sexta-feira, 23 de junho de 2017

6 de julho de 2007 - 10 anos depois e eu aqui ainda blogueira




Escrevo isto dia 23 de junho, quase 2 semanas antes de 6 de julho, porque o futuro...ninguém pode prever. Tantos blogs surgiram e desapareceram nestes 10 anos, e eu ainda aqui, sem ser jornalista, nem escritora, e sem ter talento pra tal.
...o tempo...respira-se...de repente...10 anos se passaram...20 anos...olha-se pra trás e o desânimo vem junto com tantas coisas que deixamos de fazer. 6 de julho de 2007 resolvi cometer o descalabro de ter um blog, um ano depois, outro, este aqui onde escrevo.
dizia a psiquiatra na década de 90...o lado intelectual só deslancha se o lado emocional se resolver, será que a psiquiatria conseguiu dividir em compartimentos estanques cada coisa da nossa vida? será que a psiquiatra acredita mesmo que certas coisas podem ser congeladas na vida enquanto outras possam ser resolvidas? tudo acontece ao mesmo tempo, a vida é uma grande mistureba.
...Então...em 2007 várias causas levaram-me a ser blogueira, eu que nunca  gostei de rótulos, acabei entrando de cabeça neste...e foi tão difícil desamassar o que ainda está amassado...10 anos é muito pouco...a psiquiatria e a psicanálise tem parte nesta loucura, porque seus limites e equívocos deixaram-me sem caminhos possíveis para resolver problemas antigos. Posso dizer que boa parte dos efeitos de meus problemas foram resolvidos, e posso dizer que drogas anti depressivas nunca me fizeram nenhum bem. A ciência é manca, a medicina uma fraude em muitos pontos ou em sua totalidade.

A sociedade é doente, e quando se passa da meia idade ai sim podemos ver com lentes de aumento as doenças cruéis que atingem a maioria das pessoas... vemos por exemplo o lado negro do "amor" este que  todos imaginam existir, mas que na verdade só alguns muito dotados é que o conhecem mesmo.
As minhas teorias de "mútua ajuda" parece que confirmaram-se, todas as ações, positivas ou negativas das pessoas que nos rodeiam podem sim cooperar com a gente, desde que sejamos pacientes...o caos geral bem entendido pode cooperar muito com nosso caos particular.

Minhas duras caminhadas digitais levaram-me a bons encontros de outros mundos, por puros acasos e neste último ano tive progressos inesperados que me fizeram entender a solidão, a morte e os milagres desta vida...um dos milagres é a gratidão, por isso hoje agradeço tudo, até meus maiores problemas, até as pessoas que foram hiper cruéis comigo e se ainda estou viva, agradeço todos os meus pobres equívocos até aqueles que me fizeram nascer neste planeta... se sou uma sobrevivente, só posso agradecer a esta energia vital que ainda está por aqui em mim. Agradecer as crises é bem difícil, mas até estas é preciso agradecer, porque sem elas, sem as injustiças que atingem a tantas pessoas pelo planeta, nunca a humanidade poderá se consertar... é preciso não temer ver a triste e dura realidade, para poder mudá-la...ilusões não levam ninguém a nada!

Este agradecer é nada mais do que agradecer por poder ver, por poder compreender, por poder querer mudar tudo que está errado....e isto só pode acontecer um dia, se cada vez mais gente conseguir agradecer por ver a realidade nua e crua. Influenciar os outros não é pra mim. mesmo tendo um blog sei que características pessoais são muito difíceis de serem mudadas, eu tento... porque a gente precisa se auto reformar, porém, o ritmo das pessoas é caótico assim como a vida, então, quando que as coisas todas mudarão? A gente preza a liberdade... mas num mundo que cada vez mais se deforma pelo livre arbítrio de uma minoria plutocrata...que liberdade a maioria poderá ter? Parece que precisamos começar a mudar um pouco nossas cabeças e urgentemente, é muito triste testemunhar tanto sofrimento da maior parte da humanidade.

Sei que o que escrevo, muito poucos lerão, e sei que o que escrevo não tem novidade alguma, ainda assim escrevo, e ainda assim agradeço poder ter sido blogueira por 10 anos. 
Sublimei muitas coisas em mim podendo ser blogueira, resolvi algumas coisas vitais em mim, eu não pude seguir minha missão de professora, o rumo da vida me levou pra outros caminhos, mas cá estou tentando fazer algo num país que nem um emprego digno pode me proporcionar, num país que me deixou sem ter muitos direitos, num país que não conseguiu produzir cidadãos no melhor dos sentidos!

Eu deveria conseguir esbravejar, gritar, ser muito mais enérgica quando escrevo, mas os meus amassados ainda precisam de muitos anos mais até que eu possa me resolver...

Nadia Gal Stabile - SP, 23 de junho de 2017






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