Margem.
Água vindo, água voltando, água enrolando nos pés.
Aguapés.
Água, ruído indefinível, fluidez, talvez sereias
A cantar no inescrutável além...
Areia.
Grãos de luz na Lua Cheia,
Fadinhas brincando de roda
No círculo mágico entre as ramagens.
Galhos.
Dedos ágeis de madeira a apontar...
Para cá, para lá,
A abrigar...
Aves.
Multidão de sons, liberdade plena,
Todas as cores da vida,
A inquietante leveza do planar...
Ar.
Sussurros súbitos a embriagar o céu,
Volúpia,
Vibrações intensas,
Sementes a buscar caminhos,
Pólen.
Miragem.
Menina nua a acenar no rio,
Ousadia das águas, voragem,
Meus olhos um só brilho e cor,
A temerária vontade de seguir o sangue,
Chuva a crepitar, água na água,
Dilúvio de cegueiras,
Deliciosas mortes a fremir na areia...
E o cisne.
A possibilidade de enxergar o cisne.
Em impávida noite de luar
Ou no extremo da total surpresa,
Quando a incredulidade e a mesmice ameaçam
O que resta de força de vida...
Súbito! – o cisne.
Belo, majestático, puro,
Deslizando a sua beleza improfanável.
E cachoeiras ribombando ao longe
Como um hino ao desafio.
Fausto Brignol.
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