quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"ORLANDO RANGEL" - PLUMAS


Do abismo do amor
A paixão modifica todas as coisas
Do coração arranca pedaços
E com artérias e veias
Tece flâmulas tremulando ao vento.
Vê como o corpo brilha em seus espasmos incontidos?
Vê como a pálpebra dilata sua membrana?

Do abismo do amor
A paixão penetra o consciente
E jorra águas represadas
Faz rio de lava ao nascimento das respostas
Ressuscitando um fogo líquido e criador.
Vê como as emoções partem a consciência em duas?
Vê como é pungente a memória e limitadas suas certezas?

Do abismo do amor
A paixão crucifica nossa bruta matéria
De espinhos e cravos fez-se plumas
Para que não exista a dor sem paliativos,
Para que não exista ternura sem esperança.

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