpo Minhas Regras” se misturaram na Avenida Paulista e na Cinelândia aos que pediam “Fora Cunha! Fica Pílula”.
O movimento #AgoraÉQueSãoElas sugere que colunistas de jornais e da rede cedam seus espaços para vozes femininas ratificarem que o machismo brasileiro está enraizado nas nossas relações sociais, e que uma onda conservadora patrocinada por grupos religiosos estaria empurrando para trás avanços da sociedade.
Depois que uma menina de 12 anos, participante do programa Master Chef Júnior, da Band, recebeu mensagens de cunho sexual pelas redes, o coletivo Think Olga criou o movimento #meuprimeiroassedio, em que mulheres de todas as idades passaram a expor, com coragem e sem autocensura, experiências terríveis de assédio.
Ficamos horrorizados com relatos de amigas que nunca nos contaram histórias traumáticas que viveram na infância, adolescência, abusadas por primos, tios, amigos de pais, porteiros, desconhecidos, ou que viveram ontem. Um depoimento encorajou outros.
Detecta-se que existe uma cultura de desrespeito que vê a mulher como um objeto inferior. Homens que não conhecem limites abusam do poder e atacam impunimente, encoxam no trem, ônibus, metrô, acreditam que o corpo que a está à frente lhes pertence, não tem sentimentos, está à sua disposição.
Compartilhei dramas de amigas, me indignei com o atraso de um país que já deveria ter criado mecanismos de defesa para as mulheres não sofrerem constrangimentos e não serem vítimas da violência sexual (real ou virtual). Enquanto uma aluna da Geografia da USP, Luísa Cruz, um ano depois de ter sido atacada dentro do campus, volta a receber ameaças do perseguidor. Teve de recorrer às redes sociais, pois a universidade não colaborava com as investigações.
Para completar a semana de horrores, a atriz Taís Araújo foi atacada na web com comentários racistas e sexistas depois de postar uma foto no seu perfil, crime de injúria racial que já havia sido praticado contra a mulher do tempo do Jornal Nacional, Maria Júlia Coutinho, a Maju.
Sozinho, não posso fazer muito. Requisitado, farei o que precisam. Como ceder o espaço abaixo para a mulher que vive comigo, mãe do meu filho, filósofa Silvia Feola:

oi 025
Os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) protestaram nas redes sociais contra pergunta do Enem que abordava o movimento feminista dos anos 1960. A questão pedia para o candidato relacionar um trecho extraído do livro O Segundo Sexo, da filósofa francesa Simone de Beauvoir, com movimentos sociais listados na prova. Para os deputados, a questão dizia respeito a uma doutrinação (partidária) sobre ideologia de gênero. No Brasil, país que, como ex-colônia europeia, é fortemente influenciado pelas diretrizes do mundo Ocidental, a história do mundo sempre é contada a partir do prisma europeu. Simone de Beauvoir deveria soar como um nome familiar aos candidatos do Enem, dado que é uma das personalidades mais importantes do pensamento francês do século 20, e uma das raras mulheres que conseguiram ingressar no hall majoritariamente masculino da literatura. Para além disso, sua importância mundialmente reconhecida na luta da emancipação feminina deveria ser objeto de estudo aprofundado na educação brasileira: primeiro porque é um dos movimentos sociais recentes mais relevantes; segundo porque questionar o papel da mulher faria bem para o futuro de todos. Mas “Simone é doutrinação”, pois gênero não existe, dizem. Será mesmo que somos todos iguais? Apenas alguém que nunca tenha se debruçado sobre as atividades chatas do dia-a-dia pode pensar que a relação mulher-lar não é socialmente imposta. O machismo engoliu o movimento feminista e fez da luta pela emancipação da mulher uma luta pela aquisição de direitos iguais, leia-se, iguais aos dos homens. Mas devemos pensar na igualdade não somente como um conceito que abriga um bem em si, mas como um conceito que diz respeito a algo: igual a que e em quê. Simone e as conquistas do movimento feminista dos anos 60 nos deram a base para repensar a questão da igualdade não como uma igualdade sem mais, mas uma igualdade qualificada. O fato de a mulher ser tratada como um igual, nos mesmos termos do homem, não significa que atingimos a igualdade necessária. Devemos comemorar que vencemos a barreira do mercado de trabalho. Mas ser feminista em 2015 é entender que o mesmo mercado de trabalho pelo qual lutamos é dirigido por homens, o que implica que não nos colocamos nele com as mesmas armas. O mercado de trabalho, tal como existe, é duro com a mulher. Por ele, sacrificamos nosso tempo com os filhos, com a casa, com a família. E se escolhermos sacrificar um pouco menos, descemos degraus profissionais. Saudamos a revolução do terno como um direito do nosso guarda-roupa, mas não nos incomodamos com o fato de que em muitos lugares é proibido aos homens usarem saia e, até há pouco tempo, as mulheres amamentarem em público. As demarcações de gênero quase sempre recaem sobre os símbolos do gênero feminino, e nunca nos perguntamos seriamente por quê. Ser feminista hoje é rever estruturas do mundo à nossa volta, para que possamos ser ao mesmo tempo mulher, trabalhar e cuidar dos filhos; ser mulher e ter plenos direitos sobre o corpo; ser mulher e escolher não ter filhos ou se casar; ser mulher e não ouvir bobagens na rua; ser mulher e poder ficar bêbada sem constrangimentos. Nossa sociedade foi construída por todos com base na ordenação do mais forte, tanto no que diz respeito ao gênero como na hierarquia social. O caminho da mudança é buscar atender o que nos une: nosso gênero feminino. #AgoraÉQueSãoElas
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...