quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Cartunista do Rio inspira de longe as rebeliões árabes | Jornal Correio do Brasil
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Caros Amigos - Brasil: Tortura é rotina em presídios
Caros Amigos: http://carosamigos.terra.com.br/
Generalizada e institucionalizada desde a Ditadura Militar, a prática de violência nas prisões brasileiras conta com a cumplicidade e omissão dos agentes públicos e das autoridades. É isso que uma comissão da ONU deverá constatar, brevemente, em visita ao Brasil – um vexame.(...)
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Generalizada e institucionalizada desde a Ditadura Militar, a prática de violência nas prisões brasileiras conta com a cumplicidade e omissão dos agentes públicos e das autoridades. É isso que uma comissão da ONU deverá constatar, brevemente, em visita ao Brasil – um vexame.(...)
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CMI Brasil - Entrevista: Latuff - cartunista militante e sua "arte pela mudança"
CMI Brasil - Entrevista: Latuff - cartunista militante e sua "arte pela mudança": – Enviado usando a Barra de Ferramentas Google
UM FISICO ESCREVE SOBRE CESARE BATTISTI
Um Físico Escreve sobre Cesare Battisti
Carlos A. Lungarzo
AIUSA 9152711
Esta matéria contém, após esta introdução minha, um artigo do físico italiano Franco Piperno, um importante dirigente da esquerda alternativa durante os anos 70 e atual especialista em física da matéria, sobre Cesare Battisti, a quem pouco conhece e do qual não é amigo pessoal, o que dá garantia de raciocínio isento. Hoje em dia, é difícil encontrar, nos países latinos, cientistas que se ocupem de problemas de direitos humanos, mas é muito interessante a colaboração entre o rigor e a objetividade do cientista, com a sensibilidade do ativista humanitário, como se encontra neste artigo.
Observando a vida pública italiana de nosso tempo, pode ser difícil imaginar que o país já teve a cultura mais interessante do planeta, cujos rastos sobreviveram dispersos e fragmentados, tanto nas propostas sociais e comportamentais da esquerda alternativa dos anos 70, como nas novas formas da excelente filmografia das últimas décadas, e em vários outros aspectos.
Mas, quando a Itália era uma região de estados independentes, unidos por alguns nexos culturais (entre eles, a língua), nela floresceu o Renascimento, o Humanismo, o direito moderno com o célebre Marquês de Beccaria, e uma abundância de arte e literatura que inspirou o maior escritor da história, William Shakespeare, a situar em Verona e Veneza quatro de suas melhores peças.
Nem sempre houve fascismo nem máfia, e nem sempre o poder papal, que se apossou “espiritualmente” de toda a península, reinou em todos os estados, alguns dos quais foram exemplo de iluminismo, secularidade e tolerância. Além de tudo, a Itália criou a ciência experimental. Com efeito, antes da Galileu Galilei (1564-1642), a experimentação era uma curiosidade escondida nos porões de alguns “hereges” como Roger Bacon, que conseguiram florescer apenas em países como a Inglaterra a Dinamarca, ou a Holanda. Antes da Galileu, a única ciência desenvolvida era a matemática, que não entrava em conflito com a Igreja porque não interferia na teologia cristã. (A astronomia clássica é, em grande medida, matemática aplicada e não uma ciência empírica.)
O apogeu da ciência italiana, preanunciado pela filosofia natural de Giordano Bruno e o universalismo de Leonardo da Vinci, foi atingido entre os séculos XVI e XVIII com os grandes matemáticos da escola de Cardano, e os físicos posteriores a Galileu, especialmente com os pesquisadores em fluídos como Torricelli. Entretanto, a furiosa perseguição do papado contra os novos hereges fechou não apenas as portas da Itália, mas também de quase todo o Mediterrâneo ao pensamento científico. Na Itália ficaram algumas grandes figuras, porém isoladas e sem possibilidade de formar escola, como os famosos Alessandro Volta e Luigi Galvani, concorrentes no desenvolvimento do eletromagnetismo.
Mas, a unificação não foi auspiciosa para os cientistas, e o fascismo muito menos. Quando, em 1938, o Duce adoptou a política racial do nazismo, alguns físicos e matemáticos judeus, como Federigo Enriques (Livornio, 1871-1946) e Beppo Levi (1875-1961), ou ainda outros casados com esposas judias, como Enrico Fermi (1901-1954), deveram exilar-se. Por sua vez, Bruno Pontecorvo (1913-1993), judeu e comunista, fugiu a Paris em 1936, depois aos EEUU, quando os nazistas atacaram a França, e finalmente, em 1950 à URSS. Das grandes figuras da física do século XX, Guglielmo Marconi foi um dos poucos que no sofreu perseguição. Com o fim do fascismo, as estruturas científicas modestas que ficaram, conseguiram recompor uma escola de físicos razoável.
Mas a violência política dos Anos de Chumbo, também afetou a ciência. Físicos italianos foram colocados sob suspeita por sustentar uma visão democrática e igualitária da sociedade. Não deve parecer esquisito, então, que este artigo apresente um pesquisador e professor de física que também fora um relevante dirigente de grupos autonomistas.
A repressão italiana dos anos 70 foi uma das mais violentas na história do país. A data de 7 de abril de 1979 está marcada na memória da esquerda italiana. Foi o dia em que o procurador de Padua, Pietro Calogero (n. em 1936, Messina), próximo do neo-stalinismo, fez uma grande blitz contra intelectuais. Entre eles estava o físico Franco Piperno, cujo trabalho sobre Cesare Battisti apresentamos neste post.
Franco Piperno (nascido em Catanzaro, na Calabria, em 1942) foi, junto com Toni Negri, fundador do movimento Potere Operaio e um de seus líderes principais junto com Oreste Scalzone, Lanfranco Pace e Valerio Morucci. Tinha sido membro do Partido Comunista Italiano, mas foi expulso durante a agitação estudiantil de 1968, da qual foi um dos principais líderes.
Durante o Verão de 1969, participou das lutas sindicais na Fiat, e, no final de 1969, fundou juntamente com outros grupos políticos Potere Operaio. Foi, ao mesmo tempo, Secretário nacional e reconhecido líder com Toni Negri, Oreste Scalzone e Sergio Bologna. Tentou ser mediador no caso de Aldo Moro, e tentou dialogar com o Presidente democrata-cristão Amintore Fanfani, mas, como sabemos, a morte de Moro convinha à direita italiana e os EEUU.
Piperno foi um dos que denunciou publicamente que a Itália estava vivendo uma guerra civil em pequena escala.
Após o nefasto "7 de abril” foi acusado de ser um dos apoiadores armados da Autonomia Operaia, e fugiu a França, sendo ele também um beneficiado pela doutrina de François Mitterrand. Posteriormente se deslocou ao Canadá.
Piperno continuou refletindo sobre política e sociedade e publicou vários livros e numerosos artigos baseados em suas reflexões.
Franco formou-se em física na Universidade de Pisa (a mesma de Galileu) em 1967, e fez aperfeiçoamento em Roma e Trieste. Publicou vários artigos e quatro livros sobre física da matéria, mecânica quântica, física nuclear e astronomia.
Atualmente es professor associado (efetivo) de Física da matéria na Universidade da Calábria.
O artigo sobre Cesare Battisti é muito interessante pela objetividade e racionalidade com que trata o problema da extradição exigida pela Itália.
Agradeço ao autor por permitir sua tradução e publicação e a Cesare Battisti por ter revisado minha tradução.
Original
Si iscrisse al Partito Comunista Italiano ma ne venne espulso prima dei moti studenteschi del 1968.
Lembrar para Julgar
O caso Battisti, a desinformação brasileira e a mentira italiana
Franco Piperno
Partamos de alguns fatos para depois, através do exercício da dúvida, chegar a uma certeza que se conclui com um “caveat”.
Primeiro Fato
Battisti foi condenado pelos magistrados milaneses, há trinta anos, por gravíssimos crimes. Em particular, a sentença definitiva lhe atribui 4 homicídios. Por dois destes crimes é acusado de responsabilidade moral.
Ele se proclama inocente. A autoridade política do Brasil, país regido por um regime considerado democrático pela diplomacia ocidental, lhe há concedido o status de imigrante em consideração da natureza política dos delitos dos quais é acusado e dos processos sucessivos que o têm envolvido. Em outras palavras, o governo brasileiro tem julgado que o desenvolvimento dos processos dos anos 70, quando estavam em vigor as “leis especiais contra o terrorismo”, estava gravemente eivado pelos procedimentos emergenciais adotados pelo estado italiano, para fazer frente a uma revolta social, uma “insurgência de massa”, sem precedentes na história do país.
Segundo Fato
Este juízo negativo não é certamente uma surpresa, uma ofensa inesperada e irresponsável à dignidade do nosso país, devida ao mau conhecimento da história italiana, em particular, da mais recente. De fato, nestes 30 anos, aconteceu muitas vezes que os requerimentos de extradição, pedidos por nossa magistratura pelos delitos referidos aos “anos de chumbo” foram formalmente rejeitados pela autoridade estrangeira, com motivações totalmente análogas à formuladas, há algumas semanas, pelo presidente brasileiro saliente Lula da Silva.
Aconteceu assim com o Canadá, a Suíça, a Alemanha, a Grã Bretanha, a Suécia, a Nicarágua, a Argentina, o Japão, para não falar da habitual França. La possibilidade de que as autoridades de todos estes países errassem no julgamento e carecessem de informações sobre nosso país é pouco provável. Parece mais provável, pelo contrário, que exista no sistema político italiano uma compulsão para voltar a suas origens, uma vontade surda de continuar sua legitimação com base na repressão dos movimentos revolucionários dos anos 70; ou, para dizê-lo com os chavões mediáticos, com base no mérito de ter salvado a república democrática do terrorismo vermelho, omitindo, talvez por modéstia, sua poderosa contribuição a gera-lo.
Assim, então, qualquer episódio que coloque dúvidas sobre as medidas liberticidas adotadas naquela época, e também sobre as sentenças judiciais naquele período, é visto pela classe política com emoção transversal, não desprovida de histeria, com a maioria e a oposição atuando conjuntamente, como se fosse um atentado à credibilidade do poder. Em soma, será que o presidente Lula erra em seu juízo sobre a tragédia italiana dos anos setenta, ou erra o presidente Napolitano a promover irresponsavelmente a gesta do companheiro [Ugo] Pecchioli [senador e ministro comunista] ministro sombra da polícia e ator protagonista naquela tragédia?
Terceiro Fato
É paradoxal que o presidente do Conselho [ou seja, o premiê; o autor se refere aqui a Silvio Berlusconi] e o ministro da justiça [Angelino Alfano] se lamente da escassa consideração em que é tida nossa magistratura junto à autoridade brasileira, quando ambos, ao uníssono e cotidianamente, denunciam a “doença italiana”, o uso político da justiça por partes dos juízes. Depois de tudo, pode acontecer que Lula leia, de tanto em tanto, o jornal de família ou escute il noticiário do TG1... [O autor se refere ao Tele Giornale 1, o nome dos telejornais do Canal de TV Rai Uno]
Talvez, Berlusconi e Alfano acreditem, de boa fé que esta distorção do papel da ordem judiciária, esta doença institucional, tenha sido contraído só recentemente, quando o mesmo Berlusconi, [Cesare] Previti [ex-ministro de defesa] e [Marcello] dell’Utri [ambos íntimos colaboradores de Berlusconi] têm ficado capturados naquela rede. Talvez, eles parecem acreditar que nos anos 70 a situação era diferente, e que então sim que a magistratura era confiável e imparcial e os juízes não se candidatavam a deputados. Lamentavelmente, podemos testemunhar, alguns entre nós por experiência direta, que não era assim, o vicio é velho para não dizer antigo. Ainda, para falar verdade, os métodos judiciários eram, com certeza, mais sumários e cruéis nessa época do que hoje, e a imprensa, toda a imprensa, como mínimo, mentia por omissão. Ainda, devemos neste sentido, por honestidade intelectual, notar que, então, não se tratou só de pulsões reacionárias de um bom número de juízes, mas da exiguidade do poder político que, incapaz de mediar, de desenvolver seu papel, acabou tratando aquele áspero confronto social como um problema de ordem pública, confiando a solução, através da legislação de emergência, à policia e à magistratura. Esta delegação do poder político na polícia está ainda em vigor, nesta Segunda República, quando se volta a invocar, por um motivo ou por outro, aqueles anos; e isto com próprias razões, porque a 2ª República é uma consequência não tanto da desaparição da União Soviética, e ainda menos da corrupção de Targentopoli, que continua mais vigorosa do que no começo; porém, a insurreição armada de estudantes e operários foi gerada no sentido de provocar, por assim dizer, a rotura do galho e a descoberta do verme: la emergência na consciência coletiva do país, do “dar-se conta” da verdadeira natureza das instituições republicanas nascidas da Resistência, aquele vazar de lagrimas e sangue deflagrado pelas leis liberticidas e pela licença para matar conferida à máquina repressiva do estado.
A Dúvida
Nós nutrimos mais de uma dúvida sobre as sentenças articuladas entorno do nebuloso instrumento jurídico da responsabilidade moral. E isto vale para Battisti como para [Adriano] Sofri, quaisquer que sejam as diferenças pessoais e humanas entre ambos. De fato, em apoio da racionalidade de nossa perplexidade, poderemos mostrar aqui centenas e centenas de casos de ordinária iniquidade acontecidos nesses anos, quando a responsabilidade moral vinha regada com certa generosidade a esquerda e direita; e, por consequência, a “melhor parte” do país, cerca de 5000 jovens e menos jovens, tem conhecido o exílio, o cárcere, a tortura, e a morte em dezenas de casos; apresentada alguma vez até na forma bizarra da “doença ativa”, para a defenestração desde os andares altos da delegacia, durante um interrogatório de polícia, como aconteceu em Milão; ou, de maneira vil, execuções sumárias enquanto, ainda, o sono da primeira parte da manhã tornava as pessoas indefesas, como em Genova.
Parece-nos evidente que a responsabilidade moral é uma circunstância difícil de aferir; e ter solicitado seu uso, soa como uma ordem de serviço surgida do aparato repressivo. O análogo da “responsabilidade moral” dos anos 70 é, em nossos dias, o delito de “associação externa” na máfia, hipótese legal de recente aparição na jurisprudência, porém desconhecida nos códigos – também neste caso, a indeterminação intrínseca do crime, conjunto ao uso do cárcere especial, permite à repressão se exercer não tanto sobre os criminais quanto aterrorizar o tecido social na qual a criminalidade encontra a nutrição de suas raízes, alimenta um consenso que provém da pertinência à mesma cultura.
A Certeza
Suponhamos também que os processos aos quais tem sido submetido Battisti se tenham celebrado na rigorosa obediência das garantias que a leis ordinárias outorgam ao imputado; e que as provas oferecidas pela acusação sejam resultado de uma evidência deslumbrante ¾ o que, enfatizo, é quase totalmente improvável.
Ainda neste caso, fica um argumento forte a favor de Battisti, no sentido de que, apesar dos crimes cometidos, convém que seja restituído à vida civil, ou pelo menos deixado em paz, com seus turbamentos e remorsos, no país que decidiu acolhê-lo. Isto concorda com a Constituição, tão frequentemente invocada de maneira retórica e demasiadas vezes traída.
Em nossas leis fundamentais, a expiação da pena não é concebida como a primitiva aflição do réu, dirigida a punir a dor irreparável e o rancor compreensível das vítimas, dos familiares e dos amigos. Mais exatamente, a função civil da privação da liberdade e de outras sanções acessórias, é aquela de redimir o culpado, de modo que o término da pena coincida com a realização de seu fim e a expiação se conclua com a recuperação de um ser humano para a comunidade.
Assim, nos parece que se pode concluir que, segundo a carta fundamental da república na qual nos há acontecido viver, Battisti tem terminado seu período de expiação; de fato, nos últimos 30 anos, vivendo num país ou em outro, nunca há violado os costumes e as leis. Por outro lado, seus livros, com seu discreto sucesso, testemunham que o processo de reinserção na vida civil já está positivamente concluído. Por outro lado, como já foi dito, as sentenças contra Battisti implicam a prisão perpétua; e só clima justiceiro [linchador] que envenena o debate italiano sobre o tema, pode explicar o esquecimento no qual tem caído a voz, racional e apaixonada, dos juristas democráticos que desde há tempo avançam colocando dúvida sobre a coerência de tal pena com o espírito e a letra do ordenamento constitucional. Assim, aquilo que a nossa melhor tradição jurídica nos permite aceitar, dificilmente poderia ser compartilhado pela autoridade de um país como o Brasil, onde a prisão perpétua é desconhecida. Por sinal, esta pena é considerado em muitas partes do mundo uma exceção desumana, mesmo se, entre nós, parece ter-se diluído o sentido de sua intrínseca e inútil crueldade. Para concluir sobre este ponto, o requerimento italiano de extraditar um condenado a prisão perpétua por um país onde nunca a pena acaba, é considerado uma “tortura juridicamente legitimada” e resulta com toda evidência inadmissível.
Todavia, na Italia, a mídia unanimemente não apenas considera que a extradição seja correta, mas julgam uma ofensa à dignidade nacional o fato que o Brasil não tenha resolvido concedê-la.
Respeito e Piedade
Nossa análise do caso Battisti não pode ignorar o trágico sofrimento aos quais estiveram sujeitos (algumas vezes, é bom dizer, por causa do fogo amigo) as vítimas e seus parentes. Mas, sendo que o mal feito não é reversível, a única possibilidade de resgatá-lo e tirar partido disso, aprender dos erros, por trágicos que possam ser. Isto quer dizer que o respeito que devemos às vítimas é o de reconstruir a verdade comum recolhida nos anos de chumbo, aquele período formidável, quando atuou a insurgência de massa contra os aspectos tirânicos do poder, suas mentiras e hipocrisias. Não teremos uma verdade comum se vem negada ou, ainda pior, privada daquela experiência, a inebriante paixão civil que há levado centenas de milhares de jovens e menos jovens a tomar a palavra em público, a tirar a humilhante máscara de súbdito, para virar cidadãos ativos, protagonistas de seu destino, artífices de sua realização. Também se isto tem implicado, como tem acontecido outras vezes na história, que se gerasse e se recebesse destruição e morte.
Dizer a verdade quer dizer antes de tudo, rejeitar a blasfema redução da insurgência de massa à prática terrorista, dos rebeldes aos criminais. Deve-se partir do reconhecimento do fato de que a Itália, nos anos 60, teve uma pequena guerra civil, e, como em toda guerra, tanto as vítimas como os algozes estavam em ambas as partes. Só sob esta condição, é possível perceber um percurso de verdade, de crescimento interior de nosso país que o conduza a se liberar do senso de culpa que o oprime. De fato, que na Itália o poder público seja possuído de uma coação a repetir a mentira pública resulta evidente do uso cínico do sentimento de piedade com as vítimas (sentimento que vem deformado e representado de maneira despudora na forma de reivindicações teatralizadas; e, ao mesmo tempo, pelo silêncio, quebrado pela propagação de calúnias, dentro do qual é omitida a dor pelas outras vítimas, caídas sob o fogo dos tutores da ordem, quando não pela mano dos mercenários da reação), este último intento, em aqueles anos, mais ou menos secretamente, à subversão da república enquanto hoje sentam nos assentos do parlamento republicano.
Caveat
O caso Battisti, justamente porque não se pode dizer que seu protagonista é um herói, é a ocasião, o tempo justo para acertar contas publicamente com o passado, guardando a verdade para passa-la ao futuro. E é por isto que nós, conscientes da responsabilidade que assumimos, concluímos lembrado (aos desmemoriados herdeiros da classe política dos anos 70, altos funcionários da repressão, ex-mercenários) um antigo ditado da Magna Grécia [colônias gregas no sul da Itália entre os séculos VII e II a. C.], que soa ao mesmo tempo como um reclamo e uma advertência.
Os vencedores só se salvarão se respeitarem a honra e os Deuses dos vencidos.
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MINISTRA MARIA DO ROSÁRIO REPUDIA ELOGIOS DA ROTA À DITADURA
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosario, ficou indignada ao tomar conhecimento da retórica ditatorial adotada no site do 1º Batalhão de Choque da Polícia Militar (Rota), abrigado no Portal do Governo de São Paulo:
"Eu me senti aviltada por isso, uma página oficial de um governo estadual, no período democrático, que faz uma homenagem à deposição de um presidente legitimamente eleito [João Goulart]. Tenho certeza de que o governador Geraldo Alckmin vai tomar as providências que se impõem".
Segundo ela, trata-se de "uma estrutura do Estado de São Paulo, não se pode comemorar o golpe, não se pode comemorar a violação do estado democrático de direito, sob pena de se plantar novas violações". Maria do Rosário prometeu discutir o assunto pessoalmente com Alckmin.
A Rota também se ufana do papel por ela desempanhado na perseguição aos resistentes que pegaram em armas contra a ditadura e o terrorismo de estado implantados pelo golpe militar de 1964.
Venho questionando tal aberração desde outubro de 2008. Já encaminhei denúncia formal a três governadores -- José Serra, Alberto Goldman e Geraldo Alckmin --, além de conseguir que Serra fosse indagado a este respeito na sabatina da Folha de S. Paulo, durante a última campanha presidencial. Mais recentemente, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) fez uma interpelação a Alckmin.
O valoroso companheiro Ivan Seixas, também veterano da Resistência à ditadura militar, vem acompanhando passo a passo esta pequena cruzada. Foi dele a iniciativa de levantar o assunto em audiência pública a que Maria do Rosário compareceu na Assembléia Legislativa de São Paulo.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que somente a Polícia Militar poderia se manifestar sobre o tema. Procurada pela reportagem de O Globo, a PM não se posicionou.
"Não nos contentamos com o cinismo daqueles que escreveram a história oficial. Devemos agir diante disso", afirmou a ministra, concluindo:
"Construir a democracia é uma tarefa cotidiana. Me incomoda que, todos os dias, no jornal, haja novos elogios ao período da ditadura militar, inclusive à Rota, como se naquele tempo tivéssemos mais segurança ou direitos que hoje. Quando eu vejo elogios ao período da ditadura militar e vejo na página de governo um batalhão que se orgulha de ter participado da deposição de um presidente eleito e pelos massacres promovidos pela violência de Estado, vejo que temos muito que afirmar".
ASSINE AQUI A PETIÇÃO ON LINE PELA SUPRESSÃO DOS ELOGIOS AO GOLPISMO,
À DITADURA E AO TERRORISMO DE ESTADO NA PÁGINA VIRTUAL DA ROTA
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
JOÃO CARLOS MARTINS, PODE PERDOAR?
Ignácio de Loyola Brandão
O Estado de S.Paulo, 26/08/2011
Na minha juventude, 20 e poucos anos, crítico de cinema, adepto de uma arte engajada, "revolucionária", que mudasse os povos, derrubasse o sistema capitalista, bastava o Walter Hugo Khoury lançar um filme para que eu e outros disséssemos: eis o cineasta alienado, bergmaniano, distante da realidade brasileira, da realidade e do homem brasileiro. E tome pau!
Que realidade, meu Deus? Que realidade era aquela? Quem eu era? O tempo passou, o mundo mudou, o Brasil se transformou, mudei o olhar sobre a vida, me desiludi com ideologias, me decepcionei com os homens e também comigo e com atitudes e conceitos que se desmoronaram.
Um dia consegui ver o que era o cinema de Khoury, suas buscas, seu perfeccionismo, sua maneira refinada de filmar e transmitir uma visão particular do homem e do mundo. Khoury foi dos poucos diretores do cinema brasileiro com cultura e muitas leituras, capaz de discutir filosofia, misticismo, religião, história, arte, cinema, fotografia, mitologia, música. Era um homem educado, gentil, falava baixo, não se exaltava.
Certa vez, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou uma Mostra Walter Hugo Khoury. Fui convidado. Na noite em que subi à mesa, ele estava na plateia. Mal sabíamos todos que estava mal, fraco, deprimido, desencantado. Teve um ataque de coração pouco depois. De repente, joguei fora tudo que eu tinha preparado e olhando para ele comecei com um pedido de desculpa, de perdão, por ter sido aquele pretensioso, que achava que sabia tudo e que o mundo girava em torno de meus ideais de cinema "transformador".
Pedi perdão a Khoury por críticas insensatas, textos estúpidos, opiniões sem sustentação. Perdão por não ter entendido sua posição no cinema, o que pretendia, a coerência de uma obra. A vida tinha me mostrado muita coisa. Falei pouco e saí da mesa com um imenso alívio. Não em paz, mas me sentindo melhor.
Dali em diante, tenho pensado neste gesto simples e difícil: o de pedir perdão a alguém. Quantas vezes quis rever amigos, não liguei, não procurei. Quando liguei, alguns tinham morrido. Prometi a mim mesmo ver as pessoas de quem gostei e de quem gosto. Umas mudaram muito, outras me decepcionam. Não importa, vou em frente.
Escrevo hoje para dizer: meu caro João Carlos Martins, me perdoe. Por uma crônica que escrevi há anos em outro jornal que até já desapareceu, em que misturei estações, fui agressivo. Foi um episódio ligado a um político paulista sempre acusado de corrupção e que me enervava, me dava alergia. A imprensa acabou te envolvendo, entrei naquela. Você era então secretário de Cultura. No meu horror àquele político, distribuí pancadas, pedras, lanças. Fiz mal! Não era a você, João Carlos, era ao político que me horroriza até hoje. Na minha sanha atingi quem não devia. Depois, você foi inocentado, absolvido. Sei como ficou ferido, como tentou ao longo destes anos falar comigo, sempre me desviei. Você sempre me tratando com cordialidade incomparável. Estivemos juntos, um ano atrás, em um evento na cidade de Amparo e, ao falar diante de uma plateia selecionada, teceu os maiores elogios a mim como escritor. Não me senti bem, fiquei incomodado. Desde aquela noite, venho me remoendo por dentro.
Aprendi uma lição. A de usar minhas palavras com justiça, a pesquisar, indagar, saber se o que digo é verdadeiro, se a pessoa, o fato, a situação merecem o que digo. Há anos tenho uma admiração profunda por você e sua capacidade de superação. Quantos suportaram o que você atravessou? Um pianista de extremo talento que perde o movimento de uma das mãos, depois das duas, depois tem um tumor no cérebro causado por um assalto, sofre seguidas intervenções cirúrgicas dolorosíssimas, fez anos de fisioterapia. Ameaçado de perder o que o sustentava, a música, ameaçado de ficar sem a paixão, o sonho, portanto sem motivo para viver, você se superou. Na minha vida pouquíssimas vezes vi isso; se é que sua superação não é caso único.
Mesmo contra tudo e todos, você negou a impossibilidade, voltou, gravou Bach completo, retornou ao Carnegie Hall, aos palcos da Europa. Finalmente, suas mãos se foram de vez, mas você com dois dedos ainda toca piano, aprendeu regência, circula pelo Brasil e pelo mundo com uma orquestra de jovens. Você contou que certa vez ouviu o falecido maestro Eleazar de Carvalho voltar para te chamar: "Venha, vou te ensinar regência". Que beleza a mente humana, que consegue tais prodígios, ressuscitar um homem da envergadura de Eleazar, para se levantar do poço mais fundo.
Pensar que tem gente que por uma dor de cabeça, uma topada do dedão, uma indisposição estomacal, uma tristeza momentânea se imobiliza, cheio de autopiedade. Antes que eu me vá, ou que não tenha mais este espaço, ou que você não esteja mais aqui, me perdoe João Carlos Martins pela insensatez de um momento em que me julguei acima do bem e do mal e assim julguei você. Ninguém é juiz de nada.
O Estado de S.Paulo, 26/08/2011
Na minha juventude, 20 e poucos anos, crítico de cinema, adepto de uma arte engajada, "revolucionária", que mudasse os povos, derrubasse o sistema capitalista, bastava o Walter Hugo Khoury lançar um filme para que eu e outros disséssemos: eis o cineasta alienado, bergmaniano, distante da realidade brasileira, da realidade e do homem brasileiro. E tome pau!
Que realidade, meu Deus? Que realidade era aquela? Quem eu era? O tempo passou, o mundo mudou, o Brasil se transformou, mudei o olhar sobre a vida, me desiludi com ideologias, me decepcionei com os homens e também comigo e com atitudes e conceitos que se desmoronaram.
Um dia consegui ver o que era o cinema de Khoury, suas buscas, seu perfeccionismo, sua maneira refinada de filmar e transmitir uma visão particular do homem e do mundo. Khoury foi dos poucos diretores do cinema brasileiro com cultura e muitas leituras, capaz de discutir filosofia, misticismo, religião, história, arte, cinema, fotografia, mitologia, música. Era um homem educado, gentil, falava baixo, não se exaltava.
Certa vez, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou uma Mostra Walter Hugo Khoury. Fui convidado. Na noite em que subi à mesa, ele estava na plateia. Mal sabíamos todos que estava mal, fraco, deprimido, desencantado. Teve um ataque de coração pouco depois. De repente, joguei fora tudo que eu tinha preparado e olhando para ele comecei com um pedido de desculpa, de perdão, por ter sido aquele pretensioso, que achava que sabia tudo e que o mundo girava em torno de meus ideais de cinema "transformador".
Pedi perdão a Khoury por críticas insensatas, textos estúpidos, opiniões sem sustentação. Perdão por não ter entendido sua posição no cinema, o que pretendia, a coerência de uma obra. A vida tinha me mostrado muita coisa. Falei pouco e saí da mesa com um imenso alívio. Não em paz, mas me sentindo melhor.
Dali em diante, tenho pensado neste gesto simples e difícil: o de pedir perdão a alguém. Quantas vezes quis rever amigos, não liguei, não procurei. Quando liguei, alguns tinham morrido. Prometi a mim mesmo ver as pessoas de quem gostei e de quem gosto. Umas mudaram muito, outras me decepcionam. Não importa, vou em frente.
Escrevo hoje para dizer: meu caro João Carlos Martins, me perdoe. Por uma crônica que escrevi há anos em outro jornal que até já desapareceu, em que misturei estações, fui agressivo. Foi um episódio ligado a um político paulista sempre acusado de corrupção e que me enervava, me dava alergia. A imprensa acabou te envolvendo, entrei naquela. Você era então secretário de Cultura. No meu horror àquele político, distribuí pancadas, pedras, lanças. Fiz mal! Não era a você, João Carlos, era ao político que me horroriza até hoje. Na minha sanha atingi quem não devia. Depois, você foi inocentado, absolvido. Sei como ficou ferido, como tentou ao longo destes anos falar comigo, sempre me desviei. Você sempre me tratando com cordialidade incomparável. Estivemos juntos, um ano atrás, em um evento na cidade de Amparo e, ao falar diante de uma plateia selecionada, teceu os maiores elogios a mim como escritor. Não me senti bem, fiquei incomodado. Desde aquela noite, venho me remoendo por dentro.
Aprendi uma lição. A de usar minhas palavras com justiça, a pesquisar, indagar, saber se o que digo é verdadeiro, se a pessoa, o fato, a situação merecem o que digo. Há anos tenho uma admiração profunda por você e sua capacidade de superação. Quantos suportaram o que você atravessou? Um pianista de extremo talento que perde o movimento de uma das mãos, depois das duas, depois tem um tumor no cérebro causado por um assalto, sofre seguidas intervenções cirúrgicas dolorosíssimas, fez anos de fisioterapia. Ameaçado de perder o que o sustentava, a música, ameaçado de ficar sem a paixão, o sonho, portanto sem motivo para viver, você se superou. Na minha vida pouquíssimas vezes vi isso; se é que sua superação não é caso único.
Mesmo contra tudo e todos, você negou a impossibilidade, voltou, gravou Bach completo, retornou ao Carnegie Hall, aos palcos da Europa. Finalmente, suas mãos se foram de vez, mas você com dois dedos ainda toca piano, aprendeu regência, circula pelo Brasil e pelo mundo com uma orquestra de jovens. Você contou que certa vez ouviu o falecido maestro Eleazar de Carvalho voltar para te chamar: "Venha, vou te ensinar regência". Que beleza a mente humana, que consegue tais prodígios, ressuscitar um homem da envergadura de Eleazar, para se levantar do poço mais fundo.
Pensar que tem gente que por uma dor de cabeça, uma topada do dedão, uma indisposição estomacal, uma tristeza momentânea se imobiliza, cheio de autopiedade. Antes que eu me vá, ou que não tenha mais este espaço, ou que você não esteja mais aqui, me perdoe João Carlos Martins pela insensatez de um momento em que me julguei acima do bem e do mal e assim julguei você. Ninguém é juiz de nada.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
GRANDE DOUTOR: LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA!
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| No palanque das diretas, anunciado por Osmar Santos |
Ótima notícia é a alta de Socrates Brasileiro.
Parafraseando a inesquecível frase com que George Foreman esquivou-se de comparar os geniais Muhammad Ali e Joe Louis ("Não sei dizer se Ali foi o maior peso-pesado de todos os tempos, mas, sem dúvida, foi o melhor cidadão que já lutou boxe"), eu diria que o doutor foi o melhor cidadão que já se tornou grande futebolista.
Antes dele, os craques eram quase todos vaquinhas de presépio dos cartolas -- vis parasitas que vicejam à sombra das chuteiras imortais, para, da arte dos boleiros, extraírem grana, prestígio e poder.
Mesmo os que tinham espírito mais crítico e independente, evitavam dizer o que realmente pensavam da engrenagem mafiosa do futebol. Afonsinho, rara exceção, não teve a carreira que seu talento prefigurava, exatamente por haver ousado trombetear a nudez do rei.
O que Sócrates conseguiu foi impressionante: não só venceu como jogador (apesar do submundo do futebol e a venal imprensa caudatária terem insistentemente tentado desmoralizá-lo), como conseguiu unir o elenco do Corinthians em torno de suas idéias e impô-las aos dirigentes do clube.
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| Parabéns pelo novo gol, doutor! |
Lembrem-se: ainda estávamos sob ditadura. A democracia corinthiana (o direito de os atletas participarem da tomada de decisões que os afetavam, como a necessidade ou não de concentração antes dos jogos) servia como modelo e cartão de visitas da democracia em si. Havia um conteúdo político maior, subjacente à afirmação da dignidade profissional dos jogadores.
E, exatamente como Muhammad Ali, teve Sócrates a grandeza de dispor-se a um grande sacrifício pessoal em nome de suas convicções.
Ali perdeu o cinturão, muita grana e alguns dos melhores anos da carreira de um pugilista por recusar-se a servir como relações públicas para a agressão estadunidense ao povo vietnamita -- atitude que justificou com argumentos religiosos, mas cujo motivo maior ficou evidenciado na frase "Vietcong nenhum me chama de nigger [pejorativo muito usado pelos racistas dos EUA]".
Da mesma forma, Sócrates abriria mão de muita grana italiana se tivesse a oportunidade de contribuir para a reconstrução democrática do Brasil. Foi o que jurou num ato público da campanha das diretas-já, no Vale do Anhangabaú (SP): comprometeu-se solenemente a, caso fosse aprovada a emenda Dante de Oliveira, recusar a estratostérica proposta da Fiorentina.
Tenha vida longa, doutor. Ainda precisamos de você... e muito!
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O AMARGOR E A ESPERANÇA
Jornal publica, com o apoio de um vídeo, que policiais deixaram bandidos agonizantes sem socorro, mandando-os estrebucharem de uma vez.
Os leitores, em expressiva maioria, aplaudem os policiais e criticam o jornal (extremamente criticável por outros motivos, mas certo desta vez).
Militar toma o poder num país árabe e impõe uma tirania pessoal, com tinturas anticolonialistas para dourarem a pílula. No entanto, o arbítrio, as torturas e assassinatos de opositores eram os mesmíssimos dos regimes de gorilas latino-americanos como Pinochet.
Muitos esquerdistas brasileiros tomam as dores do tirano, lamentando sua derrubada porque os revoltosos têm apoios discutíveis... embora seja indiscutível que o povo queria mesmo é ver-se livre do clã que o oprimia há 42 anos, enquanto seus membros ostentavam repulsivos privilégios de nababos.
No fundo, são dois exemplos de um mesmo comportamento: pessoas que abdicam de serem boas, justas, nobres e dignas. Preferem ser amargas, más, rancorosas e vingativas. Optam por jogar a civilização no lixo, apoiando a imposição da força bruta e abrindo as portas para a barbárie.
Mas, nem a criminalidade será extinta com o extermínio dos bandidos (outros tomarão seu lugar, indefinidamente), nem a revolução mundial avançará um milímetro com a esquerda apoiando tiranos execráveis. Quem é guiado pelo amargor, apenas se coloca no mesmo plano do mal que combate, abdicando da superioridade moral e desqualificando-se para liderar o povo na busca de soluções reais.
No caso dos esquerdistas desnorteados, eles esquecem que os podres poderes se sustentam exatamente na descrença dos homens quanto às possibilidades de mudar o mundo.
Céticos, eles se tornam impotentes. Cabe a nós devolvermo-lhes as esperanças.
Nunca teremos recursos materiais equiparáveis aos do capitalismo. Nosso verdadeiro trunfo é personificarmos tais esperanças -- principalmente a de que a justiça social e a liberdade venham, enfim, a prevalecer.
Ao apoiarmos um Gaddafi, sinalizamos para o homem comum que ele só tem isso a esperar de nós. Quem, afora fanáticos, quererá dedicar sua vida à construção... de uma ditadura?!
Então, ou falamos o que faz sentido para os melhores seres humanos (os únicos que conseguiremos trazer para nosso lado no atual estágio da luta) ou continuaremos falando sozinhos, sem força política para sermos verdadeiramente influentes.
Os leitores, em expressiva maioria, aplaudem os policiais e criticam o jornal (extremamente criticável por outros motivos, mas certo desta vez).
Militar toma o poder num país árabe e impõe uma tirania pessoal, com tinturas anticolonialistas para dourarem a pílula. No entanto, o arbítrio, as torturas e assassinatos de opositores eram os mesmíssimos dos regimes de gorilas latino-americanos como Pinochet.
Muitos esquerdistas brasileiros tomam as dores do tirano, lamentando sua derrubada porque os revoltosos têm apoios discutíveis... embora seja indiscutível que o povo queria mesmo é ver-se livre do clã que o oprimia há 42 anos, enquanto seus membros ostentavam repulsivos privilégios de nababos.
No fundo, são dois exemplos de um mesmo comportamento: pessoas que abdicam de serem boas, justas, nobres e dignas. Preferem ser amargas, más, rancorosas e vingativas. Optam por jogar a civilização no lixo, apoiando a imposição da força bruta e abrindo as portas para a barbárie.
Mas, nem a criminalidade será extinta com o extermínio dos bandidos (outros tomarão seu lugar, indefinidamente), nem a revolução mundial avançará um milímetro com a esquerda apoiando tiranos execráveis. Quem é guiado pelo amargor, apenas se coloca no mesmo plano do mal que combate, abdicando da superioridade moral e desqualificando-se para liderar o povo na busca de soluções reais.
No caso dos esquerdistas desnorteados, eles esquecem que os podres poderes se sustentam exatamente na descrença dos homens quanto às possibilidades de mudar o mundo.
Céticos, eles se tornam impotentes. Cabe a nós devolvermo-lhes as esperanças.
Nunca teremos recursos materiais equiparáveis aos do capitalismo. Nosso verdadeiro trunfo é personificarmos tais esperanças -- principalmente a de que a justiça social e a liberdade venham, enfim, a prevalecer.
Ao apoiarmos um Gaddafi, sinalizamos para o homem comum que ele só tem isso a esperar de nós. Quem, afora fanáticos, quererá dedicar sua vida à construção... de uma ditadura?!
Então, ou falamos o que faz sentido para os melhores seres humanos (os únicos que conseguiremos trazer para nosso lado no atual estágio da luta) ou continuaremos falando sozinhos, sem força política para sermos verdadeiramente influentes.
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domingo, 28 de agosto de 2011
MIRANTE - MARCELO ROQUE
Mirante
Sentas aqui do meu lado
e não tenhas pressa de ir embora
Percebas olhando a paisagem
que tudo que é belo também é demora
Encostas então em meu ombro
e deixas tomar-te a serenidade
Pois de que importa verdadeiramente o tempo
se conquistada fora a eternidade
Marcelo Roque
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sábado, 27 de agosto de 2011
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Coleção História Geral da África em português (Somente em PDF) |
Coleção História Geral da África em português (Somente em PDF) |: – Enviado usando a Barra de Ferramentas Google
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
MUSA - MARCELO ROQUE
Musa
Quero iluminar teus dias,
amanhecer-te envolta em versos
Ao pender de cada palavra
entardecer-te suavemente
E assim então, adormecer-te,
sob a sombra d'um poema
Marcelo Roque
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
QUEM TEM OLHOS NA NUCA NÃO VÊ A PRIMAVERA CHEGANDO
Cada vez que apresento análises alternativas aos clichês esquerdistas dominantes, recebo uma enxurrada de críticas de certos companheiros, como se fosse um herege contestando mandamentos divinos...
O marxismo nem sequer existiria se o velho barbudo não tivesse ousado lançar sua visão alternativa aos clichês anarquistas dominantes. Mas, o vezo autoritário enraizou-se de tal forma na esquerda durante o pesadelo stalinista que nunca mais conseguimos nos livrar dele por completo.
Daí a facilidade com que o inimigo afasta de nós os cidadãos dotados de espírito crítico: ao defendermos com tanto ardor regimes execráveis e execrados como o de Gaddafi, damos todos os pretextos para sua máquina de propaganda trombetear que nosso objetivo último seria estabelecer tiranias. E a indústria cultural deita e rola em cima de nós.
Comigo não, violão. A despeito de quaisquer pressões dos que encaram o futuro com a nuca, continuarei tentando discernir o que está à frente e oferecer melhores opções ao movimento revolucionário do que as hoje prevalescentes.
Pois, queiramos ou não, é o capitalismo que domina o mundo e nós vimos perdendo terreno desde a segunda metade da década de 1980.
Está na hora de começarmos a virar esse jogo. E não será com Husseins, Gaddafis, al-Assads e Ahmadinejads que recolocaremos a revolução mundial em pauta.
Pois, é disto que se trata: regimes híbridos em países isolados são facilmente cercados e inviabilizados pelas potências capitalistas, o que acaba forçando-os, para sobreviverem, a incidirem em distorções de todo tipo. Tornam-se mais úteis para o inimigo como espantalhos do que para nós como cartões de visita.
Marx sonhava com uma onda revolucionária varrendo o planeta. É uma hipótese que se tornará cada vez mais viável com o agravamento das crises cíclicas do capitalismo (as quais, mais dia, menos dia, desembocarão numa depressão talvez ainda mais terrível que a da década de 1930) e com as catástrofes ambientais que se avizinham.
Se há um sentimento comum à maioria dos povos, neste início do século 21, é o repúdio a governos que achatam os governados. Até nos países árabes, como bem destaca Vladimir Safatle no seu ótimo artigo desta 3ª feira, Outro jogo, é "sintomático que a palavra mais usada seja respeito":
"Seus levantes (...) foram em nome do fim de uma mistura entre opressão política e desencanto econômico".
Trocando "opressão política" por "falta de verdadeira representatividade política", pode-se dizer o mesmo das revoltas européias. O povo quer respeito e quer o fim dos sacrifícios inúteis que o capitalismo putrefato lhe impõe, embora ainda não tenha consciência de que são inerentes ao sistema capitalista e só acabarão quando ele acabar.
A internet, principalmente, está sacudindo o marasmo secular. Há cada vez mais frações da massa se descobrindo como gente, "que é para brilhar, não para morrer de fome", na bela frase de Caetano Veloso.
E se recusando a ser "povo marcado, povo feliz", como disse o Zé Ramalho, completando o raciocínio do seu guru Geraldo Vandré, de que "gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente".
É entendendo, harmonizando-nos com e passando a expressar esse sentimento tão difuso quanto poderoso, que reconstruiremos a esquerda, tornando-a novamente capaz de sacudir o mundo -- e não lambendo a bota de tiranos.
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
FIM DE UMA TIRANIA
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| Tripoli em festa: contra imagens não há argumentos |
Na vida, isto é inconcebível e inaceitável. Se não priorizarmos a existência humana como valor supremo, propiciaremos o advento da barbárie.
Para os revolucionários, mais ainda. Existimos para defender os peões, não os reis ameaçados.
Então, é simplesmente grotesco e indefensável o alinhamento de qualquer esquerdista com déspotas como o que está sendo derrubado na Líbia e o que precisa ser derrubado na Síria.
Devemos, sim, fazer tudo que pudermos para evitar que sejam substituídos por outros tiranos e/ou joguetes dos EUA e de Israel.
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| Pode um revolucionário identificar-se com ISTO?! |
Cabe-nos conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização, sentenciou, com máxima clareza, o velho barbudo. Não acumpliciarmo-nos com retrocessos históricos. Jamais!
Absolutismo, feudalismo, estados teocráticos, tiranias pessoais, tudo isso foi merecidamente para a lixeira da História. E é lá que deve permanecer.
Nosso compromisso é com a construção de uma sociedade que concretize, simultaneamente, as duas maiores aspirações dos homens através dos tempos: a justiça social e a liberdade.
Muammar Gaddafi e Bashar al-Assad, brutais genocidas, não nos aproximaram dessa sociedade um milímetro sequer. São carniceiros comparáveis a Átila e Gengis Khan.
Todos deveríamos manter deles a mesma distância que mantivemos de Pol Pot a partir do momento em que ficaram comprovadas, sem sombra de dúvida, as características monstruosas do regime do Khmer Vermelho.
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domingo, 21 de agosto de 2011
ATROFIA- MARCELO ROQUE E MARCHA DA EDUCAÇÃO
PARTICIPE DA MACHA DA EDUCAÇÃO
DIA 27,13HS, NO MASP
SAIBA MAIS
http://marchadaeducacao.org
______________________________________________________________
A Educação em nosso país é um caso seríssimo ...
Nossos jovens são impedidos de terem um horizonte mais amplo ...
Tudo, por conta de um ensino de péssima qualidade ... ruim demais ...
E não se trata apenas de uma questão de mais investimento, mas tb,
de mudança no sistema de ensino ... método atual é ineficiente ... "atrofiante"
Atrofia
Como diriam os loucos e poetas;
"Nascemos todos para voar"
Mas se nos negam o céu
de quê nos valem as asas ?
Marcelo Roque
DIA 27,13HS, NO MASP
SAIBA MAIS
http://marchadaeducacao.org
______________________________________________________________
A Educação em nosso país é um caso seríssimo ...
Nossos jovens são impedidos de terem um horizonte mais amplo ...
Tudo, por conta de um ensino de péssima qualidade ... ruim demais ...
E não se trata apenas de uma questão de mais investimento, mas tb,
de mudança no sistema de ensino ... método atual é ineficiente ... "atrofiante"
Atrofia
Como diriam os loucos e poetas;
"Nascemos todos para voar"
Mas se nos negam o céu
de quê nos valem as asas ?
Marcelo Roque
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30 ANOS SEM GLAUBER ROCHA, GLADIADOR DEFUNTO MAS INTACTO
Nesta 2ª feira (22) se completam 30 anos da morte do baiano Glauber Rocha, o maior cineasta brasileiro de todos os tempos.
Tudo nele era trepidante, tempestuoso. Depois de realizar um filme apenas promissor sobre misticismo e consciência social (Barravento, 1962), deu um salto incrível de qualidade em apenas um ano, obtendo consagração instantânea com Deus e o Diabo na Terra do Sol, parábola delirante sobre cangaceiros e fanáticos.
O espanto e a admiração foram tão intensos que poucos críticos perceberam se tratar de um filme um tanto desequilibrado: a primeira parte, em que o casal de camponeses Manoel (Geraldo Del Rey) e Rosa (Yoná Magalhães) ingressa no rebanho do Santo Sebastião (ersatz de Antônio Conselheiro) é muito inferior à segunda, a da passagem de ambos pelo cangaço. E não só porque o ótimo Othon Bastos deu um banho de interpretação como Corisco, enquanto Lídio Santos (Sebastião) era amadoresco e tinha carisma zero.
Aliás, o Corisco glauberiano foi o melhor cangaceiro que o cinema brasileiro criou, em mais de uma dezena de filmes. Um personagem contraditório e explosivo, ora se vendo como um instrumento de São Jorge ("o santo do povo"), ora barbarizando o sertão qual endemoniado, para vingar a morte de Lampião.
Aliás, o Corisco glauberiano foi o melhor cangaceiro que o cinema brasileiro criou, em mais de uma dezena de filmes. Um personagem contraditório e explosivo, ora se vendo como um instrumento de São Jorge ("o santo do povo"), ora barbarizando o sertão qual endemoniado, para vingar a morte de Lampião.
Outro grande acerto de Glauber foi o contraponto de Corisco: o jagunço Antônio das Mortes (o papel da vida do grandalhão Maurício do Valle).
Antônio mata cangaceiros e beatos a soldo do latifúndio, mas acredita estar desimpedindo o caminho para a libertação do povo, pois este deverá travar sua grande cruzada "sem a cegueira de Deus [Sebastião] e do diabo [Corisco]" - motivo pelo qual ele liquida os dois.
É o conceito que encerra o filme: a morte de Corisco tira Manoel da órbita messiânica do Bem e do Mal. Em fuga, ele corre e o oceano parece vir ao seu encontro, realizando a profecia de Sebastião: "o sertão vai virar mar e o mar virar sertão". É claro que Glauber tinha em mente os altos mares da revolução.
O que veio, entretanto, foi o golpe militar. E a imensa depressão causada pela derrota foi expressa/purgada na obra-prima seguinte de Glauber, Terra em Transe (1967), sobre o confronto entre o político populista Felipe Vieira (José Lewgoy) e o direitista Porfirio Diaz (Paulo Autran) num país fictício com todo o jeitão de Brasil, culminando numa quartelada que tem total apoio da empresa estrangeira dominante.
Entre os dois está colocado o poeta Paulo Martins (Jardel Filho), representando uma intelectualidade oscilante e confusa, mas que, no momento da decisão, lança-se à luta contra o golpismo (o maquiavélico Diaz, evidentemente, foi inspirado no corvo Carlos Lacerda).
É uma contundente autocrítica da esquerda brasileira transposta para as telas. O que se discute, basicamente, são os erros cometidos pelo Partido Comunista e o apoio oportunista a um político que não era verdadeiramente revolucionário nem estava à altura do momento histórico. Quando Vieira evita resistir para que não seja derramado "o sangue das massas", é João Goulart que está falando pela boca dele.
E, de certa forma, trata-se de um filme premonitório: o poeta não aceita a perspectiva de viver debaixo das botas e provoca a própria morte, em nome do "triunfo imortal da justiça e da beleza". Foi mais ou menos o que fizemos nos anos seguintes, ao lançarmo-nos numa luta impossível de ser vencida -- embora, claro, não nos movesse nenhuma propensão ao suicídio, mas sim a esperança de libertar nosso povo. Tínhamos fé cega na justeza de nossos ideais, mas a faca amolada, quem a possuía era o inimigo...
O ciclo se fechou com O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1968), um filme feito com a consciência de que era iminente o confronto armado entre a esquerda e a ditadura.
O ciclo se fechou com O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1968), um filme feito com a consciência de que era iminente o confronto armado entre a esquerda e a ditadura.
Foi uma profissão de fé na revanche histórica dos humilhados e ofendidos.
Antônio das Mortes entra em parafuso, repensa o papel que vinha cumprindo e acaba se reposicionando na trincheira correta, ao lado de um professor ligeiramente inspirado no médico Che Guevara (Othon Bastos) e dos fantasmas do cangaço, de Canudos e de Palmares, todos numa santa união contra o coronelismo personificado por Jofre Soares. Finalmente, São Jorge crava sua lança no dragão.
Antônio das Mortes entra em parafuso, repensa o papel que vinha cumprindo e acaba se reposicionando na trincheira correta, ao lado de um professor ligeiramente inspirado no médico Che Guevara (Othon Bastos) e dos fantasmas do cangaço, de Canudos e de Palmares, todos numa santa união contra o coronelismo personificado por Jofre Soares. Finalmente, São Jorge crava sua lança no dragão.
Fora das telas, entretanto, quem acabou vencendo foi a besta-fera. E Glauber, como o Paulo Martins de Terra em Transe, não reencontrou seu caminho, nem inspiração, em meio à pasmaceira e ao medo.
Fez filmes repetitivos e dispensáveis, até chegar ao fundo do poço: o caótico, no mau sentido, A idade da Terra (1980), tão sem rumo no espaço que o Glauber passou quase um ano tentando montá-lo, até que, por imposição da Embrafilme, entregou qualquer coisa para exibição num festival. Comentei, então, que podíamos entrar e sair no trecho que quiséssemos, dava no mesmo...
Chegou até a levar seu estilo nervoso, com câmara na mão, à TV, fazendo intervenções criativas num programa dominical do SBT. Só que, estando aquelas ousadias meio gastas, ele foi encarado mais como atração bizarra.
No Festival de Brasília de 1978, o curta-metragem estava começando quando alguém começou a gritar no escuro:
- Aqui é o Glauber Rocha, falando em nome das aberturas democráticas [a "distensão lenta, gradual e progressiva" do ditador Geisel]. Vim para denunciar o maior dedo-duro da História do Brasil, que é fulano [nominou o então presidente da Fundação Cultural do Distrito Federal].
Os espectadores o calaram com apupos e berros de "respeita o trabalho dos outros!". Foi embora furibundo.
No dia seguinte, ouvi o acusado. Ele disse que o problema do Glauber era apenas não ter recebido uma subvenção com a qual contava.
Telefonei também ao Glauber, pedindo-lhe uma entrevista. Ele marcou para o começo da tarde, no seu hotel... e decolou para o RJ na hora do almoço.
Mas, todos os que curtimos intensamente o sonho de 1968 ficamos fora do eixo naquela terrível década subsequente - uns mais, outros menos.
Prefiro recordar o Glauber que lavou a minha alma com os três filmes que, até hoje, melhor expressaram o transe brasileiro.
Cai como uma luva, para ele próprio, a estrofe de Mário Faustino que Glauber encaixou em Terra em transe, como um tributo ao seu personagem que também termina como poeta suicida:
"Não conseguiu firmar o nobre pacto
entre o cosmos sangrento e a alma pura.
Porém, não se dobrou perante o facto
da vitória do caos sobre a vontade
augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mas intacto
(Tanta violência, mas tanta ternura)"
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sábado, 20 de agosto de 2011
A CARTILHA CENSURADA >>>>O Olho do Consumidor - cartilha sobre orgânicos ilustrada pelo Ziraldo
O Olho do Consumidor - cartilha sobre orgânicos ilustrada pelo Ziraldo: – Enviado usando a Barra de Ferramentas Google
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Eli Pariser: Tenha cuidado com os "filtros-bolha" online. | Video on TED.com
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