"(R)efutamos, por princípio, a inserção de nossa investigação nas metodologias convencionais existentes, pois elas não têm condições de alcançar aquilo que propomos aqui como procedimento científico" Ciro Marcondes Filho
Métodos e Metáporos
Este ensaio discute uma questão de método. Há um método para se divulgar ciência e tecnologia? Certamente, como toda atividade organizada que procure resultados culturais existe este método, e no caso da divulgação científica tem se usado os princípios da tradicional teoria da comunicação, geralmente calcado no rigor de pesquisas tradicionais.
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Como atuamos em um grupo que trabalha projeto voltado para uma nova teoria da comunicação, conforme proposta de Ciro Marcondes Filho o termo método de meta+odos, preso ao rigor de um caminhar, já não é suficiente para o que fazemos.
Propõe “o metáporo (meta+poros) a partir de Sarah Kofman e seu conceito de poros, caminho que se desbrava a si mesmo, como uma embarcação que abre, enquanto segue, sua própria rota ao estilo dos desbravamentos de que fala Freud a respeito dos sonhos e que diferente da oficialidade de um odos, é abertura de uma passagem por uma extensão caótica.”
Seria difícil aceitar esta visão de poros como abertura para algo novo? Não só seria, como é muito difícil. Eu mesma demorei a ultrapassar etapas que envolveram meu corpo e meu próprio terror conceitual diante de abismos. Depende de quem faz a pergunta sobre o que se entende por poros e de nosso grau de resistência. Depende de nosso grupo, e de quem nos acompanha.
De início poros seria apenas a superfície da máscara da pele, mas pode se prolongar e chegar até as ondulações comunicacionais e mostrar entradas inesperadas, fendas e reentrâncias imprevisíveis, deslocamentos entre palavras como mostrava M.Heidegger criando fulgurações inesperadas, e comunicando a porosidade de toda experiência.
O filósofo alemão é parte dos autores que auxiliam minha pesquisa, mas também Jacques Derrida, Jules Deleuze, Nicolas Luhman, a escola alemã, sem contar Jean B. Baudrillard, Husserl e Sartre e Ciro Marcondes Filho, com quem trabalho desde 1985.
Nestes autores encontro a bifurcação quase ideal para a divulgação científica, podendo dizer algo sobre o que não foi ainda totalmente nomeado, e discutindo a comunicação naquilo que ele oculta e desvenda, sinônimo e antônimo ao mesmo tempo, esfinge que nos contempla. Decifra-me ou te devoro.
Breve problematização:
Todo sinônimo contém seu antônimo diz Freud assim o saber está em pauta, enquanto questionamento de posições transitórias, mesmo em relação ao discurso científico, que interessa de perto ao procedimento do divulgador de ciência e tecnologia.
Este fato afetaria organicamente a divulgação científica? E os microssistemas dentro da sociedade não estariam sendo afetados, levando à formação de grupos com comportamento previamente estabelecidos?
Como ficariam os pesquisadores que não se enquadrassem na previsão dos grupos que querem a manutenção dos sistemas fechados, em conceitos estabelecidos?
Um conceito de comunicação em redes, como o de Luhmann, abre espaço para opções d entro da rede comunicacional?
LEIA NA ÍNTEGRA EM : http://www.eca.usp.br/nucleos/filocom/existocom/ensaio13b.html“De forma diferente dos sistemas psíquicos, a sociedade é um sistema social que é constituído por comunicações e só por comunicações. Obviamente, a comunicação só ocorre através de uma ligação contínua entre os sistemas conscientes (psíquicos). Mas a reprodução contínua da comunicação através da comunicação (autopoiesis) é especificada e condicionada na sua própria rede, independentemente do que ocorre nas mentes dos sistemas psíquicos” (Luhmann, 1992, p. 71)(...)
#13 - Mai/Jun/Jul/Ago 2007
São Paulo, SP - Brasil
* Glória Kreinz é professora doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, pesquisadora-sênior do FiloCom e coordenadora de pesquisa do NJR - Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP, desde 1992; professora titular em História da Literatura PUC-Camp. Publicou, entre outros livros;Divulgação Científica na Sociedade Performática, da coleção Temas da Ciência Contemporânea, São Paulo, ABRADIC, 2004; Les Temps Modernes (homenagem a Jean Paul Satre com Franklin Leopoldo e Silva e Ciro Marcondes Filho), São Paulo, Filocom, 2005;Feiras de Reis, da Coleção Divulgação Científica ECA/USP, NJR, São Paulo, 2007.

OBRIGADA NÁDIA...É NISSO QUE TRABALHAMOS ATUALMENTE...METÁPOROS É O INSTRUMENTO PARA NAVEGARMOS POR MUNDOS NUNCA ANTES NAVEGADOS...TEM ATÉ QUEM DIGA QUE DELÍRIO...RSRS...MAS FAPESP APROVOU E ENTÃO ACADEMIA...RSRS... É DIFÍCIL...RSRS...SEMPRE O NOVO, O SARAU ESTÁ NO ESPÍRITO...RSRS...BEIJOS...
ResponderExcluirPS.TIM-TIM...AINDA COMEMORANDO...BEIJOS...