Mostrando postagens com marcador POLITEIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POLITEIA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A PROFESSORA Juscelana Maria Dias ESCREVE COMENTÁRIO SOBRE O ENSINO RELIGIOSO AQUI NO BLOG

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "POLÊMICA : RELIGIÃO NAS ESCOLAS PÚBLICAS":

Em nome da educação um cuidado se faz urgente: a Formação Humana Integral nas escolas públicas. Quanto ao Ensino Religioso, os aspectos informativos da cultura geral religiosa já são contemplados na disciplina “História”. E quanto ao aprofundamento prático, o lugar mais indicado são as várias igrejas que recebem as pessoas com prazer.
As crianças e os adolescentes clamam uma ajuda na formação da personalidade. Faz-se necessário na escola uma disciplina com a mesma seriedade da matemática e da língua portuguesa que tenha o foco na formação humana. Não dá para ser um conteúdo apenas transversal. Ele deve ser transversal, mas com uma disciplina daquele conteúdo. Como o aluno vai entender que os princípios (ético/moral; físico/corporal; mental/psicológico; espiritual/transcendental; mundial/cosmológico; etc.) fundamentais para a vida equilibrada e saudável são importantes, se não fazem parte do currículo escolar como fazem as outras disciplinas? E ainda mais se se tratar de uma disciplina de “matrícula facultativa”?
Faz-se urgente um curso de graduação e pós-graduação específico para a formação de profissionais em vista da formação humana nas escolas. Conteúdo não falta para tal. Já o Ensino Religioso cada Igreja tem os seus princípios e até mesmo os seus cursos para quem deseja aprofundar.
Não dá mais para fingir que não estamos vivenciando um desnorteamento e uma superficialidade na escolas quanto à seriedade que o futuro exige do ser humano. Aumenta cada vez mais o despreparo dos alunos para a vida que em grande parte provém do desequilíbrio social/familiar cujo peso recai sobre as escolas. Há de se ter uma formação que conte com todas as áreas para que o mínimo indispensável para uma vida integrada saudável seja repassado aos alunos ( a área da saúde, do jurídico, da segurança, os valores universais, etc.); o que uma Formação Humana deve abraçar considerando o conjunto destes princípios na vida. A salvação não se dá sem a humanização.
Vamos lutar em favor de um futuro melhor para as crianças e os adolescentes! Para mim a Formação Humana nas Escolas com profissionais especificamente da área é uma porta favorável e eficaz para uma grande mudança nos procedimentos didático pedagógico nas Escolas. Porém um curso especificamente com este foco parece que ainda não existe. Não é a filosofia e nem a teologia. É mesmo a formação integral para a vida.
Professora
Juscelana Maria Dias


LINK DA POSTAGEM : http://sarauxyz.blogspot.com/2009/09/polemica-religiao-nas-escolas-publicas.html
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Respondo a este comentário que este curso que a professora propõe com foco na formação humana ,não deveria existir isoladamente,deveria sim haver uma mudança radical na universidade e em todos os níveis da educação,desde a pré-escola!!
Como isso poderia demorar muito, proponho que o governo conheça a ASSOCIAÇÂO POLITEIA,e isto não é propaganda comercial, isto é total convicção por experiência própria de que esta associação formada por sociólogos ,pedagogos e etc da USP, GENIAIS!! onde uma grande mulher : HELENA SINGER, encabeça esta associação e tem total competência para colocar nossa educação nas alturas! Neste curso que fiz em 2005 falou-se sim sobre religião através da obra de Tolstói.
Este grande pensador que fez crítica vital ao cristianismo e aos que se consideram cristãos e que nunca foram de verdade! Outra grande referência ao humanismo ali tratada foi Janusz Korczak ,que foi um médico educador judeu e que por conta de seu humanismo e amor a suas crianças, preferiu morrer nas câmaras de gás do Nazismo (junto com as crianças), a ter de negociar a própria vida com Hitler!
Enfim, alguns autores esquecidos pela história foram relembrados neste curso hiper humanizante e hiper realista, nos colocando com os dois pés e a alma neste mundo doido de hoje onde as tecnologias precisam urgentemente serem reconhecidas e absorvidas por todos nós antes que elas nos engulam! Por tanto professora Juscelana, pode acreditar que um curso já existe para humanizar de verdade os trabalhadores da educação!! e este curso qualquer pessoa pode fazer, não precisa ser graduado, pós graduado, mestrando ou nada disso!! é preciso ter tido a vontade e a consciência de que se tem uma missão na vida! a de ser ser humano e cooperar com este mundo!!

*livros de JANUSZ KORCZAK : "COMO AMAR UMA CRIANÇA" e
"QUANDO EU VOLTAR A SER CRIANÇA"

LIVRO DE TOLSTÓI : "O REINO DE DEUS ESTÁ EM VÓS"

LIVRO DE ROUSSEAU : "EMÍLIO"

LIVRO DE HELENA SINGER : "REPÚBLICA DE CRIANÇAS"

LIVRO DE IVAN ILLICH : "SOCIEDADE SEM ESCOLAS"

LIVRO DE PAULO FREIRE : "PEDAGOGIA DA AUTONOMIA"

**lógico que há muitos outros livros

SITE DA ASSOCIAÇÃO POLITEIA : http://www.politeia.org.br/tiki-index.php

Nadia Stabile - 10/09/09

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A dimensão social da saúde apóia-se essencialmente na educação democrática

Contribuição aos fundamentos do NUPSI, por Lilian Kelian

A educação democrática é uma práxis, no sentido anteriormente desenvolvido, um fazer no qual a autonomia dos educandos e educadores é princípio e potência.

Os educadores democráticos consideram Iasnaia Poliana, a escola criada por Tolstoi em 1852, o princípio da sua tradição. O movimento das escolas democráticas intensificou-se a partir das décadas de 1960 e 1970 inspirado por dois importantes críticos da educação convencional: Alexander Sutherland Neill (1888-1973) e Ivan Illich (1926-2002). São escolas formais e experiências de educação não-formal que buscam a construção de uma comunidade de conhecimento a partir da autogestão administrativa e pedagógica por educadores, estudantes e, em muitos casos, pais.

Ao colocar o desejo de aprender e ensinar no centro de seu projeto, a educação democrática cria condições para o desenvolvimento integral de educandos e educadores. É assim que realiza um movimento de desalienação ao resgatar as dimensões corporal, afetiva, vivida e política desta integralidade e restabelecer sua comunicação profunda com aquelas consagradas pela pedagogia convencional, respectivamente as dimensões: intelectual, racional, acadêmica e pedagógica.

A democracia é compreendida como invenção coletiva que institui seus próprios mecanismos, conceitos e valores e cuja finalidade é a construção cooperativa do conhecimento. Toda institucionalidade democrática das suas criações mais visíveis (como o Projeto Pedagógico, a Assembléia, o Conselho e os diferentes fóruns de resolução de conflitos) às menos visíveis (como a cultura comunicativa das comunidades escolares, o papel mediador dos educadores, o envolvimento com as famílias) existe para estruturar, potencializar e conciliar os desejos singulares daqueles que formam sua comunidade.

Ao compreenderem a democracia como invenção coletiva e, portanto, dinâmica e aberta, tanto as escolas como o movimento que as reúne realizam um esforço político-pedagógico sistemático para não definir as formas da democracia. A auto-definição permanece como principal critério para a participação das experiências na rede de escolas democráticas (Alternative Education Resource Organization). Para além de uma postura ingenuamente tolerante, existe aqui uma aposta na possibilidade de que a convivência e cooperação de toda essa multiplicidade de comunidades, conceitos e práticas produzam excelência política e acadêmica.

Por todas essas ações comunicativas que a educação democrática põe em movimento, entre princípio e potência, entre desejos e entre as diferentes dimensões da nossa integralidade, essas experiências têm sido espaços que promovem a saúde em sua comunidade. E em alguns casos, para além de suas comunidades diretas.

Entretanto, os educadores democráticos permanecem com um dilema teórico superado apenas parcial e intuitivamente por suas práticas: como lidar com o sofrimento psíquico em suas comunidades? Uma parcela significativa das famílias que integram as comunidades dessas escolas experimentou configurações escolares, familiares e sociais limitadoras dos seus desejos ou mesmo violentas e encontram nas escolas democráticas acolhida e espaço para se desenvolver. Mas qual é o limite desse acolhimento quando alguém que sofre faz outros membros dessa comunidade sofrerem? Neill foi um dos educadores que mais refletiu sobre esse impasse, sem, no entanto, satisfazer-se com a solução encontrada. Ele inventou as “Lições Particulares”, espécies de sessões de análise em que trabalhava com determinados estudantes aspectos de sua vida familiar e outros assuntos considerados privados. Em muitos momentos, os estudantes responsáveis pela organização da Assembléia consultavam Neill para certificar-se de que as “contravenções” de um ou outro estudante não seriam um caso de “Lição Particular”. Entretanto, esse poder de definir quais assuntos seriam privados, no sentido de estar fora do espaço de pensamento e ação da institucionalidade democrática, não seria incoerente com a práxis das escolas?

Provavelmente o que impossibilitasse Neill de refletir mais livremente sobre a questão seja o fato de que ele, como outros educadores democráticos, estivesse tão preocupado com a autonomia das crianças que não se interrogasse sobre sua posição em relação a elas. Seu principal livro Summerhill: Liberdade sem medo´, pode ser lido como uma tentativa de esconder a relevância dos adultos para dar centralidade à potência das crianças. Antes de tudo, um manifesto político contra toda a reação conservadora em torno de Summerhil.

O que nos leva a outra questão importante: as práticas pedagógicas democráticas problematizaram enfaticamente a passagem da infância para a vida adulta, abrindo espaço para pensá-la como um processo complexo, não linear, singular. Entretanto, ao perdermos um pouco de vista a assimetria irredutível da relação entre adultos e crianças, perdemos também a possibilidade de indagar-nos sobre a posição de poder que o educador ocupa em relação às crianças. Uma posição a ser desconstruída no movimento mesmo em que é instituída.

Para além de uma utópica simetria, talvez o aspecto mais importante da ética democrática seja a possibilidade de manter viva a interrogação sobre a passagem da infância ao universo adulto e sobre aquilo que está ou não sob a responsabilidade dos educadores, numa relação (não entre dois, mas entre muitas pessoas de diferentes idades e que estão em diferentes momentos de descoberta do seu próprio desejo) cujo horizonte é o do cuidado e o da desconstrução do desejo de impor-se ao outro.

Talvez a questão da saúde mental possa ser pensada de maneira análoga, se existe a possibilidade de compartilhar mais amplamente a compreensão sobre alguém que sofre e as decisões que o encaminham para ajuda necessária. Entre o pedagógico e o terapêutico existe um sentido que a educação democrática busca construir ao se apoiar reciprocamente na dimensão social da saúde.

FONTE : http://www.politeia.org.br/tiki-index.php?page=A+dimens%C3%A3o+social+da+sa%C3%BAde+ap%C3%B3ia-se+essencialmente+na+educa%C3%A7%C3%A3o+democr%C3%A1tica
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...