domingo, 10 de janeiro de 2010
SÍNDROME DE ESTOCOLMO,MASOQUISMO, CUMPLICIDADE...
MASOQUISMO? SÍNDROME DE ESTOCOLMO?
inconscientemente passam a adorar seus algozes...?
aí a "cumplicidade" ...!!??
esta história de cumplicidade entre homem e mulher nunca me entrou na cabeça!
criminosos são cúmplices,pra mim esta palavra é péssima!
e ao mesmo tempo, hoje pensando a partir do que Glória escreveu aqui em postagem anterior...
Sim cumplicidade talvez seja a coisa mais real ...mas não no sentido exato que Simone Beauvoir e Sartre,
praticavam! Mas, se a maioria dos homens brasileiros não quer abrir mão de sua posição pra lá de antiga,
dominador, explorador, opressor,repressor....então, as mulheres que juntam-se a estes homens estariam mesmo sendo suas cúmplices no crime! lógico!
E aí a Síndrome de Estocolmo, não seria tão síndrome assim! mas masoquismo por certo!
Será que deu pra entender meu ponto de vista?
Mulheres capangas que acatam mandos e desmandos por conveniência,são cúmplices sim , mas de um grande criminoso,e assim acabam mantendo o status quo.(fazem pactos individualistas,e continuam perpetuando mentiras..cúmplices em pactos,não companheiros de luta em causas coletivas)
Sempre ouvi esta expressão no contexto que vivi e nunca a aceitei como válida pra mim!
Aliás detesto a palavra cúmplice ... pra mim só criminosos são cúmplices!
E talvez Simone e Sartre tenham sido "cúmplices" de um outro jeito que neste país...
nunca existiu!
Nadia Stabile - 10/01/10
CUMPLICIDADE ENTRE SIMONE BEAUVOIR E SARTE
Ela contou a história de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir
Paulo Lima | julho 2006
extraído de Caros Amigos
"(...)A notável cumplicidade do casal permitia que dividissem não somente interesses e preocupações, mas também amantes. E essa liberdade era exercida mediante um pacto incomum: eles contavam tudo um para o outro. Bonita, ícone do feminismo, Beauvoir era igualmente uma sedutora e teve muitos amantes homens, mas também se envolveu com mulheres, fato que ela sempre negou e que só se tornou público após a sua morte, com a divulgação de suas cartas.
Hazel Rowley lecionou na Universidade de Iowa, Estados Unidos, e na Deakin University, Austrália, e é autora dos livros Richard Wright: The Life and Times e Christina Stead: A Biography. Para escrever o duplo retrato de Sartre e Beauvoir, ela realizou entrevistas originais e pesquisou centenas de cartas inéditas. “Jamais gostei tanto de ter escrito um livro“, disse nesta entrevista concedida por e-mail de Nova York, onde mora.(...)"
"(...)Relações abertas não eram incomuns. O que fez com que a de Sartre e Beauvoir fosse tão diferente e famosa?
É verdade, relações abertas não eram particularmente incomuns naquele tempo. Muitos amigos do casal levavam o mesmo tipo de vida. Hoje é algo incomum. O mundo se tornou mais conservador, em parte por causa da Aids. Porém, a maioria das pessoas que vivem relacionamentos abertos não conta tudo um para o outro, e com detalhes em technicolor! Mas Sartre e Beauvoir contavam tudo um para o outro. Isso lhes dava um sentimento de cumplicidade. Para escritores, isso era maravilhoso. Era quase como se cada um deles vivesse duas vidas. O que os tornou também famosos foram as memórias de Beauvoir. Ela despertou ainda mais o interesse sobre a vida dos dois escrevendo memórias sem fim sobre a vida do casal.(...)"
LEIA NA ÍNTEGRA EM :
FONTE : http://www.simonebeauvoir.kit.net/artigos_p08.htm
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
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CULTURA E EDUCAÇÃO - FORUM DE DISCUSSÕES
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
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Será que dá pra educar através da cultura?
Seria melhor que as escolas deixassem de existir,e as crianças fossem educadas numa praça ou parque onde a cultura e a arte fossem "praticadas" no sentido pleno das palavras!?
Imagine duas crianças conversando com alguns idosos num banco de uma praça!! e então estes idosos poderiam declamar poesias, ou lerem livros para as crianças, ou ainda ensinar tricô ou crochê!
E mais adiante outros adultos poderiam ensinar as crianças a cuidar do jardim,da horta ou do pomar que poderia existir ali no parque...
Num outro canto do parque haveriam jovens, adultos e idosos ensinando as crianças a tocarem instrumentos musicais.
E no lago ou riacho outros ensinariam as crianças a pescar.
Assim como os povos indígenas daqui da América do Sul,ensinam suas crianças e jovens no dia a dia, sem a necessidade de escolas (aliás atualmente eles já assimilaram o uso de escolas) mas acho que antes da invasão dos civilizados,
era melhor para as crianças!
É possível educar crianças civilizadas desta maneira que descrevi acima?
Seria melhor e mais eficiente do que através de escolas,no sentido de desenvolver a cidadania ? Desenvolver o sentimento de união e cooperação?
Nadia Stabile
Tags: ADOLESCENTES, ARTE, ARTESANATO, CIDADANIA, COOPERAÇÃO, CRIANÇAS, CULTURA, EDUCAÇÃO, ETNIAS, IDOSOS
http://avessodotwitter.ning.com/forum/topics/cultura-e-educacao
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
este blog,a primavera,os pássaros, os platôs,metáporos,Shakespeare e os transes...
"OnDE estamos, de que se trata, inquisição, Galileu,metáporos?...Que importa o nome? A rosa teria o mesmo perfume...W.Shakespeare? Vc esteve mesmo comigo no meu sonho? como sempre.?..rsrs...nem Romeu e Julieta assim...e lá fora um sol flamejante arde em mim...rsrs...
Nunca fui em lugar nenhum, nunca estive em lugar algum...nasci da luz dos olhos seus...
BEIJOS SARAU PARA TODOS...POETA DESTE BLOG EM TRANSE..." Glória Kreinz
>>> "...e o transe das flores...
lhes dão perfumes inexoráveis!!!
e Glória e o sol e Shakespeare e Marcelo Roque...
e Walder,e Vania...e todo mundo...
e as poesias de Joana...e os escritos de Cristóvão...
as fotos de ECNICALEBRIC
e as visitas de FELLINI? ...e os artigos de Celso...
e os perfumes inexoráveis de todos...
e os terrores que existem
e os monopólios
e a soja ,o arroz, o trigo...
flores não comem soja e nem nada da Monsanto!?
e nem sabem o que é a América Latina e o mundo.
inexoráveis perfumam o mundo!
mas perfumariam muito mais se..."
Nadia Stanile - 25/09/09
E GLÓRIA CONTINUA:
PERFUMARIAM MUITO MAIS
SE VIESSEM PARA AS RUAS
PALCO E DEMOCRACIA,
ONDE O SARAU PARA TODOS,
FAZ COMUNICAÇÃO/GUERRILHA
JUNTOS,DE MÃOS DADAS,
COMO QUERIA DRUMMOND,
A ROSA E A GRANADA NAS MÃOS,
NOSSO CANTO CONTINUA...
Glória Kreinz
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
A música techno inspira filósofos Glória Kreinz
![]() | "Tonal, modal, atonal não significam mais quase nada. Não existe senão a música para ser arte como cosmos e traçar as linhas virtuais da variação infinita." (DELEUZE e GUATTARI, 1980) |
Referências bibliográficas:
DELEUZE, G e GUATTARI, F. Mil Platôs. Rio de Janeiro, Editora 34, V. 2, 1995.
DELEUZE, G. e MANGANARO. "De Nietzsche à la Techno"
LEMLE, M. "O Novo Estruturalismo Lingüístico de Chomsky". Revista Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, V. 15/16, s.d.
Rizoma: uma introdução aos Mil Platôs de Deleuze e Guattari
Resumo:
Nosso objetivo é fazer uma apresentação à proposta de pensamento expresso na obra Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia, de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Este texto busca, inicialmente, apresentar uma proposição sintética do conceito "rizoma", tal como proposto pelos autores referidos acima. Após a exposição do conceito, apresentaremos algumas perspectivas de análise da situação contemporânea a partir desse conceito e da rede conceitual deleuze-guattariana.
Palavras-Chave: rizoma, sistemas centrados e a-centrados, cartografia, inconsciente.
Introdução
Em Anti-Édipo: Capitalismo e Esquizofrenia a dupla formada pelo filósofo Gilles Deleuze e pelo psicanalista Félix Guattari busca fazer uma crítica ao mesmo tempo histórica e ontológica da psicanálise, passando pelo pensamento de Marx e Nietzsche. Tal como aludem os autores no prefácio à edição italiana do volume da obra Mil Platôs "O Anti-Édipo tinha uma ambição kantiana: era preciso tentar uma espécie de crítica da razão pura no nível do inconsciente." (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 06). Para melhor compreendermos a proposta-trajeto iniciada em Anti-Édipo, faz-se conveniente relembrarmos seus três temas fundamentais, que seriam:
1- Substituição da idéia do inconsciente enquanto teatro pela idéia de inconsciente como usina (questão de produção de inconsciente e não de representação de conteúdos do inconsciente).
2- O delírio é histórico-mundial, não familiar: deliram-se raças, tribos, culturas, organizações, posições sociais, etc.
3- Existe uma história universal, que não é a da necessidade, e sim da contingência (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 07).
Já na seqüência de Anti-Édipo, os Mil Platôs, a preocupação apresentada pelos autores é de outra ordem: A construção de conceitos capazes de pensar a contemporaneidade importa mais que fazer uma crítica da mesma. "O projeto é construtivista" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 08), dizem os autores.
O Anti-Édipo foi um livro escrito no calor dos eventos do Maio de 68, e escrito para aqueles que estavam fartos da psicanálise: "Sonhávamos em acabar com Édipo" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 07), mas as reações ao Maio de 68 e o desenrolar da história mostraram o quanto Édipo era forte e ainda dominava - e, como um olhar mais cuidadoso pode observar, ainda domina certa parcela considerável do pensamento psicanalítico contemporâneo. Era preciso tentar algo novo, e o que se propõe com os "platôs" é justamente esta tentativa, a de constituir um pensamento que se efetue através do "múltiplo" - e não a partir de uma lógica binária, dualista, do tipo "um-dois", "sujeito-objeto", que se efetue por dicotomia, tal como vemos na psicanálise, na lingüística e na informática -, de modo a construir uma teoria das multiplicidades que fosse imanente, que colocasse propostas concretas de pensamento ao invés de simplesmente se limitar à crítica da psicanálise.
O primeiro conceito criado para propor esta teoria das multiplicidades é o conceito de "rizoma". Veremos ao longo dos platôs como o conceito de rizoma funciona perfeitamente como o ponto de partida para se pensar as multiplicidades por elas mesmas, visto que o fundamento do rizoma é a própria multiplicidade. Vejamos a definição dada pela botânica:
"Em botânica, chama-se rizoma a um tipo de caule que algumas plantas verdes possuem, que cresce horizontalmente, muitas vezes subterrâneo, mas podendo também ter porções aéreas. O caule do lírio e da bananeira são totalmente subterrâneos, mas certos fetos desenvolvem rizomas parcialmente aéreos. Certos rizomas, como em várias de capim (gramíneas), servem como órgãos de reprodução vegetativa ou assexuada, desenvolvendo raízes e caules aéreos nos seus nós. Noutros casos, o rizoma pode servir como órgão de reserva de energia, na forma de , tornando-se tuberoso, mas com uma estrutura diferente de um tubérculo ."
O conceito desenvolvido por D&G amplia muito esta definição, justamente pelo fato de que o conceito na botânica não comporta a multiplicidade, se limitando a definir um tipo específico de caule. Para D&G, este tipo de caule em conjunto com a terra, o ar, animais, a idéia humana de solo, a árvore, e etc formariam o rizoma, não se limitando apenas à pura materialidade, mas também à imaterialidade de uma máquina abstrata que o arrasta, sendo, portanto, um conceito ao mesmo tempo ontológico e pragmático de análise.
Rizoma
"Um platô está sempre no meio, nem início nem fim. Um rizoma é feito de platôs." (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 33)
Um rizoma é uma segunda espécie de conjunto de linhas. Um primeiro conjunto de linhas é aquele no qual uma linha é subordinada ao ponto, à verticalidade e horizontalidade, que estria o espaço, faz um contorno, submete multiplicidades variáveis ao Uno, ao Todo de uma dimensão suplementar ou suplementária. As linhas deste tipo são as linhas molares, e formam sistemas binários, arborescentes, circulares e segmentários .
Um rizoma é totalmente diferente deste primeiro tipo de linhas, o rizoma não é exato, mas um conjunto de elementos vagos, nômades, de maltas e não de classes: "Do ponto de vista do pathos, é a psicose e sobretudo a esquizofrenia que exprimem estas multiplicidades." (DELEUZE e GUATARRI, 1997: 221) É oportuno enumerar agora algumas características aproximativas do rizoma, para, posteriormente pensarmos esse conceito numa perspectiva mais ampla.
1º e 2º - Princípios de conexão e heterogeneidade
Qualquer ponto de rizoma pode ser conectado a qualquer outro e deve sê-lo. Descentramento do sujeito, negação da genealogia, afirmação de uma heterogênese em oposição à ordem filiativa do modelo de árvore e raiz. O rizoma é distinto disso tudo, pois não fixa pontos nem ordens - há apenas linhas e trajetos de diversas semióticas, estados e coisas, e nada remete necessariamente a outra coisa. Para demonstrar estes princípios, D&G recorrem à ontologia da linguagem, e conseqüentemente à lingüística: "A árvore lingüística à maneira de Chomsky começa ainda num ponto S e procede por dicotomia" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15), sendo assim "um marcador de poder antes de ser marcador sintático". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15) Tais modelos não dão conta nem da abstração nem da materialidade da língua,
"por não atingir a máquina abstrata que opera a conexão de uma língua com os conteúdos semânticos e pragmáticos de enunciados, com agenciamentos coletivos de enunciação, com todo uma micropolítica do campo social." (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15)
É preciso levar sempre em conta as formas de organizações de poder, pois
"não há universalidade da linguagem, mas sim um concurso de dialetos, de patoás, de gírias, de línguas especiais. (...) A língua é, segundo uma fórmula de Weinreich, "uma realidade essencialmente heterogênea". Portanto, é impossível pensar em "uma língua-mãe", mas somente em uma "tomada de poder por uma língua dominante dentro de uma multiplicidade política" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 16).
De modo que "a unidade de uma língua é sempre inseparável da construção de uma unidade política". (GUATARRI, 1988: 25) A língua se forma e se estabiliza em torno de uma comunidade, de uma coletividade, espalhando-se como uma mancha de óleo, "evolui ao longo das linhas de uma estrada de ferro". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 16) Uma prática analítica do tipo rizoma procura analisar a linguagem efetuando um descentramento sobre outras dimensões e outros registros, pois a análise lingüística que se fecha sobre a própria linguagem só o faz "em uma função de impotência". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 16) Isto equivale a dizer que estaríamos, neste caso, subordinando linguagem à linguagem apenas, definindo-a ao mesmo tempo como ponto central e elemento local. Uma analítica rizomática, ao contrário, procurar "estabelecer conexões transversais entre os estratos e os níveis, sem centrá-los ou cercá-lo, mas atravessando-os, conectando-os". (GUATARRI e ROLNIK, 1986: 322)
3º - Princípio de multiplicidade
Pensar o múltiplo efetivamente como substantivo, pois é aí que ele não tem mais nenhuma relação com o uno como sujeito ou objeto, como realidade natural e espiritual, como imagem e mundo, pois a multiplicidade não constitui sujeito e muito menos objeto, mas apenas determinações, grandezas e dimensões, "que não podem crescer sem que se mude de natureza". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 16) As multiplicidades se definem pelo fora, pelas linhas que compõe um rizoma, linha abstrata e linha de fuga. O plano de consistência (ou plano de imanência) é o fora de todas as multiplicidades, e nele a linha de fuga marca ao mesmo tempo "um número de dimensões finitas que a multiplicidade preenche", assim como "a impossibilidade de toda dimensão suplementar" e também a "possibilidade e a necessidade de achatar todas estas multiplicidades sobre um mesmo plano de consistência ou exterioridade". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 17)
Uma boa maneira de compreender esta idéia de multiplicidade é olhando uma marionete, os fios e o manipulador: os fios de uma marionete constituem a multiplicidade, nem o que controla, nem o boneco controlado com as cordas, mas as próprias cordas, que comunicam uma parte à outra. São as linhas de um ponto ao outro que importam, não os pontos em si. Um outro exemplo de multiplicidade evocado por D&G é a escrita de Kleist, um "encadeamento quebradiço de afetos e velocidades variáveis", onde numa mesma página se expõe toda a exterioridade: "Acontecimentos vividos, determinações históricas, conceitos pensados, indivíduos, grupos e formações sociais". D&G opõem esta escrita rizomática, composta em platôs "(...)que se desenvolve evitando toda orientação sobre um ponto de culminância ou em direção a uma finalidade exterior" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 33) ao livro clássico, romântico, sendo este definido e constituído pela interioridade de um sujeito ou substância. O livro-máquina de guerra contra o livro-aparelho de Estado: Kleist versus Goethe, Nietzsche versus Kant, multiplicidade versus unidade.
4º - Princípio de ruptura a-signficante:
Um rizoma pode ser rompido e quebrado em algum lugar qualquer, mas também retoma segundo uma de suas linhas ou segundo outras linhas.
"Todo rizoma compreende linhas de segmentariedade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc; mas também compreende linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem para". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 18)
Cada vez que há ruptura no rizoma as linhas segmentares explodem numa linha de fuga, mas estas linhas de fuga são parte do rizoma: as linhas não param de remeter umas às outras. Traça-se uma linha de fuga quando se faz uma ruptura, mas nela podem encontrar-se com elementos que reordenam o conjunto e reconstituem o sujeito. "Como é possível que os movimentos de desterritorialização e os processos de reterritorialização não fossem relativos, não estivessem em pérpetua ramificação, presos uns aos outros?" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 18)
A orquídea se desterritorializa, forma uma imagem, um decalque da vespa, e a vespa se reterritorializa sobre esta imagem, o que, no entanto, é uma desterritorialização, pois ao se tornar parte do aparelho de reprodução da orquídea ela também reterritorializa a orquídea ao transpor o pólen. As duas juntas formam um rizoma. No nível dos estratos: paralelismo, entre dois estados determinados, cuja organização de um imitou a do outro. Mas trata-se de algo completamente diferente: Não mais imitação, mas captura, mais valia de código, devir-vespa da orquídea e devir-orquídea da vespa, cada um assegurando ao outro os movimentos de desterritorialização e reterritorialização de uma das partes - "dois devires se encadeando e revezando segundo uma circulação intensidades que empurra a desterritorialização cada vez mais longe". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 19) Se introduzirmos mais uma parte no rizoma vespa-orquídea, levaríamos a outros pontos e processos tal relação: quando um homem entra neste sistema e introduz, por exemplo, um agrotóxico, ou desmata uma região. Toda uma reorganização das relações no rizoma. Não havendo mais orquídeas, as vespas terão de procurar outras flores.
"Os esquemas de evolução não se fariam mais segundo modelos de descendência arborescente (...) mas segundo um rizoma que opera imediatamente no heterogêneo e salta de uma linha já diferenciada à outra." (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 19)
Nossa evolução e morte se deu mais por gripes, vírus e bactérias polimórficas e rizomáticas do que por doenças hereditárias.
5º e 6º - Princípio de cartografia e de decalcomania:
"Um rizoma não pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo". Toda a lógica dos sistemas arborescentes é uma lógica do decalque e da reprodução, tanto na lingüística quanto na psicanálise, faz-se um decalque de algo que já está dado, a partir de "uma estrutura que sobrecodifica ou de um eixo que suporta". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 21)
Faz-se um decalque do inconsciente, ou da linguagem, colocando-o segundo uma ordem de complexos codificados, que cabem ao psicanalista ou lingüista interpretarem seguindo uma certa lógica que também já está dada: a árvore articula e hierarquiza os decalques, fazendo destes as folhas da árvores. O rizoma é mapa, e não decalque. "A orquídea não reproduz o decalque da vespa, ela compõe um mapa com a vespa no seio de um rizoma". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 22) O mapa é aberto e desmontável, pode ser conectado em qualquer uma de suas partes ou dimensões, é reversível e suscetível de receber montagens de qualquer natureza, ser (re)construído por um indivíduo ou por uma formação social, como obra de arte ou ação política, como uma meditação. Ele tem entradas múltiplas, "(...)contrariamente ao decalque, que volta sempre ao mesmo". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 22)
É preciso, no entanto, não opor os dois sistemas, restaurando assim um dualismo binário: "É preciso sempre projetar o decalque sobre o mapa". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 23) O decalque pode estruturar um rizoma, codificá-lo, "neutralizando assim as multiplicidades segundos eixos de significância e de subjetivação" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 23), mas o que o decalque reproduz do rizoma são apenas os impasses, os bloqueios, seus pontos de estruturação. (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 23)
A psicanálise e a lingüística apenas tiraram fotos ou decalques do inconsciente e da linguagem. É importante tentar uma outra operação, religando os decalques ao mapa, relacionando árvores e raízes ao rizoma. Estudar o inconsciente seria mostrar como ele tenta constituir um rizoma, com a casa da família, mas também com a linha de fuga da rua, mostrar como tais linhas são obstruídas, enraizadas na família, decalcado sobre o pai e a cama materna. (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 24) Podemos entrar no rizoma até mesmo pelos decalques e árvores-raízes. Há agenciamentos muito diferentes neste ponto, como mapas-raízes, rizomas-decalques, uma dimensão de raiz pode brotar no rizoma e inversamente, um rizoma pode surgir na árvore. "Um acontecimento microscópico estremece o equilíbrio do poder local" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 25): Onze de setembro. A história está repleta de tais acontecimentos.
O próprio pensamento é descentralizado, mesmo tendo um órgão que age como centralizador. "O pensamento não é arborescente e o cérebro não é uma matéria enraizada nem ramificada. (...) É mais uma erva que uma árvore". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 25) É um sistema nervoso, probabilístico e incerto que compõe o pensamento, não apenas o cerébro: "uncertain nervous system". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 25)
Neurólogos e psicofisiólogos distinguem uma memória longa e uma curta, da ordem de um minuto, e sua diferença não é somente quantitativa. A memória curta é do tipo rizoma, diagramática, enquanto que a longa é árvore - centralizada. A memória curta pode ir e voltar em questão de momentos ou minutos, é descontínua, faz rupturas e opera por descontinuidade. As memórias não se tipos temporais diferentes de apreensão da mesma coisa, não são as mesmas idéias que apreendem nem a mesma recordação. "A memória curta compreende o esquecimento como processo", e não se confunde com o instante mas sim com o rizoma temporal, coletivo e nervoso. A memória longa é a família, raça, sociedade, civilização, opera por decalque e tradução, mas os dados que ela traduz continuam "a agir nela, à distância, a contratempo, intempestivamente, não instantaneamente". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 26)
A psicanálise do "pequeno Hans" : O que a psicanálise faz é quebrar seu rizoma, manchar seu mapa, colocando-o em um lugar de onde a saída é bloqueada, "até que ele deseje sua própria vergonha e culpa, fobia. (...) Deixarão que vocês vivam e falem, com a condição de impedir qualquer saída". (id. pg. 23) Existem sempre estruturas de árvores e raízes no rizoma, mas das árvores também brotam os rizomas. A psicanálise coloca o 'paciente' dentro do sistema centrado na significância a partir do inconsciente, mas o 'psicanalizado' não se cansa de colocar novamente os rizomas, quebrando a ordem psicanalítica com linhas de fugas. "A melhor posição para se ouvir o inconsciente não consiste necessariamente em ficar sentado atrás de um divã.". (GUATARRI, 1988:189) O psicanalista vira o ditador, fundando seu poder a partir do estabelecimento de uma ordem ditatorial do inconsciente concebido como árvore. Poderíamos mostrar as linhas, como fez Guattari na cartografia (mapa) do caso Hans :
Figura 1:
As linhas que constituem o diagrama do "pequeno Hans" seriam:
A - território familiar;
B - território do leito conjugal dos pais;
C - aparência da mãe;
D - objeto do poder fálico;
E - territorialidade maquínica do fantasma inconsciente.
Observa-se nesse diagrama do inconsciente do "pequeno Hans" como sua libido foi levada a investir na produção de micropolíticas de existência a partir da análise do conjunto de suas produções semióticas - tais como o território familiar, a aparência da mãe. O que a psicanálise de Freud faz é conceber esse inconsciente enquanto estádio genético estrutural, como estádio-árvore, em suma, procede a uma paradigmatização sistemática de todos os conteúdos e estratégias enunciativas a partir de referências abstratas ou estruturais centradas sobre materiais verbais e interpretações semióticas dos afetos e dos comportamentos. "Você está acuado, você está acuado. Confessa!" (DELEUZE, 1996:12) A esquizo-análise, enquanto pragmática do inconsciente maquínico, propõe a construção de uma carta de inconsciente de acordo com cada caso ou situação, de modo a determinar quais são as principais linhas micropolíticas dos agenciamentos de enunciação e das formações de poder em seus níveis mais abstratos.
"É curioso como a árvore dominou a realidade ocidental e todo o pensamento ocidental, da botânica à biologia, a anatomia, mas também gnoseologia, a teologia, a ontologia, toda a filosofia". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 28-29) Enquanto o ocidente é a floresta e o campo, o oriente apresenta outra figura, as relações com a estepe, jardim, deserto e oásis. "Ocidente, agricultura de uma linhagem escolhida com muitos indivíduos variáveis; Oriente, horticultura de um pequeno número de indivíduos remetendo a uma grande gama de clones". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 29) A América inverteu as direções tradicionais do ocidente, colocando seu oriente ao oeste, "como se a terra tivesse se tornado redonda precisamente na América". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 30) Bem sabemos que foi ela que conectou uma parte do mundo à outra, e ela é "(...)ao mesmo tempo árvore e rizoma". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 31) A história da América é aquela em o europeu, branco, macho, dominante, perdeu sua civilidade na barbárie da conquista do Eldorado, mas também foi onde deixou para os "novos corpos" ali formados alguns elementos próprios de sua idéia de civilidade, estado, etc. Desterritorialização, territorialização e reterritorialização. Vejamos um exemplo dado por Guattari de uma cartografia para um processo histórico, neste caso, a formação histórica do stalinismo, como apresentada na Figura 1 :
Figura 2:
Na figura acima percebemos com mais clareza a combinação das diversas linhas que compõem o rizoma, que, nesse caso, (as linhas) assumem um caráter molar, de segmentariedade dura - no caso, um processo de dominação política ditatorial. Elementos moleculares, como a ruptura leninista e a máquina de seu partido, atuaram primeiramente em um movimento de dissolução da antiga molaridade aristocrata da Rússia do início do século passado, para, posteriormente, serem capturados nos bloqueios efetuados por outras linhas - desencadeadas pela morte de Lênin e pela crise econômica e social. Neste ponto, uma molecularidade capturada é anulada por segmentariedades que efetivam o impasse e a levam ao nível molar, instaurando o regime centralizador de Stalin
Bem sabemos que o capitalismo agiu no fim dos anos 80 como um vetor de desterritorialização - linha de fuga que explode o rizoma que configurou o comunismo soviético -, desencadeando toda uma reterritorialização dos agenciamentos, uma reorganização das linhas. Em Anti-Édipo fica clara este caráter desterritorializante-reterritorializante do capital, sempre disposto a ir assimilando elementos novos que podiam fazer parte até mesmo de sua crítica, como por exemplo, nos anos 60, onde:
"O capitalismo "endogeneizou" as reinvindicações por autonomia e por responsabilidade até então consideradas como subversivas, e conseguiu substituir o controle pelo autocontrole, tornando o trabalho mais atraente para uma mão de obra jovem e com mais escolaridade que nas décadas anteriores". (PELBART, 2003: 106)
Como mencionamos ao início, o rizoma é uma segunda espécie de conjunto de linhas de linha. Somos atravessados e constituídos por estas linhas. O rizoma é o contrário da estrutura, pois enquanto esta se apresenta constituída como um "(...)conjunto de pontos e posições que opera por correlações binárias entre os pontos e relações biunívocas entre as posições" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 32), o rizoma procede por variação, conquista, captura, é heterogêneo, um mapa "(...)sempre desmontável, conectável, reversível". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 33) É uma produção de inconsciente (individual, dual, coletivo, social), e não uma representação de conteúdos desprovidos de significância e de subjetivação. Fazer um rizoma é traçar estas linhas. A esquizo-análise se apresenta como uma tentativa de uma pragmática das linhas, de produção de rizoma, de seus bloqueios nas raízes, suas rupturas em linhas de fuga, a transformação das árvores em rizomas subterrâneos - ou aéreos, a aliança entre o homem e a máquina para constituir outras máquinas que já não são nem um nem outro, mas elementos constitutivos de uma ontologia maquínica no qual tudo é coextensivo a tudo.
Conclusão
O conceito rizoma funciona como a porta de entrada ao pensamento deleuze-guattariano, porta cujo local de aparição é variável, indeterminado, vagamente dado, uma porta pela qual entramos e caminhamos a qualquer lugar destes platôs: qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro e deve sê-lo. O rizoma "(...) é feito de direções móveis, sem início nem fim, mas apenas um meio, por onde ele crescre e transborda, sem remeter a uma unidade ou dela derivar". (PELBART, 2003: 216) O rizoma não é um sistema hierárquico, é "(...)uma rede maquínica de autômatos finitos a-centrados" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 28), não-significante e heterogêneo. Não há uma força coordenadora dos movimentos, o rizoma é uma circulação de estados, uma combinação anômala cujos resultados não podemos prever ou organizar, pois ele está sempre em um meio. Um conjunto de devires e sempre um intermezzo - tais seriam as proposições constitutivas de um rizoma, lembrando que o rizoma trata-se de produção de inconsciente e de novos enunciados e de outros desejos.
No trajeto esboçado ao longo dos cinco volumes de Mil Platôs, podemos compreender como os conceitos possuem uma conectividade - variável e indeterminada - sem que haja uma unidade ou um conceito determinante para o funcionamento de tal rede de conexões conceituais. O rizoma funciona como um princípio cosmológico, caixa de ferramentas, um sistema aberto.
O rizoma talvez seja o mais deleuziano dos conceitos de "Mil Platôs". É possível perceber ressonâncias da idéia de diferença tal como Deleuze a coloca: diferença como pura imanência, não remetendo a nada senão a ela mesma, numa superfície onde tudo se esvai - plano de consistência ou máquina abstrata .
Deleuze desenvolve uma concepção inteiramente diferente das idéias e conceitos, introduzindo a noção de multiplicidade: "As Idéias são multiplicidades; cada idéia é uma multiplicidade, uma variedade" e considera que:
"A multiplicidade não deve designar uma combinação de múltiplo e uno, mas, pelo contrário, uma organização própria do múltiplo como tal, que de modo nenhum tem necessidade da unidade para formar um sistema." (DELEUZE, 1988: 303)
Deleuze opõe a um universo extensivo, constituído por coisas e representações, por identidades e diferenças referidas a uma unidade, um universo intensivo, constituído por singularidades pré-individuais, espaço de diferenças puras onde a noção de repetição se liberta da idéia de mesmo, para sempre constituir a pura diferença. Isto que será ampliado em Mil Platôs, desembocando na idéia do rizoma. É clara a presença do conceito nietzschiano de vontade de potência, força criativa e intempestiva - imanência do desejo e da diferença, irrupção da multiplicidade . Apenas sob esta concepção cosmológica de vontade de potência subordinada à intempestividade que a diferença pode afirmar-se sem as negatividades de uma outra identidade, conseqüentemente, é apenas sobre ela que o rizoma pode ser caracterizado. O rizoma funciona apenas quando desistimos das oposições binárias, e funciona como a grande cosmologia que atravessa todos os Platôs - no rizoma entraímos e saímos em qualquer lugar.
É importante colocar agora as questões: "É possível uma analítica rizomática?". E conseqüentemente: "Como e onde podemos fazê-la?" Esperamos que nosso texto tenha apontado algumas diretrizes gerais para a investigação em vários níveis e áreas do conhecimento, seja ele histórico, sociológico, psicológico, político, etc. O rizoma pode perfeitamente funcionar como um princípio geral para o norteamento de análises em grupos, indivíduos, sociedades e culturas. Podemos pensá-lo como uma metodologia, um questionamento que pode atuar tanto em níveis materiais como os imaterais (pensando-se os enunciados enquanto "materialidades do imaterial"), pois é um conceito ontológico e pragmático: De que linhas isto é feito? Como são elas? Onde formam sistemas arborescentes, centrados, mas, onde estão suas fugas, impasses, bloqueios, explosões e rupturas?
Vários estudos podem expandir essas questões, colocando outras igualmente. Várias cartografias são possíveis, mas não as "montaremos" agora. Nosso objetivo com o presente texto é de apenas apresentar uma proposição-introdução sintética ao pensamento deleuze-guattariano, através do conceito de rizoma. Pode-se ver bons resultados da aplicação dos conceitos deleuze-guattarianos nos trabalhos do italiano Antonio Negri, do brasileiro Peter Pál-Pelbart, do americano Michael Hardt, não esquecendo do impacto (e diálogo) que a filosofia deleuziana teve na obra e no pensamento de Michel Foucault e de vários outros pelo mundo.
Para lembrar Nietzsche, em seu prólogo para "Além do bem de do mal": O arco ficou tenso e as flechas foram lançadas, cabe a nós agarrá-las e atirá-las para novos rumo, para alvos ainda mais distantes. (NIETZSCHE, 1992: 06) O presente trabalho se constitui como um esforço para propiciar novas tentativas de se pensar velhos temas, como a condição humana, a economia, a subjetividade, a política, e a sociedade. Temas velhos, mas sempre atuais - talvez até mesmo inatuais e extemporâneos - e passíveis de constantes reconstruções, revezamentos e modificações - tal como o rizoma.
Estudante de graduação do curso de Letras (bacharelado em Português) da UFMG.
Estudante de graduação do curso de História (bacharelado/licenciatura) da PUC-MG.
1 -Doravante, iremos nos referir aos autores utilizando-nos da abreviatura D&G (Deleuze & Guattari).
2-O "Édipo" ao qual nos referimos e ao qual aludem os autores é apresentado como um construto, um dispositivo histórico que estabelece um certo número de relações de poder entre a sociedade e os indivíduos.
3Enciclopédia On-line Wikipédia Disponível em
4DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Vol. 5. São Paulo, Ed. 34. 1997. pg. 220.
5DELEUZE, Gilles. GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 1. Pg.15.
6A heterogênese seria algo como a produção do inusitado em nossas vidas, algo como desfazermo-nos de um território existencial e criar outros simultaneamente. A heterogênese é um processo similar à noção de linhas de fuga (outra noção proposta por D&G). Para maiores esclarecimentos ver DELEUZE, Gilles. GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vols. 1 e 5. Ed 34. 2004
7"S" aqui se refere à sentença como axioma central de um diagrama em forma arborescente que procede sua analítica pela hierarquização sucessiva de elementos locais que remontam a tal axioma. Tal descrição é espelhada na proposta apresentada pela gramática gerativa de Noam Chomsky de análise dos elementos sintáticos constituintes de uma competência lingüística supostamente comum a todos os seres humanos.
8A propósito da desterritorialização e suas relações com o território, ver também "Conclusão: Regras concretas e Máquinas Abstratas", In: Mil Platôs - capitalismo e esquizofrenia, vol. 5.
9A "psicanálise do pequeno Hans" trata-se da monografia-príncipe de Freud sobre psicanálise da criança encontrada na obra Cinco psicanálises.
10 GUATTARI, Félix. Notas para uma esquizo-análise. In: O inconsciente maquínico: ensaios de esquizo-análise. Ed. Papirus, 1988. Pg. 169.
11GUATTARI, Félix. Notas para uma esquizo-análise. In: O inconsciente maquínico: ensaios de esquizo-análise. Ed. Papirus, 1988. Pg. 172.
12Em oposição a ontologia naturalista que opõe homemXmáquina, Deleuze e Guatarri propõem uma simbiose, uma aliança, uma sinergia entre o homem e a natureza, a natureza e a indústria. Tal ontologia maquínica é concebida por eles como sendo uma "geo-ontologia" na qual a terra, como a grande máquina, a "máquina de todas as máquinas", hibridiza natureza e artifício em mecanosfera.
13Para maiores esclarecimentos acerca das noções de "máquina abstrata" e de plano de consistência, ver DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Vol. I. Pgs. 87 e 88. Ver também GUATTARI, Félix. ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Pgs. 320 e 321.
14A respeito do conceito de nietzschiano de vontade de potência e sua utilização por Deleuze, ver o texto "Mistério de Ariadne segundo Nietzsche", in DELEUZE, Gilles, Crítica e Clínica. Ed. 34. Para uma concepção cosmológica de vontade de potência, ver o trabalho de Scarlet Marton: Nietzsche: Das forças cósmicas aos valores humanos. Belo Horizonte: Ed. Ufmg, 2000.
Referências bibliográficas:
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro: Graal, 1988.
_______________. Conversações. Tradução: Peter Pál Pelbart. - Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996.
DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Vol. I. São Paulo, Ed. 34. 2004.
DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia. Vol. V. São Paulo, Ed. 34. 1997.
GUATTARI, Félix. O inconsciente maquínico: Ensaios de esquizo-análise. Campinas, Papirus. 1988
GUATTARI, Félix. ROLNIK, Suely. Micropolítica: Cartografias do desejo. Petrópolis, Ed. Vozes. 1986.
PELBART, Peter Pál. Vida capital: Ensaios de biopolítica. São Paulo, Iluminuras. 2003.
Diogo Borges e Cleber Cabral Integram um grupo de pesquisas interdisciplinares sob a orientação da Professora Doutora Ester Eliane Jeunon (PUC - MG), estudando temas diversificados, como a formação histórica dos saberes/poderes contemporâneos; articulações entre capitalismo, ética e subjetividade; entre outros temas.
FONTE: http://www.revista.criterio.nom.br/artigo-rizoma-mil-platos-deleuze-guattari-diogo-borges-cleber-cabral.htm
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
RIZOMA -(FILOSOFIA) ("FELLINI?",LEITOR DESTE BLOG COMENTA E GLÓRIA KREINZ TAMBÉM,COMO É ALGO QUE ME INTERESSA MUITO...A WIKIPÉDIA ME AUXILIOU!! GRANDE WIKIPÉDIA!!!)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Rizoma é um modelo descritivo ou epistemológico na teoria filosófica de Gilles Deleuze e Félix Guattari.[editar] Epistemologia
As propostas topológicas, descrições das condições discursivas, que Guattari e Deleuze propõem a partir dos conceptos de raiz, radícula e rizoma apresentam possibilidades interessantes ao embasamento epistemológico para análise de sistemas.A topologia da raiz alude a uma condição de totalitarismo, despotismo, que se exerce a partir da biunivocidade. "Isto quer dizer que este pensamento nunca compreendeu a multiplicidade: ele necessita de uma forte unidade principal, unidade que é suposta para chegar a duas, segundo um método espiritual." (DELEUZE e GUATTARI, 1980, p.13) É uma condição que estabelece a continuidade de um eixo-tronco ao que ramifica-se dicotomicamente a partir dele e, ao partir dele, a ele retorna em sua continuidade. É uma condição de rigidez teórica e circularidade argumentativa, em que tudo no fim das contas "é porque é" através do retorno ao poder do eixo principal que é exercido sobre suas ramificações. A dicotomia é o exercício do poder totalitário que divide o mundo em ramos binários: os loucos e os normais, os dominadores e os dominados, o bem e o mal, o certo e o errado, o zero e o um. O pensamento cristão, por exemplo, estrutura-se topologicamente de maneira binária, como uma raiz.
De maneira próxima à raiz estaria a topologia da radícula, imagem da qual a modernidade se vale de bom grado. Um sistema fasciculado que visa aproximar-se da condição das multiplicidades, mas que não alcança nada além de um simulacro das mesmas. Quando se reduz uma multiplicidade a uma estrutura rígida, compensa-se seu movimento ao reduzir as suas leis de funcionamento.
Vale dizer que o sistema fasciculado não rompe verdadeiramente com o dualismo, com a complementaridade de um sujeito e de um objeto, de uma realidade natural e de uma realidade espiritual: a unidade não pára de ser contrariada e impedida no objeto, enquanto que um novo tipo de unidade triunfa no sujeito. O mundo perdeu seu pivô, o sujeito não pode nem mesmo fazer dicotomia, mas acende a uma mais alta unidade, de ambivalência ou de sobredeterminação, numa dimensão sempre suplementar àquela de seu objeto." (DELEUZE e GUATTARI, 2004, p.14)
A condição de sujeito-objeto seria, de fato, um enclausuramento na lógica dual à medida que estão são duas dimensões suplementares. Reconhece-se aí o caos no mundo, mas o que se produz é uma imagem desse mundo à parte de qualquer movimento, qualquer devir. Produz-se agora o cosmo-radícula ao invés do cosmo-raiz. Trata-se de uma função que repete-se na variável, ela por ela mesma em todas as ocasiões excluindo tudo que esteja à sua margem, a unidade se repete no múltiplo, trata-se de n=1.
Os autores apresentam como seu próprio modelo uma anunciação da pós-modernidade, o concepto de rizoma, que dispõe-se a reconhecer as multiplicidades, os movimentos, os devires. A unidade estaria no múltiplo unicamente como uma subtração deste, como n-1. Ainda que possa arborificar-se em determinados momentos, o rizoma de forma alguma é uma arborificação. O rizoma, distintamente das árvores e suas raízes, conecta-se de um ponto qualquer a um outro ponto qualquer, pondo em jogo regimes de signos muito diferentes, inclusive estados de não-signos. Não deriva-se de forma alguma do Uno, nem ao Uno acrescenta-se de forma alguma (n+1). Não constitui-se de unidades, e sim de dimensões. O rizoma é feito de linhas: tanto linhas de continuidade quanto linhas-de-fuga como dimensão máxima, segundo a qual, em seguindo-a, a multiplicidade metamorfoseia-se, mudando de natureza. O rizoma é o que já foi.
"Não se deve confundir tais linhas ou lineamentos com linhagens de tipo arborescente, que são somente ligações localizáveis entre pontos e posições. (...) O rizoma se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga. São os decalques que é preciso referir aos mapas e não o inverso." (DELEUZE e GUATTARI, 2004, p.32-33)
Os autores propõem o que se pode agrupar em dois tipos de sistemas: centrados e a-centrados. Os sistemas raiz e radícula podem ser classificados como centrados, privilegiando as estruturas arborescentes de ramificação hierárquica, em que cada indivíduo reconhece apenas seu vizinho ativo, seu superior hierárquico. A arborescência preexiste ao indivíduo e nela ele possui um papel fixo. A condição de repetição se instaura no sistema centrado quando as ramificações de seus galhos e suas raízes repetem-se também nas folhas, são sistemas necessariamente contínuos. As folhas são o decalque da árvore, que os articula e hierarquiza.
“Os autores assinalam a esse respeito que mesmo quando se acredita atingir uma multiplicidade, pode acontecer que essa multiplicidade seja falsa – o que chamamos tipo radícula – porque sua apresentação ou seu enunciado de aparência não hierárquica não admitem de fato senão uma solução totalmente hierárquica.” (DELEUZE e GUATTARI, 2004, p.27)
Em contraponto aos sistemas centrados, que privilegiam o centro, são apresentados os a-centrados, em que o privilégio é dos meios, dos intervalos, das ervas-daninhas entre as plantações tão cartesianamente organizadas. O rizoma é classificado como a-centrado, uma rede de autômatos finitos. A condição deste tipo de sistema é a de complexidade, em que não há um decalque, uma cópia de uma ordem central, mas sim múltiplas conexões que são estabelecidas a todo o momento, num fluxo constante de desterritorialização e reterritorialização. O problema proposto pelo rizoma é análogo ao da máquina de guerra, a Firing Squad: é necessário realmente um general para que os n indivíduos disparem simultaneamente?
O rizoma, como um sistema a-centrado, seria, portanto, a expressão máxima da multiplicidade em detrimento às outras duas condições apresentadas de raiz e radícula, que não expressam nada mais do que a proposta de um todo disciplinador, um totalitarismo estrutural.
[editar] Botânica
A noção de rizoma foi adotada da estrutura de algumas plantas cujos brotos podem ramificar-se em qualquer ponto, assim como engrossar e transformar-se em um bulbo ou tubérculo; o rizoma da botânica, que tanto pode funcionar como raíz, talo ou ramo, independente de sua localização na figura da planta, serve para exemplificar um sistema epistemológico onde não há raízes - ou seja, proposições ou afirmações mais fundamentais do que outras - que ramifiquem-se segundo dicotomias estritas. Deleuze e Guattari sustentam o que, na tradição anglo-saxã da filosofia da ciência, costumou-se chamar de antifundacionalismo (ou antifundamentalismo, ou, ainda, antifundacionismo): a estrutura do conhecimento não deriva, por meios lógicos, de um conjunto de princípios primeiros, mas sim elabora-se simultaneamente a partir de todos os pontos sob a influência de diferentes observações e conceitualizações. Isto não implica que uma estrutura rizomática seja necessariamente flexível ou instável, porém exije que qualquer modelo de ordem possa ser modificado: existem, no rizoma, linhas de solidez e organização fixadas por grupos ou conjuntos de conceitos afins. Tais conjuntos definem territórios relativamente estáveis dentro do rizoma.http://pt.wikipedia.org/wiki/Rizoma_%28filosofia%29
sábado, 12 de setembro de 2009
Imprensa desportiva: O perigo da "auto-censura"(POSTAGEM SOBRE A CONVERSA A RESPEITO DE CENSURA E AUTOCENSURA)(clique aqui e leia sobre)
Foto: Arquivo JPN/ Ricardo Fortunato
Imprensa desportiva: O perigo da "auto-censura"
Publicado: 03.05.2009 | 14:43 (GMT)
O jornalismo desportivo enfrenta outro tipo de "ameaça" à liberdade de imprensa. Em entrevista ao JPN, dois jovens jornalistas denunciam a "auto-censura" em relação aos clubes.
Jornalista do "Record", André Monteiro acredita que "não se pode dizer que não há liberdade de imprensa em Portugal". Contudo, esta é "muitas vezes condicionada pelo interesse de alguns jornalistas em defenderem as suas posições e as suas carreiras dentro de uma redacção".
Isso acontece, afirma o jovem, devido a diversos factores que influenciam os jornalistas, que se "auto-censuram", "seja por causa do grupo ao qual o seu órgão pertence, seja por afinidade profissional ou pessoal com alguém".
Quanto ao jornalismo desportivo que se faz em Portugal, André Monteiro admite que "as relações de muitos anos" entre jornalistas e clubes e organismos que tutelam actividades desportivas podem levar a alguma promiscuidade. "Não me parece que seja 100% límpido o processo de liberdade de imprensa e parece-me que, em última instância, é dentro do próprio meio que este corte de liberdade se faz", admite André Monteiro.
Mesmo assim, o jovem jornalista refere que, desde que começou a trabalhar, nunca sentiu "qualquer limitação ao nível da liberdade de imprensa, no sentido em que alguém te proíbe de escrever alguma coisa".
Já Duarte Monteiro, um dos fundadores do, também, jovem ogolo.net, entende que a liberdade de imprensa é "relativa", pois é "exagerado falar em liberdade de imprensa". "Não quero dizer que os jornalistas não têm liberdade para escrever aquilo que querem, mas a verdade é que têm de pensar muito bem naquilo que escrevem", diz.
"No jornalismo desportivo, esse fenómeno é "muito mais vincado", reforça Duarte Monteiro Nesse sentido, o jovem diz que "não se pode dizer que há uma censura clara e óbvia, descarada", mas entende que "há censura subtil", pois o jornalismo é "um pouco um terreno onde se dá hoje para receber amanhã".
Para combater esse facto, Duarte Monteiro diz que "é preciso alguma coragem" e que os jornalistas têm de ter a "noção da responsabilidade" bem presente, "mesmo nos momentos mais difíceis". "Com a liberdade de imprensa tem de haver um enorme sentido de responsabilidade", conclui.
FONTE: http://jpn.icicom.up.pt/2009/05/03/imprensa_desportiva_o_perigo_da_autocensura.html
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Museu na China permite que se "converse" com Monalisa
Moradores e turistas de Pequim podem se juntar durante o verão chinês aos estudantes que todos os dias vão ao Museu do Planejamento "conversar" com a Monalisa de Leonardo da Vinci ou "escutar" Aristóteles, Sócrates e Platão. Graças à tecnologia da informação, é possível saber diretamente de Monalisa (propriedade do Estado Francês e cujo original se exibe no Museu do Louvre de Paris) seu nome, idade e outros assuntos pessoais preestabelecidos. "Tinha 24 anos quando Leonardo me pintou. Agora teria 530 anos", responde Monalisa, cujo nome oficial é Gioconda, e que deixará de lado até novembro seu ar enigmático para falar, movimentar os olhos, cumprimentar os visitantes e inclusive pedir que eles se aproximem. Reportagem da EFE. Visite UOL Entretenimento
FONTE: http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/multi/?hashId=museu-na-china-permite-que-se-converse-com-monalisa-04023272C8B10366&mediaId=306292
domingo, 19 de julho de 2009
BLOGS E ARTE (dúvidas e "censura")PEÇO A OPINIÃO DE TODOS
plataforma que usamos para nosso blog. Esta plataforma coloca certos limites
de conteúdo, se se ultrapassa um certo limite,passamos para outro tipo de blog que seria o adequado para conteúdo adulto. Porém,refletindo...disse a ela que arte é arte,
e crianças nunca são barradas pela faixa etária, em museus,ou Bienais.
Esta questão da faixa etária que neste governo, aqui em nosso país,foi adotada,
na mídia televisiva ,me parece quase que totalmente sem sentido.
Aliás todo tipo de política de censura,é sem sentido, a polêmica a respeito disto é enorme! Se esta política funcionasse na televisão...em primeiro lugar, filmes com conteúdo violento,na maioria,"norte americanos",deveriam ser em menor quantidade...
Mas como tudo neste país é só pra constar, só pra inglês ver!...
Peço a opinião de todos...
Nadia Stabile - 19/07/09
ARTE
reflexões sobre arte nos blogs (Nadia e Rosane)
Não, não vou retirar nada!!!! Não sou censora de nada!!
Nadia, tem muitos sites de arte erótica com coisas muito mais chocantes - veja por exemplo o de Robert Mappletorpe e o de Jenny Saville que indiquei no blog a poucos dias.
Se você permitir continuarei aos poucos a recolher material de antigas exposições que nunca coloquei na Net.
Indecente é o comportamento da maioria dos políticos !
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Caminhada - Glória Kreinz
por entre veredas estranhas,
ora felino,lobo no cio,
ora lindo herói de dramas...
Pés que caminham, mais nada,
causando doce arrepio,
homem olhando uma chama,
pensando naquilo que ama...
























